4135: As larvas de peixe-sol são adoráveis (mas crescem e tornam-se gigantescos “nadadores”)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Australian Museum
Peixe-sol

Uma equipa de cientistas australianos e neozelandeses descobriram as fases iniciais da larva gigante de peixe-sol. Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini).

O peixe-sol, conhecido cientificamente como Mola alexandrini, é um dos maiores peixes do oceano. Apesar do tamanho, este peixe é inofensivo, mas o cenário muda de figura quando encontra no seu caminho uma embarcação, como barcos de pesca.

A especialista Marianne Nyegaard decidiu analisar em detalhe a larva gigante de peixe-sol por ser uma incógnita para a comunidade científica, conta o Live Science. Como este animal pode atingir os três metros de comprimento e pesar em torno de 2.000 quilogramas, a equipa nunca imaginou que a larva pudesse ser tão pequena (e adorável).

Desde que foi identificada pela primeira vez, esta espécie causou muitas dúvidas no seio científico, uma vez que o género Mola possui mais quatro espécies, que se assemelham muito com o peixe-sol. Por esse motivo, a descoberta do estágio inicial pode servir como base para entender como funciona o ciclo de vida deste peixe.

(dr) Amy Coghlan
Larva de peixe-sol

A cientista decidiu ampliar os seus objectos de estudo ao dar preferência à análise de espécimes presentes nos grandes museus. O exemplar estudado, do Museu Australiano, media cerca de 5 milímetros, o que gerou um enorme desafio para ser analisado.

Além disso, o facto de as fêmeas adultas desta espécie serem recordistas na fecundação – chegando a produzir 300 milhões de óvulos -, deixou os cientistas, ao longo dos anos, intrigados.

Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini). “A sequência de ADN do espécime existente no Museu Australiano foi comparada com dados de referência gerados pelos nossos colaboradores internacionais”, explicou a cientista.

Kerryn Parkinson e Andrew King, investigadores do museu, ficaram encarregues da extracção de um dos globos oculares e da extracção e análise do ADN da larva gigante de peixe-sol, respectivamente.

Nyegaard considera que as pesquisas futuras sobre as larvas do peixe-sol devem ajudar a Ciência a desvendar novos factos a respeito do estágio inicial da vida destes peixes.

ZAP //

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9 Agosto, 2020

 

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4048: As sociedades das baleias-brancas são quase tão complexas como as nossas

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Tiffany Terry / Flickr
Uma baleia beluga do Árctico

Uma nova investigação mostra que as estruturas sociais da baleia-branca são bastante mais complexas do que se pensava.

De acordo com o site Science Alert, investigadores descobriram que as baleias-brancas (Delphinapterus leucas) espalhadas pelo Árctico, também chamadas belugas, dão-se de uma forma muito mais diversificada do que outras espécies de baleias.

A investigação, liderada pelo Instituto Oceanográfico Harbor Branch, da Florida Atlantic University, confirma as suspeitas de que estes animais interagem regularmente com o lado da família da mãe.

O que os investigadores não estavam à espera eram as frequentes associações com o lado do pai, ou o relacionamento íntimo com primos, ou, ainda mais surpreendente, redes de indivíduos sem nenhuma relação genética próxima.

Além disso, escreve o mesmo site, as belugas também mostraram ser dinâmicas, através de padrões variáveis de interacção que variavam de associações de curta duração a afiliações de vários anos.

“Esta pesquisa irá melhorar a nossa compreensão sobre o porquê de algumas espécies serem sociais, como diferentes indivíduos aprendem com os membros do grupo e como as culturas animais emergem”, diz Greg O’Corry‑Crowe, biólogo marinho e investigador principal do estudo publicado na revista científica Scientific Reports.

“Também tem implicações para as tradicionais explicações baseadas em cuidados matrilineares para uma característica muito rara na natureza, a menopausa, que só foi documentada em certos mamíferos, incluindo baleias beluga e humanos”.

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24 Julho, 2020

 

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4019: Golfinho extinto há 25 milhões de anos era o principal predador da sua comunidade

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Robert W. Boessenecker
Ankylorhiza tiedemani

Extinto há cerca de 25 milhões de anos, este golfinho feroz, com quase cinco metros de comprimento, foi o principal predador da sua comunidade.

Uma equipa de cientistas identificou, recentemente, um esqueleto quase completo de um ancestral de golfinho com 4,8 metros de comprimento que viveu na actual Carolina do Sul durante a época do Oligoceno, há cerca de 25 milhões de anos.

Além de ser muito comprido, o animal tinha dentes grandes e parecidos com presas e parece ter sido capaz de caçar a alta velocidade como uma orca. O artigo científico foi publicado no dia 9 de Julho na Current Biology.

De acordo com o Science Alert, o esqueleto foi encontrado na década de 1990, mas foi classificado incorrectamente: trata-se do primeiro esqueleto de Ankylorhiza tiedemani (quase completo) a ser analisado. Até agora, esta criatura só foi estudada a partir de um fóssil parcial do focinho.

Os cientistas acreditam que o animal era um predador violento e que reunia em si uma mistura das características da baleia-assassina e do golfinho, o que proporciona uma maior compreensão sobre a evolução paralela destas duas espécies de animais marinhos. As características terão evoluído paralelamente, em vez de terem sido herdadas do mesmo ancestral.

Robert Boessenecker, investigador do College of Charleston, explicou que a evolução paralela terá acontecido devido aos ambientes aquáticos semelhantes que os dois animais ocupavam. Apesar de parecer óbvio que os animais do mesmo ambiente desenvolvem características semelhantes, não se trata necessariamente de um padrão.

Os golfinhos gigantes extinguiram-se há cerca de 23 milhões de anos. Desde então, outras baleias e golfinhos surgiram na Terra, ainda que, actualmente, a única baleia predadora (e temível) seja a orca.

“As baleias e os golfinhos têm uma história evolutiva longa e complicada e podemos não ter noção disso mesmo, com base nas espécies modernas. O registo fóssil abriu esse longo e sinuoso caminho evolutivo. Fsseis como Ankylorhiza ajudam a esclarecer toda a história” rematou Boessenecker.

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19 Julho, 2020

 

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3958: Mudanças climáticas ameaçam 60% das espécies de peixes do mundo

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

oakleyoriginals / Flickr

Uma nova investigação levada a cabo por cientistas do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, sugere que as mudanças climáticas podem destruir mais espécies de peixes do que se pensavam anteriormente.

Se as temperaturas globais subirem cinco graus Celsius, um cenário muito negro para o aquecimento global, 60% de todas as espécies de peixes podiam ser extintas até 2100, de acordo com o novo estudo, cujos resultados foram publicados na revista científica Science.

Se o Homem conseguir manter o objectivo definido no Acordo de Paris de manter o aquecimento em torno do 1,5 graus Celsius, ficariam em risco cerca de 10% dos peixes.

“Podemos dizer que 1,5 graus Celsius não é o paraíso, mas haverá mudanças” para a vida marinha, começou por dizer Hans-Otto Pörtner, do instituo alemão.

Contudo, a Humanidade ainda pode travar esta tendência. “Podemos limitar estas mudanças se conseguirmos travar as alterações climáticas. Os peixes são tão importantes para a nutrição humana e, por isso, o estudo é um forte argumento para proteger os nosso ecossistema e ambientes naturais”.

Tal como frisa o portal New Scientist, estes números não são animadores, uma vez que investigações anteriores concluíam que os peixes são resilientes às alterações climáticas.

O novo estudo, importa frisar, coloca na equação as larvas, embriões e outros estados iniciais no ciclo de vida dos peixes, fase em que estes animais são muito mais vulneráveis a temperaturas altas. “[O estudo] lança luz sobre uma fase da vida [dos peixes] que tem sido amplamente ignorada”, rematou Hans-Otto Pörtner.

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5 Julho, 2020

 

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3949: Os maiores tubarões do mundo têm pequenos “dentes” nos olhos (e já se sabe porquê)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Pete Johnson / Canva

Uma investigação sobre os olhos dos tubarões-baleia, os maiores tubarões do mundo, revelaram que os seus olhos estão cobertos por pequenos dentes chamados “dentículos dérmicos”.

O tubarão-baleia (Rhincodon typus) é o maior peixe do oceano, com até 18 metros de comprimento. Estes animais gigantes alimentam-se de um dos mais pequenos animais do oceano, o krill.

De acordo com o IFLScience, como todos os outros tubarões, os tubarões-baleia estão cobertos por dentículos dérmicos que criam uma camada de “pele”, que são estruturas em forma de V que diminuem o arrasto e a turbulência, permitindo que nadem mais rápido e silenciosamente.

Muitas espécies de tubarões têm uma “terceira” pálpebra que se estende sobre os seus estranhos olhos, que se podem retrair nas suas cabeças e revirar-se completamente dentro do globo ocular.

Investigadores do Centro de Pesquisa Okinawa Churashima, no Japão, estudaram tubarões-baleia de aquário e espécimes mortos para aprender mais sobre os seus olhos. Usando várias técnicas para examinar a sua morfologia de protecção ocular, os cientistas descobriram que os tubarões tinham “olhos blindados” únicos.

Os dentículos oculares eram diferentes em morfologia dos dentículos dérmicos que compõem a “pele” dos tubarões-baleia, mostrando que a presença desses dentes minúsculos faz mais do que aqueles que cobrem a sua pele.

Tomita T, Murakumo K, Komoto S, Dove A, Kino M, Miyamoto K, et al. (2020)

De acordo com os investigadores, esses “dentes” ópticos provavelmente desempenham uma função protectora, impedindo o olho de sofrer desgaste, o que indica a importância de uma visão perfeita para esses animais.

“Até onde sabemos, dentículos oculares não foram encontrados noutros elasmobrânquios, incluindo espécies intimamente relacionadas ao tubarão-baleia”, escreveram os investigadores no estudo publicado em Junho na revista científica PLOS ONE. “Parece provável, portanto, que os dentículos oculares sejam uma característica única do tubarão-baleia”.

Anteriormente, acreditava-se que os tubarões-baleia priorizavam outros sentidos na avaliação do seu ambiente, mas esta adaptação indica que preservar os globos oculares é mais importante para o sucesso destes animais do que se imaginava.

Os cientistas pretendem continuar as suas investigações sobre os olhos destes animais, analisando a gama de cores, o campo visual e a sensibilidade.

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4 Julho, 2020

 

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3871: A vida na Terra pode ter começado no fundo da crosta terrestre

CIÊNCIA/BIOQUÍMICA

Christian Mayer

Uma simulação feita em laboratório sugere que a vida na Terra pode ter começado nas profundezas da crosta terrestre.

Uma equipa de investigadores simulou em laboratório um potencial início da vida na Terra, recriando as condições adversas encontradas nas profundezas da crosta terrestre há 3,8 mil milhões de anos.

Os autores explicam que inicialmente havia uma espécie de bolha, semelhante a uma bolha de sabão, envolvida por uma membrana. Como tal, os cientistas recriaram em laboratório fendas cheias de água das fontes geotérmica da Terra. Foram criadas e desintegradas 1.500 “bolhas” em 14 dias para retirar conclusões o mais precisas possível.

O Tech Explorist explica que os cientistas descobriram que algumas das bolhas sobreviveram à mudança de geração sendo que incorporaram predecessores específicos de proteínas da sopa primordial nas suas membranas. A sopa primordial é um termo introduzido pelo biólogo Aleksandr Oparin, que descreve a mistura teórica de compostos orgânicos que podem ter dado origem à vida na Terra.

Ao acontecer isto, as bolhas tornaram-se cada mais estáveis, mais pequenas e a sua membrana tornou-se mais permeável.

“Concluímos que, desta forma, as bolhas foram capazes de compensar a pressão destrutiva. Como estratégia de sobrevivência, se preferirmos. Mesmo que essa bolha fosse destruída, a próxima geração assumia a estrutura da proteína. Desta maneira, adoptou uma função dos seus antecessores – semelhante à herança clássica”, explicou o autor Christian Mayer, cujo livro com as descobertas será publicado em Julho deste ano.

Embora não tenham certezas de nada, Mayer e o seu colega, Ulrich Schreiber, acreditam ter encontrado evidência de, pelo menos, um estágio preliminar de vida na Terra.

“De acordo com o que simulamos, há mil milhões de anos, estas bolhas podem ter-se tornado estáveis o suficiente para vir à superfície durante as erupções dos géiseres. Com o tempo, outras funções podem ter sido adicionadas até a primeira célula ser formada”, explicou, por sua vez, Scheriber.

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18 Junho, 2020

 

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3779: Revelada a última refeição de um dinossauro com 110 milhões de anos

CIÊNCIA

O fóssil de um nodossauro foi encontrado há sete anos no Canadá e estava tão bem conservado que permitiu estudar a dieta deste herbívoro

Ilustração de um nodossauro com 11 milhões de anos

Um dinossauro, com impressionante blindagem de placas nas costas que formavam uma couraça protectora, acabou por ficar ‘mumificado’ há cerca de 110 milhões de anos, depois de desfrutar de uma última refeição antes de morrer. E agora sabemos o que este herbívoro, conhecido como nodossauro, comeu na sua última refeição, depois de serem publicados os resultados de um trabalho científico sobre a dieta do dinossauro.

Estômagos de dinossauros e provas das suas dietas raramente são preservados. Ocasionalmente, sementes e galhos são encontrados nas entranhas dos restos de dinossauros, mas nunca há provas conclusivas sobre as plantas reais. Neste caso, terá morrido junto a um mar, onde caiu, e ficou coberto de lama que envolveu e preservou o dinossauro tão bem que até o conteúdo estomacal permanece para mostrar que era exigente na comida. Gostava sobretudo de fetos e também comia alguns galhos.

Os pormenores da sua dieta baseada em plantas foram publicados terça-feira na revista Royal Society Open Science . “Os fragmentos de folhas e outros fósseis de plantas foram preservados até à célula”, disse David Greenwood, co-autor do estudo, biólogo da Universidade de Brandon e professor adjunto da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.

O nodossauro, conhecido como Borealopelta markmitchelli, foi encontrado em 2011 durante operações de mineração ao norte de Fort McMurray, em Alberta, Canadá.

Após a morte, os restos do dinossauro acabaram no que era um mar antigo, ficando de costas no fundo lamacento e permanecendo intacto até há nove anos.

Está em exibição no Museu Real de Paleontologia Tyrrell em Alberta desde 2017. O fóssil foi revelado depois do técnico do museu Mark Mitchell dedicar seis anos a retirar meticulosamente a pele e os ossos preservados do dinossauro da rocha marinha em que estava.

Fóssil estava bem conservado e permitiu o estudo

Este dinossauro – um tipo de anquilossauro – pesava mais de uma tonelada. Mas vivia de plantas e preferia as samambaias [fetos], com base no conteúdo do estômago. O pedaço que foi encontrado no seu estômago é do tamanho de uma bola de futebol.

“A descoberta do conteúdo real do estômago preservado de um dinossauro é extraordinariamente rara, e este que foi recuperado do nodossauro é de longe o estômago de dinossauro mais bem preservado encontrado até hoje”, disse Jim Basinger, co-autor do estudo e Geólogo da Universidade de Saskatchewan, em comunicado.

Esta descoberta permite saber o que um grande dinossauro herbívoro comia – neste caso, muitas folhas de samambaia mastigadas, algumas hastes e galhos. Os pormenores das plantas estavam tão bem preservados no estômago que podiam ser comparados com amostras colhidas em plantas modernas.

Também foi encontrado carvão, o que significa que deve ter andado numa zona em que terá ocorrido um incêndio. “As nossas descobertas também são notáveis ​​pelo que nos podem dizer sobre a interacção do animal com o seu ambiente, pormenores que geralmente não obtemos apenas do esqueleto de dinossauro”, afirmou Caleb Marshall Brown, co-autor do trabalho.

Diário de Notícias
DN
03 Junho 2020 — 16:35

 

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3777: Sexta extinção em massa cada vez mais próxima. Mais de 500 vertebrados estão em risco

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ECOLOGIA

razlisyam / Pixabay
O tigre-malaio é uma espécies perto da extinção.

Uma sexta extinção em massa está cada vez mais perto, alertam os cientistas. Mais de 500 espécies de vertebrados estão sob ameaça de extinção devido aos seres humanos.

Em 2015, o biólogo da Universidade de Stanford Paul Ehrlich foi um dos co-autores de um estudo que previa uma sexta extinção em massa a caminho. Agora, cinco anos depois, Ehrlich e os seus colegas fizeram um ponto de situação e concluíram que, afinal, o ritmo da extinção é provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente.

Num novo artigo publicado esta segunda-feira na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os investigadores revelam que o comércio de animais selvagens e outros impactos humanos extinguiram centenas de espécies e levaram muitas outras para o precipício da extinção a um ritmo sem precedentes.

A actividade humana, o exponencial aumento populacional, a invasão e a destruição de ecossistemas estão a ameaçar a sobrevivências de mais de 500 vertebrados, concluem os cientistas.

“Quando a humanidade extermina populações e espécies de outras criaturas, está a cortar o membro em que está sentada, destruindo partes do nosso próprio sistema de apoio à vida”, disse Ehrlich. “A conservação de espécies ameaçadas deve ser elevada a uma emergência nacional e global para Governos e instituições”.

“A sexta extinção em massa que está a decorrer pode ser a ameaça ambiental mais séria à persistência da civilização, porque é irreversível”, lê-se no novo estudo.

Com esta perda de robustez, os ecossistemas são cada vez menos capazes de preservar um clima estável, fornecer água doce, polinizar as culturas e proteger a humanidade de desastres e doenças naturais.

Os investigadores descobriram que 515 espécies de vertebrados terrestres, cerca de 1,7% de todas as espécies em vias de extinção observadas – estão muitíssimo perto de desaparecem. Isto significa que há menos de 1.000 espécimes vivos, sendo que metade desta espécies têm menos de 250 indivíduos.

“Milhares de populações de espécies de animais vertebrados criticamente ameaçadas desapareceram num século, o que indica que a sexta extinção em massa é causada por humanos e está a acelerar. A aceleração da crise de extinção é clara, e deve-se ao crescimento ainda rápido dos humanos e das taxas de consumo”, lê-se ainda no estudo.

“O que fazemos para lidar com a actual crise de extinção nas próximas duas décadas definirá o destino de milhões de espécies”, disse o autor do estudo, Gerardo Ceballos, citado pelo Phys. “Estamos a enfrentar a nossa oportunidade final de garantir que os muitos serviços que a natureza nos fornece não são sabotados irremediavelmente”.

Para além de sugerirem a proibição global do comércio de espécies selvagens, os autores do estudo destacam as espécies e regiões onde os recursos de conservação podem ser melhor direccionados.

“As relações entre a saúde humana e o bem-estar e a saúde do nosso planeta são bem conhecidas”, disse Rohan Clarke, professor da Escola de Ciências Biológicas da Universidade Monash da Austrália, que não participou do estudo.

“Esta investigação destaca a fragilidade dos sistemas de suporte da Terra e a necessidade urgente de agir. A exigência de que a conservação de espécies ameaçadas seja elevada a uma emergência nacional e global é justificada e urgente”, acrescentou o cientista, citado pelo New Atlas.

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3 Junho, 2020

 

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3759: É um polvo, chama-se Dumbo e mora a sete mil metros de profundidade (um novo recorde)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Marine Biology

Um polvo foi fotografado no leito do Oceano Índico, a sete mil metros de profundidade. É um novo recorde.

A descoberta de um polvo a 7 mil metros de profundidade, 6.957 metros mais especificamente, foi relatada pela equipa de investigadores na Marine Biology. No artigo científico, os cientistas explicam o nome que foi escolhido para baptizar o polvo “apanhado” nas profundezas do Oceano Índico.

O animal chama-se “Dumbo” por causa das barbatanas em forma de orelhas que fazem lembrar a famosa personagem do elefante da Disney. A estranha criatura marinha (Grimpoteuthis) foi observada duas vezes no no Java Trench, no leito do Índico, a 5.760 e 6.957 metros de profundidade.

Os cientistas mergulharam nos lugares mais profundos do mar durante um ano meio e fizeram esta descoberta em abril. À CNN, Alan Jamieson, ecologista marinho, disse que a equipa ficou muito surpreendida com a aparição de Dumbo: depois de 100 mergulhos, os investigadores da expedição The Five Deeps já tinham uma ideia dos animais que vivem nas águas mais profundas, mas não estavam à espera de ver o polvo.

“Como habitualmente, filmamos quase o mesmo material, mas, de repente, no meio de um mergulho a cerca de 6 mil metros, um polvo Dumbo simplesmente voa à frente da câmara”, contou. Depois da primeira aparição, os cientistas voltaram a mergulhar, mas, desta vez, um pouco mais fundo – a 7 mil metros.

Jon Copley @expeditionlog

6957 metres: the new depth record for direct observation of a cephalopod – in this case, a dumbo octopus – in the ocean…

…confirming suspicions from earlier trawls that they live in upper trenches.

New paper by Alan Jamieson & Michael Vecchione: https://link.springer.com/article/10.1007/s00227-020-03701-1 

First in situ observation of Cephalopoda at hadal depths (Octopoda: Op

The Cephalopoda are not typically considered characteristic of the benthic fauna at hadal depths (depths exceeding 6000 m), yet occasional open-net trawl samples have implied that they might be…

link.springer.com

Alan Jamieson foi o pioneiro na exploração das profundezas dos oceanos, usando um equipamento especial chamado lander. O equipamento é lançado ao mar por navios de investigação, ficam no leito do oceano e gravam o que por lá se passa.

O cientista considera que esta descoberta pode mudar a percepção das pessoas que acham que o fundo do mar é povoado por criaturas estranhas e assustadoras.

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29 Maio, 2020

 

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3202: “Lesmas-leopardo” acasalam da forma mais espantosamente bizarra (e ninguém sabe porquê)

CIÊNCIA

Ken Griffiths / Canva

As “lesmas-leopardo” têm talvez o acasalamento mais intrigante e espantoso de todo o reino animal. Os biólogos ainda não conseguiram decifrar porque razão estes moluscos acasalam desta forma.

Na escuridão da noite, duas grandes “lesmas-leopardo” começam a cortejar, circulando uma à volta da outra, antes de treparem em fila única por uma árvore ou por uma rocha. Elas criam uma espécie de corda de muco, entrelaçando os seus corpos em sentido anti-horário.

Depois, as duas lesmas entrelaçam os seus dois pénis, que saem de aberturas na lateral da cabeça, antes de trocarem esperma, que pode vir a fertilizar cada um dos seus óvulos — ou talvez ser comido. Eventualmente, uma lesma rasteja para fora, enquanto a outra a segue, comendo o trapézio de muco deixado para trás.

A surpreendente vida sexual das “lesmas-leopardo”, ou Limax maximus, há muito que é conhecida por especialistas e frequentemente aparece em documentários sobre vida selvagem. Mas, enquanto a sua dança carnal hipnotiza milhões, ninguém sabe porque é que elas acasalam desta maneira tão bizarra.

É sabido que “lesmas-leopardo”, como a maioria das lesmas, são hermafroditas. No entanto, a auto-fertilização geralmente não é a opção preferida. Isto é provável porque a selecção natural favorece o acasalamento com outro indivíduo para evitar a perda de saúde, fertilidade e perigos associados à consanguinidade.

Embora possam escolher se acasalam como machos ou fêmeas, a maioria das lesmas e caracóis acasalam como machos e fêmeas ao mesmo tempo. Além disso podem armazenar esperma durante meses e até anos e, portanto, nem sempre precisam de receber espermatozóides se já acasalaram com um parceiro melhor.

Elas podem ter o melhor dos dois mundos escolhendo comer e digerir a maioria dos espermatozóides, mantendo apenas o suficiente para fertilizar os óvulos.

Também sabemos porque é que as “lesmas-leopardo” giram no sentido anti-horário ao acasalar. Assim como os corações humanos estão quase sempre do lado esquerdo do corpo, o corpo de uma lesma também é assimétrico. Esta assimetria faz com que as “lesmas-leopardo” girem no sentido anti-horário em sincronia durante o acasalamento.

O resto é mistério

O restante do seu elaborado comportamento de acasalamento é menos bem compreendido. Pode ser que essa comunicação e cooperação sejam aspectos importantes do comportamento sexual no mundo dos moluscos.

O longo trapézio de muco pode ser um exemplo de evolução sexual para significar comprometimento, garantindo que todos os esforços de acasalamento não sejam desperdiçados. O entrelaçamento em espiral também pode facilitar o contacto físico e o comprometimento.

Mas este comportamento também é mais sinistro do que parece à primeira vista. Algumas lesmas e caracóis envolvem-se numa guerra hormonal ou conflito sexual para aumentar as suas hipóteses de fertilizar o parceiro. Por exemplo, conforme interpretado artisticamente por Isabella Rossellini, muitos caracóis apunhalam cada um com dardos amorosos, transferindo hormonas para melhorar a probabilidade de o esperma ser usado para fertilização.

A lesma Deroceras, vista no vídeo abaixo, sacode e acaricia o seu parceiro com o que parece ser um cobertor pegajoso pela mesma razão.

O belo entrelaçamento da “lesma-leopardo” pode ser outra manifestação dessa coerção sexual, maximizando a área de superfície para a transferência de hormonas. Os pénis longos também podem ser outro resultado extremo de uma corrida armamentista evolutiva para melhorar as perspectivas de fertilização.

Na ausência de um estudo directo, as explicações acima podem ser consideradas apenas especulações. A verdade é que a ciência ainda não tem um controlo firme sobre os rituais sexuais fascinantes das “lesmas-leopardo”.

Mais do que voyeurismo

Os cientistas não estão apenas a ser voyeurs quando dizem que gostariam de desvendar os mistérios do sexo das lesmas. Além de apenas entender a maravilha e a beleza do comportamento, há potenciais benefícios.

Algumas espécies de lesmas são pragas agrícolas e de jardim. Com a proibição pendente de pesticidas essenciais para uso agrícola em alguns países, há uma pressão crescente para encontrar outras maneiras de controlar a sua propagação. Uma maneira poderia ser identificar produtos químicos inofensivos que interferem nas suas vidas sexuais.

Outra abordagem poderia ser questionar porque é que algumas das lesmas que causam o maior incómodo agrícola abandonam completamente o sexo. A falta de sexo reduz a variação genética, que faz com que culturas como batata e banana sofram surtos de doenças. O estudo dos hábitos reprodutivos das lesmas pode revelar uma vulnerabilidade semelhante que poderia ser explorada para controlar as suas populações.

É claro que também pode haver benefícios que não podemos antecipar. Portanto, assim como as pessoas defendem árvores, abelhas e borboletas, precisamos de mais entusiastas de lesmas de todos os tipos para ajudar a desvendar os seus mistérios.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
15 Dezembro, 2019

 

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3189: Orcas bebé têm maior probabilidade de sobreviver se viverem com a avó

CIÊNCIA

cullenphotos / Canva

Crias de orca que vivam com a avó têm uma maior probabilidade de sobreviver quando comparadas às outras orcas. A experiência destas espécimes mais velhas é essencial para o grupo.

Tal como nos humanos, as avós orcas são peças fundamentais da família. Uma nova investigação descobriu que as orcas mais velhas constituem uma mais-valia para a sobrevivência das novas crias. O estudo foi publicado esta semana na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Daniel Franks e a sua equipa de biólogos constataram que as orcas bebé que não contavam com a presença das avós na pós-menopausa tinham taxas mais altas de mortalidade. Esta correlação era visível principalmente quando os alimentos eram escassos.

“Se a avó morre, nos anos que se seguem à sua morte, é muito mais provável os netos morrerem”, disse o investigador da Universidade de York. Estas orcas conseguem orientar os peixes na direcção das crias, podendo “explicar os benefícios de as fêmeas viverem muito tempo após a reprodução”, explica Franks.

Devido à sua experiência, recursos e tempo livre, as orcas mais velhas eram cruciais para a proliferação das crias do grupo. E porque é que são unicamente as orcas fêmeas mais velhas e não os machos mais velhos?

Segundo o Gizmodo, as orcas macho raramente vivem para lá dos seus 30 anos, enquanto que as fêmeas têm uma maior longevidade, podendo ter crias até aos 40 anos e viver mais algumas décadas. No mundo animal, poucas são as espécies que vivem para além do período depois da menopausa — de forma semelhante aos seres humanos.

“O estudo sugere que avós em idade fértil não podem fornecer o mesmo nível de apoio que avós que já não se reproduzem”, notou Franks. “Isso significa que a evolução da menopausa aumentou a capacidade da avó ajudar os seus netos“, acrescentou.

Os benefícios que as orcas mais velhas trazem traduz-se por aquilo a que os especialistas chamam de “efeito da avó”, que consiste no valor benéfico ou adaptativo de ter avós por perto para cuidar dos netos.

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas basearam-se em dados estatísticos recolhidos ao longo de 36 anos de dois grupos de orcas da costa noroeste do Canadá e dos Estados Unidos com o Oceano Pacífico.

“A morte de uma avó depois da menopausa pode ter repercussões importantes no seu grupo familiar, o que pode revelar-se uma consideração importante quando se avalia o futuro destas populações. À medida que as populações de salmões continuam a declinar, as avós deverão tornar-se ainda mais importantes para estas populações de orcas”, conclui o especialista.

ZAP //

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

 

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Espécie “rara” de abutre avistada em Mogadouro

CIÊNCIA

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro.

Investigadores da Palombar, uma associação transmontana que se dedica à conservação da natureza, registou a presença de um “raro” grifo-de-rüppell (‘Gyps rueppellii’), em Bruçó, no concelho de Mogadouro, revelou à Lusa o biólogo, José Pereira.

“Trata-se de uma espécie de ave rupícola (grifo/abutre) que se encontra ameaçada no mundo, tendo sido registada a sua presença, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, em Pleno Parque Natural do Douro Internacional [PNDI]”, indicou o técnico da Palombar.

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de Junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro, gerido pela Palombar, no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

“A Palombar confirmou que se tratava de um indivíduo da espécie ‘Gyps rueppellii’, tendo consultado outros especialistas em abutres, que deram igualmente um parecer afirmativo, corroborando que, de facto, se trata de um grifo-de-rüppell”, frisou José Pereira.

Segundo vários especialistas envolvidos no projecto, devido às “alterações climáticas que se verificam e à progressiva ‘africanização’ do clima na Península Ibérica, muitas espécies de aves africanas parecem estar a colonizar este território, incluindo alguns abutres”.

Em Setembro de 2018,a Palombar anunciava o avistamento, também no PNDI, de uma outra “espécie rara”, uma águia-imperial-ibérica, igualmente no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

Segundo o biólogo, esta espécie encontra-se principalmente na África central e habita sobretudo na savana aberta e árida, em áreas semi-desérticas, em zonas limites do deserto e em zonas de montanha.

Apesar de ainda não existirem registos definitivos que comprovem a ocorrência de reprodução dessa espécie na Europa, o grifo-de-rüppell tem sido avistado com cada vez mais frequência na Península Ibérica, acreditam os técnicos ligados à conservação da natureza.

“O grifo-de-rüeppell é uma espécie de abutre africana que chegou ao Douro Internacional”, vincou José Pereira.

Quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente”

Para os ambientalistas e técnicos da conservação da natureza, a Europa poderá passar a ter uma quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente” no seu território.

Segundo esta associação, os campos de alimentação para aves necrófagas “são fundamentais para assegurar a conservação de espécies de aves com hábitos alimentares necrófagos”.

“Isto porque uma das principais ameaças que estas aves enfrentam é a falta de disponibilidade de alimento, a qual foi agravada com a chamada crise das ‘Vacas Loucas’, que levou a que as carcaças de gado não pudessem mais ficar no campo. Esta sempre foi a principal fonte de alimentação das aves necrófagas “, indicam estudos da Palombar.

O projecto Life Rupis, lançado há cerca de quatro anos por nove entidades ibéricas ligadas à conservação da natureza no Douro Internacional, apresenta resultados “positivos”, nomeadamente no reforço da população de aves como a águia-perdigueira e o britango.

O projecto teve início em Julho de 2015 e tem uma duração de quatro anos, estando dotado com um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia e cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

Os parceiros envolvidos neste projecto são a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Associação Transumância e Natureza, Palombar, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Junta de Castilla y León, Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, Vulture Conservation Foundation, EDP Distribuição e GNR.

Diário de Notícias

Lusa
12 Novembro 2019 — 15:27

 

2940: Focas encontram abrigo em ilha vulcânica activa no Alasca

CIÊNCIA

(CC0) skeeze / Pixabay

Dezenas de milhares de focas bebés nascem todos os anos na Ilha Bogoslof, um pequeno pedaço de terra nas Ilhas Aleutas do Alasca – que também é a ponta de um vulcão activo subaquático.

Depois de várias décadas a serem procuradas por comerciantes norte-americanos e russos, a população de focas do norte do Alasca lutou muito para sobreviver. Os animais habitam, normalmente, as águas do Oceano Pacífico, da Califórnia ao Japão, e foram classificadas como “vulneráveis” pela União Internacional para Conservação da Natureza durante, pelo menos, duas décadas.

O que faz esta população crescer numa zona que contém um vulcão activo – que entrou em erupção em 2017 – é ainda mais surpreendente, nota o All That’s Interesting.

As focas foram vistas pela primeira vez na ilha Bogoslof em 1980. Os animais usaram a ilha rochosa como ponto de encontro temporário, mas nos últimos anos começaram a reproduzir-se neste lugar.

Segundo a Associated Press, os biólogos estimaram uma taxa de crescimento anual de pouco mais de 10%, para aproximadamente 28.000 crias na ilha em 2015. Este ano, devem nascer mais de 36.000 crias na ilha.

Embora a ilha não seja um local totalmente incomum para as focas do norte habitarem, os cientistas estão perplexos com o motivo pelo qual estes animais estão a transformar a volátil ilha vulcânica no seu novo lar, em vez de escolherem outras ilhas desabitadas.

A Ilha Bogoslof – também conhecida pelos seus nomes indígenas Agashagok, Tanaxsidaagux e Agasaagux – é a ponta de um vulcão subaquático com apenas cerca de 800 metros quadrados. O centro da ilha abriga um campo de fumarolas – aberturas que lançam gás quente – que rugem “como motores a jacto”, e gêiseres quentes que se espalham a vários metros de altura, conta o geofísico Chris Waythomas.

As últimas erupções do vulcão aconteceram em 2016 e 2017, e deixaram a ilha coberta de rochas e detritos eliminando toda a sua vegetação. “A superfície é coberta com grandes blocos balísticos, alguns com 10 metros de comprimento, que foram explodidos pela abertura de ventilação”, descreve Waythomas. “Estes blocos cobrem a superfície. É muito selvagem.”

Tom Gelatt, biólogo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, questionou-se sobre o motivo pelo qual as focas do norte estão a escolher este lugar para dar à luz e colocou uma hipótese em cima da mesa: a conveniência.

Estes animais vão caçar a águas profundas muito próximas, que são abundantes em lulas e peixes de língua lisa – os seus alimentos favoritos. Isso faz com que as focas deem à luz naquele lugar.Além disso, Bogoslof está muito mais perto das suas áreas de alimentação de inverno, reduzindo o risco de novas crias sofrerem com as tempestades do Mar de Bering para chegar às áreas.

No entanto, as focas podem estar a escolher uma zona perigosa, uma vez que há sinais de que estão a atrair predadores indesejados para as águas ao redor de Bogoslof, como baleias assassinas.

Além disso, as alterações climáticas podem acabar com esta nova casa de uma só vez. “Algumas grandes tempestades podem remover grande parte da ilha”, disse Waythomas. “Não sabemos quanto tempo vai ficar assim.”

ZAP //

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1 Novembro, 2019

 

2939: A Grande Ilha de Lixo do Pacífico tem novos (e inesperados) visitantes

CIÊNCIA

Magnus Larsson / Canva

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico, um monumento de lixo plástico flutuante no oceano, tem recebido novos – e inesperados – visitantes.

Biólogos têm observado, pela primeira vez, cachalotes a brincar na área do Grande Depósito de Lixo do Pacífico. Dado os perigos da poluição plástica para a vida marinha, estas visitas são extremamente preocupantes.

De acordo com um estudo publicado em Agosto na revista especializada Marine Biodiversity, os investigadores da Ocean Cleanup Foundation estudaram a Grande Ilha de Lixo do Pacífico e observaram pelo menos quadro cachalotes – incluindo uma mãe e uma cria -, três baleias-bicudas, duas baleias e pelo menos cinco outro cetáceos.

“As nossas observações de vários plásticos oceânicos de uma ampla variedade de tamanhos sugerem que os cetáceos dentro do Grande Depósito de Lixo do Pacífico provavelmente são impactados pela poluição do plástico, seja por interacções de ingestão ou emaranhamento com detritos”, concluíram os autores do estudo.

Os 14 cetáceos foram avistados a partir de uma aeronave da era da Guerra do Vietname, usando fotografias, imagens de infravermelho e dados do LIDAR em Outubro de 2016. O principal objectivo era contar os plásticos oceânicos. Juntamente com inúmeros pequenos pedaços de plástico e pequenas partículas sintéticas, também encontraram 1.280 pedaços de detritos com mais de 50 centímetros – uma proporção de aproximadamente 90 grandes objectos plásticos por animal avistado.

Susan E Gibbs et al

A Grande Ilha de Lixo do Pacífico localiza-se entre o Hawai e a Califórnia, numa das regiões mais remotas do Oceano Pacífico. Consiste em 88 mil toneladas de redes de plástico flutuantes, corda de pesca, bens de consumo de plástico e lixo não biodegradável.

Estas ilhas de lixo são formadas pelas correntes oceânicas rotativas. Vastas correntes oceânicas varrem e transportam a poluição plástica. Esses fluxos de lixo tornam-se cercados por outras correntes oceânicas, prendendo-os.

A poluição plásticas nos oceanos é um mal conhecido. Os seus efeitos sobre a vida selvagem são especialmente visíveis em animais de grande porte, como aves marinhas e cetáceos. Recentemente, foi descoberta uma baleia-bicuda ao longo da costa das Filipinas com 40 quilos de lixo plástico nas entranhas.

O plástico pode também prejudicar o meio ambiente e a biodiversidade de várias maneiras. Por um lado, é conhecido por promover a proliferação de certas bactérias, o que poderia ter implicações em doenças no oceano.

ZAP //

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1 Novembro, 2019

 

2909: Norueguês investe milhões para refutar darwinismo

CIÊNCIA/EVOLUÇÃO

possan / Wikimedia

Einar Rasmussen, um dos homens mais ricos da Noruega, não acredita na Evolução e investe dinheiro para refutar a Teoria da Evolução de Darwin.

Um dos noruegueses mais ricos do país, Einar Rasmussen, alocou mais de um milhão e 300 mil euros na recém-criada BioCosmos, uma organização de fundo religioso que tem como objectivo refutar a Teoria da Evolução de Darwin.

A fundação está empenhada em propagar a teoria, ainda não provada pela Ciência, de “design inteligente“, que parte do pressuposto de que a natureza tem um carácter tão harmonioso que a Evolução não poderia ter ocorrido aleatoriamente, como Darwin teorizou.

Para os entusiastas desta ideia, a Evolução seria o resultado de uma qualquer “engenharia” – e Einar Rasmussen concorda. De acordo com o milionário de 81 anos, formado em engenharia naval e herdeiro de uma companhia de transportes fundada pelo seu pai, esta é a teoria que deveria ser ensinada nas escolas norueguesas.

“O meu desejo é fazer com que estas investigações modernas venham ao conhecimento do público geral. Esta teoria vai contra Darwin em pontos muito importantes”, afirmou Rasmussen, a um canal de televisão norueguês, citado pela Sputnik News. “A micro-evolução é algo que ocorre na natureza. No entanto, não observamos nenhum grande salto evolutivo, esse fenómeno não está documentado”, sustentou.

Apesar das suas alegações de que sua fundação se baseia na Ciência, o milionário é alvo de críticas tanto de cientistas, como de políticos. Glenn-Peter Satre, professor de Biologia Evolutiva na Universidade de Oslo e autor do livro “Genética Evolutiva”, publicado pela Oxford University Press, condenou a BioCosmos por determinar as crianças como público-alvo.

A fundação, que tem carácter religioso, é também posta em causa pelo teólogo Martin Jakobsen, da Faculdade de Teologia Ansgar, em Kristiansand. “A ideia é mostrar que não há conflito entre a Ciência e a Fé, mas o que acaba por acontecer é a confirmação da ideia preconceituosa de que as pessoas religiosas são cépticas em relação à Ciência e às novas ideias”, disse Jakobsen.

Por esse motivo, classificou este projecto como uma “versão moderna do criacionismo norte-americano”.

Vários políticos noruegueses também expressaram as suas críticas e preocupações em relação ao investimento do milionário na organização. O trabalhista Torstein Tvedt Solbert classificou a ideia de “design inteligente” de “ambígua”, frisando que é “completamente errado” que pessoas ricas “gastem dinheiro para comprar o acesso às salas de aulas norueguesas”. 

Esta notícia também ecoou nas redes sociais, com vários internautas a considerar que o dinheiro deveria ter sido aplicado de forma mais inteligente – por exemplo, em investigações sobre o tratamento para o cancro.

A Teoria da Evolução, formulada pelo biólogo inglês Charles Darwin, explica por que motivo os organismos mudam de forma ao longo do tempo. O principal argumento de Darwin é a acção da selecção natural e da mutação aleatória. De acordo com o biólogo, a Evolução é fruto da relação entre variação, hereditariedade e luta pela sobrevivência.

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26 Outubro, 2019

 

2448: Há um peixe que pode viver mais de 100 anos (mas isso não é necessariamente uma boa notícia)

CIÊNCIA

(dr) Lackmann et al., Communications Biology, 2019
Ictiobus cyprinellus

Embora seja um dado impressionante, os biólogos descobriram que os 112 anos de um exemplar da espécie Ictiobus cyprinellus também significam um problema que, mais uma vez, tem a actividade humana como principal culpada.

Novas técnicas revelaram que um Ictiobus cyprinellus, peixe de água doce nativo da América do Norte, viveu cerca de 112 anos. Além de superar largamente a expectativa de vida de 26 anos desta espécie, esta idade excede ainda a expectativa de vida de qualquer peixe de água doce conhecido por quase 40 anos.

Segundo o Science Alert, os biólogos já suspeitavam que este peixe podia viver mais tempo do que se pensava, por isso puseram mãos à obra para descobrir quantos anos podiam ter. Entre 2011 e 2018, apanharam um grande número de peixes para fazer uma recolha de dados.

Alguns dos espécimes foram fotografados, medidos, identificados pelo sexo e etiquetados antes de serem devolvidos à natureza, para que depois a equipa pudesse medir as suas mudanças ao longo do tempo. Outros 386 exemplares não tiveram a mesma sorte e foram dissecados para determinar a sua idade.

Os investigadores retiraram finas aparas dos seus otólitos, estruturas de carbonato de cálcio nos ouvidos dos peixes ósseos que os ajudam a manter o equilíbrio. No estudo, publicado em maio na revista Communications Biology, os anéis otolíticos deram um resultado inicial de 80 a 90 anos — um número impressionante pois, até então, o mais antigo peixe ósseo de água doce era um Aplodinotus grunniens, com 73 anos.

Para verificar este resultado inicial, os biólogos usaram a datação por carbono bomba, uma técnica que existe graças ao teste da bomba atómica em meados do século XX. Esses testes duplicaram a quantidade de carbono-14 na atmosfera antes de recuar lentamente para os níveis anteriores.

Os cientistas procuraram então pelo carbono-14 nos anéis dos otólitos que recolheram para determinar quantos anos o peixe tinha, o que lhes permitiu que o exemplar em causa tinha mesmo 112 anos. Mas entre 85% e 90% de algumas das populações de peixes estudadas tinham mais de 80 anos, o que estranhamente significa um problema.

“Documentamos numerosas populações que são compostas em grande parte por indivíduos com mais de 80 anos, o que sugere um fracasso no recrutamento a longo prazo desde a construção de uma barragem nos anos 30″, escreveram os autores no artigo científico.

“As barragens em rios são citadas como a principal causa de fracasso no recrutamento deste peixe porque restringem o acesso a habitats de desova e podem silenciar as sugestões ambientais pensadas para iniciar o comportamento de desova”, acrescentam.

Noutras palavras, escreve o Science Alert, algumas populações de peixes não estão a produzir jovens e parece que, mais uma vez, a actividade humana é a principal culpada. Os investigadores esperam agora que esta descoberta inspire uma maior apreciação sobre uma espécie que consideram ser incompreendida.

ZAP //

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15 Agosto, 2019

 

2311: Formas de vida antigas despertaram após 40.000 anos congeladas no permafrost

CIÊNCIA

Brocken Inaglory / Wikimedia

Cientistas encontraram formas de vida antigas que se conseguiram manter intactas após estarem congeladas durante 40 mil anos no permafrost.

Os seres vivos são mais resistentes do que aquilo que pensamos. Vários estudos realizados nos pólos — cada vez mais quentes — revelaram diversos organismos que nunca imaginávamos terem sobrevivido centenas e milhares de anos de congelamento.

Do permafrost e das calotas polares a derreter, investigadores recolheram não apenas bactérias e plantas congeladas há centenas de anos, mas até um verme nemátodo vivo mesmo após 40 mil anos debaixo do gelo.

Em 2009, uma equipa de biólogos liderada por Catherine La Farge, da Universidade de Alberta, visitou a ilha canadiana de Ellesmere para documentar a vegetação que se formou há centenas de anos atrás na região e foi congelada durante a Pequena Idade do Gelo, que terminou em 1850.

Os cientistas ficaram surpreendidos ao encontrarem um tufo de musgo da espécie Aulacomnium turgidum com uma certa tonalidade verdejante — um sinal possível de vida. “Não é de presumir que algo enterrado por centenas de anos seria viável. O material sempre foi considerado morto. Mas, ao ver tecido verde, pensei: ‘Bem, isto é incomum‘”, disse La Farge ao Science Alert.

A equipa analisou várias amostras do musgo em laboratório, cultivando-o em solos ricos em nutrientes. Quase um terço das plantas deu novos rebentos e folhas. “Ficamos muito impressionados. O musgo mostrou poucos efeitos nocivos do congelamento centenário”, explicou a bióloga.

O ecologista Peter Convey fez uma descoberta ainda mais antiga: a sua equipa conseguiu recuperar um musgo de 1.500 anos enterrado no permafrost antárctico. “O ambiente do permafrost é muito estável”, esclareceu Convey.

P. Boelen / BAS
Uma amostra do musgo encontrado pelos cientistas.

O solo permanentemente congelado pode isolar o musgo de factores de desgaste e erosão da superfície, como ciclos anuais de congelamento e descongelamento ou radiação prejudicial ao ADN. Desta forma, uma planta sobreviver mais de um milénio não é assim tão impossível quanto isso.

Contudo, a descoberta da equipa de cientistas liderada pela microbióloga Tatiana Vishnivetskaya, da Universidade do Tennessee, fez uma descoberta inacreditável.

Encontrar organismos unicelulares que sobreviveram várias eras de gelo no permafrost siberiano, por exemplo, é algo normal para a cientista. Vishnivetskaya já conseguiu trazer bactérias de milhões de anos de volta à vida numa placa de Petri.

Já um ser vivo com sistema nervoso é outra história — uma que pode obrigar cientistas a repensar o conceito de sobrevivência e perseverança. No ano passado, a equipa de Vishnivetskaya encontrou vermes segmentados completos: nemátodos.

Ser vivo mais antigo já descoberto

Os investigadores estimaram que um dos vermes tinha pelo menos 41 mil anos de idade, o que faz dele o ser vivo mais antigo já alguma vez descoberto. Para colocar isto em perspectiva, basta pensar que este verme deslocou-se na mesma terra dos Neandertais para acordar milénios depois num laboratório de alta tecnologia.

“É claro que ficamos surpreendidos e muito animados”, disse Vishnivetskaya. Com meio milímetro de comprimento, os nemátodos que voltaram à vida são as criaturas mais complexas já “ressuscitadas” depois de um logo período de congelamento.

De acordo com Gaetan Borgonie, especialista belga em nematóides, estes animais são omnipresentes em diversos habitats terrestres. Borgonie já descobriu comunidades destes vermes quilómetros abaixo da superfície do planetas em minas sul-africanas com pouco oxigénio e calor insuportável.

Os nemátodos podem entrar num estado de animação suspensa no qual ficam envoltos numa camada protectora. Vishnivetskaya não tem a certeza se os vermes que a sua equipa recolheu do permafrost passaram o tempo todo neste estado, mas acredita que eles poderiam teoricamente sobreviver indefinidamente se fossem congelados de forma estável. “Eles podem durar vários anos se as suas células permanecerem intactas”, disse.

ZAP // Hype Science

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14 Julho, 2019

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2220: A lendária Cidade Perdida do Deus Macaco é um refúgio de espécies “extintas”

CIÊNCIA

David Yoder / National Geographic

A Cidade Branca, imponente sítio arqueológico detectado em 2012 nas selvas das Honduras, é também um “ecossistema prístino e próspero, cheio de espécies raras e únicas”.

A ONG americana Conservation International chegou a essa conclusão depois de concluir uma expedição em 2017 para fins de consultoria, cujos resultados foram divulgados em 20 de Junho.

Um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Trond Larsen investigou a vida selvagem daquele refúgio de vida selvagem e encontrou entre as suas espécies algumas que se acreditava estarem extintas. Destas, 22 nunca tinham sido vistos em Honduras, dois foram identificados como desaparecidos do território nacional há décadas, e um deles, o do besouro-tigre, foi considerado completamente extinto, segundo um comunicado.

O antigo assentamento é um refúgio para grandes animais, como jaguares e pumas, mas também para morcegos, cobras, sapos e pássaros. Os investigadores identificaram, por exemplo, uma próspera população de queixadas, bem como uma variedade de porcos extremamente sensíveis à desflorestação, que precisa de vastas áreas de floresta intacta para sobreviver e é por isso que já não é encontrada na América Central.

A riqueza e diversidade do mundo dos insectos que vivem na Cidade Perdida reflecte-se no número total de espécies identificadas de borboletas e mariposas: 246. O número de espécies de plantas também se aproxima de 200, 14 das quais estão ameaçadas.

Larsen, chefe da expedição, disse que a sua equipa científica “ficou surpreendida com a descoberta de uma biodiversidade tremendamente rica, incluindo muitas espécies raras e ameaçadas”. A Cidade Branca “é uma das poucas áreas remanescentes na América Central onde os processos ecológicos e evolutivos permanecem intactos“.

À luz das descobertas, tanto arqueológicas como biológicas, o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, pediu um estudo científico aprofundado, que já está em andamento, para determinar as medidas de protecção exigidas pela floresta tropical ao redor da Cidade Branca.

Tanto as florestas como os monumentos da era pré-colombiana, ainda não escavados, fazem parte do parque natural de La Mosquitia, que é a maior área natural protegida da nação centro-americana.

Esta Cidade Perdida data de 1400 e foi construída por uma misteriosa civilização para a qual os arqueólogos ainda não têm nome. Foi uma maravilha mítica durante anos até que uma expedição confirmou a sua existência em 2015.

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23 Junho, 2019

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2218: Incrível atlas espacial mostra as órbitas de todos os objectos conhecidos do Sistema Solar

NASA

Uma cientista da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, criou um impressionante altas espacial, no qual é possível ver as órbitas dos planetas e dos milhares de asteróides conhecidos do Sistema Solar.

Para este trabalho, apelidado de “Atlas do Espaço”, Eleanor Lutz, bióloga e estudante de doutoramento da universidade norte-americana, utilizou dados disponíveis ao público de agências como a NASA e o US Geological Survey.

O mapa mostra as órbitas de mais de 18.000 asteróides, incluindo 10.000 que têm um diâmetro de mais de 10 quilómetros e aproximadamente 8.000 objectos de tamanho desconhecido. Além disso, no atlas, é também possível ver os diferentes planetas e as respectivas órbitas em torno do Sol.

“Gosto que todos estes dados sejam acessíveis, mas são muito difíceis de visualizar”, admitiu a cientista ao portal de Wired. A Astronomia “é uma ciência verdadeiramente incrível, e queria que todos o pudessem ver de uma forma lógica”.

“Existe uma barreira de conhecimento para aceder a algumas das coisas mais interessantes e surpreendentes da ciência”, acrescentou.

Ver imagem no Twitter

marqdmartianMD @mrcmrzn

Map of the solar system for all bodies more than 10km across by Eleanor Lutz

Analisar e exporto todos estes dados não foi uma tarefa fácil. Para conseguir chegar até ao atlas, Lutz teve de aprender várias e diversificadas ferramentas de programação e design gráfico. “Como não tenho formação como designer, e não sou astrónoma, aprendi muito com os tutoriais online”, confessou, citada pelo mesmo portal.

A cientistas criou também outros mapas vividos de constelações, asteróides e planetas. Nas próximas semanas, a cientista vai lançar cada um dos seus trabalhos juntamente com um tutorial para que todos possam explorar e criar trabalhos semelhantes.

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23 Junho, 2019

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2056: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

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26 Maio, 2019


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2045: Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

CIÊNCIA

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que os distanciará dos humanos da Terra. Estas alterações serão tão drásticas que os habitantes de Marte não poderão ter filhos com os habitantes da Terra.

Esta é a conclusão de Scott Solomon, professor da Rice University, nos Estados Unidos. Num artigo na Inverse, o investigador explica que Marte tem difíceis condições de vida, o que levará a uma alta taxa de mortalidade entre os primeiros colonos.

Para inverter a mortalidade, e tendo em conta o elevado nível de radiação, os colonos vão sofrer uma série de mutações genéticas que os ajudará na adaptação ao planeta.

“Se uma mutação aparece em pessoas que vivem em Marte e lhes dá uma vantagem de sobrevivência de 50%, é uma grande vantagem, certo? E isso significa que os indivíduos vão transmitir estes genes a uma taxa muito mais rápida do que noutros casos”, sustenta.

Segundo o biólogo, o aumento da densidade óssea, o aparecimento da miopia como característica congénita, a mudança da cor de pele e a capacidade de usar oxigénio de uma forma mais eficiente são algumas das adaptações mais prováveis entre os colonos.

Contudo, explicou o biólogo, a maior e mais rápida mudança seria a perda do sistema imunológico, já que este será desnecessário no ambiente estéril da novas colónias. Neste ambiente, sem microrganismos, os residentes não necessitarão de ter um corpo capaz de combater germes ou bactérias. Solomon acredita que este ambiente poderia até fornecer uma oportunidade para erradicar doenças.

É também a ausência de sistema imunitário que impedirá que marcianos e terráqueos possam ter filhos. Poderia ser letal. No entender do biólogo, esta questão pode forçar humanos e futuros marcianos a separarem-se irreversivelmente.

As adaptações mais vantajosas poderiam ser aceleradas através da edição de genes, acredita o cientista. “Por que esperar que esta mutação ocorra se pudermos fazê-la acontecer por nos próprios?, questiona o cientista.

Contudo, importa frisar, a trajectória evolutiva da população marciana dependeria da diversidade genética. Ou seja, para obter o melhor resultado possível, a colónia deveria ter centenas de milhares de pessoas de todas as populações genéticas da Terra.

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25 Maio, 2019

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2016: Descoberta nova espécie de rã de cristal na Colômbia

CIÊNCIA

Plos One

Uma rã de cristal com um coaxar peculiar foi descoberta na Sierra Nevada de Santa Marta, uma cordilheira localizada na Colômbia. “Foi um golpe de sorte”, revelou o cientista que encontrou o novo espécime.

Segundo noticia o portal IFL Science, o biólogo José Luis Pérez-González ouviu pela primeira um coaxar diferente em meados de 2015, quando acampava perto de um riacho, no âmbito de uma expedição para estudar rãs-arlequim.

“Ficamos entediados e fomos explorar o riacho, onde encontramos uma rã de cristas, mas a forma como os animais coaxavam era muito diferente das espécies que já conhecíamos, como a gigante endémica rã de cristal Magdalena”, contou o cientistas, que é também, vice-presidente da Fundação Atelopus e membro da Global Wildlife Conservation.

“Foi uma experiência maravilhosa encontrar uma espécie completamente nova apenas por estar sem fazer nada, foi um verdadeiro golpe de sorte “, disse Pérez-González.

A nova espécie, baptizada de rã de cristal gigante de Guajira (Ikakogi ispacue), é quase idêntica à Magdalena (Ikakogi tayrona), apenas o coaxar as separa.

Embora a espécie tenha já sido descoberta em 2015, a sua existência só foi divulgada este mês na revista Plos One, depois de várias expedições adicionais e até mesmo uma análise de DNA, para confirmar que não era apenas um grupo de rãs com vocalização diferente.

As rãs de cristal são conhecidas por terem todo o seu corpo, especialmente a parte da barriga, parcial ou totalmente transparente, sendo possível ver os seus órgãos internos e até mesmo o coração a bater. Por norma, estes animais habitam em ambientes ricos em lama e em folhas caídas no fundo dos oceanos. Muitas vezes, parecem ter uma cor avermelhada, fenómeno que é o fruto do fluxo sanguíneo no corpo do animal.

ZAP //

Por ZAP
19 Maio, 2019



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