4492: Cientistas reconstroem besouros do Cretáceo

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

D. Peris & R. Kundrata

Investigadores reconstruiram besouros do Cretáceo e conseguir entender melhor a evolução da espécie durante este período da História.

Há cerca de um ano, uma equipa de investigadores encontrou espécimes fossilizados de besouros em Mianmar, descrevendo assim uma nova família de besouros que viveu há 99 milhões de anos. No entanto, o estado dos espécimes fossilizados não era bom o suficiente para conseguir perceber nitidamente a sua morfologia.

Agora, os cientistas examinaram quatros espécimes recém-encontrados da espécie Mysteriomorphidae e reconstruíram-nos. Os resultados foram publicados este mês na revista científica Scientific Reports e permitem retirar conclusões sobre a evolução da espécie durante o Cretáceo.

Os investigadores recorreram a um TAC para analisar os besouros, permitindo estudar pequenas características destes fósseis.

“O primeiro estudo deixou algumas questões em aberto sobre a classificação destes fósseis que tiveram que ser respondidas. Aproveitamos a oportunidade para investigar essas questões com novas tecnologias”, explica David Peris, investigador do Instituto de Geociências e Meteorologia da Universidade de Bonn.

“Usamos a morfologia para definir melhor a localização dos besouros e descobrimos que eles eram muito próximos dos Elateridae, uma família actual”, explica Robin Kundrata, da Palacky University, o segundo autor principal do estudo.

Os cientistas descobriram que estas linhagens de besouro compartilham várias características entre si. Além disso, chegaram à conclusão que os besouros descritos não sobreviveram ao final do período Cretáceo.

“Os nossos resultados apoiam a hipótese de que os besouros, mas talvez outros grupos de insectos, sofreram uma diminuição na sua diversidade durante o período da revolução das plantas”, disse Peris. O investigador refere-se ao período de Cretáceo em que várias novas plantas substituíram as antigas num ambiente em mudança.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2020

 

1227: Besouro minúsculo com 99 milhões de anos revela como os continentes mudaram

CIÊNCIA

Field Museum, Shuhei Yamamoto
O Propiestus archaicus, um besouro com apenas 3 milímetros, foi descoberto em âmbar com 99 milhões de anos.

Um minúsculo besouro, com apenas 3 milímetros, encontrado sepultado em âmbar há 99 milhões de anos está a dar pistas fundamentais para perceber como é que os continentes mudaram, assumindo a estrutura que têm hoje.

Este besouro que viveu no período Cretáceo foi descoberto pelo investigador Shuhei Yamamoto, do Museu de Campo de Chicago, nos EUA, em 2016. A rara descoberta foi feita num pequeno pedaço de âmbar com 99 milhões de anos do Vale Hukawng, no norte de Mianmar, perto da fronteira com a China.

O pequeno besouro de três milímetros é um dos milhões de insectos que morreram na seiva de árvores, endurecendo em âmbar e fossilizando, permanecendo congelados no tempo durante milhões de anos. Esse âmbar endurecido não tem nada a ver com o que é transformado em jóias, assemelhando-se antes a rochas, coberto pelo solo, com folhas e outros materiais orgânicos.

Depois de cortar e polir delicadamente o pedaço de seiva endurecida do período Cretáceo, Shuhei Yamamoto concluiu que se trata de uma nova espécie de besouro, baptizada Propiestus archaicus, parente dos insectos que vivem, actualmente, sob a casca de árvore – há mais de 60 mil espécies deles em todo o mundo.

Este besouro do Cretáceo pertence à sub-família Piestus que existe, hoje em dia, apenas no Hemisfério Sul, com excepção de uma espécie que se encontra no sul do Arizona, nos EUA, como explicam os investigadores no artigo científico publicado no Journal of Systematic Palaeontology.

O local onde o besouro foi encontrado, Mianmar, está situado do outro lado do globo, mas há milhões de anos, estaria “fundido” com a América do Sul, fazendo “parte do mega-continente Gondwana que se formou quando o mega-continente anterior, Pangea, se separou”, apontam os autores da pesquisa em comunicado.

Gondwana, que começou a dividir-se durante o Período Cretáceo, era formado pela massa continental que hoje constitui os continentes do Hemisfério Sul. Detectar os ancestrais das espécies de animais que existem na actualidade pode ajudar a perceber como é que essa divisão ocorreu.

“Como os coalas e os cangurus actuais, certos animais que pensamos terem vivido em Gondwana só se encontram numa parte do mundo”, explica Shuhei Yamamoto. O investigador acrescenta que “embora o Propiestus tenha sido extinto há muito, a descoberta mostra conexões surpreendentes entre o Hemisfério Sul e Mianmar“.

O surpreendente achado encaixa na teoria de que “Mianmar já esteve localizada no Hemisfério Sul”, salienta ainda Shuhei Yamamoto.

Mais ou menos do tamanho da ponta de uma esferográfica, o besouro do tempo dos dinossauros é preto, tem pernas curtas e antenas difusas segmentadas que são quase tão grandes como o seu corpo achatado.

“As antenas tinham, provavelmente, capacidades altamente sensíveis como um órgão sensorial”, refere Yamamoto. “Pequenas estruturas semelhantes a cabelo, anexadas perpendicularmente às antenas, aumentavam a sua capacidade de sentir o ambiente em volta”, acrescenta o investigador. Um detalhe que era essencial para quem vivia no reduzido espaço do interior de cascas de árvore.

SV, ZAP //

Por SV
1 Novembro, 2018

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