3052: Os símios de hoje são mais inteligentes do que a nossa ancestral Lucy

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Uma nova investigação que analisou crânios fósseis e modernos sugere que os grandes símios vivos são mais inteligentes do que o nosso ancestral pré-humano Australopithecus, grupo no qual se insere a famosa “Lucy”.

Segundo noticia a agência Europa Press, a nova investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, em colaboração com o Instituto de Estudos Evolucionários da Universidade de Witwatersrand, desafia a antiga tese que sustenta que, devido ao facto de o cérebro dos Australopithecus ser maior do que o de muitos macacos modernos, estes eram mais inteligentes.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica Proceedings of Royal Society B, mediu a taxa de fluxo sanguíneo para a parte cognitiva do cérebro, com base no tamanho dos buracos no crânio que passavam pelas artérias supridas.

A técnica em causa foi calibrada em humanos e outros mamíferos e aplicada a 96 crânios de grandes símios e 11 crânios fósseis de Australopithecus.

Roger Seymour, cientista que participou no estudo, explicou, citado em comunicado, que o estudo evidenciou uma maior taxa de fluxo sanguíneo na parte cognitiva do cérebro dos grandes símios em comparação com os Australopithecus.

“Os resultados foram inesperados para os antropólogos, porque geralmente a inteligência está directamente relacionada ao tamanho do cérebro”.

“No começo, o tamanho do cérebro parece razoável porque é uma medida da quantidade de células cerebrais, os chamados neurónios. No entanto, ao pensar sobre isso, a cognição se baseia baseia-se não só no número de neurónios, mas também no número de conexões entre os neurónios, as sinapses. Estas conexões governam o fluxo de informações no cérebro. Uma actividade sináptica maior resulta numa maior capacidade de processamento de informações”, sustentou, citado na mesma nota.

Seymour recordou disse que os grandes símios são conhecidos por serem muito inteligentes, dando como exemplo o gorila Koko, que foi ensinado a comunicar-se com mais de 1.000 sinais, e do chimpanzé Washoe, que aprendeu cerca de 350 sinais.

“De acordo com os resultados, estima-se que o fluxo sanguíneo para os hemisférios cerebrais do Koko seja aproximadamente o dobro do fluxo da Lucy. Uma vez que a taxa de fluxo sanguíneo poderá ser uma melhor medida da capacidade de informações do que o tamanho do cérebro, Koko pode ter sido mais inteligente”, rematou.

Com apenas um metro de altura e 27 quilos, Lucy viveu na África Oriental há mais de três milhões de anos. O seu fóssil foi descoberto a 24 de Novembro de 1974 pelo famoso paleoantropólogo norte-americano Donald Johnson e cerca de 40% do esqueleto sobreviveu até aos dias de hoje.

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Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

2349: Os Australopitecos eram amamentados até aos 12 meses

CIÊNCIA

Wikimedia / Federigo Federighi

As crias dos australopitecos, uma espécie humana extinta que viveu em África, foram amamentadas até ao primeiro ano de vida, segundo um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature.

Na investigação da faculdade de medicina Icahn, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foram estudados os dentes fossilizados do Australopithecus Africanus, uma espécie de hominídeo natural da zona que é hoje a África do Sul.

A autora do estudo, Christine Austin, analisou os minerais nos dentes dos recém-nascidos, uma vez que o leite materno contem bário, que se acumula nos dentes.

Nos fósseis dos australopitecos estudados, que terão vivido há cerca de 2,6 e 2,1 milhões de anos, havia bário acumulado, o que levou os investigadores a calcular que as crias tinham sido amamentadas durante um ano, um período que pode ter-lhes permitido sobreviver a uma escassez de alimentos, refere-se no artigo da Nature.

“O padrão de crescimento dos dentes, que se assemelha aos anéis das árvores, permitiu que os investigadores determinassem as concentrações de bário, um elemento encontrado no leite, que se acumulara nos dentes ao longo do tempo e que fornece informação sobre os padrões maternais e de dieta”, afirma a equipa citada em comunicado.

“Os nossos resultados mostram que esta espécie está um bocadinho mais próxima dos humanos do que outros grandes símios que têm comportamentos diferentes na amamentação”, explicou Austin, citada na mesma nota.

Esta primeira espécie de hominídeos, destaca ainda a recente publicação, socorreu-se ainda da amamentação para enfrentar período de escassez de alimentos que, segundos os cientistas, podem ter levado à sua extinção.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Julho, 2019

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