2319: Esta terça-feira vai poder ver o eclipse parcial da Lua

(CC0/PD) biancamentil / pixabay
Eclipse parcial da Lua

A Lua vai estar, esta terça-feira, na sombra da Terra devido a um eclipse parcial que vai poder ser visto em Portugal.

Este fenómeno vai ser visível, a partir das 21h01, hora em que a Lua vai ficar parcialmente na zona de sombra da Terra, e vai poder ver-se “uma sombra com uma superfície arredondada a entrar pela Lua e a Lua a ficar escura”, segundo Rui Agostinho, astrónomo e professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo Rui Agostinho, às 22h31 “o eclipse estará no máximo da sua parcialidade“, terminando à 01h20 de quarta-feira, momento em que a Terra vai deixar de fazer sombra no seu satélite natural.

Duas vezes por ano, a Lua passa nessa zona de sombra”, perdendo a iluminação do Sol, explicou o astrónomo à agência Lusa, a propósito do eclipse da Lua.

No CIAPS – Centro de Interpretação Ambiental da Pedra e do Sal, no Estoril, vai haver uma sessão aberta ao público de observação do eclipse com recurso a telescópios.

Também no Planetário do Porto, o Centro de Ciência Viva e o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço vão organizar uma sessão de observação.

ZAP // Lusa

Por Lusa
16 Julho, 2019

– Seria excelente se o tempo que agora está chuvoso, logo estivesse com céu limpo, o que duvido…

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2218: Incrível atlas espacial mostra as órbitas de todos os objectos conhecidos do Sistema Solar

NASA

Uma cientista da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, criou um impressionante altas espacial, no qual é possível ver as órbitas dos planetas e dos milhares de asteróides conhecidos do Sistema Solar.

Para este trabalho, apelidado de “Atlas do Espaço”, Eleanor Lutz, bióloga e estudante de doutoramento da universidade norte-americana, utilizou dados disponíveis ao público de agências como a NASA e o US Geological Survey.

O mapa mostra as órbitas de mais de 18.000 asteróides, incluindo 10.000 que têm um diâmetro de mais de 10 quilómetros e aproximadamente 8.000 objectos de tamanho desconhecido. Além disso, no atlas, é também possível ver os diferentes planetas e as respectivas órbitas em torno do Sol.

“Gosto que todos estes dados sejam acessíveis, mas são muito difíceis de visualizar”, admitiu a cientista ao portal de Wired. A Astronomia “é uma ciência verdadeiramente incrível, e queria que todos o pudessem ver de uma forma lógica”.

“Existe uma barreira de conhecimento para aceder a algumas das coisas mais interessantes e surpreendentes da ciência”, acrescentou.

Ver imagem no Twitter

marqdmartianMD @mrcmrzn

Map of the solar system for all bodies more than 10km across by Eleanor Lutz

Analisar e exporto todos estes dados não foi uma tarefa fácil. Para conseguir chegar até ao atlas, Lutz teve de aprender várias e diversificadas ferramentas de programação e design gráfico. “Como não tenho formação como designer, e não sou astrónoma, aprendi muito com os tutoriais online”, confessou, citada pelo mesmo portal.

A cientistas criou também outros mapas vividos de constelações, asteróides e planetas. Nas próximas semanas, a cientista vai lançar cada um dos seus trabalhos juntamente com um tutorial para que todos possam explorar e criar trabalhos semelhantes.

ZAP //

Por ZAP
23 Junho, 2019

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2180: ESO Astronomy

ESO’s La Silla Observatory will be enveloped in darkness by a total solar eclipse on 2 July 2019 #LaSillaTSE. As shown in this artist’s impression, planets Venus and Mercury along with the bright stars Sirius, Procyon, Rigel and Betelgeuse are those which may be visible during the 2019 La Silla eclipse, should weather conditions be favourable. Credit: ESO Astronomy / M. Druckmüller, P. Aniol, K. Delcourte, Petr Horálek Photography , L. Calçada #Eclipse2019 #TSE2019 #Chile2019 #SolarEclipse2019 #2019Eclipse #totaleclipse #solareclipse http://socsi.in/YgNxv

O Observatório de la silla de eso será envolto na escuridão por um eclipse solar total em 2 de Julho de 2019 #lasillatse. Como mostrado na impressão deste artista, os planetas Vênus e mercúrio junto com as estrelas brilhantes sirius, procyon, rigel e betelgeuse são aqueles que podem ser visíveis durante o eclipse de 2019 la silla, as condições meteorológicas devem ser favoráveis. Crédito: Eso Astronomy / M. Druckmüller, p. Aniol, k. Delcourte, Petr Horálek Photography, l. Calçada #Eclipse2019 #Tse2019 #Chile2019 #Solareclipse2019 #2019 eclipse #totaleclipse #solareclipse http://socsi.in/YgNxv

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Trump diz que a Lua faz parte de Marte…e é arrasado no Twitter

Presidente diz que a NASA se deve deixar de projectos para regressar à Lua e concentrar-se noutros, “como Marte (de que a Lua é uma parte).”

© REUTERS/Kevin Lamarque/File Photo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua a somar observações desconcertantes no Twitter. Desta vez, a propósito dos planos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) para regressar em breve à Lua, defendeu que esta se deve concentrar em projectos mais ambiciosos, incluindo, e citamos: “Marte (de que a Lua é uma parte)”, Defesa e Ciência”.

Há quem admita a possibilidade de Trump se estar a referir, ainda de que forma bastante confusa, aos projectos da NASA para utilizar a Lua como base de lançamento de futuras missões a Marte. No entanto, tendo em conta que o tweet em causa começa com o presidente dos Estados Unidos a defender que “a NASA não devia estar a falar sobre ir à Lua – fizemos isso há 50 anos”, essa justificação parece um tanto ou quanto forçada.

Ainda que seja igualmente inconcebível a ideia de que um Presidente dos Estados Unidos possa desconhecer que a Lua é o satélite natural da Terra, é esta a leitura que, a julgar pelos comentários que esta intervenção gerou, está a ser feita pela maioria dos internautas que comentaram a publicação. Há quem tente dar umas lições básicas de astronomia a Trump. E há quem se conforme e diga que mais vale reescrever as enciclopédias.

A NASA ainda não se pronunciou sobre as afirmações de Donald Trump. Mas Marte já o fez. Ainda que seja de admitir que a conta do planeta possa não ser oficial.

O que estará de facto a preocupar a NASA, mais do que as noções de astronomia do presidente, é o facto de este ter aparentemente mudado totalmente de posição em relação ao projecto lunar, cuja equipa deverá integrar uma mulher. É que, há menos de um mês, Trump anunciava entusiasticamente os planos da sua administração para um regresso “em grande” ao espaço, Lua incluída.

Ainda esta sexta-feira, recorde-se, a NASA tinha anunciado planos para abrir a Estação Espacial Internacional ao turismo, de forma a ajudar financiar vários projectos, incluindo as missões lunares, e a reforçar a ligação ao sector privado.

Diário de Notícias

DN
08 Junho 2019 — 22:34



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2129: A Astronomia foi fundamental para o sucesso do desembarque na Normandia

CIÊNCIA

U.S. Coast Guard, Department of Defense

O papel da Astronomia no planeamento do desembarque na Normandia foi fundamental para o sucesso dos Aliados, sobretudo para estudar as marés.

Num artigo publicado na Sky & Telescope, o astrónomo da Universidade Estadual do Texas, Donald Olson, destacou a influência da Astronomia no destacamento de tropas aliadas nas praias da Normandia, marco com mais de 75 anos.

Nas décadas após a Segunda Guerra Mundial, os estrategas da invasão perceberam de forma clara que, para além da necessidade de Lua abundante oriunda da Lua durante a noite, a hora do nascer do sol e os efeitos das fases da Lua nas marés desempenhariam um papel crucial para a escolha da data do desembarque.

A posição do Sol e da Lua relativamente à Terra determina a força das marés e os períodos de tempo com águas baixas ou alta, explicou o cientista.

Os Aliados exigiram uma maré baixa por volta do amanhecer e, nesta parte da costa da Normandia, esta maré só ocorre perto de uma lua nova ou lua cheia. A conjugação destes critérios deixou os Aliados com três potenciais datas em vista: 5, 6 e 7 de Junho. Nenhum destes dias apresentava uma “Lua crescente tardia”.

“Uma invasão de primavera em Maio ou Junho foi o ideal, porque esta data deixaria às forças aliadas todo o verão para fazer recuar as forças alemães anda antes de o mau tempo chegar com a entrada do Outono ou do Inverno (…) Os preparativos para a invasão não foram concluídos em Maio, então o general Dwight D. Eisenhower adiou o ataque até Junho”, sustentou Donald Olson.

“Os Aliados queriam pouca água para explodir os obstáculos alemães na praia, mas também queriam que a água subisse para que pudessem chegar à praia com os barcos e para estes não ficarem presos (…) Se vissem uma maré descendente, a embarcação de desembarque ficaria parada durante 12 horas, o que era uma parte importante do plano do Dia D: o aumento da água, logo após a maré baixa”.

Contudo, esta estreita janela de oportunidade também foi contra aquilo que esperavam os Aliados a 6 de Junho de 1944. A diferença entre a maré baixa e maré alta era de 6 metros. Perto da maré baixa no Dia D, as defesas submarinas dos alemães foram expostas para serem destruídas pelas tripulações de demolição dos Aliados.

O problema neste espaço de tempo, explicou, era que as equipas de demolição tinham apenas 30 minutos para completar a tarefa, sob fogo inimigo, antes que a maré que ia subindo fosse demasiado profunda. Às 7 da manhã do dia 6 de Junho, o nível da água subia 30 centímetros a cada 10 minutos.

Esta subida acelerada fez com que as equipas de demolição eliminassem com sucesso apenas cinco dos 16 buracos previstos pelas defesas submarinas de Omaha Beach. A consequente perda de vidas relacionada com as restantes defesas submarinas contribuiu para o apelido da praia de Bloody Omaha.

ZAP //

Por ZAP
7 Junho, 2019



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1825: Chuva de estrelas e danças lunares. Abril reserva incríveis fenómenos celestes

NASA/ JPL-CALTECH

Além da espectacular chuva de meteoros das Líridas, que atingirá seu auge na noite de 21 para 22 deste mês, Abril oferece aos amantes de Astronomia outras oportunidades para desfrutar de fenómenos celestes.

A National Geographic elenca os principais fenómenos que poderão ser vistos nos céus, que incluem “chuvas de estrelas”, danças da Lua com Saturno e Júpiter e um duelo vermelho.

A 11 de Abril, dois dos mais brilhantes e mais avermelhados objectos celestes estarão na mesma parte do céu. Marte vai aproximar-se de Aldebaran, uma estrela laranja, que é a mais brilhante da constelação de Taurus. Este “duelo celestial” estará separado por apenas sete graus de distância, nota a National Geographic.

Dois dias depois, a 13 de Abril, a Lua dançará pela primeira vez em Abril. A lua brilhante será posicionada a menos de meio grau de Saturno ao amanhecer. Se tem um telescópio, poderá apontá-lo para o planeta para ver os famosos anéis que cercam o gigante gasoso.

Na madruga de 21 para 22 de Abril, a “chuva de estrelas” de Líridas atingirá o seu pico. Sob um céu escuro e ideal, esperam-se entre 15 a 20 estrelas cadentes por hora durante este banho anual. Este ano, no entanto, os observadores do céu terão que contar com o brilho de uma lua quase cheia, que fará com que o brilho das estrelas cadentes fique mais fraco ao amanhecer.

Em Portugal, a melhor hora para ver este fenómeno será às 03:00 da manhã, de acordo com a previsão do Observatório Astronómico de Santana, nos Açores. “Infelizmente a Lua irá brilhar em demasia na noite do pico das Líridas. Mas, se está à caça, observe a chuva a partir das 04 da manhã (hora dos Açores), já que a esta hora a Lua já se “deitou” e verá, assim, mais meteoros”, pode ler-se na sua página oficial.

Um dia depois, a 23 de Abril, será Júpiter a encontrar o satélite natural da Terra. Será possível ver como é que a lua minguante se aproxima de Júpiter de tal forma que ambos os corpos estarão a uma distância de dois graus. Este evento será uma óptima oportunidade para tirar fotografias do “casal”, cerca de 45 minutos antes do nascer do sol.

ZAP //

Por ZAP
9 Abril, 2019

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1682: O maior e mais antigo fenómeno no Sistema Solar vai estar mais brilhante do que nunca

Luis Argerich / Flickr

Após um pôr-do-sol de primavera, aqueles que vivem e observam estrelas em lugares muito escuros frequentemente veem um cone de fraca luz branca a brilhar no céu nocturno ocidental.

Não é a Via Láctea nem poluição luminosa. É chamada de luz zodiacal e vem de uma grande parte do sistema solar. Conhecido como um “crepúsculo falso” na primavera, este brilho semelhante a uma pirâmide também é visível antes do amanhecer no leste, quando é chamado de “falsa aurora”.

Para astro-fotógrafos, esta é uma visão preciosa e fugaz, e esta será uma das melhores semanas do ano para a ver e fotografar no hemisfério norte.

A luz zodiacal é poeira interplanetária antiga. Acredita-se que seja a luz solar reflectindo partículas de poeira e gelo no sistema solar e orbita o sol no mesmo plano que todos os planetas.

Para ver o “falso crepúsculo”, em Março, deve olhar-se para oeste depois de o sol se tiver posto das latitudes do norte. É mais fácil se não houver luar brilhante no céu. “Há uma boa probabilidade de vê-lo do final de Fevereiro até o final de Março – realisticamente tudo que precisa é que não haja nuvens no horizonte”, disse Ollie Taylor, um astro-fotógrafo que leva grupos para fotografar a luz zodiacal e a Via Láctea na primavera no hemisfério norte.

“Ele pode durar cerca de 90 minutos, mas vai e vem rapidamente”, refere Taylor, que recentemente fotografou o fenómeno na Escócia. É mais facilmente perto do Equador e é preciso esperar até que esteja escuro. A luz zodiacal tende a ser visível ao longo da eclíptica, o caminho que o Sol percorre no céu.

É chamado “zodiacal” porque é visível sobre as constelações do zodíaco. Se estiver perto do Equador, a eclíptica dirige-se mais ou menos directamente para o horizonte, o que significa um Sol que se põe rapidamente e um distinto triângulo luminoso zodiacal em forma de cone que se parece com um “V” invertido. Quanto mais longe estiver do Equador, mais baixo e mais angulado será o horizonte.

Qualquer local a cerca de 64 quilómetros de distância de uma cidade com céus escuros é uma boa opção. Isso faz das ilhas e oceanos entre os melhores lugares. As Ilhas Canárias no Atlântico são um dos destinos favoritos nesta época do ano para os astro-fotógrafos, uma vez que as ilhas vulcânicas de La Palma e Tenerife permitem um fácil acesso aos topos das montanhas acima das nuvens.

No hemisfério sul, a luz zodiacal também é visível e é frequentemente fotografada no deserto mais seco do mundo – o Deserto do Atacama, no Chile. A regra de visualização é a mesma, mas os meses mudam: a luz zodiacal é observável no hemisfério sul no leste antes do pôr do sol na primavera (Setembro) e no oeste pós-poente na primavera (Março).

A “falsa aurora” de outono é vista com menos frequência. “É visível antes do nascer do sol no leste, mas a maioria das pessoas não o vê nesta época do ano por causa dos padrões de sono”, remata Taylor.

ZAP // Forbes

Por ZAP
8 Março, 2019

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1345: Petroglifos antigos revelam mapas estelares dos humanos pré-históricos

CIÊNCIA

Alistair Coombs

Algumas dos mais antigos petroglifos do Mundo revelam que os humanos pré-históricos tinham conhecimentos relativamente avançados sobre astronomia.

As obras de arte, em locais de toda a Europa, não são apenas representações de animais selvagens, como se pensava anteriormente. Em vez disso, os símbolos animais representam constelações estelares no céu nocturno e são usados ​​para representar datas e marcar eventos como chuvas de meteoros.

Estas pinturas revelam que, talvez há 40 mil anos, os humanos controlavam o tempo, usando o conhecimento de como a posição das estrelas lentamente muda ao longo de milhares de anos.

As descobertas, publicadas a 2 de Novembro na revista Athens Journal of History, sugerem que os povos antigos entendiam o efeito causado pela mudança gradual do eixo rotacional da Terra. O crédito da descoberta desse fenómeno, chamada de precessão axial, foi anteriormente dado aos antigos gregos.

A arte rupestre indica que as percepções astronómicas dos povos antigos eram muito maiores do que se acreditava. O seu conhecimento pode ter ajudado a navegação em mar aberto, o que poderá ter implicações na compreensão actual da migração humana pré-histórica.

Investigadores das Universidades de Edimburgo e Kent estudaram detalhes da arte paleolítica e neolítica com símbolos de animais em locais na Turquia, Espanha, França e Alemanha. Em todos os locais notaram que o mesmo método de manutenção de dados era sempre o mesmo: baseado em astronomia sofisticada. Isto é relevante uma vez que a arte aparece separada no tempo por dezenas de milhares de anos.

Os arqueólogos clarificaram descobertas anteriores de um estudo de esculturas de pedra num desses locais – Gobekli Tepe na Turquia moderna – que é interpretado como um memorial a um devastador ataque de meteoros por volta de 11 mil a.C. Acreditava-se que este fenómeno tenha iniciado uma pequena era do gelo conhecida como o período Younger Dryas.

Também descodificaram o que provavelmente é a mais antiga obra de arte conhecida – a cena de Lascaux em França. A pintura, que mostra um homem a morrer e vários animais, pode homenagear outro ataque de cometas por volta de 15.200 a.C.

A equipa de investigação confirmou as suas descobertas ao comparar a idade de muitos exemplos de arte rupestre – conhecidos a partir da datação química das tintas usadas – com as posições das estrelas nos tempos antigos, como previsto por softwares sofisticados.

Para os autores, estas descobertas suportam a teoria de múltiplos impactos de meteoros durante o desenvolvimento humano na Terra e irá, provavelmente, revolucionar a forma como as populações pré-históricas são vistas.

ZAP // EurekAlert!

Por ZAP
29 Novembro, 2018

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1292: TRABALHO DE DETECTIVE CÓSMICO: A IMPORTÂNCIA DAS ROCHAS ESPACIAIS

Os mundos pequenos do nosso Sistema Solar ajudam-nos a traçar a sua história e evolução, incluindo os cometas. Esta pequena animação foi compilada com imagens obtidas pela missão EPOXI da NASA durante a sua passagem pelo cometa Hartley 2 no no dia 4 de Novembro de 2010.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UMD

Toda a história da existência humana é um pequeno ponto na cronologia com 4,5 mil milhões de anos do nosso Sistema Solar. Ainda ninguém existia para poder ver a formação dos planetas e para ver as mudanças dramáticas por que passaram antes de se estabelecerem na sua configuração actual. A fim de entendermos o que se passou antes do ser humano – antes da vida na Terra e antes da própria Terra – os cientistas precisam procurar pistas desse misterioso e distante passado.

Estas pistas vêm na forma de asteróides, cometas e outros pequenos objectos. Como detectives que examinam evidências forenses, os cientistas examinam cuidadosamente estes pequenos corpos em busca de informações sobre as nossas origens. Contam-nos mais sobre uma época em que inúmeros meteoros e asteróides choviam nos planetas, morriam no Sol e eram disparados para lá da órbita de Neptuno ou colidiam uns com outros e davam origem a corpos mais pequenos. Desde os distantes e gélidos cometas, até ao asteróide que terminou o reino dos dinossauros, cada rocha espacial contém pistas de eventos épicos que moldaram o Sistema Solar como o conhecemos hoje – incluindo a vida na Terra.

As missões da NASA para estudar esses “não-planetas” ajudam-nos a compreender como os planetas, incluindo a Terra, se formaram, a localizar perigos de objectos vindouros e a pensar sobre o futuro da exploração. Desempenharam papéis importantes na história do nosso Sistema Solar e refletem como continua a mudar ainda hoje.

“Podem não ter vulcões gigantes, oceanos globais ou tempestades de areia, mas os mundos pequenos podem responder a grandes questões que temos sobre as origens do nosso Sistema Solar,” comenta Lori Graze, directora interina da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington.

A NASA tem uma longa história de exploração de pequenos corpos, começando com a passagem em 1991 da Galileo pelo asteroide Gaspra. A primeira sonda a orbitar um asteróide, a NEAR (Near Earth Asteroid Rendezvous) Shoemaker também aterrou com sucesso no asteroide Eros em 2000 e obteve medições que originalmente não haviam sido planeadas. A missão Deep Impact conduziu uma sonda até ao Cometa Tempel 1 em 2005 e levou os cientistas a repensarem a formação dos cometas. Esforços mais recentes basearam-se nesses sucessos e vão continuar a ensinar-nos mais sobre o nosso Sistema Solar. Aqui fica uma visão geral do que podemos aprender:

Esta representação em cores falsas da Cratera Occator em Ceres mostra diferenças na composição da superfície.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA

Os Blocos de Construção dos Planetas

O nosso Sistema Solar, como o conhecemos hoje, formou-se a partir de grãos de poeira – partículas pequenas de rocha, metal e gelo – girando num disco em torno do nosso jovem Sol. A maioria do material desse disco caiu na estrela recém-nascida, mas parte evitou esse destino e permaneceu em órbita, aglomerando-se em asteróides, cometas e até planetas. Ainda hoje sobrevivem muitos detritos desse processo. O crescimento dos planetas, a partir de objectos mais pequenos, é uma parte da nossa história que os asteróides e cometas podem ajudar a investigar.

“Os asteróides, cometas e outros corpos pequenos contêm material do nascimento do Sistema Solar. Se quisermos saber de onde viemos, temos que estudar esses objectos,” comenta Glaze.

Dois fósseis antigos que fornecem pistas desta história são Vesta e Ceres, os maiores corpos da cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. A sonda Dawn da NASA, que recentemente terminou a sua missão, orbitou os dois e mostrou definitivamente que não fazem parte do típico “clube dos asteróides”. Embora muitos asteróides sejam colecções um tanto ou quanto soltas de entulho, os interiores de Vesta e Ceres estão dispostos em camadas, estando o material mais denso nos núcleos (em termos científicos, dizemos que os seus interiores são “diferenciados”). Isto indica que ambos os corpos estavam a caminho de se tornarem planetas, mas o seu crescimento foi atrófico – nunca tiveram material suficiente para ficarem tão grandes quanto os planetas principais.

Mas enquanto Vesta é em grande parte seco, Ceres é molhado. Pode ter até 25% de água, principalmente ligada a minerais ou sob a forma de gelo, com a possibilidade de água líquida subterrânea. A presença de amónia em Ceres também é interessante, porque normalmente requer temperaturas mais baixas do que a posição actual de Ceres permite. Isto indica que o planeta anão pode ter-se formado para lá de Júpiter e migrado para o interior, ou pelo menos ter incorporado materiais originários de locais mais afastados do Sol. O mistério das origens de Ceres mostra quão complexa pode ser a formação planetária e destaca a história complicada do nosso Sistema Solar.

Esta impressão de artista mostra a nave da missão Psyche da NASA perto do seu alvo, o asteróide metálico Psyche.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade Estatal do Arizona/Space Systems Loral/Peter Rubin

Embora possamos estudar indirectamente os interiores profundos dos planetas em busca de pistas das suas origens, como a missão InSight da NASA fará em Marte, é impossível perfurar até ao núcleo de qualquer objecto considerável no espaço, incluindo a Terra. No entanto, um objecto raro chamado Psyche pode fornecer a oportunidade de explorar o núcleo de um corpo semelhante a um planeta sem qualquer tipo de perfuração. O asteróide Psyche parece ser o núcleo exposto de ferro-níquel de um protoplaneta – um mundo pequeno que se formou no início da história do nosso Sistema Solar, mas que nunca atingiu o tamanho planetário. Tal como Ceres e Vesta, Psyche viu o seu percurso para planeta igualmente impedido. A missão Psyche da NASA, com lançamento previsto para 2022, vai ajudar a contar a história da formação planetária através do estudo detalhado deste objecto metálico.

Impressão de artista da sonda New Horizons da NASA a encontrar 2014 MU69, um objecto da Cintura de Kuiper que orbita o Sol a 1,6 mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, no dia 1 de Janeiro de 2019.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

Mais adiante, a nave New Horizons da NASA está actualmente a caminho de um objecto distante de nome 2014 MU69, apelidado “Ultima Thule” pela missão. A mais de mil milhões de quilómetros para lá de Plutão, MU69 é um residente da Cintura de Kuiper, uma região rica em objectos gelados situada para lá da órbita de Neptuno. Objectos como MU69 podem representar o material mais primitivo, mais inalterado, que ainda existe no Sistema Solar. Embora os planetas orbitem em elipses em redor do Sol, MU69 e muitos outros objectos da Cintura de Kuiper têm órbitas bastante circulares, sugerindo que não se moveram dos seus percursos originais em 4,5 mil milhões de anos. Estes objectos podem representar os blocos de construção de Plutão e de outros mundos gelados e distantes. A New Horizons fará a sua maior aproximação a MU69 no dia 1 de Janeiro de 2019 – o “flyby” planetário mais distante da História da Humanidade.

“Ultima Thule é incrivelmente valioso, cientificamente falando, para a compreensão da origem do nosso Sistema Solar e dos seus planetas,” comenta Alan Stern, investigador principal da New Horizons, no SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “É antigo e pristino, não é nada como qualquer objecto que tenhamos visto antes.”

Entrega dos Elementos da Vida

Os mundos pequenos são também provavelmente responsáveis por semear a Terra com os ingredientes da vida. O estudo da sua quantidade de água é evidência de como ajudaram a semear a vida na Terra.

“Os corpos pequenos mudam o jogo. Participam na evolução lenta e constante do nosso Sistema Solar ao longo do tempo e influenciam as atmosferas planetárias e as oportunidades para a vida. A Terra faz parte dessa história, comenta o cientista-chefe da NASA, Jim Green.

Esta imagem em “super-resolução” do asteróide Bennu foi criada com oito exposições obtidas pela sonda OSIRIS-REx da NASA no dia 29 de Outubro de 2018, a uma distância de mais ou menos 330 km.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Um exemplo de um asteróide que contém os blocos de construção da vida é Bennu, o alvo da missão ORISIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer) da NASA. Bennu pode estar carregado com moléculas de carbono e água, ambas necessárias para a vida como a conhecemos. À medida que a Terra se formava – e depois -, objectos como Bennu choveram e entregaram estes materiais ao nosso planeta. Estes objectos não tinham oceanos, mas sim moléculas de água ligadas a minerais. Pensa-se que até 80% da água da Terra tenha vindo de pequenos corpos como Bennu. Ao estudar Bennu, podemos compreender melhor os tipos de objectos que permitiram que uma jovem e estéril Terra florescesse com vida.

Bennu provavelmente teve origem na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter e pensa-se que tenha sobrevivido a uma colisão catastrófica que ocorreu há 800-2000 milhões de anos. Os cientistas pensam que um grande asteróide, rico em carbono, estilhaçou-se em milhares de fragmentos, e que Bennu é um desses remanescentes. Em vez de um objecto sólido, Bennu é um asteróide “pilha de escombros” – uma colecção solta de rochas mantidas unidas através da gravidade e de outra força que os cientistas chamam de “coesão”. A OSIRIS-REx, que chegará a Bennu no início de Dezembro de 2018, depois de uma viagem de 2 mil milhões de quilómetros, vai recolher e enviar para a Terra uma amostra deste intrigante objecto, com chegada prevista para 2023.

A missão japonesa Hayabusa-2 também está a estudar um asteróide da mesma família de corpos que supostamente entregaram ingredientes da vida na Terra. Actualmente em órbita do asteróide Ryugu, com pequenos robôs saltitantes à superfície, a missão vai recolher amostras e enviá-las numa cápsula para a Terra para análise no final de 2020. Vamos aprender muito pela comparação de Bennu e Ryugu, pela compreensão das semelhanças e diferenças entre as suas amostras.

Indícios da Evolução do Sistema Solar

A maior parte do material que formou o nosso Sistema Solar, incluindo a Terra, não viveu para contar a história. Caiu no Sol ou foi expelido para lá do alcance dos nossos telescópios mais poderosos; apenas uma pequena fracção formou os planetas. Mas existem alguns remanescentes renegados destes primeiros dias, quando o material dos planetas girava com um destino incerto em redor do Sol.

Entre 50 e 500 milhões de anos após a formação do Sol – um tempo particularmente catastrófico para o Sistema Solar. Júpiter e Saturno, os gigantes mais massivos do nosso Sistema Solar reorganizaram os objectos à sua volta à medida que a sua gravidade interagia com mundos menores, como os asteróides. Úrano e Neptuno podem ter tido origem mais perto do Sol e ter sido expulsos para fora à medida que Júpiter e Saturno se moviam. Saturno, de facto, pode ter impedido Júpiter de “comer” alguns planetas terrestres, incluindo a Terra, pois a sua gravidade neutralizou o movimento adicional de Júpiter em direcção ao Sol.

Imagem conceptual da missão Lucy aos asteróides Troianos.
Crédito: NASA/SwRI

Enxames de asteróides chamados Troianos podem ajudar a resolver os detalhes daquele período turbulento. Os Troianos compreendem dois grupos de corpos pequenos que partilham a órbita de Júpiter em redor do Sol, com um grupo à frente de Júpiter e o outro atrás. Mas alguns Troianos parecem ser compostos por materiais diferentes, como indicam as suas cores variadas. Alguns são muito mais avermelhados do que outros e podem ter tido origem para lá da órbita de Neptuno, enquanto os mais cinzentos podem ter-se formado muito mais perto do Sol. A principal teoria é que, à medida que Júpiter se movia há muito tempo atrás, estes objectos ficaram encurralados nos Pontos de Lagrange – locais onde a gravidade de Júpiter e do Sol criam áreas onde os asteróides podem ser capturados. A diversidade dos Troianos, dizem os cientistas, reflete a jornada de Júpiter até à sua posição actual. “São os remanescentes do que estava a acontecer da última vez que Júpiter se mudou,” explica Hal Levison, investigador do SwRI.

A missão Lucy da NASA, com lançamento previsto para Outubro de 2021, enviará uma nave pela primeira vez até aos Troianos, investigando minuciosamente seis Troianos (três asteróides em cada enxame). Para Levison, investigador principal da missão, a sonda testará as ideias que ele e os seus colegas vêm trabalhando há décadas sobre a reformulação do Sistema Solar por Júpiter. “O realmente interessante é aquilo que não esperamos,” acrescenta.

Processos num Sistema Solar em Evolução

Após o pôr-do-Sol, sob as condições certas, podemos notar luz solar espalhada ao longo do plano da eclíptica, a região do céu onde os planetas orbitam. Isto porque a luz solar é dispersada por poeira que sobrou das colisões de pequenos corpos como cometas e asteróides. Os cientistas chamam a este fenómeno “luz zodiacal” e é uma indicação de que o nosso Sistema Solar ainda está activo. A poeira zodiacal em torno de outras estrelas indica que elas podem, também, abrigar sistemas planetários activos.

A poeira de corpos pequenos teve um papel importante, em particular, no nosso planeta. Cerca de 100 toneladas de material meteorítico e poeira caem na Terra todos os dias. Parte vem dos cometas, cuja actividade tem implicações directas para a evolução da Terra. À medida que os cometas se aproximam do Sol e são aquecidos, os gases no interior são libertados e transportam com eles material empoeirado do cometa – incluindo os ingredientes da vida. A nave Stardust da NASA passou pelo Cometa 81P/Wild e descobriu que a poeira cometária contém aminoácidos, os blocos de construção da vida.

Esta imagem mostra o Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko visto pela câmara OSIRIS da sonda Rosetta da ESA no dia 29 de Setembro de 2016, quando se encontrava a uma altitude de 23 km.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para a equipa da OSIRIS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

As explosões ocasionais de gás e poeira observadas em cometas indicam actividade à superfície ou perto, como deslizamentos de terra. A missão Rosetta da ESA, que completou a sua exploração do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2016, forneceu informações sem precedentes sobre a actividade cometária. Entre as mudanças no cometa, a nave observou um enorme colapso de um penhasco, o crescimento de uma grande fenda e o movimento de um pedregulho. “Nós descobrimos que os pedregulhos do tamanho de um grande camião podem ser movidos através da superfície do cometa até uma distância de campo e meio de futebol,” comentou em 2017 Ramy El-Maarry, membro da equipa científica norte-americana da Rosetta e da Universidade do Colorado em Boulder.

Os cometas também influenciam o movimento planetário de hoje. À medida que Júpiter continua a arremessar cometas para fora, move-se ligeiramente para dentro por causa da dança gravitacional com os corpos gelados. Neptuno, entretanto, lança cometas para o interior e, por sua vez, recebe um pequeno empurrão para longe. Úrano e Saturno também se movem para longe do Sol neste processo muito lento.

“Neste momento estamos a falar de pequenos movimentos porque não resta muita massa,” explica Levison.

Curiosamente, a sonda que mais cometas viu é a SOHO (Solar & Heliospheric Observatory) da NASA, mais famosa pelo seu estudo do Sol. A SOHO viu o Sol “comer” milhares de cometas, o que significa que esses pequenos mundos estavam pulverizando material nas regiões mais internas do Sistema Solar na sua viagem para se tornarem alimento estelar.

Esta animação mostra um cometa à medida que se aproxima do Sistema Solar interior. A luz do Sol aquece o núcleo do cometa, um objecto tão pequeno que não pode ser visto a esta escala.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Perigos para a Terra

Os asteróides ainda podem representar um risco de impacto para os planetas, incluindo o nosso.

Enquanto os Troianos estão presos como “fãs” de Júpiter, Bennu, o alvo da missão OSIRIS-REx, é um dos asteróides potencialmente mais perigosos para a Terra actualmente conhecidos, embora as suas chances de colidir com a Terra ainda sejam relativamente pequenas; os cientistas estimam que Bennu tem uma probabilidade, entre 2700, de colidir com o nosso planeta durante uma das suas aproximações à Terra no final do século XXII. Actualmente, os cientistas podem prever o percurso de Bennu com bastante precisão até ao ano de 2135, quando o asteróide fizer uma das suas passagens mais próximas pela Terra. Observações íntimas pela OSIRIS-REx ajudarão os cientistas a refinar ainda mais a órbita de Bennu, o que só ajudará à protecção do nosso planeta contra asteróides perigosos e a melhor entender o que seria necessário para desviar um deles de uma trajectória de impacto.

“Estamos a desenvolver muitas tecnologias para operar com precisão em torno desses tipos de corpos e a escolher alvos à superfície, bem como a caracterizar as suas propriedades físicas e químicas. Precisamos destas informações se queremos desenhar uma missão de desvio de asteróides,” disse Dante Lauretta, investigador principal da missão OSIRIS-REx, na Universidade do Arizona em Tucson, EUA.

Outra missão que testará uma técnica para defender o planeta de perigos de impacto que ocorrem naturalmente é a missão DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA, que tentará mudar o movimento de um pequeno asteróide. Como? Através de impacto cinético – por outras palavras, fazendo colidir algo contra ele, mas de uma maneira mais precisa e controlada do que a Natureza colide.

O alvo da missão DART é Didymos, um asteróide binário composto por dois objectos em órbita um do outro. O corpo maior tem aproximadamente 800 metros, com uma pequena lua com 150 metros. Um asteróide deste tamanho poderia resultar em danos regionais generalizados caso impactasse a Terra. A DART irá deliberadamente chocar contra a lua e assim mudar ligeiramente a velocidade orbital do pequeno objecto. Os telescópios cá na Terra vão então medir esta alteração em termos de velocidade, observando o novo período orbital da lua em torno do corpo principal, que deverá corresponder a uma variação de menos de uma fracção de 1%. Mas até mesmo essa pequena mudança pode ser suficiente para fazer com que um corpo com impacto previsto falhe a Terra nalgum cenário futuro. A nave, que está a ser construída pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, tem lançamento previsto para a primavera-verão de 2021.

Didymos e Bennu são apenas dois dos quase 19.000 asteróides conhecidos próximos da Terra. Existem mais de 8300 asteróides conhecidos próximos da Terra do tamanho da lua de Dydimos e maior, mas os cientistas estimam que possam existir no espaço próximo à Terra – e nessa gama de tamanhos – aproximadamente 25.000 asteróides. O telescópio espacial que ajuda os cientistas a descobrir e a entender esses tipos de objectos, incluindo potenciais perigos, é chamado NEOWISE (que significa Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer).

“Para a maioria dos asteróides, sabemos pouco sobre eles, excepto a sua órbita e quão brilhantes parecem. Com o NEOWISE, podemos usar o calor emitido pelos objectos para termos uma melhor avaliação dos seus tamanhos,” explica Amy Mainzer, investigadora principal do NEOWISE, no JPL da NASA. “Isto é importante porque os impactos de asteróides podem ser muito perigosos e a quantidade de energia depende fortemente do tamanho do objecto.”

Impressão de artista que mostra a nave WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), na sua órbita em torno da Terra. A sua missão NEOWISE é encontrar e caracterizar asteróides.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Mundos Pequenos como Paragens, Recursos para a Exploração Futura

Ainda não temos postos de gasolina no espaço, mas os cientistas e os engenheiros estão já a começar a pensar em como os asteróides poderão um dia servir como estações de reabastecimento de espaço-naves a caminho de destinos mais longínquos. Estes mundos pequenos também podem ajudar os astronautas a reabastecer os seus aprovisionamentos. Por exemplo, Bennu provavelmente tem água encapsulada em minerais argilosos, que talvez possa um dia ser colhida para hidratar viajantes espaciais sedentos.

“Além da ciência, o futuro passará certamente pela mineração,” comenta Green. “Os materiais no espaço serão usados, no espaço, para uma maior exploração.”

Como é que os metais ficam em asteróides? À medida que se formavam, os asteróides e outros pequenos mundos recolheram elementos pesados forjados há milhares de milhões de anos. O ferro e o níquel encontrados nos asteróides foram produzidos por gerações anteriores de estrelas e incorporados na formação do nosso Sistema Solar.

Estes corpos pequenos também contêm metais mais pesados forjados em explosões estelares chamadas super-novas. A morte violenta de uma estrela, que pode levar à criação de um buraco negro, espalha elementos mais pesados que o hidrogénio e hélio pelo Universo. Estes incluem metais como o ouro, prata e platina, bem como oxigénio, carbono e outros elementos que precisamos para a nossa sobrevivência. Outro tipo de cataclismo – a colisão de remanescentes de super-nova chamadas estrelas de neutrões – também pode produzir e espalhar metais pesados. Desta maneira, corpos pequenos também são evidências forenses das explosões ou colisões de estrelas mortas há muito tempo.

Graças a coisas grandes, temos agora muitas coisas pequenas. E, de coisas pequenas, obtemos grandes pistas sobre o nosso passado – e possivelmente recursos para o nosso futuro. A exploração destes objectos é importante, mesmo que não sejam planetas.

Pois, afinal, são mundos pequenos.

Astronomia On-line
13 de Novembro de 2018

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1018: Orçamento Participativo Portugal > Votação até 30 Setembro 2018

O Orçamento Participativo Portugal é um processo democrático deliberativo, directo e universal, através do qual as pessoas apresentam propostas de investimento e que escolhem, através do voto, quais os projectos que devem ser implementados em diferentes áreas de governação. A votação ocorre até 30 de Setembro. Cada cidadão pode votar num projecto de âmbito nacional e noutro de âmbito regional.

O Prof. Doutor Rui Agostinho, docente da FCUL e director do OAL propôs, como cidadão, um projecto a votação no Orçamento Participativo Portugal. Fique a conhecer o projecto e participe na votação:

Âmbito Nacional

Projecto #582 – AstroCosmos: Aprender na Escola, no Campo e na Cidade, no Céu de Portugal
Proposto por Rui Agostinho
Votar online

É um projecto de Astronomia dando muita ênfase às Escolas, à formação dos alunos e professores, mas também é para o público. O projecto contribuirá para o desenvolvimento da Educação em Ciência e da Cidadania do Conhecimento, através destas acções que serão realizadas com as Escolas e com o público.

O projecto tira partido da posição privilegiada de instituições de divulgação científica, os CCVs, apoiadas por uma instituição do Ensino Superior em Lisboa, que tem reconhecida competência em Astronomia, no ensino, divulgação e investigação.

Está na proposta que um CCV deve estar em Lisboa, com uma localização de eleição e infraestruturas muito boas. Isto permitirá a observação do Sol e da Lua integradas nas sessões públicas regulares, onde as Escolas têm um assento preferencial.

O complemento perfeito está na excelente qualidade do céu alentejano, a Sul de Grândola, num CCV onde aflui muito público com regularidade e onde se farão observações astronómicas no grande telescópio, mas também para as suas actividades regulares de observação do Sol, da Lua e dos planetas. O que está planeado é que seja o CCV do Lousal, onde se têm feito este tipo de acções: funcionará bem.

As acções de formação com as Escolas terão acesso (local ou remoto) ao telescópio, e será criada um base de dados com imagens e projectos, de acesso livre. O Prof. Rui Agostinho fará a coordenação dos projectos de Formação e Ensino com as Escolas.

Será preciso comprar equipamento como as cúpulas, pequenos telescópios solares em Hα além de outros equipamentos para imagem (CCD, filtros, espectroscópio, etc). Mas o grande telescópio já existe na FCUL/OAL: é um Ritchey-Chrétien de 45 cm, com montagem equatorial de garfo.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
14 Set 2018

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