2831: Produção de carne no espaço já não é ficção

CIÊNCIA

Cosmonauta russo conseguiu realizar o feito na Estação Espacial Internacional com a ajuda de uma impressora 3D e culturas de células.

A produção de carne fora da Terra deixou de ser ficção desde que um cosmonauta russo conseguiu realizar recentemente o feito na Estação Espacial Internacional com a ajuda de uma impressora 3D e culturas de células.

A experiência, cujos resultados foram divulgados na quarta-feira, foi feita em Setembro por Oleg Skripotchka e permitiu obter pequenas quantidades de tecido bovino e de coelho.

Segundo Didier Toubia, patrão da empresa israelita Aleph Farms, que forneceu as células animais para a experiência, a tecnologia usada poderá “tornar possível” as viagens espaciais de longa duração, nomeadamente ao planeta Marte.

“Mas o nosso objectivo é mesmo vender a carne na Terra”, frisou, citado pela agência noticiosa francesa AFP, acrescentando que a ideia é de proporcionar “uma melhor alternativa às explorações industriais”.

Para Didier Toubia, a experiência feita pela primeira vez no espaço, e que teve a colaboração de russos, americanos e israelitas, permitiu demonstrar que é possível produzir carne fora do ambiente natural e no momento em que se sente necessidade.

Há seis anos, o cientista holandês Mark Post apresentou ao mundo o primeiro hambúrguer produzido em laboratório a partir de células estaminais de vacas.

Várias empresas lançaram-se na produção da carne “artificial ou cultivada”, mas os seus custos continuam muito elevados e nenhum produto deste tipo está à venda.

As estimativas do sector apontam para que a comercialização de carne ‘in vitro‘, a preços razoáveis, se faça numa franja de supermercados dentro de cinco a 20 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Outubro 2019 — 22:56

 

2820: Astronautas imprimiram carne no Espaço pela primeira vez

CIÊNCIA

3D Bioprinting Solutions

As novas tecnologias estão a revolucionar lentamente a forma como os astronautas comem no Espaço. Enquanto os primeiros astronautas espremiam as suas refeições com tubos parecidos a pastas de dentes, os astronautas de hoje comem gelado e fruta e temperam as refeições com sal e pimenta líquidos.

Mas ainda existem limites para os tipos de alimentos que podem suportar a micro-gravidade. Qualquer coisa que produza migalhas, por exemplo, é considerada perigosa, uma vez que as partículas de alimentos podem entupir os sistemas eléctricos ou os filtros de ar de uma nave espacial, de acordo com o Business Insider.

A comida precisa de durar um longo período de tempo, caso as missões de reabastecimento não tenham sucesso.Assim, as empresas de tecnologia estão a experimentar formas de cultivar alimentos a bordo de uma nave.

No final de Setembro, a startup israelita de tecnologia de alimentos Aleph Farms supervisionou o crescimento de carne no Espaço pela primeira vez, com a ajuda de uma impressora 3D. A experiência não é inteiramente novo. A Aleph Farms cozinha bifes cultivados em laboratório desde Dezembro de 2018, mas sugere que a carne pode ser cultivada em todos os tipos de ambientes adversos.

Para fazer a sua carne cultivada em laboratório, a Aleph Farms começa por extrair células de uma vaca através de uma pequena biopsia. As células são colocadas num “caldo” de nutrientes que simula o ambiente dentro do corpo de uma vaca. A partir daí, crescem num pedaço fino de bife. Aqueles que provaram o produto dizem que serve para imitar a textura e o sabor da carne tradicional.

“Somos a única empresa que tem capacidade para produzir carne totalmente texturizada, que inclui fibras musculares e vasos sanguíneos – todos os componentes que fornecem a estrutura e as conexões necessárias para o tecido”, disse o CEO e co-fundador da Aleph, Didier Toubia.

Mas, para cultivar a carne no espaço, a Aleph Farms teve que alterar um pouco o processo. Primeiro, colocaram as células da vaca e o caldo de nutrientes em frascos fechados. Em seguida, levaram os frascos na sonda Soyuz MS-15 no Cazaquistão. Em 25 de Setembro, a sonda descolou para o segmento russo da Estação Espacial Internacional, orbitando a cerca de 400 quilómetros da Terra.

Quando os frascos chegaram à estação, os astronautas russos – conhecidos como cosmonautas – inseriram-nos numa impressora magnética da empresa russa 3D Bioprinting Solutions. A impressora replicou as células para produzir tecido muscular (a “carne”). As amostras regressara à Terra a 3 de Outubro, sem serem consumidas pelos cosmonautas.

“Esta experiência foi estritamente prova de conceito”, disse Grigoriy Shalunov, gerente de projectos da 3D Bioprinting Solutions. No futuro, a empresa espera fornecer uma fonte de proteína para missões no espaço profundo e colónias iniciais na Lua e em Marte.

A experiência não é a primeira vez que alimentos crescem artificialmente no espaço. Em 2015, os astronautas cultivaram alface na Estação Espacial Internacional. A NASA está a desenvolver um “jardim espacial” que pode produzir alface, morangos, cenouras e batatas no Gateway, uma estação espacial proposta que pode orbitar a lua.

A capacidade de imprimir carne em micro-gravidade não é só uma boa notícia para os astronautas. Também sugere que as empresas possam imprimir carne em ambientes extremos da Terra – principalmente em locais onde a água ou a terra são escassas.

O cultivo de carne consome cerca de 10 vezes menos água e terra do que a pecuária tradicional. A carne cultivada em laboratório também é mais rápida de produzir – demora apenas alguns minutos a cozinhar.

A necessidade de produzir mais alimentos e conservar os recursos naturais é mais urgente do que nunca. Um relatório recente do Painel Inter-governamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas descobriu que a nossa indústria de alimentos produz 37% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Aleph Farms diz mesmo que a sua experiência espacial é uma resposta directa a esses desafios. “É hora de americanos e russos, árabes e israelitas se elevarem acima dos conflitos, se unirem e se unirem por trás da ciência para lidar com a crise climática e as necessidades de segurança alimentar”, afirmou a empresa. “Todos nós partilhamos o mesmo planeta”.

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2019