2911: Afinal, o solitário tubarão-branco também gosta de escolher com quem anda

CIÊNCIA

kenbondy / Flickr
Carcharodon carcharias, conhecido pelo nome comum de tubarão-branco

Investigadores descobriram, através de uma análise nas Neptune Islands, na Austrália, que os tubarões-brancos podem formar comunidades. 

Geralmente, o Carcharodon carcharias, conhecido pelo nome comum de tubarão-branco, é visto como um animal solitário. No entanto, quando se reúne com outros da sua espécie, passa mais tempo com certos indivíduos do que outros.

Segundo o IFLScience, Charlie Huveneers, professor associado da Universidade Flinders, na Austrália, fotografou 282 tubarões-brancos nas Neptune Islands, um local conhecido no país pela relativa facilidade em ver este animal.

O investigador observou a proximidade entre eles, durante um período de quatro anos e meio, relatando que certos tubarões eram frequentemente vistos no mesmo local, no mesmo dia, mesmo com anos de diferença.

“Em vez de estarem apenas ali aleatoriamente, os tubarões formaram quatro comunidades distintas, o que mostrou que alguns eram mais propensos a usar aquele lugar de forma simultânea do que o esperado por acaso”, afirmou Stephan Leu, investigador da Universidade Macquarie, também na Austrália, e um dos autores do estudo publicado, este mês, na revista científica Behavioral Ecology and Sociobiology.

“Os tubarões em geral, e os tubarões brancos em particular, não são conhecidos por formarem laços no significado geral da palavra”, explica Huveneers ao mesmo site. Ao contrário das orcas ou dos golfinhos, não há evidências de que estes animais se juntem para caçar as suas presas.

O investigador deixa claro que estas associações são ainda muito prematuras, e podem não estar relacionadas com uma preferência por determinados companheiros. Em vez disso, se determinadas condições ambientais atraírem certos indivíduos, enquanto outros são atraídos para outros lugares, surgirão associações aparentes. No entanto, ainda não se sabe quais são essas preferências.

No entanto, Huveneers não deixa de achar que estas observações são surpreendentes, até porque cada vez mais se veem “associações não aleatórias em várias espécies, incluindo os Negaprion brevirostris e os Scyliorhinus canicula“.

Este ano, cientistas também identificaram que as manta rays, que já foram consideradas criaturas solitárias, formam relações sociais.

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26 Outubro, 2019

 

2777: Encontradas evidências de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos

CIÊNCIA

University of New South Wales

Cientistas encontraram restos orgânicos de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos. Foram encontrados preservados em estromatólitos na Austrália.

Estromatólitos são rochas fósseis formadas por actividades de microrganismos e foi aqui que vida microscópica se pode ter desenvolvido há 3,5 mil milhões de anos. Acredita-se que estes possam ser alguns dos primeiros organismos a realizar fotossíntese, sendo responsáveis pelo oxigénio que surgiu no planeta.

Geólogos encontraram na Austrália as primeiras evidências directas de uma das formas mais antigas de vida. De acordo com o New Atlas, há décadas que cientistas procuravam por estas provas, encontradas agora por cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul e publicadas na revista na semana passada na revista Geology.

Para as conseguirem, os investigadores tiveram de perfurar os estromatólitos para recolher amostras do centro das rochas. Aí havia uma maior probabilidade de encontrarem indícios de vida antiga. Com recurso a técnicas avançadas, os cientistas concluíram que estas rochas feitas maioritariamente de pirita continham sinais claros de matéria orgânica preservada.

Esta é uma descoberta emocionante — pela primeira vez, somos capazes de mostrar ao mundo que esses estromatólitos são evidências definitivas da primeira vida na Terra”, disse Raphael Baumgartner, investigador responsável pelo estudo.

“A matéria orgânica que encontramos preservada dentro da pirita dos estromatólitos é empolgante. Estamos a analisar filamentos coerentes e cordões excepcionalmente preservados que normalmente são restos de biofilmes microbianos“, acrescentou.

Apesar da descoberta ser claramente empolgante, estas não são as formas de vida mais antigas conhecidas pelos cientistas. Na Gronelândia foram encontrados estromatólitos com 3,7 mil milhões de anos e, no Canadá, acredita-se que tenham sido encontradas formas de vida com 4,3 mil milhões de anos.

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5 Outubro, 2019

 

2679: Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

UNSW

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sidney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infra-estrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da acção climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido accionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, co-autores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, co-autor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em Julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Actualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, directora do programa global de água do WRI.

As acções globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a activista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adoptadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

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20 Setembro, 2019

 

2636: Estudo mostra que o canguru gigante tinha uma parecença com os pandas

CIÊNCIA

(dr) Mike Lee / South Australian Museum
Crânio de um canguru gigante da espécie já extinta Simosthenurus occidentalis

O já extinto canguru gigante tinha uma característica muito semelhante com o panda-gigante dos dias modernos: grandes mandíbulas que lhe permitiam comer alimentos que outros animais não conseguiam.

Há mais de 40 mil anos, o sudoeste da Austrália estava repleto de cangurus gigantes. Um  desses animais já extintos — Simosthenurus occidentalis — exibia uma pata com apenas um dedo (os cangurus modernos têm três), pesava quase 120 quilos e alimentava-se de plantas.

Agora, de acordo com o Business Insider, uma nova investigação sugere que esta espécie tinha uma característica semelhante à de um animal do nosso tempo: o panda-gigante.

Simosthenurus tinha grandes mandíbulas que lhe permitiam comer alimentos duros, como folhas maduras, caules e galhos, quando outras fontes de alimento eram escassas.

O panda-gigante é o único animal nos dias de hoje que tem mandíbulas semelhantes, aproveitando-se delas para comer também vegetação difícil de mastigar, como bambu.

Reconstrução artística do canguru gigante Simosthenurus occidentalis

Segundo o novo estudo, agora publicado na revista científica PLOS One, a mandíbula deste canguru era até mais semelhante à dos pandas gigantes do que à dos cangurus modernos.

“No geral, estes cangurus eram bem diferentes dos cangurus modernos, com corpos mais espessos, braços longos e musculados com dedos estendidos, apenas um dedo grande do pé e cabeças em forma de caixa que eram mais parecidas com as de um coala”, explicou à revista Newsweek Rex Mitchell, autor do estudo e zoólogo da Universidade de New England, na Austrália.

O investigador decidiu perceber como é que estas mandíbulas permitiam a este canguru comer alimentos rígidos, determinando quanta força o seu crânio poderia resistir. Para isso, criou modelos digitais 3D de um crânio deste canguru e simulou as forças mecânicas.

Mitchell descobriu que as maçãs do rosto gigantes deste animal suportavam grandes músculos que teriam impedido a sua mandíbula de se deslocar quando mordia os alimentos. Os ossos na frente e no topo do crânio formavam um arco que ajudava a impedir a torção dos músculos.

“A capacidade de consumir partes de plantas que outros herbívoros daquela época não conseguiam ofereceu-lhe uma vantagem competitiva nestes tempos difíceis”, explica o investigador.

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15 Setembro, 2019

 

2569: O interior de Saturno pode ser “viscoso” como mel (e encerrar um mistério)

CIÊNCIA

JPL / Space Science Institute / NASA

Uma nova investigação, levada a cabo por cientistas da Universidade Nacional Australiana (UNA), sugere que o interior de Saturno pode fluir de forma viscosa, tal como o mel, devido ao seu campo magnético.

A descoberta, que teve por base dados da missão espacial Cassini da NASA, pode ajudar a perceber por que motivo os seus ventos fortes acabam a uma profundidade de 8.500 quilómetros no interior do gigante gasoso.

Estes ventos fortes, conhecidos como correntes de jacto, formam as “riscas” no exterior de Saturno – semelhantes, mas menos notórias de que as de Júpiter.

Em comunicado a semana passada divulgado, a UNA recorda que Saturno não tem uma superfície sólida, sendo um planeta gasoso composto principalmente por hidrogénio e hélio que se movem de forma fluída e sem qualquer problema.

Ventos fortes, conhecidos como correntes de jacto, formam a aparência de listras no exterior de Saturno – semelhantes, mas menos severos do que os de Júpiter.

Depois de analisar os dados da Cassini, os cientistas descobriram que, a determinadas profundidades, onde a pressão é alta, o gás torna-se num líquido que conduz electricidade. Este líquido, que flui electricamente, pode distorcer o campo magnético, tornando o fluído mais viscoso, tal como mel, explicou o co-autor do estudo, Navid Constantinou.

“As medições da Cassini revelaram que estes fluxos de jacto [ventos forte] continuam até cerca de 8.500 quilómetros no interior de Saturno, o que representa aproximadamente 15% da distância em direcção ao centro do planeta (…) No fundo de Saturno, onde a pressão é alta, o gás torna-se num líquido que conduz electricidade e é mais fortemente influenciado pelo campo magnético do planeta”, sustentou.

“Um líquido que flui electricamente, dobra ou distorce um campo magnético. Mostramos que a distorção do campo magnético torna o fluído mais viscoso, como o mel”.

Segundo o cientista, este modelo teórico indica que o efeito viscoso do campo magnético pode ajudar a explicar o mistério dos ventos de Saturno. “Os mistérios que ocorrem no interior de Saturno e no interior de outros gigantes gasosos do nosso Sistema Solar começam agora a desvendar-se lentamente”, concluiu.

As descobertas podem oferecer uma melhor compreensão dos planetas que compõem o nosso Sistema Solar, bem como oferecer uma “forma promissora” e analisar e interpretar dados recolhidos por missões espaciais.

Os resultados da investigação foram publicados esta semana na revista científica especializada Physical Review Fluids.

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3 Setembro, 2019

 

2556: “Muito mau”. Austrália baixa classificação do estado da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

A agência governamental australiana que gere a Grande Barreira de Coral baixou a classificação do estado dos corais de “mau” para “muito mau”, devido ao aquecimento global.

O relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, que é actualizado a cada cinco anos, é a mais recente má notícia para os mais de 345 mil quilómetros quadrados de recife que se estendem ao longo da costa nordeste da Austrália, à medida que se agrava o impacto das alterações climáticas e do branqueamento de corais, provocado pelo aumento da temperatura da água.

O documento, divulgado esta sexta-feira, revela que a maior ameaça ao recife continua a ser a mudança climática. As outras ameaças estão associadas ao desenvolvimento costeiro, escoamento de águas de terrenos agrícolas e actividades humanas como a pesca ilegal. “Acções globais significativas para lidar com as alterações climáticas são cruciais para retardar a deterioração do ecossistema”, lê-se no relatório.

“Tais acções completarão e aumentarão muito a eficácia das iniciativas de gestão local nos recifes e na bacia hidrográfica”, frisam os relatores. Este é o terceiro relatório da agência e a deterioração continua desde o primeiro, em 2009.

A deterioração dos recifes reflecte-se essencialmente na expansão da área de corais mortos ou danificados pelo branqueamento.

O documento aponta também que as ameaças — que incluem a estrela do mar Coroa de Espinhos (Acanthaster planci) espécie predadora dos pólipos dos corais — são “múltiplos, cumulativos e crescentes”. “A acumulação de impactos, através do tempo e numa área crescente, está a afectar a capacidade de recuperação, com implicações nas comunidades e indústrias dependentes dos corais”, afirmou o presidente da autoridade, Ian Poiner.

Um estudo recente, publicado no passado mês de Abril na revista científica Nature, dava conta de uma uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral, apontando o aquecimento global como o principal culpado.

ZAP // Lusa

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

2524: “Jangada” de rochas vulcânicas maior do que o Porto está a flutuar pelo Pacífico

CIÊNCIA

NASA Earth Observatory / Joshua Stevens)

Uma enorme “jangada” flutuante de pedra-pomes está à deriva no Oceano Pacífico, dirigindo-se para a Grande Barreira de Corais, na Austrália.

De acordo com os média locais, esta horda, que no início de Agosto era maior do que a cidade do Porto, carrega uma vasta quantidade de vida marinha que pode ajudar a salvar o maior recife de corais do mundo, reabastecendo-o com milhões de pequenos organismos.

“Teremos milhões de corais individuais e muitos outros organismos, todos juntos com o potencial de encontrar novas casas ao longo da costa”, disse Scott Bryan, professor associado de Geologia da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália.

“Este é um caminho para os corais jovens e saudáveis ​​entrarem rapidamente na Grande Barreira”, acrescentou o cientistas.

A “jangada” de rocha vulcânica foi filmada por dois navegadores que, de um momento para o outro, perderam a visão da água do oceano e encontraram uma massa flutuante de pedras em torno da sua embarcação.

Michael Hoult e Larissa Brill partilharam a sua experiência através do Facebook, onde publicaram fotografias da “mancha de destroços” com fragmentos de vários tamanhos.

Estes escombros naturais, que são resultado de uma erupção vulcânica submarina perto de Tonga, no Pacífico Sul, atingiram já uma área enorme, sendo possível vê-la através de imagens de satélite capturadas pela agência espacial norte-americana.

Segundo noticia o Mashable, a “jangada” atingiu, a 13 de Agosto, uma dimensão semelhante à de Manhattan, nos Estados Unidos (59 quilómetros). Em termos de comparação, este valor é maior do que a cidade do Porto (41 quilómetros).

Números mais significativos avança o jornal local 7 News, dando conta que a massa já atingiu os 150 quilómetros quadrados de superfície – são 8.000 campos de futebol.

“Existem provavelmente milhões a mil milhões de pedaços de pedra-pomes a flutuar todos juntos. Cada peça é uma veículo para alguns organismos marinhos”, explicou ainda o cientistas, dando conta que quando a “ilha flutuante” chegar à Austrália será coberta por uma grande variedade de algas, corais, caranguejos, caracóis e vermes.

Estima-se que a massa chegue à Austrália dentro de 7 a 12 meses.

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27 Agosto, 2019

 

2458: “Mundo Jurássico” de vulcões encontrado sob a Austrália

CIÊNCIA

BackYardProductions / Canva
Ayers Rock, Austrália

Uma equipa de cientistas acaba de descobrir um “Mundo Jurássico” com cerca de 100 vulcões antigos enterrados sob as bacias de Cooper-Eromanga, na Austrália, noticia esta semana a Europa Press.

Segundo a agência noticiosa, está é a maior região de produção de petróleo e gás na Austrália. Contudo, e apesar de mais de 60 anos de exploração destes terrenos, a paisagem vulcânica jurássica passou despercebida – até agora.

Cientistas das universidades australianas de Adelaide e Aberdeen recorreram a técnicas avançadas de imagens do subsolo, análogas à tomografia computorizada, para identificar o grande número de crateras vulcânicas e fluxos de lava, bem como o número das câmaras de magma mais profundas que as alimentaram.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Gondwana Research, os  vulcões desenvolveram-se no período Jurássico, entre 180 e 160 milhões de anos atrás, sendo depois subsequentemente enterrados sob centenas de metros de rochas sedimentares ou em camadas.

As bacias de Cooper-Eromanga são agora uma paisagem seca e árida, contudo, na era jurássica, explicaram os cientistas, teriam sido uma paisagem de crateras e fissuras, lançando cinzas e lava para o ar, e cercada por redes de canais fluviais, evoluindo até grandes lagos e pântanos de carvão.

“Enquanto a maior parte da actividade vulcânica da Terra ocorre dentro dos limites das placas tectónicas, ou abaixo dos oceanos da Terra, este antigo mundo jurássico desenvolveu-se dentro do continente australiano”, explicou o cientista Simon Holford, co-autor do estudo e professor da Universidade de Adelaide, citado em comunicado.

“A descoberta [destes vulcões] levanta a possibilidade de existirem mais mundos vulcânicos não descobertos sob a superfície pouco explorada da Austrália”, apontou.

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17 Agosto, 2019

 

2065: Dinossauro com mais de 20 toneladas andava em “bicos de pés”

CIÊNCIA

Konstantinov, Atuchin & Hocknull.

Uma nova investigação da Universidade de Queensland, na Austrália, descobriu que um dinossauro massivo do Jurássico (com cerca de 24 tonelada) andava em “bicos de pés”, como se estivesse a usar “saltos altos”. 

O estudante de doutoramento Andréas Jannel e os seus colegas analisaram fósseis do saurópode Rhoetosaurus brownei, que datam de 160 a 170 milhões de anos e foram encontrados no sudoeste de Queensland. A investigação visava melhor compreender como é que uma criatura tão grande poderia suportar o seu próprio peso corporal.

Ao analisar os ossos das extremidades do dinossauro, “ficou claro que o Rhoetossauro andava com o calcanhar elevado, o que levanta a questão: como é que as suas pernas poderiam suportar a imensa massa corporal deste animal, que poderia pesar até 40 toneladas?”, questiona Jannel em comunicado.

Embora o Rhoetossauro tenha andado em “bicos de pés”, o seu calcanhar foi “amortecido por uma almofada carnuda”, semelhante às patas dos elefantes, aponta o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no Journal of Morphology.

Contudo, há uma pequena grande diferença entre estes animais: os dinossauros eram, pelo menos, cinco vezes mais pesados do que um elefante.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas criaram uma réplica do fóssil e manipularam-no fisicamente de forma a tentar perceber o movimento dos seus ossos. Os cientistas recorreram também a técnicas de modelagem 3-D.

Segundo Jannel, a novidade da “almofada de amortecimento” parece ser “uma inovação-chave durante a evolução dos saurópodes”, cujas vantagens podem ter facilitado a tendência dos enormes corpos destes animais.

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28 Maio, 2019


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“Bola de fogo” ilumina os céus na Austrália

© TVI24 (Reuters)

Um meteoro cruzou os céus ao largo da costa australiana e foi avistado a partir das cidades de Adelaide e Melbourne, esta terça-feira. A queda do objecto estelar motivou um enorme clarão, iluminando o céu durante breves momentos.

Em declarações aos meios de comunicação australianos, a população que pôde observar o fenómeno afirmou que o meteoro terá sido avistado por volta das 22:45 horas. Emily Jane não viu o objecto, mas mal soube das notícias acorreu às câmaras de vigilância da casa onde mora, comprovando o momento com “uma visão perfeita”.

O vice-presidente da Sociedade de Astronomia do Sul da Austrália, Paul Curnow, disse que o corpo celeste que se vê nos vídeos é “muito provavelmente um meteoro muito brilhante”, que cai na categoria que os cientistas apelidam de “bola de fogo”.

Uma “bola de fogo” forma-se quando a magnitude (intensidade do fluxo de radiação) do meteoro é superior à de um planeta. A magnitude mede o brilho de um corpo celeste. Quanto menor for o número, mais brilhante o corpo celeste se apresentará no céu. O sol, por exemplo, tem uma magnitude de -27, enquanto a magnitude de uma “bola de fogo” ronda os -4.

Curnow relembra que este tipo de acontecimentos só confirma que a Terra está numa “carreira de tiro” que é incontrolável.

Um meteoro é um objecto celeste formado por restos de asteróides, cometas ou planetas desintegrados e que alcança a superfície terrestre. Estes corpos variam de tamanho e forma.

msn notícias
Redacção TVI24
22/05/2019


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2008: Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico

CIÊNCIA

Stéphane Enten / Flickr

Localizada a mais de dois mil quilómetros da costa noroeste da Austrália, a ilha dos Cocos pode não ter muita população, mas lidera em termos de acumulação de plástico.

De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.

“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objectiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.

De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.

“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.

Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.

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18 Maio, 2019



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1826: Alterações climáticas estão a impedir a recuperação da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Richard Ling / Flickr

Cientistas da Austrália e dos Estados Unidos verificaram uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral. O culpado é o aquecimento global.

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, foi atacada pelo fenómeno de branqueamento em massa em 2016 e 2017. O branqueamento não atingiu este ecossistema em 2018, mas continua a influenciar a vida dos seus organismos.

De acordo com um artigo científico, recentemente publicado na Nature, estes branqueamentos consecutivos causaram uma diminuição de 89% no surgimento de novos corais no ano passado.

Em 20 anos, a Grande Barreira enfrentou quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e 2017. Durante fenómeno, a água aquece mais do que seria suposto e os corais ficam esbranquiçados. Isto acontece porque as algas, que vivem em simbiose com os corais e lhes dão cor, deixam de fazer a fotossíntese e passam a produzir substâncias tóxicas.

Os corais ficam sem acesso aos nutrientes dados pelas algas e, como consequência, ficam desnutridos e podem mesmo morrer. As perdas causadas por este fenómeno foram substanciais. Só em 2016, morreram 30% dos corais rasos da Grande Barreira.

Segundo o Público, recentemente, uma equipa de cientistas analisou as relações entre os corais adultos e a produção de larvas antes e depois dos branqueamentos de 2016 e 2017.

A relação é conhecida como “recrutamento de larvas” e, neste processo, os corais reproduzem-se através da produção de largas designadas plânulas. Depois, essas larvas dispersam-se no plâncton até colonizarem o recife e, no final, dão origem a novos corais.

Segundo Andrew Baird, do Centro de Excelência para o Estudo dos Recifes de Coral (ARC) e um dos autores do estudo, este recrutamento é essencial para a recuperação dos recifes. “Sem bebés não pode haver adultos“, disse ao Público.

“Como consequência da mortalidade em massa de corais adultos em 2016 e 2017 devido ao stress térmico, a quantidade de recrutamento de larvas desceu para níveis históricos de 89% em 2018″, lê-se no artigo.Como houve uma perda de corais adultos, houve uma diminuição de 89% na reposição de novos corais na Grande Barreira – “corais mortos não têm bebés”, ressalva Terry Hughes, líder da equipa, num comunicado do ARC.

“As larvas de corais que são produzidas todos os anos são componentes vitais da resiliência da Grande Barreira de Coral”, sublinha Baird, destacando que a diminuição no recrutamento de larvas foi mais grave na secção Norte da Grande Barreira e nos corais do género Acropora.

O aquecimento global comprometeu gravemente a capacidade de os recifes recuperarem dos branqueamentos”, resume o cientista.

Na prática, tudo se resume a um ciclo: as alterações climáticas causam o branqueamento, o branqueamento mata os corais adultos, os corais mortos não produzem larvas e, sem larvas, não se pode recuperar da perda de adultos causada pelas alterações climáticas.

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9 Abril, 2019

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1725: Nova espécie de dinossauro descoberta no sul da Austrália

David Herne / Twitter
Galleonosaurus dorisae

Através de cinco maxilares fossilizados, descobertos entre rochas com 125 milhões de anos, uma equipa de cientistas identificou o Galleonosaurus dorisae.

Galleonosaurus dorisae é o nome da recém descoberta espécie de dinossauro em Gippsland, uma região no sul da Austrália, apresentada num estudo publicado recentemente no Jornal of Paleontology.

Segundo os cientistas, este dinossauro era pequeno, aproximadamente do tamanho de um canguru, e herbívoro. Destacava-se certamente pelo facto de ser um bom corredor, característica potenciada pelas suas “poderosas pernas traseiras“. Este dinossauro pertence à família dos Ornitópodes.

A equipa conseguiu identificar esta nova espécie graças a cinco maxilares fossilizados encontrados entre rochas do período Cretáceo, com 125 milhões de anos. Os cientistas contaram com a preciosa ajuda de técnicas de digitalização e de impressão de micro-tomografia 3D.

Matthew Herne, da Universidade de Nova Inglaterra e principal autor do estudo, afirma que esta é a primeira vez que foi possível detectar a que período pertence um dinossauro australiano a partir do seu maxilar.

Ver imagem no Twitter

David Herne PhD @AunatEridu

Western Australian raised, Queensland #Palaeontologist Dr Matthew Herne announces a new #Australian #Dinosaur – Diluvicursor pickeringi https://peerj.com/articles/4113/  #Palaeontology Exquisite #painting by Dr Peter Trussler @perthbrk @MuseumofPerth @PeRRthAus @henna_khan @21Cphilosopher

1723: Em breve, o inverno acabará na Austrália e fará nascer um “novo verão”

(CC0/PD) Desertrose7 / Pixabay

Muito em breve, a Austrália deixará de ter o inverno tal qual como o conhece. Uma nova ferramenta climática prevê que, até 2050, os australianos passarão a enfrentar uma nova estação que poderá ser chamada de “novo verão”.

A previsão é avançada por cientistas da Escola de Arte e Design e do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade Nacional Australiana (ANU), que trabalharam em conjunto num projecto de design que parte dos dados já existentes para comunicar os possíveis impactos das mudanças climáticas para que o público os possa compreender.

De acordo com os cientistas, o “novo verão” representa um período do ano em que as temperaturas atingirão um pico constante, e em muitos casos acima de 40ºC, durante um período sustentado. Através da ferramenta disponível online, as pessoas podem clicar em milhares de locais do território australiano para ver de que forma o clima mudará nas suas cidades até meados de 2050.

“Observamos a temperatura média histórica de cada estação e comparamos com os dados projectados e o que encontramos em todos os lugares é que realmente não há um período de inverno sustentado ou duradouro”, disse  ou prolongado”, disse Geoff Hinchliffe, professor na Escola de Arte e Design, citado em comunicado.

“Dentro de 30 anos, o inverno, tal como o conhecemos, será inexistente, deixará de existir em todas as partes [da Austrália], excepto nalgumas regiões da Tasmânia”, sustentou.

A ferramenta, que usa dados do Bureau of Meteorology e do Scientific Information for Land Owners, mostra quantos graus vai subir a temperatura média em cada local, dando ainda conta de quantos dias haverá a mais com 30 ou 40 graus numa determinada região na Austrália em 2050 comparativamente com o que é hoje registado.

“Além dos dados, também nos concentramos em desenvolver as formas visuais mais eficazes para transmitir como é que a mudança climática irá afectar locais específicos”, disse Hinchliffe. E concretiza: “significava usar cor, forma e tamanho à volta de uma composição quadrante que mostra os valores de temperatura de um ano inteiro num único instante”.

A experiência torna-se assim “visualmente rica e interessante, dando muitos detalhes de uma forma particular que se conecta emocionalmente com as pessoas, localizando-as na sua própria cidade”, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
16 Março, 2019

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1400: Dinossauro desconhecido estava escondido em opalas da Austrália

CIÊNCIA

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Opalas encontradas por mineiros numa área deserta da Austrália acabaram por ser fragmentos de fóssil de uma espécie de dinossauro desconhecida até agora.

Baptizado como Weewarrasaurus pobeni, em honra do campo de opalas Wee Warra, que fica perto da pequena cidade de Lightning Ridge, onde foi encontrado, e do comprador de opalas Mike Poben, que doou os fósseis aos cientistas da Universidade da Nova Inglaterra, na Austrália. A descoberta foi publicada a 4 de Dezembro na revista PeerJ.

A criatura viveu há cerca de 100 milhões de anos no período Cretáceo, quando o que é hoje o deserto Lightning Ridge era apenas um espaço verde e exuberante.

O único fragmento de Weewarrasaurus que foi recuperado foi a mandíbula inferior, com os dentes intactos – o que tem ajudado a revelar muita coisa. Para começar, não era um grande dinossauro, tendo apenas do tamanho de um cão de porte médio.

Baseado nos dentes e na forma da mandíbula, o paleontologista Phil Bell, da Universidade da Nova Inglaterra, determinou que era uma espécie pequena de ornitópode, um grupo de herbívoros bípedes.

Lightning Ridge foi uma rica planície aluvial à beira de um gigantesco mar chamado Eromanga Sea, que se espalhou pelo continente australiano. A abundante vida pré-histórica que encheu a área ficou preservada na lama, que se tornaria, milhares de milhões de anos depois, em arenito.

Este fenómeno pode ser observado em todo o mundo. Mas, na Austrália, o que aconteceu foi diferente. Quando o Eromanga Sea começou a desaparecer há 100 milhões de anos, a acidez no arenito seco aumentou. Isto, por sua vez, libertou sílica da rocha, que se acumulou em cavidades, inclusive nos espaços presentes nos fósseis dos animais.

Quando os níveis de acidez diminuíram, a sílica endureceu ao ponto de se transformar em opalas, resultando em moldes de arco-íris brilhantes e cintilantes de restos antigos.

James Kuether / Universidade da Nova Inglaterra

Dois pedaços de osso do maxilar, posteriormente doados aos investigadores da Universidade da Nova Inglaterra, foram encontrado por Poben num saco cheio de opalas que comprou a mineiros.

Com base nos fósseis já encontrados, talvez houvesse pequenas espécies ornitópodes que prosperaram na vegetação exuberante e outras quatro espécies no estado sudeste de Victoria. Apenas uma pequena espécie foi encontrada no estado de Queensland.

Isto é muito diferente da América, onde pequenos herbívoros teriam de competir por comida com gigantes como Triceratops e Alamosaurus. Assim, fósseis como o Weewarrasaurus podem ajudar a entender melhor como a biodiversidade dos dinossauros diferem no mundo.

Bell e a equipa estão a trabalhar para descrever mais fósseis opalizados – uma tarefa complicada, uma vez que geralmente são encontrados partidos devido à acção da mineralização. Entretanto, o Weewarrasaurus recebeu uma nova casa no Australian Opal Centre, entre a sua colecção de fósseis opalizados.

ZAP // Science Alert; Sputnik

Por ZAP
9 Dezembro, 2018

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1247: Cientistas descobrem parte do Grand Canyon na Austrália

CIÊNCIA

Hostelworld.com
Grand Canyon, EUA

Uma equipa de investigadores encontrou provas de que, no passado remoto, os territórios da Austrália e dos Estados Unidos teriam estado ligados, fazendo parte de um super-continente.

Apesar de a ilha da Tasmânia, na Austrália, e o Grand Canyon do Arizona, nos Estados Unidos, se situarem a uma distância de milhares de quilómetros, uma equipa de investigadores acaba de confirmar que existe uma conexão geológica entre estas duas regiões.

Segundo o portal Phys.org,há 1,1 mil milhões de anos, estas duas regiões estiveram ligadas dado que pertenciam ambas ao super-continente Rodínia, cuja configuração tem sido objecto de debate no seio do mundo científico há mais de duas décadas.

A equipa de investigadores, liderada pelo cientista Jacob Mulder, encontrou uma estranha semelhança entre as rochas sedimentares do chamado Rocky Cape Group da Tasmânia e as do Unkar Group, localizado no Grand Canyon, no sudoeste dos Estados Unidos.

As rochas da Tasmânia confundiram os cientistas porque “não se assemelhavam” aos seus vizinhos australianos, pertencentes ao período Mesoproterozoico, explicou Mulder. Perante esta inconsistência, a equipa decidiu analisar os grãos minerais de zircónio, que constituem uma pequena proporção das rochas, para descobrir, então, a sua origem.

Esta experiência permitiu aos cientistas concluir que “as rochas do Grand Canyon não só são semelhantes às rochas da Tasmânia, como têm a mesma idade“.

Além disso, os “zircões detríticos presentes nas rochas sedimentares do Grand Canyon também apresentam a mesma estrutura geoquímica que os zircões nas sequências mesoproterozóicas da Tasmânia”, disse o autor do estudo, publicado recentemente na revista Geology.

“Juntas, estas evidências apoiam a tese de que as rochas sedimentares tasmanianas faziam parte do mesmo sistema de bacias mesoproterozóicas que agora estão expostas no Grand Canyon”, confirmou Mulder.

“Concluímos que, embora agora esteja do lado oposto do planeta, a Tasmânia deve ter estado ligada ao oeste dos Estados Unidos no Mesoproterozóico”, acrescentou o especialista.

Mulder defende ainda que  um futuro estudo aprofundado sobre a configuração do super-continente seria crucial para “entender os segredos da Rodínia, que tem permanecido um mistério durante décadas”.

ZAP // Sputnik News

Por SN
6 Novembro, 2018

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1220: As luzes estão a apagar-se: galáxia vizinha da Via Láctea está a morrer lentamente

(dr) CSIRO
Radiotelescópio australiano ASKA Pathfinder (ASKAP) da CSIRO

A uma distância de 200.000 anos-luz da Terra, a Pequena Nuvem de Magalhães está a morrer lentamente. A galáxia está a perder a capacidade de formar novas estrelas, transformando-se num gás intergaláctico à medida que o tempo passa.

Os astrónomos conseguiram testemunhar a morte lenta da Pequena Nuvem de Magalhães através do poderoso radiotelescópio australiano Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). “Conseguimos acompanhar a saída de gás de hidrogénio da Pequena Nuvem de Magalhães”, contou Naomi McClure-Griffiths, da Universidade Nacional da Austrália.

Esta galáxia pode deixar de ser capaz de formar novas estrelas caso perca todo o seu gás. “Geralmente, as galáxias que param gradualmente de formar estrelas, caem no esquecimento. É uma espécie de morte lenta para uma galáxia”, referiu a cientista.

A Pequena Nuvem de Magalhães, a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, é absolutamente minúscula, com apenas 7.000 anos-luz de diâmetro – menos de um décimo do tamanho da Via Láctea. Ainda assim, a galáxia é visível a olho nu no hemisfério sul.

Esta é uma das várias galáxias que orbitam a Via Láctea e surge emparelhada com a Grande Nuvem de Magalhães como uma espécie de sistema de galáxias binárias. Na prática, as duas galáxias anãs orbitam-se uma à outra enquanto, em conjunto, orbitam a Via Láctea.

Ao longo do tempo, tem sido teorizado que galáxias anãs como estas desempenham um papel crítico na evolução do Universo. Porquê? Graças ao feedback estelar, ou seja, quando as estrelas massivas conduzem potentes fluxos de gás, energia, massa e metais para o meio intergaláctico através de ventos estelares e explosões de super-novas.

Isto então enriquece o meio intergaláctico e regula a formação de estrelas. Além disso, este processo não é fácil de observar em acção.

Ainda assim, foi possível graças ao campo de visão do radiotelescópio Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP). Os cientistas foram, assim, capazes de observar toda a galáxia e as suas saídas de hidrogénio atómico, um ingrediente crítico para a formação de estrelas. Através desta observações, foi possível obter a primeira medição clara da quantidade de massa perdida de uma galáxia anã.

No artigo científico, publicado esta segunda-feira na Nature Astronomy, a equipa demonstrou que as “descargas” de hidrogénio atómico se estenderam por, pelo menos, 6.523 anos-luz da barra de formação de estrelas da galáxia. No fundo, as saídas formaram-se de 25 a 60 milhões de anos atrás.

De acordo com a equipa, o fluxo de massa inferido do gás atómico é, pelo menos, uma ordem de magnitude maior do que a taxa de formação de estrelas. Em suma, a Pequena Nuvem de Magalhães está a explodir hidrogénio atómico mais rápido do que produz novas estrelas.

Esta é uma má notícia para a sobrevivência desta galáxia, mas pode ser uma boa notícia para o espaço ao seu redor, assim como para os astrónomos que procuram novas pistas sobre o feedback estelar das galáxias anãs.

“Em última análise, a Pequena Nuvem de Magalhães provavelmente será engolida pela nossa Via Láctea”, afirmam os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
31 Outubro, 2018

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1168: Mineral ultra-raro descoberto em antiga cratera de meteorito na Austrália

rickmach / Flickr

Um mineral ultra-raro que apenas se forma quando rochas espaciais atingem a crosta terrestre com uma enorme pressão foi encontrado na Austrália. Até ao momento, só foram encontrados seis exemplares deste mineral, conhecido como reidite, em todo o planeta.

Um grupo de cientistas da Curtin University descobriu um dos minerais mais raros da Terra no fundo de uma cratera de impacto de meteoritos, que é, provavelmente, a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

O reidite é um mineral extremamente raro que só se forma quando um outro mineral, o zircão, é exposto a altas temperaturas e pressões. Ou seja, o forte impacto de um meteorito faz com que o zircão se transforme na rara substância que é o reidite.

Até então, só foram encontrados seis exemplares deste mineral em todo o planeta – nos EUA, na Alemanha, na China e na Índia. Desta vez, e pela primeira vez na Austrália, a raridade foi descoberta perto da baía de Shark, a 750 quilómetros da cidade de Perth.

Tal como notou o líder da investigação, Aaron Cavosie, este é um mineral de dimensões microscópicas. O especialista frisou ainda que, se todos os minerais de reidite já encontrados no planeta fossem juntos num só, teriam o tamanho de um grão de arroz.

A cratera onde o mineral foi descoberto está enterrada debaixo de rochas sedimentares e o seu tamanho é ainda desconhecido. Os investigadores estão agora a tentar definir as características da cratera, e caso esta tenha um diâmetro superior a 100 quilómetros – como é esperado -, esta será a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

Um cratera 100 quilómetros de diâmetro implica que o impacto do objecto espacial fosse capaz de causar uma catástrofe natural. Em termos de comparação, a cratera de Chicxulub – associada à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos – tem um diâmetro de 180 quilómetros.

Os cientistas pretendem ainda datar com mais precisão a cratera. As estimativas actuais apontam que esta terá cerca de 360 milhões de anos.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

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1139: “Mundo perdido” com vulcões subaquáticos descoberto na Tasmânia

Um navio de exploração científica australiano descobriu nas profundezas do Mar da Tasmânia um espaço nunca antes explorado – um incrível “mundo perdido” com vulcões subaquáticos.

De acordo com os cientistas, a embarcação identificou planaltos até 3 mil metros acima da planície abissal do fundo do mar da Tasmânia, cujas cordilheiras e picos vulcânicos estão relacionados com a ruptura dos continentes da Austrália e da Antárctida.

Tal como conta o Science Alert, o navio levava a cabo uma investigação que visava analisar o comportamento do fitoplâncton na corrente oceânica do leste da Austrália, quando descobriu este mundo perdido com vulcões subaquáticos.

Com a missão exploratória definida, o barco da Organização de Estudo Científicos e Industriais da Commonwealth, partiu do porto de Hobart, na ilha australiana da Tasmânia, no passado dia 11 de Setembro.

Os cientistas estavam a analisar as profundezas oceânicas, quando as suas ferramentas de mapeamento detectaram “incríveis contornos inexplorados” no fundo do mar. Neste terreno vulcânico, que varia em tamanho e forma e não parecer ser uma área de fontes hidrotermais, os largos planaltos surgem juntamente com colinas cónicas menores.

Os especialistas que participaram na expedição pela costa da Tasmânia estão “bastante convictos” de que esta paisagem subaquática está relacionada com a separação dos continentes, que ocorreu há cerca de 30 milhões de anos.

“Quando a Austrália, a Antárctida e a Tasmânia se separaram, um grande ponto quente surgiu debaixo da crosta terrestre, formando estes vulcões e, logo depois, ajudou a que a crosta terrestre se rompesse, de forma a que todas estas áreas se pudessem começar a separar”, explicou a geógrafa Tara Martin em declarações à ABC News.

Ponto de referência para as baleias

De acordo com os investigadores, uma área tão inexplorada como esta, com os picos dos planaltos a cerca de 2 mil metros abaixo do nível do mar, deve também alojar uma “deslumbrante variedade de vida marinha“. Os especialistas assumiram ainda que esta zona recém-descoberta pode servir como ponto de navegação e/ou referência para grandes animais marinhos, como as baleias.

Durante a expedição, os cientistas avistaram várias baleias-jubarte, baleias-piloto e algumas espécies de aves marinhas, que os levaram a consolidar esta ideia. A equipa descreveu ainda um notável avistamento com cerca de 60 a 80 baleias piloto.

Mas as investigações não ficam por aqui. Está já a ser planeada uma expedição adicional que visa continuar a explorar o relevo submarino, avaliando ainda como este influencia a biodiversidade oceânica da região adjacente.

ZAP // RT

Por ZAP
13 Outubro, 2018

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1131: A Terra está a ser bombardeada com misteriosos sinais de rádio extraterrestres

pelosbriseno / Flickr
Radiotelescópios do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA.

No deserto australiano, há um novo observatório a fazer História. Em pouco mais de um ano, o Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP) detectou 20 sinais cósmicos misteriosos conhecidos como rajadas rápidas de rádio (FRB) – o fenómeno continua a intrigar os cientistas. 

Segundo o Science Alert, estes sinais não pertencerem à famosa fonte de rádio-frequência FRB 121102, são rastos completamente novos, oriundos de novas fontes.

Com os 20 novos sinais agora detectados, o número número de rajadas rápidas (fast radio bursts ou FRB) registadas em todo o mundo quase duplicou em apenas um ano – a Terra está a ser bombardeada com luz invisível e os cientistas não sabem porquê.

Os novos sinais de rádio identificados, notam os cientistas no artigo publicado nesta semana na revista científica Nature, incluem ainda as explosões de rádio mais rápidas e mais próximas até agora detectadas.

As rajadas rápidas de rádio são um dos fenómenos mais intrigantes de todo o Universo. Estes sinais cósmicos são extremamente poderosos, podendo mesmo gerar tanta energia como centenas de milhões de sóis. Apesar da sua energia, estas emissões são breves e pontuais, sendo, por isso, difícil de as detectar e estudar directamente.

Ou seja, os cientistas não conseguem “prever” a observação destes fenómenos. A menos que um radiotelescópio – com um campo de visão relativamente estreito – esteja direccionado exactamente na área exacta do céu em que essa explosão é dispara, o sinal cósmico é perdido.

A primeira vez que os astrónomos começaram a falar sobre estas misteriosas manifestações de rádio foi em meados de 2007, quando os cientistas observaram acidentalmente pulsos de rádio através do radiotelescópio Parkes, na Austrália. Agora, com a nova investigação, o número de sinais disparou.

“Encontramos 20 rajadas rápidas de rádio num ano, quase duplicando o número de todas as emissões já detectadas em todo o mundo desde que foram descobertas em 2007″, explicou o Ryan Shannon, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.

Até então, só tinham sido detetadas 22 rajadas rápidas de rádio. Em apenas um ano, este observatório australiano registou quase tantos sinais como o resto do mundo em 10 anos – o ASKAP está literalmente a fazer História.

“Através da nova tecnologia do ASKAP, também provamos que as rajadas rápidas estão a chegar do outro lado do Universo, e não da nossa vizinhança galáctica”, adiantou ainda o astrofísico em comunicado.

A ASKAP está localizado no Murchison Radioastronomy Observatory (MRO) da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália, na Austrália Ocidental, e é um precursor do futuro telescópio Square Kilometer Array (SKA). O SKA será capaz de observar um grande número de explosões de rádio rápidas, permitindo aos astrónomos estudar o Universo primitivo em detalhe.

A amostra destas ondas de rádio cósmicas disparou e, a partir daí, os cientistas podem ficar mais perto de descobrir a sua misteriosa origem – até lá, terão de ficar atentos.

Por ZAP
12 Outubro, 2018

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977: TELESCÓPIO MAPEIA RAIOS CÓSMICOS NAS NUVENS DE MAGALHÃES

Uma composição colorida (vermelho, verde e azul) da Grande Nuvem de Magalhães feita a partir de dados de rádio a 123, 181 e 227 MHz. Nestes comprimentos de onda, é visível a emissão dos raios cósmicos e dos gases quentes que pertencem a regiões de formação estelar e remanescentes de super-nova da galáxia.
Crédito: ICRAR

Os cientistas usaram um radiotelescópio no interior da Austrália Ocidental para observar a radiação dos raios cósmicos em duas galáxias vizinhas, mostrando áreas de formação estelar e ecos de super-novas passadas.

O telescópio MWA (Murchison Widefield Array) foi capaz de mapear a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães em detalhes sem precedentes enquanto orbitam em torno da Via Láctea.

Ao observar o céu em frequências muito baixas, os astrónomos detectaram raios cósmicos e gás quente nas duas galáxias e identificaram manchas onde podem ser encontradas estrelas recém-nascidas e remanescentes de explosões estelares.

A investigação foi publicada esta semana na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, uma das principais revistas astronómicas do mundo.

O astrofísico e professor Lister Staveley-Smith, do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research), disse que os raios cósmicos são partículas carregadas muito energéticas que interagem com campos magnéticos para criar radiação que podemos ver com radiotelescópios.

“Estes raios cósmicos são originários de remanescentes de super-nova – restos de estrelas que explodiram há muito tempo,” afirma.

“As explosões de super-nova de onde são originários estão relacionadas com estrelas muito massivas, muito mais massivas do que o nosso próprio Sol.

“O número de raios cósmicos produzidos depende da taxa de formação destas estrelas massivas há milhões de anos.”

A Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães estão muito próximas da nossa Via Láctea – a menos de 200.000 anos-luz – e podem ser vistas no céu nocturno a olho nu.

A Dra. Bi-Qing For, astrónoma do ICRAR que liderou a investigação, disse que esta é a primeira vez que as galáxias foram mapeadas em detalhe a frequências de rádio tão baixas.

“A observação das Nuvens de Magalhães nestas frequências muito baixas – entre 76 e 227 MHz – significa que podemos estimar o número de novas estrelas formadas nessas galáxias,” realça.

“Descobrimos que a taxa de formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães é aproximadamente equivalente a uma nova estrela com a massa do nosso Sol a cada 10 anos.

“Na Pequena Nuvem de Magalhães, a taxa de formação estelar é mais ou menos equivalente a uma nova estrela com a massa do nosso Sol a cada 40 anos.”

Incluídas nas observações estão 30 Dourado, uma excepcional região de formação estelar na Grande Nuvem de Magalhães que é mais brilhante do que qualquer região de formação estelar na Via Láctea, e a Super-nova 1987A, a super-nova mais brilhante desde a invenção do telescópio.

O professor Staveley-Smith disse que os resultados são um vislumbre emocionante da ciência que será possível com os radiotelescópios de próxima geração.

“São indicativos dos resultados que vamos obter com a actualização do MWA, que agora tem o dobro da resolução anterior,” acrescentou.

Além disso, o futuro SKA (Square Kilometre Array) fornecerá imagens excepcionalmente boas.

“Com o SKA, as linhas de base são novamente oito vezes mais longas, de modo que vamos conseguir fazer mais e melhor,” concluiu o professor Staveley-Smith.

Astronomia On-line
7 de Setembro de 2018

(Foram corrigidos 12 erros ortográficos ao texto original)

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973: Corais nos recifes profundos da Grande Barreira também estão a morrer

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

Um estudo recente mostra que 40% dos corais de recifes a 40 metros de profundidade da Grande Barreira de Coral branquearam em 2016.

Na costa Leste da Austrália, há um ecossistema com cerca de 3000 recifes e 900 ilhas, que se estende por mais de dois mil quilómetros: a Grande Barreira de Coral. Esta é a casa de corais, animais coloniais que surgiram há cerca de 400 milhões de anos e que são formados por pólipos, unidades que segregam o esqueleto de carbonato de cálcio e, ao longo de milhares de anos, formam um recife.

Já se sabia que um terço dos corais rasos da Grande Barreira morreu em 2016. Agora, um estudo recente, liderado pelo português Pedro Frade, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, revela que 40% dos corais a 40 metros de profundidade (nos locais visitados pela equipa) branquearam.

Aliás, o estudo refere ainda que 6% deles morreram devido ao branqueamento de 2016. O artigo científico foi publicado na última edição da Nature Communications.

O branqueamento acontece quando a água aquece mais do que o suposto, explica o jornal Público. Esse aquecimento faz com que as algas, que vivem em simbiose com os corais, comecem a produzir substâncias tóxicas e deixem de fazer fotossíntese. Os corais acabam por expulsar as algas e a cor esbranquiçada do seu esqueleto fica visível.

Mas a ausência de cor não é o mais preocupante: isso deixa-os desnutridos e pode mesmo levá-los à morte, porque ficam sem acesso aos nutrientes fornecidos pelas algas através da fotossíntese. Este fenómeno foi observado pela primeira vez nos anos 80 e ocorreu em massa a nível global em 1998, em 2010, em 2016 e 2017.

Pedro Frade estava na Austrália quando aconteceu um dos branqueamentos mais devastadores, que vitimou cerca de 30% dos corais rasos, mas queria também perceber o que acontecia aos recifes mesofóticos (ou profundos) que se situam entre os 30 e os 100 metros.

“A diferença mais óbvia entre os recifes rasos e profundos é a quantidade de luz que penetra até aos profundos”, explica. Regra geral, os recifes mesofóticos crescem mais lentamente, acumulam menos energia e são mais escuros.

Estas características fizeram os cientistas questionar se o branqueamento dos corais afectava estes recifes profundos. Para responder a esta pergunta, a equipa estudou vários locais da parte Norte da Grande Barreira, monitorizando a temperatura e fazendo o levantamento da saúde das comunidades de corais entre os cinco e os 40 metros de profundidade, em maio de 2016.

Apesar de haver algum alívio de temperaturas elevadas, os corais nos recifes profundos são também afectados pelo branqueamento: nos recifes mesofóticos, contabilizou-se que 40% dos corais branquearam e 6% morreram.

“Podemos descartar a hipótese de que poderemos dormir descansados porque o recife profundo vai salvar o recife raso”, comenta o cientista. “O branqueamento de 2016 deixou uma cicatriz que não irá desaparecer tão rapidamente e vão ser precisos muitos anos até os recifes voltem a ter a aparência e funcionalidade que tinham.”

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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