2666: Há décadas que o buraco na camada de ozono não estava tão pequeno (e pode estar quase curado)

CIÊNCIA

(cv) Seeker / Youtube

Após um enorme esforço global, a camada de ozono sobre a Antárctida é a mais pequena em décadas. Nesse ritmo de recuperação, a agência ambiental das Nações Unidas declarou que a maior parte da camada de ozono será completamente curada durante a nossa vida.

Desde 2000 que partes da camada de ozono se recuperam a uma taxa de 1 a 3% a cada 10 anos, de acordo com a mais recente avaliação científica da deplecção de ozono. Espera-se que a taxa sugira que o Hemisfério Norte e o ozono de latitude média se curem completamente até aos anos 2030, com o Hemisfério Sul reparado nos anos 2050.

O ozono é uma molécula composta por três átomos de oxigénio. 10% do ozono atmosférico pode ser encontrado na troposfera, que se estende ao nível do solo até a uma altitude de cerca de sete quilómetros. No nível do solo, o ozono é um poluente do ar, formado por subprodutos na combustão de escapamento de veículos e combustíveis fósseis.

A camada de ozono é uma região da estratosfera da Terra com altas concentrações de ozono gasoso que ajuda a proteger o planeta dos raios ultravioleta nocivos do Sol.

O uso de certos produtos químicos fabricados pelo homem, especialmente refrigerantes e solventes manufacturados, pode actuar como substâncias que destroem o ozono após serem transportados para a estratosfera, causando o esgotamento da camada e a formação de um “buraco”.

Actualmente, o buraco na camada de ozono da Antárctica está a passar por um surto de crescimento sazonal que começa todos os anos em Agosto e atinge o pico em Outubro. Dados recentemente divulgados pelo Serviço de Monitorização de Atmosfera Copernicus (CAMS) mostraram que o ozono está a comportar-se de uma forma “muito incomum”.

Embora o buraco de ozono deste ano tenha crescido sob algumas condições estranhas, fazendo com que pareça mais distante do pólo do que o habitual, os meteorologistas prevêem que ainda está a caminhar para a menor área de qualquer buraco de ozono na Antárctida em 30 anos.

“As nossas previsões mostram que permanecerá pequeno esta semana e esperamos que o buraco de ozono deste ano seja um dos menores que temos visto desde meados da década de 1980″, disse Antje Inness, cientista sénior do CAMS, em comunicado.

Depois de o buraco no ozono ter sido descoberto em 1985, o mundo agiu rapidamente para resolver o problema. Em 1987, 196 países e a União Europeia assinaram o Protocolo de Montreal para eliminar gradualmente a produção de quase cem substâncias responsáveis ​​pela destruição do ozono.

Até ao momento, este continua a ser o único tratado das Nações Unidas a ser adoptado por todos os Estados membros. Como os resultados reafirmam, o protocolo foi um sucesso sem precedentes.

No momento em que o mundo está a oscilar no precipício de mudanças climáticas catastróficas, a recuperação do buraco na camada de ozono serve como um lembrete de que é possível que o mundo resolva os seus problemas ambientais por meio de acções colectivas e mudanças políticas.

“O Protocolo de Montreal foi um sucesso tão grande por causa do apoio global unânime”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado da ONU. “Devemos lembrar que o Protocolo de Montreal é um exemplo inspirador de como a humanidade é capaz de cooperar para enfrentar um desafio global e um instrumento fundamental para enfrentar a crise climática de hoje”.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2331: Super-erupções vulcânicas estão a interromper a recuperação da camada de ozono

CIÊNCIA

Zalrian Sayat / EPA

Desde que o buraco do ozono na Antárctida foi detectado em 1985, o esgotamento da camada de ozono – o “grande guarda-chuva” que protege toda a vida na Terra – levantou uma preocupação considerável.

Os esforços das comunidades internacionais levaram ao sucesso do “Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destrói a Camada de Ozono”, assinado em 1987, que proibiu a produção e uso global de clorofluorcarbonetos, a principal causa do ozono esgotado.

Desde então, as substâncias destruidoras do ozono (ODSs) na estratosfera foram gradualmente eliminadas e a destruição adicional do ozono foi evitada. A camada de ozono tem vindo a recuperar-se gradualmente e os cientistas estimam que atingirá o nível dos anos 80 até meados deste século.

“No entanto, fortes erupções vulcânicas, especialmente quando um super vulcão entra em erupção, terão um forte impacto no ozono e podem interromper os processos de recuperação do ozono”, disse Ke Wei, do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, em comunicado. Wei é o autor correspondente de um artigo recentemente publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences.

Para estimar o efeito de um possível super-vulcão na camada de ozono em recuperação, a equipa de Wei trabalhou com cientistas russos e usou um modelo de transporte e um modelo químico-climático para simular o impacto de super erupções vulcânicas no ozono estratosférico durante diferentes períodos de recuperação do ozono.

Os resultados mostram que a percentagem da diminuição total média global de ozono na coluna no cenário da metade dos ODSs dos anos 90 é de aproximadamente 6% e a percentagem é de 6,4% nos trópicos.

Quando todas as ODS antropogénicas são removidas e apenas fontes naturais  permanecem, uma erupção super vulcânica produz uma diminuição média global de ozono de 2,5%, com uma perda de 4,4% nos trópicos.

“Essas poucas destruições não devem ser subestimadas, pois o Relatório de Avaliação do Ozono em 2014 pela Organização Meteorológica Mundial sugeriu um esgotamento de ozono de 2,5% fora das regiões polares durante o pior período de esgotamento nos anos 90”, disse o principal autor, Luyang Xu.

Xu está preocupado com o facto de que, uma vez que as super-erupções vulcânicas também podem injectar uma grande carga de halogénios na atmosfera, que destroem directamente o ozono na estratosfera, a verdadeira diminuição causada por super vulcões poderia ser ainda mais séria do que a estimativa.

No entanto, as observações e estudos actuais não conseguem fornecer informações suficientes sobre as quantidades exactas de halogénios vulcânicos que entram na estratosfera.

ZAP //

Por ZAP
19 Julho, 2019

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1259: O buraco na camada de ozono está a recuperar (mas nem tudo são boas notícias)

CIÊNCIA

Greg Shirah / Paul Newman / NASA / GSFC
Buraco da camada de ozono em 2000 registado pela NASA

O tratado internacional de três décadas, que tem como objetivo eliminar os produtos químicos que destroem a camada de ozono, a protetora da radiação solar prejudicial do nosso planeta, está a dar frutos.

Chama-se Protocolo de Montreal e é graças a ele que a camada de ozono continua a regenerar-se, segundo uma recente avaliação divulgada na passada segunda-feira pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Segundo o documento, a camada de ozono irá recuperar-se completamente até 2060. Aliás, no hemisfério norte este processo pode dar-se como concluído antes de 2040.

“Geralmente, é uma boa notícia”, diz Paul Newman, co-presidente da nova avaliação e cientista-chefe de ciências da terra do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. Os gases que destroem o ozono estão a diminuir e continuaram a diminuir desde meados dos anos 90. “As projeções para o futuro são bastante positivas, desde que as partes continuem a cumprir o Protocolo de Montreal.”

O ozono é uma molécula composta por três átomos de oxigénio. Dez por cento do ozono atmosférico pode ser encontrado na troposfera, que se estende ao nível do solo até a uma altitude de cerca de sete quilómetros. No nível do solo, o ozono é um poluente do ar, formado por subprodutos na combustão de escapamento de veículos e combustíveis fósseis.

Além destes tipos de ozono, há anda a camada de ozono, acima da troposfera, que protege a Terra contra a radiação ultravioleta-B do Sol.

Dentro dessa faixa, ocorre uma reação cíclica: a radiação solar divide o oxigénio elementar (O2) em átomos únicos de oxigénio que reagem com outras moléculas elementares de oxigénio para formar o ozono (O3), que é convertido de volta ao oxigénio elementar quando absorve a radiação. Sem esta reação, a vida na terra não poderia existir.

Foi em meados da década de 1970 que os cientistas descobriram que os fazes produzidos pelo Homem, contendo átomos de cloro e bromo, conseguem escapar para a atmosfera superior. Lá, são transformados pela radiação ultravioleta em radicais e cloro e bromo que iniciam as reações em cadeia destruindo, assim, o ozono.

Em 1985, os cientistas descobriram o famoso buraco na cama de ozono e chegaram à conclusão de que este aumentava sobretudo sobre a Antártida. Sabendo que os clorofluorcarbonetos (CFC) poderiam esgotar o ozono, 46 países decidiram agir e regular os gases que destroem esta preciosa camada, nomeadamente através do Protocolo de Montreal.

Assumindo o cumprimento continuado do Protocolo de Montreal, o ozono no hemisfério norte deverá retornar aos níveis saudáveis ​​na década de 2030, o ozono no hemisfério sul na década de 2050 e as regiões polares – onde o esgotamento é mais grave – na década de 2060.

A redução das substâncias destruidoras de ozono, que também são potentes gases de efeito estufa, evitou vários centímetros da futura elevação global do nível do mar, segundo a avaliação.

No entanto, nem tudo são boas notícias. Certas substâncias que empobrecem a camada de ozono, como o clorofluorcarbono-11 (CFC-11), estão a diminuir mais lentamente do que o projetado – uma situação que é muito preocupante dado que estas substâncias são proibidas pelo Protocolo de Montreal e persistem na atmosfera durante várias décadas.

Para piorar a situação, avança o Popular Science, quando uma molécula de CFC chega à estratosfera superior, esta é destruída pela radiação UV para libertar átomos de cloro. Um único átomo de cloro pode destruir milhares de moléculas de ozono.

No último século, o nosso planeta aqueceu um grau Celsius e estima-se que as temperaturas globais estejam muito perto de aumentar mais um grau até ao final deste século. Por esse motivo, é muito importante que as nações respeitem o Protocolo de Montreal. Ainda que estejamos a caminhar em frente, a meta está ainda muito longe

ZAP //

Por ZAP
9 Novembro, 2018

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