5049: Os nossos antepassados podem ter usado ferramentas de pedra antes de terem polegares opositores

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/BIOMECÂNICA

carlos_lorenzo / Flickr
Lucy, uma Australopithecus Afarensis que viveu há 3 milhões de anos

A evolução do polegar anda frequentemente de mãos dadas com o aparecimento das ferramentas de pedra. Mas, afinal, os nossos antepassados podem ter feito e usado esses objectos muito antes dos seus polegares corresponderem aos nossos.

De acordo com o site Science Alert, um novo estudo descobriu que os polegares evoluíram há cerca de dois milhões de anos. E há evidências de que os nossos ancestrais já faziam ferramentas de pedra antes disso.

Os Australopitecos, um género de diversos hominídeos bastante próximos aos do género Homo, surgiram como os possíveis primeiros humanos com evidências indirectas do uso de ferramentas, entre há dois e três milhões de anos. A nova investigação sugere que os seus polegares, nessa altura, eram mais semelhantes aos dos chimpanzés do que aos nossos.

Comparados com os seus ancestrais primatas, os Australopitecos tinham melhor destreza manual, dizem os investigadores. Mas, embora as suas mãos tivessem proporções semelhantes às nossas, os polegares não conseguiam atingir a mesma extensão de oposição eficiente que temos hoje.

A equipa, cujo estudo foi publicado, a 28 de Janeiro, na revista científica Current Biology, concentrou-se num músculo da mão hominídea, chamado oponente do polegar, que é considerado crucial para a oposição do polegar relativamente aos outros dedos, permitindo a flexão da articulação trapeziometacarpal (TMC).

A localização do músculo, a sua via e as suas áreas gerais de inserção foram comparadas entre uma variedade de fósseis da espécie humana. Os cientistas usaram modelagem muscular virtual de ponta com análise tridimensional da forma e tamanho do osso para chegar às suas conclusões.

Embora o nosso próprio género, incluindo os Neandertais, mostrasse graus igualmente elevados de destreza manual, outros hominídeos não. A eficiência e a destreza do polegar em todos os Australopitecos foram consistentemente menores. Mesmo a espécie mais recente de Australopitecos, o A. sediba, apresentou menor flexão na articulação TMC.

Curiosamente, os primeiros hominídeos desse período, encontrados em Swartkrans, na África do Sul, tinham mãos muito mais parecidas com as nossas. Os cientistas dizem mesmo que a mecânica dos seus polegares está a meio caminho entre os chimpanzés e os humanos modernos.

Segundo o mesmo site, essa destreza pode ser a razão pela qual os hominídeos encontrados em Swartkans são considerados os primeiros utilizadores do fogo e os primeiros a começar a abater animais de grande porte na África do Sul.

Essa mudança, observaram os autores do estudo, deu potencialmente origem a “uma vantagem evolutiva significativa, que pode ter sido parte dos desenvolvimentos bioculturais cruciais que ocorreram após dois milhões de anos”.

ZAP ZAP //

Por ZAP
2 Fevereiro, 2021


4908: O antebraço curvo do Little Foot pode não ser fruto de uma lesão juvenil

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

A curvatura do antebraço do Little Foot, o esqueleto mais completo já encontrado de um ancestral humano, pode ter uma explicação natural e não ser resultado de uma lesão, tal como defendem os cientistas que encontraram o fóssil.

Este australopiteco com 3,67 milhões de anos foi encontrado no fim da década de 90 num sistema de cavernas de Sterkfontein, na África do Sul, por uma equipa de cientistas liderada por Ronald John Clarke, que considerou que a curvatura observada no seu antebraço foi resultado de uma queda de uma árvore durante a infância.

À época, os cientistas sustentaram que o ancestral humano sofreu uma curvatura plástica do antebraço, uma deformidade comum em crianças pequenas após sofrerem uma queda traumática com a mão estendida, uma vez que os ossos juvenis são mais elásticos do que os dos adultos, explica a agência noticiosa espanhola Europa Press.

Agora, uma investigação conjunta da Universidade da Califórnia, da Universidade de Nova Iorque e do Colégio de Chaffey, nos Estados Unidos, sugere que a curvatura pode afinal ser fruto de um processo natural associado à locomoção do ancestral.

Os cientistas testaram a hipótese dos investigadores que descobriram o Little Foot utilizando a análise da forma elíptica do matemático francês Fourier (1768-1830) numa grande amostra de macacos modernos, hominídeos e humanos, sendo esta análise também combinada com casos clínicos de humanos com a mesma patologia.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica especializada Journal of Human Evolution, mostra que a curvatura do antebraço do Little Foot é semelhante à observada em orangotangos, reflectindo um grau de curvatura também identificado noutros macacos e vários hominídeos primitivos.

De acordo com os cientistas, esta curvatura é uma característica anatómica normal entre os macacos existentes actualmente e muitos dos hominídeos primitivos.

Acredita-se que seja uma reacção corporal aos comportamentos do próprio espécime, em que usava habitualmente o membro anterior no processo de locomoção.

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Sara Silva Alves, ZAP //
Por Sara Silva Alves
4 Janeiro, 2021


3051: Os símios de hoje são mais inteligentes do que a nossa ancestral Lucy

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA

Uma nova investigação que analisou crânios fósseis e modernos sugere que os grandes símios vivos são mais inteligentes do que o nosso ancestral pré-humano Australopithecus, grupo no qual se insere a famosa “Lucy”.

Segundo noticia a agência Europa Press, a nova investigação, conduzida por cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, em colaboração com o Instituto de Estudos Evolucionários da Universidade de Witwatersrand, desafia a antiga tese que sustenta que, devido ao facto de o cérebro dos Australopithecus ser maior do que o de muitos macacos modernos, estes eram mais inteligentes.

A nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica Proceedings of Royal Society B, mediu a taxa de fluxo sanguíneo para a parte cognitiva do cérebro, com base no tamanho dos buracos no crânio que passavam pelas artérias supridas.

A técnica em causa foi calibrada em humanos e outros mamíferos e aplicada a 96 crânios de grandes símios e 11 crânios fósseis de Australopithecus.

Roger Seymour, cientista que participou no estudo, explicou, citado em comunicado, que o estudo evidenciou uma maior taxa de fluxo sanguíneo na parte cognitiva do cérebro dos grandes símios em comparação com os Australopithecus.

“Os resultados foram inesperados para os antropólogos, porque geralmente a inteligência está directamente relacionada ao tamanho do cérebro”.

“No começo, o tamanho do cérebro parece razoável porque é uma medida da quantidade de células cerebrais, os chamados neurónios. No entanto, ao pensar sobre isso, a cognição se baseia baseia-se não só no número de neurónios, mas também no número de conexões entre os neurónios, as sinapses. Estas conexões governam o fluxo de informações no cérebro. Uma actividade sináptica maior resulta numa maior capacidade de processamento de informações”, sustentou, citado na mesma nota.

Seymour recordou disse que os grandes símios são conhecidos por serem muito inteligentes, dando como exemplo o gorila Koko, que foi ensinado a comunicar-se com mais de 1.000 sinais, e do chimpanzé Washoe, que aprendeu cerca de 350 sinais.

“De acordo com os resultados, estima-se que o fluxo sanguíneo para os hemisférios cerebrais do Koko seja aproximadamente o dobro do fluxo da Lucy. Uma vez que a taxa de fluxo sanguíneo poderá ser uma melhor medida da capacidade de informações do que o tamanho do cérebro, Koko pode ter sido mais inteligente”, rematou.

Com apenas um metro de altura e 27 quilos, Lucy viveu na África Oriental há mais de três milhões de anos. O seu fóssil foi descoberto a 24 de Novembro de 1974 pelo famoso paleoantropólogo norte-americano Donald Johnson e cerca de 40% do esqueleto sobreviveu até aos dias de hoje.

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ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

2349: Os Australopitecos eram amamentados até aos 12 meses

CIÊNCIA

Wikimedia / Federigo Federighi

As crias dos australopitecos, uma espécie humana extinta que viveu em África, foram amamentadas até ao primeiro ano de vida, segundo um estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature.

Na investigação da faculdade de medicina Icahn, de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foram estudados os dentes fossilizados do Australopithecus Africanus, uma espécie de hominídeo natural da zona que é hoje a África do Sul.

A autora do estudo, Christine Austin, analisou os minerais nos dentes dos recém-nascidos, uma vez que o leite materno contem bário, que se acumula nos dentes.

Nos fósseis dos australopitecos estudados, que terão vivido há cerca de 2,6 e 2,1 milhões de anos, havia bário acumulado, o que levou os investigadores a calcular que as crias tinham sido amamentadas durante um ano, um período que pode ter-lhes permitido sobreviver a uma escassez de alimentos, refere-se no artigo da Nature.

“O padrão de crescimento dos dentes, que se assemelha aos anéis das árvores, permitiu que os investigadores determinassem as concentrações de bário, um elemento encontrado no leite, que se acumulara nos dentes ao longo do tempo e que fornece informação sobre os padrões maternais e de dieta”, afirma a equipa citada em comunicado.

“Os nossos resultados mostram que esta espécie está um bocadinho mais próxima dos humanos do que outros grandes símios que têm comportamentos diferentes na amamentação”, explicou Austin, citada na mesma nota.

Esta primeira espécie de hominídeos, destaca ainda a recente publicação, socorreu-se ainda da amamentação para enfrentar período de escassez de alimentos que, segundos os cientistas, podem ter levado à sua extinção.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Julho, 2019

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