2915: Os caranguejos têm memória (e conseguem superar um labirinto complexo)

CIÊNCIA

D. Hazerli / Wikimedia
Carcinus maenas

A espécie de caranguejo Carcinus maenas consegue percorrer um labirinto e lembrar-se do trajecto durante duas semanas. Esta descoberta demonstra que os crustáceos têm capacidade cognitiva para aprendizagens complexas, embora tenham cérebros muito mais pequenos do que outros animais, como as abelhas.

Edward Pope, investigador da Universidade de Swansea, no Reino Unido, afirmou que os crustáceos têm um cérebro aproximadamente 10 vezes mais pequeno do que o de uma abelha, em termos de contagem neuronal.

A equipa do cientista treinou doze caranguejos da espécie Carcinus maenas para completar até ao fim um labirinto subaquático complexo, introduzido dentro de um aquário. O labirinto tinha um único caminho correto para os animais conseguirem chegar até à meta, que exigia cinco mudanças de direcção e incluía três becos sem saída.

Como recompensa, os investigadores colocaram um mexilhão triturado no fim do trajecto. O caranguejo que chegasse até ao fim era o feliz contemplado.

Segundo o New Scientist, os caranguejos tentaram completar o labirinto uma vez por semana, durante quatro semanas. De acordo com os cientistas, os animais não conseguiram chegar ao fim do trajecto sem cometer um erro até à terceira semana de treino, apesar de terem melhorado sessão após sessão.

Pope e sua equipa decidiram esperar mais duas semanas antes de colocar à prova as memórias dos caranguejos.

Nesta segunda tentativa, os cientistas colocaram os caranguejos dentro um labirinto sem qualquer recompensa comestível. Os doze animais conseguiram completar o labirinto em apenas 8 minutos.

Segundo o artigo científico publicado na Biology Letters, um outro grupo composto por caranguejos não treinados demorou, em média, 39 minutos para completar o labirinto, com apenas 7 dos 12 caranguejos a chegar ao fim em menos de uma hora.

“É interessante ver que os caranguejos conseguem aprender o labirinto”, referiu Neil Burgess, da University College London, no Reino Unido. Ainda assim, estes animais aprendem mais lentamente do que roedores ou outros mamíferos.

No futuro, Pope e a equipa querem investigar de que forma as mudanças nas condições do oceano, como a acidificação e o aumento da temperatura, podem afectar a capacidade de aprendizagem dos caranguejos.

ZAP //

Por ZAP
27 Outubro, 2019

 

446: A vida está difícil para os extra-terrestres (falta um ingrediente para que possam existir)

(CC0/PD) skeeze / pixabay
A Nebulosa de Caranguejo tem menos fósforo do que devia

Um dos ingredientes químicos essenciais à vida é o fósforo. Mas segundo um estudo recente, parece haver no Universo menor quantidade do precioso elemento que que anteriormente se pensava – e isso poderá por em causa a probabilidade de existência de vida inteligente extra-terrestre.

Os cientistas acreditam que o fósforo, elemento sem o qual a vida não poderia ter existido, terá sido trazido para a Terra em meteoritos que colidiram com o nosso planeta – a chamada teoria da “Centelha da Vida”. Tal hipótese induziu os cientistas a considerar que então, deveria haver também vida em outros planetas.

O fósforo é particularmente importante por ser um dos componentes da Adenosina Tri-Fosfato, ou ATP, a molécula que as células usam para armazenar e transportar energia.

Mas num novo estudo, uma equipa de cientistas examinou dados do Telescópio William Herschel, nas Ilhas Canárias, que tinha medido a radiação infravermelha produzida pelo fósforo e ferro na Nebulosa de Caranguejo, o que resta actualmente da explosão de uma supernova a cerca de 6500 anos-luz da Terra.

O estudo foi apresentado durante a EWASS2018, Semana Europeia de Astronomia e Ciência Espacial, que teve lugar esta semana em Liverpool, no Reino Unido.

Comparando estas leituras com os resultados anteriormente obtidos na análise dos restos da supernova Cassiopeia-A (Cas A), os cientistas ficaram surpreendidos por perceber que há muito menos fósforo na Nebulosa de Caranguejo.

Apesar de preliminares, estes resultados parecem indicar que há muito menos quantidade deste ingrediente vital para a vida no Universo do que antes se supunha.

“Estas duas supernovas parecem ter sido muito diferentes, talvez porque a Cas A resultou da explosão de uma estrela rara, super-massiva”, explica o astrónomo Phil Cigan, investigador da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, citado pelo Science Alert.

“Precisamos de mais leituras de telescópio para podermos ter a certeza de que não nos escapou alguma região rica em fósforo na Nebulosa de Caranguejo”, diz o astrónomo.

Se a quantidade de fósforo expelida para o espaço pelas supernovas for tão imprevisível como parecem indicar as diferenças entre Caranguejo e Cas A, há uma menor probabilidade que um planeta seja em alguma altura atingido pelo mix de ingredientes perfeito para lançar a centelha de vida.

Uma possibilidade, que os investigadores adiantaram à Popular Mechanics é que a diferença de idades entre as duas estrelas tenha afectado as quantidades de fósforo disponíveis numa e noutra. Outra hipótese é que a extrema densidade de Cas A tenha provocado um maior número de reacções químicas.

Mas para já, os cientistas não conseguem explicar a falta de fósforo em Caranguejo.

“Se o fósforo é produzido nas supernovas, e transportado pelos meteoros até aos planetas que dele precisam para gerar vida, pergunto-me se um jovem planeta pode dar por si sem o fósforo reactivo de que precisa só porque teve o azar de ter nascido no sítio errado do Universo”, interroga-se Jane Greaves, também membro da equipa de investigadores.

“Nesse caso”, diz a astrónoma britânica, “a Vida pode ter mesmo que lutar muito para conseguir singrar num planeta semelhante ao nosso – mas sem o fósforo de que as reacções químicas vitais tanto precisam”.

ZAP, AJB // Science Alert

Por AJB
8 Abril, 2018

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