1408: Há um imenso mundo de vida oculto nas profundezas da Terra (e tem bactérias “zombies”)

CIÊNCIA

Extreme Life Isyensya, Belgium
Este nemátodo vive a 1,4 quilómetros abaixo da superfície

Uma equipa internacional de cientistas identificou uma imensa “vida profunda” sob o fundo do mar, que inclui micróbios que podem permanecer nas profundezas durante milhares ou até mesmo milhões de anos, revelou uma nova investigação. 

Durante anos, biólogos e geólogos acreditaram que a vida na Terra estava confinada à superfície dos continentes, bem como aos mares, oceanos e leitos marítimos. Contudo, nos últimos anos tornou-se claro que os limites da biosfera são muito mais amplos.

“Há dez anos, pensávamos que a vida existia apenas em pequenos ‘cantos’ seleccionados da Terra. Agora sabemos que [a vida] é encontrada em praticamente todos os lugares. Podemos dizer que acabamos de começar a estudar esta ‘matéria escura’ da biosfera, a sua parte mais profunda”, disse Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, nos Estados Unidos, durante um encontro da União Geofísica Americana que decorreu em Washington.

Para esta descoberta, a equipa de cientistas, que trabalhou no âmbito do projecto de pesquisa internacional Deep Carbon Observatory (DCO), perfurou o fundo do mar a profundidades de 2,5 quilómetros, encontrando abundantes formas de vida até agora desconhecidas. Estas novas formas de vida persistem sob as mais severas condições, como temperaturas e pressões extremas.

Outro aspecto curioso nestes micro-organismos, frisaram os especialistas, é que estes permanecem “pouco vivos”, ou seja, estas formas de vida existem num estado de movimento muito lento, semelhante a um zombie.

Os especialistas concluíram que há mais biosfera profunda do que se pensava até então. A investigação descobriu que cerca de 70% das bactérias e arqueas do nosso planeta vivem no subsolo, sendo este ecossistema subterrâneo equivalente a 15.000 a 23.000 milhões de toneladas de carbono.

“A biosfera profunda da Terra é enorme”, considerou Rick Colwell, especialista da universidade norte-americana de Oregon, descrevendo as recentes descobertas como um “ecossistema muito empolgante e extremo”.

O investigador sublinhou a diversidade genética encontrada nas profundezas do mar, dando conta que a descoberta poderá ser importante para mapear outros lugares – dentro ou fora da Terra – que possam alojar vida.

“Existe uma diversidade genética de vida abaixo da superfície que é, pelo menos, igual e até talvez exceda a da superfície e nós não sabemos muito sobre isso”, afirmou Colwell, acrescentando que estudar a vida subterrânea “ajudará a perceber o que deve ser procurado noutros planetas ou noutros sistemas onde a vida pode existir”, rematou.

Para lá da Biologia

Em declarações ao diário britânico The Guardian, Karen Lloyd, da Universidade do Tennessee, disse, por sua vez, que a descoberta agora divulgada “é como encontrar um novo reservatório de vida na Terra“. “Uma parte imensa da vida está dentro da Terra e não em cima dela”, rematou o especialista.

Apesar da enorme descoberta, ficam ainda muitas perguntas por responder. Como é que a vida se coloniza a partir das profundezas? Como é que os micróbios interagem com os processos químicos? E, finalmente: o que é que tudo isto nos conta sobre o processo de co-evolução da vida e da própria Terra?

Segundo os cientistas, as descobertas vão para além da Biologia, entrando em campos da Filosofia e da Astrobiologia – área que estuda a vida extraterrestre -, nota ainda o diário.

“Devemos perguntar-nos: Se a vida na Terra pode ser assim tão diferente daquilo que a experiência nos levou a esperar, então que tipo de estranheza podemos esperar enquanto investigamos formas de vida noutros mundos?”, indagou Robert Hazen, mineralogista da Instituição de Carnegie, nos Estados Unidos para a Ciência.

SA, ZAP // SputnikNews; RT

Por SA
12 Dezembro, 2018

 

1401: Descoberta espécie de salamandra que respira através de “árvores de Natal”

CIÊNCIA

Pierson Hill
Um espécime adulto da nova espécie identificada

Uma equipa de biólogos norte-americanos identificou uma nova espécie de salamandra num anfíbio que, até agora, só foi encontrado em três locais nos estados norte-americanos da Florida e do Alabama. 

De acordo com a Universidade Estadual do Texas, cujos investigadores são co-autores da descoberta, esta é a primeira espécie descoberta em quase meio século.

Durante décadas, a existência deste animal era considerado apenas um boato. Os habitantes locais chamavam estes anfíbios de “enguia-leopardo”, por causa das manchas escuras que cobrem a sua pele. Os cientistas admitem as semelhanças visuais, mas o apelido não está nada relacionado com o grupo que o animal ocupa no reino animal, uma vez que a espécie em causa não é um peixe.

Trata-se de um anfíbio, apesar de passar praticamente toda a sua vida em água doce. O espécime encontrado tem muitas características em comum com o axolote do México, especialmente devido às guelras em forma de ramos que possui, a que alguns internautas compararam com um árvore de natal.

A grande diferença do seu “primo” mexicano, está relacionada com o facto de ter dois membros dianteiros e nenhum posterior. De acordo com os cientistas, este animal pode atingir um metro de comprimento, um valor muito superior ao já registado pelos axolotes.

Pierson Hill

A equipa, que descreveu a descoberta num artigo científico publicado esta quinta-feira na revista PLOS One, apelidou a espécie de Siren reticulata.

Do ponto de vista genético, é “irmã” de todas as espécies de salamandras cujo genoma foi sequenciado. No entanto, o seu habitat é muito restrito, consistindo em vários rios e lagos do extremo noroeste da Florida e do sul do Alabama. Os biólogos consideram urgente um estudo sobre sua a distribuição e ecologia.

“Não só poderíamos encontrar uma nova espécie interessante, mas também encontramos outro lembrete de que o livro da vida tem ainda muitas páginas para escrever”, disse o biólogo texano Sean Graham. A análise genética praticada nas novas espécies de Sireae, de acordo com estimativa do cientistas, torna altamente provável que outras salamandras deste tipo sejam descobertas

ZAP // RT

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

 

1067: Lagoa cor-de-rosa em Espanha alimenta esperança de vida em Marte

Europlanet / F Gómez / R Thombre
A lagoa tem uma tonalidade cor-de-rosa devido às células vermelhas das algas Dunaliella salina

Uma equipa de biólogos descobriu um micro-organismo incomum numa lagoa cor-de-rosa na Espanha, capaz de sobreviver em Marte. Este microrganismo pode ser o primeiro colonizador do Planeta Vermelho.

Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, realizado em Berlim, na Alemanha.

A bióloga Rebecca Thombre, do Colégio Moderno de Artes, Ciências e Comércio da cidade indiana de Puna, e o doutor em ciências biológicas Felipe Gomes, do Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha, recolheram amostras da laguna de Pena Hueca e constataram que a tonalidade cor-de-rosa da lagoa se deve às células vermelhas das algas Dunaliella salina EP-1 – organismos até agora desconhecidos da Ciência.

Segundo Thombre, estas algas são seres extremófilos – organismos que sobrevivem em condições extremas – e são, até ao momento, as mais tolerantes já encontradas.

Os cientistas sublinham que, na maioria dos casos, os microrganismos não toleram “ambientes hipersalinos“, já que nestas condições a água necessária para que as suas células funcionem “tende a sair” através da membrana celular.

No entanto, a Dunaliella salina EP-1, e tal como o próprio nome indica, consegue sobreviver em condições salinas porque a lagoa Pena Hueca produz moléculas como o glicerol que criam um análogo de alta concentração de sal no interior das suas células, impedindo assim a perda de água.

As amostras vermelhas das algas num cristal de sal

Os biólogos também conseguiram identificar uma bactéria halofílica, a Halomonas gomseomensis PLR-1 numa pedra cor-de-rosa submersa na lagoa, rica em sulfatos.

O estudo deste microrganismo pode fornecer pistas vitais para compreender o papel dos sulfatos no crescimento microbiano e a litopanspermia – teoria segundo a qual os organismos podem ser transferidos através das pedras de um planeta para outro.

“A resistência dos extremófilos na Terra a condições semelhantes às de Marte demonstra o seu potencial para prosperar em solo marciano”, sustentou Gomez, ressaltando que a descoberta “tem implicações para a protecção planetária, assim como para o modo como as algas poderiam ser usadas para ‘terraformar’ Marte“, isto é, criar condições para que o Planeta Vermelho conseguisse acolher vida.

Por SN
24 Setembro, 2018

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717: O nosso homem na Antárctida

 

Foi pela primeira vez em 1999 ao continente austral. Duas décadas depois, é um cientista polar veterano, com participação em dez expedições. É José Xavier, o delegado português nas reuniões do Tratado da Antárctida, que Portugal assinou em 2010.

José Xavier
© José Xavier

A primeira coisa é o frio. Fica frio a valer. Depois, de repente, surge o primeiro icebergue: um pequeno pedaço de gelo, a boiar. Seguem-se outros, cada vez maiores – alguns com vários quilómetros de comprimento, e o navio passa de largo. E chega o dia em que um albatroz solitário cruza o céu, num voo elegante. É o primeiro sinal de terra. As ilhas Bird, da Antártida, com as suas colónias de pinguins, focas, lobos-marinhos, albatrozes… já estão próximas. Um mundo gelado a fervilhar de vida.

É assim a chegada: uma emoção. E, estar lá, uma novidade constante, por mais que se retorne, como tem feito o investigador português da Universidade de Coimbra José Xavier, desde há duas décadas, para estudar as comunidades animais e o impacto das alterações climáticas na sua ecologia.

Vinte anos e nove expedições (muitas de oito meses consecutivos), a influência das alterações climáticas no delicado equilíbrio daquele local remoto e tão especial – “mágico”, diz José Xavier – é para ele e para o resto da comunidade científica uma certeza, evidente nos muitos pequenos sinais. O aumento da temperatura média do ar e do oceano, o ritmo crescente do degelo na península e nas ilhas antárcticas, as alterações na distribuição de espécies, a redução progressiva, e a acelerar, do permafrost (o solo gelado), este o resultado de estudos liderados, desde 2000, por outro português, Gonçalo Vieira, da Universidade de Lisboa.

Esta transformação, que está a acontecer em directo, perante os olhos dos cientistas, levou nove de entre eles, incluindo José Xavier, especialistas em diferentes áreas, a lançar há duas semanas um alerta na revista Nature. Assim, sem rodeios: resta-nos uma estreita janela de dez anos para salvar a Antárctida… e o resto do planeta.

Os investigadores mostram, com dois cenários climáticos plausíveis, que se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem como até agora durante a próxima década, haverá grandes alterações na Antárctida no próximo meio século, “que a partir de certo ponto se tornam irreversíveis”, com a aceleração do degelo, e que vão repercutir-se “por todo o planeta”, explica José Xavier. Há uma escolha pela frente, e o tempo corre.

O som, o silêncio e o ciclo da vida
“A primeira vez é isso mesmo, mas a cada regresso, há sempre coisas novas”, confessa, com um sorriso, o investigador da Universidade de Coimbra que, desde o ano passado, é ali também professor auxiliar, no departamento de Ciências da Vida, onde já criou uma equipa de quase uma dezena de jovens cientistas polares.

Da última vez que José Xavier esteve no remoto continente austral, no ano passado, uma das novidades foi esta: conseguiu ver pela primeira vez ao vivo uma espécie de lula que até agora só conhecia pelos dentes, que é aquilo que fica depois de as aves que se alimentam delas terem comido o resto.

Esses dentes impossíveis de digerir pelos robustos estômagos das aves antárcticas têm servido desde o início ao cientista português e à sua equipa nacional e internacional para estudar a ecologia de várias espécies de aves e perceber a sua evolução de acordo com a disponibilidade do alimento. Neste caso, as lulas, base da alimentação das aves locais. José Xavier tem estudado a evolução desse delicado equilíbrio para avaliar o que pode estar em causa no mundo mais quente que aí vem.

“Levei 20 anos para ver a lula inteira”, conta divertido. “Usámos uma nova técnica para apanhar lulas maiores, e conseguimos, mas isto também significa que estas espécies ainda estão muito pouco estudadas e que há muito mais para conhecer.” Por isso, cada expedição – a palavra, com todo o peso de viagem a um mundo quase intocado, ainda é essa – é única e sempre recheada de coisas novas.

Foi em 1999, com apenas 23 anos, que José Xavier rumou pela primeira vez à Antárctida. Tinha concluído a licenciatura em Biologia Marinha no ano anterior, na Universidade do Algarve, já a trabalhar como investigador na British Antarctic Survey (BAS), em Cambridge, no Reino Unido, e acabou por ficar mais um ano, a convite do instituto. Depois “aconteceu tudo naturalmente”, como ele diz. Uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a colaboração da BAS, que ainda hoje se mantém, foram o passaporte para essa primeira expedição. “Aqueles oito meses voaram”, lembra. Era a ciência, sim, o trabalho intensivo no campo e o novo conhecimento. Mas também o silêncio mágico do lugar, o ciclo da vida a revelar-se na mudança do verão para o inverno, os animais sem medo dos humanos, o esplendor do dia e da quase noite, a rotina na base, com os turnos da cozinha e da limpeza, e a camaradagem com os quatro ou cinco companheiros, todos dependentes uns dos outros nos pormenores do dia-a-dia. O hospital mais próximo fica a mais de mil quilómetros e não há transporte para lá. “Ficamos pessoas melhores”, resume José Xavier com simplicidade. Como não voltar?

Diário de Notícias
01/07/2018

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641: Biólogos encontraram uma nova cidade submarina de polvos

No final do ano passado, um grupo de cientistas descobriu uma pequena cidade de polvos – chamada de Octlantis. A descoberta sugere que talvez os membros das sombrias espécies de polvos (Octopus tetricus) não sejam criaturas tão isoladas e solitárias como pensávamos. 

Octlantis tem cavernas feitas com pilhas de areia e conchas e abriga até 15 cefalópodes, de acordo com os biólogos marinhos. Os investigadores gravaram 10 horas de vídeo do local, que se localiza entre 10 a 15 metros de profundidade e mede 18 por 4 metros.

Nas gravações feitas, a equipa de investigação internacional observou os polvos a reunirem, a conviver, a comunicar uns com os outros, a perseguir os povos indesejados, chegando mesmo a expulsarem-se uns aos outros das tocas – ao que parece, Octlantis pode ser um lugar difícil para viver.

“Estes comportamentos são produto da selecção natural e podem ser notavelmente semelhantes ao complexo social dos vertebrados”, disse David Scheel, da Universidade do Pacífico do Alasca.

“Isto sugere que quando as condições certas estão reunidas, a evolução pode produzir resultados muito semelhantes em diversos grupos de organismos”, explicou.

A nova cidade de polvos encontrada fica em Jervis Bay, no litoral do leste da Austrália, e está localizada perto de um outro local semelhante, descoberto em 2009, chamado de Octopolis – onde os cientistas viram uma espécie de Fight Club em versão polvo.

Para aumentar a sensação de ilegalidade, os investigadores também descobriram conchas de presas comidas espalhadas pela cidade, sendo, às vezes, utilizadas para construir as cavernas.

Ambas as cidades descobertas sugerem que os polvos Octopus tetricus não são exactamente tão solitários como sempre foram retratados, mas o que ainda não se sabe é se estas pequenas cidades-polvo são particularmente comuns ou como começaram exactamente.

A cidade de Octopolis parece estar centrada num objecto não identificado, com cerca de 30 centímetros de comprimento, feito pelo Homem, mas não há nenhum objecto óbvio comparável na cidade de Octlantis, onde as criaturas parecem ter-se instalado.

Em vez disso, a comunidade pode ter sido projectada em torno de pedras que atraíram os animais para a área, segundo os cientistas.

“Em ambos os locais, existiam características que acreditamos que podem ter tornado a congregação possível – ou seja, vários afloramentos rochosos do fundo do mar pontilharam uma área plana e sem traços característicos”, disse Stephanie Chanceler, uma das cientistas da equipa, da Universidade de Illinois.

David Scheel / Current Biology
Octlantis pode ser um lugar difícil para viver

Normalmente, os polvos apenas se reúnem para acasalar antes de seguirem caminhos separados novamente. Os investigadores acreditam que mais pesquisas precisam de ser realizadas para perceber por que motivo os polvos se querem relacionar em locais como Octlantis.

Há abundância de comida nos dois locais, mas estas zonas são também atractivas para os predadores e, de acordo com as observações realizadas até agora, a Octlantis parece ser um lugar bastante violento e agressivo.

Uma das hipóteses aponta que este tipo de assentamentos de polvos sempre existiu, mas só agora estamos dotados de tecnologia e ferramentas necessárias para poder monitorizá-los.

“Ainda não sabemos muito sobre o comportamento do polvo“, disse Chancellor. “Serão necessárias mais pesquisas para determinar o que estas acções podem significar”, concluiu.

O estudo foi publicado na revista Marine and Freshwater Behaviour and Physiology no dia 1 de Setembro de 2017.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
12 Junho, 2018

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596: Em 30 mil anos, a grande Barreira de Coral morreu cinco vezes

Hostelworld.com
Grande Barreira de Coral, Austrália

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, já morreu cinco vezes nos últimos 30 mil anos, devido a alterações no nível da água do mar.

A maior estrutura de organismos vivos do planeta já morreu e ressuscitou cinco vezes nos últimos 30 anos, sempre pela mesma causa: mudanças drásticas no nível médio da água do mar.

Segundo um estudo recente, duas dessas mortes aconteceram há 22 mil anos quando a Terra passava pela última era glacial e ocorreram porque o nível médio da água do mar diminuiu drasticamente. O facto de a água ter congelado, fez com que o nível da água do mar diminuísse, expondo a barreira à atmosfera – fazendo, assim, com que ela morresse.

Mas a barreira ressuscitou sempre. O biólogo Jody Webster acredita que, nos primeiros milhares de anos depois dessas mortes, alguns organismos conseguiram mover-se para regiões mais profundas e voltar à vida.

De acordo com o Observador, além do frio, os facto de os corais terem ficado submersos também condenou a Grande Barreira de Coral, dado que não conseguiram receber a luz do Sol. Aliás, foi isso que matou a barreira três vezes, algo que aconteceu há entre 17 mil e 10 mil anos.

Desta vez – e para não morrerem de vez – os organismos recuaram para zonas mais profundas onde conseguissem estar submersos mas, ao mesmo tempo, os raios solares pudessem entrar. Mil anos depois, a Grande Barreira de Coral conseguiu ressuscitar.

Os cientistas recolheram entre 30 a 40 metros de amostras directamente de 16 locais distintos da barreira. Depois de interpretar os resultados, Webster considera que “a barreira tem uma maior resiliência a longo prazo do que se pensava anteriormente mas a saúde a curto prazo é mais difícil de prever”.

“Com o branqueamento da Grande Barreira de Coral a que temos assistido ano após ano, diria que este estudo é um grande farol de esperança” para esta estrutura, numa altura em que as temperaturas estão a subir muito mais rapidamente do que nos últimos 30 mil anos, explica, citado pelo New Scientist.

O estudo, publicado recentemente na Nature Geoscience, destaca que o mais provável é que a Grande Barreira venha a morrer mais uma vez nos próximos milhares de anos, graças à era glacial que está a caminho e às consequências das alterações climáticas induzidas pelo Homem.

Mudanças na temperatura e na acidez do mar fazem com que os corais sofram um branqueamento, tornando-os mais susceptíveis a doenças. Sem tempo para recuperar, podem mesmo desaparecer para sempre.

Em Abril, o biólogo australiano Terry Hughes disse que “os nossos netos podem nunca ver a Grande Barreira do Coral a recuperar” das mudanças a que o ambiente está a ser sujeito. Aliás, 30% da barreira já está morta.

ZAP //

Por ZAP
31 Maio, 2018

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319: Desmatamento na Amazónia está a atingir ponto sem retorno

Dallas Krentzel / Flickr

A Amazónia aproxima-se perigosamente de um ponto “sem retorno”, que alcançaria se o desmatamento superar 20% da área original, afirmam dois biólogos da Fundação das Nações Unidas.

Num editorial publicado esta quarta-feira pela revista especializada “Science Advances”, o investigador norte-americano Thomas Lovejoy e o brasileiro Carlos Nobre garantiram que o desmatamento da Amazónia está perto de 17% da sua vegetação nos últimos 50 anos, e que o limite de 20% seria o abismo climático.

A Amazónia produz aproximadamente metade da suas chuvas ao reciclar a humidade na medida em que o ar se move a partir do Atlântico, através da América do Sul e rumo a oeste.

Esta humidade é importante para alimentar o ciclo da água da Terra de maneira mais ampla e afecta o bem-estar humano, a agricultura, as estações de seca e o comportamento da chuva em muitos países da América do Sul, segundo os especialistas.

Recentemente, factores como as mudanças climáticas, o desmatamento e o uso generalizado do fogo tiveram influência no ciclo natural da água nesta região, acrescentaram os biólogos.

Até agora, os estudos indicam que as interacções negativas entre esses factores significam que o sistema amazónico mudará para não florestal no leste, no sul e no centro da Amazónia se o desmatamento alcançar níveis que impactem em entre 20% e 25% da região.

De facto, segundo os especialistas, a gravidade das secas de 2005, 2010 e 2015 poderia representar os primeiros reflexos deste ponto de inflexão ecológica. Esses eventos, com as fortes inundações de 2009, 2012 e 2014, sugerem que o sistema está em oscilação.

Além disso, os factores de grande escala, como as temperaturas mais quentes da superfície do mar sobre o Atlântico Norte Tropical, também parecem estar associados com as mudanças na Terra.

Por esses motivos, Lovejoy e Nobre exigiram no artigo que se contenha a área desmatada abaixo de 20% da superfície original para evitar que se chegue a um ponto sem retorno na capacidade regenerativa dessa importante região.

ZAP // EFE

Por EFE
25 Fevereiro, 2018

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296: Vírus gigante pode ter desempenhado intrigante papel na evolução da vida

Matthew priteeboy / Deviant Art

Um vírus gigante pode ter desempenhado um papel chave na evolução de quase todas as formas de vida na Terra, segundo sugere uma análise da sua composição genética.

Num estudo publicado em Novembro na revista Epigenetic & Chromatin, um biólogo da Universidade de Iowa identificou uma família de vírus cujo conjunto de genes é similar ao dos eucariotas, uma classificação de organismos que inclui todas as plantas e animais.

A descoberta é importante porque ajuda a perceber como evoluíram os eucariotas depois da ramificação do procariotas há 2,000 milhões de anos.

“É emocionante e importante encontrar uma família viva de vírus gigantes com genes específicos de eucariotas numa forma anterior ao último antepassado comum a todos os eucariotas”, explicou num comunicado Albert Erives, professor associado no Departamento de Biologia. “Estes vírus são como máquinas do tempo que nos dizem mais sobre como era a vida no nosso planeta”.

No estudo, Erives analisou o genoma de uma família de vírus chamada Marseilleviridae e descobriu que partilha um conjunto similar de genes, chamados histonas centrais, com os eucariotas.

Isso coloca a Marseilleviridae, e quem sabe os seus parentes virais, em algum ponto da viagem evolutiva dos eucariotas.

“Agora sabemos que os eucariotas estão mais estreitamente relacionados com os vírus”, disse Erives, “e a razão é porque partilham as histonas centrais, que são fundamentais para os eucariotas”.

As histonas centrais são como embrulhadoras profissionais de presentes. São proteínas que, nos humanos, enrolam o ADN nos cromossomas, pelo que a informação genética vital é compacta e está protegida. Os procariotas não têm histonas centrais, pelo que de alguma maneira, em algum lugar, os eucariotas agarraram-nos.

Os vírus como Marseilleviridae podem ter sido a fonte. Uma explicação alternativa e igualmente fascinante é que um antepassado de Marseilleviridae recolheu este gene de um organismo proto-eucariótico, um intermediário entre procariotas e eucariotas.

Erives descobriu esta possível origem de uma maneira um pouco fortuita. Para uma tarefa de aula, pediu aos estudantes que investigassem vírus gigantes. Estes vírus, descobertos pela primeira vez em 2003, ainda que se acredite que existem há milhares de milhões de anos, são os gigantes do mundo dos vírus: são centenas de vezes maiores e estão cheios de centenas de genes a mais, em comparação com os vírus standard. A única família de vírus gigantes não escolhida pelos estudantes era, precisamente, Marseilleviridae pelo que Erives decidiu dar-lhe uma vista de olhos.

Quando analisou os genomas de Marseilleviridae nos dados proporcionados pelos Institutos Nacionais de Saúde, Erives notou que a família de vírus gigantes codifica as histonas eucarióticas H2B-H2A e H3-H4. Ao contrário dos eucariotas, no entanto, estas histonas centrais de Marseilleviridae fundiram-se primitivamente como proteínas diméricas.

“Quando vi isto, foi selvagem. Nunca ninguém tinha visto um vírus com histonas“, disse Erives.

Além disso, deu-se conta de que Marseilleviridae “não obteve estes genes de nenhuma linhagem eucariótica viva, mas de algum antepassado que era proto-eucariótico, ou em vias de se converter em eucariota. Até agora, não se conhecia nenhum organismo com genes de histonas centrais além das células eucariotas”, disse.

A descoberta semeia uma pergunta mais ampla sobre o papel que os vírus gigantes desempenharam na evolução de toda a vida na Terra.

“Os vírus gigantes têm genes que ninguém tinha visto antes”, disse. “E conservam-se. Têm estado a usá-los para algo e durante muito tempo. Porque não usá-los agora para ver o passado?”

ZAP // EuropaPress

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