1326: Há algo quente escondido sob a Antárctida Oriental

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Existe algo quente debaixo da parte leste da Antárctica. Apesar de ainda não haver certezas do que é, já há alguns bons palpites.

A Antárctica Oriental é um cráton, um grande pedaço de terra da crosta terrestre. É sólido e grosso e não é suposto que deixe que o calor saia de dentro da Terra. Esta é a diferença em relação à Antárctida Ocidental, que tem uma crosta mais fina, onde o magma está, em alguns locais, muito perto da superfície.

Isso significa que a Antárctica Oriental não deveria ter muita água derretida no fundo da camada de gelo. Mesmo assim, como os investigadores revelaram num artigo publicado a 14 de Novembro na revista Scientific Reports, há uma quantidade anormalmente alta de água líquida.

Este fenómeno não está relacionado com a mudança climática, que tem provocado intensa fusão nas bordas do continente. É um local antigo, separado, quente e isolado. Os investigadores conseguiram detectá-lo com recurso a um radar especializado de penetração de gelo.

Ainda não é certo o que poderá estar a causar o aquecimento debaixo da zona este da Antárctida, uma vez que o cráton deveria proteger o gelo do calor interno da Terra. Porém, a equipa de investigadores tem um palpite: energia hidrotérmica.

Uma falha na parte de baixo da crosta pode estar cheia de água, que palpita entre as profundidades quentes da Terra e a parte de baixo do gelo antárctico. O fenómeno pode estar a fornecer um canal para o calor escapar e desencadear o derretimento.

Esta fonte oculta de calor é interessante, mas os investigadores consideram especialmente importante o facto de o fenómeno poder influenciar os dados usados para entender o passado profundo do planeta.

“Esta é uma área de interesse particular”, sustenta a equipa de cientistas. “Segundo sugerem os nossos modelos, a Antárctida Oriental pode conter o mais antigo gelo do planeta, preservando registos de importantes transições climáticas“.

Os cientistas recolhem amostras do gelo antigo e usam-nas para entender como a atmosfera do planeta mudou com o tempo. Cada camada de gelo é um registo do ar do planeta no período em que se formou. E entender as circunstâncias sob as quais o gelo permaneceu durante milénios desde então pode ajudar os investigadores a melhorar a compreensão destes dados.

ZAP // Live Science

Por ZAP
23 Novembro, 2018

 

991: Em apenas 4 dias, o calor derreteu toda a neve de inverno de um glaciar no Canadá

NASA

Em apenas 4 dias deste verão, a neve acumulada durante todo o inverno passado no Glaciar Lowell, no Canadá, derreteu, transformando-se numa imensa lagoa que o glaciologista Mauri Pelto apelidou de “pântano de neve”.

A imagem acima demonstra a progressão do rápido derretimento da neve no Parque Nacional e Kluan, no território de Yukon, no Canadá. As imagens foram recolhidas no passado dia 26 de Julho pelo Operational Land Imager (OLI) através do satélite Landsat 8.

Na imagem, as bandas de infravermelhos combinaram-se para diferenciar com clareza as as áreas de água que estão congeladas (azul claro) daquelas que contêm água de degelo (azul escuro). Já as rochas da zona estão identificadas em tonalidade castanhas e a vegetação assinalada a verde.

No dia em que a imagem foi capturada, há pouco mais de um mês, a lama cobria uma área superior a 40 quilómetros quadrados, nota a Europa Press.

Pelto, investigador da Nichols College, observou lagos de lama semelhantes a este em outros glaciares contudo, ressaltou, o rápido derretimento sentido no Glaciar Lowell é incomum. “A única forma de criar um pântano tão extenso de neve é tendo a neve saturada de água até chegar à superfície”, explicou, em Nichols College.

As altas temperaturas sentidas causaram um extenso fenómeno de ablação – a perda de gelo superficial devido ao derretimento -, de acordo com o investigador.

Durante os dias em causa, as temperaturas diárias registadas nas proximidade de Haines Junction, vila localizada a 60 quilómetros do glaciar, atingiram os 29 graus – bem mais altas do que as temperaturas que normalmente atingem a região em Julho.

A “piscina de lama” foi desaparecendo rapidamente à medida que a neve ia derretendo. A 11 de Agosto, a lama deixou o glaciar, dirigindo-se para o lago Loweel. De acordo com Pelto, uma perda tão grande de água deve fazer com que o glaciar recue mais.

ZAP //

Por ZAP
9 Setembro, 2018

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Calor “anormal” nos próximos quatro anos: 2018 foi só o início

Novo método de previsão estatística desenvolvido por dois climatólogos europeus sugere que 2018 é o primeiro ano de um período de quatro em que as temperaturas vão aumentar muito.

© José Sena Goulão/Lusa

O ano de 2018, com a inédita onda de calor deste verão que se prolongou por semanas e atingiu quase toda a Europa, grande parte da América do Norte e extensas regiões asiáticas, numa dimensão geográfica surpreendente, pode ser apenas o início de um período anormalmente quente que vai estender-se por vários anos, pelo menos até 2022.

A estimativa é de dois climatólogos europeus, Florian Sévellec, do CNRS, o centro nacional de investigação científica de França, e Sybren Drijfhout, da Universidade de Southampton e do Instituto de Meteorologia da Holanda, que desenvolveram um novo método estatístico para estimar a temperatura global da superfície terrestre e dos oceanos.

Pelas suas contas, os próximos quatro anos tenderão a ser “mais quentes do que o normal”, o que por sua vez “vai reforçar também a tendência de longo prazo do aquecimento do planeta”, como se lê no artigo que hoje publicam na revista científica Nature Communications.

O novo método desenvolvido pelos dois investigadores para fazer estas previsões não utiliza as técnicas de simulações geralmente utilizadas. Em vez disso, os dois cientistas usaram um método estatístico para identificar nos séculos XX e XXI situações análogas às actuais condições climáticas para deduzir, a partir daí, cenários para o futuro.

De acordo com os autores, o seu método demonstrou ser tão eficaz como os actuais modelos de previsão, uma vez que com ele conseguiram reproduzir as condições de temperatura observadas nas últimas décadas.

Em particular, o sistema de Sévellec e Drijfhout demonstrou muita precisão a reproduzir o já chamado hiato no aquecimento global ocorrido na primeira década deste século. Durante aquele período houve uma ligeira quebra na subida anual da temperatura global, que desde de 2010 regressou em força, tendo-se registado a partir daí alguns dos anos mais quentes desde que há registos.

O método de previsão usa um algoritmo que consegue fazer as estimativas em poucos segundos, ao contrário do que acontece com os modelos de simulação climática que têm de ser corridos em supercomputadores, e levam cerca de uma semana a dar resultados.

Para os próximos anos, até 2022, os cálculos feitos por este novo processo apontam então para altas temperaturas muito acima da média, o que também decorre de os cálculos darem uma baixa probabilidade de episódios de frio intenso.
As previsões estão feitas. Fiquemos atentos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Agosto 2018 — 18:33

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