2242: Fóssil de ave três vezes maior que avestruz descoberto na Crimeia. Pesava meia tonelada

CIÊNCIA

Andrey Atuchin

Um fóssil de uma ave três vezes maior do que uma avestruz foi descoberto numa gruta da Crimeia, sugerindo que os primeiros europeus conviveram com uma das maiores aves conhecidas.

A descoberta é esta quinta-feira relatada na revista científica “Journal of Vertebrate Paleontology”, na qual se diz que até agora se pensava que aves tão grandes só tinham existido nas ilhas de Madagáscar e da Nova Zelândia.

A espécie descoberta numa caverna de Táurida, na costa do Mar Negro, remete para uma ave tão grande como o pássaro-elefante de Madagáscar ou o moa da Nova Zelândia.

“Quando senti pela primeira vez o peso da ave cujo osso da coxa eu segurava na mão pensei que devia ser um fóssil de um pássaro-elefante malgaxe, porque nenhuma ave desse tamanho tinha sido alguma vez encontrada na Europa. No entanto, a estrutura do osso contou uma história diferente”, disse o autor principal da descoberta agora relatada, Nikita Zelenkov, da Academia Russa de Ciências.

Ressalvando que ainda não há dados suficientes para dizer se a ave se relaciona com as avestruzes ou não, o investigador estimou que pesaria cerca de 450 quilos, quase o dobro da maior moa, três vezes maior que a maior ave viva, a avestruz, e quase tão grande como um urso polar adulto.

Esta é a primeira vez que uma ave assim tão grande, atribuída à espécie “Pachystruthio dmanisensis”, é relatada em qualquer lugar do hemisfério norte. Teria pelo menos 3,5 metros de altura e não voava. Tal como frisa o jornal espanhol ABC, esta ave é uma das maiores de todos os tempos até agora descoberta.

Os investigadores notam ainda que devia ser uma melhor corredora do que o pássaro-elefante, devido ao fémur relativamente longo e fino. Outros fósseis encontrados ao lado da ave ajudam a avançar que tenha vivido num período entre 1,5 a dois milhões de anos.

A rede de cavernas de Táurida só foi descoberta no verão passado, quando estava a ser construída uma nova autoestrada. No ano passado foram desenterrados restos de mamutes e pode haver muitas mais informações no local sobre o passado distante da Europa, disse Zelenkov.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Junho, 2019

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1961: Ave extinta há 136 mil anos volta a existir

CIÊNCIA

Cientistas dizem que a espécie, um tipo de ralídeo, ressurgiu através de um processo chamado evolução iterativa

Uma ave extinta há 136 mil anos, um tipo de ralídeo, voltou a existir depois de evoluir novamente, escreve o The Independent,, citando cientistas.

A última espécie sobrevivente de aves não voadora no oceano Índico terá voltado através de um processo “evolução iterativa”. Isto significa que em duas ocasiões distintas, separadas por milhares de anos, este tipo de ralídeo colonizou um atol chamado Aldabra, e em ambos ficou sem a capacidade de voar.

A evolução iterativa acontece quando estruturas iguais ou similares evoluem a partir do mesmo ancestral comum mas em momentos diferentes, o que significa que o animal surge por duas vezes. Esta é a primeira vez que este fenómeno foi visto em aves desta família, originária de Madagáscar mas que colonizou repetidamente outras ilhas. Muitos dos que deixaram essa ilha morreram ou foram comidos.

O atol Aldabra não tem predadores, o que ajuda a explicar a gradual perda da capacidade de voar deste tipo de ralídeo. Mas entretanto o atol desapareceu completamente quando foi coberto pelo mar e o ralídeo acabou por ser destruído, como tudo o resto na ilha, há 100 mil anos.

Entretanto, o nível da água do mar baixou novamente e o atol foi mais uma vez tomado por ralídeos sem capacidade de voar. Ao comparar os ossos da espécie antes e depois da extinção, os investigadores descobriram que a evolução aconteceu duas vezes. “Estes fósseis únicos fornecem provas irrefutáveis de que um membro da família dos ralídeos colonizou o atol, provavelmente a partir de Madagáscar, e tornou-se independente da capacidade de voar nas duas ocasiões, disse o investigador Julian Hume, ligado ao Museu da História Natural de Londres.

Diário de Notícias
10 Maio 2019 — 21:49

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1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1081: A maior ave da história pesava tanto como um dinossauro

CIÊNCIA

(dr) Jaime Chirinos
Ilustração de um pássaro-elefante e a sua cria

Cientistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), no Reino Unido, fecharam o debate sobre qual foi a maior ave da história: Vorombe titan tinha até 800 quilos e três metros de altura.

A maior ave da história, uma nova espécie de pássaro-elefante agora identificada, pesava tanto como um dinossauro quando viveu em Madagáscar, há mais de mil anos, conta o site Live Science.

Este pássaro monstruoso, semelhante a uma avestruz e que entretanto foi extinto pelos nativos, pesava até 800 quilos, tinha três metros de altura e, tal como as avestruzes, também não conseguia voar, explica o estudo publicado, esta quarta-feira, na Royal Society Open Science.

Desde 1800 que os cientistas guardam amostras dos ossos deste animal (da família dos Aepyornithidae), mas erradamente pensavam que se tratava de outra espécie de pássaro-elefante, conhecida como Aepyornis maximus, explica James Hansford, o principal responsável desta investigação, da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL).

Com recurso a uma fita métrica e pinças, Hansford analisou centenas de ossos de pássaros-elefantes que se encontravam em museus de todo o mundo. Depois de traçar os seus tamanhos, o cientista descobriu que estes ossos estavam em grupos distintos, revelando três géneros e quatro espécies distintas.

A ave recentemente descoberta foi apelidada de Vorombe titan, cujo nome Vorombe significa “pássaro grande” em malgaxe, uma língua malaio-polinésia. Por sua vez, titan é um retrocesso ao Aepyornis titan, espécie que, em 1894, o paleontólogo britânico C.W. Andrews pensava ser a maior de sempre e que foi geralmente descartada como um exemplar invulgarmente maior do já conhecido A. maximus.

De acordo com o Live Science, quando estes herbívoros foram extintos pelos humanos, o ecossistema mudou e as plantas que dependiam dos pássaros para comer e dispersar sementes enfrentaram uma dura batalha para sobreviver.

Estes pássaros-elefantes “tiveram, sem dúvida, um impacto significativo a criar e a manter a paisagem do antigo Madagáscar. A sua extinção deixou um buraco que precisamos de pensar em conservar na sua ausência”, afirma Hansford.

“Sem uma compreensão precisa da diversidade das espécies passadas, não conseguimos compreender adequadamente a evolução ou a ecologia em sistemas insulares únicos como Madagáscar ou reconstruir exactamente o que se perdeu desde a chegada dos humanos a estas ilhas. Conhecer a história da perda da biodiversidade é essencial para determinar como conservar as espécies ameaçadas nos tempos que correm”, afirma Samuel Turvey, co-investigador deste estudo, citado pela Europa Press.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2018

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1010: Humanos levaram milhares de anos a extinguir as aves-elefante

Faziam parte da megafauna que habitou Madagáscar durante milhares de anos. Pesavam meia tonelada, atingiam três metros de altura e já eram caçadas pelo homem há 10 mil anos, o que levou a uma revisão radical das estimativas do início da presença humana na ilha

Durante milhares de anos, a ilha de Madagáscar foi o habitat de uma megafauna – hoje integralmente extinta – onde se incluíam lémures e tartarugas gigantes, hipopótamos e dois géneros distintos de “aves elefantes”, incapazes de voar, de uma família intitulada Aepyornithidae. A maior, a Aepyornis, chegava à meia tonelada de peso e aos três metros de altura, pondo ovos maiores do que os dos dinossauros, com um volume 160 vezes superior aos das galinhas. Extinguiu-se há pouco mais de mil anos. A segunda, Mulleronis, pesava cerca de 150 quilos. Os restos mortais mais recentes foram datados de meados do século XIII. Ambas eram caçadas pelo homem. Mas, agora, descobriu-se que isso já acontecia há muito mais tempo do que se suspeitava.

De acordo com um estudo publicado na revista científica Advances Science Mag, investigadores de Madagáscar, Estados Unidos e Reino Unido descobriram sinais de acção humana em ossadas de aves-elefante datadas de há 10.500 anos, incluindo “marcas de corte e fracturas consistentes com imobilização e desmembramento”. Uma descoberta que obrigará os cientistas a reavaliarem toda a dinâmica da extinção da megafauna da ilha, da intervenção humana nesse processo e da própria colonização humana do território.

Com base em investigações anteriores, estimava-se que a presença humana na ilha tivesse começado há cerca de 2500 anos. Ou seja: seis mil anos mais tarde do que agora é revelado. Acreditava-se, igualmente, que esta presença tivesse ditado a extinção relativamente rápida de todos os “gigantes” da ilha. Mas, ao serem encontrados vestígios tão antigos da caça destes animais, as evidências mostram agora que esta actividade não terá impedido a coexistência entre o homem e a megafauna durante largos milhares de anos.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
13 Setembro 2018 — 10:53

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1002: O pássaro que protagonizou o filme “Rio” está extinto

CIÊNCIA

O pássaro azul que protagoniza o filme “Rio” está extinto. A ararinha-azul torna-se, assim, numa das oito espécies de pássaro que desapareceram do planeta Terra. 

De acordo com um estudo realizado pela BirdLife International e publicado no início do mês na ScienceDirect, a ararinha-azul, um pássaro que ficou muito famoso por ter aparecido no filme “Rio”, está extinta.

Esta ave torna-se assim numa das oito espécies de pássaro, quatro das quais nativas do Brasil, que desapareceram do planeta Terra. A culpa, neste caso em particular, é da desflorestação, que lhe destruiu o habitat, condenando-a à extinção.

Segundo o estudo da organização ambiental, esta é a primeira vez na história em que o número de espécies extintas na parte do país que fica no continente é maior do que o número de extinções nas ilhas.

Stuart Butchart, que liderou a equipa de investigação, refere que “90% das extinções de pássaros nos séculos mais recentes aconteceu em ilhas, mas os resultados confirmam que há uma onda crescente de extinções no continente por causa da perda de habitat, degradação por causa de técnicas agrícolas insustentáveis e exploração madeireira”.

Além disso, adianta o Observador, a ararinha-azul tornou-se na primeira espécie a ser considerada extinta este ano, ao lado de outras como o gritador-do-nordeste, o limpa-folha-do-nordeste, a trepadeira-de-cara-preta, o abibe-preto, a caburé-de-pernambuco, a arara-azul-pequena e o papagaio de Nova Caledónia.

Em estado selvagem, já não existe nenhuma. Apesar disso, ainda há entre 60 e 80 ararinhas-azuis em cativeiro espalhadas pelo mundo.

A notícia é desoladora, mas a BirdLife International acredita que é possível que alguns desses pássaros sejam postos em liberdade para poderem repovoar as florestas do Brasil se houver um esforço entre os proprietários destes animais.

Se isso acontecer, “Rio” torna-se realidade. no filme, uma ararinha-azul – Blu – foge do cativeiro em Minnesota e viaja com uma fêmea da mesma espécie até ao Brasil para repovoar a floresta. Resta saber se, na vida real, o “felizes para sempre” também existe.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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Já se sabe como é que os pássaros “veem” o campo magnético da Terra

D.R.

No ano passado, os cientistas descobriram que as aves conseguiam detectar o campo magnético da Terra. Um novo estudo explica porquê

Um grupo de investigadores da universidade sueca de Lund já tinha descoberto que tanto as aves migratórias como as não-migratórias têm uma “bússola” interna que lhes permite ter a percepção de variáveis de movimento como a direcção, altitude ou localização através da detecção de um campo magnético. Agora, a mesma equipa desvendou uma “peça” fundamental acerca desta espécie de GPS interno.

No seu estudo mais recente, publicado no final do mês passado, os investigadores identificaram uma proteína que pensam ser crucial para que esta orientação seja possível. As experiências desenvolvidas em mandarins, ave nativa da Austrália, permitiram perceber o papel de uma proteína, a Cry4, neste sistema de orientação: funciona como um sensor magnético.

Entre todas as proteínas que foram testadas, esta foi a única que mantinha um nível constante ao longo do dia, mesmo com variações na luminosidade.

“É um receptor magnético ideal, uma vez que o nível da proteína nos olhos é constante. Isto é algo que esperamos de um receptor que é usado, independentemente da altura do dia”, explicou Atticus Pinzón-Rodríguez, um dos autores do estudo.

A Cry4 é uma proteína criptocromática, isto é, sensível à luz, que se encontra nos olhos dos pássaros. Esta têm a função de regular o relógio biológico e, em algumas espécies, o ciclo circadiano, isto é, o período de 24 horas em que um ser vivo completa as actividades do ciclo biológico.

Os investigadores admitem a possibilidade de outros animais possuírem receptores magnéticos, embora seja necessário aprofundar a investigação neste campo para que se consiga esquematizar a forma como estes descobrem e usam o campo magnético terrestre. Um conhecimento que pode ser aplicado no desenvolvidamente de novos sistemas de navegação, segundo os autores.

Visão
Paulo Miguel Godinho
14.04.2018 às 19h25

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