1682: O maior e mais antigo fenómeno no Sistema Solar vai estar mais brilhante do que nunca

Luis Argerich / Flickr

Após um pôr-do-sol de primavera, aqueles que vivem e observam estrelas em lugares muito escuros frequentemente veem um cone de fraca luz branca a brilhar no céu nocturno ocidental.

Não é a Via Láctea nem poluição luminosa. É chamada de luz zodiacal e vem de uma grande parte do sistema solar. Conhecido como um “crepúsculo falso” na primavera, este brilho semelhante a uma pirâmide também é visível antes do amanhecer no leste, quando é chamado de “falsa aurora”.

Para astro-fotógrafos, esta é uma visão preciosa e fugaz, e esta será uma das melhores semanas do ano para a ver e fotografar no hemisfério norte.

A luz zodiacal é poeira interplanetária antiga. Acredita-se que seja a luz solar reflectindo partículas de poeira e gelo no sistema solar e orbita o sol no mesmo plano que todos os planetas.

Para ver o “falso crepúsculo”, em Março, deve olhar-se para oeste depois de o sol se tiver posto das latitudes do norte. É mais fácil se não houver luar brilhante no céu. “Há uma boa probabilidade de vê-lo do final de Fevereiro até o final de Março – realisticamente tudo que precisa é que não haja nuvens no horizonte”, disse Ollie Taylor, um astro-fotógrafo que leva grupos para fotografar a luz zodiacal e a Via Láctea na primavera no hemisfério norte.

“Ele pode durar cerca de 90 minutos, mas vai e vem rapidamente”, refere Taylor, que recentemente fotografou o fenómeno na Escócia. É mais facilmente perto do Equador e é preciso esperar até que esteja escuro. A luz zodiacal tende a ser visível ao longo da eclíptica, o caminho que o Sol percorre no céu.

É chamado “zodiacal” porque é visível sobre as constelações do zodíaco. Se estiver perto do Equador, a eclíptica dirige-se mais ou menos directamente para o horizonte, o que significa um Sol que se põe rapidamente e um distinto triângulo luminoso zodiacal em forma de cone que se parece com um “V” invertido. Quanto mais longe estiver do Equador, mais baixo e mais angulado será o horizonte.

Qualquer local a cerca de 64 quilómetros de distância de uma cidade com céus escuros é uma boa opção. Isso faz das ilhas e oceanos entre os melhores lugares. As Ilhas Canárias no Atlântico são um dos destinos favoritos nesta época do ano para os astro-fotógrafos, uma vez que as ilhas vulcânicas de La Palma e Tenerife permitem um fácil acesso aos topos das montanhas acima das nuvens.

No hemisfério sul, a luz zodiacal também é visível e é frequentemente fotografada no deserto mais seco do mundo – o Deserto do Atacama, no Chile. A regra de visualização é a mesma, mas os meses mudam: a luz zodiacal é observável no hemisfério sul no leste antes do pôr do sol na primavera (Setembro) e no oeste pós-poente na primavera (Março).

A “falsa aurora” de outono é vista com menos frequência. “É visível antes do nascer do sol no leste, mas a maioria das pessoas não o vê nesta época do ano por causa dos padrões de sono”, remata Taylor.

ZAP // Forbes

Por ZAP
8 Março, 2019

 

788: Astrónomo amador conseguiu fotografar início de uma super-nova

É a primeira vez que o momento exacto em que uma estrela explode é registado.

Não se sabe quando é que uma super-nova (explosão de estrelas) vai acontecer e nunca ninguém tinha conseguido antes registar este fenómeno. O feito foi alcançado por Víctor Buso e mereceu publicação na revista científica “Nature“.

Este astrónomo amador foi a primeira pessoa a conseguir fotografar o início de uma explosão estelar, a partir do “observatório caseiro” que instalou na sua residência na cidade de Rosário, na província de Santa Fé, na Argentina. A fachada modesta não o denuncia, mas cúpula no telhado com mais de quatro metros de diâmetro foi necessária para Víctor Buso instalar um telescópio.

Na noite de 20 de Setembro de 2016, ao regressar a casa com uma nova câmara para o seu telescópio e ansioso por experimentá-la, Víctor tentou aproveitar o espaço das comportas que já estavam abertas, para evitar mover a cúpula e fazer barulho para os vizinhos. “Procurei uma galáxia nessa região do céu que podia ver”, explicou ao “El Pais“.

Foi uma coincidência que, naquele fragmento do firmamento, a galáxia espiral NGC 613 tenha chamado a sua atenção. Naquela noite apareceu um brevíssimo brilho da explosão de uma estrela que aconteceu quando os dinossauros ainda existiam na Terra.

“Foi uma sorte impressionante”, diz Melina Bersten, especialista em super-novas do Instituto de Astrofísica de La Plata, que analisou as imagens de Buso quando anunciou a sua descoberta.

É a primeira vez que o momento exacto em que uma estrela explode é registado, porque cada evento dura apenas algumas horas e é impossível saber onde e quando acontecerá o próximo. “Se compararmos a vida estelar com a vida humana, é como capturar um piscar de olhos”, explica Víctor Buso.

O astrónomo amador tirou fotografias com intervalos de 20 segundos que depois comparou. A partir da 40ª imagem daquela noite algo lhe chamou a atenção. “Na imagem apareceu primeiro um pixel que, à medida que me concentrei nele, vi que brilhava mais [nas imagens seguintes]”, recorda.

Percebendo que as imagens eram importantes, enviou-as à União Internacional de Astronomia e assim chegaram à análise de Melina Bersten. A especialista e o seu marido, astrónomo, conseguiram reconstruir com uma precisão sem precedentes as características da estrela que explodiu naquela noite de 20 de Setembro de 2016 – baptizada de SN 2016gkg.

A análise das imagens de Víctor Buso permitiram saber que se tratava de uma estrela super-gigante amarela, pelo menos dez vezes mais pesada do que o Sol.

Jornal de Notícias
22 Fevereiro 2018 às 15:47

– Embora esta notícia seja de Fevereiro deste ano, não tinha sido publicada neste Blogue e serve não só de informação como da constatação da importância da existência dos astrónomos amadores espalhados por todo o planeta.

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