2232: Astronautas aterram no Cazaquistão após missão na Estação Orbital Internacional

Alexander Nemenov / Pool / EPA
A astronauta norte-americana Anne McClain de regresso à Terra

Três astronautas regressaram à Terra, esta terça-feira, depois de uma missão de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

A astronauta norte-americana Anne McClain, o russo Oleg Kononenko e o canadiano David Saint-Jacques pousaram no Cazaquistão às 08h47 locais (03h47 em Lisboa).

A partida dos astronautas para a estação orbital, em Dezembro do ano passado, foi motivo de preocupação, pois acontecia depois do incidente, em meados de Outubro, que envolveu o russo Alexey Ovchinin e o norte-americano Nick Hague: cerca de dois minutos após a descolagem, a nave espacial Soyuz explodiu e foram forçados a uma aterragem de emergência.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

Antes da partida para o espaço, McClain, Kononenko e Saint-Jacques estavam optimistas e o tom não mudou durante o tempo a bordo da estação orbital, um dos últimos exemplos de cooperação activa entre Moscovo e países ocidentais.

“Uma bela noite sobre África na minha última noite na ISS”, observou no Twitter Anne McClain, de 40 anos, que fez duas saídas espaciais durante esta primeira missão.

Anne McClain @AstroAnnimal

A beautiful night pass over Africa on my last night on @Space_Station

Enquanto a ISS dava a volta à Terra em cerca de 90 minutos, o seu colega David Saint-Jacques, de 49 anos, foi capaz de maravilhar-se uma última vez com a visão do Canadá antes de voltar para casa: “British Columbia e Nunavik … vou ter saudades dessas grandes paisagens canadianas!”, escreveu também na mesma rede social o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA).

David Saint-Jacques, que também realizou a sua primeira missão, ultrapassou o tempo recorde no espaço detido por outro canadiano: 204 dias, contra 187 cumpridos pelo compatriota Robert Thirsk.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Junho, 2019

1981: NASA regressa à Lua em 2024 e leva a primeira mulher na viagem

Missão pretende estabelecer uma permanência prolongada na Lua e já está a ser preparada. Presidente Trump atribuiu uma verba adicional de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da agência espacial com esse objectivo

© NASA

A pouco mais de dois meses das celebrações dos 50 anos da chegada à Lua, a NASA anunciou que estará de regresso dentro de cinco anos, com novas missões tripuladas. A primeira viagem já está marcada para 2024 e desta vez vai incluir uma astronauta, que será a primeira mulher a pisar o solo lunar.

Até hoje, apenas 12 pessoas – 12 astronautas americanos, todos homens – estiveram no satélite natural da Terra, nas missões Apolo, que decorreram nas décadas de 1960 e início de 1970.

O último homem a pisar a Lua, durante a missão Apolo 17, em 1972, Eugene “Gene” Cernan, faleceu em 2017, aos 82 anos. Mas tal como aconteceu com a frase de Neil Armstrong, à chegada – “um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade” – também as palavras de despedida de Cernan ficaram para a História: “Partimos, tal como chegámos e, se Deus quiser, voltaremos, em paz e com esperança para toda a humanidade”.

O último astronauta na Lua sempre defendeu, aliás, que a NASA devia regressar às missões à Lua, o que está agora, finalmente programado para 2024. Desta vez com a primeira mulher a bordo, e com o objectivo de estabelecer missões mais prolongadas.

O aumento em 1,6 mil milhões de dólares que o presidente Donald Trump acaba de atribuir ao orçamento da agência espacial (no valor de 21 mil milhões de dólares) destina-se à nova missão lunar, que a NASA designou como Artemis – a deusa da Lua na Antiga Grécia, e irmã de Apolo.

Foram justamente as missões Apolo que levaram a NASA à Lua. Há 50 anos, a 20 de Julho de 1969 (já era madrugada de dia 21 em Portugal), coube à Apolo 11 fazer essa estreia na Lua,

“Para levar astronautas americanos à Lua em 2024”, adianta a NASA, citada na CNN, “os nossos esforços incluem um novo trabalho [nos centros espaciais da agência] para disponibilizar as tecnologias-chave e os equipamentos científicos que vão ser necessários aterrar na superfície lunar”.

Diário de Notícias
14 Maio 2019 — 09:16


 

1967: “Biorreactor” de algas na Estação Espacial pode produzir oxigénio para os astronautas

CIÊNCIA

Não há dúvidas do empenho das agências espaciais para desenvolver métodos e produtos que nos ajudem a viver no espaço. Afinal, tal como repetiu por várias vezes o cosmólogo Stephen Hawking “a raça humana terá que sair da Terra para sobreviver”. Assim, estamos a viver em época de grandes inovações tecnológicas dedicadas à vida extraterrestre.

Os astronautas estão prestes a testar um novo dispositivo chamado “Photobiorecactor”. Este sistema usa algas vivas para converter dióxido de carbono em oxigénio respirável e produzir alimentos comestíveis.

Criado sistema de suporte de vida com recurso a algas

Os astronautas da Estação Espacial Internacional começaram a testar um biorreactor inovador. Assim, com recurso a algas, o sistema avaliará se este produto é viável em futuras missões espaciais de longa duração.

O biorreactor alimentado por algas, chamado Photobioreactor, representa um grande passo para a criação de um sistema de suporte de vida em circuito fechado. Desta forma, o dispositivo poderá um dia sustentar os astronautas sem missões de reabastecimento de carga da Terra. Isso será particularmente importante para futuras missões de longa duração na Lua ou em Marte, que exigem mais fornecimentos do que uma nave pode carregar, de acordo com uma declaração do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

O Photobioreactor chegou à estação espacial na segunda-feira (6 de Maio) numa nave de carga SpaceX Dragon. A experiência é projectada para usar algas na conversão do dióxido de carbono exalado pelos astronautas na estação espacial em oxigénio e biomassa comestível através da fotossíntese.

Algas podem ser alimentação no Espaço

O Photobioreactor deverá trabalhar em conjunto com o sistema de reciclagem de ar físico-químico, ou Sistema Avançado de Malha Fechada (ACLS), que foi entregue à estação espacial em 2018. O ACLS extrai metano e água do dióxido de carbono na cabine da estação espacial. Por sua vez, as algas do fotobiorreactor usarão o dióxido de carbono restante para gerar oxigénio. Desta forma, será criada uma solução híbrida formalmente conhecida como PBR @ ACLS, de acordo com a declaração.

Com a primeira demonstração da abordagem híbrida, estamos mesmo na vanguarda quando se trata do futuro dos sistemas de suporte à vida. É claro que o uso destes sistemas é interessante principalmente para estações base planetárias ou para missões muito longas. Mas estas tecnologias não estarão disponíveis quando necessário se as fundações não forem estabelecidas hoje.

Referiu em comunicado Oliver Angerer, líder da equipa de Exploração e líder do projecto para o experimento Fotobiorreactor no DLR.

A experiência irá cultivar algas microscópicas chamadas Chlorella vulgaris a bordo da estação espacial. Além de produzir oxigénio, as algas também produzem uma biomassa nutricional que os astronautas podem comer.

Criar uma biomassa comestível a partir de dióxido de carbono dentro da nave significa que menos comida precisaria ser transportada ou entregue em missões espaciais. Além do mais, os investigadores estimam que cerca de 30% da comida de um astronauta pode ser substituída por algas devido ao seu alto teor de proteína, de acordo com a declaração.

pplware
12 Mai 2019

Imagem: DLR
Fonte: Space.com


 

1902: Vídeo mostra como é realmente difícil andar na Terra após 6 meses no Espaço

CIÊNCIA

(dr) Roscosmos

Drew Feustel conseguiu concretizar um sonho que muitos nunca terão oportunidade de realizar: ir ao Espaço. Mas, quando voltou, deparou-se com um verdadeiro desafio: caminhar.

O astronauta Drew Feustel passou 197 dias no Espaço – pouco mais de meio ano – a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Apesar de ser um sonho tornado realidade, a verdade é que os humanos não foram feitos para flutuar sem peso e passar tanto tempo em micro-gravidade.

Quando os nossos corpos não estão numa constante luta contra a força da gravidade, algo estranho pode acontecer. Os músculos podem atrofiar e podemos ainda perder muita densidade óssea.

Além disso, quando os astronautas retornam à Terra, o retorno à gravidade pode produzir uma vertigem muito severa à medida que o sentido de equilíbrio se reajusta.

Por esse motivo, movimentar é um desafio e uma tarefa muito mais difícil do que o que esperavam. Feustel publicou um vídeo no Twitter, em Dezembro do ano passado, que mostra essa dificuldade. O astronauta tropeça quando tenta andar apenas alguns passos em linha recta.

A Estação  Espacial, ciente desse obstáculo, está actualmente equipada com um número vasto de equipamentos para dar aos astronautas um treino de corpo inteiro. Os astronautas gastam, em média, duas horas por dia a treinar.

Esta solução foi concebida para mitigar a atrofia. No entanto, mesmo com o programa de exercícios actualmente em vigor, são necessários, pelo menos, três a quatro anos para que um astronauta recupere totalmente após um período de seis meses no Espaço.

Este é apenas um dos muitos desafios que os cientistas precisam de resolver para uma possível viagem a Marte. Quanto mais tempo de estadia, maior a perda de densidade óssea – a viagem ao Planeta Vermelho implica, pelo menos, seis meses em cada sentido.

De Março de 2015 a Março de 2016, os astronautas Scott Kelly da NASA e Mikhail Korniyenko de Roscosmos passaram 342 dias no Espaço para descobrirem mais sobre os efeitos na saúde de uma longa missão espacial. Como era de esperar, voltaram com o equilíbrio muito instável e um enorme desafio pela frente.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
28 Abril, 2019

 

1844: Um gémeo foi ao espaço e o outro ficou na Terra. Um ano depois, estão diferentes

NASA

Um gémeo foi ao espaço, o outro ficou na Terra e mais de 80 cientistas de 12 universidades estudaram os dados vitais de ambos.

Scott Kelly passou um ano na Estação Espacial Internacional, enquanto Mark ajudou os investigadores agindo como contraponto ao que foi registado no corpo do seu irmão.

“Este é o começo do estudo do genoma humano no Espaço“, afirmou Andrew Feinberg, da universidade Johns Hopkins, referindo que foram criados métodos que servirão para “mais investigação para concluir o que acontece aos humanos” fora da Terra.

Os investigadores descobriram nas análises a Scott Kelly um aumento de comprimento dos telómeros, estruturas que fazem parte dos cromossomas, mas tudo voltou ao normal seis meses após o regresso à Terra. Descobriram ainda que a vacina da gripe funciona do mesmo modo no espaço e que não houve alterações significativas da flora intestinal do gémeo astronauta.

O estudo é descrito na edição da revista Science que será publicada na sexta-feira e baseia-se em amostras de sangue, dados fisiológicos e outras medições feitas com os gémeos Kelly ao longo de um período de 27 meses antes, durante e depois da missão espacial de Scott.

Amostras do astronauta foram recolhidas na estação espacial e enviadas de volta à Terra durante um reabastecimento da estação espacial por uma nave russa, para serem analisadas num prazo de 48 horas.

Os resultados levantam preocupações sobre a forma como os astronautas devem ser preparados para viagens espaciais – sobretudo nos planos futuros para uma missão com humanos até Marte, por exemplo.

De modo simplificado, dá para afirmar que Scott voltou para a Terra mais velho que seu irmão. Pelo menos com sintomas parecidos com os do envelhecimento: comprometimento cognitivo, perda de densidade óssea e até alterações cardiovasculares – como o espessamento da artéria carótida.

As conclusões sobre os perigos das viagens espaciais para o genoma humano não são ainda evidentes, afirmam os cientistas, mas fazer o mesmo tipo de estudo em astronautas de missões espaciais futuras poderá ajudar a prever o tipo de riscos médicos que poderão enfrentar em viagens prolongadas, sem gravidade e com exposição a raios ultra-violeta nocivos e outros riscos para a saúde humana.

Feinberg assinalou que estudar um par de gémeos idênticos foi uma oportunidade rara de comparar mudanças fisiológicas e genéticas mas frisou que não se pode atribuir as mudanças apenas à viagem espacial, sendo necessário continuar a investigação com outros astronautas. A sua equipa estudou dois tipos de glóbulos brancos e descobriu que em ambos os irmãos se verificaram alterações epigenéticas.

Professor da Weill Cornell Medicine, a unidade de pesquisa biomédica da Universidade Cornell, Chris Mason disse que foi observada “uma mudança realmente de grande escala em mais de mil genes”.

“Houve activação de funções que regulam a resposta a danos e reparos no ADN e, mais notavelmente, um fortalecimento do conjunto de genes envolvidos no sistema imunológico – o que indicou que a defesa do organismo estava em alerta alto, como uma maneira de tentar compreender o novo ambiente.”

O investigador ressaltou que embora muitas das funções do organismo de Scott tenham voltado à normalidade depois do fim da missão, ainda há desajustes no corpo. “90% das alterações regressaram à linha de base”, explicou. Mas o sistema imunológico não está a funcionar correctamente e a reposição das células – naturalmente feita pelo organismo – também não ocorre da maneira esperada.

Brinda Rana, da Universidade da Califórnia, enumerou outros problemas identificados no organismo do astronauta. “Esta investigação inédita forneceu pistas sobre como um voo espacial de longa duração altera a regulação das moléculas no corpo e a relação dessas mudanças com as mudanças fisiológicas no corpo causadas pelo voo espacial, de questões vasculares a problemas de visão”, disse ela.

“Muitos astronautas desenvolvem um problema de visão que pode ser o resultado de mudanças de fluidos relacionadas à micro-gravidade. Alterações cardiovasculares semelhantes à aterosclerose também foram observadas.”

Rana acredita que estas questões são “grandes obstáculos fisiológicos” que a NASA precisa de resolver “antes de embarcar em missões espaciais mais longas, como a proposta missão a Marte”. A investigação indicou ainda que o ambiente com privação de oxigénio influencia o metabolismo, causando um aumento de inflamações interiores e nos nutrientes do corpo.

Exames de fezes também demonstraram que a jornada espacial interferiu nas proporções das bactérias da flora intestinal de Scott. Investigadores da Universidade Northwestern analisaram duas amostras fecais do astronauta antes da viagem, quatro durante a jornada espacial e três após o fim da missão. A diversidade das bactérias não mudou – mas a proporção delas sim.

Scott Kelly esteve a bordo da estação espacial durante 342 dias durante 2015 e 2016.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Abril, 2019

 

1822: A Estação Espacial Internacional está repleta de fungos e bactérias

Estudo da NASA aponta que a Estação Espacial Internacional, por onde já passaram 222 astronautas, tem muitas bactérias e fungos. A maioria tem origem nos humanos.

© NASA

A Estação Espacial Internacional está repleta de bactérias e fungos que podem causar doenças e formar biofilmes (comunidades biológicas com elevado grau de organização) que promovem a resistência a antibióticos, e podem até mesmo corroer a infra-estrutura espacial, descobriu um novo estudo da NASA.

A estação, construída em 1998 e em órbita a cerca de 250 quilómetros da Terra, foi visitada por mais de 222 astronautas e até seis missões de reabastecimento por ano até Agosto de 2017.

Cientistas da NASA descobriram que os micróbios têm origem principalmente em humanos e são semelhantes aos encontrados em prédios e escritórios na Terra.

O estudo – o primeiro a fornecer um catálogo abrangente de bactérias e fungos à espreita em superfícies interiores em sistemas espaciais fechados – foi publicado na revista Microbiome.

Kasthuri Venkateswaran, investigador principal do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA e um dos autores do estudo, disse que a Estação Espacial Internacional “é um sistema hermeticamente fechado, sujeito a micro-gravidade, radiação, dióxido de carbono elevado e re-circulação de ar através de filtros. E é considerado um ‘ambiente extremo'”.

O cientista apontou que os micróbios são conhecidos por sobreviver e até mesmo prosperar em ambientes extremos. As bactérias que estão presentes na Estação Espacial Internacional podem ter existido desde o início da estação, acrescentou, enquanto outras podem ser introduzidas nas vezes em que novos astronautas ou cargas chegaram.

Venkateswaran acrescentou que a “influência do microbioma interior na saúde humana torna-se mais importante para os astronautas durante os voos devido à alteração da imunidade associada ao voo espacial e à falta de intervenções médicas sofisticadas que estão disponíveis na Terra”.

“À luz de uma nova era de expansão humana no universo, como futuras viagens espaciais a Marte, o microbioma do ambiente espacial fechado precisa de ser cuidadosamente examinado para identificar os tipos de micro-organismos que se podem acumular nesse ambiente único, por quanto tempo persistem e sobrevivem, e o seu impacto na saúde humana e na infra-estrutura da nave “, acrescentou.

Investigadores dizem que o estudo pode ser usado para ajudar a melhorar as medidas de segurança que respeitam aos requisitos da NASA para habitação humana no espaço.

Diário de Notícias
08 Abril 2019 — 09:05

 

1812: A NASA quer ir buscar as 96 fraldas que os astronautas deixaram na Lua

NASA
Os astronautas da NASA deixaram as suas marcas na Lua. Ainda lá estão.

A NASA planeia ir à Lua, nos próximos anos, para recolher as fraldas deixadas pelos seus astronautas durante o programa Apollo. A ideia será ver se estas fezes, que ficaram no espaço durante cerca de 50 anos, ainda têm “vida”.

Nas missões Apollo que levaram o Homem à Lua, os astronautas deixaram para trás centenas de objectos, que constam da lista Manmade Material on the Moon, que a agência espacial mantém no seu site.

Entre estes objectos encontram-se veículos, equipamentos, objectos pessoais, bandeiras dos EUA (que estão agora totalmente brancas), peças de roupa, bolas de golfe, mensagens, a escultura de um ramo de oliveira em ouro, e 96 sacos de fezes que os astronautas produziram e deixaram na Lua – que, segundo a Vox, a NASA quer agora de volta.

A ideia de ir à Lua recolher fezes poderá não ter muita lógica a olho nu, mas a NASA tem uma razão bem pertinente para o fazer. Estas fezes estão cheias de vida, sendo metade da sua massa composta por bactérias e micróbios.

O objectivo da agência espacial norte-americana é ver até que ponto é que estes organismos sobreviveram com o passar dos anos, no ambiente inóspito do espaço.

Os Estados Unidos já deixaram claro que querem voltar a pôr homens na lua dentro dos próximos anos. A NASA pretende assim aproveitar o regresso ao nosso satélite para recolher as fraldas deixadas antes pelos astronautas. Uma tarefa nada apelativa, mas que pode oferecer muitas respostas.

Além de fezes, os sacos deixados pelos astronautas das missões Apollo têm também urina, restos de comida, vómitos e diversos outros resíduos. Assim que a NASA conseguir voltar à Lua, os seus cientistas poderão descobrir quão resistente é a vida destes resíduos no ambiente lunar.

E, caso os micróbios tenham sobrevivido, será que eles também sobreviveriam a viagens interestelares, semeando vida pelo universo fora?

Por que os astronautas deixaram fezes na Lua

Durante o programa Apollo, a NASA levou seis missões tripuladas à Lua: Apollo 11 e 12 em 1969, Apollo 14 e 15 em 1971, Apollo 16 e 17 em 1972. Um total de 12 homens tiveram o privilégio dar um pequeno passo de gigante em solo lunar. Boa parte deles, certamente, teve necessidade de encher as fraldas” enquanto saltitavam pela micro-gravidade lunar.

Na época das missões Apollo, a solução encontrada pela NASA para que os astronautas fizessem as necessidades de forma segura foi acoplar um saco de plástico nas nádegas para capturar as fezes directamente, sem que elas entrassem em contacto com o ambiente.

No entanto, esse método apenas era útil para os momentos em que os astronautas estavam nas naves. Para as situações em que os astronautas estavam no exterior e não conseguiam controlar os seus intestinos, a NASA desenvolveu e forneceu aos astronautas um “fato de máxima absorção” para “contenção fecal”. Por outras palavras, uma fralda.

Em 1969, quando Neil Armstrong desceu à superfície lunar, tornando-se a primeira pessoa a deixar pegadas na Lua, foi tirada uma fotografia que mostra uma paisagem repleta de crateras, com um saco de lixo branco ao lado do módulo lunar.

NASA
Um dos sacos de fezes junto ao módulo lunar da Apollo 11, em 1969

Ficou sempre a dúvida se seria essa umas das fatídicas fraldas usadas pelos astronautas. Buzz Aldrin, colega de Armstrong na missão Apollo 11 e o segundo homem a pisar a Lua, não confirmou nem negou a suspeita, mas um facto é indesmentível: todos os astronautas que estiveram na Lua deixaram sacos de resíduos humanos por lá.

Charlie Duke, da missão Apollo 16 (1972), foi o 10º homem na Lua, onde passou 71 horas. Ele mesmo confirmou, recentemente, que a sua tripulação deixou resíduos para trás. “Deixamos a urina que foi recolhida num tanque, e acredito que tivemos alguns dejectos — mas não tenho certeza — que estavam num saco de lixo”, disse.

Duke explica que estes resíduos foram deixados para trás na Lua porque havia a ideia de que tudo seria higienizado por acção da radiação solar. “Ficaria realmente muito surpreendido se alguma coisa sobrevivesse”, explicou. Mas na altura, trazer de volta esses sacos de lixo à Terra não era uma opção.

“As missões lunares foram planeadas com muito cuidado, e o peso era um problema muito grande. Caso quisesse trazer pedras da Lua, teria de descartar coisas que não seriam necessárias, para aumentar a margem de segurança”, explica Andrew Schuerger, cientista de vida espacial da Universidade da Florida e co-autor de um artigo sobre a viabilidade de haver micróbios sobreviventes na Lua.

NASA’s Goddard Space Flight Center / Vox
Onde estão as fezes na lua?

Poderá ter sobrevivido alguma bactéria fecal?

A recolha das fezes dará insights importantes sobre as condições extremas que a vida é capaz de suportar. O potencial humano de contaminar outros corpos celestes é também uma possibilidade de análise.

A probabilidade de que alguma coisa tenha sobrevivido nos excrementos deixados na Lua é pequena. Afinal, a Lua não tem um campo magnético capaz de proteger a vida contra a radiação cósmica, não tem camada de ozono para absorver raios ultravioleta e o vácuo lunar é inóspito para a vida.

Sem atmosfera, a Lua sofre ainda grandes variações de temperatura entre o dia e a noite, com a superfície a registar temperaturas de 100ºC de dia que descem drasticamente para os -173ºC à noite.

Mas, ainda que a maior hipótese seja de que a combinação de radiação e extremas temperaturas tenha matado todos os micróbios nos sacos de lixo, Schuerger diz que há uma “pequena probabilidade de que alguma bactéria mais resistente tenha sobrevivido. Margaret Race, bióloga do Instituto SETI, concorda: “os micróbios não precisam ter muita protecção”, disse.

ZAP // CanalTech / VOX

Por CT
6 Abril, 2019

 

1769: Astronautas norte-americanos podem regressar à Lua dentro de 5 anos

Administração de Donald Trump diz-se frustrada com os atrasos e os problemas de orçamento do programa da NASA para construir a próxima nave espacial SLS, cuja primeira viagem foi recentemente adiada para 2021

© Science & Society Picture Librar/Getty Expresso

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, anunciou nesta terça-feira que, dentro de cinco anos, os Estados Unidos irão enviar novamente um grupo de astronautas norte-americanos à Lua, no qual se inclui uma mulher. “De acordo com a ordem do Presidente, a política oficial da administração dos Estados Unidos quer promover o regresso dos astronautas norte-americanos à Lua, no prazo de cinco anos”, declarou Mike Pence, durante um discurso em Huntsville, Alabama, acrescentando que a primeira mulher a pisar a lua será americana.

A administração de Donald Trump diz-se frustrada com os atrasos e os problemas de orçamento do programa da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço) para construir a próxima nave espacial SLS, cuja primeira viagem foi recentemente adiada para 2021.

Mike Pence criticou a “inércia burocrática” da agência espacial e apelou a um “novo estado de espírito”, ameaçando que as futuras missões poderão ser entregues a uma estação privada, com foguetões comerciais, caso a NASA não esteja preparada no prazo estipulado. “Se as naves privadas são a única forma de levar os astronautas americanos de volta à Lua, então serão lançados foguetões privados”, ameaçou.

O responsável pela NASA, Jim Bridenstine, argumentou que a estação espacial fará os possíveis para cumprir o prazo estabelecido.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, fez hoje uma série de recomendações ao Presidente Donald Trump que visam melhorar a competitividade do sector espacial dos Estados Unidos, abordando o problema da comunicação entre os satélites e a Terra. De acordo com um relatório enviado pelo ministério do Comércio, as autoridades federais americanas autorizaram, em Novembro passado, que a sociedade espacial ‘SpaceX’ colocasse 11.943 satélites em órbita destinados a fornecer uma conexão à Internet de alta velocidade para a década de 2020.

“Uma indústria satélite saudável, com acesso suficiente ao espectro de frequências, é vital para a competitividade mundial (…) dos Estados Unidos”, refere-se no relatório. As declarações dos dirigentes surgem a poucos meses da celebração do 50.º aniversário do primeiro homem a pisar o solo lunar, Neil Armstrong, em Junho de 1969.

msn notícias
Lusa
26/03/2019

 

1765: Primeira caminhada feminina no espaço cancelada por falta de fatos

NASA anunciou que não consegue preparar fatos espaciais com o tamanho certo para duas mulheres até sexta-feira, portanto a astronauta Anne McClain vai ter de ficar a bordo da Estação Espacial Internacional.

Christina Koch (centro) assistiu os seus colegas Nick Hague (esquerda) e Anne McClain (direita) na missão de 22 de Março. Agora será ela a sair para o espaço
© NASA

Foi anunciado pela NASA como um marco histórico na conquista do espaço: no dia 29 de Março, já na próxima sexta-feira, Anne McClain e Christina Koch deviam realizar a primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. Um marco histórico que afinal vai ter de ficar para outra data, tudo devido a um problema de falta de fatos.

A agência espacial norte-americana anunciou esta segunda-feira que não há fatos espaciais com o tamanho certo para as duas mulheres, portanto Anne McClain vai ter de ficar a bordo da Estação Espacial Internacional, sendo substituída na missão ao exterior por Nick Hague.

“Koch devia realizar esta caminhada espacial com a astronauta McClain, no que deveria ser a primeira saída exclusivamente feminina. Contudo, depois de consultar McClain e Nick Hague após uma primeira caminhada [realizada a 22 de Março], os responsáveis decidiram ajustar a missão, em parte devido à falta de fatos disponíveis na estação. McClain percebeu na primeira saída que um tamanho médio da parte superior do fato – essencialmente a camisola – lhe servia melhor”, explica o comunicado da NASA. O problema é que as duas astronautas vestem o mesmo tamanho “e como apenas conseguimos preparar um fato médio até sexta-feira, será Koch a usá-lo”.

A missão de Mcclain e Hague será a segunda de três saídas previstas para instalar umas poderosas baterias de lítio nos painéis solares da Estação Espacial e vai incluir mais três mulheres: Mary Lawrence será a directora da missão e Jackie Kagey a controladora. Já no solo, Kristen Faccioli irá dirigir a equipa a partir do Johnson Space Center.

Menos de 11% das mais de 500 pessoas que estiveram no espaço eram do sexo feminino e as equipas dos passeios espaciais foram sempre masculinas ou mistas.

Diário de Notícias
26 Março 2019 — 12:52

 

1736: O Espaço esconde uma nova ameaça para os astronautas: herpes

NASA / Wikipedia

As missões espaciais podem ser ainda mais complicadas para os astronautas, uma vez que alguns vírus latentes, como o herpes, são reactivados durante os voos.

De acordo com uma nova investigação da NASA publicada na revista Frontiers in Microbiology, embora os astronautas desenvolvam apenas uma pequena percentagem dos sintomas, a duração do voo espacial aumenta a taxa de reactivação do vírus, o que poderia representar mais desafios para missões como uma expedição a Marte ou além.

“Durante o voo espacial há um aumento na secreção de hormonas do stress, como o cortisol e a adrenalina, que suprimem o sistema imunológico. Descobrimos que as células imunes dos astronautas, particularmente aquelas que normalmente suprimem e eliminam os vírus, se tornam menos eficaz durante voos espaciais e, às vezes, até 60 dias depois”, disse Satish K. Mehta, do Centro Espacial Johnson, em comunicado.

Mehta e os seus colegas descobriram que a urina e a saliva dos astronautas contêm mais amostras de herpes do que antes ou depois da viagem espacial. Um dos culpados, suspeitam os investigadores, é o stress causado pelas missões espaciais.

Os astronautas da NASA suportam semanas ou até meses expostos a micro-gravidade e radiação cósmica, sem mencionar as forças extremas de descolagem e reentrada”, disse Mehta. “Esse desafio físico é agravado por factores stressantes mais familiares, como a separação social, confinamento e ciclo alterado de sono-vigília”.

“Até o momento, 47 dos 89 (53%) astronautas em voos curtos e 14 dos 23 (61%) em missões mais longas da Estação Espacial Internacional (ISS) têm o vírus do herpes nas suas amostras de saliva ou urina “, de acordo com os autores do estudo.

A reactivação do vírus do herpes nos astronautas não só representa uma ameaça para eles, mas também para as pessoas com as quais entram em contacto na Terra. Segundo o estudo, pessoas com o vírus reactivado ainda expelem substâncias infecciosas nos seus fluidos corporais até 30 dias após regressarem da ISS.

Felizmente, essa excreção viral é tipicamente assintomática. Os seis astronautas que desenvolveram sintomas devido à reactivação sofreram apenas sintomas menores. No entanto, o facto de a duração dos voos espaciais poder afectar a reactivação de vírus não é um bom sinal para futuras missões. A duração, frequência e magnitude da propagação viral aumentam com a duração do voo espacial.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
19 Março, 2019

 

1716: Astronautas que sobreviveram à Soyuz voltam ao espaço (apesar de novas anomalias)

NASA
Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

Em Outubro do ano passado, a nave-espacial Soyuz fez uma aterragem de emergência, quando ia em direcção à Estação Espacial Internacional (EEI). Agora, cinco meses depois, os astronautas que iam a bordo, dizem estar preparados para um novo voo.

Os dois astronautas a bordo da Soyuz tiverem de realizar uma aterragem de emergência, depois de uma falha detectada nos propulsores após o lançamento. O russo Alexey Ovchinin da Roscosmos e o astronauta da NASA Nick Hague estavam a bordo da nave espacial.

A Soyuz MS-10 foi obrigada a aterrar de emergência devido a uma falha no motor, depois de ter descolado no Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional, onde permaneceriam durante seis meses.

Volvidos cinco meses, os dois astronauta têm esta quinta-feira viagem marcada para a EEI. Os tripulantes que viajavam a bordo da Soyuz não se mostram receosos, apesar de ainda na terça-feira terem sido identificados e substituídos alguns componentes defeituosos da nave.

Eu tenho conhecimento dessa situação“, disse Ovchinin, em conversa com os jornalistas antes do lançamento. O astronauta russo diz-se “100% confiante” e diz que já “não há qualquer problema com a nave”.

Nick Hague também se mostrou confiante na viagem. O norte-americano disse que a aterragem de emergência de Outubro de 2018 o ajudou “a esclarecer em mim a razão pela qual fazemos o que fazemos e se os riscos que tomamos valem a pena. E para mim, está muito claro que sim“.

Ovchinin assume que a descolagem falhada foi uma desilusão, uma vez que levou mais de um ano e meio de preparação. No entanto, garante que foi “uma experiência interessante e precisa” para testar a preparação do programa espacial.

Com descolagem do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, os cosmonautas fazem-se agora acompanhar de Christina Koch, astronauta americana da NASA, segundo a Phys.

Desde a descolagem falhada da Soyuz, outra nave-espacial partiu para a EEI. Em Dezembro, Oleg Kononenko das Roscosmos, Anne McClain da NASA e David Saint-Jacques da Canadian Space Agency partiram para Estação Espacial Internacional.

ZAP //

Por ZAP
14 Março, 2019