3622: Hubble captura fragmentação do Cometa ATLAS

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagens do Cometa ATLAS, pelo Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de abril.
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA), Q. Ye (Universidade de Maryland)

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA forneceu aos astrónomos a visão mais nítida até ao momento do colapso do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS). O telescópio resolveu aproximadamente 30 fragmentos do frágil cometa no dia 20 de Abril e 25 pedaços no dia 23 de Abril.

O cometa foi descoberto pela primeira vez em Dezembro de 2019 pelo sistema robótico de levantamento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) no Hawaii, EUA. Aumentou rapidamente de brilho até meados de Março, e alguns astrónomos previram inicialmente que talvez ficasse visível a olho nu em maio para se tornar um dos cometas mais espectaculares vistos nas últimas duas décadas. No entanto, o cometa começou abruptamente a ficar mais fraco, levando os astrónomos a especular que o núcleo de gelo podia estar a fragmentar-se, ou até a desintegrar-se. A fragmentação do ATLAS foi confirmada pelo astrónomo amador José de Queiroz, que fotografou cerca de três fragmentos do cometa no dia 11 de Abril.

As novas observações da fragmentação do cometa, pelo Telescópio Espacial Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de Abril, revelam que os pedaços estão todos envoltos numa cada de poeira cometária, varrida pela luz do Sol. Estas imagens fornecem mais evidências de que a fragmentação dos cometas é provavelmente comum e pode até ser o mecanismo dominante pelo qual os núcleos sólidos e gelados dos cometas morrem.

“A sua aparência muda substancialmente entre os dois dias, tanto que é bastante difícil ligar os pontos,” disse David Jewitt da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), líder de uma das equipas que fotografou o cometa condenado com o Hubble. “Não sei se isto é porque as peças individuais piscam quando refletem a luz do Sol, agindo como luzes cintilantes numa árvore de Natal, ou porque fragmentos diferentes aparecem em dias diferentes.”

“Isto é realmente emocionante – tanto porque estes eventos são incríveis de observar e porque não acontecem com muita frequência. A maioria dos cometas que se fragmentam são demasiado fracos para ver. Eventos a esta escala só acontecem duas vezes por década,” disse o líder da segunda equipa de observação do Hubble, Quanzhi Ye, da Universidade de Maryland.

Tendo em conta que a fragmentação cometária ocorre de forma rápida e imprevisível, as observações fiáveis são raras. Portanto, os astrónomos permanecem bastante incertos sobre a causa da fragmentação. Uma sugestão é que o núcleo original se quebre em pedaços por causa da acção dos jactos que expelem gelos via sublimação. Dado que este fluxo provavelmente não está disperso uniformemente pelo cometa, agudiza a fragmentação. “Uma análise mais aprofundada dos dados do Hubble pode mostrar se este mecanismo é ou não responsável,” disse Jewitt. “Independentemente disso, é maravilhoso o Hubble observar este cometa moribundo.”

As imagens nítidas do Hubble podem fornecer novas pistas sobre a separação. O telescópio distinguiu peças distintas tão pequenas quanto uma casa. Antes da fragmentação, todo o núcleo não podia ter mais do que o comprimento de dois campos de futebol.

O cometa ATLAS, em desintegração, está actualmente localizado dentro da órbita de Marte, a uma distância de mais ou menos 145 milhões de quilómetros da Terra quando as últimas observações do Hubble foram feitas. O cometa fará a sua maior aproximação à Terra no dia 23 de maio a uma distância de aproximadamente 115 milhões de quilómetros e, oito dias depois, passará pelo Sol a 37 milhões de quilómetros de distância.

Astronomia On-line
1 de Maio de 2020

 

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