4981: Cientistas alertam: A Terra está a morrer mais depressa do que se pensava

CIÊNCIA/AMBIENTE/CLIMA

Paulo Cunha / Lusa

A tripla ameaça das alterações climáticas, declínio da biodiversidade e superpopulação está a abater-se sobre o nosso planeta Terra, estando a morrer mais depressa do que pensávamos.

Num artigo publicado, a 13 de Janeiro, na revista científica Frontiers in Conservation Science, um grupo de cientistas alertou para o facto de a Humanidade estar a avançar em direção a um “futuro medonho”, que só pode ser evitado se os líderes mundiais começarem a levar a sério as ameaças ambientais.

Segundo o site Live Science, os 17 investigadores que assinaram o artigo – dos Estados Unidos, México e Austrália – descrevem três grandes ameaças: as alterações climáticas, o declínio da biodiversidade e a superpopulação humana (e consequente consumo excessivo).

Citando mais de 150 estudos científicos, a equipa argumenta que estas três crises – que estão prestes a escalar nas próximas décadas – colocam o planeta Terra numa posição mais precária do que a maioria das pessoas imagina e podem até mesmo colocar a própria raça humana em risco.

Segundo os autores, o objectivo deste novo artigo não é repreender os cidadãos ou alertar que tudo está perdido, mas antes descrever claramente as ameaças para que as pessoas (e esperançosamente os líderes políticos) comecem a levá-las a sério e a planear mudanças, antes que seja tarde demais.

Como será o futuro? Para começar, escreveu a equipa, a natureza será muito mais solitária. Desde o início da agricultura, há 11 mil anos, a Terra perdeu cerca de 50% das suas plantas terrestres e cerca de 20% da sua biodiversidade animal. Se as tendências actuais continuarem, cerca de um milhão das sete a 10 milhões de espécies vegetais e animais pode ficar em risco de extinção.

Essa enorme perda de biodiversidade também perturbaria os principais ecossistemas, havendo menos insectos para polinizar as plantas, menos plantas para filtrar o ar, a água e o solo e, assim sendo, menos florestas para proteger as populações de inundações e de outros desastres.

Ao mesmo tempo, tudo indica que esses mesmos fenómenos que causam desastres naturais irão tornar-se mais fortes e mais frequentes devido às alterações climáticas globais. Esses desastres, juntamente com as secas e o aumento do nível do mar, podem significar que mil milhões de pessoas se tornariam refugiadas até 2050.

A superpopulação humana também só irá dificultar as coisas. “Em 2050, a população mundial provavelmente irá crescerá para cerca de 9,9 mil milhões, com o crescimento projectado para continuar até ao próximo século”, escreveram os autores do estudo.

Este crescimento exacerbado irá agravar os problemas sociais como, por exemplo, a insegurança alimentar e habitacional, o desemprego, a superlotação e as desigualdades. Os investigadores também destacam que maiores populações também aumentam o risco de novas pandemias.

“Se a maioria da população mundial realmente entendeu a magnitude destas crises, e a inevitabilidade de virem a piorar, seria lógico esperar mudanças positivas nas políticas para corresponder à gravidade das ameaças. Mas está a acontecer o oposto”, lamentam os autores do artigo.

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ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2021


4876: Quase 90% das espécies de animais vão perder habitat até 2050

CIÊNCIA/BIOLOGIA

blew_i / Canva

Um novo estudo prevê que quase 90% das espécies de animais vão perder habitat para a agricultura até 2050. Cerca de 1.280 vão perder mais de um quarto do seu habitat restante.

Os cientistas sabem que a biodiversidade está a diminuir a nível mundial, embora de forma menos universal e dramática do que temíamos. Também sabemos que as coisas provavelmente vão piorar no futuro, com uma combinação de perda de habitat, alterações climáticas e sobre-exploração que promete levar espécies e habitats cada vez mais perto da extinção.

O que não sabemos é o que fazer em relação a isso. Em parte, isto acontece porque a conservação é lamentavelmente subfinanciada. Mas também é porque as causas subjacentes do declínio da biodiversidade estão a ficar cada vez mais fortes a cada ano. As alterações climáticas recebem, com razão, uma grande cobertura, mas para a biodiversidade, a maior ameaça vem da destruição de habitats naturais para dar lugar à agricultura.

E à medida que a população cresce e as pessoas tornam-se mais ricas e consomem mais, essa necessidade de novas terras agrícolas só vai aumentar, resultando em pelo menos dois milhões de quilómetros quadrados de novas terras agrícolas até 2050 – e talvez até dez milhões.

Garantir que esta próxima onda de expansão agrícola não leve a perdas generalizadas de biodiversidade exigirá um grande aumento nas abordagens de conservação “convencionais”, mas provavelmente também exigirá algo mais.

Em vez disso, precisamos de enfrentar as causas subjacentes, ou a conservação não será capaz de lidar com isso. O que uma equipa de investigadores se propôs a fazer num estudo recentemente publicado na revista Nature Sustainability é descobrir exactamente quais paisagens e espécies provavelmente serão as mais ameaçadas pela agricultura no futuro, e quais mudanças específicas no sistema alimentar nos dão a maior probabilidade de salvaguardar a biodiversidade selvagem em diferentes partes do mundo.

Para fazer isso, os cientistas desenvolveram um método para prever onde é que a terra agrícola provavelmente se vai expandir em escalas espaciais muito curtas (1,5 km x 1,5 km). De seguida, sobrepuseram essas previsões com mapas de habitat para quase 20.000 espécies de anfíbios, pássaros e mamíferos, e observações sobre se cada espécie pode existir em terras agrícolas. Isto permitiu calcular a proporção de habitat que cada espécie perderia de 2010 a 2050.

Assim, as autores preveem que quase 88% das espécies vão perder habitat, com 1.280 perdendo mais de um quarto do seu habitat restante. Observando o impacto sobre as espécies individuais desta forma, e numa escala espacial tão reduzida, os cientistas foram capazes de identificar regiões específicas, e até mesmo espécies, que provavelmente vão precisar seriamente de apoio de conservação nas próximas décadas.

As perdas deverão ser particularmente graves na África Subsariana, especialmente no Vale do Rift e na África Ocidental equatorial, mas também haverá quedas graves na América Latina e no Sudeste Asiático.

É importante realçar que muitas das espécies projectadas para perder uma grande quantidade de habitat não estão, de momento, sob ameaça de extinção e, portanto, os conservacionistas podem não preocupar-se com elas.

Felizmente, existem algumas coisas que podemos fazer para aliviar esta perda de habitat, incluindo: aumentar a produção, ter dietas mais saudáveis, reduzir o desperdício alimentar ou até mesmo adoptar uma abordagem global para o planeamento do uso da terra, o que poderia desviar a produção de alimentos das regiões em maior risco.

Neste novo estudo, os autores descobriram que uma combinação de todas as quatro acções poderia evitar a grande maioria da perda de habitat. Fazer isso, no entanto, exigirá esforços conjuntos de governos, empresas, ONGs e indivíduos.

Por Daniel Costa
28 Dezembro, 2020


4116: A perda de biodiversidade pode estar a deixar-nos doentes

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA

Prawny / Pixabay

A perda de biodiversidade, nomeadamente microbiana, pode enfraquecer as nossas resistências e tornar-nos mais débeis ao longo do tempo.

Em 2050, espera-se que 70% da população do mundo viva em vilas e cidades. A vida urbana traz muitos benefícios, mas os habitantes da cidade em todo o mundo estão ver um rápido aumento de problemas de saúde, como asma e doença inflamatória intestinal.

Agora, alguns cientistas acham que isso está relacionado com a perda de biodiversidade. A possibilidade é avançado no portal The Conversation por Jake M. Robinson, investigador da Universidade de Sheffield, no Reino Unido. Actualmente, a taxa a que diferentes espécies são extintas é mil vezes maior do que o normal.

A diversidade microbiana é uma grande parte da biodiversidade que está a ser perdida. E esses micróbios – bactérias, vírus e fungos, entre outros – são essenciais para manter ecossistemas saudáveis. Como os seres humanos fazem parte desses ecossistemas, a nossa saúde também sofre quando desaparecem ou quando barreiras reduzem a nossa exposição a eles.

O nosso intestino, pele e vias respiratórias abrigam microbiomas distintos. Só o intestino humano abriga até 100 biliões de micróbios, o que supera as nossas próprias células humanas. Os nossos micróbios fornecem serviços que são essenciais para a nossa sobrevivência, como o processamento de alimentos e o fornecimento de químicos que apoiam o funcionamento cerebral.

O contacto com uma gama diversificada de micróbios no nosso ambiente também é essencial para fortalecer o nosso sistema imunológico. Micróbios encontrados em ambientes mais próximos aos que nos desenvolvemos desempenham um papel importante em “educar” o nosso sistema imunológico.

Parte do nosso sistema imunológico é de acção rápida e inespecífica, o que significa que ele ataca todas as substâncias na ausência de regulamentação adequada. Micróbios do nosso ambiente ajudam a fornecer esse papel regulador. Eles também podem estimular substâncias químicas que ajudam a controlar a inflamação e impedir que o nosso corpo ataque as nossas células, ou substâncias inócuas, como pólen e poeira.

A exposição a uma gama diversificada de micróbios permite que os nossos corpos montem uma resposta defensiva eficaz contra patogénicos. Outra parte do nosso sistema imunológico produz pequenos exércitos de “células de memória” que mantêm um registo de todos os patogénicos que o nosso corpo encontra. Isso permite uma resposta imune rápida e eficaz a patogénicos semelhantes no futuro.

Para ajudar a combater doenças infecciosas como a covid-19, precisamos de sistemas imunológicos saudáveis. Mas isso é impossível sem o apoio de diversos microbiomas. Assim como os micróbios desempenham papéis importantes nos ecossistemas, ajudando as plantas a crescer e a reciclar os nutrientes do solo, eles também fornecem ao nosso corpo nutrientes e químicos que promovem uma boa saúde física e mental. Isso fortalece a nossa resiliência ao enfrentar doenças e outros momentos stressantes das nossas vidas.

Mas as nossas cidades geralmente não têm biodiversidade. Muitos de nós trocamos espaços verdes e azuis por espaços cinzentos. Como resultado, os moradores urbanos estão muito menos expostos a uma diversidade de micróbios promotores de saúde. A poluição também pode afectar o microbioma urbano. Poluentes do ar podem alterar o pólen, de modo que é mais provável que ele cause uma reacção alérgica.

A “germofobia”, a percepção de que todos os micróbios são maus, agrava esses efeitos, incentivando muitos de nós a esterilizar todas as superfícies de casa, e muitas vezes impede que as crianças saiam e brinquem na terra. O solo é um dos habitats com maior biodiversidade da Terra; portanto, os estilos de vida urbanos podem realmente prejudicar os jovens, cortando essa conexão vital.

As pessoas que vivem em áreas urbanas mais carentes têm problemas de saúde, menor esperança média de vida e maiores taxas de infecções. Não é por acaso que essas comunidades geralmente carecem de espaços verdes e azuis acessíveis e de alta qualidade.

Por ZAP
7 Agosto, 2020

 

 

1310: Hora H para a biodiversidade é agora. Ou, talvez, nunca

CIÊNCIA

Delegados à cimeira das Nações Unidas sobre a Convenção da Biodiversidade têm duas semanas para mostrarem o que valem. Com as espécies a perderem terreno, políticos têm pouco tempo para inverter essa tendência

É necessário criar mais áreas marinhas protegidas no planeta
© Arquivo Global Imagens

Sem alarido, os trabalhos da Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas (COP 14) – sim, a biodiversidade também tem uma COP – arrancaram este sábado no Egipto. Apesar da ausência de mediatismo, porém, o que está em causa nesta cimeira – preservar os habitats naturais que estão a regredir a grande velocidade e salvar da extinção a maioria das espécies – é tão crucial para o futuro do planeta como o que se discute nas muito mais mediáticas COP do clima.

A natureza regride à frente dos nossos olhos. Ainda há duas semanas, a directora executiva da Convenção da Biodiversidade da ONU, Cristiana Pasca Palmer, alertava, em entrevista ao The Guardian, para números alarmantes: desde 1970, 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis desapareceram da face do planeta. A perda de biodiversidade, disse a directora da convenção, “é um assassino silencioso”. Porquê? Porque as pessoas não se apercebem dessa realidade, ao contrário do que sucede com as alterações climáticas, que “são sentidas no dia-a-dia”, afirmou.

Em vésperas desta COP, que decorre em Sharm El-Sheikh até 29 deste mês, com representantes dos 196 países signatários da convenção, Cristiana Pasca Palmer não poupou palavras, alertando para necessidade de um novo acordo para a preservação do mundo natural nos próximos dois anos. A não ser assim, avisou, o que pode estar em causa é a extinção da própria humanidade.

Preparar compromisso para Pequim

O dramatismo das afirmações da directora da Convenção da Biodiversidade da ONU surge do pouco se andou nesta área até agora. Há oito anos, em Aichi, no Japão, os 196 países signatários da convenção da biodiversidade celebraram um protocolo com metas concretas, mas os resultados são demasiado escassos.

O acordo previa a redução para metade da perda dos habitats naturais, a garantia de actividades de pesca sustentáveis em todas as regiões do mundo e a expansão de reservas naturais de 10% para 17% da superfície do planeta até 20120. Mas a dois anos de terminar o prazo, os avanços foram poucos ou nenhuns, como se verá nas contas desta COP.

“A perda de biodiversidade e a destruição continuam a um ritmo sem precedentes, sobretudo devido à perda de habitats, às alterações climáticas, à poluição e às espécies invasoras”, afirmou Cristiana Pasca Palmer ao site de informação ambiental Unearthed, ligado à Greenpeace, antes do início dos trabalhos em Sharm El-Sheikh.

Durante as próximas duas semanas, os delegados à COP têm uma árdua tarefa pela frente: voltar a pôr nos carris esta pesada carruagem, que dentro de dois anos, tem de estar afinada para que a cimeira de Pequim, em 2020, possa traçar novas metas.

O objectivo é conseguir na capital chinesa um compromisso com uma ambição política idêntica à do Acordo de Paris para o clima – embora não seja completamente claro neste momento se ficar abaixo de 1,5 graus de aumento de temperatura até final do século é exequível, face aos níveis de emissões de gases com efeito de estufa que persistem. Mas, para a biodiversidade, apesar de alguns sinais positivos, as dificuldades parecem ser ainda mais duras.

Como sublinhou Cristiana Pasca Palmer, há dados que deixam alguma esperança, Por exemplo, na Ásia, a cobertura florestal cresceu 2,5% nos últimos anos, e há hoje mais áreas marítimas protegidas do que há 10 anos, mas não chega. E para que, de Pequim, possa sair em 2020 um compromisso robusto, é necessário que este COP no Egipto comece já a trabalhar nele.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Novembro 2018 — 20:26

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1242: 70% da biodiversidade intacta que resta na Terra está em apenas cinco países

CIÊNCIA

Os poucos ecossistemas intactos que ainda restam na Terra, que ajudam a preservar a vida selvagem e servem como amortecedores cruciais contra os efeitos das alterações climáticas, correm o risco de serem destruídos devido à actividade humana.

O aviso é deixado por investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e da organização não-governamental norte-americana Wildlife Conservation Society (WCS) através de um artigo publicado na passada quinta-feira na revista Nature.

Actualmente, 77% da superfície terrestre – com excepção da Antárctida – e 87% dos oceanos foram alterados devido a efeitos directos da actividade do Homem. Há cem anos, apenas 15% do planeta era utilizado para actividades agrícolas, aponta o estudo.

Só entre 1993 e 2009, a actividade humana destruiu a vida selvagem numa área de 3,3 milhões de quilómetros quadrados – mais do que a superfície da Índia. Hoje em dia, as únicas águas oceânicas não afectadas pela pesca industrial ou pela poluição estão confinadas às regiões polares.

(dr) Nature
Áreas que ainda mantêm ecossistemas selvagens intactos

“As áreas selvagens são agora os únicos lugares que contêm combinações de espécies próximas da sua abundância natural” e, por isso, estes espaços são os únicos que “apoiam o processo ecológico” necessário para “manter a biodiversidade numa escala evolutiva”, escreveram os especialistas na publicação.

Portanto, estes lugares são “importantes reservatórios de informação genética“, indispensáveis nos esforços reunidos para regenerar a vida selvagem em áreas degradadas pela actividade humana, explicaram os autores.

Cerca de 94% dos ecossistemas selvagens intactos estão actualmente localizados em apenas 20 países, enquanto apenas cinco deles – Rússia, Canadá, Austrália, Brasil e Estados Unidos – compõem 70% da vida selvagem.

(dr) Nature
Os países que contêm 94% de toda a vida selvagem intacta (excluindo a Antárctida)

“Um punhado de países abriga muito desta terra intocada e estes países têm uma grande responsabilidade em manter o que resta da natureza selvagem”, frisou James Watson, professor na Universidade de Queensland e autor principal do estudo.

Face a estes dados, é essencial que os governos unam esforços junto de uma estrutura global para a conservação ambiental, uma vez “a contribuição de ecossistemas intactos não foi especificamente abordada em nenhum dos quadros políticos internacionais, como o Plano Estratégico das Nações Unidas para a Biodiversidade ou o Acordo de Paris”, alertam por fim os autores do estudo.

O novo estudo é divulgado na mesma semana em que o WWF revelou que as populações de animais do planeta diminuíram 60% desde 1970, devido sobretudo à acção humana.

ZAP // RT / Deutsche Welle

Por ZAP
4 Novembro, 2018

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