3208: “Cápsulas do tempo.” Água de mina sul-africana pode conter vida isolada durante dois mil milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Tullis Onstott and Princeton Institute for the Science and Technology of Materials Imaging & Analysis Center
Célula em divisão

Uma equipa de cientistas encontrou depósitos de água isolados numa mina na África do Sul, que podem conter microrganismos vivos com cerca de dois mil milhões de anos.

Estas “cápsulas do tempo” líquidas, encontradas pela equipa na mina sul-africana, são quentes, salgadas e desprovidas de nutrientes. De acordo com os investigadores, estes depósitos podem ser quimicamente semelhantes aos depósitos de água em Marte.

Os cientistas estimam que os depósitos de água, situados a três quilómetros abaixo da superfície da Terra, foram formados há cerca de dois mil milhões de anos. O líquido surge em fracturas, que existem nas rochas devido a perfurações, o que permitiu aos investigadores libertar parte da água pressurizada e filtrar o material para análise.

Depois de analisarem as amostras, a equipa concluiu que, na água, existe um bioma em forma de haste com bactérias ou micróbios chamados archaea. Uma das células aparentava estar “apertada”, aparentemente num processo de divisão.

Devan Nisson, estudante da Universidade de Princeton, em Nova Jersey, Estados Unidos, afirma que é provável que estas formas encontradas sejam minerais. A equipa apresentou as descobertas preliminares numa reunião da União Geofísica Americana, em São Francisco.

Para determinar com segurança se a água contém células vivas, Nisson e o resto da equipa tentaram extrair e sequenciar o ADN. “Existe a possibilidade de os depósitos de água terem sido isolados a longo prazo. Portanto, esta seria uma excelente oportunidade de ver a vida a evoluir numa bolha.”

Além disso, os dados genéticos ajudariam a revelar se as células são realmente criaturas isoladas durante milhares de milhões de anos, ou se são micróbios mais familiares introduzidos quando os mineiros perfuraram as rochas, adianta a Sputnik News.

Ainda assim, mesmo sem a análise genética, os cientistas conseguiram obter pistas sobre a vida que poderia existir neste lugar. A água destes depósitos é, aproximadamente, sete vezes mais salgada do que a água do mar e atinge temperaturas de até 54 graus Celsius, temperatura no limite do que se acredita que a vida tolera.

Ao mesmo tempo, os cientistas descobriram uma abundância de pequenos ácidos orgânicos que poderiam fornecer o carbono necessário para construir e manter estruturas celulares. Os investigadores também encontraram iões como nitrato e sulfato, que alguns micróbios podem usar em processos metabólicos para gerar energia.

Estas descobertas sugerem que a vida pode sobreviver em ambientes extremos, como nas profundezas da África do Sul. Além disso, estas conclusões dão também aos especialistas esperança de que a vida possa resistir em Marte.

ZAP //

Por ZAP
17 Dezembro, 2019

 

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45: Cientistas enterram cápsula do tempo num fiorde na Noruega

© Jamie MacPherson/Unsplash

Cientistas enterraram num fiorde na Noruega uma cápsula do tempo, um tubo de aço inoxidável com objectos que, dizem, retratam a ciência e a tecnologia de 2017, como amostras de ADN de humanos e um meteorito.

Um artigo da revista científica “Nature”, divulgado esta sexta-feira, descreve que o tubo foi enterrado a 17 de Setembro, em Hornsund, na ilha de Spitsbergen, a maior do arquipélago Svalbard, banhado pelo oceano gelado Árctico.

O tubo, enterrado a cinco metros de profundidade, pode permanecer escondido durante mais de 500 mil anos antes de surgir à superfície em resultado da erosão e da elevação geológica.

A cápsula, de pouco mais de meio metro de comprimento, foi colocada num furo fora de uso, perto da estação polar polaca, e contém vários recipientes com amostras de um fragmento de um meteorito com 4,5 mil milhões de anos, lava basáltica de uma erupção vulcânica na Islândia e areia da Namíbia com partículas de diamantes e kimberlito (rocha que contém diamantes) que, de acordo com os cientistas, documentam a geologia da Terra.

Amostras de ADN (material genético) de humanos, ratos, salmão e batatas, uma abelha preservada em resina, sementes de aveia, abóbora, milho, feijão, ervilha e girassol e cerca de 300 tardígrados, animais microscópicos conhecidos como ursos-de-água que conseguem sobreviver a radiação extrema, seca e ao calor, retratam o domínio da biologia.

Para comunicar aos futuros historiadores o estado da tecnologia actual, os investigadores colocaram no tubo aparelhos electrónicos, como um detector de radiação, um telemóvel e acelerómetros, um cartão de crédito, um relógio de pulso e uma fotografia da Terra tirada do espaço e reproduzida em porcelana.

Nas tampas de alguns dos recipientes, os cientistas deixaram as suas impressões digitais.

A ‘mensagem’ científica e tecnológica que os investigadores quiseram legar foi criada para assinalar os 60 anos da estação polar polaca, instalada no âmbito de um projecto que incluiu uma série de actividades geofísicas.

Marek Lewandowski, cientista polaco que teve a ideia e seleccionou os conteúdos para a ‘cápsula do tempo’ depois de ouvir sugestões de dezenas de outros investigadores, crê que quem descobrir o tubo vai perceber a civilização de hoje, tal como os arqueólogos compreenderam o significado da Grande Pirâmide de Gizé, do Antigo Egipto, e dos túmulos e artefactos do seu interior.

MSN notícias
29/09/2017

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