1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1608: Astrónomos descobrem dois “Saturnos quentes” (e estão a escaldar)

ESO

Os astrónomos acabaram de encontrar um par de planetas semelhantes a Saturno que emitem muito calor. Embora ainda se aguarde a confirmação oficial, os investigadores dizem que estão virtualmente certos de que ambos estão por aí.

Os dois mundos orbitam a estrela TOI-216 na constelação de Dorado, a 580 anos-luz de distância. Isto é realmente muito longe da Terra.

“Estamos muito, muito confiantes de que este é um sistema planetário real“, disse David Kipping, professor assistente de astronomia da Universidade de Columbia e principal autor do estudo.

Os cientistas fizeram a descoberta depois de analisar dados do TESS, o telescópio espacial lançado pela NASA em Abril do ano passado.

O planeta exterior – TOI-216c – tem o tamanho de Júpiter ou Saturno, os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar. O planeta interior – TOI-216b – é um pouco menor, “entre o tamanho de Saturno e Neptuno”, segundo Kipping.

A estrela que orbitam é semelhante ao nosso Sol, embora seja cerca de 15% mais pequena e mais fria. Embora os cientistas estejam a chamar a estes mundos de “Saturno quente”, há uma ressalva. “Quente” não significa agradável, temperado ou parecido com a Terra. O planeta interior regista mais de 315ºC e o exterior 226ºC.

Outros mundos, mais hospitaleiros, podem “esconder-se” nas proximidades. O sistema poderia ser um lugar agradável para exoluas. Isto é particularmente intrigante para Kipping. Os dois Saturnos “são exactamente o tipo de planetas” para ter satélites, garantiu.

De facto, no nosso Sistema Solar, os grandes planetas têm muitas luas. Como Saturno, com 62. Além disso, os mundos orbitam a sua estrela numa “ressonância dois-para-um”. O TOI-216b completa a rotação sobre si próprio a cada 17 dias. O TOI-216c precisa de 34, exactamente o dobro do tempo.

Essa ressonância é um indício de que o sistema é relativamente sereno, referiu Kipping, não um “com uma história violenta” – o que é um bom cenário é bom para as luas. “Se há luas em torno destas coisas, quase certamente teriam sobrevivido até hoje”.

A TESS, que vê 85% do céu, está a apontar para as estrelas mais próximas e mais brilhantes. A sonda já identificou 365 objectos de interesse. Com isso, a próxima geração de telescópios espaciais – como o James Webb, da NASA – terá alvos viáveis.

As novas missões tentarão discernir os detalhes dos mundos da TESS e medirão atmosferas e procurarão satélites – e até sinais de vida alienígena. “Estes são os planetas que vamos estudar nos próximos 100 anos”.

ZAP // Forbes

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1604: Pela primeira vez, a estrela mais brilhante no céu nocturno vai “apagar-se” temporariamente

Ivan Kodzhanikolov / Flickr

Sirius, a estrela mais brilhante no céu nocturno e a quinta estrela mais próxima do nosso sistema solar, será brevemente “apagada” na segunda-feira por um asteróide que se move em redor do Sol.

Esta é a primeira vez que este evento foi previsto pelos astrónomos e será visível como um escurecimento da luz brilhante de Sirius por uma fracção de segundo por volta das 22h30 da noite de na segunda-feira no oeste do México, EUA central e Canadá.

Os astrónomos chamam a este evento “ocultação”, que é quando um objeto celeste é escondido da vista por outro objeto celestial.

Sirius é uma das estrelas mais fáceis de encontrar em todo o céu nocturno. Por um lado, é um dos corpos mais brilhantes e, por outro, porque as três estrelas no Cinturão de Orion apontam para baixo para Sirius nesta época do ano.

A estrela vai ser ocultada por um asteróide chamado 4388 Jürgenstock. É um asteróide de cinco quilómetros de largura do cinturão de asteróides. Foi baptizado em honra do homem que o descobriu, o astrónomo venezuelano Jürgen Stock. Este corpo orbita o Sol uma vez a cada 3 anos e 7 meses.

“Esta é a primeira ocultação de Sirius já prevista”, disse David W. Dunham na International Occultation Timing Association. “Os catálogos de estrelas e as efemérides de asteróides não eram precisos o suficiente para prever tais eventos antes de 1975, por isso ninguém tentou prever as ocultações antes daqueles anos”. Dunham explica que Sirius está longe da eclíptica, onde a maioria dos asteróides vagueiam, e onde estrelas como Regulus, em Leão, são mais frequentemente ocultadas.

Os observadores vão poder ver “a estrela desvanecer ao longo de um período de vários décimos de segundo, provavelmente não desaparecerá completamente e depois recuperará o seu brilho total ao longo de outros vários décimos de segundo”.

Uma estrela brilhante é ocultada por um asteróide razoavelmente grande a cada dois ou três anos. “A última foi uma ocultação de Regulus que foi ocultada pelo grande asteróide Adorea a 13 de Outubro de 2016″, explicou Dunham. As estrelas visíveis a olho nu mais fracas são ocultadas com mais frequência.

Esta ultra-rara ocultação de Sirius pode ajudar os astrónomos a calcular o quão longe está. Ainda nenhum telescópio espacial ou câmara estelar conseguiu medir a sua distância com precisão.

“A missão Gaia tem câmaras sensíveis que foram projectadas para mapear cerca de dois mil milhões de estrelas até à 20ª magnitude”, diz Dunham. “O Sirius é cem milhões de vezes mais brilhante que as mais fracas estrelas, por isso foi muito difícil projectar um sistema que mapeasse ambos”. Embora Gaia tenha algumas técnicas de filtro para obter dados sobre algumas das estrelas mais brilhantes, Sirius é demasiado brilhante para elas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

 

1600: Astrónomos registam “explosão mortífera” em estrela recém-nascida

NASA

Um grupo de investigadores registou uma explosão fortíssima na superfície de uma jovem estrela localizada na constelação de Órion, cuja força supera em dez milhões de vezes fenómenos parecidos no Sol.

“Nós examinamos as estrelas vizinhas, tentando entender como surgiu o Sistema Solar. Anteriormente, não tínhamos observado explosões tão fortes nos astros jovens. A sua descoberta permitiu pela primeira vez investigar detalhadamente as características físicas de tais objectos”, declarou Steve Mairs, do Observatório em Hawai, EUA, no estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.

No Sol, acontecem periodicamente erupções solares, lançando energia em forma de luz, calor e radiação, bem como perturbando o funcionamento das telecomunicações, satélites e ameaçando a saúde de cosmonautas.

A tempestade solar de 1859, também conhecida como Evento Carrington, é considerada a explosão mais poderosa. O fenómeno produziu 20 vezes mais energia do que a queda do meteorito que destruiu os dinossauros e os grandes répteis marinhos.

Em 2012, os planetólogos da missão Kepler encontraram centenas de astros da classe do Sol, na superfície dos quais aconteceram explosões mais poderosos de que o Evento Carrington. Isto levou os cientistas a supor que o Sol pode originar estes cataclismos um dia, mas a sua potência máxima não foi determinada com precisão devido à diferença de idade, composição química e histórias de evolução das várias estrelas.

Mairs e os seus colegas descobriram que explosões ainda mais fortes podem ocorrer em astros não muito grandes, examinando vários aglomerados estelares na nebulosa de Órion.

Em 2016, os cientistas detectaram uma explosão extremamente potente nos arredores da estrela recém-nascida JW 566, afastada da Terra a uns 1.500 anos-luz. Os astrónomos examinaram-na com ajuda dos telescópios ópticos do Observatório do Hawai, bem como dos observatórios de raios X e de radioastronomia, tendo conseguido calcular a potência desse acontecimento.

A explosão teria sido muito mais forte que as explosões mais brilhantes de outras estrelas recém-nascidas e dez mil milhões de vezes mais potente que o Evento Carrington.

Ainda não foi descoberta a frequência destes cataclismos na JW 566 e outras estrelas recém-nascidas, não se conhecendo os processos magnéticos na sua atmosfera que levam a essas emissões de energia.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

 

1597: Estrela massiva na vizinhança cósmica pode ter ditado a habitabilidade da Terra

Roger Thibaut
Impressão artística demonstra como é que os sistemas planetários nascidos em regiões densas e massivas de formação estelar (esquerda) herdam quantidades substanciais de materiais radioactivos, tornando-os muito diferentes do sistemas formados em outros ambientes (direita)

A Terra é um planeta “privilegiado”: possuiu uma superfície sólida e um clima ameno, potenciando assim a habitabilidade. Uma nova investigação concluiu que, em parte, estas condições se devem a uma estrela massiva que “morava” no ambiente de nascimento do Sol.

Em comunicado, a equipa realça a importância da estrela, explicando que sem os elementos radioactivos deste corpo celeste presentes no início da formação do Sistema Solar o Planeta Azul poderia, na verdade, ser um mundo oceânico hostil coberto por enormes mantos de gelo. O estudo em causa foi publicado esta semana na revista especializada Nature Astronomy. 

“Os resultados das nossas simulações sugerem que existem dois tipos de sistemas planetários qualitativamente diferentes”, disse Tim Lichtenberg do Centro Nacional de Competência em Pesquisa de Planetas (NCCRPS), na Suíça, citado na mesma nota.

Existem sistemas “semelhantes ao nosso Sistema Solar, cujos planetas têm pouca água, e aqueles nos quais mundos oceânicos são primordialmente criados, porque não havia uma estrela massiva por perto quando o seu sistema hospedeiro foi formado”, explicou.

Lichtenberg e a sua equipa, que contou com a colaboração do astrónomo da Universidade de Michigan, Estados Unidos, Michael Meyer, ficaram intrigados como o papel que a presença de uma eventual estrela massiva podia ter na formação de um planeta.

Apesar de ser importante para o campo que estuda a formação e evolução planetária e de responder a algumas, os cientistas reconhecem que a descoberta deixa também questões.

“É óptimo saber que os elementos radioactivos podem ajudar a tornar um sistema húmido mais seco e ter uma explicação para que os planetas pertencentes ao mesmo sistema solar partilhem propriedades semelhantes”, explicou o cientista.

Porém, “o aquecimento radioactivo pode não ser tudo. Como podemos explicar a nossa Terra, que é muito seca, na verdade, comparada aos planetas formados nos nossos modelos? Talvez ter Júpiter [na posição] onde também estava foi também importante para manter a maioria dos corpos gelados fora do Sistema Solar interno”.

De acordo com os cientistas e em termos astronómicos, a água cobre mais de dois terços da superfície da Terra, enquanto que os planetas terrestres interno dos nosso Sistema Solar são muito secos – e ainda bem que assim são.

Todos os planetas têm núcleo, manto (camada interna) e a crosta. Se o conteúdo da água de um planeta rochoso é significativamente maior do que o da Terra, o manto fica imerso num oceano profundo e global e uma camada de gelo impenetrável no fundo do oceano. Esta “imersão” seria prejudicial, uma vez que evita certos processos químicos, como é o caso do ciclo do carbono na Terra, que estabiliza o clima e cria condições superficiais conducentes à vida tal como a conhecemos.

Tal como mencionado anteriormente, os cientistas recorreram a modelos computacionais para simular a formação planetária a partir dos seus blocos de construção, os planetesimais (enormes corpos rochosos ou gelados com provavelmente dezenas de quilómetros de comprimento. Durante o nascimento de um sistema planetário, explicam, os planetesimais formam-se num disco de poeira e gás em torno de uma estrela jovem e torna-se depois em “embriões” planetários.

Como estes blocos são aquecidos a partir do interior, parte do conteúdo inicial de gelo evapora e escapa para o Espaço antes mesmo de poder ser enviado para o próprio planeta. Este aquecimento interno, segundo os cientistas, pode ter ocorrido logo após o nascimento do nosso Sistema Solar, há 4.600 milhões de anos, tal como é sugerido pelos traços primitivos dos meteoritos, podendo ainda estar em progresso em vários lugares.

SA, ZAP //

Por SA
15 Fevereiro, 2019

 

1592: Descoberta jovem estrela massiva “polvilhada com sal”

NRAO/AUI/NSF; S. Dagnello
Impressão de artista de Orion Source I, uma jovem estrela massiva a cerca de 1500 anos-luz. Novas observações do ALMA detectaram um anel de sal – cloreto de sódio, o comum sal de mesa – em redor de estrela. Esta é a primeira detecção de sais de qualquer tipo associada a uma estrela jovem

Uma equipa de astrónomos e químicos, com recurso ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), detectou as “impressões digitais” químicas de cloreto de sódio (NaCl) e outros elementos salgados semelhantes emanados do disco empoeirado que rodeia Orion Source I, uma jovem estrela massiva situada numa nuvem de poeira por trás da Nebulosa de Orionte.

“É incrível termos conseguido ver estas moléculas”, comenta Adam Ginsburg, membro do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Socorro, no estado norte-americano do Novo México, autor principal de um artigo aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

“Como só tínhamos visto estes elementos nas camadas externas de estrelas moribundas, não sabemos totalmente o que significa a nossa nova descoberta. A natureza da detecção, no entanto, mostra que o ambiente em torno desta estrela é muito invulgar“.

Para detectar moléculas no espaço, os astrónomos usam radiotelescópios para procurar as suas assinaturas químicas – picos reveladores nos espectros de rádio e em comprimentos de onda milimétricos. Os átomos e as moléculas emitem estes sinais de várias maneiras, dependendo da temperatura dos seus ambientes.

As novas observações do ALMA contêm uma série de assinaturas espectrais – ou transições, como os astrónomos chamam – das mesmas moléculas. Para criar “impressões digitais” tão fortes e variadas, as diferenças de temperatura onde as moléculas residem devem ser extremas, variando de mais ou menos -175º C para 3700º C. Um estudo aprofundado destes picos espectrais pode fornecer informações detalhadas sobre o modo como a estrela está a aquecer o disco, o que também seria uma medida útil da luminosidade da estrela.

“Quando olhamos para as informações fornecidas pelo ALMA, vemos cerca de 60 transições diferentes – ou impressões digitais únicas – de moléculas como o cloreto de sódio e cloreto de potássio vindas do disco. Isso é impressionante e empolgante,” disse Brett McGuire, químico do NRAO em Charlottesville, Virginia, EUA, co-autor do artigo.

Os cientistas especulam que estes sais vêm de grãos de poeira que colidiram e derramaram os seus conteúdos no disco circundante. As suas observações confirmam que as regiões salgadas traçam a localização do disco circunstelar.

“Normalmente, quando estudamos as protoestrelas desta maneira, os sinais do disco e o fluxo da estrela confundem-se, dificultando a distinção entre um e o outro”, comentou Ginsburg. “Como agora podemos isolar apenas o disco, podemos aprender como se está a mover e quanta massa contém. Também nos pode dizer coisas novas sobre a estrela”.

A detecção de sinais em torno de uma estrela jovem também é de interesse para os astrónomos e astro-químicos porque alguns dos átomos constituintes dos sais são metais – sódio e potássio. Isto sugere que podem existir outras moléculas contendo metais neste ambiente. Se assim for, pode ser possível usar observações semelhantes para medir a quantidade de metais em regiões de formação estelar. “Este tipo de estudo não está disponível para nós actualmente. Os elementos metálicos flutuantes são geralmente invisíveis para a radioastronomia”, realçou McGuire.

As assinaturas salgadas foram encontradas a 30-60 UA (UA significa Unidade Astronómica, a distância média entre a Terra e o Sol) das estrelas hospedeiras. Com base nas suas observações, os astrónomos inferem que podem haver até mil triliões (10^21) de quilogramas de sal nessa região, o equivalente à massa total dos oceanos da Terra.

“O nosso próximo passo nesta investigação é procurar sais e moléculas metálicas noutras regiões. Isto ajudar-nos-á a compreender se estas ‘impressões digitais’ químicas são uma ferramenta poderosa no estudo de uma ampla gama de discos protoplanetários, ou se esta detecção é exclusiva desta fonte”, disse Ginsburg.

“Olhando para o futuro, o ngVLA (Next Generation Very Large Array) terá a combinação certa de sensibilidade e cobertura de comprimento de onda para estudar estas moléculas e talvez usá-las como rastreadores para discos de formação planetária.”

Orion Source I está a ser formada na Nuvem Molecular I de Orionte, uma região de nascimento estelar explosivo previamente observada com o ALMA. “Esta estrela foi expelida da sua nuvem natal a uma velocidade de mais ou menos 10 km/s há cerca de 550 anos,” disse John Bally, astrónomo da Universidade do Colorado e co-autor do artigo.

“É possível que grãos sólidos de sal tenham sido vaporizados por ondas de choque à medida que a estrela e o seu disco foram abruptamente acelerados por um encontro próximo ou por uma colisão com outra estrela. Resta saber se o vapor de sal está presente em todos os discos que rodeiam as protoestrelas massivas, ou se esse vapor assinala eventos violentos como o que observámos com o ALMA.”

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
14 Fevereiro, 2019

 

1579: Há um misterioso asteróide a orbitar muito perto do Sol

NASA

Pelo que se sabe do Sistema Solar, há uma ordem mais ou menos conhecida: Sol, planetas, cintura de asteróide, mais planetas e, depois, mais asteróides. Mas uma nova descoberta pode alterar um pouco as coisas.

Trata-se de um asteróide chamado 2019 AQ3, cuja órbita elíptica é quase sempre mais próxima do Sol do que Vénus – e até se aproxima de Mercúrio. Precisa de apenas 165 dias para orbitar o Sol – o ano mais curto já visto num asteróide do Sistema Solar.

“Encontrámos um objeto extraordinário cuja órbita mal se desvia além da órbita de Vénus – isto é um grande problema”, disse o astrónomo Quanzhi Ye, do Centro de Processamento e Análise de Infravermelho (IPAC) da Caltech. “Pode haver muitos asteróides ainda não descobertos por aí como eles.”

O objeto foi visto pela primeira vez a 4 de Janeiro de 2019 em dados do Zwicky Transient Facility (ZTF), um projecto automatizado de levantamento do céu feito pelo Palomar Observatory da Caltech. Não demorou muito para que a sua natureza incomum intrigasse outros astrónomos e múltiplos telescópios foram instalados para estudá-lo a 6 e 7 de Janeiro.

Além disso, os arquivos do telescópio Pan-STARRS 1 no Observatório Haleakalā, no Hawai, revelaram evidências anteriormente não percebidas do asteróide, que remontam a 2015.

Com base nos dados de arquivo e nas novas observações, os investigadores conseguiram fazer um cálculo preciso da órbita do 2019 AQ3. O asteróide viaja a um estranho loop que o leva para cima e para baixo do plano orbital do Sistema Solar – estranho porque a maioria das coisas no Sistema Solar dentro da Nuvem Oort seguem este plano.

E, como mencionado, a sua proximidade com o Sol também é estranha. De todos os asteróides do Sistema Solar – e existem muitos – encontramos apenas 19 (incluindo 2019 AQ3) cujas órbitas estão completamente contidas na órbita da Terra.

Estes asteróides são conhecidos como asteróides de Atira, asteróides de Apohele ou Objectos no Interior da Terra (IEOs) e, embora não representem uma ameaça actual, isto pode mudar no futuro se as suas órbitas forem perturbadas por Vénus ou Mercúrio.

O tamanho do 2019 AQ3 parece ser considerável. Não conhecemos muitos asteróides do mesmo tamanho. Embora seja impossível fornecer dimensões exactas com base nas observações limitadas até o momento, as estimativas actuais indicam que o seu diâmetro seja de até 1,6 quilómetros.

“Este é um dos maiores asteróides com uma órbita inteiramente dentro da órbita da Terra – uma espécie muito rara“, disse Ye. “De muitas maneiras, 2019 AQ3 é um asteróide excêntrico.”

Procurar asteróides Atira e asteróides e cometas próximos da Terra potencialmente perigosos para a Terra é apenas um dos objectivos da ZTF. Com seu amplo campo de visão e rápida leitura electrónica, é projectado para capturar objectos que se movem ou ocorrem rapidamente, chamados de eventos transitórios.

No geral, o projecto identificou 50 asteróides próximos da Terra, incluindo 2018 NX e 2018 NW. Também identificou dois buracos negros.

Os artigos a descrever as descobertas serão publicados numa edição especial da revista ZTF da publicação Publications of the Astronomical Society of the Pacific.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
11 Fevereiro, 2019

 

“Linha de neve” revela moléculas orgânicas em torno de estrela jovem

Imagem, a cores falsas, de V883 Ori obtida com o ALMA. A distribuição da poeira pode ser vista em tons laranja e a distribuição do metanol, uma molécula orgânica, tem tons azuis.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Lee et al.

Recorrendo ao ALMA, os astrónomos detectaram várias moléculas orgânicas complexas em redor da jovem estrela V883 Ori. Uma explosão repentina da estrela está a libertar moléculas dos compostos gelados situados no disco de formação planetária. A composição química do disco é semelhante à dos cometas no Sistema Solar moderno. As observações sensíveis do ALMA permitiram com que os cientistas reconstruissem a evolução de moléculas orgânicas desde o nascimento do Sistema Solar até aos objectos que vemos hoje.

A equipa de investigação, liderada por Jeong-Eun Lee (Universidade de Kyung Hee, Coreia), usou o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para detectar moléculas orgânicas complexas, incluindo metanol (CH3OH), acetona (CH3COCH3), acetaldeído (CH3CHO), formiato de metila (CH3OCHO) e acetonitrilo (CH3CN). Esta é a primeira vez que a acetona foi detectada sem ambiguidade numa região de formação planetária ou disco protoplanetário.

Várias moléculas estão congeladas no gelo em torno de partículas de poeira de tamanho microscópico nos discos protoplanetários. O surto repentino de V883 Ori está a aquecer o disco e a sublimar o gelo, que liberta as moléculas sob a forma de gás. A região, num disco, onde a temperatura atinge o ponto de sublimação das moléculas, tem o nome “linha de neve”. Os raios das linhas de neve têm algumas Unidades Astronómicas em torno de estrelas jovens normais, mas são ampliadas quase 10 vezes em torno de estrelas explosivas.

“É difícil fotografar um disco à escala de algumas UAs com os telescópios actuais,” comentou Lee. “No entanto, em torno de uma estrela com comportamentos explosivos, o gelo derrete numa área mais ampla do disco e é mais fácil ver a distribuição das moléculas. Estamos interessados na distribuição das moléculas orgânicas complexas como blocos de construção da vida.”

O gelo, incluindo moléculas orgânicas congeladas, pode estar intimamente relacionado com a origem da vida nos planetas. No nosso Sistema Solar, os cometas são o foco da atenção por causa dos seus ricos elementos gelados. Por exemplo, a lendária exploradora cometária, a sonda Rosetta da ESA, descobriu uma valiosa química orgânica em torno do Cometa Churyumov-Gerasimenko. Pensa-se que os cometas se tenham formado nas regiões mais frias e exteriores do proto-Sistema Solar, onde as moléculas estavam contidas no gelo. O estudo da composição química do gelo nos discos protoplanetários está directamente relacionado com o estudo das moléculas orgânicas nos cometas e com a origem dos elementos básicos da vida.

Graças à visão detalhada do ALMA e à mais larga linha de neve provocada pelo surto estelar, os astrónomos obtiveram a distribuição espacial do metanol e do acetaldeído. A distribuição dessas moléculas tem uma estrutura semelhante a um anel com um raio de 60 UA, o equivalente ao dobro do tamanho da órbita de Neptuno. Os investigadores supõem que dentro deste anel as moléculas são invisíveis porque são obscurecidas por material espesso e empoeirado, e são invisíveis fora deste raio porque estão incorporadas no gelo.

“Dado que os planetas rochosos e gelados são feitos de material sólido, a composição química dos sólidos nos discos é de especial importância. Estes surtos explosivos são oportunidades únicas de investigar sublimados frescos e, portanto, a composição dos sólidos,” explicou Yuri Aikawa da Universidade de Tóquio, membro da equipa de investigação.

V883 Ori é uma estrela jovem localizada a 1300 anos-luz da Terra. Esta estrela está a passar por uma fase explosiva do tipo FU Orionis, um aumento súbito de luminosidade devido a uma corrente de material que flui do disco para a estrela. Estes surtos duram apenas um século, de modo que as oportunidades para observação são bastante raras. No entanto, dado que estrelas jovens com uma ampla gama de idades sofrem surtos do tipo FU Orionis, os astrónomos esperam poder traçar a composição química do gelo ao longo da evolução de estrelas jovens.

Astronomia On-line
8 de Fevereiro de 2019

 

1568: Há uma estrela a ser bombardeada por cometas (e pode estar a criar o seu próprio Sistema Solar)

NASA

Uma chuva de cometas está a cair sobre uma jovem estrela distante, dando aos astrónomos uma nova visão de um processo que moldou o nosso Sistema Solar há milhões de anos.

Quando a Terra era um planeta jovem, detritos de cometas golpearam a sua superfície, transportando material orgânico que pode ter ajudado a que a vida surgisse no nosso mundo rochoso. Nos últimos anos, cientistas identificaram evidências indirectas de um processo semelhante em torno de Eta Corvi, uma estrela do tipo solar a cerca de 59 anos-luz de distância, que é um pouco maior e três vezes mais jovem do que o Sol.

Agora, os oscilações de gás recentemente observadas que se pensa emanarem de cometas que evaporam no calor da estrela estão a fornecer evidências mais fortes tanto para os planetas ocultos como para os impactos cataclísmicos.

Detectados pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, pelo astrónomo Barry Welsh e a sua colega Sharon Montgomery, da Clarion University, na Pensilvânia, estes gases podem ter uma conexão profunda, embora indirecta, com o nosso próprio lar cósmico.

Quando o nosso Sol tinha a mesma idade que a Eta Corvi tem actualmente, as interacções gravitacionais entre os planetas externos do nosso sistema solar varreram as sobras geladas da sua formação para atacar a Terra e os outros planetas rochosos.

Este “pesado bombardeio tardio” pode ter sido crucial para a habitabilidade da Terra e para a nossa própria existência, fornecendo água e compostos orgânicos – e algo semelhante parece estar a ocorrer em torno de Eta Corvi. Welsh chama a estrela de “potencial sistema solar em formação”.

O trabalho de Welsh e Montgomery constitui o melhor caso para um possível bombardeio de cometas em curso em torno de outra estrela. Acredita-se que uma cadeia de planetas gigantes esteja a atirar os cometas e pelo menos um corpo rochoso parece ter sido atingido pelos destroços gelados.

“Temos uma boa imagem dos diferentes fenómenos que estão a acontecer no sistema e, agora, temos uma maneira de conectá-los”, referiu Sebastian Marino, astrónomo da Universidade de Cambridge.

Eta Corvi e o seu disco têm 1,5 milhões de anos. Como o nosso próprio sistema solar, a estrela possui um par de discos de detritos, embora Eta Corvi esteja mais distante.

Os discos interno e externo estão a seis e 165 unidades astronómicas da estrela, respectivamente – onde uma UA é igual à distância entre a Terra e o Sol. Em comparação, o nosso Cinturão de Asteróides fica a cinco UAs do Sol, enquanto o Cinturão de Kuiper – os restos de gelo que sobraram da formação do sistema solar – começa apenas com 40 AUs.

O facto de Eta Corvi brilhar mais do que o próprio Sol faz com que os cintos sejam parecidos com os nossos.

Os cometas não são um fenómeno inesperado em torno de Eta Corvi. Em 2012, uma equipe de astrónomos liderada por Carey Lisse no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins descobriu material incomum no cinturão interno. Usando o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, descobriram que nano-losangos microscópicos, juntamente com poeira rica em água e carbono, estavam misturados ao cinturão interno.

Os investigadores concluíram que o material tinha entrado, provavelmente como um grande cometa, onde a pura força da sua colisão com um planeta rochoso invisível esmagou a rocha rica em carbono em pó de diamante que salpicou o cinturão interno.

Trabalhos posteriores de Marino sugeriram que uma cadeia de planetas de tamanho médio, maior que a Terra, mas menor que Júpiter, poderia lançar o material cometário para o cinturão externo. Os cometas congelados continuam a mover-se de um planeta para o outro até pousarem no cinturão interno, onde a luz do sol derrete as suas camadas externas e cria as suas “caudas” distintivas de poeira e gás.

Welsh e Montgomery usaram um telescópio de 2,1 metros na Universidade do Texas, no Observatório McDonald de Austin, para estudar Eta Corvi em quatro noites. Durante uma das sessões, viram gás quente a sair de um objeto grande ou de um enxame de objectos menores, bloqueando a luz da estrela.

Métodos semelhantes foram usados ​​para identificar cometas em torno de outras estrelas. “O que vemos é equivalente a quando vemos um cometa no Sistema Solar”, rematou Isabel Rebollido, da Universidade Autónoma de Madrid.

ZAP // Scientific American

Por ZAP
8 Fevereiro, 2019

 

1560: Afinal, a Via Láctea não é um disco plano e estável

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Afinal, o disco estelar da nossa galáxia é tudo menos estável e plano. Pelo contrário: torna-se cada vez mais “deformado” e desviado do coração da Via Láctea. Esta é a conclusão dos astrónomos dos Observatórios Astronómicos Nacionais da Academia Chinesa de Ciências (NAOC).  

A uma grande distância, a galáxia pareceria um disco fino de estrelas que orbitam uma vez a cada poucas centenas de milhões de anos em torno da sua região central, onde centenas de mil milhões de estrelas, juntamente com uma grande massa de matéria escura, fornecem a “cola gravitacional” para manter toda a matéria junta – formando o disco.

Contudo, a força da gravidade enfraquece-se nas regiões internas da Via Láctea. No distante disco externo da galáxia, os átomos de hidrogénio que compõem a maior parte do disco de gás da Via Láctea já não estão confinados a um plano fino, dando antes ao disco uma forma em S distorcida.

“É notoriamente difícil determinar as distâncias do Sol a partes do disco de gás externo da Via Láctea sem ter uma ideia clara de como este disco se parece”, explicou o investigador do NAOC, Chen Xiaodian, autor principal do artigo esta semana publicado na revista especializada Nature Astronomy.

Cefeidas, as estrelas variáveis

“No entanto, publicamos recentemente um novo catálogo de estrelas variáveis de comportamento correto conhecido como cefeidas clássicas, para as quais é possível determinar as distâncias precisas de 3 a 5 por cento”, acrescentou. E foi a partir deste banco de dados que a equipa conseguiu desenvolver a primeira imagem tridimensional precisa da Vida Láctea nas suas regiões mais remotas.

As cefeidas clássicas são estrelas jovens quatro a 20 vezes mais massivas do que o Sol e até 100.000 vezes mais brilhantes do que o nosso astro. Estas altas massas estelares indicam que cefeidas clássicas vivem velozes e morrem jovens, queimando o seu combustível nuclear muito rapidamente, às vezes em alguns milhões de anos. Estas estrelas mostram pulsações de um dia para o outro, que são observadas como mudanças no seu brilho. Combinando com o brilho observado de uma Cefeida, o período de pulsação pode ser utilizado para obter uma distância altamente confiável.

“Para nossa surpresa, descobrimos que através do modelo 3D que a nossa colecção de 1.339 estrelas cefeidas e o disco de gás da Via Láctea são observados de perto”, explicou o professor e co-autor do estudo Richard de Grijs, da Macquarie University, na Austrália.

“Talvez mais importante, nas regiões externas da Via Láctea, descobrimos que o disco estelar do tipo S é deformado num padrão espiral progressivamente torcido “.

“Esta nova morfologia fornece um mapa actualizado e crucial para estudos dos movimentos estelares da nossa galáxia e as origens do disco da Via Láctea”, rematou Deng Licai, investigador do NAOC e co-autor do artigo agora publicado.

ZAP //

Por ZAP
6 Fevereiro, 2019