1132: A Terra está a ser bombardeada com misteriosos sinais de rádio extraterrestres

pelosbriseno / Flickr
Radiotelescópios do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA.

No deserto australiano, há um novo observatório a fazer História. Em pouco mais de um ano, o Australian Square Kilometre Array Pathfinder (ASKAP) detectou 20 sinais cósmicos misteriosos conhecidos como rajadas rápidas de rádio (FRB) – o fenómeno continua a intrigar os cientistas. 

Segundo o Science Alert, estes sinais não pertencerem à famosa fonte de rádio-frequência FRB 121102, são rastos completamente novos, oriundos de novas fontes.

Com os 20 novos sinais agora detectados, o número número de rajadas rápidas (fast radio bursts ou FRB) registadas em todo o mundo quase duplicou em apenas um ano – a Terra está a ser bombardeada com luz invisível e os cientistas não sabem porquê.

Os novos sinais de rádio identificados, notam os cientistas no artigo publicado nesta semana na revista científica Nature, incluem ainda as explosões de rádio mais rápidas e mais próximas até agora detectadas.

As rajadas rápidas de rádio são um dos fenómenos mais intrigantes de todo o Universo. Estes sinais cósmicos são extremamente poderosos, podendo mesmo gerar tanta energia como centenas de milhões de sóis. Apesar da sua energia, estas emissões são breves e pontuais, sendo, por isso, difícil de as detectar e estudar directamente.

Ou seja, os cientistas não conseguem “prever” a observação destes fenómenos. A menos que um radiotelescópio – com um campo de visão relativamente estreito – esteja direccionado exactamente na área exacta do céu em que essa explosão é dispara, o sinal cósmico é perdido.

A primeira vez que os astrónomos começaram a falar sobre estas misteriosas manifestações de rádio foi em meados de 2007, quando os cientistas observaram acidentalmente pulsos de rádio através do radiotelescópio Parkes, na Austrália. Agora, com a nova investigação, o número de sinais disparou.

“Encontramos 20 rajadas rápidas de rádio num ano, quase duplicando o número de todas as emissões já detectadas em todo o mundo desde que foram descobertas em 2007″, explicou o Ryan Shannon, da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.

Até então, só tinham sido detetadas 22 rajadas rápidas de rádio. Em apenas um ano, este observatório australiano registou quase tantos sinais como o resto do mundo em 10 anos – o ASKAP está literalmente a fazer História.

“Através da nova tecnologia do ASKAP, também provamos que as rajadas rápidas estão a chegar do outro lado do Universo, e não da nossa vizinhança galáctica”, adiantou ainda o astrofísico em comunicado.

A ASKAP está localizado no Murchison Radioastronomy Observatory (MRO) da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth da Austrália, na Austrália Ocidental, e é um precursor do futuro telescópio Square Kilometer Array (SKA). O SKA será capaz de observar um grande número de explosões de rádio rápidas, permitindo aos astrónomos estudar o Universo primitivo em detalhe.

A amostra destas ondas de rádio cósmicas disparou e, a partir daí, os cientistas podem ficar mais perto de descobrir a sua misteriosa origem – até lá, terão de ficar atentos.

Por ZAP
12 Outubro, 2018

 

1122: Telescópio espacial Hubble avaria e aponta para direções erradas

O telescópio espacial Hubble sofreu uma avaria e começou a apontar para direcções erradas impossibilitando as observações aos cientistas

Telescópio Hubble
© Direitos reservados

A NASA já esperava que o telescópio Hubble, há 28 anos no espaço, tivesse alguma avaria este ano, mas foi surpreendida com uma falha súbita no aparelho de observação. O telescópio começou a apontar para direcções erradas e os cientistas ficaram impossibilitados de prosseguir com as observações do cosmos.

O Hubble já tinha tido problemas giratórios e em 2009, numa missão de manutenção, os astronautas da NASA substituíram três dos seus dispositivos. Kenneth Sembach, director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, que opera o Hubble. citado pelo jornal britânico TheGuardian, admite: “O facto de termos alguns problemas de giroscópio, é uma longa tradição com o observatório”.

Giroscópios

Os giroscópios são necessários para manter o Hubble, que está a 540 quilómetros da Terra, a apontar na direcção certa durante as observações. Os astrónomos usam o telescópio para analisar profundamente o cosmos e descobrir sistemas solares distantes, bem como galáxias e buracos negros. Na semana passada foi, aliás, anunciada uma descoberta através do Hubble, a primeira lua fora do nosso sistema solar.

Desde o seu lançamento em 1990, o Hubble fez mais de 1,3 milhões de observações, Neste momento, dois dos seus giroscópios funcionam bem, segundo Kenneth Sembach, mas o terceiro é que falhou. O telescópio usa três giroscópios, mas pode ser adaptado para funcionar apenas com dois, mas nesta situação Há pouca margem para falhas. Mas o director do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial mostra-se confiante que o Hubble “tem muitos anos de boa ciência pela frente.”

Diário de Notícias
Paula Sá
09 Outubro 2018 — 08:37

 

1110: Há 13 estrelas extra-galácticas a invadir a Via Láctea a grande velocidade

ESA/ATG/ESO/S. Brunier
Impressão de artista do observatório espacial Gaia, da ESA, a mapear as estrelas da Via Láctea

Uma equipa de astrónomos, ao utilizar o mais recente conjunto de dados da missão Gaia da ESA para procurar estrelas em alta velocidade a ser expulsas da Via Láctea, acabou por apanhar uma surpresa.

Em Abril, o observatório espacial Gaia, topógrafo estelar da ESA, lançou um catálogo sem precedentes de mais de mil milhões de estrelas.

Astrónomos em todo o mundo têm trabalhado incessantemente, nos últimos meses, para explorar este extraordinário conjunto de dados, examinando as propriedades e movimentos das estrelas na nossa Galáxia e mais além, com uma precisão nunca antes alcançada, dando origem a uma infinidade de novos e intrigantes estudos.

A Via Láctea contém mais de cem mil milhões de estrelas. A maioria está localizada num disco com um centro denso e abaulado, no meio do qual se encontra um buraco negro super-massivo. O resto encontra-se espalhada num halo esférico muito maior. As estrelas circundam a Via Láctea a centenas de quilómetros por segundo e os seus movimentos contêm uma riqueza de informações sobre a história passada da Galáxia.

A classe mais rápida de estrelas na nossa galáxia denomina-se de estrelas de hipervelocidade, que supostamente começam a sua vida perto do Centro Galáctico, para depois serem lançadas em direcção à borda da Via Láctea, através de interacções com o buraco negro.

Até agora, foi descoberto um pequeno número de estrelas de hipervelocidade, e o segundo lançamento de dados, recentemente publicado pelo Gaia, oferece uma oportunidade única de procurar mais.

Imediatamente após a sua divulgação, vários grupos de astrónomos agarraram-se ao novíssimo conjunto de dados em busca de estrelas de hipervelocidade. Entre eles, três cientistas da Universidade de Leiden, Holanda, tiveram uma grande surpresa.

Para 1,3 mil milhões de estrelas, o Gaia mediu posições, paralaxes – um indicador da sua distância – e movimentos 2D no plano do céu. Para sete milhões das mais brilhantes, também mediu a rapidez com que estas se movem na nossa direcção ou para longe de nós.

“Dos sete milhões de estrelas de Gaia com medições de velocidade 3D, encontrámos vinte que poderiam estar a viajar suficientemente rápido para eventualmente escapar da Via Láctea”, explica Elena Maria Rossi, uma das autoras de um novo estudo, publicado em Setembro na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Elena e os colegas, que já haviam descoberto um punhado de estrelas de hipervelocidade no ano passado, num estudo exploratório baseado em dados do primeiro lançamento de Gaia, ficaram agradavelmente surpreendidos, pois esperavam encontrar no máximo uma estrela a soltar-se da Galáxia entre esses sete milhões. Mas ainda há mais.

Para sua ainda maior surpresa, os investigadores que apenas 7 destas 20 estrelas de hipervelocidade se estava a afastar da Via Láctea. Na realidade, as outras 13 estrelas estão a espiralar a alta velocidade em direcção ao centro da nossa galáxia.

“Em vez de voar para longe do Centro Galáctico, uma parte das 20 estrelas de alta velocidade que vimos parece estar a voar em direcção a ele,” acrescenta o astrónomo italiano Tommaso Marchetti, co-autor do estudo. “Estas 13 podem ser estrelas de outra galáxia, a passar através da Via Láctea. “

É possível que estes intrusos intergalácticos venham da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia relativamente pequena que orbita a Via Láctea, ou podem ter origem numa galáxia ainda mais longe.

Se for esse o caso, estas contêm a marca do seu local de origem e estudá-las a distâncias muito mais próximas que da sua galáxia-mãe, poderia fornecer informações sem precedentes sobre a natureza das estrelas noutra galáxia – semelhante a estudar material marciano trazido para a Terra por meteoritos. “As estrelas podem ser aceleradas a altas velocidades quando interagem com um buraco negro super-massivo,” explica Elena.

“Portanto, a presença destas estrelas pode ser um sinal de tais buracos negros em galáxias próximas. Mas as estrelas também podem ter sido parte de um sistema binário, lançado em direcção à Via Láctea quando a sua estrela companheira explodiu como uma super-nova. De qualquer forma, estudá-las poderia dizer-nos mais sobre esse tipo de processos em galáxias próximas.”

Uma explicação alternativa é que estas estrelas recentemente identificadas poderiam ser nativas ao halo da nossa Galáxia, aceleradas e empurradas para dentro através de interacções com uma das galáxias anãs que caíram em direcção à Via Láctea durante o seu histórico de construção. Informações adicionais sobre a idade e a composição das estrelas poderiam ajudar os astrónomos a esclarecer sua origem.

“É provável que uma estrela do halo da Via Láctea seja razoavelmente velha e feita principalmente de hidrogénio, enquanto estrelas de outras galáxias poderiam conter muitos elementos mais pesados,” diz Tommaso. “Olhar para as cores das estrelas dir-nos-á mais sobre a sua constituição.“

Novos dados do Gaia ajudarão a determinar a natureza e a origem dessas estrelas com mais precisão, e a equipa usará telescópios terrestres para descobrir mais sobre elas. Enquanto isso, o observatório espacial da ESA continua a fazer observações do céu por inteiro, incluindo as estrelas analisadas neste estudo.

“Este resultado emocionante mostra que Gaia é uma verdadeira máquina do descobrimento, fornecendo o terreno para descobertas completamente inesperadas sobre a nossa Galáxia,” conclui Timo Prusti, cientista do projecto Gaia da ESA.

Por CCVAlg
7 Outubro, 2018

 

1101: Astrónomos descobriram “Goblin”, o novo planeta anão do Sistema Solar

Roberto Molar Candanosa / Scott Sheppard / Carnegie Institution for Science

Cientistas encontraram um planeta anão, baptizado de “Goblin”, que pode ajudar a comunidade científica a descobrir mais evidências da existência do Planeta X.

Tudo aconteceu quando os cientistas procuravam pelo Planeta X, o hipotético e massivo corpo planetário do Sistema Solar, e acabaram por descobrir 2015 TG387, um minúsculo planeta anão, que se encontrava a cerca de 2,5 vezes a distância de Plutão no momento em que foi descoberto.

Baptizado de “Goblin”, este planeta é bastante pequeno – mesmo quando estamos a falar de um planeta anão -, com apenas 300 quilómetros de diâmetro. No entanto, os investigadores ficaram bastante satisfeitos com esta descoberta porque o planeta tem uma “órbita extraordinária”, segundo o Science Alert.

De acordo com os astrónomos – Scott Sheppard, do Instituto Carnegie, Chad Trujillo, da Universidade do Norte do Arizona, e David Tholen, da Universidade do Havai -, isto sugere que o Planeta X continua por aí, à espera de ser descoberto.

Quando foi descoberto, o “Goblin” estava a cerca de 80 AU (unidade astronómica que mede a distância entre a Terra e o Sol). Para contextualizar, a distância de Plutão é cerca de 39.5 AU (embora varie um bocadinho pelo facto de a sua órbita ser elíptica).

De facto, cada planeta e planeta anão no nosso Sistema Solar tem uma órbita elíptica, em graus variados, sendo que nenhum é tão elíptico como o de Plutão. Mas a órbita do “Goblin” é de “fazer cair o queixo”, escreve o mesmo site.

Roberto Molar Candanosa / Scott Sheppard / Carnegie Institution for Science
O planeta anão 2015 TG387, baptizado de “Goblin”, no Sistema Solar

Este planeta anão chega a 65 UA no seu periélio (ponto da órbita em que se encontra mais próximo do Sol). Embora não seja o mais distante, o “Goblin” vai mais longe no que toca ao afélio (o contrário de periélio). Com base na sua trajectória, o valor é de 2,300 AU.

Isto significa que o 2015 TG387 demora 40 mil anos para dar uma volta ao Sol. Como estes objectos estão tão distantes, não interagem gravitacionalmente com planetas como Neptuno ou Júpiter.

“Estes objectos distantes são como migalhas de pão que nos estão a levar ao Planeta X”, compara Sheppard. Quantos mais pudermos encontrar, melhor podemos entender o sistema solar exterior e o possível planeta que pensamos estar a moldar as suas órbitas – uma descoberta que redefiniria o nosso conhecimento da evolução do Sistema Solar“.

De acordo com o estudo de Mike Brown e Konstantin Batygin publicado em 2016, as simulações feitas a computador que incluem o tamanho e a órbita do Planeta X indicam agora que o “Goblin” poderia ser guiado por um planeta gigante.

“O que torna este resultado tão interessante é que o Planeta X parece afectar o 2015 TG387 da mesma forma que todos os outros objectos do Sistema Solar extremamente distantes”, diz Trujillo. “Estas simulações não provam que exista um planeta massivo, mas dão-nos mais evidências de que qualquer coisa grande pode andar por aí”, acrescenta.

O estudo científico desta equipa de cientistas já foi submetido na revista científica The Astronomical Journal, estando agora à espera da revisão por pares. Porém, pode ser lido através do site arXiv.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2018

1099: Astrónomos descobrem a maior lua alguma vez conhecida

Satélite do tamanho de Neptuno terá sido o primeiro satélite de um planeta descoberto fora do sistema solar, a 8 mil anos-luz da Terra

Ilustração de como será o sistema agora descoberto
© Dan Durda/Handout via REUTERS

Astrónomos norte-americanos acreditam que terão descoberto a primeira lua descoberta fora do sistema solar, na órbita de um planeta gigante a 8 mil anos-luz da Terra.

A chamada exolua, que se estima que terá o tamanho de Neptuno, também será a maior lua alguma vez conhecida, excedendo muito as dimensões das que existem no sistema solar.

No entanto, a equipa responsável pela aparente descoberta disse que precisava de fazer algumas confirmações, embora não tenham conseguido encontrar uma outra explicação convincente para os dados que recolheram. “A primeira exolua é obviamente uma descoberta extraordinária e requer provas extraordinárias”, reconheceu David Kipping, astrónomo da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Kipping e o seu colega Alex Teachey descobriram a maior lua alguma vez conhecida depois de analisar dados de cerca de 300 planetas distantes utilizando o telescópio espacial Kepler. Os planetas são revelados por um momentâneo escurecimento à medida que passam em frente da respectiva estrela hospedeira, à qual os astrónomos chamam de trânsito.

Kipping e Teachey repararam em anomalias estranhas nos dados de trânsito de um planeta gasoso, Kepler-1625b, várias vezes superior a Júpiter. “Vimos pequenos desvios e oscilações na curva de luz que atraiu a nossa atenção”, confessou Kipping, que passou 40 horas a observar o exoplaneta através do telescópio espacial Hubble, que é quatro vezes mais poderoso, para investigar melhor.

Através do Hubble, os astrónomos viram uma segunda vez, identificando “uma lua a seguir um planeta como um cão preso por uma coleira a seguir o seu dono”. A lua deverá ter apenas 1,5 por cento da massa do planeta que acompanha, o que é uma proporção semelhante à da Terra e a sua lua.

Acredita-se que a nossa lua se tenha formado através de uma colisão inicial com um corpo maior que explodiu e cujo material depois se aglutinou numa bola. No entanto, o Kepler-1625b e a sua lua são gasosos e não rochosos, o que levanta questões sobre como a tal satélite se poderia ter formado.

Diário de Notícias
David Pereira
03 Outubro 2018 — 22:13

 

1095: Investigadores descobrem planeta anão nos limites do Sistema Solar

Um grupo de astrónomos fazia observações e descobriu o The Globin para além de Plutão

Os novos planetas anões orbitam o Sol para lá de Plutão (na foto)
© NASA

The Globin é o nome do novo planeta anão descoberto por um grupo de astrónomos que faziam observações para redefinir os limites do sistema solar. A descoberta surgiu, por isso, por acaso quando procuravam o Planeta Nove, corpo celeste que estará escondido para além de Plutão, numa zona misteriosa que os investigadores denominam de nuvem de Oort.

A verdade é que o Planeta Nove ainda não foi visto directamente, ao contrário do The Goblin, que aparentemente estará sob influência gravitacional de um outro objecto gigante que ainda não foi visto pelos investigadores.

O The Goblin é um planeta gelado com um diâmetro estimado de 300 quilómetros, que se encontra numa órbita bastante longa, levando 40 mil anos a fazer uma volta em torno do Sol.

Este é o terceiro mais pequeno encontrado fora do sistema solar, depois das descobertas do Sedna e do denominado 2012 VP113. Nessa zona, que aparentemente era fria, escura e vazia aparece agora uma rica colecção de objectos exóticos.

“Só agora estamos a descobrir como pode ser o exterior do sistema solar e o que poderá lá estar”, afirmou Scott Sheppard, do Instituto Carnegie para a Ciência, em Washighton DC, citado pelo Guardian. “Acreditamos que existem milhares de planetas anões longe do sistema solar. Estamos apenas a levantar a ponta do icebergue”, acrescentou.

Diário de Notícias
DN
02 Outubro 2018 — 18:08

 

1094: UM UNIVERSO RESPLANDECENTE

Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação directa de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial – mostrando assim que quase todo o céu nocturno brilha de forma invisível.
Crédito: ESA/Hubble & NASA, ESO/ Lutz Wisotzki et al.

Observações profundas levadas a cabo pelo espectrógrafo MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO revelaram enormes reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico em torno de galáxias distantes. A extrema sensibilidade do MUSE permitiu a observação directa de nuvens ténues de hidrogénio brilhantes que emitem radiação de Lyman-alfa no Universo primordial – mostrando assim que quase todo o céu nocturno brilha de forma invisível.

Com o auxílio do instrumento MUSE montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma quantidade inesperada de emissão de Lyman-alfa na região do Campo Ultra-Profundo Hubble (Hubble Ultra Deep Field – HUDF). A emissão descoberta cobre quase todo o campo, o que leva a equipa a extrapolar que quase todo o céu estará a brilhar de forma invisível devido a radiação de Lyman-alfa emitida no Universo primordial.

Os astrónomos há muito que se habituaram a que o céu seja completamente diferente consoante os diferentes comprimentos de onda em que é observado, no entanto a extensão da emissão de Lyman-alfa observada é ainda assim surpreendente. “Descobrir que todo o céu brilha em radiação de Lyman-alfa emitida por nuvens de hidrogénio distantes foi realmente uma surpresa extraordinária,” diz Kasper Borello Schmidt, um membro da equipa de astrónomos responsável pela descoberta.

“Trata-se de uma descoberta extraordinária!” acrescenta Themiya Nanayakkara, também membro da equipa. “Da próxima vez que olhar para o céu nocturno sem Lua e vir as estrelas, imagine o brilho invisível do hidrogénio, os primeiros blocos constituintes do Universo, a iluminar todo o céu nocturno.”

A região do HUDF que a equipa observou é uma área do céu bastante normal situada na constelação da Fornalha, que se tornou famosa quando foi mapeada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em 2004. O telescópio utilizou mais de 270 horas de precioso tempo de observação para explorar esta região do espaço, de modo mais profundo do que o que tinha sido feito até à data.

As observações do HUDF revelaram milhares de galáxias espalhadas por toda uma zona escura do céu, dando-nos assim uma visão bastante real da escala do Universo. Agora, as capacidades extraordinárias do MUSE permitiram observações ainda mais profundas. A detecção de emissão de Lyman-alfa no HUDF é importante pois trata-se da primeira vez que os astrónomos conseguiram ver esta radiação ténue emitida pelos envelopes gasosos das galáxias mais primordiais. Esta imagem composta mostra a radiação de Lyman-alfa a azul, sobreposta à icónica imagem do HUDF.

O instrumento MUSE, usado para fazer estas observações, é um espectrógrafo de campo integral de vanguarda instalado no Telescópio Principal n.º 4 do VLT, no Observatório do Paranal do ESO. Quando observa o céu, o MUSE vê a distribuição dos comprimentos de onda da radiação em cada pixel do seu detector. Observar o espectro total da radiação emitida por objectos astronómicos fornece-nos pistas importantes sobre os processos astrofísicos que ocorrem no Universo.

“Com estas observações MUSE, ficamos com uma ideia completamente nova dos ‘casulos’ de gás difuso que rodeiam as galáxias do Universo primordial,” comenta Philipp Richter, outro membro da equipa.

A equipa internacional de astrónomos que fez estas observações tentou identificar os processos que fazem com que estas nuvens de hidrogénio distantes emitam em Lyman-alfa, no entanto a causa precisa permanece um mistério. Apesar disso, como se pensa que este ténue brilho seja omnipresente no céu nocturno, espera-se que investigação futura possa descobrir a sua origem.

“Esperamos ter no futuro medições ainda mais sensíveis,” conclui Lutz Wisotzki, líder da equipa. “Queremos descobrir como é que estes vastos reservatórios cósmicos de hidrogénio atómico se encontram distribuídos no espaço.”

Astronomia On-line
2 de Outubro de 2018

 

1087: Astrónomos descobrem estrela morta que não deveria existir

Na constelação Cassiopeia há uma estrela morta que não deveria existir. A estrela de neutrões, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

A cerca de 24 mil anos-luz, na constelação de Cassiopeia, mora uma estrela de neutrões que não deveria existir, pelo menos tendo em conta o modelo actual. Esta estrela morta, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

Esta estrela tem um campo magnético muito forte – característica muito incomum, dado que, até hoje, os jactos relativísticos só foram observados em estrelas de neutrões com campos magnéticos mil vezes mais fracos.

Uma estrela de neutrões é o ponto final de uma estrela massiva que, um dia, foi uma super-nova. A maior parte do material da estrela explode no espaço, enquanto o núcleo colapsa em si mesmo, tornando-se num objecto super-denso com tamanha gravidade. Se a massa for abaixo de três vezes a massa do Sol, torna-se uma estrela de neutrões com cerca de 10 a 20 quilómetros de diâmetro; caso contrário, torna-se um buraco negro.

Este colapso do núcleo tem um efeito no campo magnético da estrela de neutrões, isto é, faz com que o campo magnético da estrela aumente muito a sua força, tornando-se biliões de vezes maior do que o Sol; mas depois, gradualmente, enfraquece novamente durante centenas de milhares de anos, explicou o astrónomo James Miller-Jones, da Curtin University e do Centro Internacional de Investigação em Radioastronomia (ICRAR).

A estrela em causa é parte de um sistema binário chamado Swift J0243.6 + 6124, descoberto em Outubro de 2017 pelo Swift Observatory. Os jactos não são novidade, até porque são fluxos de radiação e partículas muito conhecidos no Universo. No entanto, realça o cientista, “o forte campo magnético da estrela de neutrões é uma excepção”.

“O espectro de rádio do Swift J0243 é o mesmo de jactos de outras fontes e evolui da mesma maneira”, disse Van den Eijnden. “Pela primeira vez, observamos um jacto de uma estrela de neutrões com um forte campo magnético.” As conclusões foram publicadas recentemente na revista Nature.

Aliás, não é um campo magnético forte qualquer: o campo magnético ao redor Swift J0243.6 + 6124 da estrela de neutrões é de 10 biliões de vezes mais forte do que o do Sol. Esta característica desmente a teoria do campo magnético sobre a supressão de jactos e apela a uma nova investigação em torno de como são produzidos e lançados os jactos.

Até agora, pensava-se que os jactos das estrelas de neutrões eram canalizados a partir do campo magnético na parte interna do disco de acreção. Mas se o campo magnético for muito forte, poderia impedir o disco de ficar perto o suficiente para serem desencadeados. Excepto se esta nova descoberta colocar tudo o que sabíamos até hoje no lixo.

“Não sabemos qual a explicação. Mas, independentemente disso, a nossa descoberta é um grande exemplo de como a ciência funciona, com teorias a serem desenvolvidas e constantemente revistas à luz de novos resultados experimentais”, conclui Van den Eijnden.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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1080: Provável pátria do primeiro asteróide interestelar revelada

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: `Oumuamua.

Cientistas calcularam a trajectória do movimento do Oumuamua, o primeiro asteróide interestelar, mencionando alguns sistemas estelares de onde o asteróide pode ter saído em direcção ao Sol e à Terra há mais de um milhão de anos.

O astrónomo belga Olivier Hainaut e os seus colegas afirmaram que a pátria mais provável do Oumuamua poderá ser a anã vermelha HIP 3757 da constelação Cetus a 77 anos-luz da Terra.

Em Outubro do ano passado, através do telescópio automático Pan-STARRS1 foi descoberto o primeiro corpo celeste “interestelar”.

Este objecto foi classificado convencionalmente como sendo um “cometa” e recebeu o nome temporário de C/2017 U1. Depois de descoberto, dezenas de telescópios terrestres e orbitais começaram a vigiá-lo.

Antes de deixar o espaço próximo da Terra, os cientistas obtiveram um grande número de imagens e dados sobre as características físicas do “migrante”, revelando que ele é mais parecido com um asteróide do que com um cometa.

O asteróide foi renomeado para 1I/2017-U1, e mais tarde baptizado de Oumuamua, que tem um significa próximo a “um mensageiro longínquo que chegou primeiro” no idioma dos habitantes nativos das ilhas havaianas.

Os cientistas contaram todas as estrelas que estavam à distância de 2 parsecs da trajectória seguida pelo cometa em direcção ao Sol e à Terra e calcularam as condições em que o objecto poderia deixar esses sistemas estelares. A investigação foi publicada a 24 de Setembro no arquivo online arXiv.org.

Segundo o cientista belga Olivier Hainaut, apenas quatro das estrelas que a trajectória do Oumuamua atravessa poderiam gerar um objecto com tal tamanho e velocidade.

Além da anã vermelha HIP 3757, a pátria do Oumuamua pode ainda ser uma estrela semelhante ao Sol, chamada HD 292249, da constelação de Monoceros a 135 anos-luz. De acordo com os astrónomos, a distância de HIP 3757 e de HD 292249 até à Terra teria levado, respectivamente, um e quatro milhões de anos a percorrer.

Na lista dos cientistas entraram mais duas estrelas — a 2MASS J0233 e a NLTT 36959, das constelações Cetus e Virgo, a 66 e 300 anos-luz da Terra. As suas características tornam-nas semelhantes ao Sol e a outras anãs amarelas e laranja.

Contudo, os astrónomos ainda não descobriram sinais de presença de outros corpos celestes pequenos nas estrelas enumeradas, por isso não se pode concluir qual das hipóteses formuladas é na verdade a pátria do Oumuamua.

Em Março de 2018, uma publicação revelou que o asteróide teria vindo, provavelmente, de um sistema binário.

Por outro lado, a diminuição do número de candidatos a esse papel permite concluir que as estrelas geram com mais frequência este tipo de “viajantes interestelar” e qual a quantidade de viajantes no Sistema Solar.

Por SN
27 Setembro, 2018

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1078: Universo paralelo com uma física diferente parece ter colidido com o nosso

Chingster23 / Flickr

Dados do telescópio Planck podem ter revelado colisão do nosso Universo com outro universo, com leis da física diferentes.

A conclusão é de uma análise feita por Ranga-Ram Chary, pesquisador do centro de dados americano telescópio Planck, na Califórnia, que pertence à Agência Espacial Europeia, ESA.

De acordo com as teorias cosmológicas modernas, que defendem que o universo em que vivemos é só uma bolha entre muitas outras, uma colisão entre universos é possível.

Este “multiverso” pode ser uma consequência da inflação cósmica, uma ideia amplamente aceite pela comunidade científica que diz que o universo primordial se expandiu exponencialmente após o Big Bang.

Uma vez iniciada, essa expansão exponencial não cessa, tornando inevitável uma imensidão de universos onde cada universo criado tem as suas próprias leis físicas que podem ser, ou não, diferentes daquelas que conhecemos.

Alguns destes universos podem ser totalmente diferentes, enquanto outros podem estar cheios de partículas e regras semelhantes ou até iguais às nossas.

Esta teoria explica porque é que as constantes físicas do nosso universo parecem estar tão sintonizadas para permitir a existência de galáxias, estrelas, planetas e até a própria vida.

Como saber se existem universos vizinhos?

Infelizmente, caso estes universos existam, neste momento, são quase impossíveis de detectar. Com o espaço entre estes universos e o nosso em expansão, a velocidade da luz – a mais elevado que nós conhecemos – é demasiado lenta para levar qualquer informação entre estas diferentes regiões.

No entanto, caso as duas bolhas – os dois universos – estejam próximas o suficiente para se tocarem, podem deixar marcas uma na outra.

Em 2007, Matthew Johnson e os seus colegas da Universidade de York, no Canadá, propuseram que essa colisão de bolhas – ou universos – poderia aparecer na radiação de fundo das micro-ondas como “sinais circulares” – algo como um anel brilhante e quente de fotões.

Passado quatro anos desta ideia inicial, em 2011 a mesma equipa propôs-se investigar estes sinais nos dados das sondas WMAP da NASA, antecessor da sonda Planck. Contudo, a investigação revelou-se um fiasco quando a equipa não encontrou os sinais que eram esperados.

A nova proposta

Agora, Ranga-Ram Chary acredita que pode ter visto uma assinatura diferente naquilo que pode ser uma colisão com um universo paralelo.

Em vez de analisar a própria radiação, Chary subtraiu-a a um modelo do céu. Em seguida, retirou também tudo o resto: estrelas, gás, poeiras e todo o tipo de objectos.

O resultado deveria ser um vazio – ruído. Mas, para seu espanto, numa certa faixa de frequência, certos pedaços do céu apareceram muito mais brilhantes do que o previsto.

Estas anomalias detectadas por Ranga-Ram Chary podem ter como causa uma “pancada” cósmica: uma colisão do nosso universo com outra parte de um outro universo.

Os pontos brilhantes detectados parecem ser de algumas centenas de milhares de anos após o Big Bang, quando electrões e protões se juntaram para criar o hidrogénio.

Como essa luz é normalmente abafada pelo brilho de fundo das micro-ondas cósmicas, esse momento da história do universo – chamado de “recombinação” – era difícil de ser detectado. Porém, a análise da Chary revelou pontos 4.500 vezes mais brilhantes do que o previsto pela teoria.

Uma explicação já avançada, sugere que o responsável pela brilho anormal é o excesso de protões e electrões deixados no ponto de contacto com o outro universo. As manchas detectadas por Chary exigem, assim, que o universo do outro lado da colisão tenha aproximadamente mil vezes mais partículas do que o nosso.

As dúvidas

Apesar da proposta apresentada, existem ainda algumas ressalvas quanto à teoria e, por isso, ainda é cedo para afirmar o que é que estas manchas realmente significam.

Em 2014, uma equipa de astrónomos utilizou o telescópio BICEP2 no Polo Sul verificando um sinal fraco com grandes implicações cosmológicas: espirais de luz polarizada pareceram fornecer evidências para a inflação, mas acabou por se concluir que o sinal vinha de grãos de poeira dentro da nossa galáxia.

David Spergel, da Universidade de Princeton nos Estados Unidos, considerou que essa poeira poderia estar, novamente, a “nublar” as conclusões.

“Eu suspeito que valeria a pena olhar para as possibilidades alternativas. As propriedades da poeira cósmica são mais complicadas do que imaginávamos, e acho que essa é a explicação mais plausível”, afirmou.

Joseph Silk, da Universidade Johns Hopkins, também nos Estados Unidos, é ainda mais pessimista e considera o artigo de Chray uma boa análise às anomalias nos dados do Planck e diz que as reivindicações de um universo alternativo são “completamente implausíveis”.

Por ZAP
27 Setembro, 2018

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