2349: Os Australopitecos eram amamentados até aos 12 meses

CIÊNCIA

Wikimedia / Federigo Federighi

As crias dos australopitecos, uma espécie humana extinta que viveu em África, foram amamentadas até ao primeiro ano de vida, segundo um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature.

Na investigação da faculdade de medicina Icahn, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foram estudados os dentes fossilizados do Australopithecus Africanus, uma espécie de hominídeo natural da zona que é hoje a África do Sul.

A autora do estudo, Christine Austin, analisou os minerais nos dentes dos recém-nascidos, uma vez que o leite materno contem bário, que se acumula nos dentes.

Nos fósseis dos australopitecos estudados, que terão vivido há cerca de 2,6 e 2,1 milhões de anos, havia bário acumulado, o que levou os investigadores a calcular que as crias tinham sido amamentadas durante um ano, um período que pode ter-lhes permitido sobreviver a uma escassez de alimentos, refere-se no artigo da Nature.

“O padrão de crescimento dos dentes, que se assemelha aos anéis das árvores, permitiu que os investigadores determinassem as concentrações de bário, um elemento encontrado no leite, que se acumulara nos dentes ao longo do tempo e que fornece informação sobre os padrões maternais e de dieta”, afirma a equipa citada em comunicado.

“Os nossos resultados mostram que esta espécie está um bocadinho mais próxima dos humanos do que outros grandes símios que têm comportamentos diferentes na amamentação”, explicou Austin, citada na mesma nota.

Esta primeira espécie de hominídeos, destaca ainda a recente publicação, socorreu-se ainda da amamentação para enfrentar período de escassez de alimentos que, segundos os cientistas, podem ter levado à sua extinção.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Julho, 2019

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905: Os nossos antepassados não comiam açúcar (e também tinham problemas nos dentes)

(dr) Ian Towle / Liverpool John Moores University
Dentes danificados do Australopithecus africanus

Embora a erosão dentária e as cáries nos pareçam problemas nos dentes bastante actuais, a verdade é que até os nossos antepassados sofreram com isso.

Nos dias de hoje, a erosão dentária é um dos problemas mais comuns quando falamos de problemas nos dentes. Bebidas com gás e produtos açucarados são geralmente os culpados, assim como a forma como fazemos a nossa higiene dentária.

Embora isto pareça um problema de saúde actual, uma investigação levada a cabo pelo antropólogo Ian Towle, da Liverpool John Moores University, mostra que, afinal, os seres humanos já lidam com este tipo de problema há milhões de anos.

De acordo com o Science Alert, a equipa de investigadores descobriu lesões notavelmente semelhantes às causadas pela erosão dentária actual em dois dentes da frente, com 2,5 milhões de anos, de um dos nossos antepassados: Australopithecus africanus.

Dado o tamanho e a posição das lesões, este nosso antepassado provavelmente também teve dores de dentes e sensibilidade dentária. Mas, afinal, qual será a explicação, uma vez que este indivíduo teve uma alimentação bastante diferente da que fazemos actualmente?

Segundo Towle, a erosão dentária de hoje em dia não é só influenciada pelas bebidas e comida que ingerimos, mas também frequentemente associada a uma forma agressiva de escovar os dentes. O Australopithecus africanus provavelmente também sofreu o mesmo problema por comer alimentos duros e fibrosos.

Para as lesões se formarem nos dentes analisados, este humanos teve uma dieta rica em alimentos ácidos. Mas, em vez das bebidas gaseificadas como no nosso caso, é bastante provável que tenha chegado até si na forma de frutas cítricas e vegetais ácidos.

Um desses exemplos são os tubérculos, ou seja, batatas e outros relacionados, que são duros de comer e, surpreendentemente, alguns são também ácidos, podendo ser uma das causas destas lesões.

Além disso, outro tipo de problema comum nos dias de hoje – as famosas cáries – também já foram encontradas com frequência em dentes fossilizados. Enquanto que no nosso caso está relacionado com os produtos açucarados, nos antepassados isso provavelmente acontecia por causa de certos tipos de fruta e vegetação, bem como o mel.

Para além da alimentação, a erosão dentária também pode ser causada por esfregar repetidamente ou segurar um objecto duro contra os dentes (caso disso é o erro de roer as unhas, fumar cachimbo ou segurar agulhas de costura entre os dentes).

Essas actividades normalmente levam anos para formar buracos perceptíveis nos dentes, por isso, quando estes são encontrados em dentes fossilizados, podem oferecer informações fascinantes sobre o comportamento e a cultura dos nossos antepassados.

Os melhores exemplos desse tipo de desgaste dentário pré-histórico são “ranhuras de palito”, que se pensa serem causadas pela colocação repetida de um objecto na boca, geralmente nas falhas entre os dentes posteriores.

A presença de arranhões microscópicos à volta desses buracos sugere que são exemplos da higiene dentária pré-histórica, em que o indivíduo usou instrumentos de pau ou outros para retirar restos de comida.

Alguns desses buracos são encontrados nos mesmos dentes que as cáries e outros problemas dentários, sugerindo que também podem ser sinais das pessoas a tentar aliviar as dores de dentes.

No entanto, essas lesões foram encontradas em várias espécies de hominídeos, incluindo humanos pré-históricos e neandertais, mas apenas nas espécies mais próximas a nós, não nos nossos ancestrais mais antigos.

Investigações futuras vão conseguir provar que este tipo de lesões nos nossos ancestrais era mais comum do que se pensava e, finalmente, poderão dar-nos mais informações sobre a dieta e as práticas culturais dos nossos parentes distantes, conclui Towle.

ZAP //

Por ZAP
23 Agosto, 2018

(Fora corrigidos 7 erros ortográficos ao texto original)

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