4392: O Bennu “esconde” diferentes pedaços de outros asteróides na sua superfície

CIÊNCIA/ASTRONOMIA


– Vídeo editado através de captura de écran por não se encontrar disponibilizado o endereço original.

A espaço-nave OSIRIS-REx da NASA avistou algumas rochas de cor estranhamente clara na superfície do asteróide Bennu. Depois de algumas investigações, os cientistas descobriram a razão: são fragmentos de um asteróide totalmente diferente e muito maior.

Desde Dezembro de 2018, a pequena espaço-nave OSIRIS-REx, da NASA, tem observado de perto Bennu, um asteróide próximo da Terra com apenas 500 metros de diâmetro.

Durante as suas investigações a analisar uma série de scans da superfície de Bennu, a equipa do OSIRIS-REx ficou intrigada com umas rochas estranhas. “Encontrámos seis pedras com tamanhos de cerca de 1,5 a 4,3 metros espalhadas pelo hemisfério sul de Bennu e perto do equador”, disse Daniella DellaGiustina, do Laboratório Lunar & Planetário da Universidade do Arizona, em comunicado da NASA. “Estas rochas são muito mais brilhantes do que o resto de Bennu e combinam com o material de Vesta”.

De acordo com os scans feitos pelo conjunto de câmaras da OSIRIS-REx, as rochas pareciam ser dez vezes mais brilhantes do que os seus arredores.

O asteróide Vesta, descoberto há mais de 200 anos pelo astrónomo alemão Heinrich Wilhelm Matthias Olbers, é um dos maiores objectos do cinturão de asteróides, medindo mais de 500 quilómetros de comprimento. Os cientistas preveem que é responsável por cerca de 9% da massa de todo o cinturão de asteróides.

Ao analisar as leituras do espectrómetro do OSIRIS, a equipa descobriu que as rochas leves provavelmente eram feitas de piroxena mineral – exactamente o tipo de material que tinha sido visto em Vesta e nos seus fragmentos menores – conhecidos como vestóides – que foram soltos quando Vesta foi bombardeado por asteróides mais pequenos.

A equipa concluiu que era improvável que as rochas brilhantes se tenham formado no próprio Bennu, porque a piroxena forma-se em temperaturas extremamente altas.

As rochas de Bennu, que contêm principalmente minerais que contém água, não teriam passado por esse tipo de temperatura. Além disso, um impacto poderoso não poderia ter resultado nessas temperaturas – na verdade, tal impacto teria acabado por separar Bennu.

Graças à descoberta, os cientistas puderam obter detalhes sobre a trajectória de Bennu – a forma como a órbita da rocha é afectada por factores que incluem forças gravitacionais de planetas próximos e pequenos impactos de asteróides. “Estudos futuros de famílias de asteróides, bem como a origem de Bennu, devem reconciliar a presença de material semelhante ao Vesta, bem como a aparente falta de outros tipos de asteróides”, disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona.

Se tudo correr conforme o planeado, o OSIRIS-REx fará a sua primeira tentativa de recolha de uma amostra em Outubro e a levará de volta à Terra em 2023. “Estamos ansiosos para a amostra, que esperançosamente contém pedaços deste tipo de rochas intrigantes”, afirmou Lauretta.

Esta não é a primeira vez que astrónomos avistam pedaços de um asteróide na superfície de outro. A nave espacial Hayabusa 2 da agência espacial japonesa avistou um material mais escuro de um asteróide “tipo S” no asteróide “tipo C” Ryugu, muito mais escuro, em 2018.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

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4391: Poderá ter sido descoberto o primeiro planeta de outra galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Carsten Frenzl / Flickr
Galáxia de Whirlpool

Um enorme planeta poderá estar a orbitar um sistema estelar binário, numa galáxia muito longe da nossa. Se este planeta for real, poderá ser o mundo mais distante alguma vez descoberto.

De acordo com a Futurism, que cita a New Scientist, cientistas do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, afirmam ter descoberto o que poderá ser o primeiro exoplaneta numa galáxia diferente.

A equipa liderada por Rosanne Di Stefano encontrou evidências de que um objecto do tamanho de Saturno, potencialmente um gigante gasoso – chamado M51-ULS-1b – passou à frente de uma das estrelas do seu sistema binário, na galáxia Whirlpool.

Na nossa própria galáxia – a Via Láctea – podem existir milhares de milhões de planetas que orbitam uma estrela diferente. Mas encontrar novos mundos noutras galáxias, é uma tarefa mais difícil. Ao longo dos anos, alguns cientistas encontraram sinais de exoplanetas noutras galáxias, mas essas teorias nunca foram confirmadas.

“É emocionante, mas não inesperado”, disse à New Scientist Angelle Tanner, astrónomo da Universidade do Estado do Mississippi, que não participou no estudo. “Não há absolutamente nenhuma razão para pensar que não existem planetas noutras galáxias”, concluiu.

No entanto, a confirmação da existência do M51-ULS-1b poderá estar a décadas de distância. Segundo explica a New Scientist, o exoplaneta estará a orbitar a estrela à mesma distância que Saturno orbita o Sol, o que significa que pode levar décadas até dar uma volta completa e voltar a passar no mesmo sítio. O que será essencial para os cientistas confirmarem a sua descoberta.

Milhares de exoplanetas da Via Láctea podem ser feitos de diamantes

No Sistema Solar, os planetas, mas estão limitados pela composição do Sol, uma vez que os corpos espaciais são feitos…

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ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

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O primeiro “Neptuno Ultra-Quente”, LTT 9779b, é um dos planetas mais improváveis da natureza

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do Neptuno Ultra-Quente.
Crédito: Ricardo Ramirez

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo um grupo da Universidade de Warwick, descobriu o primeiro planeta “Neptuno Ultra-Quente” em órbita da estrela próxima LTT 9779.

O exoplaneta orbita tão perto da sua estrela que o seu ano dura apenas 19 horas, o que significa que a radiação estelar aquece o planeta a mais de 1700 graus Celsius.

A estas temperaturas, os elementos pesados como o ferro podem ser ionizados na atmosfera e as moléculas desassociadas, fornecendo um laboratório único para estudar a química de planetas para lá do nosso Sistema Solar.

Embora o mundo tenha o dobro da massa de Neptuno, é também ligeiramente maior e tem uma densidade semelhante. Portanto, LTT 9779b deve ter um núcleo enorme com cerca de 28 massas terrestres e uma atmosfera que representa cerca de 9% da massa planetária total.

O sistema propriamente dito tem aproximadamente metade da idade do Sol, com 2 mil milhões de anos, e dada a intensa radiação, não seria de esperar que um planeta parecido com Neptuno mantivesse a sua atmosfera por tanto tempo, fornecendo um quebra-cabeças intrigante para resolver; como é que surgiu um sistema tão improvável.

LTT 9779 é uma estrela parecida com o Sol localizada a uma distância de 260 anos-luz, perto em termos astronómicos. É super-rica em metais, tendo na sua atmosfera o dobro do ferro do que o Sol. Este pode ser um indicador chave de que o planeta era originalmente um gigante gasoso muito maior, já que estes corpos se formam preferencialmente perto de estrelas com as maiores abundâncias de ferro.

As indicações iniciais da existência do planeta foram feitas usando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), como parte da sua missão para descobrir pequenos planetas em trânsito orbitando estrelas brilhantes e nas proximidades por todo o céu. Estes trânsitos são encontrados quando um planeta passa directamente em frente da sua estrela hospedeira, bloqueando parte da luz estelar, e a quantidade de luz bloqueada revela o tamanho do companheiro. Mundos como estes, uma vez totalmente confirmados, podem permitir que os astrónomos investiguem as suas atmosferas, proporcionando uma compreensão mais profunda dos processos de formação e evolução planetária.

O sinal de trânsito foi rapidamente confirmado no início de Novembro de 2018 como proveniente de um corpo de massa planetária, usando observações obtidas com o instrumento HARPS (High Accuracy Radial-velocity Planet Searcher), acoplado ao telescópio de 3,6 metros no Observatório de la Silla do ESO no norte do Chile. O HARPS usa o efeito Doppler para medir as massas de planetas e características orbitais como o período. Quando são encontrados objectos em trânsito, as medições Doppler podem ser organizadas para confirmar a natureza planetária de uma maneira eficiente. No caso de LTT 9779b, a equipa conseguiu confirmar a existência do planeta após apenas uma semana de observações.

A Universidade de Warwick é uma instituição líder do consórcio NGTS (Next-Generation Transit Survey), cujos telescópios no Paranal, Chile, fizeram observações de acompanhamento para ajudar a confirmar a descoberta do planeta. O Dr. George King, do Departamento de Física, trabalhou na análise dos resultados.

Ele disse: “Ficámos muito satisfeitos quando os nossos telescópios NGTS confirmaram o sinal de trânsito deste novo planeta emocionante. A queda no brilho é de apenas dois décimos de um por cento, e muito poucos telescópios são capazes de fazer medições tão precisas.”

O professor James Jenkins do Departamento de Astronomia da Universidade do Chile, que liderou a equipa, acrescentou: “A descoberta de LTT 9779b, tão cedo na missão do TESS, foi uma surpresa completa: uma aposta que valeu a pena. A maioria dos eventos de trânsito com períodos inferiores a um dia tendem a ser falsos positivos, normalmente estrelas binárias eclipsantes de fundo.”

LTT 9779b é de facto raro, existindo numa região esparsamente povoada do espaço paramétrico planetário. “O planeta existe no que é conhecido como o ‘Deserto de Neptuno’, uma região desprovida de planetas quando olhamos para a população de massas e tamanhos planetários. Embora os gigantes gelados pareçam ser um subproduto bastante comum do processo de formação de planetas, este não é o caso muito perto das suas estrelas. Nós pensamos que estes planetas perdem a sua atmosfera ao longo do tempo cósmico, transformando-se no que chamamos de Planetas de Período Ultra-curto,” explicou Jenkins.

Os cálculos do Dr. King confirmaram que LTT 9779b deveria ter despojado a sua atmosfera através de um processo chamado foto-evaporação. Ele salientou: “os intensos raios-X e raios ultravioleta da jovem estrela-mãe terão aquecido a atmosfera superior do planeta e devem ter levado os gases atmosféricos para o espaço”. Por outro lado, os cálculos do Dr. King mostraram que não havia aquecimento de raios-X suficiente para LTT 9779b ter começado como um gigante gasoso muito mais massivo. “A foto-evaporação deveria ter resultado numa rocha nua ou num gigante gasoso,” explicou. “O que significa que deve haver algo novo e invulgar que temos de tentar explicar no que toca à história deste planeta.”

O professor Jenkins observou: “Os modelos de estrutura planetária dizem-nos que o planeta é um mundo dominado por um núcleo gigante mas, crucialmente, deve haver duas a três massas terrestres de gás atmosférico. Mas se a estrela é tão velha, porque é que existe uma atmosfera sequer? Bem, se LTT 9779b começou a vida como um gigante gasoso, então um processo chamado Fluxo do Lóbulo de Roche poderia ter transferido quantidades significativas de gás atmosférico para a estrela.”

O Fluxo do Lóbulo de Roche é um processo pelo qual um planeta chega tão perto da sua estrela que a gravidade mais forte da estrela pode capturar as camadas externas do planeta, fazendo com que sejam transferidas para a estrela e, assim, diminuindo significativamente a massa do planeta. Os modelos preveem resultados semelhantes aos do sistema LTT 9779, mas também requerem alguns ajustes.

“Também pode ser que LTT 9779b tenha chegado à sua órbita actual bastante tarde e, portanto, não tenha tido tempo para ficar sem atmosfera. As colisões com outros planetas no sistema podem tê-lo jogado na direcção da estrela. Na verdade, por ser um mundo tão único e raro, podem ser plausíveis cenários mais exóticos,” acrescentou Jenkins.

Uma vez que o planeta parece ter uma atmosfera significativa e dado que orbita uma estrela relativamente brilhante, estudos futuros da atmosfera planetária podem desvendar alguns dos mistérios relacionados com a formação deste género de exoplanetas, como evoluem e os detalhes da sua composição. Jenkins concluiu: “O planeta é muito quente, o que motiva a busca por elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio, juntamente com núcleos atómicos ionizados. É preocupante pensar que este ‘planeta improvável’ é provavelmente tão raro que não encontraremos outro laboratório igual para estudar em detalhe a natureza dos Neptunos Ultra-Quentes. Portanto, devemos extrair cada grama de conhecimento que pudermos deste diamante em bruto, observando-o com instrumentos espaciais e no solo ao longo dos próximos anos.”

Astronomia On-line
25 de Setembro de 2020

 

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4383: Cientistas medem, pela primeira vez, a distância até um magnetar na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO

Com a ajuda do observatório Very Long Baseline Array (VLBA), uma equipa de astrónomos conseguiu medir, pela primeira vez, a distância até ao magnetar XTE J1810-197, localizado na Via Láctea. 

Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões, com um campo magnético bastante forte, capazes de emitir raios X e raios gama. Aliás, é por esse motivo que muitos cientistas pensam que os magnetares são os responsáveis pelas rajadas rápidas de rádio (FRBs).

Nesta nova investigação, cujo artigo científico foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a equipa de cientistas analisou o XTE J1810-197 durante 2019 e 2020, observando-o em lados opostos na órbita da Terra durante o trajecto em torno do Sol. Os investigadores notaram uma pequena mudança no efeito paralaxe, isto é, a posição que o objecto aparenta ter em relação a outros no fundo, mais distantes.

Através da paralaxe, é possível calcular a distância directa do objecto.

De acordo com o Tech Explorist, esta é a primeira medida do paralaxe de um magnetar, e revela que XTE J1810-197 está entre os magnetares mais próximos conhecidos – a “apenas” 1.800 anos-luz.

“Ter uma distância precisa deste magnetar significa que podemos calcular a força dos pulsos de rádio vindos deste corpo celeste. Se ele emitir uma FRB, vamos descobrir a força do pulso”, resumiu Adam Deller, membro da Universidade de Tecnologia da Austrália.

O XTE J1810-197 é um dos seis conhecidos que emite pulsos de ondas de rádio. O magnetar ficou activo de 2003 a 2008 e fez um intervalo longo de dez anos na sua actividade. Em Dezembro de 2019, “ressuscitou” e voltou a emitir ondas de rádio.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2020

 

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4378: Terra Pi: cientistas descobrem planeta que completa uma órbita em 3.14 dias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Recebemos diariamente novidades de descobertas feitas no Espaço, que o vão desconstruindo e nos fazem percebe-lo cada vez melhor. Agora, uma equipa de cientistas descobriu um planeta do tamanho da Terra que se desloca à volta da sua estrela durante 3,14 dias.

Num cruzamento entre a matemática e a astronomia, os cientistas apelidaram-no de Terra Pi (pi Earth).

Um novo planeta que abraça matematicamente a sua estrela 

Recuando a 2017, um grupo de cientistas do MIT descobriu sinais do planeta, em dados obtidos durante a missão Kepler Space Telescope’s K2 da NASA. Este ano, a equipa confirmou que os sinais outrora detectados correspondiam a um planeta que estava a orbitar a sua estrela. Aliás, esse agora chamado de Terra Pi ainda hoje demora 3,14 dias a orbitar a sua estrela.

Conforme os dados disponíveis, o Terra Pi adquiriu o rótulo de K2-315b. Assim, é o 315º sistema planetário descoberto através dos dados do K2. Ademais, os investigadores acreditam que o seu tamanho seja muito semelhante ao da nossa Terra. Além disso orbita a sua estrela fria de massa baixa, que representa um quinto do tamanho do Sol.

Apesar da sua massa estar ainda por determinar, os cientistas consideram que o Terra Pi é terrestre, assim como o nosso planeta. Como referimos, completa uma volta à sua estrela em 3,14 dias, a cerca de 81 quilómetros por segundo.

Apesar de ser terrestre, o planeta não é habitável. Isto, porque orbita a sua estrela suficientemente perto para o aquecer acima de 170º C.

SPECULOOS e MIT na frente desta descoberta

Os investigadores do MIT, responsáveis pela descoberta do Terra Pi, são membros da SPECULOOS (The Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars). Por isso, têm à sua disposição 4 telescópios no Atacama Desert, no Chile, para o hemisfério sul. Ademais, têm acesso a um outro, recentemente adicionado, voltado para o hemisfério norte.

Este sistema de telescópios foi concebido para procurar planetas semelhantes ao nosso nas proximidades, como é o caso do Terra Pi. Assim, os astrónomos podem encontra-los e pesquisar sobre a sua atmosfera e as suas características próprias.

Assim, os investigadores do MIT admitem que o Terra Pi poderá ser um promissor candidato para ser seguido pelo James Webb Space Telescope (JWST). Para já a equipa continua a pesquisar outros dados que se possam juntar aos que já possuem.

Autor: Ana Sofia
23 Set 2020

 

spacenews

 

4377: Terra vai ter em Dezembro uma estranha “mini lua” na sua órbita

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este fenómeno não é estranho, embora desperte várias perguntas ainda por responder. Contudo, tal como no passado, no próximo mês de Dezembro, a Terra irá ter uma nova Lua. Não será um astro como o nosso satélite natural, que nos acompanha há milhões de anos, mas é um novo companheiro. Sim, vem na nossa direcção um “objecto”, mas que vai ter um comportamento diferente e é apelidado de mini-lua.

Será um asteróide? Poderá ser, mas não parece. Será algo extraterrestre? Também não tem tais características, parece ser algo mais “mundano”!

Será um cometa, um asteroide… será um extraterrestre?

Quando estes objectos são detectados, as contas são feitas numa grande velocidade para que se perceba qual será o seu caminho, ao passar pela nossa vizinhança. Embora seja um fenómeno mais ou menos compreendido pelo homem, na realidade só conseguimos confirmar duas destas mini-luas: 2006 RH120, que nos visitou em 2006 e 2007; e 2020 CD3, na órbita da Terra de 2018 a 2020.

A Terra tem uma nova pequena Lua, mas será por pouco tempo

A nossa Lua tem agora uma companhia. A força gravítica da Terra puxou para perto de si um asteróide. Os astrónomos no Catalina Sky Survey, no Arizona, avistaram no passado dia 15 de Fevereiro … Continue a ler A Terra tem uma nova pequena Lua, mas será por pouco tempo

Agora, os astrónomos detectaram um novo objecto, chamado 2020 SO. Este eventual astro tem uma trajectória de entrada que provavelmente fará com que a gravidade da Terra “capture” este objecto a partir do próximo mês de Outubro até maio de 2021.

Objecto que tem uma órbita caótica

As contas que se fizeram, aquelas muito rápidas, levaram a que as simulações mostrassem a trajectória do objecto. Segundo o professor de física e astrofísico Tony Dune, esta mini-lua “terá um caminho altamente caótico”. Portanto, o seu caminho terá que ser submetido a várias revisões enquanto estiver próximo. Nada é dado como totalmente certo.

Não será um asteróide a passar muito perto da Terra?

Segundo a classificação feita pela NASA, 2020 SO foi classificado como um asteróide do tipo Apolo, uma classe de asteróides cujo caminho atravessa a órbita da Terra. Conforme temos visto, estes corpos rodeiam frequentemente o nosso planeta, mas este tem especificamente algumas peculiaridades: a órbita é semelhante à Terra e a baixa velocidade de 2020 SO sugerem que não é realmente um asteróide.

Na verdade, as suas características, segundo os especialistas, são mais consistentes com algo criado pelo homem. Os objectos vindos da Lua também têm uma velocidade mais lenta do que os asteróides, mas este objecto é ainda mais lento.

É por isso que tudo aponta para que estejamos perante lixo espacial. Muito provavelmente será uma secção de um foguete Atlas-Centaur que lançou uma carga experimental chamada Surveyor 2 à Lua em Setembro de 1966, explicada pelo astrónomo Paul Chodas do JPL da NASA.

Esta explicação tem algum cabimento porque durante décadas uma espécie de foguetes com múltiplas fases (algo como peças “destacáveis”) foram usados à medida que a viagem progredia. A fase de reforço regressa à Terra e é reutilizada, mas o resto permanece no espaço. E há muitos destes objectos pelo espaço, além de que são muito fáceis de perder pelos radares humanos, o que explicaria que não tinha sido detectado antes.

Astrónomos apostam as fichas em como é uma secção de um foguete Atlas-Centaur

Conforme é explicado, o tamanho estimado do objecto 2020 SO corresponde ao tamanho de uma destas etapas do Centaur dos anos 60. De acordo com a base de dados CNEOS da NASA, o objecto mede entre 6,4 e 14 metros de comprimento (um Centauro mede 12,68 metros). Além disso, esta base de dados diz que este objecto provavelmente fará duas voltas perto da Terra. No dia 1 de Dezembro de 2020, passará a uma distância de cerca de 50.000 quilómetros. Por volta de 2 de Fevereiro de 2021, voará a 220.000 km.

Nem está perto o suficiente para entrar na atmosfera da Terra, por isso o objecto não representa nenhum perigo. Mas estas distâncias, particularmente a uma velocidade lenta, podem ser suficientes para estudá-lo mais de perto e determinar o que é o SO 2020.

Pplware
Autor: Vítor M.
23 Set 2020

 

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4372: Deserto Neptuniano: Astrónomos descobriram um novo exoplaneta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Que o Universo é gigante já todos sabemos. Aliás, sabemos também que, dele, conhecemos muito pouco e que representa ainda uma incógnita muito grande. No entanto, a tecnologia permite que este seja cada vez mais explorado e, assim, vão sendo encontradas novidades, como um planeta ou um exoplaneta, que despertam curiosidade nos especialistas.

Assim sendo, uma equipa de astrónomos descobriu um novo exoplaneta no Deserto Neptuniano.

Novo exoplaneta espoleta curiosidade

A descoberta foi feita por astrónomos conduziu uma investigação que os levou até ao LTT 9779 b. Além de se tratar de um novo tipo de planeta, ainda foi descoberto no chamado Deserto Neptuniano. Ademais, as suas características tornam-se impressionante e curioso, na perspectiva dos astrónomos.

O LTT 9779 b orbita extremamente perto da sua estrela e o seu ano dura cerca de 19 horas. Além disso, a temperatura deste novo exoplaneta sobe aos 1700º Celsius, mantendo, ainda assim, a sua atmosfera.

Conforme ficou conhecido, o LTT 9779 b é “o primeiro Neptuno ultra quente” da história da astrofísica. Então, está localizado a 260 anos-luz da nossa Terra e atinge temperaturas absurdamente altas.

De acordo com os astrónomos que descobriram este novo exoplaneta LTT 9779 b, esta novidade era improvável, por ter sido feita numa área de baixa densidade planetária. A dirigi-la estão James Jenkins, do Departamento de Astronomia da Universidade do Chile, e Matías Díaz, doutorado em Astronomia na mesma universidade. Ambos recolheram informações sobre o LTT 9779 b através do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS).

O novo exoplaneta foi descoberto numa área com metade da idade do nosso Sol, o Deserto Neptuniano, ou seja, cerca de 2 milhões de anos de idade. Segundo Jenkins, a descoberta deste novo exoplaneta irá permitir que os astrónomos compreendam mais sobre a química e os processos físicos das atmosferas dos planetas com características semelhantes.

PPlware
Autor: Ana Sofia
22 Set 2020

 

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4371: VLBA faz primeira medição directa da distância até um magnetar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de um magnetar – uma estrela de neutrões super-densa com um campo magnético extremamente forte. Nesta imagem, o magnetar está a emitir um surto de radiação.
Crédito: Sophia Dagnello, NRAO/AUI/NSF

Usando o VLBA (Very Long Baseline Array) da NSF (National Science Foundation), astrónomos fizeram a primeira medição geométrica directa da distância até um magnetar dentro da nossa Galáxia, a Via Láctea – uma medição que pode ajudar a determinar se os magnetares são as fontes das há muito misteriosas FRBs (Fast Radio Bursts, em português “rajadas rápidas de rádio”).

Os magnetares são uma variedade de estrelas de neutrões – os remanescentes super-densos de estrelas massivas que explodiram como super-novas – com campos magnéticos extremamente fortes. Um campo magnético típico de um magnetar é um bilião de vezes mais forte do que o campo magnético da Terra, tornando os magnetares os objectos mais magnéticos do Universo. Podem emitir fortes rajadas de raios-X e raios-gama, e recentemente tornaram-se candidatos principais para as fontes de FRBs.

Um magnetar chamado XTE J1810-197, descoberto em 2003, foi o primeiro de apenas seis destes objectos encontrados a emitir pulsos de rádio. Fê-lo de 2003 a 2008, depois cessou por uma década. Em Dezembro de 2018, retomou a emissão de brilhantes pulsos de rádio.

Uma equipa de astrónomos usou o VLBA para observar regularmente XTE J1810-197 de Janeiro a Novembro de 2019, e novamente durante Março e Abril de 2020. Ao visualizarem o magnetar de lados opostos da órbita da Terra em torno do Sol, foram capazes de detectar uma ligeira mudança na sua posição aparente em relação a objectos de fundo muito mais distantes. Este efeito, chamado de paralaxe, permite que os astrónomos usem a geometria para calcular diretamente a distância ao objecto.

“Esta é a primeira medição de paralaxe para um magnetar, e mostra que está entre os magnetares mais próximos conhecidos – cerca de 8100 anos-luz – tornando-o um alvo principal para estudos futuros,” disse Hao Ding, estudante da Universidade Swinburne de Tecnologia na Austrália.

No dia 28 de Abril, um magnetar diferente, chamado SGR 1935+2154, emitiu um breve surto de rádio que foi o mais forte já registado na Via Láctea. Embora não seja tão forte quanto as FRBs vindas de outras galáxias, esta explosão sugeriu aos astrónomos que os magnetares podiam gerar FRBs.

As rajadas rápidas de rádio foram descobertas pela primeira vez em 2007. São muito energéticas e duram no máximo alguns milissegundos. A maioria veio de fora da Via Láctea. A sua origem permanece desconhecida, mas as suas características indicam que o ambiente extremo de um magnetar pode gerá-las.

“Ter uma distância precisa até este magnetar significa que podemos calcular com precisão a força dos seus pulsos de rádio. Se emitir algo semelhante a uma FRB, saberemos quão forte é esse pulso,” disse Adam Deller, também da Universidade Swinburne. “As FRBs variam na sua força, de modo que gostaríamos de saber se um pulso magnetar chega perto ou se sobrepõe à força das FRBs conhecidas”, acrescentou.

“A chave para responder a esta questão será obter mais medições de distâncias para outros magnetares, para que possamos expandir a nossa amostra e obter mais dados. O VLBA é a ferramenta ideal para fazer isto,” disse Walter Brisken, do NRAO (National Radio Astronomy Observatory).

Além disso, “sabemos que os pulsares, como o da famosa Nebulosa do Caranguejo, emitem ‘pulsos gigantes’, muito mais fortes do que os normais. A determinação das distâncias destes magnetares vai ajudar-nos a entender este fenómeno, e a aprender se talvez as FRBs sejam o exemplo mais extremo de pulsos gigantes,” disse Ding.

O objectivo final é determinar o mecanismo exacto que produz as rajadas rápidas de rádio, disseram os cientistas.

Ding, Deller, Brisken e colegas relataram os seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

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4370: Rochas antigas e estratificadas de Vénus apontam para origem vulcânica

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem simulada aérea de Tellus Tessera, uma das regiões de Vénus onde Byrne et al. identificam a presença de estratificação.
Crédito: Byrne et al., NASA (Magellan)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu que alguns dos terrenos mais antigos de Vénus, conhecidos como “tesserae”, têm camadas que parecem consistentes com actividade vulcânica. A descoberta pode fornecer informações sobre a enigmática história geológica do planeta.

As “tesserae” são regiões tectonicamente deformadas na superfície de Vénus, frequentemente mais elevadas do que a paisagem circundante. Compreendem cerca de 7% da superfície do planeta e são sempre a característica mais antiga das suas imediações, com mais ou menos 750 milhões de anos. Num novo estudo publicado na revista Geology, os investigadores mostram que uma parte significativa das “tesserae” têm estrias consistentes com camadas.

“Geralmente, há duas explicações para as ‘tesserae’ – ou são feitas de rochas vulcânicas ou são contrapartes da crosta continental da Terra,” diz Paul Byrne, professor associado de ciência planetária da Universidade Estatal da Carolina do Norte e autor principal do estudo. “Mas as camadas que encontramos em algumas das ‘tesserae’ não são consistentes com a explicação da crosta continental.”

A equipa analisou imagens da superfície de Vénus obtidas pela missão Magellan da NASA em 1989, que usou radar para fotografar 98% do planeta através da sua atmosfera densa. Embora os cientistas tenham estudado as ‘tesserae’ durante décadas, antes deste trabalho, a estratificação das ‘tesserae’ não foi reconhecida como generalizada. E, segundo Byrne, essa estratificação não seria possível se as ‘tesserae’ fossem porções da crosta continental.

“A crosta continental é composta principalmente de granito, uma rocha ígnea formada quando as placas tectónicas se movem e a água é subduzida da superfície,” diz Byrne. “Mas o granito não forma camadas. Se houver crosta continental em Vénus, então é abaixo das camadas de rochas que vemos.

“Além da actividade vulcânica, a outra forma de fazer rochas em camadas é por meio de depósitos sedimentares, como arenito ou calcário. Não há um único lugar hoje em Vénus onde estes tipos de rochas possam formar-se. A superfície de Vénus é tão quente quanto um forno e a pressão é equivalente a 900 metros debaixo de água. Portanto, as evidências agora apontam para algumas porções das ‘tesserae’ sendo feitas de rochas vulcânicas em camadas, semelhantes às encontradas na Terra.”

Byrne espera que o trabalho ajude a esclarecer mais sobre a complicada história geológica de Vénus.

“Embora os dados que temos agora apontem para as origens vulcânicas das ‘tesserae’, se um dia pudéssemos recolher amostras e descobrir que são rochas sedimentares, então teriam que ter sido formadas quando o clima era muito diferente – talvez até mesmo como o da Terra,” diz Byrne.

“Vénus hoje é um inferno, mas não sabemos se foi sempre assim. Será que já foi como a Terra, mas sofreu erupções vulcânicas catastróficas que arruinaram o planeta? De momento não podemos dizer com certeza, mas o facto das ‘tesserae’ terem camadas restringe as potenciais origens desta rocha.”

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

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4369: Astrónomos capturam ventos estelares em detalhes sem precedentes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta galeria de imagens de ventos estelares em torno de estrelas velhas e frias mostra uma variedade de morfologias, incluindo discos, cones e espirais. A cor azul representa o material que vem na nossa direcção; o vermelho é material que se move para longe de nós.
Crédito: L. Decin, ESO/ALMA

Astrónomos apresentaram uma explicação para as formas hipnotizantes das nebulosas planetárias. A descoberta é baseada num extraordinário conjunto de observações de ventos estelares em torno de estrelas envelhecidas.

Ao contrário do consenso comum, a equipa descobriu que os ventos estelares não são esféricos, mas têm um formato semelhante ao das nebulosas planetárias. A equipa conclui que a interacção com uma estrela ou exoplaneta acompanhante molda tanto os ventos estelares quanto as nebulosas planetárias. Os resultados foram publicados na revista Science.

As estrelas moribundas incham e arrefecem para eventualmente se tornarem gigantes vermelhas. Produzem ventos estelares, fluxos de partículas que a estrela expele, o que faz com que percam massa. Tendo em conta que faltavam observações detalhadas, os astrónomos sempre assumiram que estes ventos eram esféricos, como as estrelas que rodeiam. À medida que a estrela evolui mais, ela aquece novamente e a radiação estelar faz com que as camadas ejectadas de material estelar em expansão brilhem, formando uma nebulosa planetária.

Durante séculos, os astrónomos estiveram no “escuro” no que toca à variedade extraordinária de formas coloridas das nebulosas planetárias que foram observadas. Todas as nebulosas parecem ter uma certa simetria, mas quase nunca são redondas. “O Sol – que antes do fim se tornará uma gigante vermelha – é redondo como uma bola de bilhar, por isso perguntámo-nos: como é que uma estrela pode produzir todas estas formas diferentes?” diz a autora Leen Decin (Universidade Católica de Leuven).

A sua equipa observou ventos estelares em torno de estrelas gigantes vermelhas frias com o observatório ALMA no Chile, o maior radiotelescópio do mundo. Pela primeira vez, reuniram uma colecção grande e detalhada de observações, cada uma feita usando exactamente o mesmo método. Isto foi crucial para poder comparar directamente os dados e excluir vieses.

O que os astrónomos viram surpreendeu-os. “Notámos que estes ventos são tudo menos simétricos ou redondos,” diz a professora Decin. “Alguns são bastante semelhantes em forma às nebulosas planetárias.”

Companheiros

Os astrónomos podiam até identificar diferentes categorias de formas. “Alguns ventos estelares eram em forma de disco, outros continham espirais e, num terceiro grupo, identificámos cones.” Esta é uma indicação clara de que as formas não foram criadas aleatoriamente. A equipa percebeu que outras estrelas de baixa massa, ou até mesmo planetas massivos nas proximidades da estrela moribunda, estavam a provocar os diferentes padrões. Estes companheiros são demasiado pequenos e ténues para detectar directamente. “Assim como uma colher que usamos para misturar uma chávena de café com um pouco de leite pode criar um padrão em espiral, a companheira suga o material na sua direcção enquanto gira em torno da estrela e esculpe o vento estelar,” explica Decin.

A equipa colocou esta teoria em modelos e de facto: a forma dos ventos estelares pode ser explicada pelas companheiras que os rodeiam, e o ritmo no qual a estrela evoluída fria está a perder a sua massa devido ao vento estelar é um parâmetro importante. Decin: “Todas as nossas observações podem ser explicadas pelo facto de que as estrelas têm uma companheira”.

Até agora, os cálculos sobre a evolução das estrelas baseavam-se na suposição de que estrelas envelhecidas como o Sol têm ventos estelares esféricos. “As nossas descobertas mudam muito. Uma vez que a complexidade dos ventos estelares não foi contabilizada no passado, qualquer estimativa anterior do ritmo de perda de massa de estrelas velhas pode estar errada até um factor de 10.” A equipa está agora a fazer investigações adicionais para ver como isto pode impactar os cálculos de outras características cruciais da evolução estelar e galáctica.

O futuro do Sol

O estudo também ajuda a imaginar o aspecto do Sol quando este morrer daqui a 7000 milhões de anos. “Júpiter ou mesmo Saturno – dado que têm uma massa tão grande – vão influenciar se o Sol passa os seus últimos milénios no coração de uma espiral, de uma borboleta ou de qualquer outra forma fascinante que vemos nas nebulosas planetárias de hoje,” realça Decin. “Os nossos cálculos indicam que se formará uma fraca espiral no vento estelar do velho e moribundo Sol.”

“Ficámos muito entusiasmados quando explorámos as primeiras imagens,” diz o co-autor Miguel Montargès da mesma universidade. “Cada estrela, que antes era apenas um número, tornou-se um indivíduo. Agora, para nós, têm uma identidade própria. Esta é a magia de ter observações de alta precisão: as estrelas deixam de ser apenas pontos.”

O estudo faz parte do projecto ATOMIUM, que visa aprender mais sobre a física e sobre a química das estrelas velhas. “As estrelas frias e antigas são consideradas chatas, velhas e simples, mas agora provámos que não são: contam a história do que vem depois. Demorámos algum tempo para perceber que os ventos estelares podem ter a forma de pétalas de rosa (ver, por exemplo, o vento estelar de R Aquilae) mas, como disse Antoine de Saint-Exupéry disse no seu livro ‘O Principezinho ‘: ‘Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante’,” conclui Decin.

Astronomia On-line
22 de Setembro de 2020

 

spacenews

 

4359: NASA encontra provas de “gelo fresco” na Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A sonda Cassini, que explorou Saturno durante 13 anos e que despenhou no planeta em 2017, deixou dados captados que ainda são hoje escrutinados. Então, ao escavarem nas imagens infravermelhas detalhadas da lua gelada Enceladus, os cientistas da NASA dizem ter encontrado “fortes indícios” de gelo fresco no hemisfério norte da lua.

Esta pode ser uma boa notícia para as hipóteses de vida na lua gigante, a “bola de neve” de Saturno.

NASA descobre importantes evidências de gelo em Saturno

Os cientistas analisaram os dados deixados pela Cassini sobre a Enceladus, a sexta maior Lua de Saturno. Segundo eles, o gelo, que se acredita ter origem no interior desta Lua, pode ser uma boa notícia.

Esta Lua, para os astrónomos, é considerada um dos lugares mais promissores para procurar vida no sistema solar.

Conforme é referido pela NASA, o conjunto de dados detalhados através de imagens infravermelhas foi recolhido pelo Visible and Infrared Mapping Spectrometer (VIMS) da Cassini.

A tecnologia da Cassini permitiu a leitura de comprimentos de onda variáveis, incluindo luz visível e infravermelha.

Lua de Saturno atira bolas de neve para o espaço

Em 2005, os cientistas descobriram, pela primeira vez, que Enceladus lança gigantescas plumas de grãos de gelo e vapor de um oceano subterrâneo suspeito, escondido sob uma espessa crosta de gelo.

Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas … Continue a ler Lua de Saturno Encélado está a atirar bolas de neve contra as outras luas

Portanto, os novos sinais infravermelhos combinam perfeitamente com a localização desta actividade, tornada altamente visível na forma de cortes em néon vermelho “faixa de tigre”, no Polo Sul da lua.

Características semelhantes também foram detectadas no hemisfério norte, levando os cientistas a acreditar que o mesmo processo está a acontecer em ambos os hemisférios.

O infravermelho mostra-nos que a superfície do Polo Sul é jovem, o que não é surpresa, porque sabíamos dos jactos que lançam material gelado ali.

Afirmou Gabriel Tobie, cientista do VIMS da Universidade de Nantes, num comunicado da NASA.

Conforme foi referido pelos investigadores, se as condições forem adequadas, poderão existir moléculas provenientes do oceano profundo de Enceladus. Estas moléculas podem estar na mesma via de reacção que vemos aqui na Terra.

Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra. Contudo, encontrar as moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do puzzle.

Pplware
Autor: Vítor M.
19 Set 2020

 

spacenews

 

4350: Luas de Úrano sob uma nova luz

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

As imagens mostram a posição das cinco maiores luas uranianas e as suas órbitas em torno de Úrano no dia 12 de Julho de 2011, vistas pelo Herschel. Esquerda: posições e órbitas calculadas das luas. O lado esquerdo do plano orbital aponta na nossa direcção. O tamanho dos objectos não está à escala. Direita: imagens a cores falsas do brilho infravermelho a comprimentos de onda de 70 µm após a remoção do sinal do planeta Úrano, medido com o instrumento PACS do Observatório Espacial Herschel. A forma característica dos sinais, que se assemelham com um trevo de três folhas, é um artefacto gerado pelo telescópio.
Crédito: T. Müller (HdA)/Ö. H. Detre et al./MPIA

Há mais de 230 anos, o astrónomo William Herschel descobriu o planeta Úrano e duas das suas luas. Usando o Observatório Espacial Herschel, um grupo de astrónomos liderado por Örs H. Detre do Instituto Max Planck para Astronomia conseguiu agora determinar as propriedades físicas das cinco principais luas de Úrano. A radiação infravermelha medida, gerada pelo aquecimento das suas superfícies pelo Sol, sugere que estas luas se assemelham a planetas anões como Plutão. A equipa desenvolveu uma nova técnica de análise que extraiu os sinais fracos das luas próximas a Úrano, que é mais de mil vezes mais brilhante. O estudo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Para explorar as regiões exteriores do Sistema Solar, sondas espaciais como a Voyager 1 e Voyager 2, Cassini-Huygens e New Horizons foram enviadas em longas expedições. Agora, um grupo de investigação germano-húngaro, liderado por Örs H. Detre do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, mostra que com a tecnologia e engenho apropriados, também podem ser alcançados resultados interessantes com observações de longe.

Os cientistas usaram dados do Observatório Espacial Herschel, que esteve activo entre 2009 e 2013 e cujo desenvolvimento e operação também envolveu o Instituto Max Planck. Em comparação com os seus predecessores que cobriam uma faixa espectral semelhante, as observações deste telescópio foram significativamente mais nítidas. Recebeu o seu nome em honra ao astrónomo William Herschel, que descobriu a radiação infravermelha em 1800. Alguns anos antes, também tinha descoberto o planeta Úrano e duas das suas luas (Titânia e Oberon), que agora foram exploradas em maior detalhe juntamente com outras três luas (Miranda, Ariel e Umbriel).

“Na verdade, realizámos as observações para medir a influência de fontes infravermelhas muito brilhantes, como Úrano, no detector da câmara,” explica o co-autor Ulrich Klaas, que chefiou o grupo de trabalho da câmara PACS do Observatório Espacial Herschel no Instituto Max Planck para Astronomia com a qual as imagens foram obtidas. “Nós descobrimos as luas apenas por acaso como nós adicionais no sinal extremamente brilhante do planeta.” A câmara PACS, desenvolvida sob a liderança do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre em Garching, era sensível a comprimentos de onda entre 70 e 160 µm. Isto é mais de 100 vezes maior do que o comprimento de onda da luz visível. Como resultado, as imagens do Telescópio Espacial Hubble, de tamanho idêntico ao observatório Herschel, são cerca de cem vezes mais nítidas.

Os objectos frios irradiam muito intensamente nesta gama espectral, como Úrano e as suas cinco luas, que – aquecidas pelo Sol – atingem temperaturas entre 60 e 80 K (-213 a –193 °C).

“O momento da observação também foi um golpe de sorte,” explica Thomas Müller do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. O eixo de rotação de Úrano e, portanto, também o plano orbital das suas luas, é excepcionalmente inclinado em relação à sua órbita em torno do Sol. Enquanto Úrano demora várias décadas para completar uma volta ao Sol, é principalmente o hemisfério norte ou sul que é iluminado pelo Sol. “Durante as observações, porém, a posição era tão favorável que as regiões equatoriais beneficiaram com a irradiação solar. Isto permitiu-nos medir quão bem o calor é retido numa superfície conforme se move para o lado nocturno devido ao movimento da lua. Isto ensinou-nos muito sobre a natureza do material,” explica Müller, que calculou os modelos para este estudo. Daqui, derivou as propriedades térmicas e físicas das luas.

Quando a sonda Voyager 2 passou por Úrano em 1986, a disposição dos objectos era muito menos favorável. Os instrumentos científicos só conseguiram capturar as regiões do pólo sul de Úrano e das suas luas.

Müller descobriu que estas superfícies armazenam calor inesperadamente bem e arrefecem de forma relativamente lenta. Os astrónomos conhecem este comportamento por meio de objectos compactos com uma superfície áspera e gelada. É por isso que os cientistas presumem que estas luas são corpos celestes parecidos com os planetas anões na orla do Sistema Solar, como Plutão e Haumea. Estudos independentes de algumas das luas uranianas irregulares e exteriores, que também são baseados em observações com a PACS do Herschel, indicam que têm propriedades térmicas diferentes. Estas luas mostram características dos objectos transneptunianos mais pequenos e fracamente ligados, localizados numa zona para lá do planeta Neptuno. “Isto também caberia nas especulações sobre a origem das luas irregulares,” acrescenta Müller. “Por causa das suas órbitas caóticas, presume-se que foram capturadas pelo sistema uraniano numa data posterior.”

No entanto, as cinco principais luas foram quase esquecidas. Em particular, objectos muito brilhantes como Úrano geram fortes artefactos nos dados da PACS do Herschel, que fazem com que parte da radiação infravermelha nas imagens seja distribuída em grandes áreas. Isto é quase imperceptível ao observar objectos celestes ténues. Porém, com Úrano, é ainda mais pronunciado. “As luas, que são 500 a 7400 vezes mais fracas, estão a uma distância tão pequena de Úrano que se fundem com os artefactos igualmente brilhantes. Apenas as luas mais brilhantes, Titânia e Oberon, se destacam um pouco do brilho circundante,” disse o co-autor Gábor Marton do Observatório Konkoly em Budapeste, descrevendo o desafio.

Esta descoberta acidental estimulou Örls H. Detre a tornar as luas mais visíveis para que o seu brilho pudesse ser medido com segurança. “Em casos semelhantes, como na busca por exoplanetas, usamos coronógrafos para mascarar o brilho da estrela central,” explica Detre. “Herschel não tinha um destes dispositivos. Em vez disso, aproveitámos a excelente estabilidade fotométrica do instrumento PACS”. Com base nesta estabilidade e depois de calcular as posições exactas das luas no momento das observações, ele desenvolveu um método que lhe permitiu remover Úrano dos dados. “Ficámos todos surpresos quanto apareceram claramente quatro luas nas imagens e pudemos até detectar Miranda, a mais pequena e mais interior das cinco grandes luas uranianas,” conclui Detre.

“O resultado demonstra que nem sempre precisamos de missões espaciais elaboradas para obter novas informações sobre o Sistema Solar,” realçou o co-autor Hendrik Linz do Instituto Max Planck para Astronomia. “Além disso, o novo algoritmo pode ser aplicado a outras observações que foram recolhidas em grande número no arquivo electrónico de dados da ESA. Quem sabe que surpresa ainda nos espera?”

Astronomia On-line
18 de Setembro de 2020

 

spacenews

 

4345: Descoberta acidental. As cinco maiores luas de Úrano são estranhamente parecidas com Plutão

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

New Horizons / NASA

Úrano, que se localiza na região mais escura do alcance planetário do Sistema Solar, não está sozinho. É acompanhado por 27 luas. Distantes e escuras, são difíceis de estudar, mas os astrónomos fizeram uma surpreendente descoberta acidental.

Uma equipa de investigadores usou dados do telescópio espacial europeu Herschel para estudar as luas de Úrano: Titânia, Oberon, Umbriel, Ariel e Miranda. Os cientistas conseguiram medir a forma como as luas são aquecidas pela luz do Sol, que está a cerca de três mil milhões de quilómetros de distância.

Os astrónomos descobriram que estas grandes luas armazenam o calor da superfície surpreendentemente bem e arrefecem de forma relativamente lenta.

Este perfil é semelhante àquele que os investigadores observaram além da órbita do outro gigante de gelo no nosso Sistema Solar, Neptuno, em planetas anões como Plutão e Haumea.

Essas observações contrastam com estudos independentes anteriores das luas externas e irregulares de Úrano. Estas são semelhantes aos Objectos Transneptunianos, corpos mais pequenos que orbitam as outras bordas do Sistema Solar. Essa dualidade de propriedades térmicas é mais uma evidência de que as luas irregulares podem não se ter formado com o planeta.

“Isto encaixar-se-ia com as especulações sobre a origem das luas irregulares”, disse o co-autor Thomas Müller, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em comunicado. “Por causa das suas órbitas caóticas, presume-se que foram capturados pelo sistema uraniano apenas numa data posterior.”

O estudo usou dados do agora extinto Observatório Herschel da Agência Espacial Europeia, um telescópio espacial infravermelho. Porém, obter os dados não foi fácil. O bio-marcador térmico de Úrano é extremamente brilhante. Estas cinco luas são entre 500 e 7.400 vezes mais fracas do que o planeta, por isso a equipa teve de encontrar soluções criativas para extrair o sinal fraco das luas. Ao saber exactamente onde as luas estavam localizadas, a equipa conseguiu captar todos os sinais ao redor do planeta.

“Todos ficamos surpreendidos quando quatro luas apareceram claramente nas imagens e pudemos até detectar Miranda, a mais pequena e mais interna das cinco maiores luas uranianas”, disse o autor principal Örs Detre, do Instituto Max Planck de Astronomia.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astronomy & Astrophysics.

ZAP //

Por ZAP
17 Setembro, 2020

 

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4342: Detectado primeiro planeta intacto próximo de uma estrela em fim de vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa internacional de astrónomos detectou o que pode ser o primeiro planeta intacto próximo de uma anã branca, estrela em fim de vida que normalmente destrói planetas na sua vizinhança, anunciou hoje a NASA.

© NASA

Em comunicado, a agência espacial norte-americana, que opera o telescópio TESS, um “caçador” de planetas fora do sistema solar, refere que o planeta em causa, o WD 1856b, possivelmente 14 vezes maior do que Júpiter, está a 80 anos-luz da Terra, na constelação Dragão.

O planeta extras-solar (exoplaneta) completa uma órbita à estrela WD 1856+534 ao fim de um dia e 14 horas, a uma velocidade 60 vezes superior à da órbita de Mercúrio em relação ao Sol. A anã branca é muito velha, terá dez mil milhões de anos (o universo terá 13,8 mil milhões de anos).

Justificando a relevância da descoberta, um dos astrónomos, Andrew Vanderburg, que lecciona na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, disse que “o processo de criação de uma anã branca destrói planetas próximos”.

“Qualquer coisa que depois se aproxima demasiado é normalmente despedaçada pela enorme gravidade da estrela”, acrescentou o líder da investigação, citado pela NASA.

Além do telescópio TESS, os investigadores socorreram-se de um outro telescópio espacial, o Spitzer, antes de ter passado à “reforma”, a 30 de Janeiro, para poderem fazer o estudo, uma vez que a estrela, por ser tão velha, emite uma luz ténue, dificultando o trabalho de detecção de uma alteração significativa no seu brilho provocada pela passagem de um planeta.

Os resultados do estudo são publicados na revista científica Nature.

Em Dezembro, o Observatório Europeu do Sul anunciou a descoberta do primeiro planeta gigante em torno de uma anã branca, mas que se estava a evaporar.

Em 2015 foi divulgado um estudo na Nature que reportava a descoberta de uma anã branca a “devorar” os restos de um planeta semelhante, na composição, à Terra. O estudo era igualmente coordenado por Andrew Vanderburg, que assina o trabalho hoje divulgado.

Diário de Notícias

DN/Lusa

 

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4339: Detectado o campo magnético mais forte algum vez visto no Universo

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

ESO / L. Calçada / M. Kornmesser

Uma equipa de astrónomos detectou o campo magnético mais forte alguma vez observado no Universo. É dezenas de milhões de vezes mais forte do que o que é possível gerar em laboratórios da Terra.

A equipa de astrónomos do Telescópio de Modulação de Raio X Duro (Insight-HXMT) revelou o campo magnético mais forte já detectado no Universo. Trata-se do pulsar de raios X em crescimento, GRO J1008-57.

A estrela GRO J1008-57 é um pulsar de raios-X em crescimento que emite poderosos feixes de radiação electromagnética. A GRO J1008-57 apresenta um campo magnético de aproximadamente mil milhões de Tesla na superfície da estrela de neutrões, o que é dezenas de milhões de vezes mais forte do que o que pode ser gerado em laboratórios da Terra.

“Este é até agora o campo magnético mais forte detectado conclusivamente no Universo”, escreveram os autores do estudo, que foi conduzido principalmente por cientistas do Instituto de Física de Altas Energias da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade Eberhard Karls de Tübingen na Alemanha, em comunicado.

As estrelas de neutrões têm os campos magnéticos mais fortes do universo. Binários de raios-X de estrelas de neutrões são sistemas que consistem numa estrela de neutrões e uma companheira estelar normal.

A estrela de neutrões acrescenta matéria e forma um disco de acreção circundante. Se o campo magnético for forte, a matéria agregada é canalizada por linhas magnéticas para a superfície da estrela de neutrões, resultando em radiações de raios-X. Como resultado, essas fontes também são chamadas de “pulsares”.

A descoberta foi possibilitada pelo telescópio de modulação rígida de raios-X Insight-HXMT, que é o primeiro observatório espacial chinês em órbita, compreendendo cargas úteis científicas que incluem um telescópio de alta energia, um telescópio de média energia, um telescópio de baixa energia e um monitor das proximidades do ambiente espacial.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astrophysical Journal Letters.

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2020

 

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4333: NASA observou o “Asteróide do Apocalipse” a expulsar partículas da sua superfície para o Espaço

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Quando a sonda OSIRIS-REx da NASA chegou ao asteróide Bennu, o “Asteróide do Apocalipse”, os cientistas da missão sabiam que a sua espaço-nave estava a orbitar algo especial.

Não só o asteróide, coberto de pedregulhos, tinha a forma de um diamante em bruto, como a sua superfície crepitava com actividade, espalhando pequenos pedaços de rocha pelo Espaço. Agora, depois de mais de um ano e meio perto de Bennu, estão a começar a melhor entender estes eventos dinâmicos de ejecção de partículas.

Uma colecção de estudos publicada numa edição especial da revista científica Journal of Geophysical Research: Planets aproxima-se do asteróide e destas partículas enigmáticas. Os estudos fornecem uma visão detalhada de como estas partículas agem quando no Espaço, possíveis pistas de como são ejectadas e até mesmo de como as suas trajectórias podem ser usadas para aproximar o fraco campo gravitacional de Bennu.

Normalmente, consideramos os cometas, não os asteróides, os activos. Os cometas são compostos de gelo, rocha e poeira. À medida que estes gelos são aquecidos pelo Sol, o vapor efervesce da superfície, poeira e pedaços do núcleo do cometa são perdidos para o espaço e forma-se uma longa cauda empoeirada.

Os asteróides, por outro lado, são compostos principalmente de rocha e poeira (e talvez uma quantidade mais pequena de gelo), mas acontece que algumas destas rochas espaciais também podem estar surpreendentemente activas.

“Pensávamos que a superfície coberta de rochas de Bennu era a descoberta mais incrível no asteróide, mas estes eventos de partículas definitivamente surpreenderam-nos,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx e professor da Universidade do Arizona. “Passámos o ano transacto a investigar a superfície activa de Bennu, e isso deu-nos a oportunidade notável de expandir o nosso conhecimento de como os asteróides activos se comportam.”

As câmaras da OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, and Security-Regolith Explorer) detectaram partículas de rocha sendo lançadas repetidamente para o Espaço durante um levantamento de Janeiro de 2019 do asteróide, que tem cerca de 565 metros de largura no seu equador.

Um dos estudos, liderado pelo cientista sénior Steve Chesley do JPL da NASA no sul da Califórnia, descobriu que a maioria destes pedaços de rocha do tamanho de seixos, normalmente medindo cerca de sete milímetros, foram puxados de volta para Bennu sob a fraca gravidade do asteróide após um pequeno salto, por vezes até ricocheteando de volta para o Espaço após colidir com a superfície, permanecendo em órbita por alguns dias e até 16 revoluções.

E alguns foram ejectados com força suficiente para escapar completamente dos arredores de Bennu.

Ao rastrear as viagens de centenas de partículas ejectadas, Chesley e os seus colaboradores também conseguiram entender melhor o que pode estar a provocar o lançamento das partículas da superfície de Bennu.

Os tamanhos das partículas correspondem ao que é esperado para a dilatação e fractura térmicas (pois a superfície do asteróide é repetidamente aquecida e arrefecida enquanto gira), mas os locais dos eventos de ejecção também correspondem aos locais de impacto modelados de meteoroides (pequenas rochas que atingem a superfície de Bennu enquanto orbita o Sol). Pode até ser uma combinação destes fenómenos, acrescentou Chesley.

Mas para chegar a uma resposta definitiva, são necessárias mais observações.

Embora a sua própria existência coloque várias questões científicas, as partículas também servem como sondas de alta fidelidade do campo gravitacional de Bennu. Muitas partículas orbitavam Bennu muito mais perto do que seria seguro para a nave OSIRIS-REx e, portanto, as suas trajectórias eram altamente sensíveis à gravidade irregular de Bennu. Isto permitiu aos investigadores estimar a gravidade de Bennu ainda com mais precisão do que era possível com os instrumentos da OSIRIS-REx.

“As partículas foram um presente inesperado para a ciência da gravidade em Bennu, pois permitiram-nos ver pequenas variações no campo gravitacional do asteróide que de outra forma não saberíamos,” disse Chesley.

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Em média, apenas uma ou duas partículas são ejetadas por dia, e dado que estão num ambiente de gravidade muito baixa, a maioria move-se lentamente.

Como tal, representam uma ameaça minúscula para a OSIRIS-REx, que tentará pousar brevemente no asteróide no dia 20 de Outubro para recolher material da superfície, que pode até incluir partículas que foram ejectadas antes de caírem de volta para a superfície.

Se tudo correr como planeado, a nave regressará à Terra em Setembro de 2023 com amostras de material de Bennu para os cientistas estudarem em mais pormenor.

ZAP // CCValg

Por ZAP
15 Setembro, 2020

 

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4331: Novos dados do Hubble sugerem que falta um ingrediente nas teorias actuais da matéria escura

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA mostra o enxame galáctico massivo MACSJ 1206. Embebidas dentro do enxame estão imagens distorcidas de galáxias distante no plano de fundo, vistas como arcos e características desfocadas. Estas distorções são provocadas pela matéria escura no enxame, cuja gravidade curva e amplia a luz de galáxias mais longínquas, um efeito denominado lente gravitacional. Este fenómeno permite que os astrónomos estudem galáxias remotas que, de outra maneira, seriam demasiado ténues para observar.
Sobrepostas à imagem, concentrações a pequena escala de matéria escura (representadas nesta impressão de artista a azul). A matéria escura é a “cola” invisível que mantém estrelas juntas numa galáxia e constitui a maior parte da matéria no Universo. Estes halos azuis refletem o modo como a matéria escura do enxame galáctico está distribuída, revelada pelos novos resultados do Telescópio Espacial Hubble. Isto foi alcançado por uma equipa de astrónomos que media a quantidade de lentes gravitacionais.
Crédito: NASA, ESA, G. Caminha (Universidade de Groninga), M. Meneghetti (Observatório de Astrofísica e Ciência Espacial de Bolonha), P. Natarajan (Universidade de Yale), equipa CLASH e M. Kornmesser (ESA/Hubble)

Observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e do VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile descobriram que algo pode estar a faltar às teorias de como a matéria escura se comporta. Este ingrediente ausente pode explicar a razão porque os investigadores descobriram uma discrepância inesperada entre observações de concentrações de matéria escura numa amostra de enxames de galáxias massivas e simulações teóricas de computador de como a matéria escura deve estar distribuída nos enxames. Os novos achados indicam que algumas concentrações em pequena escala de matéria escura produzem efeitos de lente que são 10 vezes mais fortes do que o esperado.

A matéria escura é a “cola” invisível que mantém estrelas, poeira e gás juntos numa galáxia. Esta substância misteriosa constitui a maior parte da massa de uma galáxia e forma a base da estrutura em grande escala do nosso Universo. Dado que a matéria escura não emite, absorve ou reflete luz, a sua presença só é conhecida por meio da sua atracção gravitacional sobre a matéria visível no espaço. Os astrónomos e físicos ainda estão a tentar definir o que é.

Os enxames galácticos, as estruturas mais massivas e recentemente “montadas” do Universo, são também os maiores repositórios de matéria escura. Os enxames são compostos de membros individuais mantidos juntos em grande parte pela gravidade da matéria escura.

“Os enxames de galáxias são laboratórios ideais para estudar se as simulações numéricas do Universo, actualmente disponíveis, reproduzem bem o que podemos inferir das lentes gravitacionais,” disse Massimo Meneghetti do INAF – Observatório de Astrofísica e Ciência Espacial de Bolonha, Itália, autor principal do estudo.

“Fizemos muitos testes com os dados deste estudo, e temos a certeza de que esta incompatibilidade indica que algum ingrediente físico está a faltar nas simulações ou no nosso entendimento da natureza da matéria escura,” acrescentou Meneghetti.

“Há uma característica do Universo real que simplesmente não estamos a capturar nos nossos modelos teóricos actuais” acrescentou Priyamvada Natarajan, da Universidade de Yale em Connecticut, EUA, uma das teóricas seniores da equipa. “Isto pode sinalizar uma lacuna na nossa compreensão actual da natureza da matéria escura e das suas propriedades, já que estes dados primorosos permitiram-nos sondar a distribuição detalhada da matéria escura às escalas mais pequenas.”

A distribuição da matéria escura em enxames é mapeada medindo a curvatura da luz – o efeito de lente gravitacional – que produzem. A gravidade da matéria escura concentrada em enxames amplia e distorce a luz de objectos de fundo distantes. Este efeito produz distorções nas formas das galáxias de fundo que aparecem nas imagens dos enxames. As lentes gravitacionais também podem frequentemente produzir imagens múltiplas da mesma galáxia distante.

Quanto maior a concentração de matéria escura num enxame, mais dramático será o seu efeito de distorção da luz. A presença de aglomerados de matéria escura em menor escala, associados a galáxias individuais dos enxames, aumenta o nível de distorções. Em certo sentido, o enxame galáctico actua como uma lente de grande escala que possui muitas lentes mais pequenas embutidas.

As imagens nítidas do Hubble foram obtidas pela WFC3 (Wide Field Camera 3) e pela ACS (Advanced Camera for Surveys). Juntamente com os espectros do VLT do ESO, a equipa produziu um mapa de matéria escura preciso e de alta fidelidade. Ao medir as distorções das lentes, os astrónomos puderam rastrear a quantidade e distribuição da matéria escura. Os três enxames de galáxias estudados, MACS J1206.2-0847, MACS J0416.1-2403 e Abell S1063, faziam parte de dois levantamentos do Hubble: o programa Frontier Fields e o programa CLASH (Cluster Lensing And Supernova survey with Hubble).

Para surpresa da equipa, além dos arcos dramáticos e características alongadas de galáxias distantes produzidas pelas lentes gravitacionais de cada enxame, as imagens do Hubble também revelaram um número inesperado de arcos de menor escala e imagens distorcidas aninhadas perto do núcleo de cada enxame, onde as galáxias mais massivas residem. Os investigadores pensam que as lentes aninhadas são produzidas pela gravidade de concentrações densas de matéria dentro de cada galáxia individual dos enxames. Observações espectroscópicas subsequentes mediram a velocidade das estrelas em órbita de várias galáxias dos enxames para determinar as suas massas.

“Os dados do Hubble e do VLT forneceram uma sinergia excelente,” partilhou o membro da equipa Piero Rosati da Università degli Studi di Ferrara em Itália, que liderou a campanha espectroscópica. “Fomos capazes de associar as galáxias a cada enxame e de estimar as suas distâncias.”

“A velocidade das estrelas deu-nos uma estimativa da massa de cada galáxia individual, incluindo a quantidade de matéria escura,” acrescentou o membro da equipa Pietro Bergamini do INAF – Observatório de Astrofísica e Ciência Espacial em Bolonha, Itália.

Combinando imagens do Hubble e espectroscopia do VLT, os astrónomos conseguiram identificar dezenas de galáxias de fundo com múltiplas imagens e lentes. Isto permitiu que “montassem” um mapa bem calibrado e de alta resolução da distribuição de massa da matéria escura em cada enxame.

A equipa comparou os mapas de matéria escura com amostras simuladas de enxames de galáxias com massas semelhantes, localizados aproximadamente às mesmas distâncias. Os enxames no modelo de computador não mostraram nenhum nível de concentração de matéria escura às escalas mais pequenas – as escalas associadas a galáxias individuais dos enxames.

“Os resultados destas análises demonstram ainda mais como as observações e simulações numéricas andam de mãos dadas,” disse Elena Rasia, membro da equipa e do INAF – Observatório Astronómico de Trieste, Itália.

“Com simulações cosmológicas avançadas, podemos igualar a qualidade das observações analisadas no nosso artigo, permitindo comparações detalhadas como nunca antes,” acrescentou Stefano Borgani da Università degli Studi di Trieste, Itália.

Os astrónomos, incluindo os desta equipa, esperam continuar a investigar a matéria escura e os seus mistérios para finalmente descobrir a sua natureza.

Astronomia On-line
15 de Setembro de 2020

 

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Censo galáctico revela origem das galáxias mais “extremas”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma imagem de campo largo da região central do enxame de Virgem, medindo 4,4 milhões de anos-luz de cada lado, pelo SDSS (Sloan Digitized Sky Survey). Estão legendadas algumas das galáxias mais brilhantes do enxame, incluindo Messier 87, ou M87, que está perto do centro do enxame. As inserções mostram imagens profundas de duas galáxias estruturalmente extremas, obtidas com a MegaCam acoplada ao CFHT como parte do levantamento NGVS. Uma anã ultra-compacta está na “mira” da inserção mais abaixo, com uma galáxia ultra-difusa na inserção de cima. Estas galáxias são quase 1000 vezes mais ténues do que as galáxias brilhantes visíveis na imagem. Embora as galáxias compactas e as galáxias difusas contenham mais ou menos o mesmo número de estrelas, e o seu brilho total seja idêntico, diferem em termos de área por mais de 20.000. As barras de escala de cada inserção representam uma distância de 10.000 anos-luz.
Crédito: SDSS, CFHT e equipa NGVS

Os astrónomos descobriram que a chave para entender as galáxias com tamanhos “extremos”, pequenas ou grandes, pode estar nos seus arredores. Em dois estudos relacionados, uma equipa internacional descobriu que as galáxias que são “ultra-compactas” ou “ultra-difusas” em relação a galáxias normais de brilho comparável parecem residir em ambientes densos, ou seja, regiões que contêm um grande número de galáxias. Isto levou a equipa a especular que estes objectos “extremos” poderiam ter começado a parecer-se com galáxias normais, mas que depois evoluíram para ter tamanhos invulgares por meio de interacções com outras galáxias.

A equipa identificou galáxias ultra-compactas e ultra-difusas como parte de um censo sem precedentes de galáxias que residem no enxame de Virgem. A investigação usou dados do NGVS (Next Generation Virgo Cluster Survey) obtido pelo CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) usando a MegaCam, uma câmara óptica de campo largo. A uma distância de 50 milhões de anos-luz, Virgem é o enxame galáctico mais próximo da Via Láctea e contém vários milhares de galáxias, a maioria das quais reveladas, pela primeira vez, nos dados do NGVS.

Os astrónomos descobriram galáxias anãs ultra-compactas (GAUs) há um quarto de século e essas são as galáxias mais densas conhecidas no Universo. Teorias concorrentes descrevem as galáxias anãs ultra-compactas como grandes enxames de estrelas ou como remanescentes de galáxias maiores que foram despojadas dos seus invólucros estelares.

“Encontrámos centenas de GAUs no vizinho enxame galáctico de Virgem, e pelo menos algumas delas parecem ter começado as suas vidas como galáxias maiores,” disse o Dr. Chengze Liu da Universidade Jiao Tong de Xangai, autor principal do primeiro estudo.

Apesar das GAUs serem semelhantes em aparência a grandes enxames de estrelas, várias GAUs neste estudo foram encontradas com invólucros estelares ténues em torno do núcleo compacto central. Estes invólucros podem ser os últimos vestígios de uma galáxia que foi gradualmente removida pelas forças gravitacionais de marés de galáxias vizinhas. Além disso, descobriu-se que as GAUs habitam preferencialmente as regiões do enxame de Virgem com as maiores densidades de galáxias. Juntas, estas evidências apontam para uma transformação induzida pelo meio ambiente como sendo responsável pela produção de algumas GAUs.

As galáxias ultra-difusas (GUs) são um mistério na outra extremidade do espectro de tamanho. São muito maiores e mais difusas do que galáxias típicas com brilho idêntico. Algumas teorias sugerem que as galáxias ultra-difusas são galáxias massivas cujo gás – combustível para a sua formação estelar – foi removido antes que muitas estrelas pudessem formar-se. Outras sugerem que já foram galáxias normais que se tornaram mais difusas por meio de fusões e interacções.

“Descobrimos que as GUs no enxame de Virgem estão mais concentradas em direcção ao núcleo denso do enxame, indicando que um ambiente denso pode ser importante para a sua formação,” disse o Dr. Sungsoon Lim da Universidade de Tampa, autor principal do segundo estudo. “A diversidade nas suas propriedades indica que, embora nenhum processo singular tenha dado origem a todos os objectos dentro da classe de GUs, pelo menos algumas destas GUs têm aparências que sugerem que a sua natureza difusa se deve a interacções de marés ou à fusão de galáxias de baixa massa.”

Outro mistério é que algumas GUs continham populações significativas de enxames globulares. “Os intensos eventos de formação estelar necessários para produzir enxames globulares geralmente tornam uma galáxia menos difusa, em vez de mais difusa, de modo que compreender como vemos enxames globulares em GUs é um desafio interessante,” disse o professor Eric Peng do Instituto Kavli para Astronomia e Astrofísica da Universidade de Pequim, co-autor de ambos os estudos.

“Para encontrar galáxias que são realmente invulgares, primeiro precisamos de entender as propriedades das chamadas galáxias normais,” disse o Dr. Patrick Côté do HAARC (Herzberg Astronomy and Astrophysics Research Center) do NRC (National Research Council), Canadá, autor dos dois estudos. “O NGVS fornece a visão mais profunda e completa de toda a população de galáxias do enxame de Virgem, permitindo-nos encontrar as galáxias mais compactas e difusas, avançando a nossa compreensão de como se encaixam no quadro geral da formação galáctica.”

Os resultados destas investigações foram apresentados em dois artigos publicados recentemente na revista The Astrophysical Journal.

Astronomia On-line
15 de Setembro de 2020

 

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4326: Descoberto possível marcador de vida em Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESO

Hoje uma equipa internacional de astrónomos anunciou a descoberta de uma molécula rara — fosfina, ou hidreto de fósforo — nas nuvens de Vénus. Na Terra, este gás só é fabricado de forma industrial ou por micróbios que se desenvolvem em ambientes anaeróbicos, ou seja, sem oxigénio. Há décadas que os astrónomos suspeitam que nas nuvens altas de Vénus poderão existir micróbios — vogando livremente e libertos da superfície abrasadora do planeta mas com capacidade para tolerar acidez muito elevada. A detecção de fosfina poderá apontar para uma tal vida “aérea” extraterrestre.

Quando descobrimos os primeiros indícios de fosfina no espectro de Vénus, ficámos em choque!”, disse a líder da equipa Jane Greaves da Universidade de Cardiff no Reino Unido, a primeira a detectar sinais de fosfina em observações levadas a cabo com o Telescópio James Clerk Maxwell (JCMT), operado pelo Observatório do Leste Asiático no Havai. Para confirmar esta descoberta foram usadas 45 antenas do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) no Chile, um telescópio muito mais sensível, do qual o ESO é parceiro. Ambas as infra-estruturas observaram Vénus a um comprimento de onda de cerca de 1 milímetro, muito mais longo do que o que pode ser visto pelo olho humano — apenas telescópios colocados a grande altitude conseguem detectar estes comprimentos de onda de forma eficaz.

A equipa internacional, que inclui investigadores do Reino Unido, Estados Unidos e Japão, estima que existe fosfina, ou hidreto de fósforo (PH3), em pequenas concentrações nas nuvens de Vénus, apenas cerca de 20 moléculas em cada milhar de milhão. No seguimento destas observações foram feitos cálculos para determinar se estas quantidades poderiam ter origem em processos naturais não biológicos existentes no planeta. Algumas ideias incluíam luz solar, minerais soprados da superfície para a atmosfera, vulcões ou relâmpagos, no entanto, concluiu-se que nenhum destes processos podia criar, nem de perto, a quantidade de fosfina observada; estas fontes não biológicas podem criar, no máximo, uma décima de milésima da quantidade de fosfina observada pelos telescópios em Vénus.

Segundo a equipa, para formar a quantidade de fosfina observada em Vénus, organismos terrestres teriam que trabalhar apenas a 10% do seu máximo de produtividade. Sabe-se que bactérias terrestres criam fosfina retirando fosfato de minerais ou material biológico, acrescentando hidrogénio e finalmente libertando fosfina. Qualquer organismo em Vénus será provavelmente muito diferente dos seus primos terrestres, mas também eles poderão ser a fonte de fosfina na atmosfera do planeta vizinho.

Apesar da descoberta de fosfina nas nuvens de Vénus ter surgido como uma surpresa, os investigadores estão confiantes da sua detecção. “Para nosso grande alívio, as condições eram as certas para a realização de observações de seguimento com o ALMA, uma vez que Vénus estava num ângulo adequado com a Terra. É verdade que o processamento dos dados foi complicado, já que o ALMA normalmente não procura efeitos subtis em objectos muito brilhantes como Vénus,” explica Anita Richards, membro da equipa a trabalhar no Centro Regional do ALMA no Reino Unido e na Universidade de Manchester. “No final, descobrimos que ambas as observações tinham visto a mesma coisa — absorção fraca no comprimento de onda certo para ser gás de fosfina, mesmo na região onde as moléculas são iluminadas por baixo por nuvens mais quentes situadas mais abaixo na atmosfera,” acrescenta Greaves, que liderou o estudo publicado hoje na revista Nature Astronomy.

Outro membro da equipa, Clara Sousa Silva do Massachusetts Institute of Technology nos Estados Unidos, investigou a fosfina como uma “bio-assinatura” de gás de vida anaeróbica em planetas que orbitam outras estrelas, uma vez que a química normal não explica bem este fenómeno. “Descobrir fosfina em Vénus constituiu um verdadeiro bónus. A descoberta levanta muitas questões, tais como é que os organismos poderão sobreviver na atmosfera do planeta vizinho. Na Terra, alguns micróbios conseguem suportar até cerca de 5% de ácido no seu meio — mas as nuvens em Vénus são praticamente só constituídas por ácido,” comenta Clara.

A equipa acredita que esta descoberta é bastante significativa, uma vez que pode já descartar muitos outros processos alternativos de formação de fosfina, no entanto reconhece que para confirmar a presença de “vida” é ainda necessário muito trabalho. Apesar das temperaturas rondarem uns simpáticos 30º Celsius nas nuvens altas de Vénus, o meio é extremamente ácido — com cerca de 90% de ácido sulfúrico — o que coloca sérias dificuldades a quaisquer micróbios que aí tentem sobreviver.

Leonardo Testi, astrónomo do ESO e Gestor de Operações do ALMA na Europa, que não participou no estudo, disse: “A produção não biológica de fosfina em Vénus está excluída no que diz respeito ao nosso conhecimento actual da química da fosfina nas atmosferas de planetas rochosos. A confirmação de existência de vida na atmosfera de Vénus constituiria um enorme avanço em astrobiologia; é por isso essencial fazer o seguimento deste intrigante resultado com estudos teóricos e observacionais para excluir a possibilidade de que a fosfina em planetas rochosos possa ter também uma origem química diferente da da na Terra.

Mais observações de Vénus e de outros planetas rochosos fora do nosso Sistema Solar, incluindo as obtidas com o futuro Extremely Large Telescope do ESO, poderão ajudar a juntar pistas de como a fosfina se forma nestes corpos e contribuir para a procura de sinais de vida para além da Terra.

Informações adicionais

Este trabalho foi descrito num artigo científico intitulado “Phosphine Gas in the Cloud Decks of Venus” publicado na revista Nature Astronomy.

A equipa é composta por Jane S. Greaves (School of Physics & Astronomy, Cardiff University, RU [Cardiff]), Anita M. S. Richards (Jodrell Bank Centre for Astrophysics, The University of Manchester, RU), William Bains (Department of Earth, Atmospheric, and Planetary Sciences, Massachusetts Institute of Technology, EUA [MIT]), Paul Rimmer (Department of Earth Sciences and Cavendish Astrophysics, University of Cambridge e MRC Laboratory of Molecular Biology, Cambridge, RU), Hideo Sagawa (Departamento de Astrofísica e Ciências Atmosféricas, Universidade de Kyoto Sangyo, Japão), David L. Clements (Department of Physics, Imperial College London, RU [Imperial]), Sara Seager (MIT), Janusz J. Petkowski (MIT), Clara Sousa-Silva (MIT), Sukrit Ranjan (MIT), Emily Drabek-Maunder (Cardiff e Royal Observatory Greenwich, London, RU), Helen J. Fraser (School of Physical Sciences, The Open University, Milton Keynes, RU), Annabel Cartwright (Cardiff), Ingo Mueller-Wodarg (Imperial), Zhuchang Zhan (MIT), Per Friberg (EAO/JCMT), Iain Coulson (EAO/JCMT), E’lisa Lee (EAO/JCMT) e Jim Hoge (EAO/JCMT).

Utilização de Imagens, Vídeos e Música do ESO

ESO – European Southern Observatory
14 de Setembro de 2020
eso2015pt — Nota de Imprensa Científica

 

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4324: Cientistas vasculharam 10 milhões de estrelas, mas sem sinal de vida alienígena

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/VIDA ALIENÍGENA

NASA

Astrónomos foram à pesca de ondas de rádio de baixa frequência numa grande parte do céu do sul, mas saíram de mãos a abanar.

Os cientistas recorreram ao radiotelescópio Murchison Widefield Array (MWA) para tentarem encontrar indicadores de civilizações extraterrestres avançadas.

Ao todos foram observados seis exoplanetas e mais de 10 milhões de estrelas na região de Vela, na Via Láctea. No entanto, ao que parece, não há indícios de civilizações alienígenas nesta área, escreve a Sci-News.

Os astrónomos Chenoa Tremblay e Steven Tingay garantem que os resultados não são decepcionantes. Os especialistas argumentam que a investigação mostra como é fácil procurar inteligência extraterrestre quase acidentalmente enquanto se faz outras observações astrofísicas.

O ScienceAlert explica que, aqui na Terra, ondas rádio de frequência muito baixa podem “vazar” para a ionosfera. Se os alienígenas também estão a produzir estes sinais, e se forem poderosos o suficiente, os investigadores acreditam que podemos ser capazes de detectá-los.

“O MWA é um telescópio único, com um campo de visão extraordinariamente amplo que nos permite observar milhões de estrelas simultaneamente”, começou por dizer Tremblay. “Observamos o céu ao redor da constelação de Vela por 17 horas, parecendo mais de 100 vezes mais amplo e profundo do que antes. Com este conjunto de dados, não encontramos nenhum sinal de vida inteligente”.

A Via Láctea tem entre 100 e 400 mil milhões de estrelas. Assim, no máximo, os astrónomos apenas observaram 0,1% da Via Láctea, o que deixa ainda muito terreno por explorar à procura de civilizações extraterrestres.

“A quantidade de Espaço que examinamos era o equivalente a tentar encontrar algo nos oceanos da Terra, mas apenas procurar um volume de água equivalente a uma grande piscina de quintal”, salienta Tingay.

Além disso, para dificultar ainda mais as coisas, a tecnologia alienígena pode não ser nada parecida com a nossa tecnologia terrestre – não sabemos. Tecnicamente, isto significa que estamos à procura de algo que nem sabemos ao certo como é.

“Uma vez que não podemos realmente supor como é que possíveis civilizações alienígenas podem utilizar a tecnologia, precisamos de pesquisar de muitas maneiras diferentes. Usando radiotelescópios, podemos explorar um espaço de busca de oito dimensões”, disse Tingay.

Os resultados do estudo foram publicados esta semana na revista científica Publications of the Astronomical Society of Australia.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2020

 

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4314: Já sabemos o que é o misterioso rio de gás que circunda a Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Scott Lucchini / Colin Legg

Um enorme fluxo de gás em alta velocidade envolve quase toda a Via Láctea a uma distância de cerca de 200 mil anos-luz. Agora, um novo estudo revelou a sua origem.

A Via Láctea não está sozinha: capturou galáxias mais pequenas e as duas maiores são conhecidas como Pequena e Grande Nuvens de Magalhães. Quando começaram a circundar a Via Láctea há milhares de milhões de anos, uma enorme corrente de gás conhecida como Corrente de Magalhães foi arrancada delas.

Agora, o riacho estende-se por mais da metade do céu nocturno. Porém, os astrónomos não conseguiam explicar como a corrente se tornou tão massiva – mais de um mil milhões de vezes a massa do Sol.

Astrónomos da Universidade de Wisconsin-Madison descobriram que um halo de gás quente ao redor das Nuvens de Magalhães provavelmente actua como um casulo protector, protegendo as galáxias anãs do próprio halo da Via Láctea e contribuindo com a maior parte da massa da Corrente de Magalhães.

À medida que as galáxias mais pequenas entraram na esfera de influência da Via Láctea, partes deste halo foram esticadas e dispersas para formar a Corrente de Magalhães.

“Os modelos existentes da formação da Corrente de Magalhães estão desactualizados porque não conseguem explicar a sua massa”, disse Scott Lucchini, estudante no departamento de física da Universidade de Wisconsin-Madison, em comunicado.

“É por isso que criámos uma nova solução excelente para explicar a massa do riacho, que é a questão mais urgente a ser resolvida”, disse Elena D’Onghia, professora de astronomia da Universidade de Wisconsin-Madison.

Modelos mais antigos sugeriam que as marés gravitacionais e a força das galáxias que se empurravam umas contra as outras formaram a Corrente de Magalhães enquanto as galáxias anãs entravam em órbita ao redor da Via Láctea. Embora esses modelos possam explicar amplamente o tamanho e a forma do riacho, representam apenas um décimo da sua massa.

Recentemente, os astrónomos descobriram que as Nuvens de Magalhães são suficientemente massivas para ter o seu próprio halo – ou corona – de gás quente. Nas novas simulações, a criação da Corrente de Magalhães é dividida em dois períodos.

Enquanto as Nuvens de Magalhães ainda estavam longe da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães retirou o gás do seu parceiro mais pequeno ao longo de milhares de milhões de anos. Esse gás roubado contribuiu com entre 10% a 20% da massa final do fluxo. Depois, conforme as nuvens caíram na órbita da Via Láctea, a corona cedeu um quinto da sua própria massa para formar a Corrente de Magalhães, que se estendeu por um enorme arco do céu por interacções com a gravidade da Via Láctea e a sua própria corona.

Misterioso gás descoberto perto do centro da Via Láctea. Foi lançado como “balas”

Uma equipa internacional de investigadores descobriu gás frio e denso que foi lançado do centro da Via Láctea “como balas”….

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“O fluxo é um quebra-cabeça de 50 anos”, disse Andrew Fox, um dos co-autores do estudo e astrónomo do Space Telescope Science Institute. “Nunca tivemos uma boa explicação de onde veio. O que é realmente emocionante é que estamos a chegar a uma explicação agora”.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Nature.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2020

 

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4307: Júpiter pode ter 600 minúsculas luas (com órbitas estranhas)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / Wikimedia

Uma equipa de investigadores do Canadá sugeriu que Júpiter pode ter cerca de 600 luas com pelo menos 800 metros de diâmetro. A maioria delas têm órbitas largas, irregulares e retrógradas.

Nos últimos 20 anos, os astrónomos encontraram dezenas de pequenas luas de Júpiter graças ao avanço de grandes câmaras digitais. Em 2003, Scott Sheppard, do Instituto Carnegie, já estimava que o número de luas irregulares maiores do que um quilómetro seria em torno de 100.

Agora, Edward Ashton, Matthew Beaudoin e Brett Gladman, da Universidade da Colúmbia Britânica, detectaram cerca de quatro dúzias de potenciais novas luas jovianas que são ainda mais pequenas.

Extrapolando da área do céu que analisaram – cerca de um grau quadrado -, os investigadores concluem que pode haver cerca de 600 desses minúsculos objectos a orbitar o planeta gigante.

A equipa estudou 60 exposições arquivísticas de 140 segundos de um campo próximo a Júpiter, todas tiradas num período de 3 horas em 8 de Setembro de 2010, com a câmara MegaPrime de 340 megapixels no Canadá-França-Hawai’i Telescope em Mauna Kea.

Os astrónomos combinaram digitalmente as imagens de 126 forma diferentes, uma para cada combinação possível de velocidade e direcção na qual uma potencial lua joviana poderia mover-se no céu.

Este método revelou 52 objectos de magnitude 25,7, correspondendo a diâmetros de cerca de 800 metros. Sete das descobertas mais brilhantes revelaram ser satélites irregulares de Júpiter. As outras são quase certamente luas jovianas retrógradas, que orbitam o planeta na direcção oposta à sua rotação.

Se esta investigação já produz 45 luas anteriormente desconhecidas, os investigadores estimam que o número total de satélites dentro desta faixa de tamanho deve ser em torno de 600. O número oficial actual de luas jovianas é 79.

A equipe canadiana ainda não pode reivindicar novas descobertas para as suas 45 novas luas, muito menos para as 600 extrapoladas. “É preciso muito tempo de um telescópio grande para obter órbitas confiáveis ​​para estas luas muito pequenas e numerosas”, explicou Sheppard, citado pelo Sky and Telescope. “É preciso decidir se isto é cientificamente valioso”.

Actualmente, não há planos para observações de acompanhamento das novas luas. “Seria bom confirmá-las, mas não há como rastreá-los sem começar do zero”, disse Ashton. No entanto, as pequenas luas certamente serão encontradas novamente por instrumentos futuros como o Observatório Vera C. Rubin.

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,As novas detecções levantam a questão de quão pequeno um objecto pode ser e ainda ser chamado de lua. Para Sheppard, a União Astronómica Internacional não nomeará luas planetárias com menos de um quilómetro.

Este estudo foi aceite para publicação na revista científica The Planetary Science Journal e está disponível na plataforma de pré-publicação ArXiv. A investigação será apresentada a 25 de Setembro no evento virtual Europlanet Science Congress 2020.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2020

 

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