2939: A Grande Ilha de Lixo do Pacífico tem novos (e inesperados) visitantes

CIÊNCIA

Magnus Larsson / Canva

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico, um monumento de lixo plástico flutuante no oceano, tem recebido novos – e inesperados – visitantes.

Biólogos têm observado, pela primeira vez, cachalotes a brincar na área do Grande Depósito de Lixo do Pacífico. Dado os perigos da poluição plástica para a vida marinha, estas visitas são extremamente preocupantes.

De acordo com um estudo publicado em Agosto na revista especializada Marine Biodiversity, os investigadores da Ocean Cleanup Foundation estudaram a Grande Ilha de Lixo do Pacífico e observaram pelo menos quadro cachalotes – incluindo uma mãe e uma cria -, três baleias-bicudas, duas baleias e pelo menos cinco outro cetáceos.

“As nossas observações de vários plásticos oceânicos de uma ampla variedade de tamanhos sugerem que os cetáceos dentro do Grande Depósito de Lixo do Pacífico provavelmente são impactados pela poluição do plástico, seja por interacções de ingestão ou emaranhamento com detritos”, concluíram os autores do estudo.

Os 14 cetáceos foram avistados a partir de uma aeronave da era da Guerra do Vietname, usando fotografias, imagens de infravermelho e dados do LIDAR em Outubro de 2016. O principal objectivo era contar os plásticos oceânicos. Juntamente com inúmeros pequenos pedaços de plástico e pequenas partículas sintéticas, também encontraram 1.280 pedaços de detritos com mais de 50 centímetros – uma proporção de aproximadamente 90 grandes objectos plásticos por animal avistado.

Susan E Gibbs et al

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico localiza-se entre o Hawai e a Califórnia, numa das regiões mais remotas do Oceano Pacífico. Consiste em 88 mil toneladas de redes de plástico flutuantes, corda de pesca, bens de consumo de plástico e lixo não biodegradável.

Estas ilhas de lixo são formadas pelas correntes oceânicas rotativas. Vastas correntes oceânicas varrem e transportam a poluição plástica. Esses fluxos de lixo tornam-se cercados por outras correntes oceânicas, prendendo-os.

A poluição plásticas nos oceanos é um mal conhecido. Os seus efeitos sobre a vida selvagem são especialmente visíveis em animais de grande porte, como aves marinhas e cetáceos. Recentemente, foi descoberta uma baleia-bicuda ao longo da costa das Filipinas com 40 quilos de lixo plástico nas entranhas.

O plástico pode também prejudicar o meio ambiente e a biodiversidade de várias maneiras. Por um lado, é conhecido por promover a proliferação de certas bactérias, o que poderia ter implicações em doenças no oceano.

ZAP //

Por ZAP
1 Novembro, 2019

 

2023: Cachalote encontrada morta em praia italiana. Tinha quilos de plástico no estômago

DESTAQUE

(dr) Greenpeace Italia

Uma cachalote com cerca de sete anos foi encontrada morta com o estômago cheio de plástico numa praia em Cefalù, destino turístico na Sicília, em Itália.

O anúncio foi feito pela Greenpeace italiana, na sexta-feira, na sua página de Facebook. A organização colocou várias fotos da carcaça do animal na praia e mostrou o plástico que foi recolhido do seu estômago. “Como podem ver pelas fotos que estamos a partilhar, encontrámos muito plástico no estômago do cachalote”, disse Giorgia Monti, da Greenpeace, em comunicado. “Não sabemos se o animal morreu por causa do plástico, mas também não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu”, continuou.

No sábado, dez peritos fizeram a autópsia da jovem fêmea de cachalote “que ainda nem tinha dentes” directamente na praia. Carmelo Isgro, da Universidade de Messina, partilhou várias imagens no Facebook, que mostram o procedimento. “São imagens fortes, mas quero que todos vejam e percebam o que estamos a fazer ao nosso mar e aos seus animais”, explicou.

Isgro publicou um vídeo onde é possível ver o momento em que os peritos abrem o estômago da fêmea e retiram do seu interior vários sacos de plástico. Num outro vídeo, Isgro retira um dos sacos e coloca-o num caixote do lixo. “Impressionante, isto é inacreditável”, disse, afirmando que foram retirados do interior do animal “vários quilogramas de plástico”.

“Muito provavelmente, o plástico criou um bloqueio que impediu a passagem de comida. Esta é muito provavelmente a causa de morte. Não encontrámos sinais que nos dessem qualquer outra razão para a morte”, explicou o perito da Universidade de Messina.

Giorgia Monti revelou ainda que, nos últimos cinco meses, cinco cachalotes deram à costa mortos em praias italianas. Em Abril, uma fêmea de cachalote grávida foi encontrada em Sardinia com 22 quilos de plástico no estômago. “O mar está a enviar-nos um alarme, um SOS de desespero. Temos de intervir imediatamente para salvar as fantásticas criaturas que vivem no mar”, apelou Monti.

A Greenpeace de Itália está a cooperar com o Blue Dream Project para investigar, controlar e alertar para a poluição de plástico no oceano. Durante as próximas três semanas, as duas organizações vão controlar o nível de plástico na costa italiana. A expedição termina na Toscânia a 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos.

Já esta terça-feira, investigadores da Universidade de Pádua vão apresentar em conferência de imprensa um relatório sobre as dificuldades dos cetáceos nas águas de Itália. O principal destaque do documento irá para cachalotes e poluição de plástico.

Os cachalotes vivem habitualmente 70 a 80 anos. Pesam entre 35 a 45 toneladas e podem chegar aos 18 metros de comprimento. Segundo a National Geographic, comem uma tonelada de peixe e lulas por dia e têm um cérebro maior do que qualquer criatura que já viveu na Terra.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019


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