2556: “Muito mau”. Austrália baixa classificação do estado da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

A agência governamental australiana que gere a Grande Barreira de Coral baixou a classificação do estado dos corais de “mau” para “muito mau”, devido ao aquecimento global.

O relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, que é actualizado a cada cinco anos, é a mais recente má notícia para os mais de 345 mil quilómetros quadrados de recife que se estendem ao longo da costa nordeste da Austrália, à medida que se agrava o impacto das alterações climáticas e do branqueamento de corais, provocado pelo aumento da temperatura da água.

O documento, divulgado esta sexta-feira, revela que a maior ameaça ao recife continua a ser a mudança climática. As outras ameaças estão associadas ao desenvolvimento costeiro, escoamento de águas de terrenos agrícolas e actividades humanas como a pesca ilegal. “Acções globais significativas para lidar com as alterações climáticas são cruciais para retardar a deterioração do ecossistema”, lê-se no relatório.

“Tais acções completarão e aumentarão muito a eficácia das iniciativas de gestão local nos recifes e na bacia hidrográfica”, frisam os relatores. Este é o terceiro relatório da agência e a deterioração continua desde o primeiro, em 2009.

A deterioração dos recifes reflecte-se essencialmente na expansão da área de corais mortos ou danificados pelo branqueamento.

O documento aponta também que as ameaças — que incluem a estrela do mar Coroa de Espinhos (Acanthaster planci) espécie predadora dos pólipos dos corais — são “múltiplos, cumulativos e crescentes”. “A acumulação de impactos, através do tempo e numa área crescente, está a afectar a capacidade de recuperação, com implicações nas comunidades e indústrias dependentes dos corais”, afirmou o presidente da autoridade, Ian Poiner.

Um estudo recente, publicado no passado mês de Abril na revista científica Nature, dava conta de uma uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral, apontando o aquecimento global como o principal culpado.

ZAP // Lusa

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

596: Em 30 mil anos, a grande Barreira de Coral morreu cinco vezes

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Grande Barreira de Coral, Austrália

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, já morreu cinco vezes nos últimos 30 mil anos, devido a alterações no nível da água do mar.

A maior estrutura de organismos vivos do planeta já morreu e ressuscitou cinco vezes nos últimos 30 anos, sempre pela mesma causa: mudanças drásticas no nível médio da água do mar.

Segundo um estudo recente, duas dessas mortes aconteceram há 22 mil anos quando a Terra passava pela última era glacial e ocorreram porque o nível médio da água do mar diminuiu drasticamente. O facto de a água ter congelado, fez com que o nível da água do mar diminuísse, expondo a barreira à atmosfera – fazendo, assim, com que ela morresse.

Mas a barreira ressuscitou sempre. O biólogo Jody Webster acredita que, nos primeiros milhares de anos depois dessas mortes, alguns organismos conseguiram mover-se para regiões mais profundas e voltar à vida.

De acordo com o Observador, além do frio, os facto de os corais terem ficado submersos também condenou a Grande Barreira de Coral, dado que não conseguiram receber a luz do Sol. Aliás, foi isso que matou a barreira três vezes, algo que aconteceu há entre 17 mil e 10 mil anos.

Desta vez – e para não morrerem de vez – os organismos recuaram para zonas mais profundas onde conseguissem estar submersos mas, ao mesmo tempo, os raios solares pudessem entrar. Mil anos depois, a Grande Barreira de Coral conseguiu ressuscitar.

Os cientistas recolheram entre 30 a 40 metros de amostras directamente de 16 locais distintos da barreira. Depois de interpretar os resultados, Webster considera que “a barreira tem uma maior resiliência a longo prazo do que se pensava anteriormente mas a saúde a curto prazo é mais difícil de prever”.

“Com o branqueamento da Grande Barreira de Coral a que temos assistido ano após ano, diria que este estudo é um grande farol de esperança” para esta estrutura, numa altura em que as temperaturas estão a subir muito mais rapidamente do que nos últimos 30 mil anos, explica, citado pelo New Scientist.

O estudo, publicado recentemente na Nature Geoscience, destaca que o mais provável é que a Grande Barreira venha a morrer mais uma vez nos próximos milhares de anos, graças à era glacial que está a caminho e às consequências das alterações climáticas induzidas pelo Homem.

Mudanças na temperatura e na acidez do mar fazem com que os corais sofram um branqueamento, tornando-os mais susceptíveis a doenças. Sem tempo para recuperar, podem mesmo desaparecer para sempre.

Em Abril, o biólogo australiano Terry Hughes disse que “os nossos netos podem nunca ver a Grande Barreira do Coral a recuperar” das mudanças a que o ambiente está a ser sujeito. Aliás, 30% da barreira já está morta.

ZAP //

Por ZAP
31 Maio, 2018

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