2211: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

2047: Subida do nível da água do mar ameaça 146 mil portugueses

CIÊNCIA

Ariane Rummery / ONU

– Na minha incrível ignorância, mas conhecedor das paisagens tropicais equatoriais, ao vivo e a cores, gostaria de saber, se alguém conseguir explicar-me, se a imagem acima é de alguma das zonas anunciadas (Setúbal, Faro ou Aveiro), dado que não reconheço este tipo de paisagem mas zonas referidas sendo que a imagem é de uma senhora que deve trabalhar para a ONU. Não existia nenhuma imagem de arquivo para ilustrar a notícia?

Setúbal, Faro e Aveiro são as zonas de maior risco, de acordo com as projecções até 2050. Segundo este estudo recente, cerca de 146 mil portugueses podem ficar numa situação vulnerável já nesse ano, perante uma subida média de um metro no nível da água do mar.

Cerca de 146 mil pessoas que vivem na faixa de risco em 11 concelhos e distritos de Portugal continental podem ficar uma situação vulnerável já em 2050, perante uma subida média de um metro no nível do mar, de acordo com o cenário projectado na “Cartografia de risco costeiro associado à subida do nível do mar como consequência das alterações climáticas”, elaborada por uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo o Expresso, o número pode, no entanto, subir para 225 mil até 2100. A projecção é feita com base nos censos de 2011, cruzados com dados da cartografia de inundação e de vulnerabilidade física costeira num cenário extremo de maré cheia, coincidente com um período de marés vivas equinociais e uma intempérie semelhante ao “Hércules” que, em 2014, deixou um rasto de destruição em vários pontos do litoral.

Segundo os investigadores, os distritos mais afectados são Setúbal, Faro e Aveiro. Contudo, os cenários podem vir a ser ainda piores, uma vez que, recentemente, outra equipa de cientistas apontou, num artigo científico, para uma subida de dois metros do nível médio do mar, o dobro da projectada até aqui.”

Em Portugal, 14% da população vive na faixa de dois quilómetros ao longo da linha de preia-mar”, alerta Carlos Antunes, coordenador da equipa da Universidade de Lisboa, ao semanário.

O investigador acrescenta que municípios como Lisboa e Loulé já lhe pediram uma cartografia de risco minuciosa de modo a incorporarem estes dados nos respectivos PDM e orientarem o ordenamento do seu território. Projectos como este permitem aos decisores políticos, locais e nacionais, adoptarem medidas de adaptação às alterações climáticas.

“Mais do que as autoridades nacionais, cujos investimentos nos Programas da Orla Costeira só abrangem os concelhos do litoral (quando muitas das pessoas afectadas estão em zonas de rio e estuário), são os municípios que estão a agir”, afirmou Carlos Antunes.

Em 2015, Portugal criou uma Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas e o Governo deverá agora aprovar o Plano de Acção para a concretizar no Conselho de Ministros extraordinário marcado para o próximo dia 6 de Junho. O Ministério do Ambiente aprovou 180 milhões para obras de protecção de pessoas e bens face aos avanços do mar e 100 milhões para a rede hidrográfica.

“Mais de 60 municípios têm já estratégias ou estão em vias de as ter, com a grande vantagem de criar massa crítica dentro e entre municípios e permite orientar financiamentos comunitários”, afirma o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, também citado pelo Expresso.

Subida do nível das águas pode atingir 2 metros em 2100

Estimativas anteriores sugeriram que o nível das águas do mar poderia subir cerca de 98 centímetros até 2100. Agora, especialistas estão a dizer que pode ser mais do dobro.

É uma má notícia para todos. “Tal aumento no nível global do mar pode resultar numa perda de terra de 1,79 milhão de quilómetros quadrados, incluindo regiões críticas de produção de alimentos e potencial deslocamento de até 187 milhões de pessoas”, disse Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol, em comunicado. “Um aumento do nível do mar desta magnitude teria claramente profundas consequências para a humanidade”.

Para colocar as coisas em perspectiva, esta é uma massa equivalente a sete Califórnias ou 17 Floridas. Essa é uma população maior que o Canadá, a Alemanha e o Reino Unido – juntos. Isso colocaria em risco cidades como Nova York, Londres e Xangai.

Bamber e os colegas reuniram o trabalho de 22 investigadores, líderes no seu campo, sobre o derretimento das camadas de gelo da Gronelândia e da Antárctida. Juntas, as descobertas sugerem que, se nos mantivermos nas metas estabelecidas no Acordo de Paris e as temperaturas globais não ultrapassarem 2°C acima dos níveis pré-industriais até o final do século, o nível do mar provavelmente aumentará 26 centímetros (estimativa mediana) – mas pode subir até 81 centímetros.

Mas se falharmos no Acordo de Paris, o aquecimento provavelmente aumentará para 5°C acima dos níveis pré-industriais e podemos esperar um aumento entre 51 e 178 centímetros. Quando se adiciona a expansão térmica e as contribuições dos glaciares, esse número excede os 2 metros, dizem os autores do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As possíveis contribuições de derretimento das camadas de gelo (ou glaciares continentais) para o aumento do nível do mar são a maior fonte de incerteza que enfrentamos actualmente.

No entanto, estudos recentes destacaram o efeito de vários feedbacks positivos (que aceleram o derretimento) e feedbacks negativos (que fazem o oposto) que podem ocorrer no derretimento geral do gelo no futuro.

Além do mais, podemos ver com os nossos próprios olhos a aceleração do derretimento glacial, que está a acontecer a um ritmo mais rápido do que o esperado. A boa notícia é que um aumento de 2 metros é improvável – mas não impossível.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
25 Maio, 2019


1555: Os vulcões russos são uma ameaça para o clima da Terra

Earth Observatory / Wikimedia
Erupção no vulcão Sarychev, na Rússia

Um grupo internacional de cientistas descobriu que as erupções dos vulcões do hemisfério norte, especialmente no território russo, exercem uma influência maior sobre o clima do planeta do que se pensava anteriormente.

As erupções dos vulcões extra-tropicais – como o Kasatochi, no Alasca, ou Sarychev, na Rússia – injectam enxofre na estratosfera inferior. No entanto, o seu impacto no clima tem sido muito fraco e de curta duração – o que fez com que os investigadores assumissem que este resultado é um reflexo de uma regra geral.

No entanto, investigadores do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica Kiel (GEOMAR), do Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo, e da Universidade de Oslo, juntamente com colegas da Suíça, dos Estados Unidos e do Reino Unido, rejeitaram essa hipótese, num recente artigo científico publicado na Nature Geoscience.

Esta equipa de cientistas investigou núcleos de gelo que contêm enxofre e concluiu que, durante os últimos 1250 anos, as erupções de vulcões extra-tropicais deviam, na verdade, provocar o arrefecimento da superfície no hemisfério norte. Desta forma, estes vulcões arrefeceram muito mais a atmosfera em comparação com os seus análogos tropicais, mesmo lançando a mesma quantidade de enxofre.

Na prática, os cientistas chegaram à conclusão que as erupções extra-tropicais são realmente mais eficientes do que as erupções tropicais em tempos de arrefecimento hemisférico em relação à quantidade de enxofre emitido pelas erupções.

O arrefecimento da atmosfera ocorre quando gases com enxofre são lançados na estratosfera a uma altitude de 10 a 15 quilómetros. Como resultado, os gases sulfurosos produzem uma neblina de aerossol sulfúrico, capaz de se manter durante vários meses ou anos. Esta neblina reflete uma parte da radiação solar, causando a diminuição da temperatura média anual.

Segundo a EurekAlert, este último estudo mostra que nas latitudes norte o tempo de vida do enxofre em aerossol é menor do que nos trópicos, ao contrário do que se pensava anteriormente. Além disso, neste caso, a influência sobre o clima limita-se ao hemisfério norte, o que aumenta o arrefecimento da atmosfera.

Os cientistas esperam que esta recente investigação os ajude a medir, com maior precisão, o nível de impacto das erupções vulcânicas na variabilidade climática, supondo que o clima no futuro seja afectado por erupções extra-tropicais explosivas.

Apesar de terem acontecido muito poucas erupções extra-tropicais explosivas em comparação com as tropicais nos últimos anos, não é completamente descartável que estas grandes erupções possam vir a acontecer, alertam os investigadores.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
4 Fevereiro, 2019

 

1242: 70% da biodiversidade intacta que resta na Terra está em apenas cinco países

CIÊNCIA

Os poucos ecossistemas intactos que ainda restam na Terra, que ajudam a preservar a vida selvagem e servem como amortecedores cruciais contra os efeitos das alterações climáticas, correm o risco de serem destruídos devido à actividade humana.

O aviso é deixado por investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, e da organização não-governamental norte-americana Wildlife Conservation Society (WCS) através de um artigo publicado na passada quinta-feira na revista Nature.

Actualmente, 77% da superfície terrestre – com excepção da Antárctida – e 87% dos oceanos foram alterados devido a efeitos directos da actividade do Homem. Há cem anos, apenas 15% do planeta era utilizado para actividades agrícolas, aponta o estudo.

Só entre 1993 e 2009, a actividade humana destruiu a vida selvagem numa área de 3,3 milhões de quilómetros quadrados – mais do que a superfície da Índia. Hoje em dia, as únicas águas oceânicas não afectadas pela pesca industrial ou pela poluição estão confinadas às regiões polares.

(dr) Nature
Áreas que ainda mantêm ecossistemas selvagens intactos

“As áreas selvagens são agora os únicos lugares que contêm combinações de espécies próximas da sua abundância natural” e, por isso, estes espaços são os únicos que “apoiam o processo ecológico” necessário para “manter a biodiversidade numa escala evolutiva”, escreveram os especialistas na publicação.

Portanto, estes lugares são “importantes reservatórios de informação genética“, indispensáveis nos esforços reunidos para regenerar a vida selvagem em áreas degradadas pela actividade humana, explicaram os autores.

Cerca de 94% dos ecossistemas selvagens intactos estão actualmente localizados em apenas 20 países, enquanto apenas cinco deles – Rússia, Canadá, Austrália, Brasil e Estados Unidos – compõem 70% da vida selvagem.

(dr) Nature
Os países que contêm 94% de toda a vida selvagem intacta (excluindo a Antárctida)

“Um punhado de países abriga muito desta terra intocada e estes países têm uma grande responsabilidade em manter o que resta da natureza selvagem”, frisou James Watson, professor na Universidade de Queensland e autor principal do estudo.

Face a estes dados, é essencial que os governos unam esforços junto de uma estrutura global para a conservação ambiental, uma vez “a contribuição de ecossistemas intactos não foi especificamente abordada em nenhum dos quadros políticos internacionais, como o Plano Estratégico das Nações Unidas para a Biodiversidade ou o Acordo de Paris”, alertam por fim os autores do estudo.

O novo estudo é divulgado na mesma semana em que o WWF revelou que as populações de animais do planeta diminuíram 60% desde 1970, devido sobretudo à acção humana.

ZAP // RT / Deutsche Welle

Por ZAP
4 Novembro, 2018

 

1002: O pássaro que protagonizou o filme “Rio” está extinto

CIÊNCIA

O pássaro azul que protagoniza o filme “Rio” está extinto. A ararinha-azul torna-se, assim, numa das oito espécies de pássaro que desapareceram do planeta Terra. 

De acordo com um estudo realizado pela BirdLife International e publicado no início do mês na ScienceDirect, a ararinha-azul, um pássaro que ficou muito famoso por ter aparecido no filme “Rio”, está extinta.

Esta ave torna-se assim numa das oito espécies de pássaro, quatro das quais nativas do Brasil, que desapareceram do planeta Terra. A culpa, neste caso em particular, é da desflorestação, que lhe destruiu o habitat, condenando-a à extinção.

Segundo o estudo da organização ambiental, esta é a primeira vez na história em que o número de espécies extintas na parte do país que fica no continente é maior do que o número de extinções nas ilhas.

Stuart Butchart, que liderou a equipa de investigação, refere que “90% das extinções de pássaros nos séculos mais recentes aconteceu em ilhas, mas os resultados confirmam que há uma onda crescente de extinções no continente por causa da perda de habitat, degradação por causa de técnicas agrícolas insustentáveis e exploração madeireira”.

Além disso, adianta o Observador, a ararinha-azul tornou-se na primeira espécie a ser considerada extinta este ano, ao lado de outras como o gritador-do-nordeste, o limpa-folha-do-nordeste, a trepadeira-de-cara-preta, o abibe-preto, a caburé-de-pernambuco, a arara-azul-pequena e o papagaio de Nova Caledónia.

Em estado selvagem, já não existe nenhuma. Apesar disso, ainda há entre 60 e 80 ararinhas-azuis em cativeiro espalhadas pelo mundo.

A notícia é desoladora, mas a BirdLife International acredita que é possível que alguns desses pássaros sejam postos em liberdade para poderem repovoar as florestas do Brasil se houver um esforço entre os proprietários destes animais.

Se isso acontecer, “Rio” torna-se realidade. no filme, uma ararinha-azul – Blu – foge do cativeiro em Minnesota e viaja com uma fêmea da mesma espécie até ao Brasil para repovoar a floresta. Resta saber se, na vida real, o “felizes para sempre” também existe.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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431: A “partícula de Deus” pode já ter começado a destruir o Universo

JPL-Caltech / NASA

Um novo e controverso estudo sugere que, num qualquer lugar distante do espaço, um Bosão de Higgs pode colapsar (ou já ter colapsado), produzindo uma bolha de energia no vácuo em expansão – que acabará por nos engolir a todos.

O Bosão de Higgs, a famosa “Partícula de Deus“, foi descoberta em 2012, quase 50 anos depois de Peter Higgs ter postulado a sua existência, após décadas de pesquisa de físicos que a procuraram incansavelmente.

Segundo um novo estudo de uma equipa de cientistas da Universidade de Harvard, no Reino Unido, esta partícula sub-atómica pode um dia destruir o Universo. Mais do que isso, o irreversível processo até poderá já estar em curso.

De acordo com o estudo, publicado o mês passado na revista Physical Review, é possível que a mencionada partícula já tenha colapsado sobre si própria algures no espaço – caso em que irá brevemente produzir uma bolha de energia capaz de devorar o Universo.

Esta não é a primeira pesquisa na área da física de partículas com previsões apocalípticas, e diversos estudos avançaram até agora com cálculos sobre a forma como o Universo vai acabar – ou a data em que tal vai acontecer. Em todos eles, felizmente para nós e para os bisnetos dos nossos bisnetos, o Universo acaba daqui a um tempo incontável. As estimativas actuais prevêem o fim do Universo em 1×10100 anos.

Segundo explica Anders Andreassen, investigador da Universidade de Harvard e autor principal da pesquisa, “a destruição do Universo por um Bosão de Higgs é um fenómeno altamente improvável”. Mas, diz o físico, num Universo infinitamente grande, mesmo as coisas altamente improváveis se tornam inevitavelmente prováveis.

“Um dos objectivos do nosso estudo é o de corrigir todas as aproximações anteriores e obter a data mais exacta possível para a eventual destruição do Universo”, que, diz Andreassen, está até mais distante do que se pensava: tudo terminará com uma violenta explosão, daqui a cerca de 1×10139 anos. Um número com 139 zeros.

“A precisão extrema desta pesquisa é impressionante”, comenta Ruth Gregory, investigadora da Universidad de Durham, no Reino Unido, que questiona a validade das conclusões do novo estudo.

“Foram muito precisos, o que não foram é capazes de considerar a gravidade, nem explicar a matéria escura ou a energia escura”, diz à New Scientist a investigadora britânica. E, como convém, está lançada a controvérsia na comunidade científica.

O fim chegará sem nos darmos conta

A bolha de energia produzida pelo eventual colapso de um Bosão de Higgs, que até já pode ter acontecido, irá assim um dia atingir a Terra e engoli-la por completo (juntamente com uma boa parte deste lado do Universo conhecido).

Mas para os humanos (ou algo parecido) que então tenham a infelicidade de viver no nosso planeta, se ainda existir na altura, há uma espécie de boa notícia: nem vão aperceber-se do que lhes aconteceu.

Segundo os autores do estudo, a informação foi há muito tempo proibida pela Teoria da Relatividade de Einstein de viajar mais depressa do que a luz. “É excitante imaginar essa borbulha de energia negativa, a caminhar na nossa direcção, à velocidade da luz. Mas nunca a veremos chegar”, diz Andreassen.

Assim, será impossível saber com antecedência que o Fim do Mundo por Bosão de Higgs já aconteceu, e que não vale a pena pôr a roupa a lavar.

ZAP // N+1 / New Scientist

Por ZAP
3 Abril, 2018

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427: África começou a dividir-se em dois continentes

O continente africano vai dividir-se em dois. A Somália, metade da Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique irão separar-se para formar um novo continente. Vai acontecer daqui a uns milhões de anos – mas já começou.

As discussões na comunidade científica sobre a forma como o continente africano se está a dividir em dois continentes avivaram-se depois se no dia 19 de Março ter aparecido no Quénia uma gigantesca fissura, que rasgou a meio um vale e cortou uma estrada importante da região do Narok, no oeste do país.

A enorme fissura, com vários quilómetros de comprimento, tem cerca de 15 metros de profundidade e mais de 20 de largura, mas não é o primeiro fenómeno deste tipo a manifestar-se no continente africano. Há dezenas ou centenas de pontos fracos ao longo do chamado Grande Vale do Rift, que atravessa o continente desde o Corno de África, na Somália, até Moçambique.

Esta formação, também conhecida como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica, e estende-se cerca de 5000 km no sentido norte-sul, com largura que varia entre 30 e 100 km e uma profundidade de centenas a milhares de metros.

Segundo o jornal local Daily Nation, o Quénia, atravessado pelo Grande Vale do Rift, está literalmente a partir-se ao meio, e a profunda fissura que se deu a conhecer em Março em Narok “é apenas o início“.

A fissura apareceu na zona com menor actividade sísmica do país. Segundo explicou ao jornal italiano La Vanguardia a geóloga Sara Figueras Vila, do Instituto Cartográfico e Geológico da Catalunha, “o último sismo importante nesta região aconteceu em 1928, com uma magnitude de 6.9 na Escala de Richter”.

Desde então, praticamente não houve actividade sísmica na região, assegura a geóloga.

O aparecimento desta fissura sem que tenha ocorrido recentemente nenhum terramoto é um evento inesperado e preocupante. Mas segundo explica ao Daily Nation o geólogo queniano David Adede, o fenómeno poderá ter a ver com actividade tectónica e vulcânica passada na região.

No fundo do vale encontram-se o vulcão Suswa. Nas proximidades, Monte Longonot. Os dois vulcões poderão ser responsáveis por inúmeras falhas vulcânicas ocultas ao longo do território queniano do Grande Vale do Rift.

“Apesar de esta fissura ter permanecido inactiva no passado recente, do ponto de vista da actividade tectónica, poderá haver movimentos em profundidade que estão a criar pontos frágeis que se estendem até à superfície”, diz Adede.

“Estas zonas frágeis formam linhas de falha e fissuras que normalmente são preenchidas com cinzas vulcânicas. As fortes chuvas que recentemente assolaram a região poderão ter levado as cinzas, ajudando a descobrir a fissura”, explica o geólogo.

Mas o facto de a região assentar em duas placas tectónicas que estão a divergir lentamente em direcções opostas terá consequências inevitáveis.

Inevitavelmente, um novo continente

Dentro de 10 milhões de anos, quatro países do Corno de África – a Somália, metade da Etiópia, o Quénia e a Tanzânia, além de uma parte de Moçambique, irão inexoravelmente separar-se do resto do continente africano e formar um novo continente.

O processo, estimam os geólogos, estará concluído em cerca de 50 milhões de anos: a chamada “placa Somali” ter-se-á tornado por completo um continente novo, separada da sua irmã maior, a “placa Núbia”, por um oceano novo.

Segundo um estudo de 2009, realizado por cientistas da Universidade de Rochester, no Reino Unido, o processo parece ter tido início em 2005, com o aparecimento na Etiópia de uma fissura de mais de 60 quilómetros após a erupção do vulcão Dabbahu. A falha não mais deixou de crescer, e mais de uma dezena de novas falhas apareceram entretanto.

Desde então, a teoria de que África se vai dividir em dois continentes ganhou bastante popularidade na comunidade científica, mas nem todos estão de acordo.

Numa entrevista recente à NTV Kenya, o sismólogo queniano Silas Simiyu sustenta que a fissura de Narok não é uma falha vulcânica, mas apenas resultado das abundantes chuvas que se registaram na região. “As camadas de terra abateram devido às chuvas e encheram os canais subterrâneos de água”, diz o cientista queniano.

Mas Lucia Perez Diaz, do Grupo de Pesquisa da Dinâmica de Falhas da Universidade de Londres, não tem dúvidas. Em termos práticos, as duas placas do continente africano estão a separar-se, diz a geóloga ao The Conversation. E as fissuras recentes que apareceram no leste do Grande Vale do Rift são um exemplo de que isso já está a acontecer.

Após um dramático processo, durante uns 50 milhões de anos, teremos então inevitavelmente algo como a Grande Núbia e o Corno de África. Mal podemos esperar.

ZAP //
Por ZAP
2 Abril, 2018

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361: Pela segunda vez, cientistas emitem poderoso aviso à humanidade

rawrrrr-321 / Deviant Art

Há 25 anos, 1.700 cientistas de todo o mundo colocaram os seus nomes num documento que alertava para o “curso de colisão” entre a humanidade e o resto do mundo natural.

No ano passado, um segundo relatório de acompanhamento foi assinado por mais de 15 mil investigadores de 184 países.

Embora a reacção tenha aumentado consideravelmente em tamanho – o artigo actualmente ocupa o 6º lugar entre 9 milhões de artigos na Altmetric Attention Score, e até inspirou discursos de alto nível na assembleia nacional de Israel e na assembleia legislativa de British Columbia, no Canadá -, praticamente nada foi feito desde o primeiro alerta.

Em 1992, um grupo de vencedores do Prémio Nobel juntou-se com outros cientistas para formar a “União dos Cientistas Preocupados”, uma instituição cujo lema era “ciência para um planeta saudável e um mundo mais seguro”.

Esta união delineou as maiores ameaças ambientais enfrentadas pela nossa população num relatório intitulado “World Scientists’ Warning to Humanity” (“Alerta de Cientistas Mundiais para a Humanidade”), que terminava com um apelo de acção.

O que aconteceu no quarto de século desde então? Não muito. O relatório de 1992 foi seguido em Novembro do ano passado por um segundo artigo publicado na revista Bioscience intitulado “World scientists’ warning to humanity: A second notice”, o “segundo aviso”.

Ao que parece, ganhamos uma estrelinha dourada por ter cuidado da fina camada de ozono sobre a Antárctica, e só. Logo, é hora de um novo alerta.

Meses após a sua divulgação, o artigo continua a ser altamente comentado e já foi co-assinado por um recorde de 15.364 nomes advindos de 184 países.

“O alerta dos nossos cientistas para a humanidade atingiu claramente a comunidade científica global e o público”, disse o principal autor do artigo, William Ripple, da Universidade Estadual do Oregon, nos EUA.

Os investigadores propõem duas acções-chave necessárias para que possamos mudar as coisas. Em primeiro lugar, devemos reconhecer os limites da biosfera e outros factores ambientais premiando trabalhos económicos relevantes. Em segundo lugar, devemos expandir a aplicação de leis para controlar o carbono para um sistema globalizado.

A economia é claramente um factor crítico no nosso impacto no meio ambiente, e qualquer acção que tomamos deve ter em consideração as motivações por trás do tal “curso de colisão”.

O segundo aviso termina com uma chamada igualmente poderosa por acção: “Devemos reconhecer, no nosso dia a dia e nas nossas instituições governantes, que a Terra com toda a sua vida é a nossa única casa“, escreveram os autores.

Uma coisa é certa: se continuarmos de braços cruzados, pode não haver tempo para um terceiro aviso em 2042.

ZAP // HypeScience / Science Alert

Por ZAP
11 Março, 2018

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