1138: Descoberta causa da falha na Soyuz. Astronautas que sobreviveram voltam ao espaço na primavera

Aubrey Gemignani / NASA
Lançamento do lançador Soyuz-FG com a nave espacial Soyuz TMA-20M no Cosmódromo de Baikonur, Março de 2016

Os astronautas Alexey Ovchinin e Nick Hague deverão voltar ao espaço na primavera de 2019, depois da nave espacial Soyuz MS-10 ter sido obrigada na quinta-feira a aterrar de emergência devido a uma falha no motor.

O anúncio do regresso do russo Alexey Ovchinin e o do norte-americano Nick Hague ao espaço na primavera de 2019 foi feito hoje pelo director da Roscosmos, Dmitry Rogozin.

“Os dois astronautas definitivamente vão voar. Estamos a planear o voo para a primavera do próximo ano”, disse Rogozin numa mensagem publicada na rede social Twitter, na qual colocou uma foto sua com Alexei Ovchinin e Nick Hague, todos sorridentes.

A nave espacial Soyuz MS-10, com dois tripulantes a bordo, foi obrigada a aterrar de emergência devido a uma falha no motor, depois de ter descolado no Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional onde permaneceriam durante seis meses.

De acordo com os planos, estava previsto que a nave cumprisse quatro voltas à terra para seis horas depois acoplar na Estação Espacial Internacional.

Os astronautas Alexei Ovichinin, da Roscosmos, e Nick Hague, da NASA, aterraram na quinta-feira nas estepes do país da Ásia central na sequência da falha no motor do foguetão russo que os deveria transportar para a Estação espacial internacional.

O administrador da NASA, Jim Bridenstine, disse numa declaração que Hague e Ovchinin estavam em boas condições de saúde e que seriam transportados para o Centro de Treino Cosmonauta Gagarin na Cidade das Estrelas, nos arredores de Moscovo.

Acrescentou ainda que ia ser iniciada “uma investigação apurada sobre a causa do incidente”.

Na Estação Espacial Internacional encontram-se, desde Junho, os membros da Missão 57, o comandante Alexander Gerst da Agência Espacial Europeia, a piloto da NASA, Serena Auñon-Chancellor e o piloto da Roscosmos Serguei Prokópiev.

Astronautas aterram de emergência após falha na Soyuz

Equipa de astronautas que seguia esta quinta-feira a bordo da nave-espacial Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (EEI) foi obrigada…

As causas da avaria

Uma colisão entre secções do foguetão pode ter sido a “causa directa” da avaria que obrigou a nave espacial russa Soyuz MS-10 a aterrar de emergência pouco depois do lançamento, disse hoje o director da agência espacial russa Roscosmos, Serguei Krikaliov.

“Ainda não há versões definitivas, mas o que é evidente é que a causa directa foi a colisão de um elemento lateral que faz parte da primeira secção do foguetão. Na verdade, ao separar-se ocorreu um contacto entre a primeira e segunda secção”, disse Krikaliov à agência russa Novosti.

O director da Roscosmos não descarta que o foguetão “se tenha desviado da trajectória programada e que a parte inferior de uma das secções se tenha destruído“.

Serguei Krikaliov indicou que a comissão governamental que investiga o acidente deve apresentar os primeiros resultados oficiais da perícia no próximo dia 20 de Outubro.

“Os primeiros fragmentos [do foguetão] recuperados na estepe do Cazaquistão vão ajudar a estabelecer as causas da avaria”, disse.

Entretanto, o Comité de Emergência do Ministério do Interior do Cazaquistão informou hoje que foi encontrado um fragmento da Soyuz M-10 a cerca de 40 quilómetros da cidade de Zhezkasgán e que já foi enviado para os especialistas da Roscosmos.

Krikaliov sublinhou que os lançamentos de foguetões Soyuz-FG ou similares foram suspensos até que sejam determinadas, de forma definitiva, as causas da avaria de quinta-feira.

“É possível que o lançamento da nave cargueiro Progress, que estava programado para o dia 31 de Outubro, venha a ser adiado e a próxima missão tripulada prevista para o dia 20 de Dezembro vai conhecer uma nova data”, informou o responsável.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Outubro, 2018

 

1129: Rússia suspende lançamentos espaciais tripulados após incidente na Soyuz

NASA
Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

A NASA decidiu esta quinta-feira que vão ser enviados de avião para Moscovo os dois astronautas da Rússia e dos Estados Unidos que foram obrigados a uma aterragem de emergência no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

Os astronautas Alexei Ovichinin, da Roscosmos, e Nick Hague, da NASA, aterraram esta quinta-feira nas estepes do país da Ásia central na sequência de uma falha no motor do foguetão russo que os deveria transportar para a Estação espacial internacional.

O administrador da NASA, Jim Bridenstine, disse numa declaração que Hague e Ovchinin estão em boas condições de saúde e serão transportados para o Centro de Treino Cosmonauta Gararin na Cidade das Estrelas, nos arredores de Moscovo. Acrescentou ainda que será iniciada “uma investigação apurada sobre a causa do incidente”.

Em paralelo, um alto responsável russo disse que o país vai suspender os lançamentos espaciais tripulados até que sejam apuradas as causas da falha na Soyuz, pouco minutos após o seu lançamento que ocorreu hoje pelas 14:40 locais (09:40 em Lisboa).

O vice-ministro russo Yuri Borisov disse aos jornalistas que a cápsula do Soyuz se ejectou automaticamente do corpo do foguetão quando ocorreu a falha, apenas 123 segundos após o seu lançamento. Assegurou ainda que a Rússia vai partilhar com os Estados Unidos toda a informação relevante em torno deste acidente.

ZAP // Lusa

Por Lusa
11 Outubro, 2018

 

1126: Falha na Soyuz leva a aterragem de emergência

NASA
Nave espacial russa SOYUZ

Equipa de astronautas que seguia esta quinta-feira a bordo da nave-espacial Soyuz rumo à Estação Espacial Internacional (EEI) foi obrigada a uma aterragem de emergência depois de detectada falha nos propulsores após o lançamento.

Após o lançamento efectuado às 9h40m, no cosmódromo Baikonur, no Cazaquistão, os dois astronautas a borda da nave russa Soyuz tiverem de realizar uma aterragem de emergência.

O russo Alexey Ovchinin da Roscosmos e o astronauta da NASA Nick Hague estavam a borda da nave espacial quando esta sofreu uma avaria nos motores.

De acordo com a NASA, os astronautas detectaram uma avaria minutos depois da descolagem em direcção ao espaço e realizaram, de seguida, um regresso de emergência à Terra em “modo balístico”, num percurso mais a pique que o normal.

De acordo com a agência russa Ria Novosti, os dois cosmonautas não correm perigo de vida e já terá sido estabelecido contacto com ambos.

Segundo o Observador, assim que o erro foi detectado, ouviu-se um sinal de alerta e a mensagem “Inaudível. Há uma emergência. Há uma falha no impulsionador. Estamos em ausência de peso”.

Os astronautas terão aterrado de volta às 10h20m no Cazaquistão e, segundo avançado pela NASA, “estão em boas condições”.

Os astronautas Alexey Ovchinin e Nick Hague deveriam chegar às 15h44m à Estação Espacial Internacional para uma missão de seis meses na estação orbital.

O norte-americano Nick Hague, a trabalhar na NASA desde 2013, iria fazer a sua primeira missão. Para o russo, esta seria a segunda missão depois de ter participado numa outra missão de seis messes em 2016 na EEI.

Este incidente ocorreu dois meses depois de detectada uma fissura na Soyuz que levou a Rússia a suspeitar de sabotagem.

ZAP //

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

1063: Missão a Marte poderá ser fatal para os astronautas

x-ray_delta_one / Flickr

Os astronautas de uma futura viagem a Marte estarão expostos, na ida e volta ao planeta vermelho, a cerca de 60% do total de radiação recomendada para toda a sua carreira profissional, revelou um novo estudo.

A Agência Espacial Europeia (ESA) chegou a esta conclusão, que apresentou no Congresso Europeu de Ciências Planetárias que está a decorrer esta semana em Berlim, após analisar dados recolhidos por satélites da missão ExoMars, um projecto em que também participa a agência espacial russa Roscosmos. A pesquisa foi publicada esta quinta-feira.

No espaço, sem o forte campo magnético da Terra e sem atmosfera, o incessante bombardeamento de raios cósmicos “tem o potencial de causar sérios danos aos humanos”, indicou a ESA, em comunicado.

Esta exposição, muito maior do que a dos astronautas que trabalham na Estação Espacial Internacional, eleva o risco de cancro, além de deixar sequelas no sistema nervoso central e provocar enfermidades degenerativas.

A radiação cósmica é composta por partículas incrivelmente minúsculas que se movem de forma incrivelmente rápida, quase à velocidade da luz – um tipo de fenómeno que o corpo humano não está preparado para suportar.

Tal como nota o Space.com, esta radiação viaja em todo o espaço mas a atmosfera da Terra protege-nos do pior dos seus impactos. Ou seja, quanto mais nos afastamos da superfície da Terra, mais radiação cósmica o nosso corpo absorverá.

“Um dos factores básicos na planificação e desenho de uma missão tripulada de longa duração a Marte é calcular os riscos derivados da radiação”, explicou Jordanka Semkova, da Academia de Ciências búlgara.

Os riscos estão calculados, mas os valores são preocupantes. A viagem por si só exporá os astronautas a 60% da radiação recomendável e, o objectivo de visitar o Planeta Vermelho deve incluir um período, ainda que curto, na sua superfície – de preferência, sem sobre-dosagem na radiação.

A radiação não é o único o problema que os astronautas poderão vir a enfrentar numa futura viagem. Os desafios multiplicam-se desde de a própria viagem, passando pela nave e chegando às propriedades do próprio planeta.

Recentemente, uma tempestade de areia cobriu Marte por completo, levando à suspensão  da Opportunity, o rover da NASA que está “adormecido” há mais de três meses. O robô está em Marte desde 2004. Inicialmente, foi concebido para durar apenas 3 meses, mas continuou a operar durante quase 15 anos.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Setembro, 2018

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

940: 50 anos depois, um astronauta da NASA apresentou demissão

Robb Kulin justificou a saída alegando motivos pessoais que não foram mencionados pela empresa

O astronauta norte-americano Robb Kulin.
Foto NASA

Um foguete Falcon 9, desenvolvido pela SpaceX, descolando do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral, na Flórida, EUA. Robb Kulin ajudou a desenvolver o projeto.
Foto REUTERS/Joe Skipper

Pela primeira vez em 50 anos um astronauta da NASA renunciou ao cargo. Robb Kulin, de 34 anos, justificou a decisão por motivos pessoais.

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, Kulin vai deixar a NASA na próxima sexta-feira, antes de terminar o programa de treinos no Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas. Em 2017 o jovem foi um dos 12 escolhidos entre cerca de 18,300 participantes para realizar um programa de treinos que permite embarcar em missões espaciais. No entanto, o astronauta decidiu deixar o programa a meio, alegando “motivos pessoais”. Em declarações ao ​​​​​​Houston Chronicle , o porta-voz da NASA, Brandi Dean, não especificou os motivos por razões de privacidade, e informou que não haverá nenhum substituto para o lugar.

“Se realmente pudéssemos tentar ajudar as pessoas a compreenderem que as fronteiras são algo que criamos e não são naturais, acho que tornaríamos o mundo um lugar melhor”, disse o astronauta em Junho de 2017, durante uma conferência de imprensa que introduziu uma dúzia de candidatos a astronauta.

Pode ver no seguinte vídeo a apresentação da candidatura de Robb Kulin.

Kulin é natural de Anchorage, no Alasca, e possui um mestrado em ciência de materiais e um doutoramento em engenharia. Antes de ter sido escolhido pela NASA trabalhava desde 2011 como responsável de engenharia na fabricante aeroespacial SpaceX. Queria ser astronauta para poder voar na Falcon 9, que ajudou a conceber. Mais tarde ajudou a investigar uma falha no foguete. Anteriormente trabalhou como perfurador de gelo na Antárctida e foi pescador comercial no Alasca.

“Todo o meu objectivo a sair disso, e eu diria que o objectivo da equipa era garantir que o Falcon 9 fosse o mais confiável e bem-sucedido possível para os parceiros comerciais da SpaceX, mas claro que também é muito importante para a tripulação voar naquele veículo. É algo que nos ajudou a crescer e a fortalecer-me enquanto engenheiro”, disse Kulin em 2017.

A SpaceX, em parceria com a fabricante aeronáutica Boeing, está a desenvolver as primeiras cápsulas de tripulação comercial da NASA, que deverão ser lançadas já a partir de 2019.

Entre os módulos do programa de captação dos astronautas constam os sistemas da Estação Espacial Internacional (ISS), técnicas de caminhada na ausência de gravidade, robótica e preparação do voo, bem como a língua russa (fundamental para uma expedição na ISS) e um treino militar de sobrevivência. Os treinos são muito rigorosos e chegam a durar mais de cinco anos. Nem todos conseguem terminar o percurso com sucesso.

Os Estados Unidos estão a planear a instalação de uma plataforma orbital na Lua e o envio de uma missão tripulada a Marte, que, segundo o vice-presidente Mike Pence, vai permitir “escrever o próximo grande capítulo” da história espacial, já sem Kulin entre os protagonistas.

As demissões na NASA não são inéditas. De acordo com o CNET , em 1968 o astronauta e químico John Llewellyn, que integrou o sexto grupo de aprendizes da época, deixou o programa um ano depois de ter sido seleccionado, ao perceber que não estava a evoluir como era suposto, e, logo, não estava pronto para voar ao serviço da agência.

Diário de Notícias
DN
30 Agosto 2018 — 17:2

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

765: Podíamos já ter ido a Marte nos anos 60


O popular astronauta Chris Hadfield diz que a tecnologia que nos levou à lua e nos trouxe de volta na década de 60 poderia ter-nos enviado também a Marte.

O canadiano Chris Hadfield foi astronauta durante 18 anos da sua vida. De 1995 a 2013, Hadfield voou em dois space shuttles da NASA e numa nave russa Soyuz, além de ter vivido a bordo da Estação Espacial Internacional.

Ao todo, Hadfield passou 166 dias em órbita. Recentemente, ficou conhecido por ter gravado a música “Space Oddity”, de David Bowie, em gravidade zero.

Hadfield reformou-se entretanto, e desde então passou a partilhar o seu conhecimento como astronauta num novo curso online na plataforma de ensino MasterClass.

Num artigo publicado na semana passada, o Business Insider perguntou a Hadfield se tem esperança de que a NASA, a SpaceX, a Blue Origin ou outra empresa ou governo que fazem parte da nova corrida espacial possam mandar pessoas para Marte e começar a colonizar o planeta vermelho na próxima década.

E a resposta de Hadfield foi surpreendente.

Poderíamos ter mandado pessoas para Marte há décadas atrás”, disse Hadfield ao Business Insider. “A tecnologia que nos levou à Lua e nos trouxe de volta quando eu era apenas uma criança, essa tecnologia poderia ter-nos levado a Marte”, afirmou o antigo astronauta.

Segundo o Business Insider, cientistas como Wernher von Braun, engenheiro-chefe do foguete Saturno V, da NASA, estiveram a planear uma missão tripulada a Marte já em 1952 – mais de 15 anos antes da primeira missão Apollo. Mas então, se já tínhamos a tecnologia, porque não estamos agora mesmo a andar sobre o solo de Marte?

Porque a tecnologia para a viagem não chega.

Hadfield realça que ter a capacidade de ir não significa que seja fácil, seguro ou que valeria o risco das vidas humanas em jogo, mesmo considerando novas naves espaciais. “A maioria dos astronautas que enviássemos nessas missões não sobreviveria”, aponta.

Riscos elevados

O maior risco de uma missão tripulada para Marte é a distância. “Marte está mais longe do que a maioria das pessoas pensa”, aponta Hadfield. E é verdade: há uma imensa distância entre a Terra e Marte. O planeta vermelho está cerca de 660 vezes mais longe de nós do que a Lua. Uma viagem de ida e volta pode demorar 500 dias ou mais.

À medida que os dois planetas giram à volta do Sol, essa distância é, ainda por cima, variável. O mais próximo que a Terra e Marte podem estar é à distância de 54,5 milhões de quilómetros.

O lançamento de veículos para Marte até agora levou 128 a 333 dias. Esse é um período de tempo muito grande para se estar a bordo de uma nave espacial. E tão longe da Terra, a oportunidade de lançar missões de resgate seria quase impossível.

Além disso, há riscos de longo prazo. Por exemplo, os astronautas teriam problemas de saúde decorrentes da exposição à radiação do espaço profundo. De acordo com um estudo de 2016 publicado na revista Nature, voos para a lua expuseram 24 astronautas que fizeram a viagem a um risco muito maior de doença cardíaca.

Os riscos mais directos das viagens espaciais também são numerosos, e não muito diferentes daqueles enfrentados pelos tripulantes das missões Apollo na década de 60.

Além do incêndio da Apollo 1, que matou três astronautas no solo durante um exercício de treinamento, a NASA quase perdeu a tripulação da Apollo 13. Também a Apollo 11 quase ficou sem combustível antes de aterrissar na superfície lunar.

Tudo isso aconteceu quando a NASA estava apenas a tentar enviar pessoas a 384 mil quilómetros de distância da Terra, durante cerca de uma semana.

Tecnologias que poderiam diminuir os problemas de uma viagem deste tipo, que, além da radiação e dos riscos de explosões, incluem outros problemas, ainda não existem. E naves com protecção leve, mas eficaz, cápsulas de hibernação e sistemas de suporte à vida bio-regenerativos fazem parte apenas da imaginação ou dos filmes, por enquanto.

Navegadores

Hadfield compara os últimos planos de exploração de Marte às primeiras viagens nas naus do século 15. “Fernão de Magalhães, quando zarpou em 1519, tinha cinco navios e 250 pessoas para tentar fazer a sua viagem à volta do mundo, e quase todos morreram”, realça Hadfield. “Só regressaram umas 15 ou 18 pessoas e um dos cinco navios”.

Segundo Hadfield, os foguetes de hoje são comparáveis às velas dos veleiros usados nas viagens do século 15, por ainda queimarem combustíveis químicos (além de oxigénio) para partir da Terra e viajar pelo espaço. “A queima de foguetes químicos é o equivalente a usar um veleiro ou um pedalzinho para tentar viajar pelo mundo”, compara Hadfield.

Ao projectar uma nave espacial, os engenheiros precisam de sacrificar a protecção contra radiação, suprimentos, ferramentas e espaço vital para garantir que haja combustível suficiente para a viagem.

É por isso que Hadfield acredita que o Sistema de Lançamento Espacial da NASA, o Big Falcon Rocket da SpaceX, ou o foguete New Glenn da Blue Origin, não irão revolucionar as viagens espaciais, como os seus criadores gostam de sugerir.

Todos estes projectos planeiam queimar combustível como propulsão. Ou seja, são todos veleiros a tentar viajar por um mundo muito grande.

“O meu palpite é que nunca iremos a Marte com os motores que existem em qualquer um desses três foguetes”, dia Hadfield ao Business Insider. “Não acho que seja uma forma prática de enviar pessoas a Marte, porque é são perigosa e demora demasiado tempo, e isso expõe-nos a um risco maior, durante um longo tempo”.

Não é que Hadfield esteja contra que a humanidade tente chegar a Marte, ou até colonizar o planeta. Pelo contrário, se não tivermos objectivos grandiosos, jamais conseguiremos avançar na exploração espacial.

Mas, diz o antigo astronauta canadiano, devemos estar atentos aos graves riscos envolvidos em qualquer tentativa de chegar ao planeta vermelho usando as tecnologias de que dispomos nos dias de hoje.

O ex-astronauta acredita que os cientistas irão eventualmente encontrar uma forma de chegar a Marte com segurança, e confia nisso devido aos avanços nas tecnologias de viagem espacial que tem visto.

O voo espacial era impossível quando nasci. E ainda estou vivo. Não passou muito tempo, e passámos do impossível para Peggy Whitson – que passou 665 dias no espaço – e para seis pessoas a viver numa nave espacial nos últimos 17 anos e meio, em contínuo. Deixámos a Terra, estabelecemo-nos no espaço apenas ao virar do século. Portanto, fizemos avanços extremamente rápidos”.

Mas, diz Hadfield, se a NASA ou empresas privadas estiverem interessadas em visitar e eventualmente colonizar Marte, como espera o fundador da SpaceX, Elon Musk, deveriam investir ainda mais em investigação científica básica.

Alguém tem que inventar algo em que ainda não pensámos”, diz Hadfield. “Parece estranho, mas descobrimos como aproveitar a electricidade e o que os electrões fazem, e isso parecia uma loucura, e revolucionou a nossa vida e as viagens”, conclui.

ZAP // Ciberia // HypeScience / Business Inside

Por ZAP
15 Julho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=2315c765_1531652146229]

See also Blog

737: Uma Dragon da SpaceX foi à Estação Espacial levar gelado e café bem forte

NASA Johnson / Flickr

Esta segunda-feira, uma cápsula Dragon da Space X chegou à Estação Espacial Internacional (EEI) com quase 3 toneladas de suplementos para os astronautas, incluindo café bem forte, mirtilos do Texas e uma surpresa especial: barras de gelado.

Através de um braço robótico, os astronautas da Estação Espacial Internacional capturaram a Dragon da Space X, carregada com um lote de Death Wish Coffee, conhecido como “o café mais forte do mundo“.

“Gostamos de manter os nossos astronautas super cafeinados”, disse Kirk Shireman, director do programa da estação espacial da NASA, brincando com este assunto. Esta inovação na “ementa” deve-se, ma verdade, ao facto de quererem dar aos astronautas uma guloseima diferente e completamente nova.

Mas este assunto não é brincadeira. A comida de um astronauta é extremamente importante dado que é um enorme benefício psicológico. “Quando vivemos num ambiente fechado, comemos o mesmo menu repetidamente. Esta é uma forma de ter algo diferente, um verdadeiro deleite”, sustenta Kirk.

Os mirtilos do Texas não são novidade. Esta fruta faz parte de uma carga tradicional de frutas e legumes frescos que compõem 2,700kg dos suplementos transportados para a Estação Espacial pela Dragon. Já o gelado é especial.

Cerca de 1,700kg a bordo da Dragon são totalmente dedicados à ciência. Ainda assim, sobre um espaço na área dos congelados para uma surpresa especial: barras de gelado para os astronautas.

Além do presente, foram também levadas para o espaço novas plantas, como alface e mostarda wasabi, além de uma tecnologia para testar de que forma as algas poderiam servir como uma potencial fonte de alimento.

O Dragon levou também uma tecnologia de micro-gravidade que irá testar a eficácia de medicamentos para tratamento do cancro, assim como uma peça de hardware que será montada no exterior da EEI para acompanhar como é que as plantas respondem ao stress térmico e à falta de água.

E, finalmente, o CIMON, um robô criado de raiz para ajudar os astronautas da Estação Espacial Internacional a completar tarefas.

A chegada da Dragon marcou a 15.ª missão de entrega da SpaceX na Estação Espacial Internacional. Antes de voltar à Terra, a cápsula permanecerá ligada à EEI durante um mês.

ZAP //

Por ZAP
6 Julho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=486a8fda_1530869605286]

See also Blog

734: Robô CIMON vai dar uma mãozinha aos astronautas da Estação Espacial Internacional

Parece uma bola que flutua, mas não é. O robô CIMON foi criado de raiz para ajudar os astronautas da Estação Espacial Internacional a completar tarefas.

A 15ª missão de entrega de mantimentos com destino à Estação Espacial Internacional pela SpaceX levou consigo uma carga especial: uma bola com feições de desenho animado estampada numa tela de computador.

À primeira vista, parece inútil, mas o robô desenvolvido pela Airbus é mais necessário do que parece. Baptizado CIMON – abreviatura de Crew Interactive Mobile Companion ou Companheiro de Tripulação Móvel Interactivo – este robô foi especialmente desenhado para ajudar os astronautas na Estação Espacial Internacional (EEI).

Segundo o Público, a inspiração surgiu da ficção científica e partiu de uma banda desenhada, a Captain Future, lançada nos anos 40 que conta a história de um robô senciente em forma de cérebro humano, apelidado Professor Simon, que serve de mentor a um astronauta chamado Capitão Futuro.

Anteriormente testado em voos terrestres parabólicos (capazes de simular gravidade zero), o CIMON é o primeiro companheiro pessoal para astronautas, capaz de responder de viva voz com recurso à inteligência artificial – mas só em inglês.

Esta ajuda precisa pesa cinco quilogramas e flutua graças às 14 ventoinhas internas que possui. Tem microfones e câmaras para reconhecer quando os astronautas precisam de ajuda e uma cara sorridente 24 horas por dia.

CIMON deverá ajudar os astronautas na condução de várias experiências, podendo responder a várias questões ou exibir dados na sua tela embutida.

Enquanto que a Airbus tratou do hardware, o software e a componente de inteligência artificial ficou a cargo da IBM. Mas, entre tantas funcionalidades, há uma que se destaca: o aparelho vai ajudar o astronauta alemão Alexander Gerst a levar a cabo algumas experiências na EEI.

Embora tenha sido programado para reconhecer instantaneamente a voz e o rosto de Gerst, CIMON será também capaz de interagir com qualquer membro da tripulação. No fundo, CIMON vai ajudar a “aumentar a eficiência do astronauta“, explicou Matthias Biniok, engenheiro da IBM, à Reuters.

Actualmente, os astronautas têm de ler as instruções das tarefas a partir de um portátil, um processo difícil segundo Biniok. Um companheiro como CIMON, capaz de responder e sem fios, poderá ser uma ajuda preciosa.

“A nossa missão principal é apoiar os astronautas com as suas tarefas diárias para poupar tempo, porque o tempo é a coisa mais cara na Estação Espacial Internacional”, conclui.

Ainda assim, este robô pode ir mais além. No futuro, avança a Wired, espera-se que o CIMON evolua o suficiente de forma a conseguir interpretar a forma como a tripulação interage entre si e as dinâmicas sociais que surgem (que podem escapar a quem está em terra).

ZAP // CanalTech

Por ZAP
5 Julho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=9cd02df2_1530787591955]

732: Os astronautas vão fazer cirurgias no espaço

20th Century Fox
Matt Damon, “The Martian” (Ridley Scott, 2015)

– Abstenho-me de publicar o título completo desta notícia, como vem no original, dado que não concordo com ele (título). Mais nojento é ter de traduzir e corrigir brasuquês para português…

No futuro, os astronautas terão que realizar procedimentos cirúrgicos no espaço. Perdas de sangue, urina e matéria fecal serão apenas algumas das possíveis complicações que aguardam os futuros astronautas.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Pittsburgh e do King’s College Hospital, em Londres, vasculhou 6 décadas de literatura científica para reunir a mais abrangente (e fascinante) lista de compilações cirúrgicas no espaço. O resultado final foi publicado no dia 19 de Junho numa revisão de literatura intitulada de Cirurgia no Espaço.

“Os futuros astronautas vão encontrar inevitavelmente uma série de patologias comuns durante as viagens espaciais de longa distância”, escreveram os autores, acrescentando que as “novas patologias podem surgir da falta de peso prolongada, da exposição à radiação cósmica e do trauma”.

E, pelo menos por agora, os humanos não estão preparados para enfrentar estas complicações a partir do espaço.

Cirurgias no espaço

Os astronautas podem deparar-se com diversos perigos nas suas viagens espaciais no entanto, não há muitas formas de os conseguir controlar. Actualmente, a melhor forma de tratar uma emergência médica a bordo da Estação Espacial Internacional implica o regresso dos astronautas à Terra o mais rápido possível, de acordo com os autores.

Se um astronauta está em Marte – planeta que leva, em condições favoráveis, cerca de 9 meses a chegar – regressar a casa não é uma opção. Ter um médico em Terra a realizar cirurgias remotamente com a ajuda de robôs é igualmente inviável.

“A distância entre a Terra e Marte é de 78.200.000 quilómetros, o que significa um atraso de comunicação entre 4 e 22 minutos para sinais de rádio”, explicaram.

A ser necessário realizar uma cirurgia no espaço, esta deve ser realizada pessoalmente por humano altamente treinados – o que também causa problemas. Para começar, o espaço existente para armazenamento na nave espacial é escasso, mesmo sem que ter que acomodar um pequeno hospital.

“Seria impossível carregar todo o equipamento necessário para tratar cada sintoma”, argumentaram os investigadores.

De acordo com estudos anteriores, uma forma de contornar o problema da falta de espaço, seria a recorrer à impressão 3D. Em vez de dos astronautas carregarem cada ferramenta médica conhecida para tratar o Homem, levariam um banco de dados digital com modelos imprimíveis em 3D para cada ferramenta médica conhecida pela humanidade.

Desta forma, os médicos astronautas poderiam imprimir apenas as ferramentas que necessitavam, só no momento que precisavam delas.

Um intestino flutuante

A própria cirurgia por si só seria um desafio. Para combater a micro-gravidade sentida a bordo, os pacientes terão que estar fisicamente contidos, de acordo com o estudo. Uma vez que o paciente se encontre seguro, o vazamento de fluídos corporais através das feridas abertas representará outro desafio ainda mais complexo.

“Devido à tensão superficial do sangue, este tende a agrupar-se e a formar cúpulas que se podem fragmentar quando os tecidos são cortados por instrumentos médicos”, disseram os autores, explicando que “estes fragmentos podem flutuar para fora da superfície, dispersando-se por toda a cabine, criando um potencial risco biológico“.

E há ainda um cenário pior: sem a gravidade para manter os órgãos do paciente no lugar, estes podem mesmo flutuar e encostar-se às paredes abdominais dos astronautas durante a cirurgia.

De acordo com os investigadores, a falta de gravidade aumenta ainda o risco dos intestinos de paciente serem acidentalmente “eviscerados” durante o procedimento – vazando bactérias gastro-intestinais para o todo o corpo da paciente, bem como para a nave.

Uma forma de evitar a contaminação através do sangue e de outros fluídos seria cobrir o paciente num “recinto hermeticamente fechado” e separado de toda a nave espacial. Esta solução seria uma espécie de Trauma Pod, um pequeno módulo médico selado, que teria que ser construído de forma embutido em futuras naves espaciais.

Ainda há um caminho a percorrer antes de qualquer um destes problemas estar controlado, mas as agências espaciais de todo mundo já se debruçam na resolução destes problemas. A NASA, por exemplo, tem realizado experiências de tele-medicina num laboratório subaquático projectado especialmente para simular um ambiente espacial.

Além disso, vários laboratórios têm investigado medicamentos baseados em células tronco que poderiam ajudar os astronautas a regenerar automaticamente os seus ossos e tecido num ambiente de micro-gravidade.

Recorrendo à inovação, o espaço – a última barreira da medicina – poderá ser finalmente conquistado.

ZAP // Space.com

Por ZAP
4 Julho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=4d6c9dee_1530725173550]

668: Mulher, astronauta e recordista em órbita

NASA

Por duas vezes comandante da estação espacial internacional ISS, a astronauta Peggy Whitson é a recordista dos Estados Unidos de permanência no espaço: 665 dias. Agora reformou-se

Ao todo, durante as três missões que fez entre 222 e Setembro do ano passado, a astronauta americana Peggy Whitson passou um ano e oito meses (365 dias) em órbita e, por causa disso, ela é a recordista absoluta, entre os astronautas do Estados Unidos, de tempo acumulado passado no espaço.

Este, no entanto, não é o seu único recorde. Durante as três missões de longa duração que cumpriu na estação espacial, Peggy comandou duas delas e, ao todo, fez igualmente 10 saídas para o espaço exterior, num total de 60 horas e 21 minutos fora da casa espacial – é a astronauta mulher com mais tempo acumulado nestas saídas da ISS.

Bioquímica de formação, Peggy Whitson, 58 anos, começou a trabalhar na NASA em 1986, primeiro como investigadora e, desde 1996, como astronauta. Em 2002 partiu pela primeira vez para órbita, a 5 de Junho, para uma missão a bordo da ISS que durou até Dezembro desse ano, e durante a qual ela foi a cientista chefe da NASA, realizando um total de 21 experiências científicas em condições de micro-gravidade.

A sua segunda missão a bordo da ISS decorreu entre Outubro de 2007 e Abril de 2008. Durante esse período, ela foi a comandante da tripulação russo-americana e foi nessa qualidade que supervisionou a ampliação da ISS com dois novos módulos, o laboratório europeu Columbus, e o japonês Kibo, para a logística, e ainda o robô canadiano Dextre. Ela própria participou nas operações no exterior, com várias saídas da ISS.

A sua terceira e última missão, em que foi de novo comandante, decorreu mais recentemente, entre Novembro de 2016 e Setembro de 2017. Tudo contado, além de ser a recordista absoluta dos Estados Unidos em tempo no espaço. Peggy ocupa a oitava posição nesse ranking global.

Agora a astronauta reformou-se e a NASA não poupou elogios. “A sua determinação, força mental e dedicação à ciência, à exploração e à descoberta são uma inspiração para a NASA e para América”, disse o administrador da NASA Jim Bridenstine.

Diário de Notícias
17 DE JUNHO DE 2018 19:29

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=f3d9dee8_1529323207198]