3038: Caracóis estão a ficar amarelos para se adaptarem às alterações climáticas

CIÊNCIA

Mad Max / Wikimedia

Nas áreas urbanas, os caracóis estão a ficar com as cascas amarelas para se adaptarem às alterações climáticas. Os cientistas vão agora analisar os padrões das penas dos pássaros, para perceberem se também há uma adaptação da sua parte.

Uma equipa de investigadores deu oportunidade às pessoas de, por momentos, se tornarem elas mesmas cientistas. Com recurso a uma aplicação para o smartphone, os investigadores pediram às pessoas que fotografassem caracóis para perceberem como é que os ambientes urbanos afectam este molusco.

Segundo o Massive Science, os caracóis são altamente sensíveis à mudança de temperatura, daí as suas conchas pálidas os ajudarem a manter-se frescos. A espécie estudada, Cepaea nemoralis, pode ter até três tonalidades de cor: rosa, amarelo e castanho.

O estudo publicado em Julho na revista científica Communications Biology procurou perceber se havia uma predominância de caracóis com cores mais claras na cidade, devido às adaptações à temperatura mais quente.

As fotografias captadas pelos utilizadores da app eram analisadas por um algoritmo, que concluiu que havia mais caracóis amarelos nas áreas urbanas. Isto confirma a ideia inicial dos investigadores, já que o amarelo reflete mais o sol em comparação com as outras cores.

Por outro lado, aperceberam-se que os espécimes das áreas urbanas não tinham menos riscas pretas do que os das florestas. A equipa de investigadores acredita que esta se pode tratar de uma forma única de ajustar a radiação de calor.

Agora, para o futuro, os cientistas esperam voltar a recorrer à população e às novas tecnologias para ajudar a analisar os padrões de penas em pássaros nas áreas urbanas. Os cientistas holandeses esperam perceber a forma como as alterações climáticas podem afectar os animais voadores.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2019

 

1146: Encontrado raro caracol fossilizado em âmbar com 99 milhões de anos

CIÊNCIA

Lida Xing, China University of Geosciences

Uma equipa internacional de paleontólogos descobriu em Mianmar um caracol incrivelmente fossilizado em âmbar datado de há cerca de 100 milhões de anos – sendo, por isso, contemporâneo dos dinossauros. 

Ao contrário da maioria dos fósseis de caracol já encontrados, que costumam apenas preservar a concha, o fóssil recém-descoberto está perfeitamente intacto, desde a sua concha até aos seus tecidos moles e tentáculos.

De acordo com o cientista e professor Xing Lida, que liderou a pesquisa, este é o exemplar de caracol com tecidos moles mais antigo até agora encontrado. “O par de tentáculos e os olhos do caracol foram preservados intactos no âmbar”, disse.

O fóssil foi encontrado no Vale de Hukawng, no norte de Mianmar, uma região rica em descobertas fósseis em âmbar, pertencendo assim ao período do Cretáceo, no qual viveram alguns dos dinossauros mais amados do mundo, como o T-Rex ou o Velociraptor.

De acordo com o artigo publicado esta semana na revista Cretaceous Research, a morfologia sugere que o fóssil encontrado é ancestral dos Cyclophoridae, uma família de caracóis terrestres. Desta forma, este exemplar não é só o mais antigo já encontrado em âmbar, como pode também ser do mais antigo já descoberto na Ásia.

Os caracóis são extremamente frágeis, tal como nota o Science Alert. Os seus corpos são macios e gelatinosos, e os seus exoesqueletos – também conhecidos como as suas conchas – são sensíveis. Apesar de haver registo de alguns exemplares, é muito raro encontrar caracóis preservados em âmbar.

Este fóssil, comprado a um coleccionador de fósseis privado em 2016, é 70 milhões de anos mais velho do que qualquer outro fóssil de caracol com tecido mole até agora encontrado – é um fóssil excepcional de um caracol ainda jovem.

“A antiga resina das árvores tinha um excepcional potencial de preservação, capturando até os detalhes mais ínfimos dos organismos fósseis há milhões de anos num espaço 3D perfeito – os animais parecem ter ficado presos em resina ontem”, explicou o paleontólogo Jeffrey Stilwell em declarações à National Geographic.

Há ainda outro detalhe interessante sobre o fóssil. De acordo com os especialistas, o animal estava provavelmente vivo quando foi “apanhado” pela resina. “As partes moles do caracol estão muito esticadas e isso pode significar que estava a tentar uma fuga final que não tem sucesso”, lê-se no artigo.

Esta é uma descoberta com detalhes sem precedentes neste tipo de fossilização, que agora se junta às demais descobertas feitas em Mianmar nos últimos anos. O fóssil encontra-se agora na colecção do Instituto de Paleontologia de Dexu em Chaozhou, na China.

Por ZAP
15 Outubro, 2018

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