2997: Brasil recebe a sua primeira convenção nacional de terraplanistas

TERRA PLANA

Kevin Carden / Deviant Art

A cidade de São Paulo, no Brasil, vai receber a sua primeira convenção nacional de terraplanistas este domingo, dia 10 de Novembro.

De acordo com o site da convenção, a Flat Con Brasil é organizada pelo jornalista Jean Ricardo G. Martins, que promove eventos e terraplanista desde 2015, e tem como objectivo discutir esta corrente, assunto “que está na agenda dos média” de todo o mundo.

“Tratada como ‘teoria da conspiração’ por muitos, esta ciência é estudada por diversos professores e académicos que mostram, através de provas empíricas, que não vivemos num globo, e sim, num mundo plano e estacionário“, pode ler-se.

“Não é moda e muito menos um fenómeno passageiro. Esta onda mundial começou com força em 2015 e uniu as pessoas em torno de um único objectivo: provar que não vivemos num globo como fomos educados na escola e que a NASA e as demais agências mentem”.

Para a conferência, há dois tipos de bilhetes à venda: o promocional, que custa 50 reais (11 euros) e dá acesso a todas as palestras, e um outro de 110 reais (25 euros) que, para além das palestras, incluiu uma camisola oficial do evento, uma caneta personalizada e a Revista Terra Plana. A compra dos ingresso é feita online.

Entre os palestrantes, enumera o jornal britânico The Guardian, estão vários youtubers, entre os quais o “Professor Terra Plana”, que divulga vídeos intitulados de “25 exemplos que provam que a NASA é uma fraude” ou “A gravidade não existe”.

O canal do “Professor Terra Plana” conta com cerca de 29.000 subscritores.

À semelhança do que aconteceu com o Reino Unido e Estados Unidos, a teoria da Terra Plana têm ganho força no Brasil: 7% da população (10 milhões de brasileiros) acredita no terraplanismo, segundo dados do Datafolha, que aponta que esta crença tem a a incidir mais sobre a população religiosa e com menos estudos.

Recentemente, Olavo Carvalho, filósofo e conservador brasileiro, que é também astrólogo e guru do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foi criticado no Twitter quando falava sobre o terraplanismo.  “Não estudei o assunto da Terra Plana. Acabei de ver alguns vídeos de procedimento experimentais que mostram a planicidade das superfícies aquáticas e, até agora, não consegui encontrar nada para refutá-los”, escreveu.

Olavo de Carvalho @opropriolavo

Não estudei o assunto da terra plana. Só assisti a uns vídeos de experimentos que mostram a planicidade das superfícies aquáticas, e não consegui encontrar, até agora, nada que os refute.

Felipe Neto @felipeneto

Tá aqui, asno, toma sua refutação:

ZAP //

Por ZAP
8 Novembro, 2019

Os asnos também têm o direito a zurrar!!! 🙂

 

2700: A Amazónia está a arder. Mas há uma região no Brasil a ser destruída mais rapidamente

CIÊNCIA

Gil df / Wikimedia

Encostada à Amazónia, uma outra região do Brasil, que alberga 5% das espécies de animais e de plantas de todo o mundo e um armazém de carbono, está a ser destruída a um ritmo ainda mais rápido.

Chama-se Cerrado, estende-se por 200 milhões de hectares e é o bioma mais diverso do mundo. Esta região tem a maior diversidade de fauna e flora no mundo, sendo composta por zonas de savana, campo e floresta, que se estendem por cerca de 200 milhões de hectares.

“É estimado que o bioma tenha 837 espécies de pássaros, 120 de répteis, 150 de anfíbios, mais de um milhão de peixes, noventa mil insectos e 199 tipos de mamíferos,” disse Mercedes Bustamante, uma bióloga da Universidade de Brasília, à CNN.

Mais de 4.800 espécies são endémicas, incluindo lontras gigantes, antas e jaguares, e metade das mais de onze mil espécies de plantas encontradas no Cerrado não podem ser encontradas em mais nenhum lugar no mundo, segundo a World Wildlife Foundation.

O Cerrado representa metade do tamanho da Amazónia e 50% está desflorestado, de acordo com Edegar de Oliveira Rosa, director de Conservação e Restauro dos Ecossistemas da WWF-Brazil. “Estamos a perder 700 mil hectares por ano”, afirmou.

Tal como na Amazónia, explica o Observador, os habitats no Cerrado estão a ser destruídos pela procura de carne. As áreas verdes são transformadas em terrenos para gado e, mais tarde, convertidas em campos para cultivo de soja que é usada para alimentar esse mesmo gado ou exportada para outras partes do mundo.

A desflorestação não é novidade e não acontece apenas no Brasil. Mas a procura por carne tem vindo a aumentar e a China serve-se da soja do Brasil numa altura em que trava uma guerra comercial com os Estados Unidos.

Perante este cenário de um boom agrícola no Brasil, especialistas mostram-se apreensivos, pois crêem que os habitats do Cerrado são o preço a pagar por esta situação. “Já não sobra muito mais do Cerrado” disse Toby Gardner, director da TRASE, uma iniciativa que analisa a transparência das cadeias de fornecimento de bens, à CNN. “O Cerrado está muito mais ameaçado, com três vezes mais perdas que a Amazónia”, acrescentou.

A região do Cerrado representa também uma ameaça no que se refere a alterações climáticas, por ser armazém de uma grande quantidade de carbono no subsolo. Num relatório recente, a Greenpeace sugere que a vegetação que ainda se mantém é um armazém de carbono equivalente a 13.7 giga-toneladas de dióxido de carbono. Mas a capacidade da vegetação em absorver o carbono pode estar em risco por causa da acção humana.

A desflorestação e a agricultura incentivam o aquecimento global através do enfraquecimento da capacidade da terra de absorção do dióxido de carbono da atmosfera, emitindo grandes quantidades de gases de efeito de estufa.

“O clima não tem fronteiras. Os efeitos na biodiversidade, a extinção de espécies, a emissão de carbono, o desmatamento e os incêndios, agravam a crise climática que nos afecta a todos”, afirma Daniela Montalto, uma representante da campanha sobre florestas da Greenpeace.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

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Por ZAP
21 Setembro, 2019

 

2487: A Amazónia está a arder como nunca

Os incêndios registados na Amazónia (72,843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Bolsonaro ironizou: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”

© AFP

A escuridão no céu de São Paulo tapou a alegria do sol na segunda-feira. Estava preto, sombrio, a alertar o povo de que algo estaria mal. E estava. Aquele fenómeno óptico, como lhe chama este artigo do jornal “O Globo”, é uma das consequências das queimadas na Amazónia, que resulta da combinação da fuligem e de uma frente fria. O dia foi noite. Ricardo Salles, o ministro do Ambiente brasileiro, num jeito de meter as coisas que já sugere tudo menos frescura, revelou que associar aquela escuridão com as tais queimadas trata-se de “fake news”. O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no tema Amazónia, confirmou o fenómeno.

Os incêndios registados na Amazónia (72.843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Jair Bolsonaro, o Presidente brasileiro, revelou que se tratam de queimadas e foi irónico: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”.

Os fogos são comuns na época seca em alguns estados brasileiros, mas também há o consenso de que muitos serão responsabilidade de mão criminosa, nomeadamente de agricultores interessados na desflorestação para ganhar espaço para gado e agricultura.

© AFP

Os fogos de 2019 representam um aumento de 83% relativamente ao mesmo período de 2018, anuncia o INPE, que tem registos apenas desde 2013. “O pessoal está pedindo aí para eu colocar o exército para combater. Alguém sabe o tamanho da Amazónia?”, atirou ainda o Presidente, cujas políticas ambientais estão sob escrutínio mais do que nunca.

Na segunda-feira passada, dia 12, o Estado da Amazónia decretou estado de emergência devido ao surto de incêndios naquele território. Os incêndios na Amazónia criaram uma nuvem de fumo quase tão grande como outra provocada pelas chamas descontroladas na Sibéria, com uma dimensão equivalente aos países da União Europeia. Desde quinta-feira, diz o INPE, as imagens de satélite registaram cerca de 9500 novos incêndios no país, sendo que a maioria estão localizados na Amazónia. O INPE diz ainda, de acordo com este artigo do “The Sunday Morning Herald”, que uma grande parte dos fogos não podem ser atribuídos apenas à época seca e a fenómenos naturais. Os homens provocaram uma parte.

Em declarações ao jornal “Estadão”, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

© AFP

A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca. O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

E foi mais longe: despediu o director da agência. “Não acredito que o Presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo INPE, como diz”, disse à BBC Brasil Douglas Morton, director do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA. E acrescentou: “Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis. “O INPE sempre actuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”.

Bolsonaro deu troco: “Estou à espera dos próximos números, que não serão inventados. Se eles forem alarmantes, darei conta disso a vocês”, disse o Presidente, que no passado recente havia prometido desenvolver aquela região. Perante a atitude e plano do governante para aquele território, a Noruega e a Alemanha cortaram os fundos que combatiam a desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do INPE apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

msn notícias
Expresso, Lusa
21/08/2019

 

2486: Amazónia está a arder. Imagens do espaço mostram dimensão dos incêndios

DESASTRES ECOLÓGICOS

Fogos na Amazónia estão a atingir um número recorde.

© SIC Notícias

De acordo com a Agência Espacial Brasileira foram detectados 72 mil focos de incêndio, o dobro face ao mesmo período de 2018.

Jair Bolsonaro, Presidente do Brasil, declarou, esta terça-feira, que passou de “capitão motos-serra” a Nero, o imperador responsável pelo incêndio que devastou a cidade de Roma. “Agora estou a ser acusado de incendiar a Amazónia. Nero! É o Nero a por fogo a Amazónia.” O Presidente brasileiro garante que “estamos apenas na época das queimadas”.

Certo é que, os incêndios na Amazónia estão a atingir um número recorde e o estado do Amazonas já decretou emergência no Sul e na capital Manaus devido ao “impacto negativo da desflorestação ilegal e queimadas não autorizadas” escreve a imprensa brasileira.

Depois de o Amazonas decretar a situação de emergência, o governo do Acre declarou, na sexta-feira passada, estado de alerta ambiental, também devido aos incêndios em matas.

O número de focos de incêndio no país já é o maior dos últimos sete anos.

Esta segunda-feira o céu de São Paulo escureceu de repente, por volta das 15h com a chegada de uma nuvem de fumo. A população queixa-se do ar irrespirável e das cinzas que caem do céu.

Segundo um especialista citado pelo Vice, Mark Parrington, os incêndios na Amazónia libertam em média de 500 a 600 toneladas de dióxido de carbono durante um ano típico. Em 2019 até agora, eles já foram libertados 200 toneladas.

2019 com 70% mais incêndios do que o ano anterior

O número de incêndios no Brasil cresceu 70% este ano, em comparação com período homólogo de 2018, tendo o país registado 66,9 mil focos até ao passado domingo, com a Amazónia a ser o bioma mais afectado.

De acordo com a imprensa brasileira, que cita dados do “Programa de Queimadas” do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o bioma (conjunto de ecossistemas) mais afectado é o da Amazónia, com 51,9% dos casos, seguindo-se o cerrado – ecossistema que cobre um quarto do território do Brasil – com 30,7% dos focos registados no ano.

O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, ficando atrás em extensão apenas da floresta amazónica, com dois milhões de quilómetros quadrados.

Segundo o portal de notícias UOL, em números absolutos, Mato Grosso é o estado com mais focos de incêndio registados no Brasil, com 13.109, sendo seguido pelo Pará, com 7.975.

O Inpe, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do Inpe apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado.

No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

Com Lusa

msn notícias
SIC Notícias

21/08/2019

 

1847: Caiu um meteorito no Brasil e ficou tudo em vídeo

Queda de meteorito no Rio Grande do Sul.

O momento da queda do meteorito captado por uma das câmaras da rede de monitorização BRAMON
© Twitter Carlos Fernando Jung

O clarão deixado nos céus de Taquara, no estado do Rio Grande do Sul foi registado na madrugada de sexta-feira, 12 de Abril, e corresponde a um meteorito. O momento foi captado por uma das câmaras da Rede Brasileira de Observação de Meteoritos (BRAMON, sigla em inglês).

O professor Carlos Fernando Jung, director do BRAMON e responsável pelo registo em vídeo da queda do meteorito conta ao site G1 que o “objecto” pesava “12 quilos quando entrou na atmosfera” a 122,2 mil quilómetros por hora, tendo começado a perder força. Não terá atingido o solo. “Os fragmentos foram mínimos”, diz. Após análise ao fenómeno, o especialista calcula que o meteorito desfragmentou-se a 36 quilómetros de altitude e não causou qualquer dado.

“O objecto foi totalmente consumido na sua passagem atmosférica, a cerca de 145 quilómetros sobre o mar da costa do Rio Grande do Sul”, explica Jung.

Foi possível ver a queda do meteorito às 03:21 de sexta-feira (às 23:21 de quinta-feira em Portugal), um momento captado por uma câmara instalada na cidade de Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas também por câmaras em Torres e Santa Catarina.

Ao site da Globo, Jung explica que na rede de monitorização de meteoritos cada pessoa, de forma voluntária e com equipamento próprio, regista este tipo de fenómenos. As câmaras deste grupo de observadores ficam ligadas 24 horas.

O especialista tem três câmaras que operam em Taquara, o local onde caiu o meteorito, São Leopoldo e Porto Alegre. “Têm imagens de 360 graus. Elas captam todo o Rio Grande do Sul, o Uruguai, Santa Catarina, Paraná, parte da Argentina”, explica.

Esclarece ainda que a queda de meteoritos é frequente. “São atraídos pela gravidade da terra”, explica. O que não é normal, afirma, é conseguir um registo. E foi o que aconteceu. Imagens que Jung partilhou nas redes sociais.

Prof. Dr. Jung @profjung

Registada queda de “grande” meteoro no mar ao sul do RS nesta madrugada de sexta pela Câmara 2. Magnitude – 9,7 (Fireball)

Diário de Notícias
13 Abril 2019 — 23:55

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1336: Encontrado no Brasil o mais antigo dinossauro de pescoço longo

CIÊNCIA

(dr) CAPPA / UFSM

Encontrado no Rio Grande do Sul, o Macrocollum itaquii tinha 3,5 metros de comprimento e terá vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no Brasil.

O Rio Grande do Sul, no Brasil, ficou marcado na história da paleontologia por uma grande descoberta. Foi encontrado na região o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Os fósseis do Macrocollum itaquii foram localizados em 2013, e a estimativa é de que o animal tenha vivido naquela região há 225 milhões de anos. Esta descoberta é uma marca histórica não só por se tratar de uma nova espécie, mas também porque esta é a primeira vez que são encontrados esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Segundo a Deutsche Welle, investigadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul.

Com os seus imponentes 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço muito longo, sendo esta uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes com grandes pescoços, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas triássicas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, esta descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros. Apesar de haver vários esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, esqueletos como estes, com aproximadamente 225 milhões de anos, são bastante raros. Diz respeito a um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, dado que antecede o período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

De acordo com os cientistas, que analisaram a dentição de Macrocollum itaquii, este dinossauro alimentava-se de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas e, consequentemente, garantir o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.

O nome Macrocollum significa pescoço longo e itaquii é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2018

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1268: Já se conhece o novo rosto do povo de Luzia, o mais antigo fóssil humano brasileiro

CIÊNCIA

(dr) Caroline Wilkinson
Reconstrução facial de um homem pertencente ao povo de Luzia

Um homem que viveu há dez mil anos em território agora brasileiro acaba de ter o seu rosto recriado, incorporando novos dados genéticos sobre a sua população.

O fóssil de Luzia, um dos esqueletos humanos mais antigos das Américas, descoberto no Brasil em 1975, ficou conhecido após o incêndio que destruiu o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Setembro. Mas, apesar desta tragédia, foram recuperados cerca de 80% dos seus ossos.

Agora, e pela primeira vez, conseguiu-se extrair ADN de fósseis do povo de Luzia, em conjunto com uma análise genética em larga escala de esqueletos de pessoas que viveram há vários milénios pelas Américas, e, assim, reconstituiu-se uma parte da história complexa das migrações humanas deste continente muito antes da chegada dos europeus.

Através destas informações genéticas, fez-se uma nova reconstituição facial do povo de Luzia. E eis o resultado final: o novo rosto deste povo.

O fóssil foi descoberto na região de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais, numa missão franco-brasileira liderada pela arqueóloga Annette Laming-Emperaire, e pertence a uma mulher, que teria à volta de 20 anos na altura da morte.

Mas entre a sua descoberta e a sua valorização científica, passaram-se 20 anos em que não houve qualquer tipo de investigação. Em 1995, o antropólogo e arqueólogo Walter Alves Neves estudou a morfologia do crânio de Luzia e baptizou-a com este nome numa alusão a Lucy, o fóssil famoso de uma fêmea com 3,5 milhões de anos de Australopithecus afarensis, descoberto na Etiópia em 1974.

A partir do estudo da forma dos crânios de Lagoa Santa, incluindo o de Luzia, Walter Alves Neves  propôs que os grupos de humanos que habitavam há dez mil anos essa região tinham uma ligação recente a populações de África, da Melanésia e Austrália.

Assim, o povo de Luzia não seria nativo americano, mas sim não-ameríndio, representando uma população que teria chegado à América antes dos antepassados dos ameríndios actuais. Isto porque, segundo esta hipótese denominada “paleoamericana”, a forma do seu crânio era diferente da dos ameríndios de hoje.

O especialista britânico Richard Neave fez uma reconstituição facial de Luzia baseando-se nesta hipótese de Walter Neves ainda na década de 1990, tendo sido apresentada como tendo uma fisionomia marcadamente africana.

Agora, estes novos resultados baseiam-se em análises de ADN extraído pela primeira vez de dez esqueletos de Lagoa Santa e vêm indicar que Luzia e os seus conterrâneos não tinham uma ligação recente a grupos humanos da Melanésia ou da Austrália. Afinal, Luzia e o seu povo já eram de origem ameríndia, avança o Público.

“A forma do crânio não é um marcador confiável de ancestralidade ou de origem geográfica. A genética, por seu lado, é a técnica que se presta por excelência a esse tipo de inferência”, acrescenta o comunicado sobre esta investigação, publicada esta quinta-feira na Cell.

Desta forma, a nova fisionomia apresenta um indivíduo masculino, pertence ao povo de Luzia. Desta vez, a recriação forense ficou a cargo da antropóloga Caroline Wilkinson, da Universidade John Moores, em Liverpool.

A especialista britânica utilizou um modelo digital retro-deformado do crânio antigo de um homem da região de Lagoa Santa. “É comum que os fósseis sejam deformados com a passagem do tempo. Esse método remove essa deformação usando algoritmos matemáticos em ambiente virtual 3D”, explica-nos André Strauss, um dos autores do artigo.

“Por mais acostumados que estejamos com a tradicional reconstrução facial de Luzia, com traços fortemente africanos, a nova reconstrução reflete de forma muito mais precisa a fisionomia dos primeiros habitantes do Brasil, apresentando traços generalizados e indistintos a partir dos quais, ao longo de milhares de anos, a grande diversidade ameríndia se estabeleceu”, adianta o comunicado.

Mas, se não veio de uma onda migratória recente da Melanésia ou da Austrália, então de onde veio o povo de Luzia?

Há mais de 20 mil anos não havia pessoas nas Américas. Mas, nessa altura, havia já uma população vinda da Ásia instalada na região onde hoje é o estreito de Bering. Na altura, em vez do estreito de Bering, havia uma ponte terrestre, a Beríngia, que os beringianos antigos começaram a utilizar para avançar pelo continente americano adentro.

Foi desta forma que há 20 mil anos, segundo os dados arqueológicos e genéticos, começou a chegar ao Novo Mundo uma única população numa onda migratória.

Cultura Clóvis

Os autores desta artigo, conforme explica o jornal, estabeleceram uma relação até agora totalmente desconhecida entre os humanos da cultura Clóvis e o povo de Luzia, configurando assim uma das maiores descobertas deste estudo.

Apesar de nunca terem sido encontrados artefactos da cultura Clóvis na América do Sul, o que sugeria que este povo não tinha migrado para sul, a genética trouxe relevações que suporta que havia pontos em comum quanto à ancestralidade destes dois povos.

Isto significava que o povo Clóvis não se tinha limitado a ficar na América do Norte e prosseguiu até à América do Sul, misturando-se com populações que não fabricavam as ferramentas típicas desta cultura, deixando descendentes em várias regiões

“A nossa descoberta principal é que um indivíduo da América do Norte associado à cultura Clóvis, com cerca de 12.800 anos, partilha uma ancestralidade distintiva com os indivíduos mais antigos do Chile, Brasil e Belize”, resume Cosimo Posth, num comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

No fundo, podemos resumir que a expansão de pessoas que disseminaram a cultura Clóvis na América do Norte alcançou também a América Central e do Sul.

“Surpreendentemente, o povo de Luzia, que se imaginava ter uma ancestralidade não-ameríndia, revelou-se como uma dessas populações descendentes de Clóvis”, conclui a nota da Universidade de São Paulo.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

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1026: Descoberta nova espécie de réptil que viveu no Brasil há 237 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Renata Cunha
Ilustração da espécie recém-descoberta

Um fóssil doado anonimamente para o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, na região do Rio Grande do Sul, está a fomentar o conhecimento sobre o Período Triássico no território que hoje conhecemos como o Brasil.

Cientistas das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Vale do São Francisco (Univasf) descobriram que os restos fossilizados pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos.

A nova espécie foi descrita recentemente num artigo publicado na revista científica Zoological Journal of the Linnean Society.

O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica – que teve ainda o Jurássico (entre 195 a 136 milhões de anos) e o Cretáceo (entre 136 a 65 milhões de anos). Este é um momento especialmente importante na história da vida dos animais terrestres, uma vez que é o intervalo de tempo no qual surgiram os primeiros dinossauros, além dos ancestrais dos lagartos, crocodilos e mamíferos actuais.

Compostos por um crânio, uma mandíbula, algumas vértebras do pescoço e placas ósseas do dorso do animal, os vestígios fossilizados foram analisados com recurso a técnicas de tomografia computorizada. A partir desta análise, os cientistas obtiveram muita informação sobre a anatomia dos ossos do animal sem danificá-los.

(dr) Marcel Lacerda
O fóssil doado ao museu brasileiro

Quando descreveram a nova espécie, os investigadores não sabiam exactamente onde é que fóssil tinha sido encontrado e, por isso, baptizaram-na de Pagosvenator candelariensis, em homenagem à cidade de Candelária – município onde se localiza o museu, conhecido pela sua riqueza em locais paleontológicos de grande valor científico.

O “caçador dos pagos”

O nome atribuído à espécie significa “caçador da região de Candelária”. Na gíria brasileira, “pago” ou “pagos” é um jargão utilizado para se referir à cidade natal ou à origem de alguém. O termo, que deriva do latim pagus, significa aldeia, região ou província. Venator, também do latim, quer dizer caçador.

De acordo com o líder da investigação, Marcel Lacerda, da UFRGS, o Pasgosvenator era um animal de porte médio, com até 3 metros de comprimento e há fortes evidências – tendo em conta espécies semelhantes – de que seria um quadrúpede.

“Devido aos dentes longos, recurvados e com serrilhas que o animal possuía, podemos inferir também que provavelmente era carnívoro“, revelou, acrescentando que o animal alimentava-se provavelmente de animais pequenos e ou médios.

Marco França, professor de Paleontologia da Univasf e co-autor do estudo, foi responsável pela análise mais detalhada da linhagem evolutiva e dos parentescos da nova espécie.

De acordo com França, o Pagosvenator pertence ao grande grupo dos arcossauros, que, por sua vez, se divide em dois subgrupos: um formado por dinossauros, pterossauros e aves, e outro pelos ancestrais dos crocodilos modernos.

“O animal não tem relação com as aves nem com os dinossauros, mas está na linhagem que deu origem aos crocodilos, embora seja ainda muito distante deles”, explica. Especificamente, o grupo a que pertence o Pagosvenator é chamado de Erpetosuchidae.

“Apesar de ser conhecido e estudado há muito tempo – desde o século XIX -, não há muitas informações sobre a anatomia e as relações de parentesco entre os elementos deste grupo”, explica Marco França.

(dr) Renata Cunha

A pesquisa revela-se especialmente importante porque dá continuidade a outros estudos que visam compreender a região onde o réptil viveu há 230 milhões de anos. “Graças a estas pesquisas, hoje sabemos que os predadores desta época eram bem diversos”. “Vários destes animais, como o próprio Pagosvenator candelariensis, eram maiores do que os dinossauros do mesmo período”.

Dessa forma, a descoberta amplia o conhecimento das espécies fósseis do Rio Grande do Sul e do Brasil, e aumenta a compreensão dos processos evolutivos que levaram à diversidade de registos fósseis do país.

“Toda a nova informação é útil para conseguirmos entender como eram o ambiente e a fauna da época. São dados que ajudam a contar a história da diversidade da vida daquele período”, concluiu Marcel Lacerda.

ZAP // BBC

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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1002: O pássaro que protagonizou o filme “Rio” está extinto

CIÊNCIA

O pássaro azul que protagoniza o filme “Rio” está extinto. A ararinha-azul torna-se, assim, numa das oito espécies de pássaro que desapareceram do planeta Terra. 

De acordo com um estudo realizado pela BirdLife International e publicado no início do mês na ScienceDirect, a ararinha-azul, um pássaro que ficou muito famoso por ter aparecido no filme “Rio”, está extinta.

Esta ave torna-se assim numa das oito espécies de pássaro, quatro das quais nativas do Brasil, que desapareceram do planeta Terra. A culpa, neste caso em particular, é da desflorestação, que lhe destruiu o habitat, condenando-a à extinção.

Segundo o estudo da organização ambiental, esta é a primeira vez na história em que o número de espécies extintas na parte do país que fica no continente é maior do que o número de extinções nas ilhas.

Stuart Butchart, que liderou a equipa de investigação, refere que “90% das extinções de pássaros nos séculos mais recentes aconteceu em ilhas, mas os resultados confirmam que há uma onda crescente de extinções no continente por causa da perda de habitat, degradação por causa de técnicas agrícolas insustentáveis e exploração madeireira”.

Além disso, adianta o Observador, a ararinha-azul tornou-se na primeira espécie a ser considerada extinta este ano, ao lado de outras como o gritador-do-nordeste, o limpa-folha-do-nordeste, a trepadeira-de-cara-preta, o abibe-preto, a caburé-de-pernambuco, a arara-azul-pequena e o papagaio de Nova Caledónia.

Em estado selvagem, já não existe nenhuma. Apesar disso, ainda há entre 60 e 80 ararinhas-azuis em cativeiro espalhadas pelo mundo.

A notícia é desoladora, mas a BirdLife International acredita que é possível que alguns desses pássaros sejam postos em liberdade para poderem repovoar as florestas do Brasil se houver um esforço entre os proprietários destes animais.

Se isso acontecer, “Rio” torna-se realidade. no filme, uma ararinha-azul – Blu – foge do cativeiro em Minnesota e viaja com uma fêmea da mesma espécie até ao Brasil para repovoar a floresta. Resta saber se, na vida real, o “felizes para sempre” também existe.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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966: Misteriosa múmia que provocava transe foi destruída no Museu Nacional do Brasil

CIÊNCIA

Dos cerca de 20 milhões de itens de valor incalculável que compunham o acervo do Museu Nacional do Brasil e que foram consumidos pelo incêndio que deflagrou no domingo, havia uma peça em particular que despertava grande curiosidade entre os visitantes – e não era só pela sua raridade. 

A peça em causa era uma rara múmia egípcia, apelidada de Kherima, com cerca de 2 mil anos. De acordo com a BBC, a peça foi levada para o Brasil num caixote de madeira em 1824, pelas mãos do comerciante Nicolau Fiengo.

Dois anos depois, foi oferecida para leilão, acabando por ser comprada por D. Pedro I, que a doou posteriormente ao Museu Nacional do Brasil, no Rio do Janeiro – que, na altura, ainda estava localizado no Campo de Santana, no centro da cidade.

Kherima destacava-se pelo estilo da mumificação. Apresentava os membros enfaixados individualmente e decorados sobre linho, dando-lhe uma aparência semelhante a uma boneca. Este tipo de mumificação era diferente do utilizado da época, dando menos atenção ao corpos que eram simplesmente “empacotados”. Além deste exemplar, há apenas oito múmias do género em todo o mundo.

“Este era um exemplar muito importante por causa do tipo de mumificação utilizado, que preservava a humanidade do corpo. Neste caso em particular, o contorno do corpo feminino”, explicou Rennan Lemos, aluno do doutoramento em Arqueologia na Universidade de Cambridge, em Inglaterra, e pesquisador-associado do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat).

No entanto, havia uma outra peculiaridade nesta múmia que atraía o interesse dos visitantes – o poder de transe. Há relatos da década de 60 que dão conta que Kherima teria provocado situações de transe a quem se aproximava dela.

Um destes exemplo remota à décadas de 1960, quando uma jovem terá tocado nos pés da múmia e, fora si, terá dito que pertencia a uma princesa de Tebas chamada de Kherima, assassinada com punhaladas. Outras pessoas relataram sentir um “mal estar súbito” quando se encontravam próximas da múmia.

Sessões de hipnose colectivas

Kherima já se tinha tornado num objecto de culto quando o professor Victor Staviarski, membro da Sociedade de Amigos do Museu Nacional, ajudou a reforçar o misticismo à sua volta. O professor leccionava cursos controversos de egiptologia e escrita hieroglífica ao som de óperas como Aida, de Giuseppe Verdi, e que incluíam a presença de médiuns e sessões de hipnose colectiva – ao lado da múmia.

Naquela época, os alunos podiam tocar na múmia e as reacções inesperadas que resultava dessa interacção foram alimentando o imaginário popular.

“Algumas pessoas diziam que conversavam com a múmia e ela respondia. Numa dessas conversas, a múmia terá dito que era uma princesa do Sol, mas isso não tem qualquer sentido científico, uma vez que esse não era um título do Antigo Egipto”, acrescenta Lemos.

Técnicas de tomografia permitiram revelar que Kherima era filha de um governador de Tebas, uma importante cidade do Antigo Egipto. De acordo com a pesquisa levada a cabo, Kherima teria cerca de 18 a 20 anos e terá vivido durante o Período Romano no Egipto, entre o século I e II. A causa da morte nunca foi identificada.

Uma outra múmia da cantora-sacerdotisa egípcia Sha-amun-en-su, foi também reduzida a cinzas no incêndio que destruiu o Museu Nacional do Brasil. Este exemplar foi um presente oferecido a D. Pedro II, em 1876, na sua segunda visita ao Egipto.

Com mais de 700 peças, a colecção de arqueologia egípcia do Museu Nacional era considerada a maior da América Latina e a mais antiga do continente – com várias múmias e sarcófagos. Acredita-se que todo o acervo tenha sido destruído.

O museu foi criado por D. João VI, de Portugal, e que completaria 200 anos este ano.

ZAP // BBC

Por ZAP
5 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 11 erros ortográficos ao texto original)

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