2459: Cientistas “recrutam” bactérias para mineração extraterrestre

CIÊNCIA

(CC0/PD) geralt / pixabay

Uma equipa de astro-biólogos da Agência Internacional Europeia enviou 18 estripes diferentes de bactérias para a Estação Espacial Internacional (EEI), visando determinar se é viável avançar para a bio-mineração extraterrestre num ambiente sem gravidade.

De acordo com o portal Space.com, que avança com a notícia, estes microrganismos podem ajudar a impulsionar a exploração humana no Espaço para lá do nosso planeta.

O procedimento científico foi lançado no final de Julho a bordo da nave espacial Space X. Sob o nome de Biorock, a experiência vai estudar com a detalhe a importância da gravidade para este tipo de bactérias, bem como a sua capacidade de extrair nutrientes e elementos economicamente de interesse a partir de rochas de basalto.

Estes organismos usam o mineral como combustível, aproveitando a transferência de electrões para se manterem vivos, de forma a que libertem durante o processo determinados metais sem que seja necessário aplicar energia extra, explicaram os cientistas, de acordo com a explicação científica do processo.

Caso os cientistas consigam alcançar bons resultados, isto é, encontrar uma ou mais bactérias que possam minerar para lá da Terra, a pesquisa poderá posteriormente abrir portas para a exploração humana no Espaço. Além disso, pode contribuir para o desenvolvimento da actividade mineira em larga escala em solos rochosos extraterrestres.

O processo de bio-mineração no Espaço, que é já praticado na Terra, permitirá obter recursos extraídos de outros mundos.

“Esperamos obter informações sobre como é que micróbios crescem no Espaço e como é que podemos usá-los na exploração humana e na colonização do Espaço, desde a mineração até à transformação de rochas em terra na Lua e em Marte”, disse Charles Cockell, astro-biólogo da Universidade de Edimburgo, na Escócia, que é também o líder do projecto, citado em comunicado da NASA.

“Entender como é que os micróbios interagem, crescem e extraem elementos de uma superfície de rocha em micro-gravidade e gravidade simulada de Marte vai dizer-nos, pela primeira vez, se a baixa gravidade afecta a capacidade dos microrganismos aderirem às superfícies rochosas e executarem a bio-mineração”, rematou o especialista.

ZAP //

Por ZAP
17 Agosto, 2019

 

2210: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

[vasaioqrcode]

1895: Há fungos tóxicos no Espaço (e ninguém sabe se são perigosos)

NASA

Fungos potencialmente perigosos estão a viver em estações e naves espaciais – mas não se sabe se são prejudiciais para os astronautas.

Essa é a conclusão de um novo estudo publicado em 11 de Abril na revista Astrobiology, revendo o que é sabido sobre as micotoxinas – compostos fúngicos que podem prejudicar os seres humanos – no espaço.

A Terra está repleta de habitantes microscópicos, como bactérias e fungos unicelulares. Portanto, não é de surpreender que tenham conseguido apanhar a boleia com os humanos a bordo da Estação Espacial Internacional e de outras naves espaciais.

Embora os cientistas tenham feito uma boa quantidade de estudos sobre bactérias no espaço, os fungos continuam relativamente pouco estudados. Parte da razão é que estes primos de cogumelos microbianos normalmente causam problemas de saúde apenas em pessoas que vivem sob condições stressantes ou que têm sistemas imunológicos severamente comprometidos.

Mas o stress prolongado do voo espacial mostrou afectar o sistema imunológico dos astronautas. Portanto, uma equipa da Universidade de Ghent, na Bélgica, questionou a forma como os fungos podem afectar a saúde dos astronautas. Numa revisão da literatura científica, o pouco que surgiu foi principalmente relacionado com a detecção de diferentes espécies de fungos.

“Mas sobre as micotoxinas não encontrámos quase nada“, disse Sarah de Saeger, cientista farmacêutica da Universidade de Ghent e co-autora do novo artigo.

Isto é problemático porque os fungos específicos que foram encontrados em naves espaciais, como Aspergillus flavus e membros do género Alternaria, são conhecidos por produzir compostos carcinógenos e imuno-depressivos e as moléculas geralmente formam-se quando os fungos estão stressados. Ainda não se sabe se os astronautas estão a ser afectados por essas toxinas.

A equipa de De Saeger recomenda que as agências espaciais realizem um melhor trabalho na detecção e pesquisa de micotoxinas em naves. Em particular, sugerem que novos métodos devem ser desenvolvidos para monitorizar as superfícies e atmosferas de naves. Actualmente, a maioria das detecções de fungos é feita enviando amostras de volta aos laboratórios da Terra, mas isso não será possível em missões de longa duração, como um voo tripulado para Marte.

De Saeger salientou que a presença de micotoxinas não significa necessariamente perigo para os astronautas. Na Terra, as pessoas estão frequentemente expostas a estes compostos, mas a sua contribuição específica para diferentes doenças nem sempre é fácil de perceber. Por outro lado, ninguém sabe como os fungos podem crescer e evoluir no ambiente fechado de uma missão espacial duradoura.

“Acredito que a maior mensagem é que os fungos e as bactérias são parte integrante dos corpos humanos”, disse Adriana Blachowicz, que investigou fungos na Estação Espacial Internacional, mas não participou do estudo. “Onde quer que vamos, fungos e bactérias seguirão-nos.”

As bactérias têm-se mostrado mais virulentas no espaço, e por isso há alguma preocupação de que os fungos também possam ser.

ZAP // Live Science

Por ZAP
27 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1821: A Estação Espacial Internacional está repleta de fungos e bactérias

Estudo da NASA aponta que a Estação Espacial Internacional, por onde já passaram 222 astronautas, tem muitas bactérias e fungos. A maioria tem origem nos humanos.

© NASA

A Estação Espacial Internacional está repleta de bactérias e fungos que podem causar doenças e formar biofilmes (comunidades biológicas com elevado grau de organização) que promovem a resistência a antibióticos, e podem até mesmo corroer a infra-estrutura espacial, descobriu um novo estudo da NASA.

A estação, construída em 1998 e em órbita a cerca de 250 quilómetros da Terra, foi visitada por mais de 222 astronautas e até seis missões de reabastecimento por ano até Agosto de 2017.

Cientistas da NASA descobriram que os micróbios têm origem principalmente em humanos e são semelhantes aos encontrados em prédios e escritórios na Terra.

O estudo – o primeiro a fornecer um catálogo abrangente de bactérias e fungos à espreita em superfícies interiores em sistemas espaciais fechados – foi publicado na revista Microbiome.

Kasthuri Venkateswaran, investigador principal do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA e um dos autores do estudo, disse que a Estação Espacial Internacional “é um sistema hermeticamente fechado, sujeito a micro-gravidade, radiação, dióxido de carbono elevado e re-circulação de ar através de filtros. E é considerado um ‘ambiente extremo'”.

O cientista apontou que os micróbios são conhecidos por sobreviver e até mesmo prosperar em ambientes extremos. As bactérias que estão presentes na Estação Espacial Internacional podem ter existido desde o início da estação, acrescentou, enquanto outras podem ser introduzidas nas vezes em que novos astronautas ou cargas chegaram.

Venkateswaran acrescentou que a “influência do microbioma interior na saúde humana torna-se mais importante para os astronautas durante os voos devido à alteração da imunidade associada ao voo espacial e à falta de intervenções médicas sofisticadas que estão disponíveis na Terra”.

“À luz de uma nova era de expansão humana no universo, como futuras viagens espaciais a Marte, o microbioma do ambiente espacial fechado precisa de ser cuidadosamente examinado para identificar os tipos de micro-organismos que se podem acumular nesse ambiente único, por quanto tempo persistem e sobrevivem, e o seu impacto na saúde humana e na infra-estrutura da nave “, acrescentou.

Investigadores dizem que o estudo pode ser usado para ajudar a melhorar as medidas de segurança que respeitam aos requisitos da NASA para habitação humana no espaço.

Diário de Notícias
08 Abril 2019 — 09:05

[vasaioqrcode]

 

1695: Há uma bactéria em Yellowstone que “come” poluição e gera energia

Jon Sullivan / Wikimedia
A lagoa de Morning Glory, no Parque Nacional de Yellowstone

Uma bactéria incomum, que “come” poluição e é capaz de produzir energia sustentável, foi capturada pela primeira vez durante uma expedição às águas termais do Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Uma equipa de cientistas liderada por Abdelrhman Mohamed, da Universidade Estadual de Washington, nos Estados Unidos, descobriu que nas piscinas de água quente do Parque Nacional de Yellowstone, com temperaturas entre 43 e 93 graus Celsius, habita um organismo pouco conhecido.

Durante uma pesquisa de campo, realizada em Agosto passado, os cientistas inseriram eléctrodos na borda da água destes poços com o objectivo de os analisar 32 dias depois. O resultado do estudo foi publicado recentemente no Journal of Power Sources.

Um mês depois, a equipa voltou às fontes termais para recolher os eléctrodos submersos e foi surpreendida: encontraram bactérias amantes de calor que “respiram” electricidade através da superfície de carbono sólido dos eléctrodos.

“Foi a primeira vez que este tipo de bactérias foi encontrado num ambiente extremo como uma fonte termal alcalina”, disse Mohamed. Mas estas bactérias não são somente interessantes do ponto de vista académico: podem também ajudar a resolver alguns dos maiores desafios que a humanidade enfrenta actualmente.

De acordo com os cientistas, esta incrível bactéria pode contribuir para resolver problemas como a poluição ambiental ou ajudar no desenvolvimento de energia sustentável. Estes organismos têm a capacidade de converter poluentes tóxicos em substâncias menos nocivas, gerando electricidade durante o processo.

“Uma vez que estas bactérias passam os seus electrões para metais ou outras superfícies sólidas, elas conseguem produzir um fluxo de electricidade que pode ser usado para aplicações de baixa potência”, explicou o cientista Haluk Beyenal.

A maioria dos organismos vivos usa os electrões numa cadeia complexa de reacções químicas para alimentar os seus corpos. No fundo, todo o organismo precisa de uma fonte de electrões e de um lugar para os “despejar”.

Enquanto que os seres humanos encontram electrões nos açúcares dos alimentos que comem e e os transmitem para o oxigénio, vários tipos de bactérias descarregam os seus electrões para metais ou minerais externos.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
10 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1659: Encontrada bactéria estranha no lugar da Terra mais parecido com Marte

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Quando se trata de encontrar vida fora da Terra, é difícil saber onde procurar. Mas os cientistas encontraram uma pista que aumenta a esperança para os lugares desérticos – como Marte.

No lugar da Terra mais parecido com o Planeta Vermelho – o deserto do Atacama, no Chile – o rover planetário experimental Zoë encontrou uma estranha bactéria no solo, algumas das quais desconhecidas para a ciência, mas que exibem adaptações especializadas no deserto para condições semelhantes às de Marte.

“Mostramos que um robô pode recuperar o solo abaixo da superfície do deserto de Marte”, disse o biólogo Stephen Pointing, do Yale-NUS College, em comunicado.

“Isto é importante porque a maioria dos cientistas concorda que qualquer vida em Marte teria que ocorrer abaixo do solo para escapar das duras condições da superfície, onde a alta radiação, a baixa temperatura e a falta de água tornam a vida improvável.”

Sabe-se que a água líquida provavelmente fluiu pela superfície de Marte. O planeta está muito mais seco actualmente, com apenas água gelada na superfície, mas pode abrigar água líquida sob a superfície.

Se assim for, torna mais provável a perspectiva de vida no Planeta Vermelho – mas o Deserto de Atacama também aponta para outras possibilidades.

O deserto é tão seco que pode não chover durante décadas ou até séculos, o que torna incrivelmente hostil para a maior parte da vida na Terra. Mas, no ano passado, pela primeira vez, vida microbiana foi encontrada à superfície.

A superfície de Marte seria muito pior do que a superfície do deserto de Atacama. Mas quando Zoë perfurou para recolher amostras a uma profundidade de 80 centímetros, encontrou micróbios sub-superficiais que demonstram que pode haver vida, de acordo com o estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology.

“Vimos que, com o aumento da profundidade, a comunidade bacteriana foi dominada por bactérias que conseguem prosperar nos solos extremamente salgados e alcalinos. Elas, por sua vez, foram substituídas em profundidades de até 80 centímetros por um único grupo específico de bactérias que sobrevivem”.

“Isto é muito excitante porque demonstra que o subsolo do Atacama suporta micróbios altamente especializados que podem prosperar nos solos salinos e semelhantes a Marte, e as recentes medições de emissão significativa de metano da superfície de Marte sugerem que bactérias que utilizam metano também poderiam prosperar lá“.

A equipa recolheu mais de 90 amostras de sedimentos e descobriu que a colonização microbiana era irregular. As áreas que não tinham sido colonizadas por micróbios eram as mais extremas. A análise do sedimento mostrou que se havia formado há muito tempo, quando a água era abundante, mas já não recebia água há algum tempo.

A equipe continua esperançosa de que ainda existem regiões habitáveis em Marte, mesmo que sejam poucas e distantes entre si. “A colonização bacteriana irregular é um indicador de stress ambiental extremo e, no caso dos solos do Deserto do Atacama, podemos dizer que a vida realmente está a manter-se no limite da habitabilidade“, disse Pointing.

“Como as condições em Marte são ainda mais extremas, podemos supor que a irregularidade também seja uma característica de qualquer colonização bacteriana marciana.”

Espera-se que os robôs marcianos perfurem até 2 metros de profundidade, de modo que a equipa espera recolher amostras em profundidades semelhantes. Também estão a pensar em começar a perfurar em Marte. “A minha preferência pessoal seriam depósitos fluviais de rios antigos ou rochas de arenito”, disse Pointing.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1463: Flutuar na micro-gravidade dá às bactérias um impulso genético permanente (e isso não é uma boa notícia)

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Quando expostas à micro-gravidade, alguns tipos de bactérias podem sofrer mutações para se reproduzirem mais rapidamente. Esta não é uma excelente notícia para nós humanos, futuros turistas espaciais, já que estamos repletos de bactérias no nosso corpo.

Apesar de não estar claro o motivo pelo qual estas bactérias responderam tão positivamente à micro-gravidade, os cientistas estão agora a tentar descobrir formas de proteger os astronautas no Espaço, tentando também reduzir os danos caso uma colónia de bactérias modificada encontre o caminho de volta para a Terra.

Segundo o ScienceAlert, investigadores da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, monitorizaram células de Escherichia coli durante 1.000 gerações de crescimento em condições simuladas de micro-gravidade e descobriram que se espalharam muito mais rápido do que a amostra de controlo que continha bactérias inalteradas.

Além disso, as células de E. coli captaram, pelo menos, 16 mutações genéticas diferentes, embora ainda não se saiba de que forma essas mutações afectam a taxa de crescimento da bactéria, individualmente ou em grupo.

Segundo os cientistas, as células adaptadas cresceram cerca de três vezes mais do que as E. coli não modificadas. O artigo científico foi recentemente publicado na NPJ Microgravity.

Mesmo quando as bactérias sobrealimentadas foram removidas das condições de micro-gravidade até 30 gerações antes do teste, 72% da vantagem de crescimento foi retida, mostrando que algumas mudanças provocadas pela viagem espacial podem ser permanentes.

“Estamos perante verdadeiras mudanças genómicas e, portanto, permanentes”, disse um dos investigadores, George Fox, da Universidade de Houston, à New Scientist. “O próximo passo é descobrir o que é que estas mudanças estão, de facto, a provocar.”

Apesar dos estudos anteriores não terem sido tão abrangentes, já haviam dado sinais de que as bactérias podem reproduzir-se mais prontamente no Espaço. Aliás, já foi provado que certas estirpes crescem 60% mais rapidamente em micro-gravidade. Desta forma, fica claro que há algo neste ambiente que agrada muito a estes microrganismos.

Os cientistas estão agora a centrar a sua atenção em futuras experiências, tanto no Espaço como em ambientes simulados, para averiguar de que forma é que as bactérias conseguem obter uma vantagem reprodutiva nestas condições.

A principal preocupação dos cientistas relaciona-se com os astronautas: o seu sistema imunológico altera-se no Espaço, tornando-os mais susceptíveis a infecções. Assim, se estas bactérias se tornarem mais virulentas ou resistentes a antibióticos, elas podem representar um grande risco.

Felizmente, as células mutantes da experiência eram tão susceptíveis aos antibióticos quanto antes da sua exposição à micro-gravidade. Assim, mesmo que a micro-gravidade transforme as bactérias em super-bactérias, os antibióticos continuarão a ser uma poderosa arma de defesa.

ZAP //

Por ZAP
10 Janeiro, 2019

[vasaioqrcode]

 

170: Estranhas bactérias que comem ar podem ser a chave para encontrar vida extraterrestre

(CC0/PD) geralt / pixabay

Cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul, UNSW, na Austrália, descobriram um novo tipo de bactéria que pode sobreviver exclusivamente de produtos químicos presentes no ar. A descoberta pode mudar a forma como encaramos a possibilidade de encontrar vida em outros planetas.

Os micróbios, que foram encontrados na Antárctida, conseguem subsistir apenas com uma dieta de hidrogénio, monóxido de carbono e dióxido de carbono, mantendo-se vivos nas condições mais extremas, em que outros alimentos e fontes de energia são escassos. A descoberta foi apresentada num artigo publicado na revista científica Nature.

A partir de agora, torna-se necessário considerar a possibilidade de formas de vida de baixo nível, semelhantes a estas bactérias, existirem em outros planetas.

“A grande questão é como os micróbios podem sobreviver quando há pouca água, os solos são muito baixos em carbono orgânico e há pouca capacidade para produzir energia do sol através da fotossíntese durante a escuridão do inverno”, diz a autora principal do artigo, Belinda Ferrari, citada pelo site da UNSW.

A Antárctida é um local com condições particularmente desfavoráveis à vida: temperaturas extremas, pouca água, meses de escuridão, radiação ultravioleta forte e intempéries com ciclos de congelamento e descongelamento.

E, no entanto, há vida na Antárctida. Como é que sobrevive, sem as fontes de energia habituais – como o carbono que se transforma em açúcar através da fotossíntese?

Para responder a essa pergunta, os investigadores recolheram amostras de solo Robinson Ridge e Adams Flat, duas zonas continentais sem gelo, escolhidas porque qualquer fonte de alimento conhecida que seja necessária para a vida é praticamente inexistente.

Ao reconstruir os genomas de 23 micróbios locais, os cientistas conseguiram identificar dois grupos de bactérias anteriormente desconhecidos, a que chamaram WPS-2 e AD3.

Além disso, as espécies dominantes no solo tinham genes com alta afinidade com o hidrogénio e o monóxido de carbono, o que lhes permite capturar estes gases a partir da atmosfera a uma velocidade suficientemente alta para sustentar a vida.

Essa é a primeira forma de vida que “come ar” alguma vez identificada, mesmo que seja apenas uma bactéria que passa a maior parte do tempo dormente. O próximo passo é descobrir quão generalizados são estes tipos de bactérias de baixa manutenção, seja na Antárctida ou em qualquer outro local na Terra.

Eventualmente, bactérias semelhantes podem ser encontrados em outros planetas, ou seja, formas de vida sem necessidade de outros alimentos excepto o ar que respiram.

“Esta nova compreensão sobre como a vida pode existir em ambientes fisicamente tão extremos e desprovidos de nutrientes como a Antárctida abre a possibilidade de que simples gases atmosféricos sustentem a vida em outros planetas”, explica Ferrari.

ZAP // HypeScience

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[powr-hit-counter id=4d6c1320_1512923715964]

 

165: Cientistas desmentem mistério de bactéria agarrada à Estação Espacial Internacional

Michael Edward Fossum / NASA
Piers Sellers em uma caminhada no espaço durante a missão STS-121 da EEI, em 2006

Afinal, a bactéria viva encontrada na superfície da Estação Espacial Internacional é de origem terrestre e não contem nada de novo para os especialistas da NASA.

Depois de se ter noticiado que tinha sido encontrada agarrada à superfície da Estação Espacial Internacional (EEI) uma bactéria viva que poderia ter origem extraterrestre, Craig Kundrot, chefe do departamento da NASA, já veio desmentir a origem desta, confirmando que se tratava de uma bactéria de origem terrestre.

A bactéria tinha sido encontrada por cosmonautas russos que recolhiam lixo do revestimento exterior da Estação Espacial Internacional.

O russo Aleksandr Misurkin apressou-se a apontar que este poderia ser um indício da existência de vida extraterrestre, mas essa informação já se revelou falsa.

“Já há muito tempo que sabemos que as bactérias terrestres podem frequentemente viver na superfície da Estação Espacial Internacional. Podem ter ido lá parar a partir de gases emitidos pela estação, bem como a partir da atmosfera terrestre“, explicou Kundrot.

Segundo acrescentou o cientistas, os micróbios têm origem terrestre e não são “provenientes do espaço”. Com Kundrot concorda Vladimir Sychev, chefe de projectos dos satélites russos Bion-M e Bion-M2.

“Há vários anos que a TSNIIMASH e os cosmonautas recolhem amostras do exterior da EEI nas partes onde não chegam os raios do Sol, e é natural que sejam frequentemente descobertos micróbios lá. Por regra, estes surgem na EEI vindos da atmosfera exterior – uma parte deles instala-se e sobrevive aí, o que não é, de todo, surpreendente, porque o espaço sem ar é menos agressivo para alguns organismos do que a atmosfera com oxigénio”, explica o cientista.

Na presença de oxigénio, segundo Sychev, até os produtos congelados se decompõem e oxidam gradualmente. No vácuo do espaço, os espórios – as células capazes de reproduzir – das bactérias podem existir durante um longo período de tempo se não forem expostos a radiação ultravioleta ou de partículas de alta energia e não forem aquecidos a temperaturas extremamente altas.

Por isso, o facto de os micróbios conseguirem sobreviver nas partes exteriores da EEI não tem nada de extraordinário.

ZAP // Sputnik News

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[powr-hit-counter id=7446987b_1512732896313]

 

150: Cientistas encontraram bactéria agarrada à Estação Espacial Internacional

Foram encontradas bactérias vivas na superfície da Estação Espacial Internacional (EEI) que podem ter origem extraterrestre. Os microrganismos estão a ser estudados em Terra.

Segundo o cosmonauta russo Anton Shkaplerov, que irá realizar a sua terceira viagem à EEI em Dezembro como membro da tripulação da Expedição 54, cientistas russos encontraram bactérias vivas durante a recolha de amostras na superfície da estação.

À agência TASS, o cosmonauta disse que os cosmonautas recolheram a bactéria do exterior da EEI com a ajuda de cotonetes, mas garantiu que não estavam presentes durante o lançamento do módulo da EEI. “As bactérias vieram do espaço e permaneceram na superfície externa da EEI”, afirma Shkaplerov.

No entanto, os cientistas ainda não sabem de onde vieram as bactérias. O cosmonauta revelou também que alguns microrganismos provenientes da Terra são capazes de sobreviver no vácuo e com diferenças de temperatura de -150ºC a 150ºC.

As bactérias conseguem suportar condições extremas, como as que se encontram no espaço, e é possível que estes microrganismos possam ter vindo da atmosfera da Terra. A possibilidade de terem origem noutro local e terem “viajado” através de poeiras espaciais não é descartada.

Ainda assim, mesmo que se prove que as bactérias não são seres alienígenas, esta não deixa de ser uma descoberta peculiar, já que os microrganismos estavam alojados a uma distância de 400km acima da Terra.

Acredita-se que as bactérias tenham sido levadas acidentalmente para a estação espacial, em tablets ou outros materiais, colocados a bordo da EEI durante longos períodos para estudar o comportamento dos materiais no espaço.

As bactérias estão a ser estudadas em Terra, mas, ao que tudo indica, estes microrganismos não representam perigo.

Não é a primeira vez que evidências de formas de vida alegadamente extraterrestre encontradas na superfície da Estação Espacial Internacional são objecto de controvérsia.

No início de 2014, cientistas da Rocosmos anunciaram a descoberta de vestígios de formas de vida simples, como plâncton microbiano, algas e “ADN bacteriano” em amostras de poeira recolhidas na superfície externa das janelas da Estação Espacial Internacional.

“Os resultados da experiência são únicos. Encontramos vestígios de plâncton marinho e de partículas microscópicas na superfície da estação espacial, e isso deve ser estudado”, afirmou Vladimir Soloyev, líder da missão orbital russa na EEI.

Na altura, a equipa de cientistas russos disse que o plâncton não poderia ter sido levado pela própria nave espacial porque não fazia parte da vegetação típica de Baikonur, no Cazaquistão, de onde os russos lançaram o seu módulo rumo à EEI.

No entanto, também sugeriram que o plâncton poderia ter-se “erguido” rumo ao laboratório em órbita a partir de outras regiões da Terra, através de correntes de ar de altitudes mais elevadas.

Apesar de os cientistas terem pensado que o organismo não se tratava de micróbios extraterrestres, constataram que as formas de vida microbianas poderiam sobreviver no vácuo espacial, sob temperaturas abaixo de zero e com a constante radiação cósmica.

“Estamos mais perto do que nunca de reconhecer que as formas de vida extraterrestre existem. É uma evolução impressionante. Durante anos, as pessoas tentaram desmascarar teorias sobre a vida noutros planetas, mas em breve isso já não será possível”, afirmou o astro-biólogo britânico, Chandra Wickramasinghe, da Universidade de Buckingham.

ZAP //

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=99debe79_1512039455298]