2893: Manto de invisibilidade ao estilo Harry Potter apresentado no Canadá. Veja o vídeo

CIÊNCIA

Hyperstealth patent pending Quantum Stealth (Invisibility Cloak)
9 minute Promotional Video
57 minute Technical Edition Video below this one (How and Why explained)

Hyperstealth patent pending Quantum Stealth (Invisibility Cloak)
Technical Edition 57 minute runtime

Hyperstealth patent pending Quantum Stealth (Invisibility Cloak)
Technical Edition 57 minute runtime

Hyperstealth patent pending Holographic like Display System
17 minute runtime

Hyperstealth patent pending Laser Scattering, Deviation and Manipulation
Extreme High Resolution LIDAR with Millions of Lasers
11.5 minute runtime

Hyperstealth patent pending Solar Panel Amplifier
Setting Power output records for all three major types of Solar Panels
12 minute runtime

Crédito: Hyperstealth

Hyperstealth concebeu a partir do Canadá um material chamado Quantum Stealth que consegue esconder pessoas e objectos, tal como o Manto de invisibilidade de Harry Potter. Patente já foi apresentada.

É um dos sonhos mais antigos da humanidade: poder esconder-se em plena vista. Isso potencia a possibilidade de vigilância em locais proibidos – ao melhor estilo da espionagem -, mas também a indústria da guerra.

A empresa canadiana Hyperstealth – que opera de Vancouver -, especialista em camuflagem, mostrou este mês o resultado de uma patente que apresentou e que ainda está pendente. No vídeo esta espécie de ecrã de invisibilidade que foi desenvolvido, dobra a luz para fazer os objectos desapareceram. Poderia ser usado para esconder tanques ou tropas, ou até remover edifícios intrusivos da paisagem

No vídeo recente apresentado pela Hyperstealth, o que parece que uma mesa vazia atrás de um fundo claro, percebe-se depois, à medida que a câmara de mexe, que está a esconder um capacete e uma pessoa. A Hyperstealth desenvolve este material chamado Quantum Stealth desde 2011, mas o que pareciam alegações impossíveis na altura, parecem ser agora realidade.

Em comunicado, a empresa (Hyperstealth Biotechnology Corp.) explica com mais pormenor que fez quatro pedidos de patentes, todos relacionados com o seu Quantum Stealth (que chama material leve e moldável), também conhecido como Manto da Invisibilidade. “As informações contidas nas quatro patentes foram divulgadas incluindo mais de 100 minutos de vídeos que demonstram os materiais protótipos disponíveis [estão todos no site da empresa]”, diz em comunicado.

Guy Cramer, presidente e CEO da Hyperstealth é também o inventor dos quatro pedidos de patente e explica alguns pormenores: “A verdadeira invisibilidade era considerada impossível pela maioria dos físicos. O material do Quantum Stealth não apenas oculta um alvo do espectro visível, mas também demonstramos que ele também funciona com infravermelhos ultravioleta, infravermelhos normais e de ondas curtas, enquanto bloqueia também o espectro térmico, tornando-o uma verdadeira ‘capa de invisibilidade em toda a linha’”.

Outros pormenores que é possível conhecer do comunicado é que não é necessária fonte de energia e o material é fino como papel e consegue ser barato. “Pode esconder uma pessoa, um veículo, um navio, naves espaciais e edifícios” e a patente aborda um total de 13 versões do material, permitindo várias configurações diferentes. “Um pedaço de Quantum Stealth pode funcionar em qualquer ambiente, em qualquer estação do ano, a qualquer hora do dia ou da noite, algo que nenhuma outra camuflagem é capaz”, é garantido.

O segundo pedido de patente é um novo “Amplificador de painel solar”, que usa o mesmo material ao estilo lente, uma componente essencial das quatro patentes. Indica a empresa que o material mostrou fornecer mais do que o triplo da produção de um painel com a mesma espessura. Guy Cramer alega assim que este material também tem uso como painel solar mais eficaz, que torna o seu em latitudes muito mais longe do Equador bem mais viável.

O terceiro pedido de patente é chamado de “Sistema de exibição” e pretende ser capaz de produzir imagens holográficas com a ajuda de um projector ligado à electricidade, ou seja, poderá conseguir reproduzir um ambiente circundante como hologramas, como se estivéssemos noutro local. “O Holodeck de Star Trek está mais perto”, promete o comunicado da empresa.

O quarto pedido de patente é denominado de Dispersão, Desvio e Manipulação de laser: nos vídeos, Guy demonstra a divisão de um único laser em mais de 3.888.000 lasers menores. O que se pode fazer com tantos lasers, pergunta a empresa? Podem ser adicionador a um sistema LIDAR como aqueles usados nos carros autónomos que normalmente usa um laser, um espelho giratório e um receptor óptico para determinar o ambiente circundante.

Aumentar um laser para milhões deles “deverá permitir uma resolução elevada a distâncias muito maiores, permitindo que os computadores determinem condições ou objectos perigosos muito mais rapidamente, permitindo um trânsito muito mais seguro para o veículo, para pedestres e animais próximos às estradas”.

A empresa tem sonhos ambiciosos indicando que a tecnologia também poderia permitir a detecção e rastreamento de aeronaves e funcionaria em aeronaves convencionais ou furtivas a longas distâncias aplicadas em ambiente de guerrilha “permitindo detalhes sem precedentes aos soldados indicando a localização de equipamentos adversários, independentemente das suas tentativas de camuflagem”.

Resta saber como se desenvolvem as várias patentes e que empresas as podem desenvolver para produtos concretos, aqui mais associado ao exército norte-americano que buscava este tipo de soluções. As alegações da empresa podem também levar a novas regras específicas para o uso deste tipo de equipamentos.

dn_insider

 

2785: Terramoto de 1964 libertou um fungo mortal no Pacífico

CIÊNCIA

Yakuzakorat / Wikimedia

Há duas décadas, uma infecção fúngica rara, mas mortal, começou a matar animais e pessoas nos EUA e no Canadá. Até hoje, ninguém sabia como chegou lá.

Agora, um par de cientistas apresentou a sua própria teoria: os tsunamis, provocados por um forte terremoto em 1964, encharcaram as florestas do noroeste do Pacífico com água que continha o fungo.

O fungo chama-se Cryptococcus gattii. Como muitas espécies de fungos, tende a preferir viver no solo, principalmente perto de árvores. Mas também podem invadir os pulmões dos animais vivos, onde começam a crescer novamente. A partir daí, podem infectar o sistema nervoso.

A maioria das pessoas expostas a C. gattii não fica doente e a doença não é contagiosa entre as pessoas. Mas é uma das infecções fúngicas mais mortais do mundo, capaz de adoecer pessoas perfeitamente saudáveis. A sua taxa de mortalidade pode chegar a 33%.

C. gattii tem vivido em ambientes tropicais e subtropicais, principalmente na Austrália e na Papua Nova Guiné. Porém, em 1999, estes surtos do mesmo tipo único de C. gattii começaram a aparecer ao longo do Noroeste do Pacífico Norte-Americano, sem uma explicação clara de como o fungo lá chegou. Desde então, os subtipos estabeleceram-se firmemente em toda a costa oeste, adoecendo centenas de animais e pessoas.

Tem havido várias teorias sobre como o C. gattii chegou ao Noroeste do Pacífico. Alguns cientistas argumentaram que surgiu pela primeira vez das florestas tropicais da América do Sul; outros especularam que veio da Austrália.

Os autores do novo estudo, publicado este mês na revista especializada mBio, teorizaram anteriormente que navios da América do Sul levaram o fungo para as águas costeiras do noroeste do Pacífico, logo após a abertura do Canal do Panamá em 1914, que estabeleceu um transporte relativamente fácil entre o Atlântico e Oceanos do Pacífico. O momento faria sentido, com evidências genéticas a sugerir que todas as populações de C. gattii nos EUA e no Canadá têm entre 66 e 88 anos.

Agora, os cientistas argumentam que o fungo conseguiu sustentar-se durante décadas nas águas do Noroeste do Pacífico antes que outro grande evento o espalhasse pelo continente: o Grande Terremoto do Alasca de 1964.

Ainda registado como o maior terremoto já detectado no Hemisfério Norte e o segundo maior do mundo – registando um 9,2 na escala Richter – o desastre natural matou mais de 100 pessoas, destruiu edifícios e desencadeou uma cadeia de tsunamis que chegaram até ao Japão, de acordo com o Gizmodo.

“Esse evento, como nenhum outro na história recente, causou um empurrão maciço de água do oceano nas florestas costeiras do [noroeste do Pacífico]”, escreveram os autores. “Esse evento pode ter causado uma exposição de C. gattii às costas regionais, incluindo as da ilha de Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá, Washington e Oregon”.

O caso dos autores é quase inteiramente circunstancial. Mas trazem algumas evidências convincentes. Por um lado, com base na análise genética, todas as cepas de C. gattii atualmente presentes no noroeste do Pacífico parecem ter chegado lá num grande evento décadas antes de 1999. As primeiras investigações de surtos também encontraram níveis mais altos de fungos nas árvores e nos solos mais perto do nível do mar. Além disso, pelo menos um paciente de Seattle adoeceu com C. gattii em 1971, quase três décadas antes dos surtos de 1999, mas após o tsunami.

Os autores observam que existem outros casos de desastres naturais que desencadearam surtos de doenças infecciosas raras. Por exemplo, um tornado de 2011 em Joplin, Missouri, pode ter espalhado uma onda de infeções devoradoras de carne causadas pelo fungo Apophysomyces.

Mesmo que a teoria seja verdadeira, ainda há a questão de por que passaram décadas até casos começarem a aparecer regularmente. Se é verdade que C. gattii pode sobreviver nas águas costeiras durante longos períodos de tempo, também precisamos de descobrir se há outras áreas do mundo que podem estar em risco.

Para esse fim, os autores estão a analisar amostras de água em todo o mundo para procurar vestígios do fungo que podem ter passado despercebidos.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

2635: Criatura com “cabeça de canivete suíço” deu origem aos escorpiões e às aranhas

CIÊNCIA

(dr) Joanna Liang, Royal Ontario Museum
Mollisonia plenovenatrix

Encontrada no Canadá, esta nova espécie de fóssil provou ser o quelicerado mais antigo, situando a origem dos escorpiões e das aranhas há 500 milhões de anos.

Com o tamanho de um dedo polegar, olhos em forma de ovo e uma cabeça parecida com um canivete suíço, o Mollisonia plenumnatrix foi um predador feroz. As suas pernas longas e os seus numerosos pares de membros davam-lhe a habilidade de agarrar, esmagar e mastigar de uma só vez.

Esta espécie tinha ainda um par de pinças muito pequenas à frente da boca, chamadas quelíceras. Estes apêndices dão o nome ao grupo de escorpiões e aranhas – quelicerados . que os usam para matar, manter e muitas vezes cortar as suas presas.

“Antes desta descoberta, não era possível identificar as quelíceras noutros fósseis do Cambriano”, disse o principal autor, Cédric Aria, membro das expedições Burgess Schist do Royal Ontario Museu.

Além destas, há outras características neste fóssil que permitiram aos cientistas concluir que Mollisonia plenumnatrix não era uma versão “primitiva” de um quelicerado, uma vez que já era morfologicamente próximo das espécies modernas.

Segundo o LiveScience, uma delas é o facto de a criatura exibir estruturas respiratórias semelhantes a guelras, surpreendentemente semelhantes às dos quelicerados modernos.

Os autores do estudo, publicado dia 11 de Setembro na Nature, acreditam que Mollisonia caçava, de preferência, perto do fundo do mar, graças às suas pernas bem desenvolvidas. Além disso, por parecer tão moderno, os cientistas concluíram que os quelicerados parecem ter prosperado rapidamente, preenchendo um nicho ecológico que outros artrópodes deixaram de atender naquele momento.

Desta forma, os autores da investigação acreditam que a origem dos quelicerados deve ser ainda mais profunda no interior do período Cambriano, quando o coração da “explosão” ocorreu. Mollisonia foi descrito pela primeira vez há mais de um século, mas, até agora, só eram conhecidos exoesqueletos deste animal.

Ainda que o passado seja repleto de surpresas, Mollisonia plenumnatrix é uma importante peça-chave neste quebra-cabeças da biodiversidade.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

 

2631: Eis o “Dragão Frio dos Ventos do Norte”, o maior pterossauro que voava pelos céus do Canadá

CIÊNCIA

David Maas
Ilustração artística de um Cryodrakon boreas

Há milhões de anos, um réptil tão grande como um avião voava sobre o que é hoje o Canadá. Esta espécie gigante – parte do grupo dos azhdarchidae – tem, finalmente, um nome: Cryodrakon boreas, que significa “dragão frio dos ventos do norte”.

Acreditava-se que os fósseis do Cryodrakon boreas, encontrados há décadas, pertencessem a outro azhdarchidae da América do Norte: Quetzalcoatlus, um dos maiores animais voadores conhecidos.

Porém, a descoberta de mais fósseis nos últimos anos levou à descoberta de que representavam, na verdade, uma nova espécie – e a primeira nova espécie de pterossauro gigante encontrada no Canadá.

Com base no tamanho de um enorme osso do pescoço que se acredita pertencer a um animal adulto, o pterossauro terá tido uma envergadura que se estende por cerca de dez metros de ponta a ponta, tornando-o comparável em tamanho ao seu monstruoso primo azhdarchid Quetzalcoatlus.

Todos os fósseis do Cryodrakon vieram do Parque Provincial de Dinosaur, em Alberta, e datam de há aproximadamente 77 a 74 milhões de anos, durante o período Cretáceo, segundo o estudo, que foi publicado este mês na revista especializada Journal of the Vertebrate Paleontology.

Os azhdarchids viviam em todos os continentes, excepto na Antárctica e na Austrália, e são conhecidos por terem cabeças super-dimensionadas, pescoços longos, pernas longas e pés grandes, segundo disse o principal autor do estudo, David Hone, director do programa de biologia da Universidade Queen Mary. Mas, apesar do tamanho maciço deste grupo, restam poucos fósseis dos gigantes voadores, disse Hone ao portal Live Science.

Os fósseis são tipicamente preservados quando restos de animais são enterrados em camadas de sedimentos e “trancados” longe de bactérias que decompõem a matéria orgânica. Muitos dos restos mais bem preservados de há milhões de anos pertenciam a animais que viviam perto de mares ou rios – e os pterossauros da época viviam principalmente no interior.

“Os seus ossos são incrivelmente finos, por isso são muito raros”, acrescentou. “Temos sorte de termos tanto material bom”.

O paleoartista David Maas ilustrou o pterossauro com um padrão distinto de vermelho e branco que provavelmente será imediatamente reconhecido por qualquer canadiano. Visto de cima com as asas abertas, as marcas nas costas e nas pontas das asas de Cryodrakon assemelham-se à bandeira do Canadá. “Foi uma escolha artística divertida, porque não há evidências fossilizadas sobre as cores e padrões do animal”, explicou Hone.

David Maas

Em termos de habitat e estilo de vida, o Cryodrakon terá vivido num ambiente tropical, deliciando-se com pequenos dinossauros, lagartos e mamíferos. Grandes tiranossauros e até crocodilos podem ter caçado Cryodrakon, mas não há evidências directas disso, sublinha o Gizmodo.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

artigos relacionados: https://inforgom.pt/eclypsespacenews/2019/09/11/dragao-congelado-identificado-no-canada/

 

“Dragão congelado” identificado no Canadá

CIÊNCIA

© TVI24 “Dragão congelado” identificado no Canadá

Um dos maiores animais voadores de sempre, com uma envergadura de 10 metros e 250 quilogramas, foi identificado no Canadá a partir de fósseis descobertos há 30 anos na província de Alberta, esta terça-feira.

O pterossauro, baptizado Cryodrakon (“Dragão congelado”) boreas, viveu há cerca de 77 milhões de anos e só rivaliza em tamanho com um outro pterossauro conhecido, o Quetzalcoatl, com uma envergadura de 10,5 metros, que foi descoberto no estado norte-americano do Texas.

“É uma bela descoberta. Sabíamos que este animal existia aqui mas agora podemos provar que é diferente dos outros e dar-lhe um nome”, afirmou o paleontólogo David Hone, destacando a “diversidade dos pterossauros na América do Norte e a sua evolução”.

Como outros répteis voadores do período Cretáceo, o Cryodrakon boreas era carnívoro, alimentando-se provavelmente de lagartos, pequenos mamíferos ou até crias de outros dinossauros.

@Dave_Hone

And already there’s a skeletal for the holotype juvenile of Cryodrakon! 😀 https://twitter.com/LikesPterosaurs/status/1171469158850031620 

Sassy PaleoNerd @LikesPterosaurs
Respondendo a @LikesPterosaurs e 2 outros

Here is just the holotype

Ver imagem no Twitter

Redacção TVI24
11/09/2019

 

2551: Cientistas descobriram vida antiga na Biosfera Profunda da Terra

CIÊNCIA

P199 / Wikimedia

A Mina de Kidd Creek, em Ontário, Canadá, é o lar de algumas das águas mais antigas do planeta. Agora, ao que parece, o sulfato do riacho e a água rica em hidrogénio podem abrigar vida microbiana.

Estudos anteriores determinaram que a água foi aprisionada a 2,4 quilómetros abaixo da superfície na rocha pré-cambriana do riacho durante milhares de milhões de anos. No mês passado, um estudo publicado na revista especializada Geomicrobiology Journal descobriu a existência de vida microbiana intocada pela água da superfície.

Investigadores da Universidade de Toronto, no Canadá, encontraram células microbianas entre os sedimentos em amostras recolhidas através de dois furos. Os resultados acrescentam mais peso à evidência de que existe uma biosfera sub-superficial na crosta terrestre – uma área considerada hostil à vida – que tem muito pouca interacção com a superfície.

Em Dezembro de 2018, um projecto de uma década expôs uma biosfera profunda composta de milhares de milhões de micróbios que vivem a quilómetros abaixo do subsolo. Na verdade, suspeitam que até 70% de todos os microorganismos que vivem na Terra existem no subsolo quente, muito escuro e com muito pouco nutrientes para sustentar seres vivos.

Acredita-se que esses micróbios criem 15 a 23 mil milhões de toneladas de carbono – o que é 245 a 385 vezes maior do que a massa de carbono dos seres humanos acima da superfície.

Os cientistas envolvidos descreveram-no como um “Galápagos subterrâneo”, composto por bactérias, micróbios sem um núcleo ligado à membrana e micróbios e organismos multi-celulares com um núcleo e organelas ligadas à membrana. Diferentemente dos seus parentes que vivem na superfície, os micróbios vivem em escalas de tempo quase geológicas. Alguns subsistem apenas com energia das rochas.

Esses microrganismos são um fenómeno pouco estudado que precisa de muito mais exploração, mas a evidência inicial sugere que os níveis de diferença genética podem ser tão amplos como a superfície acima – e talvez ainda mais.

Quanto aos que existem na Mina de Kidd Creek, a equipa da Universidade de Toronto analisou a sua actividade metabólica medindo a rapidez com que metabolizavam certos tipos de alimentos. Os resultados mostram que a comunidade de micróbios eram quase todos redutores de sulfato – ou seja, os microorganismos que realizam respiração anaeróbica que utiliza sulfato, reduzindo a substância ao sulfeto de hidrogénio (H2S).

“A identificação de organismos redutores de sulfato nesses fluidos, tanto no passado geológico como nos dias actuais, é uma descoberta importante que amplia a nossa compreensão sobre a profunda biosfera sub-superficial”, escrevem os autores do estudo. “Compreender quando esses fluidos de fractura foram colonizados pela vida continua a ser uma questão pendente, mas pode começar a ser restringido pela aplicação de uma variedade de abordagens de datação de águas subterrâneas.”

Os resultados levantam questões sobre quanto tempo os ecossistemas microbianos existentes podem durar, os cientistas esperam que as descobertas possam ser usadas para melhorar a nossa compreensão da biosfera profunda da Terra e tentar encontrar vida extinta em Marte – ou em qualquer outro lugar do Sistema Solar.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2437: No Canadá, o “turismo de icebergues” cresce alimentado pelas alterações climáticas

Jason Ardell / Flickr

A abundância de icebergues que deslizam do Pólo Norte para o Sul gerou uma nova atracção turística estreitamente vinculada à aceleração do aquecimento global.

Na hora do crepúsculo, um icebergue desaparece no mar, terminando a sua jornada da Gronelândia até Terra Nova, uma ilha do Canadá que tem vista privilegiada para assistir ao derretimento destes grandes blocos de gelo – para o fascínio dos visitantes que procuram a região nesta época do ano.

Outrora epicentro da pesca de bacalhau, a província de Terra Nova e Labrador recebe agora nas suas tranquilas aldeias costeiras hordas de fotógrafos amadores que vieram imortalizar os pedaços gigantes de gelo, cada vez em maior número, que desaguam no leste do Canadá no fim do inverno.

“Melhora de um ano para o outro. Cerca de 140 autocarros turísticos chegam à povoação a cada temporada, é bom para a economia“, disse Barry Strickland, ex-pescador de 58 anos que se tornou guia turístico em King’s Point, no norte de Terra Nova, à AFP. Há quatro anos, organiza excursões relacionadas com estes gigantes de gelo milenares que podem atingir dezenas de metros de altura e pesar centenas de milhares de toneladas.

À mercê dos ventos e das correntes, as calotas polares realizam uma viagem de milhares de quilómetros para o sul, aproximando-se da costa canadiana. Em poucas semanas, a sua água doce voltará para o oceano, depois de se ter mantido congelada.

As expedições na pequena embarcação de Barry com frequência enchem durante a “temporada alta de icebergues”, entre maio e Julho, e atraem para esta aldeia de 600 habitantes visitantes de todo o mundo. O menor movimento dos colossais blocos de gelo pode ser rastreado através de um mapa de satélite interactivo disponibilizado na Internet pelo governo da província.

“Não há muito o que fazer para os habitantes destas pequenas e isoladas cidades portuárias, de modo que o turismo é uma grande parte de nossa economia“, explica Devon Chaulk, empregado de uma loja de souvenirs em Elliston, uma aldeia de 300 habitantes situada na trajectória do “corredor de icebergues”.

“Vivi aqui toda a minha vida e o aumento do turismo nos últimos 10, 15 anos foi incrível”, conta entusiasmado Chaulk, de 28 anos.

No ano passado, mais de 500 mil turistas visitaram a província de Terra Nova, a mesma quantidade de residentes, e contribuíram para a economia local com cerca de 570 milhões de dólares canadianos (385 milhões de euros), segundo estimativas do governo local. O turismo suplantou parcialmente os rendimentos cada vez mais baixos da indústria da pesca, em crise devido à exploração excessiva do oceano no fim do século passado.

Mas, por trás dos icebergues, esconde-se uma realidade obscura: a aceleração do aquecimento global no Pólo Norte, que favorece o aparecimento de icebergues mas também faz com que a temporada seja cada vez mais imprevisível, o que prejudica as actividades que tiram benefício do fenómeno.

O Árctico aquece três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em Junho, a Gronelândia experimentou um derretimento de geleiras inédito para esta época do ano e temperaturas recorde foram registadas perto do Polo Norte em meados de Julho. Com os anos, os icebergues entram cada vez mais a sul, criando um risco para a navegação comercial nesta rota marítima que une a Europa com a América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2019

 

2037: Encontrados os fungos mais antigos do mundo. Têm mil milhões de anos

CIÊNCIA

Corentin Loron / Universidade de Liège
Ourasphaira giraldae, o fungo encontrado no Canadá e tido como o mais antigo do mundo.

Fungos descobertos no Canadá, com mil milhões de anos, são os mais antigo de sempre. Anteriormente, pensava-se que os fungos apenas teriam aparecido na Terra há 500 milhões de anos.

A descoberta deste fungos no Canadá vem mudar completamente a forma como olhamos para o desenvolvimento da vida na Terra. O estudo publicado, esta quarta-feira, na revista Nature, relata que os cientistas desenterraram os fungos fossilizados mais antigos de sempre.

Segundo o The Guardian, os organismos foram descobertos em xistos de águas rasas, no sul da ilha Victoria. Os cientistas identificaram o organismo como Ourasphaira giraldae.

Através do microscópio, os cientistas conseguiram descobrir diferenças claras nestes fungos, nomeadamente os seus esporos esféricos, os filamentos ramificados que os ligam e as paredes celulares de duas camadas.

Com mil milhões de anos, estes fungos apareceram no nosso planeta há pelo menos o dobro do tempo que pensávamos. Os cientistas conseguiram datar os fungos após examinarem a idade da rocha em que foram encontrados através da proporção de elementos radioactivos.

A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos“, disse a líder do estudo, Corentin Loron. Estes micro-organismos estão em condições intactas devido a terem ficado presos em lama solidificada, que impedia a entrada de oxigénio e a sua consequente decomposição.

A descoberta é de grande importância, uma vez que fungos fazem parte do mesmo grupo de organismos que as plantas e os animais. Ou seja, isto significa que se os fungos estavam presentas há mil milhões de anos atrás, também os animais devem ter estado.

“Não estamos a falar de nada grande como dinossauros. Seria algo muito simples. Talvez uma espécie de esponja“, disse a cientista.

Isto remodela a nossa visão do mundo, porque esses grupos ainda estão hoje presentes. Portanto, esse passado distante, embora muito diferente de hoje, pode ter sido muito mais ‘moderno’ do que aquilo que pensávamos”, explicou Loron, citada pelo Phys.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019

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1537: Paisagem invisível durante 40.000 anos “ressuscita” no Árctico

Universidade do Colorado

Uma paisagem árctica do Canadá, coberta por gelo durante mais de 40 mil anos, ressurgiu recentemente depois de passar vários milénios invisível. Segundo uma nova investigação da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, a região pode estar a enfrentar o século mais quente em 115 mil anos.

Para a investigação, a equipa recorreu à técnica de datação por radio-carbono de forma a determinar as idades das plantas recolhidas nas bordas de 30 capas de gelo [calotas] na Ilha de Baffin, a oeste da Gronelândia. A ilha sentiu um aumento significativo da temperatura nas nas últimas décadas, levando ao derretimento de gelo e trazendo à vista esta paisagem “escondida”.

“O Árctico está a aquecer-se duas a três vezes mais rápido do que o resto do globo, então, naturalmente, glaciares e calotas de gelo vão reagir mais rápido”, disse Simon Pendleton, principal autor do estudo, citado em comunicado.

Baffin é a quinta maior ilha do mundo, dominada por fiordes profundos separados por planaltos de alta elevação e baixo relevo. As finas camadas de gelo actuam como uma espécie de câmara frigorífica natural, preservando musgos e líquenes antigos na sua posição original de crescimento durante milénios.

“Viajamos até às margens de gelo em derretimento, recolhemos amostras de plantas recém-expostas e preservadas nessas paisagens antigas e procedemos então à datação por radio-carbono para ter uma noção de quando foi a última vez que o gelo avançou pela última vez neste local”, explicou na mesma nota.

“Como as plantas mortas são eficientemente removidas da paisagem, a idade das plantas enraizadas define a última vez em que os Verões foram tão quentes, em média, quanto os do século passado”, esclareceu Pendleton.

Resultados

Em Agosto, os investigadores recolheram 48 amostras de plantas e analisaram também o quartzo de cada local, de forma a melhor estabelecer a idade e a história da cobertura de gelo que cobria, até então, a paisagem.

Depois de as amostras terem sido processadas nos laboratórios da Universidade do Colorado e da Universidade da Califórnia em Irvine, também nos EUA, os cientistas descobriram que as plantas antigas recolhidas de todas as 30 calotas de gelo estiveram continuamente cobertas por gelo durante os últimos 40.000 anos, pelo menos.

Quando comparados com dados de temperatura reconstruidos a partir dos núcleos de gelo de Baffin e da Groenlândia, as descobertas sugerem que as temperaturas modernas representam o século mais quente da região em 115.000 anos. Pior: a ilha de Baffin pode ficar completamente sem gelo nos próximos séculos.

“Ao contrário da Biologia, que passou os últimos três mil milhões de anos a desenvolver esquemas para evitar ser afectada pela mudança climática, os glaciares não têm estratégia de sobrevivência”, explicou Gifford Miller, outro autor da pesquisa.

“Os glaciares respondem directamente à temperatura de verão. Se os Verões aquecem, os glaciares retrocedem imediatamente; se os Verões arrefecem, os glaciares avançam – o faz deles um dos mais confiáveis indicadores para mudanças na temperatura do verão”, acrescentou ainda.

“Nunca vimos nada tão evidenciado como esta descoberta até então”, rematou Pendleton.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
30 Janeiro, 2019

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1208: Vídeo de floresta a “respirar” colocou as redes sociais em alvoroço (mas já há uma explicação)

-. Este vídeo não faz parte do artigo abaixo. Fui descarregá-lo ao Youtube e deveria fazer parte do artigo publicado no ZAP…

CIÊNCIA

(CC0/PD) Kai Dörner / Unsplash

Um vídeo, filmado no início deste mês numa floresta em Sacre-Coeur, Quebec, no Canadá, mostra aquilo que parece ser a Terra a fazer um exercício de respiração profunda. Estará ela descontente ou a respirar de alívio?

Não é um terramoto, nem o ressonar de uma divindade da floresta. Aliás, a explicação real para este fenómeno é muito menos interessante do que poderíamos imaginar, e muito menos aterrorizante também. Vento: este é o verdadeiro culpado.

No início deste mês, foi filmado um vídeo intrigante numa floresta em Sacre-Coeur, Quebec, no Canadá, que mostra aquilo que parece ser a Terra a fazer um exercício de respiração profunda. Mil e um teorias à volta deste fenómeno, muitas que nos poderiam levar a pensar que sim, a Terra pode estar mesmo muito chateada connosco. Mas, afinal, é só vento.

“Durante um evento de chuva e tempestade de vento, o solo fica saturado, ‘afrouxando’ a coesão do solo com as raízes enquanto o vento sopra na copa de uma árvore”, explicou Mark Vanderwouw, arborista que trabalha na Shady Lane Expert Tree Care em Ontário, no Canadá.

“O vento está a tentar empurrar as árvores, e à medida que a força é transferida para as raízes, o solo começa a ‘levantar’.” Na verdade, o que acontece é um choque entre os elementos: vento versus raiz; ar versus terra.

De acordo com o especialista, se o vento soprasse um bocadinho mais forte, as raízes das árvores provavelmente começariam a partir, e a floresta, consequentemente, a cair. Um cenário que não deveria ser assim tão bonito de se assistir.

Se estava à espera de uma razão mais emocionante do que o vento, não desespere. Lembre-se que a floresta respira mesmo. As árvores substituem o dióxido de carbono (CO2) por oxigénio através da fotossíntese. No solo, pequenos micróbios devoram o CO2, armazenado nas raízes e nas folhas mortas, e libertam-no de volta para o ar.

Por isso, sim, as florestas devem respirar, mas não de uma forma notória. A chamada respiração do solo, por exemplo, tem acontecido com muita mais frequência nos últimos 25 anos, tudo por causa das alterações climáticas. No fundo, as mudanças que estão a ocorrer no nosso planeta estão a causar a hiperventilação da natureza.

ZAP // Live Science

Por ZAP
28 Outubro, 2018

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1047: Lobo bebé da Idade do Gelo encontrado mumificado numa mina de ouro

CIÊNCIA

Government of Yukon

Enquanto procuravam por ouro nos solos gelados do território de Yukon, no Canadá, um grupo de mineiros descobriu um tesouro ainda mais raro: os corpos mumificados de uma cria de lobo e de um caribu da Idade do Gelo.

Depois de mais de 50 mil anos congelados, os animais foram removidos na semana passada e levados para o centro cultural de Tr’ondëk Hwëch’in First Nation, na cidade de Dawson, no Canadá.

O caribu, do inglês caribou, é um mamífero ruminante da família dos cervídeos – grupo que inclui os alces, as renas e os cervos -, sendo especialmente encontrado na Sibéria, Escandinávia, Gronelândia e no Canadá.

“Estamos tão acostumados a trabalhar com ossos que encontrar animais com pele e pêlos realmente traz o mundo antigo de volta à vida“, disse Grant Zazula, paleontólogo do governo de Yukon, em declarações ao Live Science.

Actualmente, o território de Yukon está coberto de florestas mas, durante a era glacial, a região era uma tundra seca e empoeirada, onde viva uma grande diversidade de mamíferos nas pastagens geladas – incluindo espécies de gatos-dentes-de-sabre, mamutes-lanosos e ursos-de-cara-curta.

Existem várias escavações mineiras perto de Dawson e, por isso, é normal para o mineiros encontrar vestígios fossilizados de animais que já viveram há milhares de anos, enquanto exploram as camadas de lama permanentemente congeladas.

Foi em 2016 que um mineiro começou a pôr a descoberto o caribu, reportando depois a sua descoberta aos paleontólogos. Após o contacto, os cientistas chegaram ao local e conseguiram recuperar o tronco mumificado, a cabeça e dois membros anteriores.

Government of Yukon
O caribu mumificado foi encontrado numa “cama” de cinzas vulcânicas e pode ter até 80 mil anos

Apenas dois meses depois, os cientistas encontraram no mesmo território a cria de lobo em perfeitas condições de conservação. Inicialmente, os trabalhadores acharam que se tratava de um cão. Ambos os animais têm a sua pele, músculos e pelagem intacta.

“O filhote de lobo parece-se exactamente com uma cria de uma cão empalhado”, considerou Zazula. “[O animal] tem uma pequena cauda, pêlo, patas e pálpebras. É incrível”.

50 mil anos de História

Foram retiradas amostras da pele de ambos os animais para que a sua idade seja testada através da datação por radio-carbono. Ambos provaram ter, pelo menos 50 mil anos – o limite para este tipo de datação.

No entanto, explicam os cientistas, o caribu foi encontrado perto de uma camada de cinzas de uma erupção vulcânica que ocorreu há cerca de 80 mil anos – uma pista mais precisa sobre a sua verdadeira idade. Face a isto, disse Zazula, é “provável que este seja um dos tecidos de mamífero mais antigos do mundo“.

Apesar de terem sobrevivido até aos dias de hoje, estes animais não eram muito abundantes durante a Idade do Gelo. “Os seus ossos são realmente muito raros comparativamente a outros grandes animais da mesma era”, disse.

Em declarações à CBC, a cientistas considerou que, tendo em conta o conhecimento que tem, “este é o único lobo mumificado da Idade do Gelo até agora encontrado”.

Government of Yukon
Inicialmente, os mineiros confundiram a cria de lobo com um cão

Recentemente, um grupo de cientistas fez uma descoberta semelhante na Sibéria: os restos fossilizados de um potro pré-histórico em condições de preservação quase perfeitas. Os cientistas ambicionam agora recolher uma célula viva do animal, de forma a tentar clonar a espécie extinta durante o Paleolítico.

Por ZAP
20 Setembro, 2018

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991: Em apenas 4 dias, o calor derreteu toda a neve de inverno de um glaciar no Canadá

NASA

Em apenas 4 dias deste verão, a neve acumulada durante todo o inverno passado no Glaciar Lowell, no Canadá, derreteu, transformando-se numa imensa lagoa que o glaciologista Mauri Pelto apelidou de “pântano de neve”.

A imagem acima demonstra a progressão do rápido derretimento da neve no Parque Nacional e Kluan, no território de Yukon, no Canadá. As imagens foram recolhidas no passado dia 26 de Julho pelo Operational Land Imager (OLI) através do satélite Landsat 8.

Na imagem, as bandas de infravermelhos combinaram-se para diferenciar com clareza as as áreas de água que estão congeladas (azul claro) daquelas que contêm água de degelo (azul escuro). Já as rochas da zona estão identificadas em tonalidade castanhas e a vegetação assinalada a verde.

No dia em que a imagem foi capturada, há pouco mais de um mês, a lama cobria uma área superior a 40 quilómetros quadrados, nota a Europa Press.

Pelto, investigador da Nichols College, observou lagos de lama semelhantes a este em outros glaciares contudo, ressaltou, o rápido derretimento sentido no Glaciar Lowell é incomum. “A única forma de criar um pântano tão extenso de neve é tendo a neve saturada de água até chegar à superfície”, explicou, em Nichols College.

As altas temperaturas sentidas causaram um extenso fenómeno de ablação – a perda de gelo superficial devido ao derretimento -, de acordo com o investigador.

Durante os dias em causa, as temperaturas diárias registadas nas proximidade de Haines Junction, vila localizada a 60 quilómetros do glaciar, atingiram os 29 graus – bem mais altas do que as temperaturas que normalmente atingem a região em Julho.

A “piscina de lama” foi desaparecendo rapidamente à medida que a neve ia derretendo. A 11 de Agosto, a lama deixou o glaciar, dirigindo-se para o lago Loweel. De acordo com Pelto, uma perda tão grande de água deve fazer com que o glaciar recue mais.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2018

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326: Estranho zumbido intriga cientistas e enlouquece moradores no Canadá

Adolch / Wikimedia
A cidade de Windsor, no Canadá, vista a partir de Detroit, nos EUA

O som assemelha-se ao de um camião em movimento, à queda de um raio num lugar distante ou ao barulho de altifalantes durante um espectáculo de música.

Mike Provost mora em Windsor, no Canadá, onde, desde 2011, algumas pessoas têm denunciado as consequências de um ruído misterioso. Às vezes vem, às vezes vai. Mas quem o ouve passa a sofrer de dores de cabeça, insónias, náuseas, irritação e fadiga. Ou, em casos mais graves, depressão.

“A pessoa simplesmente perde a capacidade de aproveitar o tempo com a família. O ruído é muito perturbador. É muito difícil até mesmo ver televisão“, explica Provost. “Esse é o tamanho do poder do som”.

Em referência à cidade, na fronteira com os Estados Unidos, o zumbido está a ser chamado “Windsor Hum”. O intrigante fenómeno motivou alguns estudos para explicá-lo – mas nenhum conseguiu, até agora, precisar exactamente a sua causa.

Para alguns moradores de Windsor, porém, se as causas não são conhecidas, as consequências são perturbadoras. “Imagine ter que fugir de tudo o que conhece e ama simplesmente para ter a oportunidade de se afastar do zumbido”, escreveu Sabrina Wiese num fórum online de pessoas afectadas pelo ruído, entre as quais algumas que consideram deixar a região por causa do problema.

Vai e vem

A população de Windsor é de cerca de 210 mil pessoas, mas só algumas sofrem com o zumbido. Autoridades e investigadores não têm um número preciso para o volume de afectados.

A cidade, na província de Ontário, está localizada na divisa com a cidade americana de Detroit – que tem uma população de 672 mil pessoas e é um grande centro industrial, principalmente de automóveis. O rio Detroit divide as duas cidades.

O ruído vai e vem durante o dia, mas é pior à noite“, explica Provost, um aposentado que administra o fórum de afectados na Internet e já forneceu às autoridades algumas gravações do ruído. “Percebemos que o clima influencia. Quando faz frio, o som tende a diminuir. Quando está vento, sobe. Não sabemos de onde vem ou o que o causa”, descreve.

Ao longo dos anos, os afectados pelo zumbido também perceberam que a altitude tem influência: quanto mais alto, mais se percebe o ruído.

Possível origem

Recentemente, três pesquisas diferentes conseguiram apontar uma fonte mais provável para o fenómeno: a ilha Zug, pertencente à cidade americana de Detroit. Em 2011, a Agência Geológica do Canadá confirmou, através de análises sísmicas, que o ruído em Windsor existe e tem origem mais provável na ilha.

“Os sinais registados são consistentes com os zumbidos relatados na região de Windsor, em termos de tempo, duração e características”, conclui o relatório.

Um estudo da Universidade de Ontário Ocidental de 2013 também não conseguiu identificar uma fonte exacta, mas sinalizou que as “possíveis fontes podem incluir escavações ou sistemas de ventilação industrial“.

O maior estudo sobre o assunto, porém, data de 2014 – feito através de instrumentos de medição acústica pela Universidade de Windsor. A pesquisa assinalou como fonte mais provável o uso de fornos de alta potência na ilha Zug pela empresa de metalurgia United States Steel Corp.

“Essas conclusões são reforçadas pela natureza periódica do ruído, que foi observado e medido pelos investigadores”, diz o estudo. Gary Wheeler, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas de Ontário, Estado canadiano, disse à BBC que por agora não há planos para novos estudos sobre o “Windson Hum”.

Sem acesso à ilha Zug

Algumas pessoas em McGregor, no sul de Windsor, e na cidade americana de Cleveland já relataram ter ouvido o barulho, mas em Detroit não há relatos.

David Bower, procurador de River Rouge, uma cidade americana próxima, descartou no passado a ideia de uma investigação na ilha Zug, parte da sua jurisdição. “Não vamos pagar por algo que beneficie outra pessoa”, disse Bower ao jornal canadiano Windsor Star, “porque não é um problema que nos afecta“.

Mas um estudo de campo ali é fundamental para a obtenção de um “resultado significativo” sobre o que está a causar o zumbido que afecta os moradores do lado canadiano, como indicou a Universidade de Windsor.

Gary Gross, morador de Windsor afectado pelo ruído, disse à BBC que os interessados em encontrar uma solução para a situação sabem que contar com a colaboração de autoridades americanas “é muito difícil, se não impossível“. A BBC pediu uma entrevista com a empresa United States Steel Corp., mas não obteve resposta.

Micro-ondas?

Nos Estados Unidos, houve casos semelhantes ao de Windsor que remontam à década de 1990, mas os especialistas também não conseguiram identificar a fonte dos barulhos. Um amplo estudo foi realizado na localidade de Toas, no Novo México – onde, em 1993, 161 pessoas de uma população de 8 mil relataram incómodo com um ruído.

O único ponto que pôde ser identificado foi “um nível de campo electromagnético elevado que, segundo relatórios, estava relacionado às linhas eléctricas locais”.

Em Kokomo, no Estado americano de Indiana, 126 pessoas entre 46 mil habitantes disseram sentir os efeitos de um zumbido e algumas disseram que redutores de ruído em instalações industriais aliviaram os efeitos. James Cowan, especialista em acústica, considera que não se trata de “um fenómeno acústico tradicional“.

“O barulho pode ser escutado por algumas pessoas, mas não pode ser localizado através de instrumentos de acústica padrão”, indicou numa análise dos casos de Novo México e Indiana.

Cowan aponta que uma possível explicação seja o fenómeno da “audição de micro-ondas”. “É um fenómeno pelo qual as pessoas, incluindo as diagnosticadas com surdez, podem escutar sons relacionados com a exposição ao campo electromagnético e que não têm a pressão acústica mensurável”, diz Cowan.

ZAP //

Por ZAP
27 Fevereiro, 2018

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