4932: Pela primeira vez, foram encontradas girafas anãs na natureza

CIÊNCIA/BIOLOGIA

– Vídeo editado em modo captura de écran por não estar disponível o link original.

Uma equipa de investigadores detectou, pela primeira vez, girafas anãs na natureza. Segundo os biólogos, a condição parece ser muito rara.

Durante a realização de um levantamento fotográfico da população de girafas no Parque Nacional de Murchison Falls, no Uganda, um grupo de investigadores detectou algo incomum. Uma das girafas selvagens parecia um pouco diferente das outras, com pernas notavelmente mais curtas, apesar de ter o que parecia ser um tamanho corporal sub-adulto.

Depois, enquanto realizavam um trabalho semelhante na Namíbia, avistaram uma segunda girafa selvagem com anormalidades morfológicas semelhantes.

Os bezerros das girafas amadurecem totalmente com entre três e seis anos de idade e acredita-se que esta segunda girafa tenha nascido em 2014, o que significa que este indivíduo deveria ter o comprimento das pernas de um adulto.

Os cientistas acreditam que ambas as girafas são afectadas por uma condição semelhante à displasia esquelética – um termo genérico para doenças que afectam o comprimento dos membros, incluindo nanismo.

Medir a altura de uma girafa não é fácil para um ser humano comparativamente pequeno com uma fita métrica. Além disso, é importante que a recolha de dados não seja invasiva, uma vez que interromper estas animais pode ter consequências negativas no seu comportamento ou sobrevivência.

Para superar isso, foi desenvolvido um método para medir elefantes chamado foto-grametria. A técnica usa um telémetro a laser para medir a distância entre os recursos de interesse. Medindo a distância entre os pixeis digitais na foto e comparando-os com o tamanho real do recurso focal, podem fornecer medições precisas de fotografias de animais grandes, incluindo girafas.

Ao comparar esses dados morfométricos, os cientistas conseguiram estabelecer que as duas girafas que pareciam anormalmente pequenas tinham de facto alturas significativamente diferentes da média de cada população de girafas.

A girafa no Uganda tinha uma falange – segmento mais inferior da perna – com aproximadamente o mesmo comprimento que as outras girafas, mas esta parte da perna da girafa namibiana era significativamente mais curta, cada uma medindo 21,2 centímetros e 15,8 centímetros, respectivamente. Ambas tinham medidas metacarpais e radiais abaixo da média.

Por outro lado, a girafa de Uganda compensava parte da sua baixa estatura com um pescoço que era um pouco mais longo do que o de uma girafa sub-adulta, com quase 1,5 metros em comparação com os normais 1,4 metros. Neste aspecto, a girafa namibiana voltou a ficar abaixo da média.

Segundo os investigadores, esta é a primeira vez que este tipo de displasia esquelética foi relatado em girafas selvagens – e o fenómeno também não parece ter sido testemunhado em nenhum animal em cativeiro.

É difícil deduzir o quão comum é na natureza a partir de pesquisas fotográficas. Porém, o facto de os cientistas não terem conseguido encontrar nenhum membro da comunidade científica e de jardins zoológicos que já tenham visto esta condições em girafas indica que é provavelmente muito raro.

Mas porque é que estes dois animais não desenvolveram as longas pernas características das girafas? “É difícil dizer com certeza, mas especulamos que essas displasias esqueléticas podem estar associadas a algum distúrbio genético, já que o surgimento de displasias esqueléticas costumam estar enraizadas em etiologias moleculares”, disse Michael B Brown, biólogo conservacionista da Giraffe Conservation Foundation, em declarações ao IFLScience.

Este estudo foi publicado em Dezembro na revista científica BMC Research Notes.

Por Maria Campos
10 Janeiro, 2021


4891: Um dos ecossistemas mais isolados do mundo ganhou um novo “rei”

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Mihai Baciu / GESS LAB / Mangalia
A centopeia troglobite Cryptops speleorex

Cientistas identificaram o maior animal de sempre já descoberto na caverna de Movile, no sudeste da Roménia. Foi baptizado de “rei da caverna”.

A caverna de Movile, no sudeste da Roménia, foi descoberta em 1986 e, para além de estar imersa na escuridão, o ar é denso e repleto de gases venenosos. Apesar de tudo, existe vida dentro dela e, agora, conta o Science Alert, cientistas identificaram a maior criatura de sempre já encontrada neste local.

Trata-se de uma centopeia troglobite, que recebeu o nome de Cryptops speleorex e que cresce até 52 milímetros de comprimento e é a 35.ª espécie endémica encontrada nesta caverna romena.

“A centopeia que descrevemos é um predador venenoso, de longe o maior dos animais já encontrados nesta caverna. Pensando na sua posição superior neste sistema subterrâneo, decidimos chamar a espécie Cryptops speleorex, que pode ser traduzido como ‘rei da caverna’”, explicaram os investigadores, cujo estudo foi publicado a 16 de Dezembro, na revista científica ZooKeys.

Segundo o mesmo site, outras das criaturas já encontradas nas profundezas de Movile incluem escorpiões aquáticos, sanguessugas e aranhas minúsculas – todas dependentes dos nutrientes fornecidos pela oxidação de gases, incluindo metano e enxofre.

Esta caverna é o único ecossistema do mundo que conta com este tipo de quimiossíntese. Além disso, como não recebe qualquer luz há milhões de anos, muitos dos animais nas suas profundezas são cegos e completamente incolores.

Com cerca de metade do nível normal de oxigénio no ar e bastante sulfeto de hidrogénio, metano, amoníaco e dióxido de carbono, as deslocações dos investigadores à caverna têm de ser breves.

Apenas um pequeno número de cientistas a visita, até porque envolve uma descida de 20 metros por uma corda, escalar entre espaços apertados para chegar à caverna central e até mesmo nadar ao longo de canais submersos.

Por Filipa Mesquita
30 Dezembro, 2020


4813: Descoberta periodicidade das extinções em massa. Andam de “mãos dadas” com asteróides e vulcões

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/VULCANOLOGIA

(dr)

As extinções em massa terrestres, que incluem anfíbios, répteis, mamíferos e aves, ocorrem em ciclos de 27 milhões de anos, concluiu uma nova investigação da Universidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos.

Os resultados da nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista a Historical Biology, estão em linha com as extinções em massa da vida oceânica estudadas anteriormente, que ocorrem em intervalos de 26,4 a 27,3 milhões de anos.

Em comunicado, a equipa da universidade norte-americana explica ainda que o estudo evidenciou ainda que estas extinções estão directamente relacionadas com os principais impactos de asteróidesgrandes fenómenos vulcânicos.

“Parece que os impactos de grandes corpos e os pulsos de actividade interna da Terra que criam o vulcanismo de basalto podem estar a marchar ao mesmo ritmo de 27 milhões de anos do que as extinções massivas terrestres, talvez compassados pela nossa órbita na galáxia”, disse Michael Rampino, professor do Departamento de Biologia da Universidade de Nova Iorque e principal autor do estudo.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas analisaram extinções em massa de animais terrestres e levaram a cabo novas análises estatísticas.

“Estas novas descobertas sobre extinções em massa coincidentes e repentinas na terra e nos oceanos, e o ciclo comum de 26 a 27 milhões de anos, dão crédito à ideia de que eventos catastróficos globais periódicos são os gatilhos de extinções”, continuo Rampino.

“Na verdade, já se sabe que três das mortes mais massivas de espécies em terra e mar ocorreram ao mesmo tempo dos três maiores impactos dos últimos 250 milhões de anos, cada um capaz de causar um desastre global e consequentes extinções em massa”.

Conhecem-se, a partir do registo fóssil, cinco grandes extinções em massa.

Há cerca de 443 milhões de anos, no final do período Ordoviciano, 86% de todas as espécies marinhas desapareceram. Há cerca de 360 ​​milhões de anos, no final do período geológico Devoniano, 75% de todas as espécies foram extintas.

Em igual sentido, há cerca de 250 milhões de anos, no final do período Permiano, a taxa de extinção rondava os 96%, sendo considerada a pior de sempre.

Já no final do período Triásico, há cerca de 201 milhões de anos, 80% de todas as espécies desapareceram, enquanto no final do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos, 76% de todas as espécies foram dizimadas, incluindo os dinossauros.

ZAP //

Por ZAP
15 Dezembro, 2020

 

4732: A mais recente espécie de macaco foi encontrada em laboratório e não numa expedição

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Aung Ko Lin / Fauna & Flora International
Popa langur (Trachypithecus popa).

A nova espécie de macaco, o Popa langur, foi descoberta em laboratório. Ao contrário do que se possa pensar, muitas das espécies descobertas não são encontradas numa expedição.

A descoberta do Popa langur, um macaco encontrado no centro de Mianmar, foi anunciada recentemente por cientistas. Estima-se que existam apenas 200-250 desses macacos, o que provavelmente significa que a nova espécie está classificada como “espécie em perigo crítico de extinção”.

Esta descoberta foi anunciada apenas uma semana ou mais depois de duas novas espécies de Petauroides volans – um marsupial planador – foram identificadas na Austrália. Mas o que é que os cientistas querem dizer quando anunciam a descoberta de “novas” espécies de mamíferos? Estes animais eram realmente desconhecidos da ciência?

É importante esclarecer que estas não eram espécies previamente invisíveis descobertas por um explorador intrépido. Em vez disso, esses animais foram identificados como um grupo geneticamente distinto dentro de uma população já conhecida. Na realidade, a população local vive com esses animais há gerações e tem as suas próprias maneiras de identificar e classificar as espécies.

Quando os investigadores anunciam uma espécie recém-definida com base em evidências genéticas, geralmente significa que elevaram uma subespécie já definida ao nível de espécie.

O recém-descrito Popa langur foi descoberto através de um estudo filogenético que procurou entender melhor as relações evolutivas entre as 20 espécies conhecidas do género Trachypithecus. Os cientistas usaram amostras fecais de langures selvagens e amostras de tecidos de espécimes de museu para esclarecer as relações taxonómicas entre o género.

Um grupo de langures destacou-se. A evidência genética mostrou que havia claras variedades ocidentais e orientais, mas que uma população central não se encaixava em nenhuma delas. As variedades ocidentais e orientais, que anteriormente eram chamadas de subespécies de langur de Phayre, foram então elevadas ao nível de espécie.

A população restante foi chamada de Trachypithecus popa – o Popa langur, em homenagem ao Monte Popa. Esta espécie recém-definida vive em quatro populações distintas e está em risco de extinção devido ao seu pequeno número, ao desmatamento e aos efeitos da agricultura e extracção de madeira.

Pode ser uma surpresa saber que uma espécie recém-descoberta está em risco de extinção, mas isso geralmente acontece com as reclassificações genéticas. As duas subespécies anteriormente mencionadas a partir das quais o Popa langur foi identificado já foram classificadas como “em perigo” de acordo com os critérios da lista vermelha oficial da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

O Popa langur ainda não foi classificado, mas os autores do estudo sugerem que ele deve se enquadrar na categoria de “em risco crítico de extinção”, devido à sua população pequena e fragmentada e ao habitat limitado de que dispõe.

Por ZAP
1 Dezembro, 2020


4719: Lulas gigantes estão a deixar enormes cicatrizes em tubarões brancos

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Becerril-García et al. 2020

Cientistas marinhos encontraram evidências que sugerem que grandes tubarões brancos (Carcharodon carcharias) estão a ser atacados por lulas gigantes no Oceano Pacífico.

Uma equipa de investigadores encontrou 14 tubarões brancos (Carcharodon carcharias) com evidências de cicatrizes causadas por lulas gigantes no México.

O estudo, recentemente publicado na Nature, indica que os cientistas marinhos examinaram 14 tubarões brancos com cicatrizes ao longo de cinco anos, entre 2008 e 2019. A maioria dos espécimes ainda não tinha atingido a idade adulta na altura e as marcas apareceram quase que universalmente na cabeça e tronco dos animais.

Segundo o All That’s Interesting, os ataques aconteceram próximo da Ilha de Guadalupe e é um fenómeno que, segundo os investigadores, tem acontecido nas águas do Oceano Pacífico Norte.

Com os cefalópodes – animais marinhos como lulas, polvos e chocos – constituem cerca de 50% da dieta de algumas espécies de tubarões, os cientistas sugerem que os ferimentos são provocados durante a tentativa de caça. “O consumo de cefalópodes pode ser essencial na dieta do tubarão branco por permitir uma rápida digestão e absorção devido à grande quantidade de proteínas e baixo teor de lípidos presentes nesse grupo de invertebrados”, escreveram no artigo.

As lulas gigantes vivem a uma profundidade entre os 200 e 1.000 metros. Em busca de uma refeição, os tubarões brancos mergulham nestas profundidades, um comportamento comum principalmente entre os adultos e “adolescentes”, numa região onde a luz do Sol não chega.

“O facto de a lula causar estas marcas nos tubarões sugere um encontro extremamente agressivo entre predador e presa, no qual as cicatrizes defensivas se projectam na cabeça, guelras e corpo do tubarão branco”, escreveram os autores do artigo científico, alertando que, em alguns casos, podem gerar feridas abertas e de alta intensidade.

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26 Novembro, 2020


4718: Há uma planta que evoluiu para se “esconder” do Homem

CIÊNCIA/BOTÂNICA

Yang Niu

Uma planta utilizada na medicina tradicional chinesa evoluiu, mudando a própria pigmentação, para se tornar menos visível ao Homem, sugere uma nova investigação, dando conta que em causa está uma estratégia de sobrevivência.

O estudo, levado a cabo pelo Instituto de Botânica Kunming (Academia Chinesa de Ciências) e pela Universidade de Exeter (Reino Unido), descobriu que as plantas Fritillaria delavayi, que vivem nas montanhas de Hengduan, na China, são mais semelhantes ao ambiente que as rodeia nas áreas onde são abundantemente colhidas.

As evidências indicam que o Homem está a “alimentar” a evolução desta espécie.

Na prática, explica o portal Eureka Alert, estes espécimes estão a assumir novas tonalidades porque plantas melhor camufladas têm uma maior probabilidade de sobreviver.

“É notável ver como é que os humanos podem ter um impacto tão directo e dramático na coloração de organismos selvagens, não só na sua sobrevivência, mas também na sua própria evolução”, afirmou o professor Martin Stevens, da Universidade de Exeter.

“Muitas plantas parecem recorrem à camuflagem para se esconder de herbívoros que podem comê-las, mas aqui vemos que a camuflagem evoluir em resposta ao humanos colectores (…) Os humanos podem ter conduzido a evolução das estratégias defensivas noutras espécies de plantas, mas, surpreendentemente, poucas investigações analisaram essa tendência”, acrescentou o especialista.

Fritillaria delavayi é uma erva perene (com um ciclo de vida é longo) que possui folhas, que variam desde os tons cinzentos até ao castanho e ao verde, em idade jovem e produz apenas uma flor por ano após o quinto ano de vida.

O bolbo desta espécie tem sido utilizado na medicina chinesa durante mais de 2.000 anos e os preços elevados praticados nos últimos anos levaram a um aumento das colheitas.

“Como outras plantas camufladas que estudamos, pensamos que a evolução da camuflagem desta planta foi impulsionada por herbívoros, mas não encontramos esses animais (…) Então percebemos que os humanos podem ser a razão“, explicou o especialista Yang Niu, do Instituto de Botânica Kunming,

O professor Hang Su, do mesmo instituto, acrescentou: “A colheita comercial é uma pressão de selecção muito mais forte do que muitas pressões da natureza (…) O estado actual da biodiversidade na Terra é determinado quer pela natureza, quer por nós mesmos”.

Os resultados da investigação foram recentemente publicados na revista científica especializada Current Biology, num artigo intitulado: “A colheita comercial alimentou a evolução da camuflagem numa planta alpina”.

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26 Novembro, 2020


4653: Vespas “godzilla” arrastam lagartas para fora da água para pôr ovos nelas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

José Fernández-Triana
Microgaster godzilla

Uma equipa de investigadores, liderada por José Fernández-Triana, descobriu e gravou no Japão, a primeira vespa parasita, baptizada de Microgaster godzilla.

Esta vespa foi vista a mergulhar debaixo de água durante vários segundos, trazendo o casulo de uma lagarta para fora para que pudesse pôr nela os seus ovos.

O nome do insecto é uma homenagem ao famoso monstro do filme “O Monstro do Oceano Pacífico”, de 1954. Os cientistas encontraram semelhanças entre o seu ataque e o Godzilla, assim como explica o autor do estudo: “Por ser uma espécie japonesa, ela homenageia respeitosamente Godzilla, um monstro fictício que se tornou um ícone. Tornou-se um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura popular japonesa em todo o mundo”.

O estudo foi publicado, na semana passada, na revista científica Journal of Hymenoptera Research.

As vespas não são particularmente conhecidas pela sua capacidade de mergulho, razão pela qual esta nova espécie causou uma enorme surpresa entre a comunidade científica. A equipa de investigadores encontrou, pela primeira vez, esta vespa enquanto estudavam habitats de charcos.

Após encontrar o hospedeiro, a vespa toca repetidamente com as antenas nele. Eventualmente, força a lagarta a sair do casulo e a vespa insere rapidamente os seus ovos. Em alguns casos, a vespa tem mesmo que submergir da água por vários segundos, a fim de encontrar e puxar a lagarta para fora do casulo.

“Em segundo lugar, o comportamento de parasitismo da vespa tem alguma semelhança com o carácter do kaiju [Godzilla], no sentido de que a vespa emerge repentinamente da água para parasitar o hospedeiro, semelhante a como o Godzilla emerge repentinamente da água nos filmes”, começa por explicar Fernández-Triana ao portal Science Codex.

“Terceiro, Godzilla foi associado a Mothra, outro kaiju que normalmente é retratado como uma larva (lagarta) ou uma mariposa adulta. Tínhamos razões biológicas, comportamentais e culturais para justificar a nossa escolha do nome. Claro, isso e divertimo-nos um pouco, porque isso também é uma parte importante da vida e da ciência”, conclui.

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14 Novembro, 2020


4595: Os polvos conseguem provar as suas presas ainda antes de as devorarem (e os cientistas já sabem porquê)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

damn_unique / Flckr

Os polvos são capazes de provar as suas presas ainda antes de as devorarem através do toque com os seus tentáculos e uma equipa de cientista da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acaba de explicar porquê.

De acordo com uma nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Cell, há cada vez mais evidências de que os oito tentáculos destes animais são análogos às línguas com “mãos” e “cérebros”.

Citado pelo portal New Scientist, o cientista Nicholas Bellono, da Universidade de Oxford, explica que os “braços” dos polvos são revestidos com ventosas que incluem células para o processamento neuronal de sinais de toque e paladar.

“[Esta característica] faz com que os polvos sejam capazes de determinar se um animal é bom para comer ou se é tóxico”, disse, referindo que esta particularidade é especialmente importante entre os polvos, uma vez que estes animais tendem a caçar às cegas, colocando os seu membros em buracos e fendas à procura de alimento.

A equipa estudou estas células “sugadoras” em espécimes de polvos-da-Califórnia (Octopus bimaculoides) a nível microscópico e molecular e descobriram que algumas respondem ao toque e outras ao “sabor” de produtos químicos presentes na água.

Na verdade, os polvos possuem um órgão semelhante a uma língua na boca, a chamada rádula, que estes espécimes usam para cortar e raspar as suas presas, especialmente os moluscos. No entanto, este órgão não tem capacidades olfactivas, funcionando antes “como um dente”, explicou Nicholas Bellono, dando conta que, por outro lado, os receptores de sabor e/toque parecem ser “específicos” para animais sugadores.

“As novas descobertas demonstram que o sistema nervoso do polvo distribuído perifericamente é um local-chave para o processamento de sinais e destacam como é que as características moleculares e anatómicas evoluem sinergicamente para se adequarem ao contexto ambiental de um animal”, escreveram os cientistas no novo estudo, que é citado pelo portal Gizmodo.

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3 Novembro, 2020


4589: A aranha Cara-de-Ogro descansa de dia para caçar à noite (e isso só é possível graças à excelente audição)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

budak / Flickr
Aranha Cara-de-Ogro

Para além de já se saber que estas aranhas são umas excelentes caçadoras de insectos, um novo estudo vem agora revelar que esta sua habilidade é alicerçada pelo excelente domínio auditivo com que contam.

A aranha Cara-de-Ogro, normalmente habita nas florestas tropicais da América, mas é muito difícil de ser vista. A espécie é assim chamada porque tem dois grandes olhos que parecem óculos escuros e uma cara esquisita.

Esta aranha sai para caçar à noite, acompanhada por uma rede pegajosa que ela mesma fabrica. A pequena aranha sobe os galhos com a teia estendida entre as pernas dianteiras, e mantém-se nessa posição enquanto espera que um insecto passe por ela.

Nessa altura a Cara-de-Ogro lança a sua teia e envolve o animal. Por vezes, a sua rede é usada no processo de caça na noite seguinte, mas o habitual é que a aranha a coma juntamente com os insectos que consegue capturar.

Para além de sua incrível visão nocturna, um novo estudo indica que estas aranhas também ouvem muito bem. Mesmo não tendo ouvidos, as aranhas usam os receptores articulares das suas pernas para captar sons até pelo menos 2 metros de distância.

Os resultados do estudo que foi publicado na revista Current Biology no mês de Outubro, sugerem que as aranhas tanto ouvem os sons de baixa frequência emitidos pelas suas presas preferidas (insectos), como também captam sons de alta frequência de possíveis predadores. Ron Hoy, autor do estudo, explica que “muitas aranhas podem realmente ouvir. A detecção da vibração funciona para sentir o tremor da teia ou do solo”.

Em vez de esperar passivamente que a presa caia numa teia e fique presa, as aranhas Cara-de-Ogro usam as suas teias como arma. Depois de passarem o dia completamente paradas, misturando-se com as folhas das palmeiras ao seu redor, as aranhas emergem à noite, diz o Phys.

“Num estudo anterior, coloquei pasta dos dentes nos olhos delas para que não pudessem ver. Quando as coloquei novamente na natureza , descobri que não podiam caçar presas no chão, mas ainda conseguiam capturar insectos do ar. Esta foi a certeza que as aranhas estavam a usar um sistema sensorial diferente para detectar insectos voadores”, explica o autor do estudo.

Embora o estudo anterior tenha mostrado que as aranhas são capazes de ouvir, esta nova pesquisa mostrou o quão bem elas o fazem. Ao observar as reacções das aranhas a sons diferentes, a equipa percebeu que as aranhas podiam ouvir sons de até 10 kHz de frequência. Ouvir estas frequências mais altas pode não ser tão útil para a caça, mas pode ajudá-las a ficarem alerta para se esconderem dos predadores.

Hoy indica que quando se dá “a um animal um estímulo ameaçador, a resposta imediata é de luta ou fuga. Estes invertebrados também têm esse reflexo, pois captam qualquer tipo de estímulo saliente, que liga o sistema neuromuscular. É um sistema de atenção selectiva que está presente na espécie”.

Embora os resultados deixem claro que as aranhas podem detectar bem os sons, os investigadores estão interessados ​​em, futuramente, testar a audição direccional, que vai permitir ajudar a explicar melhor o estilo de caça acrobática desta espécie.

“A audição direccional é muito importante em qualquer animal, mas acho que vão haver algumas surpresas interessantes no caso desta aranha”, remata Hoy.

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2 Novembro, 2020


4570: Ratos-toupeira-nus foram apanhados a raptar bebés de outras colónias

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ZOOLOGIA

Smithsonian’s National Zoo / Flickr
Heterocephalus glaber, também conhecido por rato-toupeira-nu

Cientistas descobriram dois casos em que ratos-toupeira-nus foram raptados da sua colónia, tendo sido transformados em escravos.

De acordo com o site Science Alert, embora os ratos-toupeira-nus (Heterocephalus glaber) sejam pequenos, têm grandes colónias compostas por indivíduos altamente cooperativos. Estas podem ter até 300 trabalhadores, sendo as maiores colónias conhecidas entre mamíferos (dentro das quais a maioria dos indivíduos é estéril, tal como acontece com colónias de formigas ou de abelhas).

No início da década de 90, investigadores rastrearam ratos-toupeira-nus num estudo de campo de longo prazo no Quénia e descobriram que 26 colónias expandiram as suas tocas para colónias vizinhas. Indivíduos de 13 das colónias invadidas nunca mais foram vistos.

Um ano depois de verificar uma dessas colónias, a equipa encontrou duas crias numa colónia invasora que pareciam ser de uma colónia invadida. Agora, uma análise genética dos tecidos recolhidos confirmou as suas suspeitas.

“As crias sequestradas pela colónia tornaram-se trabalhadores não reprodutores, portanto, o seu esforço de vida seria classificado como escravidão, no mesmo sentido das formigas esclavagistas”, escreveram os cientistas num estudo publicado, a 28 de Setembro, na revista científica Journal of Zoology.

Segundo o mesmo site, raptar crias de outras colónias provavelmente ajuda a aumentar a mão-de-obra necessária para encontrar os recursos escassos no seu ambiente árido e hostil e a construir as suas elaboradas casas subterrâneas que se podem estender por vários quilómetros de comprimento.

Se este fenómeno for mais comum do que se pensava, a equipa acredita que a agressão feroz entre as colónias pode estar a impulsionar a evolução de grupos de grande dimensão, e a escravidão permite a expansão das colónias para aumentar a sua vantagem competitiva em relação aos seus vizinhos.

No entanto, isto ainda é uma especulação porque, para já, só foram encontradas duas crias sequestradas. A equipa espera que novas tecnologias de rastreamento ajudem a determinar o quão vilões são estes animais.

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30 Outubro, 2020


4553: Rara cobra de duas cabeças e dois cérebros independentes encontrada na Florida

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Uma rara cobra com duas cabeças e dois cérebros independentes foi resgatada no estado norte-americano da Florida por uma equipa de especialistas do organização Florida Fish and Wildlife Conservation Commission.

Na rede social Facebook, a organização, que se dedica à vida selvagem, explicou que o raro espécime são, na verdade, dois gémeos monozigóticos – os chamados gémeos idênticos – que não se separaram totalmente à medida que o embrião se desenvolveu.

Eclodiu assim um animal bicéfalo, com duas cabeças separadas e completas, com cérebros independentes, bem como línguas e dentes.

“Uma rara corredora-negra [Coluber constrictor priapus] do sul com duas cabeças foi encontrada recentemente numa residência em Palm Harbor (…) As duas cabeças movimentam as respectivas línguas e reagem ao movimento, mas nem sempre da mesma forma”, pode ler-se no post partilhado na semana passada.

Tendo em conta a autonomia dos dois cérebros na tomada de decisão, o espécime terá de ficar em cativeiro pela sua própria segurança. “É improvável que as cobras de duas cabeças sobrevivam na natureza, pois os dois cérebros independentes tomam decisões diferentes que inibem a capacidade de se alimentar ou de escapar de predadores“.

“A cobra está a ser cuidada e monitorizada pela equipa da FWC”, acrescenta o instituto.

A bicefalia é uma patologia mais recorrente em répteis, uma vez que estes animais têm um grande número de descendentes, aumentando a probabilidade deste tipo de malformações ocorrer, tal como explica o portal de Ciência IFL Science.

O facto de estes animais deixarem os seus ovos expostos ao seu ambiente natural, onde existem muitos factores, como temperatura ou a humidade, pode também contribuir para uma maior ocorrência desta condição. Por norma, uma das cabeças é dominante.

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26 Outubro, 2020

 

4468: Para o corpo humano, existem apenas duas estações do ano

CIÊNCIA/BIOLOGIA

The Frick Collection , @frickcollection / Twitter

Para o corpo humano, parecem apenas existir duas estações do ano, sugere uma nova investigação que analisou moléculas presentes na corrente sanguínea.

Uma equipa de cientistas da Stanford School of Medicine, nos Estados Unidos, chegou a esta conclusão depois de analisar mais de 100 moléculas que circulam na corrente sanguínea de um grupo de pessoas que vivem Califórnia, conta o jornal espanhol ABC.

Foram envolvidos 105 participantes, que foram acompanhados ao longo de quatro anos.

Os resultados, recentemente publicados na revista Nature Communications, mostram que o corpo humano só distingue duas estações do ano, uma quente e outra fria, tendo por base a oscilação de várias moléculas corporais.

“Ensinam-nos que há quatro estações do ano distribuídas de forma uniforme ao longo do ano, mas eu questionei: têm a certeza”, começou por explicar Michael Snyder, professor de genética da Stanford School of Medicine e autor sénior do estudo, citado em comunicado.

“A biologia humana não parecia aderir a estas regras, então levamos a cabo um estudo para analisar a composição molecular e deixar a biologia responder à questão sobre quantas estações existem”, continuou o especialista.

Na prática, os cientistas estudaram se ocorrem mudanças nos níveis de dezenas de moléculas do corpo humano periodicamente e, segundo sugere o estudo, as mudanças evidenciam que o corpo “reconhece” apenas duas estações do ano.

Foram detectados dois pontos de inflexão – e não quatro – nos padrões das moléculas: um no final da primavera e no início do verão e outro no final do outono e início do inverno.

O primeiro período identificado (primavera/verão) coincide com um aumento corporal nos bio-marcadores inflamatórios, que desempenham um papel nas alergias; já no segundo período, o mais frio, foi detectado um aumento das moléculas imunológicas que intervêm na resposta aos vírus e no desenvolvimento da acne, sendo também sinalizado um aumento das moléculas que sinaliza a hipertensão.

De acordo com os cientistas, a descoberta pode ser utilizada para desenhar uma medicina mais personalizada ou para melhor definir ensaios clínicos. “Muitas destas descobertas abrem opções para investigar muitas outras coisas“, disse Reza Sailani, co-autora do estudo, citada na mesma nota de imprensa.

Os cientistas reconhecem que a principal limitação do estudo está relacionado com o facto de todos os participantes que doaram o seu sangue viverem na Califórnia, não sendo por isso possível aferir se as flutuações das moléculas poderiam ser causadas noutros climas.

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10 Outubro, 2020

 

 

4396: Cientistas descobrem nova espécie de crustáceo no lugar mais quente da Terra

CIÊNCIA/BIOLOGIA

M. Pallmann SMNS / Pallmann
Phallocryptus fahimii

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de crustáceo de água doce durante uma expedição ao deserto de Lute, no Irão, também conhecido como o lugar mais quente do planeta.

Hossein Rajaei, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, e Alexander Rudov, da Universidade de Teerão, fizeram a descoberta durante uma expedição ao deserto de Lute, que tinha como principal objectivo entender a ecologia, biodiversidade, geo-morfologia e paleontologia do deserto.

Segundo o Tech Explorist, espécie identificada pertence ao género Phallocryptus, do qual apenas quatro espécies eram conhecidas em diferentes regiões áridas e semi-áridas. Os biólogos baptizaram a nova espécie de Phallocryptus fahimii em homenagem ao biólogo conservacionista iraniano Hadi Fahimi, que participou na expedição de 2017.

Os espécimes pertencem a uma nova espécie de crustáceos de água doce. “Durante uma expedição a um lugar tão extremo, estamos sempre em alerta, principalmente ao encontrar água. Descobrir crustáceos neste ambiente quente e seco foi realmente sensacional”, comentou Rajaei.

O artigo científico, publicado na Zoology in the Middle East, detalha que Phallocryptus fahimii difere na sua morfologia geral e na sua genética de todas as outras espécies Phallocryptus conhecidas.

“Estes crustáceos são capazes de sobreviver durante décadas nos sedimentos secos e eclodirão na próxima estação chuvosa, quando o habitat aquático se reabastecer. Estão perfeitamente adaptados para viver em ambientes desertos. A sua capacidade de sobreviver, até mesmo no deserto de Lute, destaca a sua resiliência”, disse Martin Schwentner, do Museu de História Natural de Viena.

Com 51.800 km2, o deserto de Lute é o segundo maior deserto iraniano e detém o recorde actual da mais alta temperatura de superfície já registada.

Com base nas medições de satélite de 2006, a NASA relatou uma temperatura recorde na superfície de 70,7° C, que mais recentemente aumentou para 80,3° C. Os seixos escuros presentes na superfície são uma das causas destas temperaturas recordes, sendo que as temperaturas médias diárias variam de -2,6° C no inverno e 50,4° C no verão.

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26 Setembro, 2020

 

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4358: Milhares de pássaros migratórios estão (misteriosamente) a morrer no Novo México

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Allison Salas / New Mexico State University

Um elevado número de pássaros migratórios está a morrer em todo o Novo México, numa misteriosa mortalidade em massa que está a preocupar os cientistas.

Estima-se que o número de pássaros mortos seja de centenas de milhares, “se não forem milhões”, explica Martha Desmond, professora da New Mexico State University, ao jornal Las Cruces Sun-News.

A investigadora americana explica que, em conjunto com biólogos da NMSU, examinou quase 300 carcaças de pássaros que foram encontradas perto do condado de Doña Ana, na semana passada. Contudo, os biólogos também viram relatórios, fotografias e vídeos do fenómeno, que está a afectar todo o estado, mas que também está a ocorrer no Colorado e no Texas.

Segundo a IFLS, embora pareça afectar apenas aves migratórias, a mortalidade afectou também uma grande variedade de espécies de aves, como é o caso de andorinhas, papa-moscas e toutinegras-de-cabeça-preta.

Os habitantes do Novo México garantem que os pássaros agiam de forma estranha, uma vez que não comiam, voavam baixo, moviam-se lentamente, e estavam tão lentos que eram frequentemente atropelados por veículos.

A causa deste mistério ainda não foi descoberta, mas os biólogos estão a investigar algumas teorias. Os incêndios florestais que estão a devastar a Califórnia, podem ser uma das principais causas deste cenário trágico.

Acredita-se que esta situação possa ter estimulado os pássaros a iniciar a migração de outono mais cedo do que o normal. Porém à medida que se deslocavam para o interior, as fontes de comida e água estavam a diminuir devido às secas trazidas pelo verão longo e quente. Alguns cientistas também consideram que as aves podem ter inalado fumo e isso lhes tenha causado danos nos pulmões.

Esta região dos EUA também foi atingida por uma frente fria local na primeira semana de Setembro, o que também pode ter prejudicado os planos de migração das aves. Os biólogos acreditam que a junção de todos estes factores criam um ambiente perfeito para estimular problemas às aves, que depois acabam por morrer.

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Simon Romero
@viaSimonRomero
NEW: What’s causing huge bird die-off in New Mexico? Biologists say wildfires, combined with drought & record heat waves, could be trigger
New Mexico Mystery: Why Are So Many Birds Dropping Dead?
Scientists say that the wildfires in the West combined with drought and record heat waves could be triggering one of the Southwest’s largest migratory bird die-offs in recent decades.
nytimes.com

Para ajudar a desvendar o mistério, o Southwest Avian Mortality Project está a pedir ajuda aos habitantes locais, para que estes registem qualquer ave morta que encontram através da aplicação, ou do site iNaturalist.

Como alternativa, os investigadores estão a pedir à população para recolher amostras em sacos plásticos, armazená-las no frigorífico e, em seguida, entrar em contacto com os a equipa para que possam analisar o estado em que os animais acabam por sucumbir.

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20 Setembro, 2020

 

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4247: Redescoberta “criatura fantasma” antárctica que sobreviveu a 30 idades do gelo

CIÊNCIA/BIOLOGIA


vídeo editado através de captura de écran por indisponibilização do URL original

Depois de décadas de procura, uma equipa de cientistas da Universidade Brigham Young (BYU), nos Estados Unidos, redescobriu na Antárctida uma “criatura fantasma”, semelhante a insecto primitivo, que sobreviveu a 30 idades do gelo.

“Isto é aquilo a que chamamos carinhosamente de um colêmbolo fantasma”, disse Byron Adams, professor de Biologia da BYU, que realiza investigações frequentes na Antárctica, citado pela agência noticiosa espanhola Europa Press.

Os colêmbolos são pequenos animais, artrópodes próximos dos insectos. Segundo a Lusa, são dos animais mais antigos e numerosos da Terra e contribuem para o ciclo de vida, ajudando a decompor o material orgânico que serve como nutriente para as plantas.

“Chamamos-lhe colêmbolos fantasma porque é branco, tal como um fantasma, mas não o tínhamos encontrado depois de anos e anos de investigações (…) Questionamos se era real, se realmente existia”, continuou o especialista, citado em comunicado.

Na nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a equipa parte da redescoberta deste animal microscópico para melhor compreender a dinâmica da capa de gelo aos longos dos anos, bem como para perceber como é que estes organismos afectaram ecossistemas históricos.

“A história evolutiva dos organismos biológicos pode corroborar o que inferimos da glaciologia e geologia sobre as mudanças climáticas no passado (…) Fazendo esta verificação, podemos prever melhor como é que a vida na Terra pode responder a esse tipo de mudanças na actualidade”, explicou ainda Byron Adams.

Para chegar a esta redescoberta, os cientistas passaram os últimos vinte anos a recolher amostras de seis espécies diferentes de micro-artrópodes de 91 locais da Antárctida.

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29 Agosto, 2020

 

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4205: Afinal, as lágrimas de crocodilo são bastante “humanas”

CIÊNCIA/BIOLOGIA

miniformat65 / Pixabay

Uma nova investigação da Universidade Federal da Baía, no Brasil, descobriu que as lágrimas de pássaros e répteis são quase idênticas às do Homem.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas recolheram lágrimas de araras, falcões, corujas e um papagaio, bem como de tartarugas marinhas e jacarés.

Recolheram também lágrimas de dez voluntário humanos saudáveis, visando depois comparar as composições da lágrimas animais e humanas, conta o portal ILF Science.

No que respeita à composição electrolítica, todas as amostras de lágrimas recolhidas eram semelhantes, apesar de os pássaros e répteis terem apresentado uma concentração um pouco maior de electrólitos comparativamente com as outras espécies.

Havia também mais ureia e proteína nas lágrimas da coruja e das tartarugas marinhas analisadas neste estudos, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Frontiers in Veterinary Science.

A maior variação entre as lágrimas humanas e animais só apareceu quando os cientistas observaram como é que estas cristalizavam à medida que secavam, formando padrões completamente diferentes que se assemelham a flocos de neve esmagados.

(dr)
Uma comparação das lágrimas de uma tartaruga marinha (à esquerda) Carretta carretta e uma coruja (à direita) Tyto alba.

As lágrimas recolhidas de jacarés e tartarugas mostraram-se especialmente únicas, o que poderá demonstrar que se adaptaram de alguma foram para os ambientes aquáticos.

Os cientistas reconhecem que as suas amostras são baseadas em animais em cativeiro, podendo estas, por isso, ser diferentes dos animais selvagens. Ainda assim, o estudo continua a representar uma das maiores comparações de composições de lágrimas entre espécies, sublinha a equipa de cientistas no estudo.

“Descobrir como é que as lágrimas são capazes de manter a homeostasia ocular, mesmo em diferentes espécies e condições ambientais, é crucial para a compreensão dos processos de evolução e adaptação, sendo também essencial para a descoberta de novas moléculas para a produção de fármacos oftalmológicos”, disse a autora principal do estudo, Arianne P Oriá, da Universidade Federal da Baía, citada em comunicado.

“Este conhecimento ajuda no entendimento da evolução e da adaptação destas espécies, bem como na sua conservação”, concluiu a especialista.

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21 Agosto, 2020

 

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4192: As laringes dos primatas evoluíram surpreendentemente depressa

CIÊNCIA/BIOLOGIA

henrikpalm / Flickr
Gorilla Beringei, o Gorila da Montanha

Um novo estudo, que abrangeu 55 espécies diferentes, mostra que as laringes dos primatas evoluíram muito mais rapidamente do que noutros tipos de mamíferos.

De acordo com o site Science Alert, através de exames 3D e modelo computacionais, o estudo conseguiu mostrar que as laringes dos primatas são, em média, 38% maiores do que as de animais carnívoros de tamanho comparável, e que outras espécies têm uma proporção mais fixa do tamanho da laringe para o corpo.

“O nosso estudo também mostra que as diferenças no tamanho da laringe predizem mudanças no tom da voz, destacando o papel crucial da laringe na comunicação vocal”, declara Daniel Bowling, neuro-cientista da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e um dos autores da pesquisa publicada, a 11 de Agosto, na revista científica PLOS Biology.

De facto, muitas espécies de primatas têm vocalizações que são mais ricas e variadas do que outras espécies – os cientistas sugerem que uma maior “flexibilidade evolutiva” permitiu que as suas laringes evoluíssem dessa forma.

“Este estudo demonstra diferenças claras na evolução da laringe entre grupos de mamíferos”, diz Jacob Dunn, ecologista comportamental da Universidade de Anglia Ruskin, no Reino Unido.

“Especificamente, mostrámos, pela primeira vez, que a laringe dos primatas é maior, menos relacionada com o tamanho do corpo e sob taxas de evolução mais rápidas do que a laringe carnívora, um bom grupo de comparação, indicando diferenças fundamentais na evolução deste órgão vocal nas espécies”, acrescenta.

A laringe tem as mesmas funções em todo o reino animal: proteger as vias respiratórias durante a alimentação, gerir o abastecimento de ar para os pulmões e controlar as vocalizações. O papel na comunicação oral é o que a torna particularmente importante para a evolução de uma espécie, refere o mesmo site.

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19 Agosto, 2020

 

 

4184: Estudo genómico mostra que o tuatara não é igual a nenhum outro animal

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Nel_Botha-NZ / Pixabay
Tuatara (Sphenodon punctatus)

Um novo sequenciamento do genoma do tuatara mostra que este animal não é um lagarto, nem um pássaro, nem um mamífero. Mas antes uma estranha combinação dos três.

De acordo com os autores do novo estudo, publicado, a 5 de Agosto, na revista científica Nature, a arquitectura genómica do tuatara (Sphenodon punctatus) é diferente de tudo o que já foi relatado anteriormente.

“O genoma do tuatara continha cerca de 4% de ‘genes saltadores’ que são comuns em répteis, cerca de 10% comuns nos mono-tremados (ornitorrincos e equidnas) e menos de 1% comuns em mamíferos placentários como os humanos”, disse David Adelson, biólogo da Universidade de Adelaide, na Austrália, citado pelo site Science Alert.

“Esta foi uma observação altamente incomum e indicou que o genoma do tuatara é uma combinação estranha de componentes tanto de mamíferos como de répteis (incluindo pássaros)”, acrescentou.

“Esta espécie representa um elo importante para os répteis agora extintos, dos quais os dinossauros, os répteis modernos, os pássaros e os mamíferos evoluíram e, portanto, é importante para a nossa compreensão da evolução dos amniotas”, escreveu a equipa no estudo.

Segundo o mesmo site, já não era novidade para os cientistas que esta criatura nocturna é muito especial. Encontrado apenas na Nova Zelândia, o tuatara pode viver durante um século, suportar temperaturas extremamente baixas e prender a respiração durante uma hora.

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18 Agosto, 2020

 

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4177: Parasita “vampiro” substitui língua dos peixes e alimenta-se do seu sangue

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Kory Evans PhD / Twitter

Um investigador descobriu um parasita bizarro, enquanto estudava cabeças de peixes, que substitui a língua do seu hospedeiro.

De acordo com a revista Newsweek, Kory Evans, biólogo da Universidade Rice, nos Estados Unidos, descobriu este parasita numa imagem 3D do crânio de um arenque. Trata-se de um crustáceo isópode que pertence a um género chamado Cymothoa.

Os membros deste género são conhecidos pelo hábito bizarro de parasitar as línguas dos seus hospedeiros e podem ser encontrados em várias espécies de peixes.

O biólogo explicou que, neste caso, o parasita provavelmente entrou no corpo do peixe pelas guelras, antes de se alojar na língua. A partir daí, o isópode terá rompido os vasos sanguíneos deste órgão, alimentando-se do fluido corporal à medida que este definhava. Agora, tudo o que resta é o osso subjacente onde o parasita se encontra, tendo, basicamente, substituído a língua do seu hospedeiro.

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Kory Evans PhD
@Sternarchella
Mondays aren’t usually this eventful. I found a tongue-eating isopod (purple) in one of our wrasse scans this morning while digitizing it. These parasites attach themselves to the tongues of fishes and effectively become the new tongue…horrifying #backdatwrasseup

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Segundo a mesma publicação, apesar de destruírem a sua língua, parece que estes parasitas causam poucos danos aos peixes. Embora, relembra Evans, “os espécimes com mais do que um parasita estão geralmente abaixo do peso, provavelmente por causa das dificuldades relacionadas com a alimentação”.

Uma espécie particular deste género, Cymothoa exigua, vai ainda mais longe e proporciona aos peixes uma nova língua totalmente funcional. Este é o único caso conhecido no reino animal de um parasita que substitui funcionalmente um órgão do hospedeiro.

Curiosamente, os isópodes deste género também conseguem mudar de sexo, sendo que primeiro crescem como machos, antes de se transformarem em fêmeas.

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17 Agosto, 2020

 

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4173: Tubarão considerado “perdido” pela Ciência foi redescoberto 120 anos depois

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / Pixabay

Uma equipa de cientistas acaba de redescobrir uma espécie de tubarão dada como perdida pela Ciência há 120 anos.

O projecto documental do norte-americano Forrest Galante, especializado na observação de animais à beira de extinção, captou imagens de um Toothless Tollo (Scylliogaleus quecketti), um tubarão da família Triakidae considerado perdido há 120 anos.

A descoberta é avançada pela revista norte-americana Newsweek, que detalha que a espécie, descrita pela primeira vez em 1902, tem entre 80 a 100 centímetros de comprimento e não é perigosa para o Homem.

Vive nas costas subtropicais da África do Sul, na parte ocidental do Oceano Índico.

Em declarações à mesma revista, Galante explicou que, durante mais de um século, os cientistas não conseguiram estudar a espécie e, por isso, não sabiam se estaria extinta.

Depois de conversar com pescadores locais que alegaram ter apanhado um espécime nas suas redes, o biólogo e a sua equipa conseguiram delimitar áreas para possíveis avistamentos, tendo depois conseguido capturar um espécime.

Fiquei chocado, absolutamente chocado“, disse Galante. “Literalmente, estava a segurar fisicamente nas minhas mãos este animal perdido, este animal que a Ciência não via há 120 anos. Fico arrepiado só de pensar nisso”.

A equipa mediu o animal, conectou-lhe um dispositivo de monitorização para rastrear os seus movimentos e devolveu-o aos oceanos.

Segundo o biólogo, o animal ainda está vivo e perfeitamente saudável.

Um documentário sobre o assunto sob o título Extinct or Alive: Land of the Lost Sharks vai estrear a 11 de Agosto nos Estados Unidos no Discovery Channel.

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16 Agosto, 2020

 

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4172: Estas aranhas colocam neuro-toxinas nas suas teias para paralisar as presas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Charles J Sharp / Wikimedia
A aranha Nephila clavipes

Um novo estudo sugere que a aranha Nephila clavipes, que vive no continente americano, coloca neuro-toxinas na sua teia, o que faz com que as suas presas paralisem lentamente.

De acordo com o site IFLScience, cientistas da Universidade de São Paulo, no Brasil, descobriram evidências de neuro-toxinas nas teias das aranhas Nephila clavipes. A equipa acredita que esta é uma forma de paralisar as suas presas.

A ideia por detrás do estudo, publicado na revista científica Journal of Proteome Research, no dia 7 de Agosto, começou depois de os investigadores terem notado que algumas das presas que ficavam presas na teia começavam a agir de forma estranha: corpo trémulo, andar irregular e a língua de fora.

Então, a equipa decidiu extrair algumas das substâncias encontradas na teia e aplicou diferentes concentrações do extracto em abelhas, que são as presas naturais desta aranha. Os investigadores descobriram que estas começavam a mover-se cada vez mais devagar, antes de ficarem paralisadas.

Os cientistas também descobriram que as neuro-toxinas encontradas na teia são semelhantes às do veneno da picada da aranha. No entanto, perceberam que também são necessários outros compostos para que esse ataque seja tão eficaz.

“Estas neuro-toxinas não são muito potentes, pois o objectivo é apenas causar a paralisia da presa. É importante mencionar que as aranhas só comem as presas vivas. Se as neuro-toxinas fossem demasiado potentes, a presa morreria e não poderia ser comida mais tarde pela aranha”, explicou ao mesmo site o professor Mario Palma, um dos autores do estudo.

E estas teias são um risco para nós? De acordo com o mesmo investigador, apesar de ainda não terem testado em humanos, “tendo em conta as composições químicas conhecidas e as pequenas quantidades observadas em condições naturais, provavelmente não haverá perigo para o Homem“, concluiu.

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17 Agosto, 2020

 

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4132: As larvas de peixe-sol são adoráveis (mas crescem e tornam-se gigantescos “nadadores”)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Australian Museum
Peixe-sol

Uma equipa de cientistas australianos e neozelandeses descobriram as fases iniciais da larva gigante de peixe-sol. Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini).

O peixe-sol, conhecido cientificamente como Mola alexandrini, é um dos maiores peixes do oceano. Apesar do tamanho, este peixe é inofensivo, mas o cenário muda de figura quando encontra no seu caminho uma embarcação, como barcos de pesca.

A especialista Marianne Nyegaard decidiu analisar em detalhe a larva gigante de peixe-sol por ser uma incógnita para a comunidade científica, conta o Live Science. Como este animal pode atingir os três metros de comprimento e pesar em torno de 2.000 quilogramas, a equipa nunca imaginou que a larva pudesse ser tão pequena (e adorável).

Desde que foi identificada pela primeira vez, esta espécie causou muitas dúvidas no seio científico, uma vez que o género Mola possui mais quatro espécies, que se assemelham muito com o peixe-sol. Por esse motivo, a descoberta do estágio inicial pode servir como base para entender como funciona o ciclo de vida deste peixe.

(dr) Amy Coghlan
Larva de peixe-sol

A cientista decidiu ampliar os seus objectos de estudo ao dar preferência à análise de espécimes presentes nos grandes museus. O exemplar estudado, do Museu Australiano, media cerca de 5 milímetros, o que gerou um enorme desafio para ser analisado.

Além disso, o facto de as fêmeas adultas desta espécie serem recordistas na fecundação – chegando a produzir 300 milhões de óvulos -, deixou os cientistas, ao longo dos anos, intrigados.

Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini). “A sequência de ADN do espécime existente no Museu Australiano foi comparada com dados de referência gerados pelos nossos colaboradores internacionais”, explicou a cientista.

Kerryn Parkinson e Andrew King, investigadores do museu, ficaram encarregues da extracção de um dos globos oculares e da extracção e análise do ADN da larva gigante de peixe-sol, respectivamente.

Nyegaard considera que as pesquisas futuras sobre as larvas do peixe-sol devem ajudar a Ciência a desvendar novos factos a respeito do estágio inicial da vida destes peixes.

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9 Agosto, 2020

 

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