5254: Descobertos tubarões que brilham no escuro

CIÊNCIA/BIOLOGIA

UCLouvain / NIWA
Tubarão da espécie Dalatias licha

Uma equipa de cientistas da Nova Zelândia teve uma surpresa quando decidiu explorar as profundezas mais inexploradas dos oceanos do nosso planeta: descobriu três espécies de tubarão que brilham no escuro.

É a primeira vez que a bioluminescência, a capacidade de organismos vivos produzirem luz, é documentada nas espécies de tubarões Dalatias licha, Etmopterus lucifer (tubarão-de-barriga-preta) e Etmopterus granulosus (tubarão-lanterna do sul).

Os tubarões de águas profundas foram encontrados em Chatham Rise, na costa leste da Nova Zelândia, em Janeiro de 2020.

Segundo o Futurism, a equipa – composta por investigadores da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, e do Instituto Nacional da Água e da Atmosfera (NIWA), na Nova Zelândia – sugere que os animais emitem um brilho azul para se camuflar.

Vistos de baixo, os tubarões são iluminados pela luz que reflete na superfície do oceano, deixando-os expostos a eventuais predadores. Neste sentido, o brilho pode ajudar os animais a camuflarem-se de quaisquer ameaças, já que impede que sejam iluminados pela luz brilhante que emana de cima.

O tubarão Dalatias licha é agora considerado o maior vertebrado luminoso de que há registo. Estes animais podem chegar aos 1,8 metros, o que fez com que tivessem ganhado a alcunha de “tubarão luminoso gigante”.

No caso desta espécie, que tem poucos ou nenhum predador, os especialistas acreditam que é possível que os tubarões usem a bioluminescência para iluminar o fundo do oceano enquanto procuram por alimento ou para se camuflarem quando se aproximam de uma presa.

“Tendo em conta a vastidão do fundo do mar e a ocorrência de organismos luminosos nesta zona, é cada vez mais evidente que a produção de luz nas profundezas do oceano deve ter um papel importante na estruturação do maior ecossistema do nosso planeta”, escreveram os autores do artigo científico.

O estudo foi publicado dia 26 de Fevereiro na Frontiers in Marine Science.

Por Liliana Malainho
4 Março, 2021