2221: A lendária Cidade Perdida do Deus Macaco é um refúgio de espécies “extintas”

CIÊNCIA

David Yoder / National Geographic

A Cidade Branca, imponente sítio arqueológico detectado em 2012 nas selvas das Honduras, é também um “ecossistema prístino e próspero, cheio de espécies raras e únicas”.

A ONG americana Conservation International chegou a essa conclusão depois de concluir uma expedição em 2017 para fins de consultoria, cujos resultados foram divulgados em 20 de Junho.

Um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Trond Larsen investigou a vida selvagem daquele refúgio de vida selvagem e encontrou entre as suas espécies algumas que se acreditava estarem extintas. Destas, 22 nunca tinham sido vistos em Honduras, dois foram identificados como desaparecidos do território nacional há décadas, e um deles, o do besouro-tigre, foi considerado completamente extinto, segundo um comunicado.

O antigo assentamento é um refúgio para grandes animais, como jaguares e pumas, mas também para morcegos, cobras, sapos e pássaros. Os investigadores identificaram, por exemplo, uma próspera população de queixadas, bem como uma variedade de porcos extremamente sensíveis à desflorestação, que precisa de vastas áreas de floresta intacta para sobreviver e é por isso que já não é encontrada na América Central.

A riqueza e diversidade do mundo dos insectos que vivem na Cidade Perdida reflecte-se no número total de espécies identificadas de borboletas e mariposas: 246. O número de espécies de plantas também se aproxima de 200, 14 das quais estão ameaçadas.

Larsen, chefe da expedição, disse que a sua equipa científica “ficou surpreendida com a descoberta de uma biodiversidade tremendamente rica, incluindo muitas espécies raras e ameaçadas”. A Cidade Branca “é uma das poucas áreas remanescentes na América Central onde os processos ecológicos e evolutivos permanecem intactos“.

À luz das descobertas, tanto arqueológicas como biológicas, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, pediu um estudo científico aprofundado, que já está em andamento, para determinar as medidas de protecção exigidas pela floresta tropical ao redor da Cidade Branca.

Tanto as florestas como os monumentos da era pré-colombiana, ainda não escavados, fazem parte do parque natural de La Mosquitia, que é a maior área natural protegida da nação centro-americana.

Esta Cidade Perdida data de 1400 e foi construída por uma misteriosa civilização para a qual os arqueólogos ainda não têm nome. Foi uma maravilha mítica durante anos até que uma expedição confirmou a sua existência em 2015.

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23 Junho, 2019

2219: Incrível atlas espacial mostra as órbitas de todos os objectos conhecidos do Sistema Solar

NASA

Uma cientista da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, criou um impressionante altas espacial, no qual é possível ver as órbitas dos planetas e dos milhares de asteróides conhecidos do Sistema Solar.

Para este trabalho, apelidado de “Atlas do Espaço”, Eleanor Lutz, bióloga e estudante de doutoramento da universidade norte-americana, utilizou dados disponíveis ao público de agências como a NASA e o US Geological Survey.

O mapa mostra as órbitas de mais de 18.000 asteróides, incluindo 10.000 que têm um diâmetro de mais de 10 quilómetros e aproximadamente 8.000 objectos de tamanho desconhecido. Além disso, no atlas, é também possível ver os diferentes planetas e as respectivas órbitas em torno do Sol.

“Gosto que todos estes dados sejam acessíveis, mas são muito difíceis de visualizar”, admitiu a cientista ao portal de Wired. A Astronomia “é uma ciência verdadeiramente incrível, e queria que todos o pudessem ver de uma forma lógica”.

“Existe uma barreira de conhecimento para aceder a algumas das coisas mais interessantes e surpreendentes da ciência”, acrescentou.

Ver imagem no Twitter

marqdmartianMD @mrcmrzn

Map of the solar system for all bodies more than 10km across by Eleanor Lutz

Analisar e exporto todos estes dados não foi uma tarefa fácil. Para conseguir chegar até ao atlas, Lutz teve de aprender várias e diversificadas ferramentas de programação e design gráfico. “Como não tenho formação como designer, e não sou astrónoma, aprendi muito com os tutoriais online”, confessou, citada pelo mesmo portal.

A cientistas criou também outros mapas vividos de constelações, asteróides e planetas. Nas próximas semanas, a cientista vai lançar cada um dos seus trabalhos juntamente com um tutorial para que todos possam explorar e criar trabalhos semelhantes.

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23 Junho, 2019

2057: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

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26 Maio, 2019


2046: Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

CIÊNCIA

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que os distanciará dos humanos da Terra. Estas alterações serão tão drásticas que os habitantes de Marte não poderão ter filhos com os habitantes da Terra.

Esta é a conclusão de Scott Solomon, professor da Rice University, nos Estados Unidos. Num artigo na Inverse, o investigador explica que Marte tem difíceis condições de vida, o que levará a uma alta taxa de mortalidade entre os primeiros colonos.

Para inverter a mortalidade, e tendo em conta o elevado nível de radiação, os colonos vão sofrer uma série de mutações genéticas que os ajudará na adaptação ao planeta.

“Se uma mutação aparece em pessoas que vivem em Marte e lhes dá uma vantagem de sobrevivência de 50%, é uma grande vantagem, certo? E isso significa que os indivíduos vão transmitir estes genes a uma taxa muito mais rápida do que noutros casos”, sustenta.

Segundo o biólogo, o aumento da densidade óssea, o aparecimento da miopia como característica congénita, a mudança da cor de pele e a capacidade de usar oxigénio de uma forma mais eficiente são algumas das adaptações mais prováveis entre os colonos.

Contudo, explicou o biólogo, a maior e mais rápida mudança seria a perda do sistema imunológico, já que este será desnecessário no ambiente estéril da novas colónias. Neste ambiente, sem microrganismos, os residentes não necessitarão de ter um corpo capaz de combater germes ou bactérias. Solomon acredita que este ambiente poderia até fornecer uma oportunidade para erradicar doenças.

É também a ausência de sistema imunitário que impedirá que marcianos e terráqueos possam ter filhos. Poderia ser letal. No entender do biólogo, esta questão pode forçar humanos e futuros marcianos a separarem-se irreversivelmente.

As adaptações mais vantajosas poderiam ser aceleradas através da edição de genes, acredita o cientista. “Por que esperar que esta mutação ocorra se pudermos fazê-la acontecer por nos próprios?, questiona o cientista.

Contudo, importa frisar, a trajectória evolutiva da população marciana dependeria da diversidade genética. Ou seja, para obter o melhor resultado possível, a colónia deveria ter centenas de milhares de pessoas de todas as populações genéticas da Terra.

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25 Maio, 2019

2017: Descoberta nova espécie de rã de cristal na Colômbia

CIÊNCIA

Plos One

Uma rã de cristal com um coaxar peculiar foi descoberta na Sierra Nevada de Santa Marta, uma cordilheira localizada na Colômbia. “Foi um golpe de sorte”, revelou o cientista que encontrou o novo espécime.

Segundo noticia o portal IFL Science, o biólogo José Luis Pérez-González ouviu pela primeira um coaxar diferente em meados de 2015, quando acampava perto de um riacho, no âmbito de uma expedição para estudar rãs-arlequim.

“Ficamos entediados e fomos explorar o riacho, onde encontramos uma rã de cristas, mas a forma como os animais coaxavam era muito diferente das espécies que já conhecíamos, como a gigante endémica rã de cristal Magdalena”, contou o cientistas, que é também, vice-presidente da Fundação Atelopus e membro da Global Wildlife Conservation.

“Foi uma experiência maravilhosa encontrar uma espécie completamente nova apenas por estar sem fazer nada, foi um verdadeiro golpe de sorte “, disse Pérez-González.

A nova espécie, baptizada de rã de cristal gigante de Guajira (Ikakogi ispacue), é quase idêntica à Magdalena (Ikakogi tayrona), apenas o coaxar as separa.

Embora a espécie tenha já sido descoberta em 2015, a sua existência só foi divulgada este mês na revista Plos One, depois de várias expedições adicionais e até mesmo uma análise de DNA, para confirmar que não era apenas um grupo de rãs com vocalização diferente.

As rãs de cristal são conhecidas por terem todo o seu corpo, especialmente a parte da barriga, parcial ou totalmente transparente, sendo possível ver os seus órgãos internos e até mesmo o coração a bater. Por norma, estes animais habitam em ambientes ricos em lama e em folhas caídas no fundo dos oceanos. Muitas vezes, parecem ter uma cor avermelhada, fenómeno que é o fruto do fluxo sanguíneo no corpo do animal.

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19 Maio, 2019



1659: Encontrada bactéria estranha no lugar da Terra mais parecido com Marte

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Quando se trata de encontrar vida fora da Terra, é difícil saber onde procurar. Mas os cientistas encontraram uma pista que aumenta a esperança para os lugares desérticos – como Marte.

No lugar da Terra mais parecido com o Planeta Vermelho – o deserto do Atacama, no Chile – o rover planetário experimental Zoë encontrou uma estranha bactéria no solo, algumas das quais desconhecidas para a ciência, mas que exibem adaptações especializadas no deserto para condições semelhantes às de Marte.

“Mostramos que um robô pode recuperar o solo abaixo da superfície do deserto de Marte”, disse o biólogo Stephen Pointing, do Yale-NUS College, em comunicado.

“Isto é importante porque a maioria dos cientistas concorda que qualquer vida em Marte teria que ocorrer abaixo do solo para escapar das duras condições da superfície, onde a alta radiação, a baixa temperatura e a falta de água tornam a vida improvável.”

Sabe-se que a água líquida provavelmente fluiu pela superfície de Marte. O planeta está muito mais seco actualmente, com apenas água gelada na superfície, mas pode abrigar água líquida sob a superfície.

Se assim for, torna mais provável a perspectiva de vida no Planeta Vermelho – mas o Deserto de Atacama também aponta para outras possibilidades.

O deserto é tão seco que pode não chover durante décadas ou até séculos, o que torna incrivelmente hostil para a maior parte da vida na Terra. Mas, no ano passado, pela primeira vez, vida microbiana foi encontrada à superfície.

A superfície de Marte seria muito pior do que a superfície do deserto de Atacama. Mas quando Zoë perfurou para recolher amostras a uma profundidade de 80 centímetros, encontrou micróbios sub-superficiais que demonstram que pode haver vida, de acordo com o estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology.

“Vimos que, com o aumento da profundidade, a comunidade bacteriana foi dominada por bactérias que conseguem prosperar nos solos extremamente salgados e alcalinos. Elas, por sua vez, foram substituídas em profundidades de até 80 centímetros por um único grupo específico de bactérias que sobrevivem”.

“Isto é muito excitante porque demonstra que o subsolo do Atacama suporta micróbios altamente especializados que podem prosperar nos solos salinos e semelhantes a Marte, e as recentes medições de emissão significativa de metano da superfície de Marte sugerem que bactérias que utilizam metano também poderiam prosperar lá“.

A equipa recolheu mais de 90 amostras de sedimentos e descobriu que a colonização microbiana era irregular. As áreas que não tinham sido colonizadas por micróbios eram as mais extremas. A análise do sedimento mostrou que se havia formado há muito tempo, quando a água era abundante, mas já não recebia água há algum tempo.

A equipe continua esperançosa de que ainda existem regiões habitáveis em Marte, mesmo que sejam poucas e distantes entre si. “A colonização bacteriana irregular é um indicador de stress ambiental extremo e, no caso dos solos do Deserto do Atacama, podemos dizer que a vida realmente está a manter-se no limite da habitabilidade“, disse Pointing.

“Como as condições em Marte são ainda mais extremas, podemos supor que a irregularidade também seja uma característica de qualquer colonização bacteriana marciana.”

Espera-se que os robôs marcianos perfurem até 2 metros de profundidade, de modo que a equipa espera recolher amostras em profundidades semelhantes. Também estão a pensar em começar a perfurar em Marte. “A minha preferência pessoal seriam depósitos fluviais de rios antigos ou rochas de arenito”, disse Pointing.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Março, 2019

 

1408: Há um imenso mundo de vida oculto nas profundezas da Terra (e tem bactérias “zombies”)

CIÊNCIA

Extreme Life Isyensya, Belgium
Este nemátodo vive a 1,4 quilómetros abaixo da superfície

Uma equipa internacional de cientistas identificou uma imensa “vida profunda” sob o fundo do mar, que inclui micróbios que podem permanecer nas profundezas durante milhares ou até mesmo milhões de anos, revelou uma nova investigação. 

Durante anos, biólogos e geólogos acreditaram que a vida na Terra estava confinada à superfície dos continentes, bem como aos mares, oceanos e leitos marítimos. Contudo, nos últimos anos tornou-se claro que os limites da biosfera são muito mais amplos.

“Há dez anos, pensávamos que a vida existia apenas em pequenos ‘cantos’ seleccionados da Terra. Agora sabemos que [a vida] é encontrada em praticamente todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar esta ‘matéria escura’ da biosfera, a sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, durante um encontro da União Geofísica Americana que decorreu em Washington.

Para esta descoberta, a equipa de cientistas, que trabalhou no âmbito do projecto de pesquisa internacional Deep Carbon Observatory (DCO), perfurou o fundo do mar a profundidades de 2,5 quilómetros, encontrando abundantes formas de vida até agora desconhecidas. Estas novas formas de vida persistem sob as mais severas condições, como temperaturas e pressões extremas.

Outro aspecto curioso nestes micro-organismos, frisaram os especialistas, é que estes permanecem “pouco vivos”, ou seja, estas formas de vida existem num estado de movimento muito lento, semelhante a um zombie.

Os especialistas concluíram que há mais biosfera profunda do que se pensava até então. A investigação descobriu que cerca de 70% das bactérias e arqueas do nosso planeta vivem no subsolo, sendo este ecossistema subterrâneo equivalente a 15.000 a 23.000 milhões de toneladas de carbono.

“A biosfera profunda da Terra é enorme”, considerou Rick Colwell, especialista da universidade norte-americana de Oregon, descrevendo as recentes descobertas como um “ecossistema muito empolgante e extremo”.

O investigador sublinhou a diversidade genética encontrada nas profundezas do mar, dando conta que a descoberta poderá ser importante para mapear outros lugares – dentro ou fora da Terra – que possam alojar vida.

“Existe uma diversidade genética de vida abaixo da superfície que é, pelo menos, igual e até talvez exceda a da superfície e nós não sabemos muito sobre isso”, afirmou Colwell, acrescentando que estudar a vida subterrânea “ajudará a perceber o que deve ser procurado noutros planetas ou noutros sistemas onde a vida pode existir”, rematou.

Para lá da Biologia

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, disse, por sua vez, que a descoberta agora divulgada “é como encontrar um novo reservatório de vida na Terra“. “Uma parte imensa da vida está dentro da Terra e não em cima dela”, rematou o especialista.

Apesar da enorme descoberta, ficam ainda muitas perguntas por responder. Como é que a vida se coloniza a partir das profundezas? Como é que os micróbios interagem com os processos químicos? E, finalmente: o que é que tudo isto nos conta sobre o processo de co-evolução da vida e da própria Terra?

Segundo os cientistas, as descobertas vão para além da Biologia, entrando em campos da Filosofia e da Astrobiologia – área que estuda a vida extraterrestre -, nota ainda o diário.

“Devemos perguntar-nos: Se a vida na Terra pode ser assim tão diferente daquilo que a experiência nos levou a esperar, então que tipo de estranheza podemos esperar enquanto investigamos formas de vida noutros mundos?”, indagou Robert Hazen, mineralogista da Instituição de Carnegie, nos Estados Unidos para a Ciência.

SA, ZAP // SputnikNews; RT

Por SA
12 Dezembro, 2018

 

1401: Descoberta espécie de salamandra que respira através de “árvores de Natal”

CIÊNCIA

Pierson Hill
Um espécime adulto da nova espécie identificada

Uma equipa de biólogos norte-americanos identificou uma nova espécie de salamandra num anfíbio que, até agora, só foi encontrado em três locais nos estados norte-americanos da Florida e do Alabama. 

De acordo com a Universidade Estadual do Texas, cujos investigadores são co-autores da descoberta, esta é a primeira espécie descoberta em quase meio século.

Durante décadas, a existência deste animal era considerado apenas um boato. Os habitantes locais chamavam estes anfíbios de “enguia-leopardo”, por causa das manchas escuras que cobrem a sua pele. Os cientistas admitem as semelhanças visuais, mas o apelido não está nada relacionado com o grupo que o animal ocupa no reino animal, uma vez que a espécie em causa não é um peixe.

Trata-se de um anfíbio, apesar de passar praticamente toda a sua vida em água doce. O espécime encontrado tem muitas características em comum com o axolote do México, especialmente devido às guelras em forma de ramos que possui, a que alguns internautas compararam com um árvore de natal.

A grande diferença do seu “primo” mexicano, está relacionada com o facto de ter dois membros dianteiros e nenhum posterior. De acordo com os cientistas, este animal pode atingir um metro de comprimento, um valor muito superior ao já registado pelos axolotes.

Pierson Hill

A equipa, que descreveu a descoberta num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista PLOS One, apelidou a espécie de Siren reticulata.

Do ponto de vista genético, é “irmã” de todas as espécies de salamandras cujo genoma foi sequenciado. No entanto, o seu habitat é muito restrito, consistindo em vários rios e lagos do extremo noroeste da Florida e do sul do Alabama. Os biólogos consideram urgente um estudo sobre sua a distribuição e ecologia.

“Não só poderíamos encontrar uma nova espécie interessante, mas também encontramos outro lembrete de que o livro da vida tem ainda muitas páginas para escrever”, disse o biólogo texano Sean Graham. A análise genética praticada nas novas espécies de Sireae, de acordo com estimativa do cientistas, torna altamente provável que outras salamandras deste tipo sejam descobertas

ZAP // RT

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1067: Lagoa cor-de-rosa em Espanha alimenta esperança de vida em Marte

Europlanet / F Gómez / R Thombre
A lagoa tem uma tonalidade cor-de-rosa devido às células vermelhas das algas Dunaliella salina

Uma equipa de biólogos descobriu um micro-organismo incomum numa lagoa cor-de-rosa na Espanha, capaz de sobreviver em Marte. Este microrganismo pode ser o primeiro colonizador do Planeta Vermelho.

Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, realizado em Berlim, na Alemanha.

A bióloga Rebecca Thombre, do Colégio Moderno de Artes, Ciências e Comércio da cidade indiana de Puna, e o doutor em ciências biológicas Felipe Gomes, do Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha, recolheram amostras da laguna de Pena Hueca e constataram que a tonalidade cor-de-rosa da lagoa se deve às células vermelhas das algas Dunaliella salina EP-1 – organismos até agora desconhecidos da Ciência.

Segundo Thombre, estas algas são seres extremófilos – organismos que sobrevivem em condições extremas – e são, até ao momento, as mais tolerantes já encontradas.

Os cientistas sublinham que, na maioria dos casos, os microrganismos não toleram “ambientes hipersalinos“, já que nestas condições a água necessária para que as suas células funcionem “tende a sair” através da membrana celular.

No entanto, a Dunaliella salina EP-1, e tal como o próprio nome indica, consegue sobreviver em condições salinas porque a lagoa Pena Hueca produz moléculas como o glicerol que criam um análogo de alta concentração de sal no interior das suas células, impedindo assim a perda de água.

As amostras vermelhas das algas num cristal de sal

Os biólogos também conseguiram identificar uma bactéria halofílica, a Halomonas gomseomensis PLR-1 numa pedra cor-de-rosa submersa na lagoa, rica em sulfatos.

O estudo deste microrganismo pode fornecer pistas vitais para compreender o papel dos sulfatos no crescimento microbiano e a litopanspermia – teoria segundo a qual os organismos podem ser transferidos através das pedras de um planeta para outro.

“A resistência dos extremófilos na Terra a condições semelhantes às de Marte demonstra o seu potencial para prosperar em solo marciano”, sustentou Gomez, ressaltando que a descoberta “tem implicações para a protecção planetária, assim como para o modo como as algas poderiam ser usadas para ‘terraformar’ Marte“, isto é, criar condições para que o Planeta Vermelho conseguisse acolher vida.

Por SN
24 Setembro, 2018

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717: O nosso homem na Antárctida

 

Foi pela primeira vez em 1999 ao continente austral. Duas décadas depois, é um cientista polar veterano, com participação em dez expedições. É José Xavier, o delegado português nas reuniões do Tratado da Antárctida, que Portugal assinou em 2010.

José Xavier
© José Xavier

A primeira coisa é o frio. Fica frio a valer. Depois, de repente, surge o primeiro icebergue: um pequeno pedaço de gelo, a boiar. Seguem-se outros, cada vez maiores – alguns com vários quilómetros de comprimento, e o navio passa de largo. E chega o dia em que um albatroz solitário cruza o céu, num voo elegante. É o primeiro sinal de terra. As ilhas Bird, da Antártida, com as suas colónias de pinguins, focas, lobos-marinhos, albatrozes… já estão próximas. Um mundo gelado a fervilhar de vida.

É assim a chegada: uma emoção. E, estar lá, uma novidade constante, por mais que se retorne, como tem feito o investigador português da Universidade de Coimbra José Xavier, desde há duas décadas, para estudar as comunidades animais e o impacto das alterações climáticas na sua ecologia.

Vinte anos e nove expedições (muitas de oito meses consecutivos), a influência das alterações climáticas no delicado equilíbrio daquele local remoto e tão especial – “mágico”, diz José Xavier – é para ele e para o resto da comunidade científica uma certeza, evidente nos muitos pequenos sinais. O aumento da temperatura média do ar e do oceano, o ritmo crescente do degelo na península e nas ilhas antárcticas, as alterações na distribuição de espécies, a redução progressiva, e a acelerar, do permafrost (o solo gelado), este o resultado de estudos liderados, desde 2000, por outro português, Gonçalo Vieira, da Universidade de Lisboa.

Esta transformação, que está a acontecer em directo, perante os olhos dos cientistas, levou nove de entre eles, incluindo José Xavier, especialistas em diferentes áreas, a lançar há duas semanas um alerta na revista Nature. Assim, sem rodeios: resta-nos uma estreita janela de dez anos para salvar a Antárctida… e o resto do planeta.

Os investigadores mostram, com dois cenários climáticos plausíveis, que se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem como até agora durante a próxima década, haverá grandes alterações na Antárctida no próximo meio século, “que a partir de certo ponto se tornam irreversíveis”, com a aceleração do degelo, e que vão repercutir-se “por todo o planeta”, explica José Xavier. Há uma escolha pela frente, e o tempo corre.

O som, o silêncio e o ciclo da vida
“A primeira vez é isso mesmo, mas a cada regresso, há sempre coisas novas”, confessa, com um sorriso, o investigador da Universidade de Coimbra que, desde o ano passado, é ali também professor auxiliar, no departamento de Ciências da Vida, onde já criou uma equipa de quase uma dezena de jovens cientistas polares.

Da última vez que José Xavier esteve no remoto continente austral, no ano passado, uma das novidades foi esta: conseguiu ver pela primeira vez ao vivo uma espécie de lula que até agora só conhecia pelos dentes, que é aquilo que fica depois de as aves que se alimentam delas terem comido o resto.

Esses dentes impossíveis de digerir pelos robustos estômagos das aves antárcticas têm servido desde o início ao cientista português e à sua equipa nacional e internacional para estudar a ecologia de várias espécies de aves e perceber a sua evolução de acordo com a disponibilidade do alimento. Neste caso, as lulas, base da alimentação das aves locais. José Xavier tem estudado a evolução desse delicado equilíbrio para avaliar o que pode estar em causa no mundo mais quente que aí vem.

“Levei 20 anos para ver a lula inteira”, conta divertido. “Usámos uma nova técnica para apanhar lulas maiores, e conseguimos, mas isto também significa que estas espécies ainda estão muito pouco estudadas e que há muito mais para conhecer.” Por isso, cada expedição – a palavra, com todo o peso de viagem a um mundo quase intocado, ainda é essa – é única e sempre recheada de coisas novas.

Foi em 1999, com apenas 23 anos, que José Xavier rumou pela primeira vez à Antárctida. Tinha concluído a licenciatura em Biologia Marinha no ano anterior, na Universidade do Algarve, já a trabalhar como investigador na British Antarctic Survey (BAS), em Cambridge, no Reino Unido, e acabou por ficar mais um ano, a convite do instituto. Depois “aconteceu tudo naturalmente”, como ele diz. Uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a colaboração da BAS, que ainda hoje se mantém, foram o passaporte para essa primeira expedição. “Aqueles oito meses voaram”, lembra. Era a ciência, sim, o trabalho intensivo no campo e o novo conhecimento. Mas também o silêncio mágico do lugar, o ciclo da vida a revelar-se na mudança do verão para o inverno, os animais sem medo dos humanos, o esplendor do dia e da quase noite, a rotina na base, com os turnos da cozinha e da limpeza, e a camaradagem com os quatro ou cinco companheiros, todos dependentes uns dos outros nos pormenores do dia-a-dia. O hospital mais próximo fica a mais de mil quilómetros e não há transporte para lá. “Ficamos pessoas melhores”, resume José Xavier com simplicidade. Como não voltar?

Diário de Notícias
01/07/2018

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641: Biólogos encontraram uma nova cidade submarina de polvos

No final do ano passado, um grupo de cientistas descobriu uma pequena cidade de polvos – chamada de Octlantis. A descoberta sugere que talvez os membros das sombrias espécies de polvos (Octopus tetricus) não sejam criaturas tão isoladas e solitárias como pensávamos. 

Octlantis tem cavernas feitas com pilhas de areia e conchas e abriga até 15 cefalópodes, de acordo com os biólogos marinhos. Os investigadores gravaram 10 horas de vídeo do local, que se localiza entre 10 a 15 metros de profundidade e mede 18 por 4 metros.

Nas gravações feitas, a equipa de investigação internacional observou os polvos a reunirem, a conviver, a comunicar uns com os outros, a perseguir os povos indesejados, chegando mesmo a expulsarem-se uns aos outros das tocas – ao que parece, Octlantis pode ser um lugar difícil para viver.

“Estes comportamentos são produto da selecção natural e podem ser notavelmente semelhantes ao complexo social dos vertebrados”, disse David Scheel, da Universidade do Pacífico do Alasca.

“Isto sugere que quando as condições certas estão reunidas, a evolução pode produzir resultados muito semelhantes em diversos grupos de organismos”, explicou.

A nova cidade de polvos encontrada fica em Jervis Bay, no litoral do leste da Austrália, e está localizada perto de um outro local semelhante, descoberto em 2009, chamado de Octopolis – onde os cientistas viram uma espécie de Fight Club em versão polvo.

Para aumentar a sensação de ilegalidade, os investigadores também descobriram conchas de presas comidas espalhadas pela cidade, sendo, às vezes, utilizadas para construir as cavernas.

Ambas as cidades descobertas sugerem que os polvos Octopus tetricus não são exactamente tão solitários como sempre foram retratados, mas o que ainda não se sabe é se estas pequenas cidades-polvo são particularmente comuns ou como começaram exactamente.

A cidade de Octopolis parece estar centrada num objecto não identificado, com cerca de 30 centímetros de comprimento, feito pelo Homem, mas não há nenhum objecto óbvio comparável na cidade de Octlantis, onde as criaturas parecem ter-se instalado.

Em vez disso, a comunidade pode ter sido projectada em torno de pedras que atraíram os animais para a área, segundo os cientistas.

“Em ambos os locais, existiam características que acreditamos que podem ter tornado a congregação possível – ou seja, vários afloramentos rochosos do fundo do mar pontilharam uma área plana e sem traços característicos”, disse Stephanie Chanceler, uma das cientistas da equipa, da Universidade de Illinois.

David Scheel / Current Biology
Octlantis pode ser um lugar difícil para viver

Normalmente, os polvos apenas se reúnem para acasalar antes de seguirem caminhos separados novamente. Os investigadores acreditam que mais pesquisas precisam de ser realizadas para perceber por que motivo os polvos se querem relacionar em locais como Octlantis.

Há abundância de comida nos dois locais, mas estas zonas são também atractivas para os predadores e, de acordo com as observações realizadas até agora, a Octlantis parece ser um lugar bastante violento e agressivo.

Uma das hipóteses aponta que este tipo de assentamentos de polvos sempre existiu, mas só agora estamos dotados de tecnologia e ferramentas necessárias para poder monitorizá-los.

“Ainda não sabemos muito sobre o comportamento do polvo“, disse Chancellor. “Serão necessárias mais pesquisas para determinar o que estas acções podem significar”, concluiu.

O estudo foi publicado na revista Marine and Freshwater Behaviour and Physiology no dia 1 de Setembro de 2017.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
12 Junho, 2018

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