4996: O vento solar é estranhamente atraído para o Pólo Norte (e não se sabe porquê)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Planetary Visions / ESA

Durante anos, os cientistas pensaram que o vento solar era igualmente atraído para os Polos Norte e Sul da Terra. No entanto, estudos recentes mostram que estas partículas parecem preferir o Norte – e não se sabe porquê.

Uma das consequências mais famosas da interacção entre o vento solar e o campo magnético da Terra são as auroras boreais, no hemisfério Norte, e as auroras austrais, no hemisfério Sul. Quando partículas carregadas do vento solar entram no campo magnético da Terra podem, ocasionalmente, provocar exibições de luz espectaculares.

Durante vários anos, os cientistas pensavam que as partículas carregadas pelo vento solar que causam essas exibições de luz chegavam em números iguais aos pólos norte e sul.

No entanto, de acordo com o Universe Today, investigações recentes de uma equipa liderada por cientistas da Universidade de Alberta mostraram que, na verdade, existem mais partículas carregadas a dirigir-se para o Norte do que para o Sul.

Os dados utilizados pelos cientistas foram colhidos pela constelação de satélites Swarm – um conjunto de 3 satélites que observam o campo magnético da Terra desde 2013.

Naquela época, a constelação de satélites mostrou que o pólo sul magnético da Terra está “mais longe do eixo de rotação da Terra do que o pólo norte magnético”, explicou Ivan Pakhotin, principal autor do artigo.

Isto leva a diferenças na reflexão de um tipo de ondas electromagnéticas conhecidas como ondas de Alfvén, que eventualmente causam diferenças na forma como os pólos Norte e Sul interagem com o vento solar.

Essa assimetria pode significar várias coisas. Por um lado, a química que ocorre na alta atmosfera pode variar dramaticamente entre os Polos Norte e Sul, o que pode ter impactos climáticos significativos no solo. Por outro, também pode significar uma discrepância entre os dois tipos de auroras.

Até agora, os impactos da assimetria não são claros. O Swarm vai continuar a sua missão de colher dados que, um dia, serão relevantes para resolver este mistério.

Por Maria Campos
23 Janeiro, 2021


4700: A estranha aurora Steve está a espalhar “riscas” verdes pelo céu (e não se sabe porquê)

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(cv) Vanexus Photography / Youtube

Ao contrário das famosas auroras boreais, que cobrem o céu com redemoinhos verdes, Steve aparece como uma faixa de luz branco-arroxeada que passa diagonalmente em direcção ao horizonte, estendendo-se por centenas de quilómetros através da atmosfera.

Steve é semelhante a uma aurora boreal e foi documentado no Canadá, descrito como um fio vertical de luz roxa e tons esverdeados. De acordo com o estudo de 2018, o fenómeno pode ocorrer em latitudes mais baixas do que as auroras comuns.

As auroras mais comuns formam-se quando as partículas carregadas impulsionadas pelo Sol são conduzidas em direcção à atmosfera superior dos pólos do nosso planeta pelo campo magnético da Terra. Estas partículas solares atingem partículas neutras na atmosfera superior, e produzem luz e calor, visíveis a olho nu no céu nocturno.

Pelo contrário, as Steves formam-se de forma diferente. Nas regiões onde aparecem, há um campo eléctrico que aponta para o pólo e um campo magnético que aponta para baixo. Os dois juntos criam esta emissão orientada para oeste.

Assim, o fluxo na ionosfera terrestre atrai as partículas solares carregadas para oeste, onde atingem e aquecem partículas neutras durante o caminho, produzindo as tais luzes ascendentes. Este fenómeno configura o primeiro indicador visível da “movimentação” de partículas carregadas, que os investigadores têm vindo a estudar via satélite há cerca de 40 anos.

Agora, uma característica recém-descoberta da Steve que só aparece na ionosfera inferior confundiu ainda mais os cientistas. Investigadores da NASA reviram centenas de horas de imagens da aurora Steve gravadas por cientistas cidadãos para procurar uma nova estrutura estranha que chamaram de “riscas”.

(dr) Stephen Voss

Essas pequenas manchas de luz verde, às vezes, são vistas estendendo-se horizontalmente da parte inferior das estacas da cerca verde de STEVE, curvando-se para trás por cerca de 20 a 30 segundos antes de desaparecer de vista.

Ninguém sabe exactamente o que são estas misteriosas riscas. Porém, o novo artigo estabelece algumas características básicas. Para começar, a aparência longa e tubular das riscas pode ser uma ilusão de óptica. As riscas comportam-se como minúsculos pontos de luz, que parecem alongados devido ao borrão de movimento.

Cada linha parece partilhar uma conexão física com a estrutura da cerca acima dela. Cada uma move-se ao longo das mesmas linhas de campo magnético. As riscas também parecem exigentes sobre onde se formam, aparecendo apenas na ionosfera entre 100 a 110 quilómetros acima da Terra.

Uma pista sobre a origem das riscas vem da sua cor verde, que é idêntica à cor da cerca de estacas da aurora Steve. De acordo com os cientistas, esse comprimento de onda verde específico está associado às emissões do oxigénio atómico na atmosfera.

É provável que as partículas turbulentas dentro da Steve estejam a colidir e a aquecer rapidamente o oxigénio do ambiente, criando pequenas “fogueiras” verdes no céu que se arrastam abaixo da cerca à medida que lentamente desaparecem.

Há uma nova explicação para o naufrágio do Titanic: Uma fantástica Aurora Boreal

Todos conhecemos a história do Titanic. Também todos sabemos que o seu naufrágio aconteceu após o grande navio ter embatido…

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Os traços da Steve são tão novos para a Ciência que este artigo pode ser apenas “a ponta do icebergue”, disse Elizabeth MacDonald, cientista espacial do Goddard Space Flight Center da NASA, em comunicado.

A estranha aurora Steve foi relatada pela primeira vez no Canadá por cientistas cidadão em Julho de 2016. Os cientistas continuam a confiar nas observações de fotógrafos civis e astrónomos, a fim de desvendar este misterioso rio de luz na nossa atmosfera.

Este estudo foi publicado em Outubro na revista científica AGU Advances.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2020


4393: “Surpreendente e fascinante”. Descoberta pela primeira vez uma aurora sobre um cometa

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESA

ESA/Rosetta/NAVCAM

A nave Rosetta da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou uma aurora boreal sobre o cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko (67P / C-G).

Em comunicado, os cientistas envolvidos na detecção frisam que esta é a primeira vez quem um fenómeno deste tipo é detectado num comenta.

Anteriormente, foram detectadas auroras apenas em objectos muito mais massivos, como a Terra e outros planetas e luas do Sistema Solar, além das próprias estrelas.

Uma aurora é criada quando os electrões do vento solar colidem com moléculas e átomos na atmosfera de um grande corpo celeste que possuiu o seu próprio campo magnético. No caso deste cometa, que não tem não tem magnetosfera, este fenómeno é “surpreendente e fascinante”, disse o vice-presidente do Southwest Research Institute, Jim Burch.

Inicialmente, os cientistas pensaram que o brilho observado no cometa era causo pela interacção dos fotões e do gás que cercava o corpo celeste. Contudo, depois de analisarem os dados, descobriram que o fenómeno estava associado a electrões que dividiam as moléculas de água e outras substâncias.

“Os átomos excitados resultantes criam essa luz distinta”, explicou Joel Parker, do Southwest Research Institute, citado na mesma nota de imprensa.

A Rosetta é uma missão da ESA com contribuições dos seus estados membros e da NASA.

A descoberta foi descrita num artigo recentemente publicado na Nature Communications.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

 

4356: Há uma nova explicação para o naufrágio do Titanic: Uma fantástica Aurora Boreal

CIÊNCIA/GEOLOGIA/METEOROLOGIA

Tobias Bjørkli / Pexels; Roland Arhelger / Wikimedia

Todos conhecemos a história do Titanic. Também todos sabemos que o seu naufrágio aconteceu após o grande navio ter embatido num icebergue. Contudo, um investigador americano põe novas hipóteses em cima da mesa. E se uma fantástica Aurora Boreal fosse a principal causa deste histórico acidente?

O naufrágio do Titanic tem sido assunto de muitos livros, artigos e filmes. Ao que tudo indica, o navio inafundável afundou-se devido a uma colisão com um icebergue. Mas como é que isso aconteceu?

Uma meteorologista norte-americana acredita que a Aurora Boreal, mais conhecida como Northern Lights, desempenhou um papel no naufrágio do Titanic. Num artigo publicado na Royal Meteorological Society em Agosto, Mila Zinkova explica que este fenómeno óptico trouxe problemas de navegação que fizeram com que o famoso navio colidisse com um icebergue.

O Titanic foi o maior navio já construído na época, e teve o seu acidente durante uma viagem em 1912. Cinco dias após o início da viagem, o navio bateu num icebergue e isso fez com que o casco partisse. O gigante afundou em apenas duas horas e meia, e cerca de 1500 passageiros e tripulantes morreram afogados.

A investigação oficial do naufrágio do Titanic concluiu que o capitão e o projecto do navio eram os culpados pelo acidente. Agora, uma investigadora acredita que a Aurora Boreal foi o factor que mais contribuiu para o desastre. Relata-se que pelo menos quatro sobreviventes do navio mais famoso do mundo viram as luzes de uma explosão solar na noite fatídica.

Zinkova disse à Hakai Magazine que “a maioria das pessoas que relataram ou retrataram o acidente do Titanic não sabem que as luzes foram vistas naquela noite”. Esse fenómeno, conhecido como erupção solar, é um verdadeiro espectáculo de luzes nos céus, causado por partículas carregadas pelo sol.

James Bisset, segundo oficial do RMS Carpathia – o primeiro navio a chegar ao local após o acidente – escreveu no seu diário que a “Aurora Boreal brilhava intensamente disparando raios do horizonte norte” na noite do naufrágio. Embora a Aurora Boreal possa ser linda, também é considerada como potencialmente perigosa, pois está associada a tempestades geo-magnéticas.

Tempestades geo-magnéticas afectam redes sem fios

Zinkova explica que a  “tempestade geo-magnética pode ter sido tão grande que influenciou a navegação a um nível baixo, mas ainda assim significativo”. Este acontecimento pode ter feito com que a tripulação decidisse fazer ajustes de navegação, o que acabaria por colocar o navio ligeiramente fora de curso. Esta inesperada deslocação fez com que o navio se deparasse com um icebergue gigantesco, onde acabou por embater.

A investigadora explica que nesta situação “mesmo que a bússola se movesse apenas um grau, já pode ter feito toda a diferença”. A explosão solar provavelmente também interrompeu o equipamento de comunicação sem fios que era auxiliar da tripulação. Por causa da explosão solar, o Titanic ficou incapaz de pedir ajuda rapidamente, e isso pode ter sido a da morte de muitas pessoas.

A meteorologista acredita que o acontecimento foi forte o suficiente para impedir que equipamentos sem fio e a bússola funcionassem adequadamente.

Zinkova explica que “o evento meteorológico espacial veio na forma de uma tempestade geo-magnética moderada a forte, e as evidências observacionais sugerem que estava em vigor no Atlântico Norte no momento da tragédia.” Mesmo hoje, é bem conhecido que eventos climáticos espaciais podem interromper a tecnologia.

Chris Scott, da University of Reading – que não esteve envolvido no estudo –  disse à Hakai Magazine que um exemplo de perturbação do clima espacial também ocorreu “em 1972, quando dezenas de minas marítimas explodiram de repente na costa do Vietname – acredita-se que também nesta situação o clima espacial foi o causa“.

Ironicamente, a aurora boreal pode ter ajudado

O investigador americano também acredita que o clima espacial incomum contribuiu para o naufrágio do Titanic. No entanto, ironicamente, a explosão solar pode ter ajudado nos esforços de resgate.

O “Carpathia conseguiu navegar directamente para os botes salva-vidas à deriva do Titanic”, disse Scott que considera que isto aconteceu porque o clima espacial impediu a tripulação do Titanic de enviar as coordenadas incorrectas para Carpathia. Para além disso, a iluminação do céu pode ter permitido que se vissem os botes salva-vidas do Titanic.

Ainda assim, nem todos concordam com esta teoria. Tim Maltin – um conhecido especialista no acidente do Titanic – admitiu que embora tenha ocorrido uma explosão solar naquela noite terrível, “não foi um factor significativo para o naufrágio”.

Alguns especialistas acreditam que uma poderosa explosão solar poderia destruir ou paralisar a sociedade humana moderna, pois esta é muito dependente de tecnologias.

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18 Setembro, 2020

 

 

3282: Mudança no campo magnético da Terra fez nascer um novo tipo de aurora boreal

CIÊNCIA

john.purvis / Flickr

Pensava-se que as luzes coloridas que adornam os céus dos pólos Norte e Sul eram resultado de partículas solares a interagirem com gases na atmosfera. No entanto, uma aurora boreal avistada recentemente é a excepção à regra.

Jennifer Briggs, estagiária da NASA e estudante de Física na Universidade de Pepperdine, na Califórnia, descobriu um novo tipo de luzes polares – auroras – causadas por uma quebra no campo magnético da Terra. A investigadora notou uma anomalia quando estava a analisar imagens de uma ilha norueguesa e dados de satélites com a ajuda de cientistas da agência espacial.

Ao contrário de outros fenómenos do mesmo género, esta aurora boreal não tinha partículas energizadas a colidir com gases atmosféricos. Por norma, as auroras são causadas por partículas do Sol, mas, neste caso, o Sol não teve qualquer tipo de relação.

Quando a aurora foi avistada, o Sol não indicava nenhuma actividade elevada em forma de erupções. O fenómeno levou a NASA a concluir que as luzes eram causadas por uma misteriosa compressão rápida e repentina do campo magnético da Terra.

Não é claro o que terá motivado a “compressão maciça, mas localizada“, que, segundo os cientistas, assemelhava-se a algo a perfurar o campo magnético. A borda da bolha percorreu cerca de 25.000 quilómetros em direcção à Terra, levando apenas 1 minuto e 45 segundos para concluir o trajecto.

De acordo com a Sputnik News, os investigadores sugeriram que poderia ter havido uma tempestade sem precedentes na área onde as partículas solares atravessam a nossa bolha protectora, a magnetosfera. Ainda assim, a causa da tempestade continua desconhecida.

Este fenómeno “é algo que nunca vimos antes”. “O movimento em direcção a leste, para oeste e depois em espiral não é algo que alguma vez tenhamos visto. Hoje, ainda não conseguimos compreender”, disse Briggs, numa conferência de imprensa no início de Dezembro.

Certo é que, independentemente da causa, a misteriosa compressão resultou na impressionante aurora observada numa ilha na Noruega.

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Por ZAP
28 Dezembro, 2019

 

 

1645: Uma aurora boreal em forma de dragão apareceu nos céus da Islândia (e apanhou a NASA de surpresa)

(dr) Jingyi Zhang & Wang Zheng

Uma aurora boreal com a forma da cabeça de um dragão iluminou de tons esverdeados o céu da Islândia e a NASA não tardou a partilhar o fenómeno nas redes sociais.

A NASA partilhou a imagem fascinante de uma aurora “dragão”. O fenómeno ocorreu na Islândia e foi publicado pela agência espacial americana no dia 18 de Fevereiro.

Os céus da Islândia iluminaram-se em tons esverdeados, nos quais se podia observar a silhueta de um dragão. A cabeça e as asas da criatura mitológica, em contraste com o céu negro, são facilmente detectáveis. Também é possível notar a boca e a língua de forma distinta. Além disso, a cor púrpura reforça os contornos da criatura com a língua saindo da sua boca.

 

NASA Photos @nasa_photos

This is NASA’s Astronomy Picture of the Day! Dragon Aurora over Iceland https://go.nasa.gov/2V5BcHF

A imagem ganha ainda mais espectacularidade conhecendo o método escolhido para a captura da fotografia. O fotógrafo utilizou um figurino humano de modo a criar a noção de perspectiva para acentuar a dimensão da aurora “dragão”.

No site da NASA, pode ler-se que “a aurora foi causada por um buraco na coroa do Sol que expeliu partículas carregadas num vento solar que seguiu um campo magnético interplanetário em mudança para a magnetosfera da Terra”. Assim que as partículas entraram em contacto com a atmosfera da Terra, emitiram luz, tornando visível a aurora.

No passado, povos acreditavam que as auroras eram na verdade as danças de um espírito ancestral ou até mesmo de um deus cósmico.

As auroras boreais são um fenómeno frequente, mas a NASA afirma que esta apareceu num “momento inesperado”, porque, “até ao momento, não se tinham registado manchas solares no sol, em Fevereiro”, ou seja, surgiu num período de baixa actividade solar.

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Por ZAP
26 Fevereiro, 2019

– Será que esta imagem foi capturada com um telemóvel descartável???

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938: Auroras boreais extraterrestres. Saturno como nunca o viu

O telescópio espacial Hubble e a Cassini uniram esforços para estudar o fenómeno no planeta dos anéis. As imagens são de uma rara beleza e também contam novidades

© ESA/Hubble, NASA, A. Simon (GSFC) and the OPAL Team, J. DePasquale (STScI), L. Lamy (Observatoire de Paris)

O telescópio Hubble, há quase três décadas a observar o universo a partir da órbita terrestre, ainda consegue surpreender os astrónomos com as suas imagens espectaculares. É o caso destas, que mostram as auroras boreais no pólo norte de Saturno em toda a sua beleza, ao mesmo tempo que revelam a sua evolução ao longo de vários meses, proporcionado aos cientistas um conhecimento mais detalhado sobre aquele fenómeno no planeta dos anéis.

Na Terra, as auroras boreais são produzidas pelos ventos solares, que aqui chegam carregados de partículas energéticas. Quando estas partículas atingem a alta atmosfera (a ionosfera), situada entre os 80 e os 17 quilómetros de altitude, nas latitudes mais próximas dos pólos, interagem com as moléculas dos gases que aí se concentram, e produzem aquelas luzes espectaculares em tons de verde e vermelho.

Mas a Terra não é o único planeta do sistema solar com auroras boreais. Elas também se existem em Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. Mas, como as atmosferas desses gigantes para lá de Marte são sobretudo compostas por hidrogénio – na Terra os gases dominantes são o azoto e o oxigénio – as auroras boreais só se tornam visíveis se forem observadas no ultravioleta do espectro electromagnético.

Esta era, por isso, a missão perfeita para o Hubble, uma vez que essa observação só pode ser feita a partir do espaço. Conjugando dados do Hubble com os da fase final da missão Cassini, que terminou em Abril do ano passado, os cientistas apontaram os dois observatórios ao alvo e mostram agora o resultado final desses registos.

A observação decorreu ao longo de sete meses, e o resultado revela, não apenas uma sucessão de imagens de rara beleza, mas também algumas novidades.

Uma delas está relacionada com a alta velocidade do movimento de rotação de Saturno: ali, um dia completo dura apenas 11 horas, menos de metade do que na Terra, e isso influencia a variabilidade das auroras boreais.
Outra novidade é que existem dois picos de brilho nas auroras boreais no planeta dos anéis: um ao nascer do Sol e outro ao crepúsculo. Este último nunca antes tinha sido observado. E vale a pena contemplá-lo.

Diário de Notícias
Filomena Vaves
30 Agosto 2018 — 16:34

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

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383: Steve: o misterioso fenómeno que os cientistas estão a tentar desvendar

Steve, o misterioso fenómeno celeste que pinta os céus com tons de roxo e verde, foi estudado por cientistas da NASA, que revelam que se trata de uma nova forma de aurora boreal.

Cientistas da NASA estão a estudar as propriedades do misterioso fenómeno chamado “Steve“, nome dado pelos observadores deste evento que é, também, uma abreviação de “Strong Thermal Emission Velocity Enhancement”.

Steve é semelhante a uma aurora boreal e tem sido documentado nos céus do Canadá, descrito geralmente como um fio vertical de luz roxa e tons esverdeados.

Segundo Elizabeth MacDonald, cientista da NASA, o fenómeno pode ocorrer em latitudes mais baixas do que as auroras comuns, oferecendo aos cientistas um vislumbre das interacções do campo magnético e da atmosfera superior da Terra. As descobertas da equipa foram publicadas esta semana na Science Advances.

Os cientistas tomaram conhecimento deste fenómeno quando membros de um grupo do Facebook, chamado “Alberta Aurora Chasers” – que reúne pessoas da província de Alberta, no oeste do Canadá, que gostam de observar auroras – começaram a publicar fotografias de observações incomuns do (agora conhecido) fenómeno Steve.

Os céus surgem “pintados” com fios roxos esverdeados, orientados quase verticalmente. Uma vez que aparece em áreas mais populosas, no sul do país, esta é uma espécie de aurora boreal que está ao alcance de mais pessoas.

Cientificamente, “diz-nos que os processos que criam auroras boreais estão a penetrar todo o caminho até à magnetosfera interna“, explica MacDonald.

Os cientistas compararam estas observações amadoras com dados dos satélites Swarm, da Agência Espacial Europeia (ESA), que medem precisamente a variação no campo magnético da Terra, de modo a descobrir quais as condições que propiciaram este fenómeno.

As auroras mais comuns formam-se quando as partículas carregadas impulsionadas pelo Sol são conduzidas em direcção à atmosfera superior dos pólos do nosso planeta pelo campo magnético da Terra. Estas partículas solares atingem partículas neutras na atmosfera superior, e produzem luz e calor, visíveis a olho nu no céu nocturno.

Pelo contrário, as Steves formam-se de maneira diferente. Nas regiões onde aparecem, há um campo eléctrico que aponta para o pólo e um campo magnético que aponta para baixo. Os dois juntos criam esta emissão orientada para oeste.

Assim, o fluxo na ionosfera terrestre atrai as partículas solares carregadas para oeste, onde atingem e aquecem partículas neutras durante o caminho, produzindo as tais luzes ascendentes. Este fenómeno configura o primeiro indicador visível da “movimentação” de partículas carregadas, que os investigadores têm vindo a estudar via satélite há cerca de 40 anos.

Dada a dificuldade em obter uma visão geral das auroras com os satélites actuais (porque não são capazes de ver um hemisfério inteiro ao mesmo tempo ou observar cada ponto com frequência), as pessoas desempenharam um papel determinante na compreensão do fenómeno Steve.

“Em conjunto, todas as observações nos ajudaram a construir novos modelos de auroras”, diz MacDonald, acrescentando que a melhoria tecnológica de câmaras significaria que os registos amadores seriam ainda mais valiosos para os cientistas.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
17 Março, 2018

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