4719: Lulas gigantes estão a deixar enormes cicatrizes em tubarões brancos

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Becerril-García et al. 2020

Cientistas marinhos encontraram evidências que sugerem que grandes tubarões brancos (Carcharodon carcharias) estão a ser atacados por lulas gigantes no Oceano Pacífico.

Uma equipa de investigadores encontrou 14 tubarões brancos (Carcharodon carcharias) com evidências de cicatrizes causadas por lulas gigantes no México.

O estudo, recentemente publicado na Nature, indica que os cientistas marinhos examinaram 14 tubarões brancos com cicatrizes ao longo de cinco anos, entre 2008 e 2019. A maioria dos espécimes ainda não tinha atingido a idade adulta na altura e as marcas apareceram quase que universalmente na cabeça e tronco dos animais.

Segundo o All That’s Interesting, os ataques aconteceram próximo da Ilha de Guadalupe e é um fenómeno que, segundo os investigadores, tem acontecido nas águas do Oceano Pacífico Norte.

Com os cefalópodes – animais marinhos como lulas, polvos e chocos – constituem cerca de 50% da dieta de algumas espécies de tubarões, os cientistas sugerem que os ferimentos são provocados durante a tentativa de caça. “O consumo de cefalópodes pode ser essencial na dieta do tubarão branco por permitir uma rápida digestão e absorção devido à grande quantidade de proteínas e baixo teor de lípidos presentes nesse grupo de invertebrados”, escreveram no artigo.

As lulas gigantes vivem a uma profundidade entre os 200 e 1.000 metros. Em busca de uma refeição, os tubarões brancos mergulham nestas profundidades, um comportamento comum principalmente entre os adultos e “adolescentes”, numa região onde a luz do Sol não chega.

“O facto de a lula causar estas marcas nos tubarões sugere um encontro extremamente agressivo entre predador e presa, no qual as cicatrizes defensivas se projectam na cabeça, guelras e corpo do tubarão branco”, escreveram os autores do artigo científico, alertando que, em alguns casos, podem gerar feridas abertas e de alta intensidade.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2020


2910: Afinal, o solitário tubarão-branco também gosta de escolher com quem anda

CIÊNCIA

kenbondy / Flickr
Carcharodon carcharias, conhecido pelo nome comum de tubarão-branco

Investigadores descobriram, através de uma análise nas Neptune Islands, na Austrália, que os tubarões-brancos podem formar comunidades. 

Geralmente, o Carcharodon carcharias, conhecido pelo nome comum de tubarão-branco, é visto como um animal solitário. No entanto, quando se reúne com outros da sua espécie, passa mais tempo com certos indivíduos do que outros.

Segundo o IFLScience, Charlie Huveneers, professor associado da Universidade Flinders, na Austrália, fotografou 282 tubarões-brancos nas Neptune Islands, um local conhecido no país pela relativa facilidade em ver este animal.

O investigador observou a proximidade entre eles, durante um período de quatro anos e meio, relatando que certos tubarões eram frequentemente vistos no mesmo local, no mesmo dia, mesmo com anos de diferença.

“Em vez de estarem apenas ali aleatoriamente, os tubarões formaram quatro comunidades distintas, o que mostrou que alguns eram mais propensos a usar aquele lugar de forma simultânea do que o esperado por acaso”, afirmou Stephan Leu, investigador da Universidade Macquarie, também na Austrália, e um dos autores do estudo publicado, este mês, na revista científica Behavioral Ecology and Sociobiology.

“Os tubarões em geral, e os tubarões brancos em particular, não são conhecidos por formarem laços no significado geral da palavra”, explica Huveneers ao mesmo site. Ao contrário das orcas ou dos golfinhos, não há evidências de que estes animais se juntem para caçar as suas presas.

O investigador deixa claro que estas associações são ainda muito prematuras, e podem não estar relacionadas com uma preferência por determinados companheiros. Em vez disso, se determinadas condições ambientais atraírem certos indivíduos, enquanto outros são atraídos para outros lugares, surgirão associações aparentes. No entanto, ainda não se sabe quais são essas preferências.

No entanto, Huveneers não deixa de achar que estas observações são surpreendentes, até porque cada vez mais se veem “associações não aleatórias em várias espécies, incluindo os Negaprion brevirostris e os Scyliorhinus canicula“.

Este ano, cientistas também identificaram que as manta rays, que já foram consideradas criaturas solitárias, formam relações sociais.

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Por ZAP
26 Outubro, 2019