97: A Bíblia pode ter registado o mais antigo eclipse solar conhecido

(CC0/PD) Buddy_Nath / pixabay

Cientistas revelaram a data do primeiro eclipse solar documentado. Aconteceu no dia 30 de Outubro de 1207 a.C. e foi mencionado no Livro de Josué, o sexto livro do Antigo Testamento.

Segundo um estudo publicado esta quarta-feira na Astronomy & Geophysics, a referência na Bíblia ao mais antigo eclipse solar conhecido pode clarificar as datas de alguns acontecimentos do mundo antigo, nomeadamente as datas do reinado do faraó egípcio Ramsés II, o Grande.

O texto em questão está nos versículos 12 e 13 do capítulo 10 do Livro de Josué. “No dia em que o Senhor entregou os amorreus aos israelitas, Josué exclamou ao Senhor, na presença de Israel: ‘Sol, para sobre Gibeão! E tu, ó Lua, no vale de Ajalon‘. E o sol parou, e a lua permaneceu, até que o povo se vingasse dos inimigos”, lê-se no livro.

Colin Humphreys, um dos autores do estudo e professor da Universidade de Cambridge, diz que, se estas palavras descreverem uma observação real, “pode ter havido um evento astronómico muito importante e o nosso objectivo é entender exactamente o que significa este texto”.

Na versão da Bíblia do Rei Jaime, de 1611, o Sol e a Lua pararam completamente. No entanto, Humphreys acredita que as palavras podem ter um significado diferente. O que o texto poderá dizer é que o Sol e a Lua pararam de brilhar e que aconteceu, de facto, o primeiro eclipse solar.

Os hebreus entraram em Canaã entre 1500 e 1050 a.C., durante o governo do faraó Merneptá, filho de Ramsés II. De acordo com os cálculos dos cientistas, o eclipse solar – observado durante a entrada de Josué em Canaã – ocorreu a 30 de Outubro de 1207 a.C.

Se estes cálculos estiverem certos, este foi o primeiro eclipse solar documentado e, com base nesta descoberta, é possível conhecer o período exacto do reinado de Ramsés II e do filho Merneptá. Para além disso, os cálculos sugerem ainda que o reinado de Merneptá começou em 1210 a.C. e que Ramsés II reinou de 1276 a.C. até 1210 a.C.

“Se estes cálculos forem aceites, haverá um novo ajuste nas datas de vários reinados ao longo da História, o que nos vai permitir estudá-los mais detalhadamente”, explica Colin Humphreys.

ZAP // Live Science / Sputnik

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