2448: Há um peixe que pode viver mais de 100 anos (mas isso não é necessariamente uma boa notícia)

CIÊNCIA

(dr) Lackmann et al., Communications Biology, 2019
Ictiobus cyprinellus

Embora seja um dado impressionante, os biólogos descobriram que os 112 anos de um exemplar da espécie Ictiobus cyprinellus também significam um problema que, mais uma vez, tem a actividade humana como principal culpada.

Novas técnicas revelaram que um Ictiobus cyprinellus, peixe de água doce nativo da América do Norte, viveu cerca de 112 anos. Além de superar largamente a expectativa de vida de 26 anos desta espécie, esta idade excede ainda a expectativa de vida de qualquer peixe de água doce conhecido por quase 40 anos.

Segundo o Science Alert, os biólogos já suspeitavam que este peixe podia viver mais tempo do que se pensava, por isso puseram mãos à obra para descobrir quantos anos podiam ter. Entre 2011 e 2018, apanharam um grande número de peixes para fazer uma recolha de dados.

Alguns dos espécimes foram fotografados, medidos, identificados pelo sexo e etiquetados antes de serem devolvidos à natureza, para que depois a equipa pudesse medir as suas mudanças ao longo do tempo. Outros 386 exemplares não tiveram a mesma sorte e foram dissecados para determinar a sua idade.

Os investigadores retiraram finas aparas dos seus otólitos, estruturas de carbonato de cálcio nos ouvidos dos peixes ósseos que os ajudam a manter o equilíbrio. No estudo, publicado em maio na revista Communications Biology, os anéis otolíticos deram um resultado inicial de 80 a 90 anos — um número impressionante pois, até então, o mais antigo peixe ósseo de água doce era um Aplodinotus grunniens, com 73 anos.

Para verificar este resultado inicial, os biólogos usaram a datação por carbono bomba, uma técnica que existe graças ao teste da bomba atómica em meados do século XX. Esses testes duplicaram a quantidade de carbono-14 na atmosfera antes de recuar lentamente para os níveis anteriores.

Os cientistas procuraram então pelo carbono-14 nos anéis dos otólitos que recolheram para determinar quantos anos o peixe tinha, o que lhes permitiu que o exemplar em causa tinha mesmo 112 anos. Mas entre 85% e 90% de algumas das populações de peixes estudadas tinham mais de 80 anos, o que estranhamente significa um problema.

“Documentamos numerosas populações que são compostas em grande parte por indivíduos com mais de 80 anos, o que sugere um fracasso no recrutamento a longo prazo desde a construção de uma barragem nos anos 30″, escreveram os autores no artigo científico.

“As barragens em rios são citadas como a principal causa de fracasso no recrutamento deste peixe porque restringem o acesso a habitats de desova e podem silenciar as sugestões ambientais pensadas para iniciar o comportamento de desova”, acrescentam.

Noutras palavras, escreve o Science Alert, algumas populações de peixes não estão a produzir jovens e parece que, mais uma vez, a actividade humana é a principal culpada. Os investigadores esperam agora que esta descoberta inspire uma maior apreciação sobre uma espécie que consideram ser incompreendida.

ZAP //

Por ZAP
15 Agosto, 2019

 

2311: Formas de vida antigas despertaram após 40.000 anos congeladas no permafrost

CIÊNCIA

Brocken Inaglory / Wikimedia

Cientistas encontraram formas de vida antigas que se conseguiram manter intactas após estarem congeladas durante 40 mil anos no permafrost.

Os seres vivos são mais resistentes do que aquilo que pensamos. Vários estudos realizados nos pólos — cada vez mais quentes — revelaram diversos organismos que nunca imaginávamos terem sobrevivido centenas e milhares de anos de congelamento.

Do permafrost e das calotas polares a derreter, investigadores recolheram não apenas bactérias e plantas congeladas há centenas de anos, mas até um verme nemátodo vivo mesmo após 40 mil anos debaixo do gelo.

Em 2009, uma equipa de biólogos liderada por Catherine La Farge, da Universidade de Alberta, visitou a ilha canadiana de Ellesmere para documentar a vegetação que se formou há centenas de anos atrás na região e foi congelada durante a Pequena Idade do Gelo, que terminou em 1850.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao encontrarem um tufo de musgo da espécie Aulacomnium turgidum com uma certa tonalidade verdejante — um sinal possível de vida. “Não é de presumir que algo enterrado por centenas de anos seria viável. O material sempre foi considerado morto. Mas, ao ver tecido verde, pensei: ‘Bem, isto é incomum‘”, disse La Farge ao Science Alert.

A equipa analisou várias amostras do musgo em laboratório, cultivando-o em solos ricos em nutrientes. Quase um terço das plantas deu novos rebentos e folhas. “Ficamos muito impressionados. O musgo mostrou poucos efeitos nocivos do congelamento centenário”, explicou a bióloga.

O ecologista Peter Convey fez uma descoberta ainda mais antiga: a sua equipa conseguiu recuperar um musgo de 1.500 anos enterrado no permafrost antárctico. “O ambiente do permafrost é muito estável”, esclareceu Convey.

P. Boelen / BAS
Uma amostra do musgo encontrado pelos cientistas.

O solo permanentemente congelado pode isolar o musgo de factores de desgaste e erosão da superfície, como ciclos anuais de congelamento e descongelamento ou radiação prejudicial ao ADN. Desta forma, uma planta sobreviver mais de um milénio não é assim tão impossível quanto isso.

Contudo, a descoberta da equipa de cientistas liderada pela microbióloga Tatiana Vishnivetskaya, da Universidade do Tennessee, fez uma descoberta inacreditável.

Encontrar organismos unicelulares que sobreviveram várias eras de gelo no permafrost siberiano, por exemplo, é algo normal para a cientista. Vishnivetskaya já conseguiu trazer bactérias de milhões de anos de volta à vida numa placa de Petri.

Já um ser vivo com sistema nervoso é outra história — uma que pode obrigar cientistas a repensar o conceito de sobrevivência e perseverança. No ano passado, a equipa de Vishnivetskaya encontrou vermes segmentados completos: nemátodos.

Ser vivo mais antigo já descoberto

Os investigadores estimaram que um dos vermes tinha pelo menos 41 mil anos de idade, o que faz dele o ser vivo mais antigo já alguma vez descoberto. Para colocar isto em perspectiva, basta pensar que este verme deslocou-se na mesma terra dos Neandertais para acordar milénios depois num laboratório de alta tecnologia.

“É claro que ficamos surpreendidos e muito animados”, disse Vishnivetskaya. Com meio milímetro de comprimento, os nemátodos que voltaram à vida são as criaturas mais complexas já “ressuscitadas” depois de um logo período de congelamento.

De acordo com Gaetan Borgonie, especialista belga em nematóides, estes animais são omnipresentes em diversos habitats terrestres. Borgonie já descobriu comunidades destes vermes quilómetros abaixo da superfície do planetas em minas sul-africanas com pouco oxigénio e calor insuportável.

Os nemátodos podem entrar num estado de animação suspensa no qual ficam envoltos numa camada protectora. Vishnivetskaya não tem a certeza se os vermes que a sua equipa recolheu do permafrost passaram o tempo todo neste estado, mas acredita que eles poderiam teoricamente sobreviver indefinidamente se fossem congelados de forma estável. “Eles podem durar vários anos se as suas células permanecerem intactas”, disse.

ZAP // Hype Science

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14 Julho, 2019

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2220: A lendária Cidade Perdida do Deus Macaco é um refúgio de espécies “extintas”

CIÊNCIA

David Yoder / National Geographic

A Cidade Branca, imponente sítio arqueológico detectado em 2012 nas selvas das Honduras, é também um “ecossistema prístino e próspero, cheio de espécies raras e únicas”.

A ONG americana Conservation International chegou a essa conclusão depois de concluir uma expedição em 2017 para fins de consultoria, cujos resultados foram divulgados em 20 de Junho.

Um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Trond Larsen investigou a vida selvagem daquele refúgio de vida selvagem e encontrou entre as suas espécies algumas que se acreditava estarem extintas. Destas, 22 nunca tinham sido vistos em Honduras, dois foram identificados como desaparecidos do território nacional há décadas, e um deles, o do besouro-tigre, foi considerado completamente extinto, segundo um comunicado.

O antigo assentamento é um refúgio para grandes animais, como jaguares e pumas, mas também para morcegos, cobras, sapos e pássaros. Os investigadores identificaram, por exemplo, uma próspera população de queixadas, bem como uma variedade de porcos extremamente sensíveis à desflorestação, que precisa de vastas áreas de floresta intacta para sobreviver e é por isso que já não é encontrada na América Central.

A riqueza e diversidade do mundo dos insectos que vivem na Cidade Perdida reflecte-se no número total de espécies identificadas de borboletas e mariposas: 246. O número de espécies de plantas também se aproxima de 200, 14 das quais estão ameaçadas.

Larsen, chefe da expedição, disse que a sua equipa científica “ficou surpreendida com a descoberta de uma biodiversidade tremendamente rica, incluindo muitas espécies raras e ameaçadas”. A Cidade Branca “é uma das poucas áreas remanescentes na América Central onde os processos ecológicos e evolutivos permanecem intactos“.

À luz das descobertas, tanto arqueológicas como biológicas, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, pediu um estudo científico aprofundado, que já está em andamento, para determinar as medidas de protecção exigidas pela floresta tropical ao redor da Cidade Branca.

Tanto as florestas como os monumentos da era pré-colombiana, ainda não escavados, fazem parte do parque natural de La Mosquitia, que é a maior área natural protegida da nação centro-americana.

Esta Cidade Perdida data de 1400 e foi construída por uma misteriosa civilização para a qual os arqueólogos ainda não têm nome. Foi uma maravilha mítica durante anos até que uma expedição confirmou a sua existência em 2015.

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23 Junho, 2019

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2218: Incrível atlas espacial mostra as órbitas de todos os objectos conhecidos do Sistema Solar

NASA

Uma cientista da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, criou um impressionante altas espacial, no qual é possível ver as órbitas dos planetas e dos milhares de asteróides conhecidos do Sistema Solar.

Para este trabalho, apelidado de “Atlas do Espaço”, Eleanor Lutz, bióloga e estudante de doutoramento da universidade norte-americana, utilizou dados disponíveis ao público de agências como a NASA e o US Geological Survey.

O mapa mostra as órbitas de mais de 18.000 asteróides, incluindo 10.000 que têm um diâmetro de mais de 10 quilómetros e aproximadamente 8.000 objectos de tamanho desconhecido. Além disso, no atlas, é também possível ver os diferentes planetas e as respectivas órbitas em torno do Sol.

“Gosto que todos estes dados sejam acessíveis, mas são muito difíceis de visualizar”, admitiu a cientista ao portal de Wired. A Astronomia “é uma ciência verdadeiramente incrível, e queria que todos o pudessem ver de uma forma lógica”.

“Existe uma barreira de conhecimento para aceder a algumas das coisas mais interessantes e surpreendentes da ciência”, acrescentou.

Ver imagem no Twitter

marqdmartianMD @mrcmrzn

Map of the solar system for all bodies more than 10km across by Eleanor Lutz

Analisar e exporto todos estes dados não foi uma tarefa fácil. Para conseguir chegar até ao atlas, Lutz teve de aprender várias e diversificadas ferramentas de programação e design gráfico. “Como não tenho formação como designer, e não sou astrónoma, aprendi muito com os tutoriais online”, confessou, citada pelo mesmo portal.

A cientistas criou também outros mapas vividos de constelações, asteróides e planetas. Nas próximas semanas, a cientista vai lançar cada um dos seus trabalhos juntamente com um tutorial para que todos possam explorar e criar trabalhos semelhantes.

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23 Junho, 2019

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2056: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

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26 Maio, 2019


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2045: Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

CIÊNCIA

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que os distanciará dos humanos da Terra. Estas alterações serão tão drásticas que os habitantes de Marte não poderão ter filhos com os habitantes da Terra.

Esta é a conclusão de Scott Solomon, professor da Rice University, nos Estados Unidos. Num artigo na Inverse, o investigador explica que Marte tem difíceis condições de vida, o que levará a uma alta taxa de mortalidade entre os primeiros colonos.

Para inverter a mortalidade, e tendo em conta o elevado nível de radiação, os colonos vão sofrer uma série de mutações genéticas que os ajudará na adaptação ao planeta.

“Se uma mutação aparece em pessoas que vivem em Marte e lhes dá uma vantagem de sobrevivência de 50%, é uma grande vantagem, certo? E isso significa que os indivíduos vão transmitir estes genes a uma taxa muito mais rápida do que noutros casos”, sustenta.

Segundo o biólogo, o aumento da densidade óssea, o aparecimento da miopia como característica congénita, a mudança da cor de pele e a capacidade de usar oxigénio de uma forma mais eficiente são algumas das adaptações mais prováveis entre os colonos.

Contudo, explicou o biólogo, a maior e mais rápida mudança seria a perda do sistema imunológico, já que este será desnecessário no ambiente estéril da novas colónias. Neste ambiente, sem microrganismos, os residentes não necessitarão de ter um corpo capaz de combater germes ou bactérias. Solomon acredita que este ambiente poderia até fornecer uma oportunidade para erradicar doenças.

É também a ausência de sistema imunitário que impedirá que marcianos e terráqueos possam ter filhos. Poderia ser letal. No entender do biólogo, esta questão pode forçar humanos e futuros marcianos a separarem-se irreversivelmente.

As adaptações mais vantajosas poderiam ser aceleradas através da edição de genes, acredita o cientista. “Por que esperar que esta mutação ocorra se pudermos fazê-la acontecer por nos próprios?, questiona o cientista.

Contudo, importa frisar, a trajectória evolutiva da população marciana dependeria da diversidade genética. Ou seja, para obter o melhor resultado possível, a colónia deveria ter centenas de milhares de pessoas de todas as populações genéticas da Terra.

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25 Maio, 2019

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2016: Descoberta nova espécie de rã de cristal na Colômbia

CIÊNCIA

Plos One

Uma rã de cristal com um coaxar peculiar foi descoberta na Sierra Nevada de Santa Marta, uma cordilheira localizada na Colômbia. “Foi um golpe de sorte”, revelou o cientista que encontrou o novo espécime.

Segundo noticia o portal IFL Science, o biólogo José Luis Pérez-González ouviu pela primeira um coaxar diferente em meados de 2015, quando acampava perto de um riacho, no âmbito de uma expedição para estudar rãs-arlequim.

“Ficamos entediados e fomos explorar o riacho, onde encontramos uma rã de cristas, mas a forma como os animais coaxavam era muito diferente das espécies que já conhecíamos, como a gigante endémica rã de cristal Magdalena”, contou o cientistas, que é também, vice-presidente da Fundação Atelopus e membro da Global Wildlife Conservation.

“Foi uma experiência maravilhosa encontrar uma espécie completamente nova apenas por estar sem fazer nada, foi um verdadeiro golpe de sorte “, disse Pérez-González.

A nova espécie, baptizada de rã de cristal gigante de Guajira (Ikakogi ispacue), é quase idêntica à Magdalena (Ikakogi tayrona), apenas o coaxar as separa.

Embora a espécie tenha já sido descoberta em 2015, a sua existência só foi divulgada este mês na revista Plos One, depois de várias expedições adicionais e até mesmo uma análise de DNA, para confirmar que não era apenas um grupo de rãs com vocalização diferente.

As rãs de cristal são conhecidas por terem todo o seu corpo, especialmente a parte da barriga, parcial ou totalmente transparente, sendo possível ver os seus órgãos internos e até mesmo o coração a bater. Por norma, estes animais habitam em ambientes ricos em lama e em folhas caídas no fundo dos oceanos. Muitas vezes, parecem ter uma cor avermelhada, fenómeno que é o fruto do fluxo sanguíneo no corpo do animal.

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19 Maio, 2019



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1659: Encontrada bactéria estranha no lugar da Terra mais parecido com Marte

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Quando se trata de encontrar vida fora da Terra, é difícil saber onde procurar. Mas os cientistas encontraram uma pista que aumenta a esperança para os lugares desérticos – como Marte.

No lugar da Terra mais parecido com o Planeta Vermelho – o deserto do Atacama, no Chile – o rover planetário experimental Zoë encontrou uma estranha bactéria no solo, algumas das quais desconhecidas para a ciência, mas que exibem adaptações especializadas no deserto para condições semelhantes às de Marte.

“Mostramos que um robô pode recuperar o solo abaixo da superfície do deserto de Marte”, disse o biólogo Stephen Pointing, do Yale-NUS College, em comunicado.

“Isto é importante porque a maioria dos cientistas concorda que qualquer vida em Marte teria que ocorrer abaixo do solo para escapar das duras condições da superfície, onde a alta radiação, a baixa temperatura e a falta de água tornam a vida improvável.”

Sabe-se que a água líquida provavelmente fluiu pela superfície de Marte. O planeta está muito mais seco actualmente, com apenas água gelada na superfície, mas pode abrigar água líquida sob a superfície.

Se assim for, torna mais provável a perspectiva de vida no Planeta Vermelho – mas o Deserto de Atacama também aponta para outras possibilidades.

O deserto é tão seco que pode não chover durante décadas ou até séculos, o que torna incrivelmente hostil para a maior parte da vida na Terra. Mas, no ano passado, pela primeira vez, vida microbiana foi encontrada à superfície.

A superfície de Marte seria muito pior do que a superfície do deserto de Atacama. Mas quando Zoë perfurou para recolher amostras a uma profundidade de 80 centímetros, encontrou micróbios sub-superficiais que demonstram que pode haver vida, de acordo com o estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology.

“Vimos que, com o aumento da profundidade, a comunidade bacteriana foi dominada por bactérias que conseguem prosperar nos solos extremamente salgados e alcalinos. Elas, por sua vez, foram substituídas em profundidades de até 80 centímetros por um único grupo específico de bactérias que sobrevivem”.

“Isto é muito excitante porque demonstra que o subsolo do Atacama suporta micróbios altamente especializados que podem prosperar nos solos salinos e semelhantes a Marte, e as recentes medições de emissão significativa de metano da superfície de Marte sugerem que bactérias que utilizam metano também poderiam prosperar lá“.

A equipa recolheu mais de 90 amostras de sedimentos e descobriu que a colonização microbiana era irregular. As áreas que não tinham sido colonizadas por micróbios eram as mais extremas. A análise do sedimento mostrou que se havia formado há muito tempo, quando a água era abundante, mas já não recebia água há algum tempo.

A equipe continua esperançosa de que ainda existem regiões habitáveis em Marte, mesmo que sejam poucas e distantes entre si. “A colonização bacteriana irregular é um indicador de stress ambiental extremo e, no caso dos solos do Deserto do Atacama, podemos dizer que a vida realmente está a manter-se no limite da habitabilidade“, disse Pointing.

“Como as condições em Marte são ainda mais extremas, podemos supor que a irregularidade também seja uma característica de qualquer colonização bacteriana marciana.”

Espera-se que os robôs marcianos perfurem até 2 metros de profundidade, de modo que a equipa espera recolher amostras em profundidades semelhantes. Também estão a pensar em começar a perfurar em Marte. “A minha preferência pessoal seriam depósitos fluviais de rios antigos ou rochas de arenito”, disse Pointing.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Março, 2019

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1408: Há um imenso mundo de vida oculto nas profundezas da Terra (e tem bactérias “zombies”)

CIÊNCIA

Extreme Life Isyensya, Belgium
Este nemátodo vive a 1,4 quilómetros abaixo da superfície

Uma equipa internacional de cientistas identificou uma imensa “vida profunda” sob o fundo do mar, que inclui micróbios que podem permanecer nas profundezas durante milhares ou até mesmo milhões de anos, revelou uma nova investigação. 

Durante anos, biólogos e geólogos acreditaram que a vida na Terra estava confinada à superfície dos continentes, bem como aos mares, oceanos e leitos marítimos. Contudo, nos últimos anos tornou-se claro que os limites da biosfera são muito mais amplos.

“Há dez anos, pensávamos que a vida existia apenas em pequenos ‘cantos’ seleccionados da Terra. Agora sabemos que [a vida] é encontrada em praticamente todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar esta ‘matéria escura’ da biosfera, a sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, durante um encontro da União Geofísica Americana que decorreu em Washington.

Para esta descoberta, a equipa de cientistas, que trabalhou no âmbito do projecto de pesquisa internacional Deep Carbon Observatory (DCO), perfurou o fundo do mar a profundidades de 2,5 quilómetros, encontrando abundantes formas de vida até agora desconhecidas. Estas novas formas de vida persistem sob as mais severas condições, como temperaturas e pressões extremas.

Outro aspecto curioso nestes micro-organismos, frisaram os especialistas, é que estes permanecem “pouco vivos”, ou seja, estas formas de vida existem num estado de movimento muito lento, semelhante a um zombie.

Os especialistas concluíram que há mais biosfera profunda do que se pensava até então. A investigação descobriu que cerca de 70% das bactérias e arqueas do nosso planeta vivem no subsolo, sendo este ecossistema subterrâneo equivalente a 15.000 a 23.000 milhões de toneladas de carbono.

“A biosfera profunda da Terra é enorme”, considerou Rick Colwell, especialista da universidade norte-americana de Oregon, descrevendo as recentes descobertas como um “ecossistema muito empolgante e extremo”.

O investigador sublinhou a diversidade genética encontrada nas profundezas do mar, dando conta que a descoberta poderá ser importante para mapear outros lugares – dentro ou fora da Terra – que possam alojar vida.

“Existe uma diversidade genética de vida abaixo da superfície que é, pelo menos, igual e até talvez exceda a da superfície e nós não sabemos muito sobre isso”, afirmou Colwell, acrescentando que estudar a vida subterrânea “ajudará a perceber o que deve ser procurado noutros planetas ou noutros sistemas onde a vida pode existir”, rematou.

Para lá da Biologia

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, disse, por sua vez, que a descoberta agora divulgada “é como encontrar um novo reservatório de vida na Terra“. “Uma parte imensa da vida está dentro da Terra e não em cima dela”, rematou o especialista.

Apesar da enorme descoberta, ficam ainda muitas perguntas por responder. Como é que a vida se coloniza a partir das profundezas? Como é que os micróbios interagem com os processos químicos? E, finalmente: o que é que tudo isto nos conta sobre o processo de co-evolução da vida e da própria Terra?

Segundo os cientistas, as descobertas vão para além da Biologia, entrando em campos da Filosofia e da Astrobiologia – área que estuda a vida extraterrestre -, nota ainda o diário.

“Devemos perguntar-nos: Se a vida na Terra pode ser assim tão diferente daquilo que a experiência nos levou a esperar, então que tipo de estranheza podemos esperar enquanto investigamos formas de vida noutros mundos?”, indagou Robert Hazen, mineralogista da Instituição de Carnegie, nos Estados Unidos para a Ciência.

SA, ZAP // SputnikNews; RT

Por SA
12 Dezembro, 2018

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1401: Descoberta espécie de salamandra que respira através de “árvores de Natal”

CIÊNCIA

Pierson Hill
Um espécime adulto da nova espécie identificada

Uma equipa de biólogos norte-americanos identificou uma nova espécie de salamandra num anfíbio que, até agora, só foi encontrado em três locais nos estados norte-americanos da Florida e do Alabama. 

De acordo com a Universidade Estadual do Texas, cujos investigadores são co-autores da descoberta, esta é a primeira espécie descoberta em quase meio século.

Durante décadas, a existência deste animal era considerado apenas um boato. Os habitantes locais chamavam estes anfíbios de “enguia-leopardo”, por causa das manchas escuras que cobrem a sua pele. Os cientistas admitem as semelhanças visuais, mas o apelido não está nada relacionado com o grupo que o animal ocupa no reino animal, uma vez que a espécie em causa não é um peixe.

Trata-se de um anfíbio, apesar de passar praticamente toda a sua vida em água doce. O espécime encontrado tem muitas características em comum com o axolote do México, especialmente devido às guelras em forma de ramos que possui, a que alguns internautas compararam com um árvore de natal.

A grande diferença do seu “primo” mexicano, está relacionada com o facto de ter dois membros dianteiros e nenhum posterior. De acordo com os cientistas, este animal pode atingir um metro de comprimento, um valor muito superior ao já registado pelos axolotes.

Pierson Hill

A equipa, que descreveu a descoberta num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista PLOS One, apelidou a espécie de Siren reticulata.

Do ponto de vista genético, é “irmã” de todas as espécies de salamandras cujo genoma foi sequenciado. No entanto, o seu habitat é muito restrito, consistindo em vários rios e lagos do extremo noroeste da Florida e do sul do Alabama. Os biólogos consideram urgente um estudo sobre sua a distribuição e ecologia.

“Não só poderíamos encontrar uma nova espécie interessante, mas também encontramos outro lembrete de que o livro da vida tem ainda muitas páginas para escrever”, disse o biólogo texano Sean Graham. A análise genética praticada nas novas espécies de Sireae, de acordo com estimativa do cientistas, torna altamente provável que outras salamandras deste tipo sejam descobertas

ZAP // RT

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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1067: Lagoa cor-de-rosa em Espanha alimenta esperança de vida em Marte

Europlanet / F Gómez / R Thombre
A lagoa tem uma tonalidade cor-de-rosa devido às células vermelhas das algas Dunaliella salina

Uma equipa de biólogos descobriu um micro-organismo incomum numa lagoa cor-de-rosa na Espanha, capaz de sobreviver em Marte. Este microrganismo pode ser o primeiro colonizador do Planeta Vermelho.

Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, realizado em Berlim, na Alemanha.

A bióloga Rebecca Thombre, do Colégio Moderno de Artes, Ciências e Comércio da cidade indiana de Puna, e o doutor em ciências biológicas Felipe Gomes, do Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha, recolheram amostras da laguna de Pena Hueca e constataram que a tonalidade cor-de-rosa da lagoa se deve às células vermelhas das algas Dunaliella salina EP-1 – organismos até agora desconhecidos da Ciência.

Segundo Thombre, estas algas são seres extremófilos – organismos que sobrevivem em condições extremas – e são, até ao momento, as mais tolerantes já encontradas.

Os cientistas sublinham que, na maioria dos casos, os microrganismos não toleram “ambientes hipersalinos“, já que nestas condições a água necessária para que as suas células funcionem “tende a sair” através da membrana celular.

No entanto, a Dunaliella salina EP-1, e tal como o próprio nome indica, consegue sobreviver em condições salinas porque a lagoa Pena Hueca produz moléculas como o glicerol que criam um análogo de alta concentração de sal no interior das suas células, impedindo assim a perda de água.

As amostras vermelhas das algas num cristal de sal

Os biólogos também conseguiram identificar uma bactéria halofílica, a Halomonas gomseomensis PLR-1 numa pedra cor-de-rosa submersa na lagoa, rica em sulfatos.

O estudo deste microrganismo pode fornecer pistas vitais para compreender o papel dos sulfatos no crescimento microbiano e a litopanspermia – teoria segundo a qual os organismos podem ser transferidos através das pedras de um planeta para outro.

“A resistência dos extremófilos na Terra a condições semelhantes às de Marte demonstra o seu potencial para prosperar em solo marciano”, sustentou Gomez, ressaltando que a descoberta “tem implicações para a protecção planetária, assim como para o modo como as algas poderiam ser usadas para ‘terraformar’ Marte“, isto é, criar condições para que o Planeta Vermelho conseguisse acolher vida.

Por SN
24 Setembro, 2018

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717: O nosso homem na Antárctida

 

Foi pela primeira vez em 1999 ao continente austral. Duas décadas depois, é um cientista polar veterano, com participação em dez expedições. É José Xavier, o delegado português nas reuniões do Tratado da Antárctida, que Portugal assinou em 2010.

José Xavier
© José Xavier

A primeira coisa é o frio. Fica frio a valer. Depois, de repente, surge o primeiro icebergue: um pequeno pedaço de gelo, a boiar. Seguem-se outros, cada vez maiores – alguns com vários quilómetros de comprimento, e o navio passa de largo. E chega o dia em que um albatroz solitário cruza o céu, num voo elegante. É o primeiro sinal de terra. As ilhas Bird, da Antártida, com as suas colónias de pinguins, focas, lobos-marinhos, albatrozes… já estão próximas. Um mundo gelado a fervilhar de vida.

É assim a chegada: uma emoção. E, estar lá, uma novidade constante, por mais que se retorne, como tem feito o investigador português da Universidade de Coimbra José Xavier, desde há duas décadas, para estudar as comunidades animais e o impacto das alterações climáticas na sua ecologia.

Vinte anos e nove expedições (muitas de oito meses consecutivos), a influência das alterações climáticas no delicado equilíbrio daquele local remoto e tão especial – “mágico”, diz José Xavier – é para ele e para o resto da comunidade científica uma certeza, evidente nos muitos pequenos sinais. O aumento da temperatura média do ar e do oceano, o ritmo crescente do degelo na península e nas ilhas antárcticas, as alterações na distribuição de espécies, a redução progressiva, e a acelerar, do permafrost (o solo gelado), este o resultado de estudos liderados, desde 2000, por outro português, Gonçalo Vieira, da Universidade de Lisboa.

Esta transformação, que está a acontecer em directo, perante os olhos dos cientistas, levou nove de entre eles, incluindo José Xavier, especialistas em diferentes áreas, a lançar há duas semanas um alerta na revista Nature. Assim, sem rodeios: resta-nos uma estreita janela de dez anos para salvar a Antárctida… e o resto do planeta.

Os investigadores mostram, com dois cenários climáticos plausíveis, que se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem como até agora durante a próxima década, haverá grandes alterações na Antárctida no próximo meio século, “que a partir de certo ponto se tornam irreversíveis”, com a aceleração do degelo, e que vão repercutir-se “por todo o planeta”, explica José Xavier. Há uma escolha pela frente, e o tempo corre.

O som, o silêncio e o ciclo da vida
“A primeira vez é isso mesmo, mas a cada regresso, há sempre coisas novas”, confessa, com um sorriso, o investigador da Universidade de Coimbra que, desde o ano passado, é ali também professor auxiliar, no departamento de Ciências da Vida, onde já criou uma equipa de quase uma dezena de jovens cientistas polares.

Da última vez que José Xavier esteve no remoto continente austral, no ano passado, uma das novidades foi esta: conseguiu ver pela primeira vez ao vivo uma espécie de lula que até agora só conhecia pelos dentes, que é aquilo que fica depois de as aves que se alimentam delas terem comido o resto.

Esses dentes impossíveis de digerir pelos robustos estômagos das aves antárcticas têm servido desde o início ao cientista português e à sua equipa nacional e internacional para estudar a ecologia de várias espécies de aves e perceber a sua evolução de acordo com a disponibilidade do alimento. Neste caso, as lulas, base da alimentação das aves locais. José Xavier tem estudado a evolução desse delicado equilíbrio para avaliar o que pode estar em causa no mundo mais quente que aí vem.

“Levei 20 anos para ver a lula inteira”, conta divertido. “Usámos uma nova técnica para apanhar lulas maiores, e conseguimos, mas isto também significa que estas espécies ainda estão muito pouco estudadas e que há muito mais para conhecer.” Por isso, cada expedição – a palavra, com todo o peso de viagem a um mundo quase intocado, ainda é essa – é única e sempre recheada de coisas novas.

Foi em 1999, com apenas 23 anos, que José Xavier rumou pela primeira vez à Antárctida. Tinha concluído a licenciatura em Biologia Marinha no ano anterior, na Universidade do Algarve, já a trabalhar como investigador na British Antarctic Survey (BAS), em Cambridge, no Reino Unido, e acabou por ficar mais um ano, a convite do instituto. Depois “aconteceu tudo naturalmente”, como ele diz. Uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a colaboração da BAS, que ainda hoje se mantém, foram o passaporte para essa primeira expedição. “Aqueles oito meses voaram”, lembra. Era a ciência, sim, o trabalho intensivo no campo e o novo conhecimento. Mas também o silêncio mágico do lugar, o ciclo da vida a revelar-se na mudança do verão para o inverno, os animais sem medo dos humanos, o esplendor do dia e da quase noite, a rotina na base, com os turnos da cozinha e da limpeza, e a camaradagem com os quatro ou cinco companheiros, todos dependentes uns dos outros nos pormenores do dia-a-dia. O hospital mais próximo fica a mais de mil quilómetros e não há transporte para lá. “Ficamos pessoas melhores”, resume José Xavier com simplicidade. Como não voltar?

Diário de Notícias
01/07/2018

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641: Biólogos encontraram uma nova cidade submarina de polvos

No final do ano passado, um grupo de cientistas descobriu uma pequena cidade de polvos – chamada de Octlantis. A descoberta sugere que talvez os membros das sombrias espécies de polvos (Octopus tetricus) não sejam criaturas tão isoladas e solitárias como pensávamos. 

Octlantis tem cavernas feitas com pilhas de areia e conchas e abriga até 15 cefalópodes, de acordo com os biólogos marinhos. Os investigadores gravaram 10 horas de vídeo do local, que se localiza entre 10 a 15 metros de profundidade e mede 18 por 4 metros.

Nas gravações feitas, a equipa de investigação internacional observou os polvos a reunirem, a conviver, a comunicar uns com os outros, a perseguir os povos indesejados, chegando mesmo a expulsarem-se uns aos outros das tocas – ao que parece, Octlantis pode ser um lugar difícil para viver.

“Estes comportamentos são produto da selecção natural e podem ser notavelmente semelhantes ao complexo social dos vertebrados”, disse David Scheel, da Universidade do Pacífico do Alasca.

“Isto sugere que quando as condições certas estão reunidas, a evolução pode produzir resultados muito semelhantes em diversos grupos de organismos”, explicou.

A nova cidade de polvos encontrada fica em Jervis Bay, no litoral do leste da Austrália, e está localizada perto de um outro local semelhante, descoberto em 2009, chamado de Octopolis – onde os cientistas viram uma espécie de Fight Club em versão polvo.

Para aumentar a sensação de ilegalidade, os investigadores também descobriram conchas de presas comidas espalhadas pela cidade, sendo, às vezes, utilizadas para construir as cavernas.

Ambas as cidades descobertas sugerem que os polvos Octopus tetricus não são exactamente tão solitários como sempre foram retratados, mas o que ainda não se sabe é se estas pequenas cidades-polvo são particularmente comuns ou como começaram exactamente.

A cidade de Octopolis parece estar centrada num objecto não identificado, com cerca de 30 centímetros de comprimento, feito pelo Homem, mas não há nenhum objecto óbvio comparável na cidade de Octlantis, onde as criaturas parecem ter-se instalado.

Em vez disso, a comunidade pode ter sido projectada em torno de pedras que atraíram os animais para a área, segundo os cientistas.

“Em ambos os locais, existiam características que acreditamos que podem ter tornado a congregação possível – ou seja, vários afloramentos rochosos do fundo do mar pontilharam uma área plana e sem traços característicos”, disse Stephanie Chanceler, uma das cientistas da equipa, da Universidade de Illinois.

David Scheel / Current Biology
Octlantis pode ser um lugar difícil para viver

Normalmente, os polvos apenas se reúnem para acasalar antes de seguirem caminhos separados novamente. Os investigadores acreditam que mais pesquisas precisam de ser realizadas para perceber por que motivo os polvos se querem relacionar em locais como Octlantis.

Há abundância de comida nos dois locais, mas estas zonas são também atractivas para os predadores e, de acordo com as observações realizadas até agora, a Octlantis parece ser um lugar bastante violento e agressivo.

Uma das hipóteses aponta que este tipo de assentamentos de polvos sempre existiu, mas só agora estamos dotados de tecnologia e ferramentas necessárias para poder monitorizá-los.

“Ainda não sabemos muito sobre o comportamento do polvo“, disse Chancellor. “Serão necessárias mais pesquisas para determinar o que estas acções podem significar”, concluiu.

O estudo foi publicado na revista Marine and Freshwater Behaviour and Physiology no dia 1 de Setembro de 2017.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
12 Junho, 2018

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596: Em 30 mil anos, a grande Barreira de Coral morreu cinco vezes

Hostelworld.com
Grande Barreira de Coral, Austrália

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, já morreu cinco vezes nos últimos 30 mil anos, devido a alterações no nível da água do mar.

A maior estrutura de organismos vivos do planeta já morreu e ressuscitou cinco vezes nos últimos 30 anos, sempre pela mesma causa: mudanças drásticas no nível médio da água do mar.

Segundo um estudo recente, duas dessas mortes aconteceram há 22 mil anos quando a Terra passava pela última era glacial e ocorreram porque o nível médio da água do mar diminuiu drasticamente. O facto de a água ter congelado, fez com que o nível da água do mar diminuísse, expondo a barreira à atmosfera – fazendo, assim, com que ela morresse.

Mas a barreira ressuscitou sempre. O biólogo Jody Webster acredita que, nos primeiros milhares de anos depois dessas mortes, alguns organismos conseguiram mover-se para regiões mais profundas e voltar à vida.

De acordo com o Observador, além do frio, os facto de os corais terem ficado submersos também condenou a Grande Barreira de Coral, dado que não conseguiram receber a luz do Sol. Aliás, foi isso que matou a barreira três vezes, algo que aconteceu há entre 17 mil e 10 mil anos.

Desta vez – e para não morrerem de vez – os organismos recuaram para zonas mais profundas onde conseguissem estar submersos mas, ao mesmo tempo, os raios solares pudessem entrar. Mil anos depois, a Grande Barreira de Coral conseguiu ressuscitar.

Os cientistas recolheram entre 30 a 40 metros de amostras directamente de 16 locais distintos da barreira. Depois de interpretar os resultados, Webster considera que “a barreira tem uma maior resiliência a longo prazo do que se pensava anteriormente mas a saúde a curto prazo é mais difícil de prever”.

“Com o branqueamento da Grande Barreira de Coral a que temos assistido ano após ano, diria que este estudo é um grande farol de esperança” para esta estrutura, numa altura em que as temperaturas estão a subir muito mais rapidamente do que nos últimos 30 mil anos, explica, citado pelo New Scientist.

O estudo, publicado recentemente na Nature Geoscience, destaca que o mais provável é que a Grande Barreira venha a morrer mais uma vez nos próximos milhares de anos, graças à era glacial que está a caminho e às consequências das alterações climáticas induzidas pelo Homem.

Mudanças na temperatura e na acidez do mar fazem com que os corais sofram um branqueamento, tornando-os mais susceptíveis a doenças. Sem tempo para recuperar, podem mesmo desaparecer para sempre.

Em Abril, o biólogo australiano Terry Hughes disse que “os nossos netos podem nunca ver a Grande Barreira do Coral a recuperar” das mudanças a que o ambiente está a ser sujeito. Aliás, 30% da barreira já está morta.

ZAP //

Por ZAP
31 Maio, 2018

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319: Desmatamento na Amazónia está a atingir ponto sem retorno

Dallas Krentzel / Flickr

A Amazónia aproxima-se perigosamente de um ponto “sem retorno”, que alcançaria se o desmatamento superar 20% da área original, afirmam dois biólogos da Fundação das Nações Unidas.

Num editorial publicado esta quarta-feira pela revista especializada “Science Advances”, o investigador norte-americano Thomas Lovejoy e o brasileiro Carlos Nobre garantiram que o desmatamento da Amazónia está perto de 17% da sua vegetação nos últimos 50 anos, e que o limite de 20% seria o abismo climático.

A Amazónia produz aproximadamente metade da suas chuvas ao reciclar a humidade na medida em que o ar se move a partir do Atlântico, através da América do Sul e rumo a oeste.

Esta humidade é importante para alimentar o ciclo da água da Terra de maneira mais ampla e afecta o bem-estar humano, a agricultura, as estações de seca e o comportamento da chuva em muitos países da América do Sul, segundo os especialistas.

Recentemente, factores como as mudanças climáticas, o desmatamento e o uso generalizado do fogo tiveram influência no ciclo natural da água nesta região, acrescentaram os biólogos.

Até agora, os estudos indicam que as interacções negativas entre esses factores significam que o sistema amazónico mudará para não florestal no leste, no sul e no centro da Amazónia se o desmatamento alcançar níveis que impactem em entre 20% e 25% da região.

De facto, segundo os especialistas, a gravidade das secas de 2005, 2010 e 2015 poderia representar os primeiros reflexos deste ponto de inflexão ecológica. Esses eventos, com as fortes inundações de 2009, 2012 e 2014, sugerem que o sistema está em oscilação.

Além disso, os factores de grande escala, como as temperaturas mais quentes da superfície do mar sobre o Atlântico Norte Tropical, também parecem estar associados com as mudanças na Terra.

Por esses motivos, Lovejoy e Nobre exigiram no artigo que se contenha a área desmatada abaixo de 20% da superfície original para evitar que se chegue a um ponto sem retorno na capacidade regenerativa dessa importante região.

ZAP // EFE

Por EFE
25 Fevereiro, 2018

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296: Vírus gigante pode ter desempenhado intrigante papel na evolução da vida

Matthew priteeboy / Deviant Art

Um vírus gigante pode ter desempenhado um papel chave na evolução de quase todas as formas de vida na Terra, segundo sugere uma análise da sua composição genética.

Num estudo publicado em Novembro na revista Epigenetic & Chromatin, um biólogo da Universidade de Iowa identificou uma família de vírus cujo conjunto de genes é similar ao dos eucariotas, uma classificação de organismos que inclui todas as plantas e animais.

A descoberta é importante porque ajuda a perceber como evoluíram os eucariotas depois da ramificação do procariotas há 2,000 milhões de anos.

“É emocionante e importante encontrar uma família viva de vírus gigantes com genes específicos de eucariotas numa forma anterior ao último antepassado comum a todos os eucariotas”, explicou num comunicado Albert Erives, professor associado no Departamento de Biologia. “Estes vírus são como máquinas do tempo que nos dizem mais sobre como era a vida no nosso planeta”.

No estudo, Erives analisou o genoma de uma família de vírus chamada Marseilleviridae e descobriu que partilha um conjunto similar de genes, chamados histonas centrais, com os eucariotas.

Isso coloca a Marseilleviridae, e quem sabe os seus parentes virais, em algum ponto da viagem evolutiva dos eucariotas.

“Agora sabemos que os eucariotas estão mais estreitamente relacionados com os vírus”, disse Erives, “e a razão é porque partilham as histonas centrais, que são fundamentais para os eucariotas”.

As histonas centrais são como embrulhadoras profissionais de presentes. São proteínas que, nos humanos, enrolam o ADN nos cromossomas, pelo que a informação genética vital é compacta e está protegida. Os procariotas não têm histonas centrais, pelo que de alguma maneira, em algum lugar, os eucariotas agarraram-nos.

Os vírus como Marseilleviridae podem ter sido a fonte. Uma explicação alternativa e igualmente fascinante é que um antepassado de Marseilleviridae recolheu este gene de um organismo proto-eucariótico, um intermediário entre procariotas e eucariotas.

Erives descobriu esta possível origem de uma maneira um pouco fortuita. Para uma tarefa de aula, pediu aos estudantes que investigassem vírus gigantes. Estes vírus, descobertos pela primeira vez em 2003, ainda que se acredite que existem há milhares de milhões de anos, são os gigantes do mundo dos vírus: são centenas de vezes maiores e estão cheios de centenas de genes a mais, em comparação com os vírus standard. A única família de vírus gigantes não escolhida pelos estudantes era, precisamente, Marseilleviridae pelo que Erives decidiu dar-lhe uma vista de olhos.

Quando analisou os genomas de Marseilleviridae nos dados proporcionados pelos Institutos Nacionais de Saúde, Erives notou que a família de vírus gigantes codifica as histonas eucarióticas H2B-H2A e H3-H4. Ao contrário dos eucariotas, no entanto, estas histonas centrais de Marseilleviridae fundiram-se primitivamente como proteínas diméricas.

“Quando vi isto, foi selvagem. Nunca ninguém tinha visto um vírus com histonas“, disse Erives.

Além disso, deu-se conta de que Marseilleviridae “não obteve estes genes de nenhuma linhagem eucariótica viva, mas de algum antepassado que era proto-eucariótico, ou em vias de se converter em eucariota. Até agora, não se conhecia nenhum organismo com genes de histonas centrais além das células eucariotas”, disse.

A descoberta semeia uma pergunta mais ampla sobre o papel que os vírus gigantes desempenharam na evolução de toda a vida na Terra.

“Os vírus gigantes têm genes que ninguém tinha visto antes”, disse. “E conservam-se. Têm estado a usá-los para algo e durante muito tempo. Porque não usá-los agora para ver o passado?”

ZAP // EuropaPress

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