2978: Há algo estranho e quente no interior de Neptuno

CIÊNCIA

NASA

Quando a nave Voyager 2 observou o gigante gelado Neptuno pela primeira vez em 1989, foi revelado que este planeta parece ser mais quente do que Úrano, apesar de estar mais distante do Sol. 

De acordo com medições subsequentes, Neptuno mostrou ter temperaturas semelhantes às do vizinho gasoso, embora teoricamente não deva ter. Até agora, “a fonte desse calor adicional permanece um mistério”, estimou o físico Brian Cox no documentário da BBC “The Planets”.

No entanto, existem várias hipóteses que tentam explicar as diferenças entre estes dois planetas com composição semelhante com o nosso Sistema Solar, de acordo com o LiveScience.

“As medidas da Voyager mostram que Neptuno emite mais do que o dobro de calor que absorve do sol, enquanto Úrano não”, explicou Anthony Del Genio, do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA. Segundo o investigador, isto ocorre porque “Úrano não possui uma fonte significativa de calor interno e não pode gerar calor adicional ao obtido pelo Sol”, o que o diferencia de Neptuno, bem como de Júpiter e Saturno.

Uma fonte interna de altas temperaturas origina-se do excesso de calor desde o nascimento do sistema solar, no momento da formação dos planetas: o calor que se contraiu desde a nebulosa solar primitiva. “A fonte adicional de calor em Neptuno deve-se em grande parte à contracção gravitacional”, disse Joshua Tollefson, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

De momento, não há uma explicação clara que indique porque é que Úrano não possui essa fonte adicional de calor. É possível que a diferença de idade tenha uma certa influência nisso, já que um planeta mais jovem seria mais quente. Além disso, a velocidade e a intensidade da libertação de calor também dependem da estrutura e composição interior de cada corpo celeste e as suas camadas de nuvens.

É difícil estimar todos estes componentes, uma vez que um ano em Neptuno equivale a 165 anos terrestres, por isso os cientistas ainda não conseguiram estudar o planeta ao longo do seu ciclo sazonal, com ferramentas modernas, e obter dados mais completos.

Além disso, os cientistas relacionam a fonte de calor interna de Neptuno e a sua temperatura com outro fenómeno: fortes ventos rotativos de até 2.414 quilómetros por hora. “É provável que os ventos sejam gerados mais profundamente do que a luz solar possa penetrar, de modo que são possivelmente produzidos por uma combinação de calor interno e rotação”, sugeriu Amy Simon, cientista da Planetary Atmosphere Research no Goddard Space Flight Center da NASA.

Os ventos de Neptuno e Úrano não coincidem. Em Úrano, atingem apenas velocidades de até 900 quilómetros por hora, embora os dois planetas tenham ciclos de rotação semelhantes. “Isso mostra que há algo diferente entre eles: calor parcialmente interno ou algo mais”, estima Simon.

ZAP //

Por ZAP
7 Novembro, 2019

 

2379: Calor intenso atinge países nórdicos. Especialistas preocupados com a Gronelândia

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Cidades suecas estão a registar temperaturas elevadas históricas. Especialistas estão preocupados com passagem do calor para a Gronelândia.

Os países nórdicos registam temperaturas muito elevadas, numa altura em que o calor intenso que tem atingido a Europa se desloca para norte, dando origem em algumas zonas a “noites tropicais”, anunciou este sábado o Instituto Meteorológico sueco.

Na Suécia, o calor extremo tem-se feito sentir mesmo no norte do país. A pequena cidade de Markusvinsa (norte) foi atingida por um recorde de 34,8 graus Celsius, a temperatura mais elevada verificada este ano na Suécia.

“Trata-se da temperatura mais alta no norte desde 1945 e a terceira mais elevada que registámos”, declarou à AFP o meteorologista Jon Jorpeland.

No início da semana, houve, em vários locais da Suécia, “noites tropicais”, em que a temperatura nocturna não fica abaixo de 20°C. Segundo Jon Jorpeland, as temperaturas não foram extremas no sul da Suécia, onde durante alguns dias por ano atingem os 30 graus, apesar de agora estarem acima da média.

Mas, as autoridades advertiram para o risco de escassez de água em Agosto em várias regiões.

A vaga de calor também se fez sentir na Noruega, onde os serviços de meteorologia registaram “noites tropicais” em 20 locais diferentes do sul do país. Foram emitidos alertas de calor na Suécia, Noruega e Finlândia.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que os fluxos atmosféricos transportem o calor da Europa para a Gronelândia, “o que terá por efeito um aumento da temperatura e um derretimento acelerado” dos glaciares.

ZAP // Lusa

Por Lusa
28 Julho, 2019

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1326: Há algo quente escondido sob a Antárctida Oriental

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Existe algo quente debaixo da parte leste da Antárctica. Apesar de ainda não haver certezas do que é, já há alguns bons palpites.

A Antárctica Oriental é um cráton, um grande pedaço de terra da crosta terrestre. É sólido e grosso e não é suposto que deixe que o calor saia de dentro da Terra. Esta é a diferença em relação à Antárctida Ocidental, que tem uma crosta mais fina, onde o magma está, em alguns locais, muito perto da superfície.

Isso significa que a Antárctica Oriental não deveria ter muita água derretida no fundo da camada de gelo. Mesmo assim, como os investigadores revelaram num artigo publicado a 14 de Novembro na revista Scientific Reports, há uma quantidade anormalmente alta de água líquida.

Este fenómeno não está relacionado com a mudança climática, que tem provocado intensa fusão nas bordas do continente. É um local antigo, separado, quente e isolado. Os investigadores conseguiram detectá-lo com recurso a um radar especializado de penetração de gelo.

Ainda não é certo o que poderá estar a causar o aquecimento debaixo da zona este da Antárctida, uma vez que o cráton deveria proteger o gelo do calor interno da Terra. Porém, a equipa de investigadores tem um palpite: energia hidrotérmica.

Uma falha na parte de baixo da crosta pode estar cheia de água, que palpita entre as profundidades quentes da Terra e a parte de baixo do gelo antárctico. O fenómeno pode estar a fornecer um canal para o calor escapar e desencadear o derretimento.

Esta fonte oculta de calor é interessante, mas os investigadores consideram especialmente importante o facto de o fenómeno poder influenciar os dados usados para entender o passado profundo do planeta.

“Esta é uma área de interesse particular”, sustenta a equipa de cientistas. “Segundo sugerem os nossos modelos, a Antárctida Oriental pode conter o mais antigo gelo do planeta, preservando registos de importantes transições climáticas“.

Os cientistas recolhem amostras do gelo antigo e usam-nas para entender como a atmosfera do planeta mudou com o tempo. Cada camada de gelo é um registo do ar do planeta no período em que se formou. E entender as circunstâncias sob as quais o gelo permaneceu durante milénios desde então pode ajudar os investigadores a melhorar a compreensão destes dados.

ZAP // Live Science

Por ZAP
23 Novembro, 2018

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991: Em apenas 4 dias, o calor derreteu toda a neve de inverno de um glaciar no Canadá

NASA

Em apenas 4 dias deste verão, a neve acumulada durante todo o inverno passado no Glaciar Lowell, no Canadá, derreteu, transformando-se numa imensa lagoa que o glaciologista Mauri Pelto apelidou de “pântano de neve”.

A imagem acima demonstra a progressão do rápido derretimento da neve no Parque Nacional e Kluan, no território de Yukon, no Canadá. As imagens foram recolhidas no passado dia 26 de Julho pelo Operational Land Imager (OLI) através do satélite Landsat 8.

Na imagem, as bandas de infravermelhos combinaram-se para diferenciar com clareza as as áreas de água que estão congeladas (azul claro) daquelas que contêm água de degelo (azul escuro). Já as rochas da zona estão identificadas em tonalidade castanhas e a vegetação assinalada a verde.

No dia em que a imagem foi capturada, há pouco mais de um mês, a lama cobria uma área superior a 40 quilómetros quadrados, nota a Europa Press.

Pelto, investigador da Nichols College, observou lagos de lama semelhantes a este em outros glaciares contudo, ressaltou, o rápido derretimento sentido no Glaciar Lowell é incomum. “A única forma de criar um pântano tão extenso de neve é tendo a neve saturada de água até chegar à superfície”, explicou, em Nichols College.

As altas temperaturas sentidas causaram um extenso fenómeno de ablação – a perda de gelo superficial devido ao derretimento -, de acordo com o investigador.

Durante os dias em causa, as temperaturas diárias registadas nas proximidade de Haines Junction, vila localizada a 60 quilómetros do glaciar, atingiram os 29 graus – bem mais altas do que as temperaturas que normalmente atingem a região em Julho.

A “piscina de lama” foi desaparecendo rapidamente à medida que a neve ia derretendo. A 11 de Agosto, a lama deixou o glaciar, dirigindo-se para o lago Loweel. De acordo com Pelto, uma perda tão grande de água deve fazer com que o glaciar recue mais.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2018

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Calor “anormal” nos próximos quatro anos: 2018 foi só o início

Novo método de previsão estatística desenvolvido por dois climatólogos europeus sugere que 2018 é o primeiro ano de um período de quatro em que as temperaturas vão aumentar muito.

© José Sena Goulão/Lusa

O ano de 2018, com a inédita onda de calor deste verão que se prolongou por semanas e atingiu quase toda a Europa, grande parte da América do Norte e extensas regiões asiáticas, numa dimensão geográfica surpreendente, pode ser apenas o início de um período anormalmente quente que vai estender-se por vários anos, pelo menos até 2022.

A estimativa é de dois climatólogos europeus, Florian Sévellec, do CNRS, o centro nacional de investigação científica de França, e Sybren Drijfhout, da Universidade de Southampton e do Instituto de Meteorologia da Holanda, que desenvolveram um novo método estatístico para estimar a temperatura global da superfície terrestre e dos oceanos.

Pelas suas contas, os próximos quatro anos tenderão a ser “mais quentes do que o normal”, o que por sua vez “vai reforçar também a tendência de longo prazo do aquecimento do planeta”, como se lê no artigo que hoje publicam na revista científica Nature Communications.

O novo método desenvolvido pelos dois investigadores para fazer estas previsões não utiliza as técnicas de simulações geralmente utilizadas. Em vez disso, os dois cientistas usaram um método estatístico para identificar nos séculos XX e XXI situações análogas às actuais condições climáticas para deduzir, a partir daí, cenários para o futuro.

De acordo com os autores, o seu método demonstrou ser tão eficaz como os actuais modelos de previsão, uma vez que com ele conseguiram reproduzir as condições de temperatura observadas nas últimas décadas.

Em particular, o sistema de Sévellec e Drijfhout demonstrou muita precisão a reproduzir o já chamado hiato no aquecimento global ocorrido na primeira década deste século. Durante aquele período houve uma ligeira quebra na subida anual da temperatura global, que desde de 2010 regressou em força, tendo-se registado a partir daí alguns dos anos mais quentes desde que há registos.

O método de previsão usa um algoritmo que consegue fazer as estimativas em poucos segundos, ao contrário do que acontece com os modelos de simulação climática que têm de ser corridos em supercomputadores, e levam cerca de uma semana a dar resultados.

Para os próximos anos, até 2022, os cálculos feitos por este novo processo apontam então para altas temperaturas muito acima da média, o que também decorre de os cálculos darem uma baixa probabilidade de episódios de frio intenso.
As previsões estão feitas. Fiquemos atentos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Agosto 2018 — 18:33

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