5134: Especialistas explicam porque é que os dinossauros (ainda) fascinam miúdos e graúdos

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Alex Beynon / Flickr

Mais de 60 milhões de anos após a sua extinção, os dinossauros continuam a fascinar miúdos e graúdos. Especialistas explicaram à BBC porque é que estes animais pré-históricos continuam presentes nos dias que correm, vaticinando que o “amor” por estas criaturas aumentará com o passar do tempo.

Apesar de terem sido dizimados da face da Terra por um asteróide de grandes dimensões, os dinossauros continuam em “estado de graça”: continuam a maravilhar e alimentar o conhecimento e imaginação de crianças e adultos, exposições com os seus fósseis são as mais procuradas nos museus de História Natural e os filmes que protagonizam costumam ser sucessos de bilheteira, rendendo milhões de euros aos seus criadores.

Em declarações à emissora britânica BBC, especialistas apontam o “terror controlado” como um dos factores que justificam o fascínio com estes répteis pré-históricos.

“Todos nós somos fascinados por vilões e os dinossauros foram os vilões da pré-história”, afirma o biólogo evolucionista Ben Garrod, que aproveita o interesse das crianças por estes animais para fazer com que se interessem por Ciência.

Laverne Antrobus, psicóloga infantil, recorda a “curiosa mistura de terror e excitação” que todos parecem sentir face à existência dos dinossauros. Estes animais, sustenta, apesar de assustadores, oferecem uma sensação de segurança: “Embora possamos sentir medo destes animais, sabemos que já não existem”.

“A brincar ou a ler sobre estes animais, dá para ter uma ideia sobre como era a vida antes, [no tempo dos dinossauros], e imaginar como seria viver nesta época (…) Podemos brincar com estas ideias sem a necessidade de vivenciá-las realmente”.

Sensação de autoridade

Muitas crianças não só sabem os nomes complicados destes animais de cor, como também conhecem os seus hábitos alimentares e acompanham a descoberta de novos fósseis.

De acordo com os psicólogos, este interesse em adquirir conhecimento sobre determinada área tão específica pode ajudar as crianças a desenvolver a capacidade de processar informação, a persistência e autoconfiança.

“De forma consciente ou inconsciente, pais e adultos contribuem para este mundo maravilhoso em que as crianças surgem como especialistas”, observa Antrobus, dando conta que, como os mais pequenos sabem muito sobre os dinossauros, acabam por ter a sensação de estar realmente a viver num “mundo adulto”.

“Estes são os primeiros momentos em que as crianças sentem a sua autoridade, e essa é uma sensação muito poderosa”, completa a especialista.

Antrobus refere ainda que sempre que apresenta uma caixa de brinquedos a um grupo de crianças, os dinossauros costumam ser os que chamam mais à atenção: “Não me surpreende que escolham os dinossauros. São enormes, têm uma forma desajeitada… Abrem portas para falar sobre muitas emoções, algumas das quais muito poderosas”.

De acordo com a BBC, o fascínio por estes animais desenvolve-se, por norma, entre os três e os seis anos de idade, acabando por desaparecer depois desta fase.

Garrod vaticina ainda que o interesse pelos dinossauros não deverá desvanecer com o tempo, tendo antes o efeito contrário à medida que novos fósseis são descobertos.

“Acredito que o nosso amor pelos dinossauros ficará cada vez maior“, afirma, acrescentando: “Quanto mais soubermos sobre [estes animais], quanto mais os entendermos, mais apaixonados vamos ficar”.

O paleontólogo Diego Pol, que, em 2012, descobriu vestígios fósseis de um gigante espécime de dinossauro – com a dimensão de três autocarros – na Argentina, partilha da mesma ideia: “É algo inato da natureza humana. Não é algo que desaparecerá facilmente”.

ZAP ZAP // BBC

Por ZAP
15 Fevereiro, 2021


5012: Corpos de focas funcionam como altifalantes debaixo de água

CIÊNCIA/BIOLOGIA

ToNic-Pics / Pixabay

Durante a época de acasalamento, os corpos das focas funcionam como altifalantes, emitindo ruídos enquanto nadam debaixo de água, revela um novo estudo.

Uma equipa de investigação da Universidade de Twente, nos Países Baixos, descobriu que durante a época de acasalamento, quando a comunicação entre machos e fêmeas se intensifica, o corpo da foca emite ruídos enquanto nada debaixo de água.

“As vibrações da superfície corporal podem ser usadas para gerar som em qualquer meio acústico, agindo com o mesmo princípio de um altifalante”, começou por dizer o líder da investigação e especialista bio-acústico Łukasz Nowak, citado pelo portal The First News.

“Porém, assim como nem todos os altifalantes funcionam debaixo de água, várias condições devem ser atendidas para que esse mecanismo seja eficiente”, acrescentou o investigador, explicando que, ao contrário dos sons emitidos por golfinhos, os sistemas vocais das focas são semelhantes aos dos humanos.

“É por isso que as focas me inspiraram no desenvolvimento de sistemas de comunicação de voz para mergulhadores”, disse ainda Nowak.

No ano passado, focas cinzentas foram filmadas, pela primeira vez, a bater as barbatanas debaixo de água. Os investigadores concluíram que este comportamento é uma forma de comunicação, usado para afastar concorrentes e como forma de exibição para os potenciais companheiros.

“A descoberta de focas a bater palmas pode não parecer tão surpreendente, afinal, elas são famosas por bater palmas em zoológicos e aquários. Mas enquanto os animais do jardim zoológico são frequentemente treinados para bater palmas para nosso entretenimento, estas focas cinzentas estão a fazer isso na natureza por vontade própria”, explicou o autor do estudo, David Hocking.

As focas são animais bastante sociais, nadam frequentemente em grupo e o barulho que produzem dura menos de uma fracção de segundo, embora produza um som de alta frequência. Os investigadores constataram que o tom corta o ruído de fundo para transmitir uma mensagem clara às focas que estejam nas redondezas.

Pela primeira vez, focas cinzentas foram filmadas a bater palmas debaixo de água

Focas cinzentas foram filmadas, pela primeira vez, a bater as barbatanas debaixo de água. Elas fazem-no para afastar a concorrência…

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ZAP //

Por Daniel Costa
28 Janeiro, 2021


5007: Milhões de estrelas-do-mar morreram transformadas em gosma. Cientistas já sabem porquê

CIÊNCIA/BIOLOGIA/MICROBIOLOGIA

Jerry Kirkhart / Wikimedia
Uma estrela do mar da espécie Pycnopodia helianthoides

Cientistas descobriram finalmente o culpado por trás da morte de milhões de estrelas do mar, que apareceram em várias regiões do mundo transformadas numa espécie de gosma.

Em 2013, milhões de estrelas-do-mar morreram de forma estranha, ao longo de toda a costa oeste da América do Norte, com os seus membros separados do resto do corpo e desfeitos numa espécie de gosma.

Mais de 20 espécies foram afectadas, conta o site Science Alert. Em algumas áreas, populações da estrela-do-mar do girassol (Pycnopodia helianthoides) caíram, em média, cerca de 90% em poucas semanas, uma perda que fez com que esta espécie, outrora comum e abundante, desaparecesse da maioria da região em apenas alguns anos.

Os cientistas começaram a suspeitar que o culpado desta situação fosse algum vírus ou bactéria, no entanto, os estudos realizados afastaram esse cenário. Mas agora, conta o mesmo site, uma equipa de biólogos marinhos desvendou finalmente o mistério.

Ao comparar os tipos de bactérias em estrelas-do-mar saudáveis e nas que sofrem desta doença debilitante, os investigadores descobriram que as que prosperam em ambientes com pouco oxigénio eram abundantes nos animais doentes, como os copiotróficos (organismos encontrados em ambientes ricos em nutrientes).

Experiências feitas em laboratório confirmaram que a água com escassez de oxigénio causou estas lesões em 75% das estrelas-do-mar. Adicionar muitos nutrientes ou fitoplâncton à água também fez com que a saúde destes animais diminuísse.

Ao reanalisar amostras de tecido de 2013, os cientistas detectaram excesso de azoto, um sinal de que estas estrelas-do-mar morreram sufocadas.

“As estrelas-do-mar difundem oxigénio sobre a sua superfície externa através de pequenas estruturas chamadas pápulas. Se não houver oxigénio suficiente à volta das pápulas, a estrela-do-mar não consegue respirar“, explicou, em comunicado, Ian Hewson, microbiologista marinho da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo publicado, a 6 de Janeiro, na revista científica Frontiers in Microbiology.

A equipa observou ainda que a maioria destes eventos foi relatada no final do outono ou do verão, quando o fitoplâncton que aumenta os níveis de nutrientes na água através da fotossíntese é mais abundante. Temperaturas mais altas são causas conhecidas do florescimento de fitoplâncton.

ZAP //

Por ZAP
26 Janeiro, 2021


4964: Papagaios, lémures, golfinhos e cães. Há vários animais que se auto-medicam

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Mathias Appel / Wikimedia

Há vários animais que, à semelhança do Homem, procuram determinadas substâncias na natureza para tratar a dor, prevenir o sofrimento ou simplesmente para se sentirem melhor – é uma espécie de auto-medicação do mundo animal. 

Este fenómeno comportamental observado em alguns animais, como papagaios, lémures, golfinhos ou cães, denomina-se de zoofarmacognosia e é um “ramo” relativamente recente da Biologia, tendo sido formalizado em meados de 1987.

Zoofarmacognosia surge da aglutinação das palavras gregas zoo (que significa “animal”), pharma (que pode ser traduzida como “droga” ou “medicamento”) e gnosis (que significa “conhecimento”), tal como frisa a Discover Magazine.

São várias as espécies que procuram na natureza produtos químicos – presentes em plantas, outros animais, fungos ou até no solo – para melhorar o seu bem-estar.

Este tipo de comportamento pode ser categorizado segundo o seu modo de administração: se é directamente consumido, como as folhas das plantas de Aspilia, que os chimpanzés colocam na boca para libertar toxinas que matam vermes intestinais, ou se aplicado numa área corporal, como o ácido fórmico que algumas aves utilizam para tratar os piolhos.

A administração pode ser mesmo directa, segundo escreve o mesmo portal, que recorda que há algumas formigas que forram os seus ninhos com resina de árvores coníferas, que tem propriedades anti-fúngicas e anti-bacterianas, para manter a colónia a salvo de infecções.

A Zoofarmacognosia pode também ser categorizada pelos seus fins, que podem ser preventivos ou terapêuticos. O uso preventivo foi observado em papagaios tropicais, morcegos e lémures da família Indridae, que consomem terra e argila ricas numa enorme variedade de minerais e micro-nutrientes (cálcio, magnésio, zinco, entre outros).

Quanto ao uso terapêutico, este pode ser observado em cães e gatos, quando estes consumem ervas com emético, uma substância que induz ao vómito, para aliviar sintomas intestinais. Há, contudo, outros motivos para o consumo destas plantas.

Também os ursos-castanhos recorrem a produtos químicos para fins terapêuticos: na sua boca, mastigam raízes de Oshá que, juntamente com saliva, formam uma espécie de pasta e servem para prevenir as picadas de insecto.

Por Sara Silva Alves
18 Janeiro, 2021


4904: Descoberta acidentalmente nova espécie de cobra que estava escondida à vista de todos

CIÊNCIA/BIOLOGIA

BioOne / Weinell

Jeff Weinell, investigador no Instituto de Biodiversidade da Universidade de Kansas, descobriu que três espécies de cobras preservadas na colecção de biodiversidade, encontradas em missões entre 2006 e 2012, e ignoradas até agora, pertenciam a uma categoria própria.

As três espécies de cobra são os únicos membros conhecidos de um novo género, chamado Levitonius, e de uma nova espécie, denominada Levitonius mirus.

O estudo, realizado por Weinell e pela sua equipa, foi baseado em métodos que incluem a análise de ADN e tomografias computorizadas que examinam a estrutura óssea das cobras, e publicado na revista científica Copeia no dia 23 de Dezembro.

A recém-identificada Levitonius mirus é nativa das ilhas de Samar e Leyte, nas Filipinas, arquipélago com grande biodiversidade que de acordo com o estudo inclui pelo menos 112 espécies de cobras terrestres.

A cobra tem o menor número de vértebras alguma vez registado em qualquer espécie de cobras no mundo e tem um crânio longo e estreito em relação ao seu tamanho, explicou Weinell em declarações à CNN. As suas escamas são altamente iridescentes e é provável que a sua dieta seja baseada em minhocas.

Na realidade, no início da pesquisa, o cientista pretendia obter informação sobre um grupo de cobras chamado Pseudorabdion. “Sequenciei o ADN de espécies desse grupo, e este foi identificado como pertencente a Pseudorabdion”, explica o especialista à CNN. “Quando recebi os resultados do ADN pensei que era um erro da minha parte”.

Durante uma análise mais aprofundada às escamas das cobras e com as tomografias realizadas, Weinell percebeu que tinha afinal encontrado algo novo.

O réptil é descrito como um género e espécie muito mais pequeno do que os seus parentes mais próximos. Embora a Levitonius mirus tenha no máximo “o tamanho de um lápis, os parentes mais próximos podem ser três a quatro vezes maiores”, realça o investigador.

Os três exemplares examinados no estudo são os únicos até agora encontrados desta espécie, e a cobra nunca foi fotografada viva, revelou Weinell.

Weinell prevê que mais espécies do género serão eventualmente encontradas nas Filipinas, embora o facto de este tipo de cobras se adaptar à vida no subsolo poder complicar a vida aos cientistas.

Por Ana Moura
3 Janeiro, 2021


4751: IA prevê a estrutura de uma proteína e supera um dos maiores desafios da biologia

CIÊNCIA/BIOLOGIA/IA/TECNOLOGIA

Yang Zhang / I-TASSER

Um sistema de Inteligência Artificial desenvolvido pela DeepMind, empresa britânica detida pela Google, conseguiu superar um dos maiores desafios da biologia ao prever com precisão a estrutura de uma proteína a partir de apenas a sua sequência.

Apenas um quarto das proteínas do corpo humano é tido como alvo das terapias desenvolvidas para o tratamento de doenças. Agora, graças a esta inovação, abrem-se portas à criação de medicamentos mais eficazes.

“Fiquei muito impressionado quando vi isto”, disse John Moult, da Universidade de Maryland, citado pela New Scientist. “Esta é a primeira vez que chegamos perto de nos aproximar da utilidade experimental, o que é bastante extraordinário”.

A AlphaFold 2 consegue, assim, recorrer à sequência de ADN de uma proteína para prever a sua estrutura com precisão atómica. Há 50 anos que investigadores de biologia molecular se debatiam para encontrar uma solução.

É fácil descobrir a sequência de qualquer proteína, uma vez que isso é determinado pelo ADN que a codifica. No entanto, nunca antes os biólogos tinham sido capazes de descobrir a estrutura de uma proteína apenas através da sua sequência.

Demis Hassabis, co-fundador da DeepMind, já disse que a empresa tem todo o interesse em extrair o maior benefício possível destas tecnologias.

Ferramentas como a AlphaFold 2 podem ajudar os cientistas a projectar novos tipos de proteínas, que podem, por exemplo, combater futuras pandemias virais e doenças.

Apesar do enorme sucesso deste sistema de Inteligência Artificial, ele teve dificuldades, por exemplo, numa proteína cuja estrutura é influenciada por interacções com outros proteínas que a rodeiam.

Assim, ainda há muito trabalho pela frente para aperfeiçoar esta tecnologia. É por isso que a AlphaFold 2 também fornece uma medida de quão confiáveis são as suas previsões, para que os cientistas saibam em quais confiar.

“Isto vai mudar completamente o rosto da medicina”, diz Andrei Lupas, do Instituto Max Planck. Por exemplo, o AlphaFold 2 foi capaz de prever as estruturas de várias proteínas do coronavírus logo depois de o vírus ter sido sequenciado pela primeira vez em Janeiro.

Melhor ainda, acrescenta Lupas, seria ter a capacidade de prever quais dos milhares de medicamentos existentes se ligam a essas proteínas e podem ter um efeito terapêutico, sem ter que fazer experiências caras. Um artigo científico deverá ser publicado em breve com uma descrição mais detalhada da descoberta.

ZAP //

Por ZAP
3 Dezembro, 2020