2263: Da Noruega ao Canadá. Caminhada de raposa espanta cientistas

O animal percorreu 3500 quilómetros em 76 dias, sobre gelo. O feito impressionou os investigadores do Instituto Polar Norueguês, que garantem que a velocidade é a “taxa de movimento mais rápida já registada nesta espécie”.

© Jon Leithe, via Instituto Polar Norueguês

Uma raposa do Árctico percorreu mais de 3500 quilómetros, da Noruega ao Canadá, em apenas 76 dias. Tudo sobre o gelo. O animal estava a ser seguido desde Julho de 2017, altura em que foi equipado com um aparelho e localização. De acordo com o The Guardian , a travessia surpreendeu os investigadores do Instituto Polar Norueguês, que garantem ter sido das mais longas algumas vez realizadas por animais. E a mais rápida da sua espécie.

Tão longa que levou os especialistas a duvidar de que poderia ser possível. “Primeiro, não acreditámos que fosse verdade”, confessou a investigadora Eva Fuglei, do instituto norueguês, parte da equipa que localizou a fêmea. Os investigadores terão mesmo ponderado a hipótese de o colar de localização ter sido retirado e levado a bordo de uma embarcação. “Mas não, não há barcos que sigam para tão longe no gelo“, disse Eva Fuglei.

Fjellreven vandret via havisen fra i Europa til i Nord-Amerika i et tempo ingen forskere tidligere har dokumentert. Foto: Elise Stømseng Les mer:

12:10 – 26 de Jun de 2019

Todos os dias, durante um período de três horas, o dispositivo localizador fornecia as coordenadas da raposa. Segundo os dados recolhidos, o animal deixou Spitsbergen, no arquipélago de Svalbard, na Noruega, a 26 de Março de 2018. Ao final de 21 dias e 1512 quilómetros sobre gelo marinho, fixou-se na Gronelândia a 16 de Abril de 2018. Continuou o seu percurso até à ilha Ellesmere, no Canadá, onde chegou a 1 de Julho do mesmo ano.

A raposa fez o percurso a uma velocidade média de 46,3 quilómetros por dia. Quando passava pela Gronelândia, houve até um dia em que caminhou a 155 quilómetros. Segundo um comunicado dos investigadores Instituto Polar Norueguês, até agora, esta é a “taxa de movimento mais rápida já registada nesta espécie”.

Contudo, já não é possível identificar a actual localização da raposa, uma vez que o seu localizador deixou de funcionar em Fevereiro deste ano.

A equipa de investigadores que a seguiu durante meses acredita que a raposa terá recorrido ao gelo como o seu próprio meio de transporte para caminhar da Noruega até ao Canadá. “O gelo marinho desempenha um papel fundamental no facto de as raposas das montanhas migrarem entre as áreas, encontrarem outras populações e encontrarem comida”, disse a especialista Eva Fuglei.

Além de fascínio, esta jornada levantou algumas dúvidas e preocupações para o futuro animal. Os investigadores estão preocupados com o impacto da mudança climática no gelo marinho, que pode afectar a capacidade de os animais de migrarem.

Segundo o ministro do Meio Ambiente norueguês, esta é mais uma prova de “como o gelo do mar é importante para a vida selvagem no Árctico”. Ola Elvestuen frisa que “o aquecimento no norte é assustadoramente rápido” e, por isso, é preciso urgência no corte de emissões, para “evitar que o gelo do mar desapareça durante todo o verão”.

Diário de Notícias
Catarina Reis
02 Julho 2019 — 13:03

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1901: Vídeo mostra como é realmente difícil andar na Terra após 6 meses no Espaço

CIÊNCIA

(dr) Roscosmos

Drew Feustel conseguiu concretizar um sonho que muitos nunca terão oportunidade de realizar: ir ao Espaço. Mas, quando voltou, deparou-se com um verdadeiro desafio: caminhar.

O astronauta Drew Feustel passou 197 dias no Espaço – pouco mais de meio ano – a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Apesar de ser um sonho tornado realidade, a verdade é que os humanos não foram feitos para flutuar sem peso e passar tanto tempo em micro-gravidade.

Quando os nossos corpos não estão numa constante luta contra a força da gravidade, algo estranho pode acontecer. Os músculos podem atrofiar e podemos ainda perder muita densidade óssea.

Além disso, quando os astronautas retornam à Terra, o retorno à gravidade pode produzir uma vertigem muito severa à medida que o sentido de equilíbrio se reajusta.

Por esse motivo, movimentar é um desafio e uma tarefa muito mais difícil do que o que esperavam. Feustel publicou um vídeo no Twitter, em Dezembro do ano passado, que mostra essa dificuldade. O astronauta tropeça quando tenta andar apenas alguns passos em linha recta.

A Estação  Espacial, ciente desse obstáculo, está actualmente equipada com um número vasto de equipamentos para dar aos astronautas um treino de corpo inteiro. Os astronautas gastam, em média, duas horas por dia a treinar.

Esta solução foi concebida para mitigar a atrofia. No entanto, mesmo com o programa de exercícios actualmente em vigor, são necessários, pelo menos, três a quatro anos para que um astronauta recupere totalmente após um período de seis meses no Espaço.

Este é apenas um dos muitos desafios que os cientistas precisam de resolver para uma possível viagem a Marte. Quanto mais tempo de estadia, maior a perda de densidade óssea – a viagem ao Planeta Vermelho implica, pelo menos, seis meses em cada sentido.

De Março de 2015 a Março de 2016, os astronautas Scott Kelly da NASA e Mikhail Korniyenko de Roscosmos passaram 342 dias no Espaço para descobrirem mais sobre os efeitos na saúde de uma longa missão espacial. Como era de esperar, voltaram com o equilíbrio muito instável e um enorme desafio pela frente.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
28 Abril, 2019

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