4077: Borboleta espacial capturada por telescópio do ESO

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESO

Parecida a uma borboleta com a sua estrutura simétrica, belas cores e padrões intrincados, esta notável bolha de gás — conhecida por NGC 28899 — parece esvoaçar no céu nesta nova imagem obtida com o auxílio do Very Large Telescope do ESO. Este objecto nunca tinha sido observado com tanto detalhe, sendo mesmo visíveis as bordas exteriores mais ténues da nebulosa planetária, que resplandece sobreposta às estrelas de fundo.

Os vastos mantos de gás da NGC 2899 estendem-se a partir do seu centro até uma distância máxima de dois anos-luz, brilhando intensamente em frente das estrelas da Via Láctea, com o gás a atingir temperaturas superiores a 10 mil graus. Estas temperaturas elevadas devem-se à enorme quantidade de radiação emitida pela estrela progenitora da nebulosa, que faz com que o hidrogénio gasoso resplandeça num halo avermelhado que circunda o oxigénio gasoso, a azul.

Este objecto, localizado a uma distância da Terra entre 3000 e 6500 anos-luz na constelação austral da Vela, possui duas estrelas centrais, que se pensa serem a razão da aparência quase simétrica da nebulosa. Após uma das estrelas ter chegado ao fim da sua vida libertando as suas camadas exteriores, a outra estrela está agora a interferir com o fluxo de gás, dando origem à estrutura de dois lóbulos que aqui vemos. Este tipo de forma bipolar é visível em apenas cerca de 10 a 20% das nebulosas planetárias [1].

Os astrónomos conseguiram capturar esta imagem extremamente detalhada da NGC 2899 com o auxílio do instrumento FORS (FOcal Reducer and low dispersion Spectrograph) instalado no Telescópio Principal nº1 (Antu), um dos telescópios de 8,2 metros do Very Large Telescope (VLT) do ESO, no Chile. O FORS é um instrumento de elevada resolução e foi um dos primeiros a ser instalado no VLT, sendo o responsável por uma enorme quantidade de imagens notáveis e descobertas do ESO. O FORS contribuiu para observações da radiação emitida por uma fonte de ondas gravitacionais, investigou o primeiro asteroide interestelar conhecido e tem sido usado para estudar em profundidade a física por detrás da formação de nebulosas planetárias complexas.

Esta imagem foi criada no âmbito do programa Jóias Cósmicas do ESO, uma iniciativa que visa obter imagens de objectos interessantes, intrigantes ou visualmente atractivos, utilizando os telescópios do ESO, para efeitos de educação e divulgação científica. O programa utiliza tempo de telescópio que não pode ser usado em observações científicas. Todos os dados obtidos podem ter igualmente interesse científico e são por isso postos à disposição dos astrónomos através do arquivo científico do ESO.

eso2012pt — Foto de Imprensa
30 de Julho de 2020

 

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