3995: As várias faces do cometa NEOWISE

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O cometa NEOWISE no Observatório do Lago do Alqueva Observatório do Lago do Alqueva: Nelson Nunes

Aproveite até ao final da semana para tentar apanhar o cometa NEOWISE. A próxima oportunidade será daqui a 6800 anos

As noites têm sido curtas para o astrónomo e investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Nelson Nunes. O despertador está acertado para as quatro da manhã, hora a que o cometa NEOWISE começa a dar o ar da sua graça. Descoberto muito recentemente, em Março deste ano graças a observações do telescópio espacial que lhe dá o nome, o cometa tem brindado os madrugadores com uma visão imaculada deste tipo de objectos celestes. É claro que a qualidade da observação depende do local onde nos encontramos. E Nelson Nunes está num dos melhores locais do país para ver estrelas, cometas e afins. No Observatório do Lago do Alqueva (OLA), que fundou com dois sócios, estão reunidas todas as condições para uma visão do céu sem interferências. Raramente há nuvens, a humidade do ar é baixa, não há edifícios à volta e a iluminação pública é praticamente inexistente. “Mesmo a olho nu consegue-se ver a causa do cometa. É lindíssimo!”

Pelas lentes do telescópio o encantamento é ainda maior, relata o astrónomo. A cada noite, o cometa desperta uns minutos mais tarde pelo que vai sendo cada vez mais curta a janela de oportunidade entre o aparecimento do objecto celeste no horizonte e o nascer do do sol. “Se não fosse a Lua, a observação seria ainda mais fenomenal”, admite. É possível que o cometa seja visível também cerca de uma hora depois do pôr do sol, pelas 21h30-22h00, a partir de amanhã. Mas estará muito baixinho logo abaixo da Ursa Maior.

Quem tiver equipamento de observação e quiser o apoio de Nelson Nunes, pode aparecer no OLA. Mas convém despachar-se, porque depois do fim-de-semana já não deverá ser possível ver o NEOWISE. E a próxima oportunidade só chegará daqui a quase 6800 anos.

Veja na foto-galeria, o cometa em várias ‘poses’.

Exame Informática

 

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3994: Há um sistema planetário junto da “vizinha” Luyten. É complexo e pode abrigar vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(cv) ESA/Hubble

Uma equipa de cientistas da Universidade de Granada, em Espanha, descobriu um sistema planetário a orbitar a estrela Luyten, uma das mais próximas da Terra.

De acordo com os cientistas, a estrela GJ 273, uma das mais próximas da Terra e conhecida como Luyten, alberga um sistema planetário que pode ser tão complexo como o Sistema Solar, havendo a hipótese de poder abrigar vida.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy & Astrophysics, os cientistas frisam a complexidade do sistema planetário,  formado por múltiplos mundos e depósitos de corpos menores.

“Pode até abrigar água, devido às estatísticas e simulações que realizados, embora não tenhamos ainda evidências directas [que o comprovem]”, disse Francisco J. Pozuelos, autor principal do estudo, citado pela agência espanhola Europa Press.

A complexidade deste sistema, semelhante à do Sistema Solar, faz deste um excelente candidato para a procura de traços ou evidências de vida em futuras missões espaciais.

O sistema planetário da estrela Luyten é especialmente interessante, uma vez que é o quarto sistema planetário mais próximo do Sol que orbita em torno de uma estrela do tipo anã M, a 12,23 anos-luz de distância, e alberga um planeta na zona habitável, logo depois de Proxima Centauri (4,24 anos-luz), Ross-128 (10,99) e GJ 1061 (11,96).

Até agora, os cientistas conseguiram confirmar dois planetas, baptizados de GJ 273b e GJ 273c, faltando confirmar outros dois, cujos nomes são GJ 273d e GJ 273e.

Entre os planetas confirmados, GJ 273c tem uma massa semelhante à da Terra, enquanto o GJ 273b é considerado uma super-Terra, um planeta com uma massa maior do que a Terra, mas menor do que a dos gigantes gelados Úrano e Neptuno.

ZAP //

Por ZAP
13 Julho, 2020

 

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3989: Astrónomos querem descobrir o que é o Planeta Nove de uma vez por todas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Desde há vários anos que se teoriza sobre uma “força oculta” responsável por certas órbitas estranhas de objectos distantes no sistema solar. Muitas tentativas de explicação apontam para a presença de um planeta ainda desconhecido, um tal de planeta nove que dizem ser gigantesco, cinco vezes o tamanho da Terra. Contudo, poderá ser também um buraco negro do tamanho de uma maçã.

Agora, depois de tantos anos sem uma explicação cabal, os astrónomos querem saber de uma vez por todas, se haverá um nono planeta à espreita para além da órbita de Neptuno.

Afinal, há ou não o planeta nove?

Os astrónomos têm observado estranhos padrões gravitacionais de um grupo de corpos conhecidos como “objectos transneptunianos“, ou TNOs. Tais comportamentos poderiam ser explicados pela presença maciça do nono planeta no nosso sistema solar.

Tem sido um tema polémico, com alguns a anotarem o comportamento estranho das TNOs como sendo causado por um aglomerado de rochas espaciais muito mais pequenas. Contudo, outros preveem que tal planeta seria cinco vezes a massa da Terra, orbitando a nossa estrela a cerca de 400 vezes a distância da Terra ao Sol.

Finalmente, há a possibilidade de que o Planeta Nove seja na realidade um pequeno buraco negro deixado pelo Big Bang. Tão pequeno, de facto, que medirá apenas cerca de cinco centímetros de diâmetro – basicamente impossível de ver com qualquer tipo de telescópio.

Tem havido muita especulação sobre explicações alternativas para as órbitas anómalas observadas no sistema solar exterior. Uma das ideias apresentadas foi a possibilidade de o Planeta Nove poder ser um buraco negro do tamanho de uma toranja com uma massa cinco a 10 vezes maior do que a da Terra.

Explicou Amir Siraj, estudante universitário de Harvard, numa declaração.

Resolver o enigma de uma vez por todas

Numa nova publicação no The Astrophysical Journal Letters, uma equipa de astrónomos da Universidade de Harvard delineou um método recentemente desenvolvido que poderia, assim o esperamos, responder a esta questão de uma vez por todas.

O seu plano é procurar as chamas de acreção emitidas enquanto o minúsculo buraco negro devora a matéria que o envolve. Se encontrarem algumas, isso significaria que o Planeta Nove era, na realidade, um buraco negro.

Nas proximidades de um buraco negro, pequenos corpos que se aproximam dele derreterão como resultado do aquecimento do fundo da acumulação de gás do meio interestelar para o buraco negro.

Disse Siraj.

Mais buraco negro e menos Planeta Nove?

Os especialistas explicaram que, os buracos negros são intrinsecamente escuros, a radiação que a matéria emite a caminho da boca do buraco negro é a única forma de iluminar este ambiente escuro. Como tal, a equipa está a apostar na próxima missão Legacy Survey of Space and Time (LSST) que terá lugar no Observatório Vera C. Rubin, no Chile.

Os astrónomos envolvidos na missão esperam responder a questões sobre a natureza da energia e da matéria negra. Além disso, esperam recolher dados sobre a formação e as propriedades dos planetas no nosso sistema solar.

O LSST tem um amplo campo de visão, cobrindo o céu inteiro à procura de erupções transitórias. Outros telescópios são bons a apontar para um alvo conhecido, mas não sabemos exactamente onde procurar o Planeta Nove. Só conhecemos a vasta região em que pode residir.

Referiu Loeb Avi Loeb, professor de ciências de Harvard.

O professor, referiu ainda que a “profundidade sem precedentes” do LSST será capaz de detectar até mesmo o mais pequeno dos sinalizadores. Na verdade, esta não é a única tentativa de desvendar os mistérios por detrás do Planeta Nove. Recentemente, uma equipa diferente de astrónomos anunciou que espera lançar uma frota de milhares de naves “nanoespaciais” para procurar o objecto misterioso.

Infelizmente, esta visão continua a ser um “tiro na Lua”, com estimativas de custos a ultrapassar a marca dos mil milhões de dólares.

Planeta 9 foi roubado pelo nosso sistema solar, diz um estudo!

Informações recentes dão conta da utilização de um novo software dedicado à aprendizagem sobre o comportamento das estrelas e dos planeta. Posteriormente, esse conhecimento levou a que fossem feitas simulações computorizadas que apontaram para … Continue a ler Planeta 9 foi roubado pelo nosso sistema solar, diz um estudo!

 

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3987: Há um planeta na nossa vizinhança que pode ter a capacidade de abrigar vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Astrónomos europeus e americanos descobriram que a estrela GJ 273, uma das mais próximas da Terra, também conhecida como Luyten, tem um sistema planetário com dois planetas confirmados. Um dos planetas está na chamada zona habitável e os outros dois estão numa zona altamente improvável para abrigar vida.

A Estrela de Luyten é uma estrela anã vermelha na constelação de Cão Menor. Conforme as medições de paralaxe, esta está localizada a uma distância de aproximadamente 12,40 anos-luz (3,80 parsecs), sendo uma das estrelas mais próximas da Terra. Será que existe vida num planeta da nossa vizinhança?

Estrela de Luyten pode estar a iluminar um planeta fértil

Cientistas da Universidade de Granada (UGR) e de outros centros internacionais descobriram que uma das estrelas no nosso bairro solar apresenta um sistema de planetas tão complexo quanto o nosso. Segundo estes investigadores, esta estrela tem a capacidade de abrigar vida pelo menos num deles.

A estrela chama-se GJ 273, também conhecida como Luyten, em homenagem ao astrónomo Willem J. Luyten, que estudou os seus movimentos. A anã-vermelha está localizada a 12,23 anos-luz, o que coloca o seu sistema planetário como sendo a zona habitável mais próxima de nós, logo atrás da Proxima Centauri (4,24 anos-luz), Ross-128 ( em 10,99) e GJ 1061 (a 11,96 anos-luz).

Na órbita da estrela Luyten existem dois planetas confirmados, o GJ 273b e o GJ 273c. Aliás, existem mais dois que ainda estão em vias de serem confirmados mais adiante, cujos nomes poderão ser GJ 273d e GJ 273e. Os investigadores preveem que estes dois candidatos seriam “mini-neptunos“, com massas um pouco menores que Netuno, mas entre 9 e 12 vezes a da Terra.

A análise dinâmica global realizada pelos cientistas revela que este sistema é altamente estável e, portanto, muito provável, conforme os detalhes publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

Exoplaneta GJ 273b pode abrigar vida

Segundo o que foi relatado, o exoplaneta GJ 273c tem uma massa semelhante à da Terra, embora o astro que concentra mais interesse seja um pouco maior: GJ 273b. É considerada uma super-terra e está localizada perto da borda interna da zona habitável da sua estrela hospedeira, uma região em que o fluxo de radiação permite a presença de água líquida.

O aquecimento das marés faz da GJ 273b um planeta altamente interessante, pois isso a torna compatível com o desenvolvimento e a existência de uma biosfera. Como resultado das estatísticas e simulações que realizamos, ele pode abrigar água, embora ainda não tenhamos outras evidências directas,

Explica Francisco J. Pozuelos, investigador da Universidade de Liège (Bélgica) e principal autor.

Além disso, este planeta sofre com o aquecimento das marés, o mesmo fenómeno para o qual existem marés na Terra devido à interacção gravitacional com a Lua e o Sol.

O aquecimento das marés faz do planeta GJ 273b um planeta altamente interessante, pois é compatível com o desenvolvimento e a existência de uma biosfera. É um excelente candidato para procurar traços de vida em futuras missões espaciais.

Referiu  Juan Carlos Suárez, cientista da UGR e co-autor do artigo,

Sistema planetário Luyten tem traços comuns com o nosso

Segundo o estudo, o sistema planetário de Luyten também apresenta outra semelhança com o nosso sistema solar. Existe a presença de depósitos de corpos menores. São asteróides, como os encontrados no cintura de asteróides (entre Marte e Júpiter) ou na cintura de Kuiper (além de Neptuno), cujo impacto na presença de água ou na produção de produtos orgânicos pode ser relevante.

Os cientistas preveem estes depósitos em torno de Luyten, que, se confirmados, podem desempenhar um papel importante no surgimento e manutenção da vida em GJ 273b.

Portanto, GJ 273b é um exoplaneta super-terra que orbita uma estrela do tipo M. A sua massa é de 2,89 Terras, leva 18,6 dias para completar uma órbita da sua estrela, e está a 0.091101 AU da sua estrela. Apesar de ter sido descoberta em 2017, ainda carece de muita investigação. Quem sabe, temos vida no quintal galáctico.

Pplware
11 Jul 2020

 

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3984: Cientistas detectaram estranhos objectos astronómicos circulares (e não fazem ideia do que são)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

pelosbriseno / Flickr
Radiotelescópios do Observatório Very Large Array (VLA) no Novo México, EUA.

Recorrendo a telescópios, uma equipa de astrofísicos detectou quatro estranhos objectos astronómicos. Foram encontrados nos comprimentos de onda de rádio e são circulares e mais brilhantes do que as suas bordas.

Estes estranhos e inesperados objectos são diferentes de qualquer outra classe astronómica já observada, não parecendo corresponder a nenhum tipo de objecto já identificado e classificado pela comunidade científica, frisa o portal Live Science.

Os objectos, que se assemelham a ilhas distantes em forma de anel, foram baptizados de círculos de rádio estranhos (ORC, na sua sigla em inglês) devido às suas peculiaridades.

Astrónomos e astrofísicos não sabem ainda a que distância estão estes objectos, mas acreditam que possam estar ligados a galáxias distantes. Todos os corpos em causa foram detectados longe do plano galáctico da Via Láctea.

Têm cerca de um arco-minuto de diâmetro. A título de comparação, o nosso satélite natural, a Lua, tem 31 arco-minutos de diâmetro.

Num artigo, disponível em pré-publicação no portal Arxiv.org, carecendo ainda de revisão de pares, os cientistas apontam algumas explicações para estes objectos, apesar de nenhuma delas encaixar nos quatro corpos encontrados.

Antes de avançar com possíveis explicações, os cientistas descartam objectos como super-novas, galáxias formadoras de estrelas e lentes gravitacionais. Pondo de parte estas hipóteses, os astrónomos especulam que os objectos possam ser ondas de choque de alguns eventos extra-galácticos ou possivelmente actividade de uma galáxia de rádio.

“Podem muito bem apontar para um fenómenos que ainda não investigamos“, disse ao mesmo portal Kristine Spekkens, astrónoma do Royal Military College do Canadá e da Queen’s University, que não participou na nova investigação.

No entanto, frisa, pode ser uma coisa totalmente diferente. “Também pode ser que estes corpos sejam uma extensão de uma classe de objectos conhecida anteriormente mas que não fomos capazes de explorar”.

ZAP //

Por ZAP
11 Julho, 2020

 

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3981: O trajecto cósmico em direcção à formação de estrelas e planetas

Visualização dos fluxos observados de velocidade na galáxia espiral NGC 4321, medidos usando emissão rádio do gás molecular (monóxido de carbono): ao longo do eixo vertical, esta imagem mostra as velocidades do gás, enquanto o eixo horizontal representa a extensão espacial da galáxia. As oscilações em forma de onda na velocidade do gás são visíveis em toda a galáxia.
Crédito: T. Müller/J. Henshaw/MPIA

O gás molecular nas galáxias é organizado numa hierarquia de estruturas. O material molecular nas gigantescas nuvens de gás molecular viaja por intrincadas redes de gás filamentar em direcção aos centros congestionados de gás e poeira, onde é comprimido em estrelas e planetas, assim como milhões de pessoas viajam para trabalhar nas cidades em todo o mundo. Para melhor entender este processo, uma equipa de astrónomos liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia mediu o movimento do gás que flui das escalas galácticas até escalas dos aglomerados de gás em que as estrelas se formam. Os seus resultados mostram que o gás que corre através de cada escala está ligado dinamicamente: enquanto a formação estelar e planetária ocorre nas escalas mais pequenas, este processo é controlado por uma cascata de fluxos de matéria que começam a escalas galácticas. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy.

O gás molecular nas galáxias é posto em movimento por mecanismos físicos, como rotação galáctica, explosões de super-nova, campos magnéticos, turbulência e gravidade, moldando a estrutura do gás. Compreender como estes movimentos afectam directamente a formação de estrelas e planetas é difícil, porque exige a quantificação do movimento dos gases numa gama enorme de escalas espaciais e, em seguida, a vinculação deste movimento às estruturas físicas que observamos. As instalações astrofísicas modernas mapeiam agora rotineiramente grandes áreas do céu, com alguns mapas contendo milhões de pixeis, cada com centenas a milhares de medições independentes de velocidade. Como resultado, a medição destes movimentos é cientificamente e tecnologicamente desafiadora.

A fim de enfrentar estes desafios, uma equipa internacional de investigadores liderada por Jonathan Henshaw do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg decidiu medir movimentos de gás ao longo de uma variedade de ambientes diferentes usando observações do gás na Via Láctea e numa galáxia próxima. Os astrónomos detectam estes movimentos medindo a aparente mudança na frequência de luz emitida por moléculas, mudança esta provocada pelo movimento relativo entre a fonte de luz e o observador; um fenómeno conhecido como efeito Doppler. Aplicando um novo software desenvolvido por Henshaw e pelo doutorando Manuel Riener (co-autor do artigo, também do mesmo instituto), a equipa conseguiu analisar milhões de medições. “Este método permitiu-nos visualizar o meio interestelar de uma nova maneira,” diz Henshaw.

Os investigadores descobriram que os movimentos do gás molecular frio parecem flutuar em velocidade, lembrando a aparência de ondas à superfície do oceano. Estas flutuações representam o movimento do gás. “As flutuações propriamente ditas não foram particularmente surpreendentes, sabemos que o gás se move,” diz Henshaw. Steve Longmore, co-autor do artigo, da Universidade John Moores em Liverpool, acrescenta: O que nos surpreendeu foi a similaridade da estrutura de velocidade destas regiões diferentes. Não importava se estivéssemos a olhar para uma galáxia inteira ou para uma nuvem individual dentro da nossa própria Galáxia, a estrutura é mais ou menos a mesma.”

Para melhor entender a natureza dos fluxos de gás, a equipa seleccionou várias regiões para uma análise mais detalhada, usando técnicas estatísticas avançadas para procurar diferenças entre as flutuações. Ao combinar uma variedade de medições diferentes, os investigadores foram capazes de determinar como as flutuações da velocidade dependem da escala espacial.

“Uma característica interessante das nossas técnicas de análise é que são sensíveis à periodicidade,” explica Henshaw. “Se houver padrões repetidos nos seus dados, como nuvens moleculares gigantes igualmente espaçadas ao longo de um braço espiral, podemos identificar directamente a escala na qual o padrão se repete.” A equipa identificou três faixas de gás filamentar que, apesar de traçarem escalas muito diferentes, pareciam mostrar uma estrutura mais ou menos equidistante ao longo das suas cristas, como contas numa corda, sejam nuvens moleculares gigantes ao longo de um braço espiral ou pequenos “núcleos” formando estrelas ao longo de um filamento.

A equipa descobriu que as flutuações de velocidade associadas com a estrutura espaçada equidistantemente mostravam todas um padrão distinto. “As flutuações parecem ondas a oscilar ao longo das cristas dos filamentos, têm uma amplitude e comprimento de onda bem definidos,” diz Henshaw, acrescentando: “O espaçamento periódico das nuvens moleculares gigantes em grandes escalas ou núcleos individuais de formação estelar em pequenas escalas é provavelmente o resultado dos seus filamentos parentais se tornarem gravitacionalmente instáveis. Nós pensamos que estes fluxos oscilatórios são a assinatura do fluxo de gás ao longo dos braços em espiral ou convergindo para os picos de densidade, fornecendo novo combustível para a formação estelar.”

Em contraste, a equipa descobriu que as flutuações de velocidade medidas ao longo das nuvens moleculares gigantes, em escalas intermédias entre nuvens inteiras e os minúsculos núcleos no seu interior, não mostram escala característica óbvia. Diederik Kruijssen, co-autor do artigo com base na Universidade de Heidelberg, explica: “As estruturas de densidade e velocidade que vemos em nuvens moleculares gigantes não têm escala, porque os fluxos de gás turbulento que criam estas estruturas formam uma cascata caótica, revelando sempre flutuações menores à medida que aumentamos o zoom – como um floco de neve. Este comportamento sem escala ocorre entre dois extremos bem definidos: a grande escala de toda a nuvem e a pequena escala dos núcleos que formam estrelas individuais. Descobrimos agora que estes extremos têm tamanhos característicos bem definidos, mas entre eles o caos governa.”

“Imagine as nuvens moleculares gigantes como mega-cidades igualmente espaçadas e ligadas por rodovias,” diz Henshaw. “Do ponto de vista aéreo, a estrutura destas cidades, e dos carros e das pessoas que se movem entre elas, parece caótica e desordenada. No entanto, quando aumentamos o zoom em estradas individuais, vemos pessoas que viajaram de muito longe a entrar nos edifícios dos seus escritórios e de maneira ordenada. Os prédios representam os núcleos densos e frios de gás a partir dos quais nascem estrelas e planetas.”

Astronomia On-line
10 de Julho de 2020

 

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3977: Descoberto um pacífico “rio de estrelas” na Via Láctea. É o que resta da morte violenta de uma galáxia

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

(dr) ESA/Gaia/DPAC

Uma equipa de astrónomos descobriu um vasto fluxo de estrelas que acreditam ser os restos de uma galáxia anã maciça que foi arrastada para o disco galáctico antes de ser despedaçada.

De acordo com o modelo padrão da evolução do Universo, as galáxias crescem ao fundir-se a absorver galáxias mais pequenas. Existem muitas evidências desse processo na Via Láctea: foram identificados vários fluxos que foram ligados a galáxias anãs e aglomerados globulares interrompidos pelas forças de maré da galáxia.

O satélite Gaia, que foi lançado em 2013 e colhe dados para produzir o mapa 3D mais preciso da Via Láctea, está a estudar cuidadosamente os movimentos adequados, velocidades radiais e distâncias das estrelas para determinar onde tudo se localiza e como se move.

Esse processo está a revelar a história das altercações da Via Láctea com outras bolhas de estrelas – como Antlia 2, a Galáxia Anã Elíptica de Sagitário e a Salsicha Gaia. Porém, tudo isto foi identificado ao procurar coisas que se movem e são construídas de forma diferente. É mais difícil identificar uma galáxia fragmentada. Estrelas que se movem com a rotação do disco galáctico e têm composições químicas semelhantes às estrelas da Via Láctea podem ser negligenciadas.

Lina Necib, física teórica da Caltech e os seus colegas, aplicou uma rede neural para construir um catálogo de estrelas a partir do segundo lançamento de dados de Gaia do que tinha sido atirado para a galáxia – em vez de nascer na Via Láctea.

“A rede toma como entrada a cinemática tridimensional de cada estrela (duas coordenadas angulares, dois movimentos apropriados e paralaxe) e, em seguida, gera uma pontuação associada à probabilidade de a estrela ser acumulada”, explicaram os investigadores, de acordo com o ScienceAlert.

Quando extraíram as estrelas que a rede neural estava certa de que tinham sido acumuladas, a equipa encontrou um grupo de 232 estrelas, que se moviam juntas num movimento progressivo – com a rotação da galáxia – e com composições químicas semelhantes. A esse “rio de estrelas” chamaram Nyx, em homenagem à deusa grega da noite.

Quando simularam as órbitas dessas estrelas há mil milhões de anos, a equipa descobriu que possuíam propriedades orbitais diferentes das estrelas tanto no disco espesso como no disco fino da Via Láctea.

“Acoplar essa observação ao facto de Nyx ficar atrás do disco em ~90kms1 e ter um componente substancial de velocidade radial é um forte argumento de que é o resultado de uma fusão por satélite“, escreveram os cientistas.

Grupos estelares que se movem juntos podem ser criados por outros meios, como ressonâncias geradas por perturbações da barra galáctica ou ondas de densidade nos braços espirais – mas não se encaixam com Nyx. Simulações desses fenómenos não poderiam produzir o atraso de Nyx sem causar outros efeitos que não foram identificados nos dados.

A melhor teoria para seus dados é uma galáxia anã que, em algum momento da longa história da Via Láctea, foi sugada e esticada quando as estrelas começaram a orbitar o centro da Via Láctea.

É provável que Nyx contenha estrelas que não foram identificadas neste estudo, porque ficaram fora dos rígidos parâmetros inseridos na rede neural. No entanto, estudos futuros podem ajudar a esclarecer esse evento.

“Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

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Como também há evidências de que populações de estrelas acumuladas se correlacionam com aglomerados de matéria escura que se acredita terem sido absorvidos na fusão juntamente com as estrelas, Nyx pode ajudar a entender a forma como essas fusões contribuem para o disco de matéria escura de uma galáxia.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica Nature Astronomy.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2020

 

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3974: A Grande Mancha Vermelha de Júpiter tem uma nova companhia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Clyde Foster / NASA

Um astrónomo amador na África do Sul detectou uma nova mancha no hemisfério sul do maior planeta do Sistema Solar. A mancha, apelidada de “Mancha de Clyde”, aparece entre a icónica Grande Mancha Vermelha de Júpiter e o S2-AWO A7, outra grande tempestade a sudeste.

A nova mancha de Júpiter foi descoberta na manhã e 31 de maio por Clyde Foster, director da secção Shallow Sky da Sociedade Astronómica da África Austral (ASSA). Foster estava a observar Júpiter na época, identificando o local com um filtro sensível ao gás metano. A mancha não foi detectada pelos astrónomos na Austrália horas antes.

Num golpe de sorte, a nave espacial Juno, da NASA, fez o seu 27.º sobrevoo em Júpiter dois dias depois. “Dado o tempo, o facto de Juno estar numa órbita altamente alongada de 53 dias e capaz de capturar apenas uma fatia fina de Júpiter durante o sobrevoo, é uma coincidência notável”, escreveu Foster no site da ASSA.

Usando os dados colhidos durante o sobrevoo, o astrónomo amador Kevin M. Gill criou uma projecção de mapa combinando cinco imagens diferentes tiradas por Juno quando estava entre 45 mil e 59 mil quilómetros do topo das nuvens de Júpiter, mostrando a nova mancha em grande detalhe.

As imagens de Juno “mostram estruturas fascinantes dentro do sistema de tempestades que já estão a causar excitação na comunidade científica planetária”, escreveu Foster.

Conhecida como um “surto convectivo”, a mancha de Clyde é uma pluma de nuvens que se estende acima das camadas de nuvens. Tais características são facilmente detectáveis em comprimentos de onda de metano, aparecendo como manchas brilhantes.

De acordo com a NASA, surtos convectivos não são incomuns no cinturão do Sul Temperado de Júpiter, incluindo um que apareceu nesta faixa de latitude há dois anos.

Juno fará outro sobrevoo em 25 de Julho, quando a NASA terá outra visão aproximada dessa tempestade, para que se possa ver como este surto mudou ao longo dos dias e semanas desde a sua descoberta inicial.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode estar a encolher, mas a sua espessura é constante

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode até estar a encolher, mas a sua espessura manteve-se constante nas últimas décadas,…

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A mancha mais famosa do maior planeta do Sistema Solar é  Grande Mancha Vermelha, que é alvo de estudos há vários anos. Os cientistas chegaram mesmo a prever o pior: a tempestade está a diminuir e podia estar a morrer. Num estudo mais recente, concluiu-se que a Grande Mancha Vermelha de Júpiter pode até estar a encolher, mas a sua espessura manteve-se constante nas últimas décadas.

ZAP //

Por ZAP
8 Julho, 2020

 

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3970: Radar sugere que a Lua é mais metálica do que se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta imagem, com base em dados da sonda LRO da NASA, mostra a face da Lua como a vemos da Terra. Quanto mais aprendermos sobre o nosso vizinho mais próximo, mais podemos começar a entender a Lua como um lugar dinâmico com recursos úteis que um dia podem suportar presença humana.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona

O que começou como uma caça ao gelo escondido nas crateras polares lunares transformou-se numa descoberta inesperada que pode ajudar a esclarecer uma história “lamacenta” sobre a formação da Lua.

Os membros da equipa do instrumento Mini-RF (Miniature Radio Frequency) na sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA encontraram novas evidências de que a sub-superfície da Lua pode ser mais rica em metais, como ferro e titânio, do que os investigadores pensavam. Esta descoberta, publicada dia 1 de Julho na revista Earth and Planetary Science Letters, pode ajudar a estabelecer uma ligação mais clara entre a Terra e a Lua.

“A missão LRO e o seu instrumento de radar continuam a surpreender-nos com novas ideias sobre as origens e sobre a complexidade do nosso vizinho mais próximo,” disse Wes Patterson, investigador principal do Mini-RF do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, co-autor do estudo.

Evidências substanciais apontam para a Lua como o produto de uma colisão entre um proto-planeta do tamanho de Marte e a jovem Terra, formando-se a partir do colapso gravitacional da restante nuvem de detritos. Consequentemente, a composição química da Lua assemelha-se à da Terra.

No entanto, observando em detalhe a composição química da Lua, essa história torna-se menos clara. Por exemplo, nas planícies brilhantes da superfície da Lua, chamadas terras altas lunares, as rochas contêm quantidades mais pequenas de minerais contendo metais em comparação com a Terra. Esta descoberta podia ser explicada se a Terra tivesse se diferenciado completamente num núcleo, manto e crosta antes do impacto, deixando a Lua em grande parte pobre em metais. Mas quando nos debruçamos sobre os mares lunares – as planícies grandes e mais escuras – a abundância de metais torna-se mais rica do que muitas rochas na Terra.

Esta discrepância intrigou os cientistas, levando a inúmeras perguntas e hipóteses sobre o quanto o proto-planeta impactante pode ter contribuído para as diferenças. A equipa do Mini-RF encontrou um padrão curioso que pode levar a uma resposta.

Usando o Mini-RF, os investigadores procuraram medir uma propriedade eléctrica no solo lunar empilhado no chão de crateras no hemisfério norte da Lua. Esta propriedade eléctrica é conhecida como constante dieléctrica, um número que compara as capacidades relativas de um material e o vácuo do espaço para transmitir campos eléctricos, e pode ajudar a localizar gelo escondido nas sombras das crateras. A equipa, no entanto, percebeu que esta propriedade aumentava com o tamanho das crateras.

Para crateras com aproximadamente 2 a 5 km de diâmetro, a constante dieléctrica do material aumentava constantemente à medida que as crateras cresciam, mas para crateras com 5 a 20 km de diâmetro, a propriedade permanecia constante.

“Foi uma relação surpreendente que não tínhamos motivo para acreditar que existisse,” disse Essam Heggy, co-investigador das experiências Mini-RF da Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles e autor principal do artigo publicado.

A descoberta deste padrão abriu a porta para uma nova possibilidade. Como os meteoros que formam crateras maiores também escavam mais fundo na sub-superfície da Lua, a equipa argumentou que a constante dieléctrica crescente da poeira nas crateras maiores podia ser o resultado de meteoros que escavam óxidos de ferro e titânio situados abaixo da superfície. As propriedades dieléctricas estão directamente ligadas à concentração desses minerais metálicos.

Se a sua hipótese estivesse correta, isso significaria que apenas as primeiras centenas de metros da superfície da Lua são escassas em óxidos de ferro e titânio, mas abaixo da superfície, há um aumento constante até um tesouro rico e inesperado.

Comparando imagens de radar do chão de crateras obtidas pelo Mini-RF com mapas de óxido de metais do instrumento Wide-Angle Camera da LRO, da missão japonesa Kaguya e da Lunar Prospector da NASA, a equipa encontrou exactamente o que suspeitava. As crateras maiores, com o seu material dieléctrico maior, também eram mais ricas em metais, sugerindo que mais óxidos de ferro e titânio haviam sido escavados das profundidades de 0,5 a 2 km do que das profundidades 0,2 a 0,5 km do subsolo lunar.

“Este empolgante resultado do Mini-RF mostra que, mesmo após 11 anos de operação na Lua, ainda estamos a fazer novas descobertas sobre a história antiga do nosso vizinho mais próximo,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland. “Os dados do Mini-RF são incrivelmente valiosos e contam-nos mais sobre as propriedades da superfície lunar, mas usamos estes dados para inferir o que ocorreu há mais de 4,5 mil milhões de anos!”

Estes resultados seguem evidências recentes da missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory) da NASA, que sugere que uma massa significativa de material denso existe apenas algumas dezenas a centenas de quilómetros abaixo da enorme bacia do Polo Sul-Aitken da Lua, indicando que os materiais densos não estão distribuídos uniformemente no subsolo lunar.

A equipa enfatiza que o novo estudo não pode responder directamente às questões pendentes sobre a formação da Lua, mas reduz a incerteza na distribuição dos óxidos de ferro e titânio na sub-superfície lunar e fornece evidências críticas necessárias para melhor entender a formação da Lua e a sua ligação com a Terra.

“Realmente levanta a questão do que isso significa para as nossas anteriores hipóteses de formação,” disse Heggy.

Ansiosos por mais descobertas, os cientistas já começaram a examinar o chão de crateras no hemisfério sul da Lua para ver se existem aí as mesmas tendências.

Astronomia On-line
7 de Julho de 2020

 

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3967: O buraco negro mais faminto do Universo engole por dia uma massa equivalente à do Sol

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

No centro do quasar mais brilhante já descoberto “mora” um dos maiores buracos negros que é também o mais “faminto” de todo o Universo: por dia, engole o equivalente à massa do nosso Sol.

As estimativas são de um grupo de astrónomos da Austrália, Estados Unidos e do Observatório Europeu do Sul (ESO) e constam num novo artigo que foi recentemente publicado na revista científica Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

Em causa está o buraco negro super-massivo J2157-3602, localizado na constelação de Southern Fish, a 12.000 milhões de anos-luz de distância. Pesa aproximadamente 8.000 vezes a massa de Sagitário A *, o buraco negro central de nossa galáxia.

A sua massa é equivalente a 34 mil milhões de vezes a do Sol, frisa o portal Sci News.

Estas estimativas, frisam os cientistas no novo estudo, refletem o estado do quasar quando o Universo tinha apenas 1,2 mil milhões de anos (cerca de 10% da sua idade actual), devido à enorme distância que existe entre este corpo e a Terra.

A partir desta idade estimada, os cientistas foram capazes de calcular a taxa de crescimento do seu buraco negro e concluíram que esta é a maior conhecida até agora – este corpo engole diariamente o equivalente à massa solar.

“A quantidade de massa que os buracos negros podem absorver depende da quantidade de massa que já possuem”, começou por explicar Fuyan Bian, co-autor do estudo e especialista do Observatório Europeu do Sul, sediado no Chile. “Por isso, para este objecto devorar uma taxa de matéria tão elevada como esta, pensamos que possa ser detentor de um novo recorde. E agora sabemos disso”, continuou, citado em comunicado.

As novas estimativas do objecto foram calculadas tendo por base dados de um telescópio australiano e do Very Large Telescope (VLT) do ESO.

“Se o buraco negro da Via Láctea quisesse engordar até este ponto, teria que engolir dois terços de todas as estrelas da nossa galáxia”, compara o astrónomo australiano Christopher Onken, que também participou na nova investigação.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2020

 

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3960: Manchas gigantes de Betelgeuse podem explicar o seu estranho escurecimento

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

As manchas gigantes da estrela Betelgeuse podem estar por detrás do estranho escurecimento que esta estrela tem vindo a experimentar, segundo uma nova investigação levada a cabo por cientistas do Instituto Max Planck, na Alemanha.

No ano passado, cientistas observaram que esta estrela estava a perder o seu brilho, como se se estivesse a apagar, não se conhecendo o motivo por detrás deste fenómeno.

Não se sabe ao certo o que causa o escurecimento, mas a nova investigação, cujos resultados foram publicados na revista científica The Astrophysical Journal Letters, sugere que os pontos gigantes da estrela, localizada a cerca de 650 anos-luz da Terra, foram os responsáveis pela queda significativa na luminosidade da estrela.

Entre Outubro de 2019 e Abril de 2020, foi observada uma diminuição de até 40% no brilho de Betelgeuse. Estudos anteriores sugeriam que a atenuação de brilho estava relacionada com uma nuvem de poeira que a estrela “espirrou” e que, consequentemente, escurece a luz das estrelas durante um período de tempo.

No entanto, a investigação do instituto alemão apresenta outra justificação.

“No final das suas vidas, as estrelas torna-se gigantes vermelhas. À medida que o suprimento de combustível acaba, os processos mudam, fazendo com que as estrelas libertem energia. Como resultado, estas incham, tornam-se instáveis ​​e palpitam por períodos de centenas ou mesmo milhares de dias, algo que vemos como uma flutuação no brilho”, disse Thavisha Dharmawardena, autora principal do estudo, citada em comunicado.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas utilizaram dados novos e antigos do Atacama Pathfinder Experiment (APEX) e pelo James Clerk Maxwell Telescope (JCMT), que medem a radiação em comprimentos de onda abaixo do milímetro.

“O que nos surpreendeu foi que a Betelgeuse ficou 20% mais escura mesmo na faixa de ondas abaixo do milímetro“, continuou Steve Mairs, co-autor do estudo.

Os cientistas acreditam que este comportamento não pode ser explicado pela presença da poeira, sendo mais provável que se trate de uma “distribuição de temperatura assimétrica” na estrela, uma vez que a luminosidade de uma estrela depende do seu diâmetro e, especialmente, da temperatura à sua superfície.

De acordo com os especialistas, o escurecimento medido na luz visível e nas ondas sub-milimétricas pode ser uma evidência de uma redução na temperatura média da superfície de Betelgeuse. Os dados obtidos apontam para a existência em Betelgeuse de grandes pontos que cobrem entre 50% e 70% de sua superfície visível.

“As imagens de alta resolução Betelgeuse em Dezembro de 2019 mostram áreas de brilho variável. Juntamente com os nosso resultado, esta é uma indicação clara de grandes manchas estelares que cobrem entre 50% a 70% da superfície visível e têm uma temperatura mais baixa que a fotosfera mais brilhante “, explicou o co-autor do estudo, Peter Scicluna, do European Southern Observatory (ESO).

ZAP //

Por ZAP
6 Julho, 2020

 

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3954: A Terra abranda e atinge hoje a sua velocidade mínima durante todo o ano

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Certamente estão lembrados do dia em que a Terra atingiu a sua velocidade máxima. No dia 5 de Janeiro, o nosso planeta atingia o Periélio e viajava a cerca de 110 mil km/h. Contudo, hoje atingiu uma velocidade de pouco mais de 105 mil km/h. Este marco astronómico é conhecido como Afélio e coloca a Terra no seu ponto mais distante do Sol em 2020.

Hoje, a Terra está a cerca de 152.000.000 quilómetros de distância do sol. Curiosamente, este ano está menos distante que ano passado.

A Terra está mais lenta esta semana

É verdade que este ano o mundo parece mais silencioso, mais calmo porque está prostrado à pandemia. Contudo, o planeta viaja a uma velocidade alucinante.

Para começar, o planeta está a girar sobre si mesmo e a dar lugar a dias e noites. Uma vez que o planeta completa um círculo completo a cada 23 horas, 56 minutos e pouco mais de quatro segundos, a velocidade da superfície, no equador, é de cerca de 1.609 quilómetros por hora.

No entanto, há muito mais movimento. Poderíamos também considerar que o sistema solar se desloca pela galáxia a uma velocidade de cerca de 828.000 quilómetros por hora ou que a própria galáxia viaja em direcção ao Grande Atrator, a uma velocidade de 3.600.000 quilómetros por hora.

Calma, não estamos em excesso de velocidade a esta altura, bem pelo contrário. A Terra, no Afélio encontra no seu ponto mais longe do Sol. Como tal, viaja a 105.444 quilómetros por hora.

Uma mudança de 2.000 km/h

Ao contrário do que se possa pensar, a órbita da Terra não é um círculo, mas uma elipse (embora muito semelhante a um círculo, em que a distância do Sol mal varia em 3%). Como é que isso se traduz em velocidades?

Kepler, um astrónomo, astrólogo e matemático alemão, percebeu que a linha que liga os planetas e o Sol cobre a mesma área no mesmo período de tempo. Isso significa que quando os planetas estão próximos do Sol na sua órbita, eles movem-se mais rápido do que quando estão mais distantes. Desta forma, a velocidade orbital de um planeta será menor a uma distância maior do Sol, e em distâncias mais curtas a velocidade orbital será maior.

Como tal, a velocidade média do planeta é 107,208 km/h, mas hoje, no ponto mais distante (Afélio), é 105,444, enquanto que no ponto mais próximo (periélio) é de 109,044 quilómetros por hora, ou 29 290 m/s.

O modelo de Kepler dos sólidos platónicos para o Sistema Solar

Então o Sol está mais longe no verão?

Certamente estará a pensar que não faz sentido. Então o Sol está mais longe e as temperaturas são mais altas no nosso verão? Em abono da verdade, as alterações na velocidade da Terra na sua órbita de translação não são relacionadas com as variações de temperatura e clima das estações do ano. As variações de temperatura devem-se antes à inclinação eixo de rotação da Terra em relação ao plano da órbita que faz à volta do Sol.

Portanto, não pense que as temperaturas baixas deste início de Julho tem a ver com o facto de o Sol estar longe.

Leia também:

E se a Terra parasse de girar? O que nos aconteceria?

Com a evolução tecnológica, o ser humano, a ciência, começou a saber mais sobre o planeta onde vivemos. É sabido, por exemplo, que a rotação da Terra está a diminuir gradualmente. Há vários indícios … Continue a ler E se a Terra parasse de girar? O que nos aconteceria?

04 Jul 2020

 

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3952: Eclipse Penumbral da Lua, em 5 de Julho de 2020

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Eclipse penumbral da lua, em 5 de Julho de 2020

Fig. 1 – Máximo do Eclipse Penumbral da Lua às 05:30 horas do dia 5 de Julho em Lisboa mostrando a constelação de Sagitário e os planetas Júpiter e Saturno. (Clique na imagem para obter maior resolução.)

Este eclipse penumbral será visível a partir da Antárctida, Europa Ocidental, África, América do Sul, América do Norte, Oceano Atlântico e Oceano Pacífico Oriental.

Grandeza da penumbra do eclipse = 0.380 considerando o diâmetro da lua como unidade.

Em Portugal continental, a lua entra na Penumbra pelas 04h04 numa altura em que ainda está bem baixa no horizonte (altura da lua=15º) e com o azimute de 215 º (contado de Norte para Este). Nesta ocasião a lua encontra-se muito próxima de Júpiter e Saturno fica ligeiramente acima na constelação de Sagitário na direcção Sudoeste. O máximo do eclipse ocorre pelas 05h30. A duração do eclipse é de 1h26 e apresenta uma ligeira variação do brilho da lua que dificilmente é notada. O ocaso da lua ocorre pelas 06h18, a partir desta altura não será possível observar a lua a sair da Penumbra, por este fenómeno ocorrer mais tarde pelas 06h56. (ver tabela abaixo, com os detalhes do eclipse para as várias cidades)

O eclipse penumbral da Lua é um fenómeno astronómico que ocorre quando a Lua entra na região da penumbra da Terra, e resulta numa variação do brilho da Lua que dificilmente é notada. Isto sucede quando a Lua, em fase de Lua cheia, passa nos seus nodos ou na sua proximidade.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
30 Jun 2020

 

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3951: Terra no Afélio (04/07/2020)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagens do periélio (direita) e afélio (esquerda) obtidas em 2008. É evidente nesta imagem a diferença de diâmetro angular é de pouco mais de 3% entre as duas situações. Crédito: NASA

No dia 4 de Julho de 2020 pelas 13 horas, a Terra passará no ponto mais afastado do Sol, o afélio, a uma distância de 1,016694252 unidades astronómicas (UA). Ver-se-á o Sol menor do ano porque o seu diâmetro aparente (angular) atingiu o valor mínimo: 31,28’ (minutos de arco). Apesar do diâmetro verdadeiro do Sol se manter fixo (1,393 milhões de km), o ângulo observado entre o extremos esquerdo e direito do disco solar (diâmetro aparente) diminui ou aumenta, consoante a distância ao Sol se altera.

A distância média da Terra ao Sol é de 1 UA (Unidade Astronómica), ou seja 149,6 milhões de quilómetros. Na translação terrestre (movimento elíptico em torno do Sol) a distância solar varia diariamente: no periélio está mais próxima e no afélio está mais afastada deste.

Nota:

Embora a Terra esteja no afélio isso não impede que no hemisfério norte estejamos na época mais quente do ano (Verão). As estações do ano não dependem da distância ao Sol (que varia pouco porque a nossa órbita elíptica é quase circular) mas sim da inclinação do eixo da Terra em relação ao seu plano orbital.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
30 Jun 2020

 

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3950: Astrónomos localizaram com precisão o centro do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Pela primeira vez, uma equipa internacional de cientistas foi capaz de localizar com precisão o centro de gravidade do Sistema Solar.

De acordo com o portal Science Alert, que recorda que o baricentro (centro gravidade) do Sistema Solar não está a meio do Sol mas antes num lugar próximo da sua superfície, os cientistas conseguiram refinar esta medição até cerca de 100 metros.

Trata-se de uma medida extremamente precisa na escala do nosso vasto Sistema Solar, frisa o portal Futurism, sublinhando que esta não é uma tarefa fácil, uma vez que encontrar o centro gravitacional do Sistema Solar implica analisar todas as forças gravitacionais em jogo: todos os planetas, asteróides e luas deste sistema.

Com todas estas forças gravitacionais na equação – especialmente o “puxão” forte de Júpiter -, o verdadeiro centro gravitacional do Sistema Solar encontra-se logo acima da superfície do Sol, de acordo com as novas medições, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada The Astrophysical Journal.

Com os novos dados, os especialistas podem estudar e monitorizar com mais precisão ondas gravitacionais emitidas por buracos negros super-massivos e pulsares. Munidos de uma melhor compreensão do equilíbrio do Sistema Solar, os cientistas esperam agora que as gravações gravitacionais melhorem consideravelmente.

“Usando os pulsares que observamos na Via Láctea, estamos a tentar ser como uma aranha parada no meio da sua teia (…) O quão bem entendemos o baricentro do Sistema Solar é crítico, pois estamos a tentar sentir o menor formigamento na teia”, exemplificou o astrónomo da NASA Stephen Taylor, citado em comunicado.

ZAP //

Por ZAP
4 Julho, 2020

 

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3946: Simulação da NASA revela como seria o pôr-do-sol noutros planetas


Dado que não foi disponibilizado o URL do vídeo, teve de recorrer-se a uma captura de écran.

Durante um pôr-do-sol, será que o céu é mais avermelhado em Marte e apresenta tonalidades diferentes em Júpiter? Um grupo de cientistas da NASA criou várias simulações para ver como seria este evento em diferentes planetas do nosso Sistema Solar.

O pôr-do-sol é o resultado da interacção da luz projectada pela nossa estrela, incluindo todas as cores do arco-íris, com os gases e a poeira da atmosfera. Por esse motivo, quanto menor for a atmosfera do planeta em questão, menos impressionante será o evento.

O grupo de cientistas, liderado pelo argentino Gerónimo Villanueva, astrónomo do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, criou simulações do pôr-do-sol em Vénus, Marte, Úrano, Titã (uma das luas de Saturno) e no exoplaneta TRAPPIST-1e.

O projecto integra os preparativos para uma possível missão de pesquisa em Úrano. O planeta gasoso possui muitos mistérios e qualquer leitura da sua atmosfera precisaria de avaliar os níveis de luz que chegam aos sensores da nave espacial. Com os dados da simulação, a sonda poderia avaliar a composição da atmosfera do planeta à medida que absorve a luz, analisando que comprimentos de onda se dispersam e por que motivo.

Segundo o New Atlas, os novos modelos fazem parte do gerador de espectro planetário, construído por Villanueva e pelos seus colegas, e são utilizados para interpretar a luz que chega aos telescópios e descodificá-la para tentar compreender a atmosfera de outros mundos.

Em Vénus, o amarelo brilhante torna-se laranja, castanho e, por fim, preto, à medida que o Sol desaparece. Devido à rotação muito lenta do planeta sobre o seu eixo, seria preciso esperar cerca de 116 vezes o tempo que esperamos na Terra para ver um pôr-do-sol neste planeta.

Já em Marte, o pôr-do-sol é digno de uma tela de cinema: a mistura das cores amarelo e castanho pinta o céu quando o Sol desaparece por trás do horizonte.

A sonda Curiosity já revelou imagens que mostram como são as tardes no Planeta Vermelho: os dias podem terminar com um tom azulado, uma vez que que a poeira dispersa os comprimentos de onda vermelhos, revelando os comprimentos de onda azuis.

Um pôr-do-sol em Úrano começa com um azul forte que desbota para um turquesa, que surge da interacção da luz solar com a atmosfera do planeta.

Quando a luz solar atinge a atmosfera, hidrogénio, hélio e metano absorvem a porção vermelha da luz, que tem o maior comprimento de onda. As luzes azul e verde, com comprimentos de onda mais curtos, dispersam à medida que os fotões refletem as moléculas de gás e outras partículas na atmosfera.

Em Titã, a maior lua de Saturno e uma das maiores do Sistema Solar, o pôr-do-sol é menos entusiasmante devido à névoa muito espessa que cobre a lua.

Já no exoplaneta TRAPPIST-1e – que orbita em torno da estrela anã TRAPPIST-1, na constelação Aquário, a 40 anos-luz da Terra – o pôr-do-sol começa com tons amarelados, que evoluem para tons mais fortes e brilhantes, terminando com um final laranja e acastanhado.

ZAP //

Por ZAP
3 Julho, 2020

 

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3945: TESS da NASA fornece novas ideias sobre um mundo ultra-quente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra como o planeta KELT-9b vê a sua estrela hospedeira. Ao longo de uma única órbita, o planeta sofre por duas vezes períodos de aquecimento e arrefecimento provocados pelo padrão invulgar de temperaturas superficiais. Entre os pólos quentes da estrela e o equador mais frio, as temperaturas variam mais ou menos 800º. Isto produz um “verão” quando o planeta passa pelos pólos e um “inverno” quando o planeta passa pelo equador mais frio. Assim, a cada 36 horas, KELT-9b tem dois Verões e dois Invernos.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith (USRA)

Medições do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA permitiram aos astrónomos melhorar bastante a sua compreensão do ambiente bizarro de KELT-9b, um dos planetas mais quentes conhecidos.

“O factor de estranheza de KELT-9b é alto,” disse John Ahlers, astrónomo da USRA (Universities Space Research Association) em Columbia, no estado norte-americano de Maryland, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado dos EUA. “É um planeta gigante numa órbita muito íntima, quase polar, em torno de uma estrela que gira rapidamente, e estas características complicam a nossa capacidade de entender a estrela e os seus efeitos no planeta.”

As novas descobertas aparecem num artigo liderado por Ahlers publicado dia 5 de Junho na revista The Astronomical Journal.

Localizado a cerca de 670 anos-luz de distância na direcção da constelação de Sagitário, KELT-9b foi descoberto em 2017 porque o planeta passou em frente da sua estrela durante uma parte da sua órbita, um evento chamado trânsito. Os trânsitos diminuem regularmente a luz da estrela por uma quantidade minúscula, mas detectável. Os trânsitos de KELT-9b foram observados pela primeira vez pelo levantamento de trânsitos KELT, um projecto que recolheu observações com dois telescópios robóticos localizados no estado norte-americano do Arizona e na África do Sul.

Entre 18 de Julho e 11 de Setembro de 2019, como parte da campanha de um ano da missão para observar o céu do norte, o TESS observou 27 trânsitos de KELT-9b, obtendo medições a cada dois minutos. Estas observações permitiram que a equipa modelasse a estrela invulgar e o seu impacto no planeta.

KELT-9b é um mundo gigante de gás cerca de 1,8 vezes maior que Júpiter, com 2,9 vezes a sua massa. As forças das marés bloquearam a sua rotação, de modo que o mesmo lado está sempre virado para a sua estrela. O planeta gira em torno da sua estrela em apenas 36 horas numa órbita que o transporta quase directamente acima de ambos os pólos da estrela.

KELT-9b recebe 44.000 vezes mais energia da sua estrela do que a Terra do Sol. Isto eleva a temperatura diurna do planeta a cerca de 4300º C, mais quente do que as superfícies de algumas estrelas. Este aquecimento intenso também faz com que a atmosfera do planeta escape para o espaço.

A sua estrela hospedeira também é estranha. Tem aproximadamente o dobro do tamanho do Sol e é, em média, 56% mais quente. Mas gira 38 vezes mais depressa do que o Sol, completando uma rotação em apenas 16 horas. A sua rápida rotação distorce a forma da estrela, achatando-a nos pólos e ampliando a sua secção central. Isto faz com que os pólos da estrela aqueçam e brilhem enquanto a sua região equatorial esfria e escurece – um fenómeno chamado escurecimento gravitacional. O resultado é uma diferença de temperatura à superfície da estrela de quase 800º C.

A cada órbita, KELT-9b sofre por duas vezes toda a gama de temperaturas estelares, produzindo o que equivale a uma sequência sazonal muito peculiar. O planeta passa a “verão” quando orbita sobre cada pólo e a “inverno” quando passa sobre a parte central e mais fria da estrela. Assim, KELT-9b tem dois Verões e dois Invernos por ano, cada estação durando aproximadamente nove horas.

“É realmente intrigante pensar como o gradiente de temperatura da estrela afeta o planeta,” disse Knicole Colón, co-autora do artigo científico, também de Goddard. “Os vários níveis energéticos que recebe da sua estrela provavelmente produzem uma atmosfera extremamente dinâmica.”

A órbita polar de KELT-9b, em torno da sua estrela achatada, produz trânsitos distintamente desequilibrados. O planeta começa o seu trânsito perto dos pólos brilhantes da estrela e depois bloqueia cada vez menos luz à medida que passa sobre o equador mais escuro da estrela. Esta assimetria fornece pistas sobre as mudanças de temperatura e brilho na superfície da estrela e permitiram que a equipa reconstruisse a sua forma não redonda, a sua orientação no espaço, a sua gama de temperaturas de superfície e outros factores que afetam o planeta.

“Dos sistemas planetários que estudámos através do escurecimento gravitacional, os efeitos em KELT-9b são de longe os mais espectaculares,” disse Jason Barnes, professor de física na Universidade de Idaho e co-autor do artigo. “Este trabalho ajuda a unificar o escurecimento gravitacional com outras técnicas que medem o alinhamento planetário e, em última análise, esperamos que revelem segredos sobre a formação e sobre a história evolutiva dos planetas em torno de estrelas de massa elevada.”

Astronomia On-line
3 de Julho de 2020

 

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3944: Primeiro núcleo exoplanetário exposto permite vislumbrar outros mundos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista que mostra um planeta do tamanho de Neptuno no chamado “Deserto de Neptuno”. É extremamente raro encontrar um objecto deste tamanho e densidade tão perto da sua estrela.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick

Astrónomos da Universidade de Warwick descobriram o núcleo sobrevivente de um gigante gasoso em órbita de uma estrela distante, oferecendo uma visão sem precedentes do interior de um planeta. O núcleo, que é do mesmo tamanho que Neptuno no nosso Sistema Solar, pensa-se que seja um gigante gasoso ou despojado da sua atmosfera de gás ou que não conseguiu formar uma atmosfera na sua juventude.

A equipa do Departamento de Física da Universidade de Warwick relata a descoberta num artigo publicado anteontem na revista Nature, e pensa-se ser a primeira vez que foi observado o núcleo exposto de um planeta. E fornece a oportunidade única de espiar o interior de um planeta e aprender mais sobre a sua composição.

Localizado em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, a aproximadamente 730 anos-luz de distância, o núcleo exoplanetário, chamado TOI-849b, orbita tão perto da sua estrela hospedeira que o seu ano equivale a 18 horas terrestres. E a temperatura à superfície ronda os 1800K.

TOI-849b foi descoberto num levantamento de estrelas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, usando o método de trânsito: observando estrelas em busca da reveladora queda de brilho que indica que um planeta passou à sua frente. Estava localizado no “deserto de Neptuno” – um termo usado pelos astrónomos para uma região próxima das estrelas onde raramente vemos planetas com a massa de Neptuno ou maior.

O sinal de trânsito foi confirmado e refinado usando observações com dez telescópios do NGTS (Next-Generation Transit Survey), liderado pela Universidade de Warwick, baseado no Observatório Paranal do ESO no Chile. Os telescópios NGTS foram construídos especificamente para detectar as diminuições muito ténues de brilho estelar devido a trânsitos exoplanetários: neste caso uma diminuição de brilho de apenas um-décimo de um por cento.

O objecto foi então analisado com o instrumento HARPS, num programa liderado pela Universidade de Warwick, no Observatório La Silla do ESO no Chile. O HARPS utiliza o efeito Doppler para medir a massa dos exoplanetas, medindo a sua “oscilação” – pequenos movimentos na nossa direcção e para longe de nós que se registam como pequenas mudanças no espectro de luz da estrela.

A equipa determinou que a massa do objecto é 2-3 vezes maior que Neptuno, mas também é incrivelmente denso, com todo o material que compõe essa massa compactado num objecto do mesmo tamanho.

O Dr. David Armstrong, autor principal do estudo e do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: “Embora este seja um planeta extraordinariamente massivo, está muito longe de ser o mais massivo que conhecemos. Mas é o mais massivo que conhecemos para o seu tamanho e extremamente denso para algo do tamanho de Neptuno, o que nos diz que este planeta tem uma história muito invulgar. O facto de estar num local estranho para a sua massa também ajuda – não vemos planetas com esta massa e com estes períodos orbitais curtos.

“TOI-849b é o planeta terrestre mais massivo – que tem uma densidade parecida à da Terra – já descoberto. Esperaríamos que um planeta tão grande tivesse acumulado grandes quantidades de hidrogénio e hélio quando se formou, crescendo para algo semelhante a Júpiter. O facto de não vermos estes gases permite-nos saber que este é um núcleo planetário exposto. “É a primeira vez que descobrimos um núcleo exposto intacto de um gigante gasoso em torno de uma estrela.”

Existem duas teorias para o motivo pelo qual estamos a ver o núcleo do planeta, em vez de um típico gigante gasoso. A primeira diz que já foi semelhante a Júpiter, mas que perdeu todo o seu gás através de uma variedade de métodos. Isto pode incluir perturbações de marés, onde o planeta é despojado devido a orbitar demasiado perto da sua estrela, ou até mesmo devido a uma colisão com outro planeta. A foto-evaporação da atmosfera a larga escala também pode desempenhar um papel, mas não pode ser responsável por todo o gás perdido.

Como alternativa, poderá ser um gigante gasoso “falhado”. Os cientistas pensam que uma vez formado o núcleo do gigante gasoso, que aconteceu algo errado e nunca conseguiu formar uma atmosfera. Isto pode ter ocorrido devido a uma divisão no disco de poeira a partir do qual o planeta se formou, ou caso se tenha formado mais tarde, que o disco ficou sem material. O Dr. Armstrong acrescenta: “De uma forma ou de outra, ou TOI-849b costumava ser um gigante de gás ou é um gigante gasoso ‘falhado’.

“É a primeira vez que vemos algo do género, o que nos diz que planetas com este existem e que mais podem ser encontrados. Temos a oportunidade de olhar para o núcleo de um planeta de uma maneira que não podemos fazer no nosso próprio Sistema Solar. Por exemplo, ainda existem questões em aberto sobre a natureza do núcleo de Júpiter, de modo que exoplanetas tão estranhos e invulgares como este dão-nos uma janela para a formação planetária que não temos outra maneira de explorar.

“Embora ainda não tenhamos informações sobre a sua composição química, podemos fazer observações de acompanhamento com outros telescópios. Dado que TOI 849 b está tão perto da estrela, qualquer atmosfera restante em torno do planeta precisa de ser constantemente reabastecida do núcleo. Portanto, se pudermos medir essa atmosfera, podemos ter uma ideia da composição do próprio núcleo.”

Astronomia On-line
3 de Julho de 2020

 

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3943: Chovem diamantes no interior de Neptuno e Úrano (e já se sabe porquê)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOFÍSICA

Paul Stansifer, 84user, NASA, Celestia, JPL/Caltech / Wikimedia

Podem estar a chover diamantes dentro dos corações de Neptuno e Úrano. Agora, os cientistas descobriram novas evidências experimentais que mostram como é que isso poderia ser possível.

Neptuno e Úrano são os planetas mais mal compreendidos no Sistema Solar. Estão tão distantes que apenas uma sonda espacial, a Voyager 2, se aproximou deles e apenas para um sobrevoo – e não para uma missão de longo prazo.

Porém, gigantes de gelo são extremamente comuns na Via Láctea. Há 10 vezes mais exoplanetas do tipo Neptuno do que do tipo Júpiter. Entender os gigantes de gelo do Sistema Solar é vital para entender os planetas em toda a galáxia. Para entendê-los melhor, é preciso saber o que acontece sob os seus serenos exteriores azuis.

De acordo com o ScienceAlert, a hipótese defende que o calor e a pressão intensos, milhares de quilómetros abaixo da superfície de Neptuno e Úrano devem dividir os compostos de hidrocarbonetos, com o carbono a comprimir-se em diamante e a afundar ainda mais em direcção aos seus núcleos planetários.

A nova experiência usou o laser de raios-X do SLAC National Accelerator Laboratory’s Linac Coherent Light Source (LCLS) para medir mais precisamente a forma como este processo de “chuva de diamantes” deve ocorrer e concluiu que o carbono transita directamente em diamante cristalino.

“Esta investigação fornece dados sobre um fenómeno que é muito difícil de modelar computacionalmente: a miscibilidade de dois elementos, ou a forma como se combinam quando misturados”, explicou Mike Dunne, físico de plasma e director do LCLS, em comunicado.

Sabe-se que as atmosferas de Neptuno e Úrano são compostas por hidrogénio e hélio com uma pequena quantidade de metano. Por baixo dessas camadas atmosféricas, um fluido super quente e super denso de materiais “gelados”, como água, metano e amoníaco, envolve o núcleo do planeta.

Estudos anteriores mostraram que, com a pressão e temperatura suficientes, o metano pode ser dividido em diamantes, sugerindo que os diamantes se podem formar dentro desse material quente e denso.

Uma experiência anterior no SLAC, liderado pelo físico Dominik Kraus, usou difracção de raios-X para demonstrá-lo. Agora, Kraus e a sua equipa deram mais um passo em frente. “Agora temos uma nova abordagem muito promissora, baseada na dispersão de raios-X”, disse Kraus. “As nossas experiências estão a fornecer parâmetros importantes do modelo, onde, antes, tínhamos uma incerteza massiva. Isto se tornará cada vez mais relevante quanto mais exoplanetas descobrirmos”.

Neste estudo, a equipa usou poliestireno hidrocarboneto (C8H8) em vez de metano (CH4). O primeiro passo passa por aquecer e pressurizar o material para replicar as condições dentro de Neptuno a uma profundidade de cerca de 10 mil quilómetros. Pulsos de laser óptico geram ondas de choque no poliestireno, que aquece o material até cerca de 4.727ºC e cria pressão intensa.

Depois, a equipa mediu a forma como os raios-X espalharam os electrões no poliestireno. Isto permitiu não só observar a conversão de carbono em diamante, mas também o que acontece com o resto da amostra: divide-se em hidrogénio. Praticamente, não há carbono restante.

“No caso dos gigantes de gelo, agora sabemos que o carbono forma quase exclusivamente diamantes quando se separa e não assume uma forma de transição fluida”, disse Kraus.

O interior de Neptuno é muito mais quente do que deveria ser: liberta 2,6 vezes mais energia do que absorve do Sol. Se os diamantes chovem no interior do planeta, podem estar a libertar energia gravitacional, que é convertida em calor gerado pelo atrito entre os diamantes e o material ao seu redor.

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“Esta técnica permitir-nos-á medir processos interessantes que são difíceis de recriar”, disse Kraus. “Por exemplo, poderemos ver como o hidrogénio e o hélio, elementos encontrados no interior de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno, se misturam e se separam sob estas condições extremas. É uma nova forma de estudar a história evolutiva dos planetas e sistemas planetários, bem como apoiar experiências para possíveis formas futuras de energia da fusão”.

Este estudo foi publicado no final de maio na revista científica Nature Communications.

ZAP //

Por ZAP
2 Julho, 2020

 

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3937: Descobertas duas super-Terras em órbita de anã vermelha próxima

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do sistema multi-planetário de super-Terras recém-descoberto em órbita da anã vermelha Gliese 887.
Crédito: Mark Garlick

Os exoplanetas mais próximos fornecem-nos as melhores oportunidades para estudos detalhados, incluindo a busca por evidências de vida para lá do Sistema Solar. Uma investigação liderada pela Universidade de Gotinga, Alemanha, por astrónomos do projecto RedDots, detectou um sistema de super-Terras em órbita da estrela próxima Gliese 887, a anã vermelha mais brilhante do céu. As super-Terras são exoplanetas com uma massa maior do que a da Terra, mas substancialmente inferior às dos nossos gigantes gelados locais, Úrano e Neptuno. As super-Terras recém-descobertas ficam perto da zona habitável da anã vermelha, onde a água pode existir no estado líquido, e podem ser mundos rochosos. Os resultados foram publicados na revista Science.

A equipa de astrónomos do RedDots monitorizou a anã vermelha usando o espectrógrafo HARPS do ESO no Chile. Usaram uma técnica chamada “oscilação Doppler”, que lhes permite medir as pequenas oscilações da estrela provocadas pela atração gravitacional dos planetas. Os sinais regulares correspondem a órbitas de apenas 9,3 e 21,8 dias, indicando duas super-Terras – Gliese 887b e Gliese 887c – ambas maiores que a Terra e movendo-se rapidamente, muito mais depressa que Mercúrio. Os cientistas estimam que a temperatura de Gliese 887c ronde os 70ºC.

Gliese 887 é uma das estrelas mais próximas do Sol, a cerca de 11 anos-luz de distância. É muito mais ténue e tem aproximadamente metade do tamanho do nosso Sol, o que significa que a zona habitável está muito mais próxima de Gliese 887 do que a distância Terra-Sol. O RedDots descobriu mais dois factos interessantes sobre Gliese 887, que acabam sendo boas notícias não apenas para os planetas recém-descobertos, mas também para os astrónomos. A primeira é que a anã vermelha tem muito poucas manchas estelares, ao contrário do nosso Sol. Se Gliese 887 fosse tão activa quanto o nosso Sol, é provável que um vento estelar forte – fluxo de material que pode erodir a atmosfera de um planeta – simplesmente varresse as atmosferas dos planetas. Isto significa que os planetas recém-descobertos podem reter as suas atmosferas ou ter atmosferas mais espessas que a da Terra, e potencialmente hospedar vida, mesmo que GJ887 receba mais luz do que a Terra. A outra característica interessante que a equipa descobriu é que o brilho de Gliese 887 é quase constante. Portanto, será relativamente fácil detectar as atmosferas do sistema de super-Terras, tornando-o um alvo principal do Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Telescópio Hubble.

A Dra. Sandra Jeffers, da Universidade de Gotinga e autora principal do estudo, conclui: “Estes planetas vão fornecer as melhores possibilidades para estudos mais detalhados, incluindo a busca por vida para lá do nosso Sistema Solar.”

Astronomia On-line
30 de Junho de 2020

 

spacenews

 

3936: Nasceu uma estrela: é o magnetar mais jovem de sempre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) ESA
Representação artística do magnetar Swift J1818.0-1607

Astrónomos da NASA e da ESA descobriram o pulsar mais jovem alguma vez conhecido. Esta “criança celeste” tem apenas 240 anos.

É muito raro encontrar um objecto celeste muito novo. No entanto, esta pequena estrela, conhecida como Swift J1818.0-1607, é a mais nova do género, e está a apenas 60 anos-luz da constelação Cassiopeia.

Uma das características desta recém-nascida é que não é apenas uma estrela de neutrões, mas também um magnetar, um tipo de estrela de neutrões que gira a alta velocidade sobre si mesma e que possui um intenso campo magnético. Até agora, só foram descobertos 30 magnetares.

Além disso, segundo o New Atlas, pertence ao clube exclusivo de magnetares que também são pulsares de rádio, dos quais existem apenas cinco membros conhecidos.

Ser tão jovem ajuda os astrónomos a aprender mais sobre os primeiros dias este objecto estelar. “Este objecto está a mostrar-nos um tempo anterior na vida de um magnetar, logo após a sua formação”, disse Nanda Rea, em comunicado.

A Swift J1818.0-1607 reúne a massa de dois sóis num espaço do tamanho de uma cidade, girando uma vez a cada 1,36 segundos, uma característica que a torna um dos objectos de rotação mais rápidos que conhecemos. O seu poderoso campo magnético significa que muitas vezes explode em raios gama, raios-X e ondas de rádio.

O Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, localizou o corpo celeste a 12 de março, durante uma explosão de raios-X. O artigo científico com as descobertas foi publicado recentemente no Astrophysical Journal Letters.

Apesar de os magnetares serem muito raros, a equipa refere que podem ser mais comuns do que imaginamos. “É provável que os magnetares sejam muito bons a esconderem-se sob o radar quando estão adormecidos e só sejam descobertos quando ‘acordam’. Este bebé magnetar demonstrou isso mesmo, dado que era muito menos luminoso antes da explosão que levou à sua descoberta.”

ZAP //

Por ZAP
30 Junho, 2020

 

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3935: Um mistério cósmico: Telescópio do ESO captura desaparecimento de estrela massiva

eso2010pt — Nota de Imprensa Científica

This illustration shows what the luminous blue variable star in the Kinman Dwarf galaxy could have looked like before its mysterious disappearance.

Com o auxílio do Very Large Telescópio (VLT) do ESO, os astrónomos descobriram a ausência de uma estrela instável massiva numa galáxia anã. Os cientistas pensam que este facto pode indicar que a estrela se tornou menos brilhante e parcialmente obscurecida por poeira. Uma explicação alternativa seria que a estrela colapsou num buraco negro sem, no entanto, dar origem a uma super-nova. “Se for verdade”, diz Andrew Allan, o líder da equipa e estudante de doutoramento no Trinity College Dublin, na Irlanda, “esta pode ser a primeira detecção directa de uma tal estrela gigante a terminar a sua vida deste modo.”

Entre 2001 e 2011, várias equipas de astrónomos estudaram uma estrela massiva misteriosa situada na galáxia anã Kinman, tendo as suas observações indicado que este objecto se encontrava num estado final de evolução. Allan e colaboradores na Irlanda, Chile e Estado Unidos, queriam saber mais sobre como é que estrelas muito massivas terminam as suas vidas e a estrela na galáxia anã Kinman parecia ser o alvo perfeito para este estudo. No entanto, em 2019, quando apontaram o VLT do ESO à galáxia distante, não conseguiram encontrar a assinatura da estrela. “Em vez disso, e surpreendentemente, descobrimos que a estrela tinha desaparecido!” explica Allan, que liderou um estudo sobre esta estrela, publicado hoje na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Situada a cerca de 75 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação do Aquário, a galáxia anã Kinman está longe demais para que os astrónomos possam observar estrelas individuais, no entanto podem ser detectadas as assinaturas de algumas delas. Entre 2001 e 2011, a radiação emitida pela galáxia mostrou de forma consistente evidências da existência de uma estrela ‘variável azul luminosa’ com cerca de 2,5 milhões de vezes mais brilho que o Sol. As estrelas deste tipo são instáveis, mostrando ocasionalmente variações drásticas no seu espectro e brilho. Apesar destas variações, as variáveis azuis luminosas apresentam traços específicos que os astrónomos conseguem identificar, no entanto estes traços não se encontravam nos dados que a equipa colectou em 2019, levando-a a pensar no que poderia ter acontecido à estrela. “Seria altamente invulgar que uma estrela massiva deste tipo desaparecesse sem produzir uma explosão de super-nova muito brilhante,” diz Allan.

Em Agosto de 2019, o grupo observou a estrela com o instrumento ESPRESSO, utilizando os quatro telescópios de 8 metros do VLT em simultâneo. No entanto, não foram encontrados nenhuns dos sinais que apontavam anteriormente para a presença da estrela luminosa. Alguns meses mais tarde, o grupo utilizou o instrumento X-shooter, montado também no VLT, e mais uma vez não se observaram sinais alguns da estrela.

É possível que tenhamos detectado uma das estrelas mais massivas do Universo local a desaparecer,” diz Jose Groh, um membro da equipa, também do Trinity College Dublin. “A nossa descoberta não teria sido possível sem o uso dos telescópios de 8 metros do ESO, os seus instrumentos poderosos e o acesso rápido que tivemos a estas infra-estruturas graças ao recente acordo de adesão que a Irlanda assinou com o ESO.” A Irlanda tornou-se um Estado Membro do ESO em Setembro de 2018.

A equipa analisou de seguida dados anteriores recolhidos com os instrumentos X-shooter e UVES, ambos montados no VLT do ESO, situado no deserto chileno do Atacama, e também dados doutros telescópios. “A Infra-estrutura do Arquivo Científico do ESO permitiu-nos encontrar e usar dados do mesmo objecto obtidos em 2002 e 2009,” disse Andrea Mehner, astrónoma do ESO no Chile que participou no estudo. ”A comparação dos espectros UVES de alta resolução de 2002 com as nossas observações de 2019 obtidas com o mais recente espectrógrafo de alta resolução, o ESPRESSO, foi especialmente reveladora, tanto do ponto de vista astronómico como do ponto de vista instrumental.

Os dados mais antigos indicam que a estrela na galáxia anã Kinman poderia estar a passar por um forte período de explosão que, muito provavelmente, terminou algures após 2011. As estrelas variáveis azuis luminosas tais como esta têm tendência para sofrer enormes erupções ao longo das suas vidas, fazendo com que a sua taxa de perda de massa e luminosidade aumentem drasticamente.

Baseando-se nas suas observações e modelos, os astrónomos sugeriram duas explicações para o desaparecimento da estrela e ausência de uma super-nova, relacionadas com esta possível explosão. A explosão pode ter resultado na transformação da estrela variável azul luminosa numa estrela menos luminosa, que pode também estar parcialmente escondida por poeira. Alternativamente, a equipa diz que a estrela pode também ter colapsado num buraco negro, sem no entanto ter dado origem a uma explosão de super-nova. Este último evento seria, contudo, muito raro: o nosso conhecimento actual relativo ao final da vida das estrelas massivas aponta para que a maioria delas termine a sua vida sob a forma de super-novas.

No futuro, são necessários mais estudos para confirmar o destino desta estrela. O Extremely Large Telescope do ESO (ELT), que se pensa que comece a operar em 2025, será capaz de distinguir estrelas em galáxias distantes, como a galáxia anã Kinman, o que irá ajudar a resolver mistérios cósmicos como este.

Notas

Este trabalho de investigação foi descrito num artigo científico intitulado “The possible disappearance of a massive star in the low metallicity galaxy PHL 293B”, que será publicado na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (está disponível uma cópia do artigo na secção Links).

A equipa é composta por Andrew Allan (School of Physics, Trinity College Dublin, Irlanda [TCD]), Jose J. Groh (TCD), Andrea Mehner (Observatório Europeu do Sul, Chile), Nathan Smith (Steward Observatory, University of Arizona, EUA [Steward Observatory]), Ioanna Boian (TCD), Eoin Farrell (TCD), Jennifer E. Andrews (Steward Observatory).

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infra-estruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

30 de Junho de 2020

 

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