3110: ESA está à procura de astronautas europeus para enviar à Lua

ESA

NASA / Wikipedia
O astronauta Bruce McCandless, da missão STS-41-B da ISS, numa EVA, “Extravehicular Activity”

A Agência Espacial Europeia (ESA) pretende enviar, pela primeira vez, astronautas à Lua, e vai iniciar o processo de recrutamento com esse objectivo, anunciou hoje a instituição no encerramento do Conselho Ministerial da ESA de Sevilha, Espanha.

Em comunicado, a ESA refere, sem estimar datas e sem concretizar os termos, que “os astronautas europeus voarão para a Lua pela primeira vez“.

A agência espacial norte-americana NASA pretende enviar novamente astronautas à Lua em 2024, incluindo a primeira mulher. Apenas astronautas norte-americanos estiveram na Lua, entre 1969 e 1972.

A ESA comprometeu-se a iniciar “o processo de recrutamento de uma nova classe” de astronautas para “continuar a exploração europeia em baixa órbita terrestre e mais além”.

Por outro lado, os astronautas recrutados em 2009 “continuarão a receber missões de voo até que todos estejam no espaço pela segunda vez”.

No comunicado, a Agência Espacial Europeia promete continuar associada à Estação Espacial Internacional, na órbita terrestre, até 2023. É esperada em 2024 a desactivação da “casa” dos astronautas, onde se fazem experiências científicas e tecnológicas em ambiente de micro-gravidade.

A ESA assumiu igualmente o empenho, a formalizar num acordo com a NASA e outros parceiros internacionais, em participar na construção de módulos de “transporte e habitação” para a primeira estação orbital da Lua, a Gateway, de onde os Estados Unidos querem enviar missões humanas para a Lua e, mais tarde, para Marte.

A Agência Espacial Europeia já é parceira da NASA na missão Ártemis, com que os Estados Unidos ambicionam regressar à Lua em 2024, ao ter colaborado na construção da nave Orion, que levará os astronautas até à órbita lunar.

No Conselho Ministerial, órgão governativo da ESA, os Estados-membros confirmaram o apoio à missão conjunta da ESA e da NASA de recolha de amostras de solo marciano, prevista para o período entre 2020 e 2030, e aprovaram a continuidade do projecto do Space Rider, um veículo reutilizável de transporte de carga para missões em órbitas baixas com a duração de dois meses, nomeadamente as de observação da Terra.

O arquipélago dos Açores, para onde está prevista a construção de uma base espacial para lançamento de pequenos satélites, a partir de 2021, na ilha de Santa Maria, é apontado pela ESA como uma das localizações adequadas para a aterragem do Space Rider.

O Conselho Ministerial da ESA, onde têm assento os ministros responsáveis pelas actividades espaciais nos 22 Estados-membros da agência, arrancou na quarta-feira, com a sessão de trabalhos a ser iniciada com a “passagem de testemunho” da presidência espanhola para Portugal e França, que assumem em conjunto a presidência do órgão durante os próximos três anos, entre 2020 e 2023.

Na reunião de Sevilha – já co-presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, e pela ministra francesa do Ensino Superior, Investigação e Inovação, Frédérique Vidal, depois do homólogo espanhol cessar funções – foi aprovado o orçamento da ESA para os próximos cinco anos (2020-2024), no montante de 14,3 mil milhões de euros.

A ESA propõe-se concretizar novos projectos, designadamente nos domínios da remoção do lixo espacial, da automatização do controlo de tráfego espacial, dos alertas precoces e minimização de danos na Terra causados por asteróides ou explosões solares e das comunicações com satélites integrados na rede 5G (nova geração de telecomunicações).

Portugal, que é membro da ESA desde 14 de Novembro de 2000, aumentou a sua contribuição financeira para a agência para, em média, 20 milhões de euros anuais, totalizando 102 milhões entre 2020 e 2024. A quotização de Portugal representa 0,7% do total do orçamento da ESA para programas e actividades, que foram reforçados nas áreas da ciência e do transporte espacial.

Em 2019, Portugal, um dos países que menos contribuem financeiramente para a Agência Espacial Europeia, subscreveu a sua participação com 18 milhões de euros, o equivalente a 0,4% do orçamento desse ano da ESA.

As contribuições financeiras dos Estados-membros, que podem ser revistas nas reuniões do Conselho Ministerial, têm por base o Produto Interno Bruto (PIB), que define a riqueza de um país.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Novembro, 2019

spacenews

 

3066: ESA já estuda hibernação humana para viagens espaciais

CIÊNCIA

O desafio para chegar a outros planetas irá obrigar a viagens longas. As tripulações estarão enclausuradas dentro de uma nave espacial meses e até anos. Conforme vemos nos filmes ou lemos nos livros, a ficção já nos mostra indícios de como será necessário manter os astronautas em “animação suspensa”. Nesse sentido, a ESA investigou o impacto que a hibernação de tripulantes na vida real teria numa missão espacial a Marte.

Se um dia formos capazes de colocar os seres humanos em hibernação, as naves espaciais têm de ser repensadas.

Astronautas em hibernação precisariam de naves menores

Segundo a ficção científica, se uma nave espacial não vem com o hyperdrive, geralmente é equipada com cápsulas de hibernação. Nos filmes de 2001: Uma Odisseia no Espaço, Alien, o Oitavo Passageiro, entre outros, os astronautas eram colocados em ‘animação suspensa’ para atravessar a vastidão do espaço.

Agora, a ESA está a investigar como a hibernação da tripulação na vida real afectaria o design das missões espaciais.

Equipar as naves para hibernar os astronautas

A hibernação humana tem sido objecto de investigação da ESA. Nesse sentido, a agência espacial estuda o desenvolvimento de “tecnologias facilitadoras” fundamentais para viajar no espaço.

Os cientistas reuniram-se no Concurrent Design Facility da ESA para avaliar as vantagens da hibernação humana para uma viagem a um planeta vizinho, como Marte. Estes tomaram como referência um estudo existente que descreveu o envio de seis humanos a Marte e de volta numa escala de tempo de cinco anos.

Com o intuito de estudar os efeitos da hibernação da tripulação nas missões espaciais, usaram alguns números já ponderados. Assim, as naves poderiam ser mais pequenas se a tripulação estivesse a dormir na viagem. Numa longa jornada, como a Marte, por exemplo, os tripulantes poderiam estar meses a dormir em cápsulas espaciais.

Durante algum tempo, a hibernação foi proposta como uma ferramenta de mudança estratégia para as viagens espaciais humanas.

Se conseguíssemos reduzir a taxa metabólica básica de um astronauta em 75% – semelhante ao que podemos observar na natureza com grandes animais em hibernação, como certos ursos -, poderíamos ter uma economia substancial de massa e custos, tornando as missões de exploração de longa duração mais factível.

Comentou Jennifer Ngo-Anh, líder de equipa do programa Science in Space Environment da ESA.

Qual é a necessidade de colocar os astronautas em hibernação?

A razão maior prende-se com a imensidão do espaço. Algo na nossa vizinhança está a anos de caminho e ainda só estamos a falar dentro do nosso sistema solar. Para termos uma ideia clara e real, damos como exemplo a missão da New Horizons a Plutão, foi lançada em 2006 e precisou de nove anos para chegar ao seu destino.

Para ter uma ideia da escala de distância do nosso sistema solar, visite “Se a lua tivesse apenas 1 pixel”. Assim, terá uma ideia das distâncias relativas dos planetas ao serem dimensionados numa única página extra-larga. Por outro lado, dificilmente iremos conseguir perceber a escala do universo.

O cérebro humano simplesmente não consegue entender como são grandes as coisas como o sistema solar.

Referiu Joe Hansen – apresentador da série da PBS “Tudo bem ser inteligente”.

Dentro de 20 anos, a hibernação pode ser possível nas viagens

Os cientistas descobriram que a massa de uma nave com hibernação humana poderia ser reduzida num terço. Assim, os especialistas quantificaram o que pode parecer bastante óbvio… que uma nave para hibernar astronautas poderia ser mais pequena. Esta comparação mostra o tamanho de um módulo para uma missão tripulada a Marte em comparação com o seu equivalente baseado em hibernação.

Se a tripulação estivesse a hibernar, não seriam necessários quartos de tripulação extensos ou de muito espaço de armazenamento para consumíveis (como comida e água).

Projecto do módulo de hibernação da ESA

Assim, poderíamos estar a falar em compartimentos de hibernação para os tripulantes se revezar a hibernar. Desta forma, a cabine de hibernação seria pequena e daria para alternar entre grupos.

Design da estrutura de hibernação da ESA

Como seriam “adormecidos” os tripulantes até Marte?

Segundo a agência espacial, para os tripulantes entrarem em hibernação, seria administrado um medicamento. Este fármaco iria induzir o ser humano num estado “torpor” – o termo para o estado de hibernação.

Conforme acontece com os animais em hibernação, espera-se que os astronautas adquiram mais gordura corporal antes do torpor. As suas cápsulas seriam escurecidas e a temperatura seria bastante reduzida para arrefecer os seus ocupantes durante o cruzeiro projectado para 180 dias, tempo de viagem entre Marte e Terra.

A agência espacial refere que a fase de hibernação do cruzeiro terminaria com um período de recuperação de 21 dias. Referiu ainda que – com base na experiência de hibernação animal – a tripulação provavelmente não experimentaria perda óssea ou muscular.

A exposição à radiação de partículas de alta energia é um risco importante de viagens espaciais profundas, mas como a equipa de hibernação passará tanto tempo nas suas cápsulas de hibernação, a protecção – como recipientes de água – poderá concentrar-se em torno deles.

Explicou a ESA.

Inteligência Artificial e operações autónomas das naves

Neste tipo de viagens, seguramente o tempo de acções permanentes não será muito. Assim, a ESA referiu que seriam aplicadas “operações amplamente autónomas, com uso optimizado de inteligência artificial” e “detecção, isolamento e recuperação de falhas” necessárias numa nave espacial onde a maioria dos humanos está a hibernar.

Segundo a informação, a ideia básica de colocar os astronautas em hibernação de longa duração não é realmente tão descabida. Aliás, existe há décadas um método que é testado e aplicado como terapia em pacientes de trauma grave.

Em resumo, a Agência Espacial Europeia tem estudos para levar a hibernação humana a um cenário real. Imprescindível no design das missões espaciais do futuro próximo.

NASA: afinal o Homem não está preparado para viajar até Marte?

Na Terra, todos sabemos que a gravidade afecta tudo à nossa volta. Contudo, será que se sabe que a gravidade também influencia o que se passa dentro dos nossos corpos? Há dados que estão … Continue a ler NASA: afinal o Homem não está preparado para viajar até Marte?

3059: Pela primeira vez, uma astronauta corrige página da Wikipédia a partir do Espaço

CIÊNCIA

NASA’s Marshall Space Flight Center / Flickr

Pela primeira vez na história da Humanidade, a astronauta norte-americana Christina H. Koch fez a edição de uma página da Wikipédia na Internet a partir da Estação Espacial Internacional (EEI), enquanto orbitava o planeta Terra.

A novidade foi revelada por outra astronauta, Daren Welsh, através de uma mensagem publicada na rede social Twitter.

Christina H. Koch fez uma edição numa página da enciclopédia online Wikipédia em que estão listados os passeios espaciais realizados desde 2015. De acordo com a Renascença, a astronauta corrigiu alguns pormenores na descrição de tarefas realizadas durante uma saída da EEI, indica a página da Wikipédia.

Wikipedia @Wikipedia

No gravity is required to edit Wikipedia. Eat your heart out, Issac Newton. https://twitter.com/darenwelsh/status/1196143829591711744 

Daren Welsh @darenwelsh

Today, @Astro_Christina made the first confirmed edit to @Wikipedia FROM SPACE while aboard the @Space_Station! https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=List_of_spacewalks_since_2015&diff=prev&oldid=926631603 @NASA @NASA_Astronauts @Wikimedia @mediawiki

A famosa enciclopédia online também assinalou a ocasião com uma mensagem no Twitter. “Não é preciso gravidade para editar a Wikipédia. “Rói-te de inveja, Isaac Newton”.

Licenciada em engenharia electrotécnica e física, a norte-americana partiu para a Estação Espacial Internacional a 4 de Março deste ano. Meses depois, a 18 de Outubro Koch e a colega Jessica Meir realizaram o primeiro passeio espacial realizado apenas por mulheres.

Em seis décadas e meia de exploração espacial com tripulantes, 15 mulheres participaram em 221 destes passeios orbitais, mas desde que, em 1984, a soviética Svetlana Savistskaya foi a primeira mulher a sair de uma nave – acompanhada pelo cosmonauta Vladimir Dzhanibekov – todas as tarefas femininas no exterior contaram com participação masculina.

A primeira saída para o espaço de duas mulheres estava programada para março e nela deveria participar a astronauta Anne McClain, mas a agência espacial norte-americana NASA alegou então que não tinha fatos espaciais adequados para duas mulheres.

A caminhada espacial é uma das tarefas mais perigosas das quais um astronauta participará durante o seu tempo a bordo da ISS. Cada um deles dura cerca de 6,5 horas, enquanto o astronauta permanece preso à nave espacial para não flutuar. Os astronautas usam pequenas unidades do tamanho de mochilas completas com propulsores a jacto operados por um joystick para ajudá-los a movimentar-se com segurança.

Das cerca de 500 pessoas que já estiveram no espaço, menos de 11% eram mulheres. Todas as caminhadas espaciais até o momento envolveram equipas consistindo exclusivamente de homens ou equipas envolvendo homens e mulheres.

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

3047: Viagens ao Espaço têm um novo perigo desconhecido para os astronautas

CIÊNCIA

NASA

Há um perigo inerente às longas viagens espaciais dos astronautas desconhecido até aos dias de hoje. Um novo estudo aponta que os cosmonautas podem ver o seu fluxo sanguíneo revertido na parte superior do corpo.

A gravidade não só afecta a vida na Terra, como também a falta dela pode representar um problema para os astronautas no Espaço. Como não há gravidade para puxar o sangue para a parte inferior dos nossos corpos, a cabeça e o peito ficam mais rosados e inchados.

Além disso, um novo estudo publicado esta semana na revista científica JAMA Netw Open, aponta que a circulação sanguínea pode reverter-se na parte superior do corpo dos astronautas.

A presença durante um longo período de tempo no Espaço, de acordo com o estudo divulgado pelo Tech Explorist, pode ter influência na forma como o sangue circula em várias artérias do corpo dos cosmonautas. Este representa um problema de saúde perigoso que era desconhecido até então.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores trabalharam de perto com 11 astronautas da Estação Espacial Internacional. Ao fim de 50 dias de missão, sete membros da tripulação apresentaram um fluxo sanguíneo estagnado ou invertido na veia jugular interna esquerda — responsável por levar sangue ao cérebro, à cara e ao pescoço. Um dos astronautas até desenvolveu um trombo na veia durante o voo.

“Esta foi uma descoberta inesperada. Não esperávamos ver estase e fluxo invertido. Isso é muito incomum. Na Terra, suspeitar-se-ia imediatamente de uma trombose, um tumor ou algo assim”, explicou Michael B. Stenger, autor principal do estudo.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2019

 

2974: Luva inteligente vai ajudar astronautas a controlar drones e robôs no Espaço

CIÊNCIA

Além de fatos mais modernos para as futuras explorações espaciais na próxima década, a NASA, juntamente com algumas organizações parceiras, está a desenvolver uma luva inteligente para astronautas usarem em missões na Lua e Marte, por exemplo.

A tecnologia servirá para controlar dispositivos à distância, como drones, através de gestos com a mão. Apresentada pelo Projecto Haughton-Mars (PHM), a luva inteligente também tem a parceria da SETI Institute, Mars Institute, NASA Ames Research Center, Collins Aerospace e Ntention.

O equipamento será útil nas actividades extra-veiculares das missões espaciais, uma vez que os fatos limitam bastante a precisão e a destreza dos movimentos dos astronautas. Com a luva, conseguirão executar tarefas mais minuciosas com maior facilidade.

A Ntention já tem experiência na criação de luvas inteligentes e ficou conhecida pelo design e desenvolvimento de uma luva capaz de controlar drones, entre outros robôs, através de simples gestos manuais.

Ainda este ano, a Ntention desenvolveu uma dessas luvas para o PHM. Pascal Lee, cientista do SETI Institute e do Mars Institute, e director do PHM, assistiu a uma demonstração da luva para aplicações terrestres, e gostou tanto que sugeriu aplicá-la ao fato espacial de um astronauta. Assim, nasceu a ideia de realizar um estudo de campo do conceito de “luva inteligente de astronauta”.

Conforme explica Lee, “um fato espacial pressurizado é relativamente rígido e os movimentos das mãos e dedos encontram resistência substancial. Com a ‘luva inteligente de astronauta’, a sensibilidade nos movimentos das mãos é ajustável, o que significa que a tecnologia pode ser adaptável à pressão rígida do fato espacial“.

“Os astronautas precisam de fatos espaciais que facilitem a interacção com o ambiente, incluindo tarefas complexas e delicadas”, disse Greg Quinn, líder de desenvolvimento de fatos espaciais da Collins Aerospace. Os membros da equipa avaliaram a tecnologia através de uma série de testes, como operação de drones.

A escolha de testes com drones não foi à toa. Lee explica que “os astronautas na Lua ou em Marte vão querer pilotar drones por várias razões, por exemplo, para recolher uma amostra que está fora de alcance ou que precisa de ser isolada de contaminação. Ou para ajudar numa operação de resgate”.

Os testes mostraram que um astronauta num fato espacial poderá executar facilmente várias tarefas importantes ao usar a luva inteligente e uma interface de visualização de Realidade Aumentada.

“Os testes de voo e operações sugerem que a luva inteligente e a interface homem-máquina de Realidade Aumentada permitiriam aos astronautas operar drones e outros robôs com facilidade e precisão“, reconheceu Brandon Dotson, engenheiro aeroespacial e piloto de testes do Exército dos EUA que testou o dispositivo.

ZAP // Canaltech

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

2966: Astronautas vão preparar bolachas a bordo da EEI graças a um forno incomum

CIÊNCIA

Em breve, a tripulação da Estação Espacial Internacional (EEI) poderá preparar as suas próprias bolachas a bordo do laboratório orbital, noticia a AP.

De acordo com a agência noticiosa, no passado sábado foi lançado o foguete Antares a partir da instalação de voo Wallops da NASA, localizada no estado norte-americano da Virgínia, com o objectivo de colocar em órbita um módulo de carga Cygnus.

A carga desta nave espacial incluiu um pequeno e incomum forno eléctrico – o Zero G Kitchen Space Oven -, projectado especialmente para operar em ambientes com gravidade zero, que vai permitir aos astronautas que possam cozinhar as suas próprias bolachas.

Nota a AP que a massa para cinco bolachas de chocolate tinha já sido levada para a EEI. Contudo, este pequeno forno apenas poderá preparar uma bolacha de cada vez.

O forno Zero G é capaz de atingir uma temperatura máxima de 177℃, o dobro da temperatura dos aparelhos actualmente utilizados na EEI para aquecer alimentos.

Estima-se que sejam necessários entre 15 a 20 minutos para assar uma bolacha a 163ºC. Devido à ausência de gravidade, escreve ainda a agência, as bolachas podem, no final, assemelhar-se a uma mini-panqueca. Três das cinco bolachas assadas no Espaço serão enviadas para a Terra para serem analisadas.

“Estás no Espaço. Quer dizer, queres sentir o cheiro de bolachas”, disse à AP Jordana Fichtenbaum da Zero G Kitchen, que é especialista em redes sociais.

“Para mim, a cozinha é realmente o coração da casa e o forno é onde [o coração] está. Queremos apenas tornar o Espaço mais confortável e agradável – e delicioso”, apontou, referindo que a receita que será preparada no Espaço será a mesma encontrada na Terra.

A agência espacial norte-americana frisa ainda que o novo forno não servirá apenas para assar bolachas. O aparelho faz parte de um procedimento maior que visa “fornecer informações sobre o efeito da micro-gravidade no processo de assar [alimentos], bem como informações sobre propriedades básicas de transferência de calor em ambientes de micro-gravidade”, pode ler-se no site oficial da NASA.

O estudo visa ainda explorar as questões de segurança e as implicações associadas à preparação de alimentos no Espaço. Por outro lado, os astronautas vão ainda beneficiar do procedimento, uma vez que vão “experimentar os benefícios psicológicos e fisiológicos” relacionados com a ingestão de comidas saborosas e familiares.

ZAP //

Por ZAP
5 Novembro, 2019

 

2918: Poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores

CIÊNCIA

Bre Pettis / Flickr

A poeira lunar pode ser um grande problema para os próximos exploradores espaciais, uma vez que é abrasiva e está por todo o lado. Vários países estudam já os efeitos que o pó lunar poderá desencadear nos astronautas.

Numa altura em que cada vez mais potências mundiais mostram interesse em voltar a explorar o satélite natural da Terra, o portal Space.com noticia esta semana que a poeira lunar pode ser uma pedra no sapato dos futuros astronautas.

John Cain, especialista britânico em riscos da exploração lunar e consultor de saúde de astronautas, alerta para este perigo, considerando que é fulcral conhecer melhor a poeira lunar antes de levar a cabo novas missões à Lua.

É essencial conhecer a natureza da poeira lunar, compreender os seus efeitos sobre o corpo [dos exploradores espaciais], bem como identificar as rotas de exposição e desenvolver meios para reduzir a exposição”, disse, em declarações ao mesmo portal.

Buzz Aldrin, da Apollo 11, parece confirmar as preocupações de John Cain: “Quanto mais tempo passas na Lua, mais coberto ficas de poeira lunar do capacete às botas”, recordou o astronauta após a missão, observando ainda que a poeira da Lua cheirava a “carvão queimado” ou “a alguma coisa semelhante às cinzas de uma lareira”.

Também o comandante da Apollo 17, Gene Cernan, revelou durante um interrogatório técnico após a missão reservas relacionadas com a poeira da Lua. “Acho que a poeira é, provavelmente, um dos nossos maiores inibidores para uma operação nominal na Lua. Acredito que podemos superar outros problemas fisiológicos, físicos ou mecânicos, excepto a poeira da Lua”, afirmou o astronauta.

“Febre do feno extraterrestre”

Durante a Apollo 17, o astronauta Harrison Hagan “Jack” Schmitt registou o primeiro caso de uma reacção à poeira lunar que ficou conhecida como “febre do feno extraterrestre”. Depois de exposto ao pó da Lua, as suas placas de cartilagem das paredes nasais incharam significativamente. “Aconteceu bem rápido”, disse, na época.

Tendo em conta os episódios do passado e o que já se sabe sobre a Lua, John Cain reitera que é preciso conhecer melhor a poeira lunar antes de iniciar qualquer nova missão. No futuro, vaticina ainda o especialista, a criação de assentamentos lunares incluirá a necessidade de se desenvolver legislação sobre saúde e segurança para garantir o bem-estar e a segurança de exploradores.

O regolito lunar – a rocha fragmentada que está sobre a superfície da Lua – pode conter sílica (dióxido de silício), óxido de ferro e óxido de cálcio. A sílica, recorde-se, é altamente tóxica. Na Terra, este composto é responsável por causar graves doenças pulmonares.

Actualmente, Reino Unido, Estados Unidos, China, Rússia, Índia e União Europeia estão a levar a cabo estudos para perceber se a poeira lunar poderá causar doenças pulmonares aos astronautas, bem como para encontrar estratégias para diminuir a exposição.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Outubro, 2019

 

2868: Português coordena parte da primeira caminhada espacial 100% feminina

CIÊNCIA

Christina Koch e Jessica Meir, astronautas norte-americanas da NASA que fizeram a primeira spacewalk totalmente feminina Crédito: NASA

Chama-se João Lousada e além de astronauta análogo (em terra), tornou-se recentemente no primeiro director de voo português da Estação Espacial. Esta sexta-feira coordenou parte da histórica missão que envolveu a primeira caminhada espacial totalmente feminina.

“Foi verdadeiramente especial estar na consola, para um marco tão importante na história do voo espacial: a primeira caminhada espacial totalmente feminina com Christina Koch e Jessica Meir, que incluiu uma nova peça na Columbus [a área científica da Estação Espacial] para permitir mais experiências no futuro”. O anúncio, em inglês, foi feito no Twitter pelo português João Lousada.

Aos 30 anos, o astronauta análogo (tem feito missões em terra de fato espacial para simular possíveis missões a Marte) passou de controlador da Estação Espacial Internacional, para diretor de voo no passado mês e contamos a história desse marco importante e inédito para um português aqui. O trabalho de grande responsabilidade, feito a partir do centro de controlo perto de Munique, na Alemanha, garante a segurança e o sucesso das operações na Columbus, a divisão científica da Estação Espacial Internacional (EEI).

Joao Lousada @Astro_Joao

It was truly special to be on console today for an important mark in space flight history: the first all-female space walk with @Astro_Christina and @Astro_Jessica including a new item in Columbus to allow for more experiments in the future#EVA #spacewalk #columbus #spacehistory

A EEI está já a uma altitude média de 340 km da superfície terrestre, numa órbita baixa que possibilita ser vista da Terra a olho nu e viaja a uma velocidade média de 27 700 km/h, completando 15,70 órbitas por dia – a cada 91 minutos dá uma volta completa à Terra.

João Lousada como astronauta análogo no deserto de Omã em 2018

O que fez, então, João Lousada?

Foi o director de voo da Columbus nesse turno. “Ou seja, liderei as equipas europeias durante o passeio espacial. Não é muito frequente que os passeios espaciais tenham tarefas relacionadas com o módulo Europeu então foi um spacewalk especial para todas as equipas europeias onde instalámos uma peça no exterior do módulo, que no futuro irá permitir instalar mais experiências no exterior da estação espacial [na divisão europeia Columbus].”

Que peça é? Chama-se Trunnion Slip off Prevention (ou TSOP) e é a sua inclusão vai permitir que este tipo de missões fora da Estação Espacial se tornem mais fáceis e frequentes, nomeadamente na parte europeia da estação.

Apesar de não ter falado directamente com as astronautas norte-americanas que fizeram história, liderou o trabalho que elas fizeram para a divisão Columbus. “Normalmente não é o Flight Director que fala diretamente com os astronautas, existe uma posição dedicada para isso chamada CAPCOM (ou EUROCOM na equipa Europeia), portanto, sim tínhamos contacto todo o tempo mas não fui eu a falar directamente”.

João Lousada no centro que coordena o módulo Columbus da Estação Espacial Internacional (foto cedida pelo próprio)

O sentimento de coordenar a missão é especial, mas questionado sobre se a sua equipa sente durante o trabalho esse o momento histórico, Lousada respondeu. “sim e não”. Isto porque: “por um lado temos consciência da importância deste marco histórico e vê-se na equipa que é um sentimento único estar a contribuir tão directamente para a história do espaço. Por outro lado, o trabalho não é diferente por ser o primeiro passeio espacial com senhoras. Temos o privilégio de ter profissionais altamente qualificados, tanto no espaço como nas equipas de terra, independente do género de cada. E o nosso trabalho, a nossa preparação e o profissionalismo de todas as equipas não foi diferente durante este passeio espacial.”

O significado da missão espacial

A primeira caminhada espacial com uma equipa feminina começou esta sexta-feira. Christina Koch e Jessica Meir, astronautas norte-americanas foram as eleitas pela NASA para o momento que foi transmitido em directo.

A missão principal foi reparar um controlador de energia do lado de fora da Estação Espacial Internacional, tendo sempre a Terra à vista (de um lado) e o universo, do outro.

Esta missão, de uma forma geral, vai permitir que estes trabalhos de astronautas vestidos com fatos espaciais e feitos em pleno espaço se tornem algo mais frequente. O ex-astronauta Ken Bowersox, agora vice-chefe do programa espacial humano da NASA, explicou em conferência de imprensa sobre a missão que além de se celebrar a ocasião de terem sido duas mulheres a cumprir esta caminhada espacial, há outros ganhos para os humanos não só na EEI nas na exploração espacial.

“Estamos agora a reunir a experiência que precisamos para tornar estes procedimentos rotina nos voos espaciais, para que possamos avançar mais no nosso sistema solar, para ir inclusive com humanos para a Lua e para Marte. Isso é o que me entusiasma mais, ver esse progresso a acontecer”, admitiu.

A Estação Espacial Internacional, onde está também a parte europeia com o laboratório Columbus

O que parte do trabalho feito resolveu

A electricidade da Estação Espacial Internacional é fornecida por quatro enormes asas ‘solares’ com os chamados controladores de carga de bateria, que desviam a eletricidade para baterias poderosas que recarregam quando o laboratório está sob a luz do sol e, de seguida, fornecem a energia armazenada quando a estação se movimento no período de sombra da Terra.

A substituição de modelos defeituosos deverá restaurar de 4 a 5 quilowatts de energia ao sistema eléctrico do laboratório, que foi perdido quando o carregador original falhou após 19 anos de operação normal, desligando uma bateria de íons de lítio recém-instalada.

Com a troca concluída, Koch e Meir levaram a unidade defeituosa de volta à câmara de ar para, eventualmente, regressar à Terra a bordo da futura nave de carga Dragon, da SpaceX (de Elon Musk), para que se possa tentar reparar.

O trabalho seguinte envolveu o ajuste de isolamento multicamadas em torno dos componentes sobressalentes para facilitar o acesso a eles e foi ainda direccionado um cabo ethernet. Foi nessa altura que instalaram a tal peça de que já falámos no módulo de laboratório Columbus da Agência Espacial Europeia, que será necessária também quando uma plataforma experimental for anexada mais tarde.

João Lousada é um astronauta análogo (de testes em Terra).

dn_insider
Sábado, 19 Outubro 2019
João Tomé

 

2858: Fez-se História no Espaço com o primeiro passeio espacial feminino

CIÊNCIA

As astronautas Jessica Meir e Christina Koch saíram esta sexta-feira da Estação Espacial Internacional (EEI) no primeiro passeio orbital sem a participação de homens, durante o qual repararão um controlo das baterias da estação.

A saída para o espaço aconteceu às 12h39 em Lisboa e durante cerca de cinco horas e meia, Koch e Meyer trabalharão no exterior da EEI, que orbita a Terra a uma distância de 485 quilómetros e a uma velocidade de mais de 27 mil quilómetros por hora.

Em seis décadas e meia de exploração espacial com tripulantes, 15 mulheres participaram em 221 destes passeios orbitais, mas desde que, em 1984, a soviética Svetlana Savistskaya foi a primeira mulher a sair de uma nave – acompanhada pelo cosmonauta Vladimir Dzhanibekov – todas as tarefas femininas no exterior contaram com participação masculina.

Christina Koch, engenheira de 40 anos, chegou à EEI a 14 de Março e está em vias de se tornar a mulher com a mais longa estada no espaço, já que a missão está programada para durar 328 dias.

A primeira saída para o espaço de duas mulheres estava programada para Março e nela deveria participar a astronauta Anne McClain, mas a agência espacial norte-americana NASA alegou então que não tinha fatos espaciais adequados para duas mulheres.

O fato espacial que será usado durante a caminhada espacial é a Unidade de Mobilidade Extra-veicular (UEM), uma “nave espacial pessoal” especialmente projectada por um traje que mantém os astronautas seguros no vácuo do espaço. O fato espacial contém controles de respiração e temperatura, sistemas de comunicação, energia da bateria e oferece protecção contra radiação e detritos espaciais.

Uma parte do fato, o tronco superior duro (HUT), foi o que causou o problema na última tentativa de caminhada espacial feminina. Ambas as mulheres encaixavam-se melhor num HUT de tamanho médio, mas a ISS só tinha um disponível.

McClain regressou à Terra durante o verão. A sua suplente, Jessica Meir, de 42 anos, é uma professora da Escola de Medicina de Harvard e o regresso à Terra está programado para a primavera (hemisfério norte).

A missão de Koch e Meir é a reparação de um dos controlos de carga e descarga das baterias que recolhem a energia dos painéis solares na estação internacional.

A caminhada espacial é uma das tarefas mais perigosas das quais um astronauta participará durante o seu tempo a bordo da ISS. Cada um deles dura cerca de 6,5 horas, enquanto o astronauta permanece preso à nave espacial para não flutuar. Os astronautas usam pequenas unidades do tamanho de mochilas completas com propulsores a jacto operados por um joystick para ajudá-los a movimentar-se com segurança.

Das cerca de 500 pessoas que já estiveram no espaço, menos de 11% eram mulheres. Todas as caminhadas espaciais até o momento envolveram equipas consistindo exclusivamente de homens ou equipas envolvendo homens e mulheres.

ZAP // Lusa

Por ZAP
18 Outubro, 2019

 

2849: Astronauta capta o colossal “Olho do Sahara” a partir da EEI

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia publicou neste domingo uma fotografia da colossal estrutura de Richat, uma formação geológica enigmática no centro da Mauritânia, conhecida como o “Olho do Sahara”.

A estrutura, que tem cerca de 40 quilómetros de diâmetro e fica no meio do deserto do Sahara, é também conhecida como o “Olho de África”.

“Uma memória indelével da primeira missão”, afirmou o astronauta italiano Luca Parmitano, que captou a fotografia a 400 quilómetros de altitude durante a sua estadia na Estação Espacial Internacional (EEI), citado pela agência europeia.

Descoberto em meados de 1965 pelos cientistas da NASA James McDivit e Edward White, o “Olho do Sahara” foi, até há bem pouco tempo, objecto de controvérsia – os cientistas não se entendiam sobre aquela que seria a sua origem.

A hipótese inicialmente apresentada sustentava que a formação, que terá surgido há 500 ou 600 milhões de anos, era fruto de um meteorito que caiu na Terra. Contudo, estudos posteriores revelaram que a estrutura em causa é totalmente geológica e que esta foi criada pelo efeito da erosão ao longo de milhões de anos.

Há ainda quem defenda que a Estrutura de Richart é o Reino perdido de Atlântida, defendendo assimetrias com as descritas por Platão nos seus livros.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2846: NASA revela novos fatos espaciais que os astronautas vão levar para a Lua (e são pura ficção científica)

CIÊNCIA

A NASA apresentou na terça-feira, na sua sede, em Washington, Estados Unidos, os novos fatos espaciais que os astronautas da missão Artemis vão usar em 2024, quando voltarem à Lua.

Fatos feitos em modelos 3D, à medida de cada astronauta, capacetes que se podem arranjar na hora e melhor mobilidade e flexibilidade para andar na superfície lunar. O objectivo da NASA é proporcionar aos seus astronautas um traje sofisticado. Os astronautas vão poder levantar não só os braços como outros objectos sobre a cabeça.

Além disso, os novos fatos têm uma série de novas particularidades: uma funcionalidade de suporte à vida em atmosferas ricas em dióxido de carbono e também um sistema de aquecimento para temperaturas baixas.

Haverá ainda uma escotilha de entrada traseira nos trajes para permitir que o astronauta consiga enfiar o fato facilmente. O visor de protecção do capacete protegê-lo-á de qualquer desgaste que possa ocorrer e as botas terão solas flexíveis. A questão dos microfones actuais, que às vezes provocam suor e acabam por se tornar desconfortáveis, também está resolvida, já que a NASA está a pensar substituí-los por um novo sistema incorporado, activado por voz e colocado na parte superior do corpo.

@nasahqphoto

Check out images from today’s event showcasing prototypes of @NASA‘s 2 newest spacesuits designed for Moon to Mars exploration: 1 for launch and re-entry, and 1 for exploring the lunar South Pole! #Artemis More 📸https://flic.kr/s/aHsmHHQ8Uy 

Mas ainda há coisas que não foram mudadas. O ScienceAlert relembra que ainda não se sabe como será possível remover fluídos corporais com o fato vestido, por isso os astronautas vão continuar a usar fraldas.

A data prevista para dar uso a todo este material será 2024, provavelmente na segunda metade do ano, e o destino é o pólo sul da Lua.

Artémis era a irmã gémea de Apolo e significava a deusa da Lua em grego. A NASA escolheu este nome para lembrar que, neste caminho de regresso à Lua, haverá um homem e uma mulher entre os eleitos.

@NASA

Introducing our next-generation spacesuit for #Artemis missions! Here, spacesuit engineer Kristine Davis demonstrates the improved mobility in the new suit, important for working on the Moon’s surface. Watch live: https://go.nasa.gov/2VI0g9g 

Para já, fala-se apenas na Artemis 1, até agora conhecida como missão de exploração 1, que será a primeira de uma série de missões empenhadas em permitir a exploração humana na Lua e em Marte.

Essa primeira missão vai permitir testar o sistema de voo integrado da agência e, numa primeira fase, já se sabe, será não tripulada. Pretende-se avaliar aquele que se espera ser o foguetão mais poderoso do mundo, que promete voar até ainda mais longe do que até agora – 450 mil quilómetros da terra, milhares de quilómetros para lá da Lua, durante três semanas.

A NASA está agora a estudar de que forma poderá estabelecer uma presença humana sustentável no satélite da terra.

ZAP //

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17 Outubro, 2019

 

2820: Astronautas imprimiram carne no Espaço pela primeira vez

CIÊNCIA

3D Bioprinting Solutions

As novas tecnologias estão a revolucionar lentamente a forma como os astronautas comem no Espaço. Enquanto os primeiros astronautas espremiam as suas refeições com tubos parecidos a pastas de dentes, os astronautas de hoje comem gelado e fruta e temperam as refeições com sal e pimenta líquidos.

Mas ainda existem limites para os tipos de alimentos que podem suportar a micro-gravidade. Qualquer coisa que produza migalhas, por exemplo, é considerada perigosa, uma vez que as partículas de alimentos podem entupir os sistemas eléctricos ou os filtros de ar de uma nave espacial, de acordo com o Business Insider.

A comida precisa de durar um longo período de tempo, caso as missões de reabastecimento não tenham sucesso.Assim, as empresas de tecnologia estão a experimentar formas de cultivar alimentos a bordo de uma nave.

No final de Setembro, a startup israelita de tecnologia de alimentos Aleph Farms supervisionou o crescimento de carne no Espaço pela primeira vez, com a ajuda de uma impressora 3D. A experiência não é inteiramente novo. A Aleph Farms cozinha bifes cultivados em laboratório desde Dezembro de 2018, mas sugere que a carne pode ser cultivada em todos os tipos de ambientes adversos.

Para fazer a sua carne cultivada em laboratório, a Aleph Farms começa por extrair células de uma vaca através de uma pequena biopsia. As células são colocadas num “caldo” de nutrientes que simula o ambiente dentro do corpo de uma vaca. A partir daí, crescem num pedaço fino de bife. Aqueles que provaram o produto dizem que serve para imitar a textura e o sabor da carne tradicional.

“Somos a única empresa que tem capacidade para produzir carne totalmente texturizada, que inclui fibras musculares e vasos sanguíneos – todos os componentes que fornecem a estrutura e as conexões necessárias para o tecido”, disse o CEO e co-fundador da Aleph, Didier Toubia.

Mas, para cultivar a carne no espaço, a Aleph Farms teve que alterar um pouco o processo. Primeiro, colocaram as células da vaca e o caldo de nutrientes em frascos fechados. Em seguida, levaram os frascos na sonda Soyuz MS-15 no Cazaquistão. Em 25 de Setembro, a sonda descolou para o segmento russo da Estação Espacial Internacional, orbitando a cerca de 400 quilómetros da Terra.

Quando os frascos chegaram à estação, os astronautas russos – conhecidos como cosmonautas – inseriram-nos numa impressora magnética da empresa russa 3D Bioprinting Solutions. A impressora replicou as células para produzir tecido muscular (a “carne”). As amostras regressara à Terra a 3 de Outubro, sem serem consumidas pelos cosmonautas.

“Esta experiência foi estritamente prova de conceito”, disse Grigoriy Shalunov, gerente de projectos da 3D Bioprinting Solutions. No futuro, a empresa espera fornecer uma fonte de proteína para missões no espaço profundo e colónias iniciais na Lua e em Marte.

A experiência não é a primeira vez que alimentos crescem artificialmente no espaço. Em 2015, os astronautas cultivaram alface na Estação Espacial Internacional. A NASA está a desenvolver um “jardim espacial” que pode produzir alface, morangos, cenouras e batatas no Gateway, uma estação espacial proposta que pode orbitar a lua.

A capacidade de imprimir carne em micro-gravidade não é só uma boa notícia para os astronautas. Também sugere que as empresas possam imprimir carne em ambientes extremos da Terra – principalmente em locais onde a água ou a terra são escassas.

O cultivo de carne consome cerca de 10 vezes menos água e terra do que a pecuária tradicional. A carne cultivada em laboratório também é mais rápida de produzir – demora apenas alguns minutos a cozinhar.

A necessidade de produzir mais alimentos e conservar os recursos naturais é mais urgente do que nunca. Um relatório recente do Painel Inter-governamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas descobriu que a nossa indústria de alimentos produz 37% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Aleph Farms diz mesmo que a sua experiência espacial é uma resposta directa a esses desafios. “É hora de americanos e russos, árabes e israelitas se elevarem acima dos conflitos, se unirem e se unirem por trás da ciência para lidar com a crise climática e as necessidades de segurança alimentar”, afirmou a empresa. “Todos nós partilhamos o mesmo planeta”.

ZAP //

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12 Outubro, 2019

 

2804: A ciência solar tem um futuro brilhante na Lua

CIÊNCIA

À medida que a Lua orbita a Terra, gira à mesma velocidade – um tipo especial de bloqueio de marés chamado rotação síncrona. Como resultado, um lado da Lua está sempre virado para a Terra.
Crédito: SVS da NASA/Ernie Wright

Existem muitas razões pelas quais a NASA está a perseguir a missão Artemis de fazer regressar astronautas à Lua até 2024: é uma maneira crucial de estudar a própria Lua e de pavimentar um caminho seguro para Marte. Mas também é um óptimo lugar para aprender mais sobre a protecção da Terra, que é apenas uma parte do maior sistema Sol-Terra.

Os heliofísicos – cientistas que estudam o Sol e a sua influência na Terra – também enviarão as suas próprias missões da NASA como parte do programa Artemis. O seu objectivo é entender melhor o complexo ambiente espacial que rodeia o nosso planeta, grande parte do qual é impulsionado pelo nosso Sol. Quanto mais entendermos esse sistema, melhor poderemos proteger a tecnologia espacial, as comunicações por rádio e as redes utilitárias da ira da nossa estrela mais próxima.

Aqui ficam cinco razões pelas quais os heliofísicos estão ansiosos por estas oportunidades lunares.

1. É um Satélite Estável

A primeira vantagem da ciência com base na Lua diz respeito à instabilidade dos satélites artificiais, que muito transtorna os cientistas espaciais.

Os satélites são mais instáveis do que se imagina. São feitos de metais que se expandem e se contraem com as mudanças de temperatura. Transportam telescópios que constantemente giram para permanecerem apontados para os alvos. Disparam motores e giram as rodas de reacção para permanecer em órbita. Cada uma destas manobras causa tremulação, que pode provocar erros nas medições, medições estas que exigem precisão.

Mas a Lua – o único satélite natural da Terra – é uma viagem muito mais suave.

“A Lua é um bom lugar estável – não treme nem tremula como uma nave espacial,” disse David Sibeck, heliofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Qualquer pessoa que tente fazer medições de alta resolução ficará feliz em não precisar de se preocupar com a instabilidade.”

Um ambiente sem instabilidade é uma vantagem para todas as ciências espaciais, mas existem bónus adicionais para os heliofísicos que estudam as auroras. A uma média de 384.400 km da Terra, a Lua tem uma excelente vista das auroras da Terra quando se movem equatorialmente durante tempestades geo-magnéticas. Além disso, como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra, os telescópios não precisam de ser tão ajustados. Colocados à superfície, a Lua mantém-nos apontados.

2. Observação de Eclipses

Muito antes da era espacial, os cientistas contavam com a Lua para ajudá-los a estudar o Sol. Observadores pacientes esperavam eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a superfície brilhante do Sol. Só então é que podiam ver a sua ténue atmosfera exterior, conhecida como coroa.

Mas as esperas podem ser longas. Um eclipse solar total ocorre em algum lugar da Terra a cada 18 meses. Para qualquer local específico, é mais uma vez a cada quatro séculos.

“Obtemos resultados fantásticos com os eclipses,” disse John Cooper, heliofísico de Goddard. “Mas não temos eclipses todos os dias.”

Mas um telescópio de observação solar, no tipo certo de órbita em torno da Lua, pode gerar eclipses “sob demanda”. Em vez de esperarmos que a Lua se mova pela linha de visão do telescópio, Cooper, explica, movemos a nossa linha de visão para trás da Lua.

“Basicamente, estamos a usar o limbo lunar contra o céu escuro e profundo,” disse Cooper. Dado que a Lua não tem uma atmosfera que distorce a imagem, as medições seriam ainda mais nítidas do que as feitas na Terra.

A partir da sua órbita íntima, um telescópio do género não geraria eclipses solares totais – estudaria, sim, uma parte do limbo do Sol de cada vez. Mas Cooper calcula que podemos ver tanto os lados este como este do limbo do Sol uma vez a cada órbita – duas vistas de alta resolução, todos os dias.

3. Está Fora do Campo Magnético da Terra

O clima espacial faz parte da heliofísica, onde a ciência pura é aplicada em tempo real. Os cientistas do clima espacial estudam o Sol – incluindo o seu fluxo constante de vento solar – e os seus impactos na Terra. Estes investigadores precisam de acertar na física fundamental para manter seguras as nossas valiosas comunicações e satélites GPS. Mas determinar se um satélite está em perigo pode ser complicado.

A segurança de um satélite depende, em parte, se está dentro ou fora da magneto-pausa da Terra. A magneto-pausa é uma “terra de ninguém” móvel, onde o escudo magnético do nosso planeta termina e tem início todo o impacto do clima espacial. Aqui dentro, estamos em grande parte seguros. Fora, não estamos.

Mas, de momento, a única maneira de saber onde está essa fronteira, é voar através dela.

“Às vezes existem oscilações nos dados e podemos ver o cruzar dessa fronteira,” disse Sibeck. “Às vezes, vemos dez oscilações.”

Mas há outra maneira de encontrar a magneto-pausa se pudermos afastar-nos o suficiente para lá do escudo magnético da Terra. Quando o vento solar atinge a atmosfera da Terra, logo para lá da magneto-pausa, emite raios-X. Um telescópio de raios-X, colocado correctamente, podia capturar essa radiação e rastrear a localização da magneto-pausa.

É por isso que Sibeck pertence a uma equipa, liderada pelo cientista espacial Brian Walsh da Universidade de Boston, que está a querer colocar um telescópio de raios-X na Lua.

“Ninguém ainda obteve estas imagens globais e a Lua tem um bom ponto de vista de fora do campo magnético da Terra,” explicou Sibeck.

A missão LEXI (Lunar Environment heliospheric X-ray Imager), será colocada na superfície lunar para obter imagens globais, em tempo real, da magneto-pausa. No dia 1 de Julho de 2019, a NASA anunciou que a LEXI estará entre as primeiras cargas lunares a participar da missão Artemis. Esperam estar à superfície da Lua em 2022.

O instrumento LEXI terá pouco mais de um metro, mas a superfície lunar pode acomodar telescópios de raios-X muito maiores. Boas notícias, porque os raios-X são difíceis de focar; os telescópios mais longos obtêm imagens de resolução muito mais alta. O requisito de ser grande colocou um problema; alguns satélites simplesmente não têm tamanho suficiente para os transportar. “Mas na Lua as coisas podem ser realmente grandes,” acrescentou Sibeck.

4. Podemos “Desenterrar” a História do Sol

A resposta para algumas perguntas da heliofísica encontram-se enterradas na própria Lua.

“A Lua é como uma cápsula no tempo,” disse Steve Clarke, Administrador Associado Adjunto para Exploração da NASA. “Como foi formada ao mesmo tempo que a Terra, tem a história do Sistema Solar à sua superfície.”

Durante os seus primeiros mil milhões de anos, o Sol provavelmente girou mais depressa do que gira hoje, disparando um volume maior de erupções solares e electrificando o próprio espaço que formava planetas. Mas, para ter certeza de como foram esses primeiros mil milhões de anos, precisamos de evidências de coisas que ocorreram há muito, muito tempo.

A Lua – que não possui atmosfera, nem água líquida, nem placas tectónicas – fornece esse mesmo registo histórico. As erupções solares de há milhares de milhões de anos deixaram vestígios imperturbados na poeira lunar.

Um artigo recente analisou a poeira lunar para estudar a quantidade de voláteis – elementos como sódio e potássio, com baixos pontos de ebulição – que permaneceram nas amostras lunares. Estes voláteis são expulsos da Lua quando partículas solares energéticas atingem a superfície lunar. Ao analisar quanto destes elementos foram esgotados ao longo do tempo, os cientistas viram os primeiros mil milhões de anos do nosso Sol num contexto mais amplo. Embora tenha girado mais depressa do que gira hoje, em comparação com outras estrelas ainda é lenta, girando mais devagar do que 50% das estrelas semelhantes – e tendo surtos explosivos com muito menos frequência do que poderia ter tido.

“Poderia ter sido um ambiente muito mais severo,” disse Prabal Saxena, autor principal do estudo e astrónomo de Goddard.

Ainda há mais história antiga para aprender com a poeira lunar. A Lua não tem um campo magnético global – mas pode ter tido um no passado. Amostras dos pólos da Lua, onde a próxima missão Artemis planeia aterrar, podiam mostrar se um campo magnético histórico mudou o padrão de voláteis deixado para trás.

5. É uma Plataforma de Testes para Marte

Par os futuros astronautas na Lua e em Marte, o clima espacial exigirá atenção constante. O Sol liberta muitas “coisas” – e essas “coisas” viajam depressa.

Na Lua, os raios-X das explosões solares atingem a superfície em oito minutos. As ejecções de massa coronal – nuvens gigantes de partículas carregadas e quentes – podem chegar em 24 horas. As partículas energéticas solares, ou PESs, são mais raras, mas ainda mais rápidas e perigosas.

As PESs atingem 10, 20% da velocidade da luz, chegando até nós numa hora,” afirmou Karin Muglach, física solar do Laboratório do Clima Espacial de Goddard. “Estas coisas são como balas.”

Tendo em conta que a Lua está a apenas um segundo-luz de distância, os sistemas de aviso na Terra devem ser suficientes para proteger os astronautas na Lua. “Mas se formos para Marte, as comunicações podem demorar bastante,” disse Muglach.

Testar estes sistemas de protecção, nas proximidades, é uma das razões pelas quais a NASA quer regressar à Lua antes de ir para Marte.

Para a Lua, e Além

À medida que a NASA avança para a Lua e depois para Marte, surgem novas oportunidades para aprender sobre a ligação Sol-Terra. Mas não é apenas ciência básica. A influência do Sol preenche o espaço em nosso redor – o próprio espaço que os futuros astronautas terão que navegar e entender.

“Nem todas as ciências têm este aspecto realmente prático,” disse Jim Spann, principal cientista do clima espacial na sede da NASA em Washington, DC. “É um aspecto muito especial.”

Astronomia On-line
8 de Outubro de 2019

 

2704: “Cavenautas”. Astronautas vivem em cavernas em preparação para futuras viagens espaciais

CIÊNCIA

Seis astronautas, cinco agências espaciais e uma exploração de mundos subterrâneos para ajudar os astronautas a sobreviver noutros planetas. A mais recente aventura da ESA leva uma equipa internacional de astronautas a explorar cavernas, com foco na procura de água.

Seis astronautas de cinco agências espaciais vão colocar em prática o projecto CAVES, que os levará a cavernas terrestres como uma forma de preparação para futuras missões espaciais. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), a equipa internacional vai aprender técnicas para explorar terrenos, com um foco especial na procura de água.

O CAVES tem também como objectivo melhorar as capacidades de comunicação dos astronautas, nomeadamente no que diz respeito à resolução de problemas e trabalho em equipa.

A primeira caverna explorada pela equipa mora na Eslovénia. Lá, os astronautas vão viver e trabalhar durante seis dias, naquela que é a “simulação mais próxima possível de um planeta com restrições ambientais, psicológicas e logísticas”, explica Loredana Bessone, envolvida no projecto. “O treino envolve ciência real, operações reais e astronautas reais com os melhores espeleólogos do sector”, acrescenta a especialista, citada pelo CanalTech.

Alexander Gerst, da ESA; Joe Acaba e Jeanette Epps, da NASA; Nikolai Chub, da Roscosmos; Josh Kutryk, da agência espacial do Canadá; e Takuya Onishi, da JAXA, pisaram a caverna eslovena, pela primeira vez, no dia 20 de Setembro, e montaram um acampamento para passar seis dias neste ambiente subterrâneo, na companhia de uma equipa de instrutores e de segurança.

No entanto, apesar de não estarem sozinhos, cabe-lhes a tomada de decisões. Isto significa que os seis astronautas vão trabalhar de forma autónoma e completamente isolados do mundo exterior, de forma a simular ao máximo uma situação do género, mas noutro planeta.

A equipa vai aprender a seguir os fluxos de ar e de água como sinais de novos caminhos a serem percorridos. A caverna escolhida pela ESA para esta edição do CAVES fica numa área onde os rios fluem no subsolo, mas, para manter o elemento da exploração, os próprios astronautas não sabem a localização exacta dessas fontes aquosas.

A entrada da caverna conta com um verdadeiro labirinto de passagens quase que inexploradas pela Humanidade. Além de um treino, os “cavenautas” poderão também ajudar a fazer mais descobertas científicas na caverna.

No solo, o controlo da missão acompanha de perto o progresso da equipa, através de um mapa 3D gerado em tempo real. “Enquanto as agências espaciais se preparam para a exploração da Lua, a ESA está a assumir a liderança em expedições subterrâneas para moldar futuras missões de exploração de cavernas lunares. Ideias sobre como detectar, mapear e explorar cavernas na Lua são bem-vindas”, adianta a ESA.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2611: Astronautas fizeram no Espaço o cimento das casas de Marte

CIÊNCIA

Quando os humanos viajarem até Marte para lá ficar, vão precisar de construir lugares seguros para viver e trabalhar. O material de construção utilizado na Terra – o cimento – pode ser a resposta.

O cimento é suficientemente forte e duradouro para fornecer uma protecção eficaz contra a radiação cósmica e meteoritos e, segundo a NASA, pode ser possível fazer cimento usando materiais disponíveis nos corpos celestes.

No entanto, o processo pode ser bastante complexo, uma vez que estamos a falar em micro-gravidade e componentes alienígenas, cujas estruturas químicas podem não ajudar no resultado final.

Por esse motivo, torna-se importante testar – e foi exactamente isso que fizeram os investigadores da Estação Espacial Internacional (EEI). Segundo o Space.com, os astronautas fizeram cimento no Espaço pela primeira vez e mostraram que este material pode endurecer no Espaço.

Aleksandra Radlinska, autora principal do estudo e professora de engenharia civil na Penn State, adiantou que um dos objectivos é construir estruturas “com um material muito semelhante ao cimento, mas no Espaço”. A investigadora disse ainda que “o cimento é muito resistente e oferece uma melhor protecção, quando comparado a outros materiais”.

Para o projecto Microgravity Investigation of Cement Solidification, os astronautas da EEI misturaram água com silicato tricálcico, o principal ingrediente mineral presente em alguns dos cimentos comerciais mais utilizados na Terra.

A mistura nunca havia sido criada em micro-gravidade, mas a experiência foi muito bem sucedida. O resultado foi inequívoco: um material muito complexo, pelo que se torna crucial saber como se forma a estrutura molecular nestas condições.

O estudo, publicado na Frontiers in Materials, permitiu também fazer a primeira comparação entre amostras de cimento criadas na Terra e amostras feitas no Espaço.

A comparação revelou que o cimento criado na estação espacial tinha micro-estruturas muito diferentes do cimento feito na Terra, sendo que uma das principais características do material construido no Espaço é que é muito mais poroso do que o cimento que conhecemos.

(dr) Penn State Materials Characterization Lab
Na imagem superior, pode ver o cimento criado no Espaço em comparação com a imagem inferior, que mostra cimento misturado na Terra

Esta não é propriamente uma boa notícia, já que “o aumento da porosidade afecta directamente a resistência do material“. “Mas ainda precisamos de medir a resistência do material formado no Espaço”, disse Aleksandra Radlinska.

De qualquer forma, o cimento espacial endureceu e os cientistas estão empenhados em continuar as pesquisas de modo a descobrir quais as causas da porosidade. Os astrónomos da NASA acreditam que este resultado pode dever-se ao facto de o cimento ter sido processado em bolsas plásticas seladas, um procedimento que não é feito aqui na Terra.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2019

 

2514: Divórcio chega ao Espaço. Astronauta acedeu à conta da ex-mulher a partir da EEI

NASA
A astronauta norte-americana Anne McClain

A NASA está a investigar aquele que pode ser o primeiro crime cometido no espaço. Uma astronauta acedeu à conta bancária da ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional.

A astronauta Anne McClain é acusada de roubo de identidade e acesso não autorizado aos registos financeiros da sua ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional (EEI), onde se encontrava numa missão de seis meses, de acordo com o New York Times.

A ex-mulher de McClain, Summer Worden, apresentou uma queixa na Comissão de Comércio Federal (FTC), uma agência independente, depois de saber que Anne McClain acedera à conta bancária conjunta, sem a sua permissão.

Worden começou a suspeitar quando percebeu que a sua antiga companheira continuava a saber onde ela gastava o seu dinheiro. Mais tarde, de acordo com o Observador, viria a descobrir que a sua conta bancária estava a ser acedida através de um computador registado na NASA.

A família de Summer Worden também apresentou uma queixa à inspecção geral da NASA, de acordo com o jornal norte-americano. “Fiquei chocada por ela ter ido tão longe. Eu sabia que não era normal”, disse Worden.

Para o advogado de Anne McClain, a sua cliente não fez nada errado e teve acesso à conta bancária enquanto estava a bordo da EEI para monitorizar a conta conjunta do casal, algo habitual ao longo da relação, sublinhou.

O advogado explicou que o acesso à conta era uma tentativa de verificar se havia fundos suficientes na conta da sua ex-companheira para pagar contas e cuidar da criança que estavam ambas a criar. Investigadores da NASA já ouviram as duas mulheres.

Summer Worden adiantou que a FTC não respondeu à queixa apresentada sobre roubo de identidade, mas um investigador especializado e a inspecção-geral da NASA estão a investigar a acusação.

ZAP // Lusa

Por ZAP
25 Agosto, 2019

 

2469: O primeiro astronauta DJ que deu concerto a partir do espaço

Italiano participou em directo num festival de música electrónica.

© POOL New

O astronauta italiano, Luca Parmitano, actuou esta semana em directo a partir da Estação Espacial Internacional para milhares de pessoas, que estavam num cruzeiro perto de Ibizia.

De tablet na mão, o astronauta fez a primeira actuação realizada a partir do espaço. Antes de terminar a emissão em directo, Luca Parmitano disse:

“O espaço é um sonho comum, que une o mundo. Espero que tenham gostado desta oportunidade de unir ciência e música e que aproveitem tanto o mundo como nós aqui na Estação Espacial”

O concerto fez parte do festival de música electrónica World cblue Dome, organizado pela BigCityBeats, e foi transmitido via satélite.

msn notícias
SIC notícias
18/08/2019

 

2422: Viajar ao Espaço profundo pode causar problemas de memória aos astronautas (e afectar as suas decisões)

NASA

Os cientistas que viajem até ao Espaço profundo podem vir a sofrer de problemas neuronais e/ou comportamentais devido à radiação.

Uma nova investigação, levada a cabo em ratos de laboratório, concluiu que a radiação presente no Espaço profundo causa deficiências neuronais.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada e-Neuro, os resultados obtidos com as cobaias destacam a necessidade urgente de desenvolver medidas para proteger o cérebro humano durante viagens ao Espaço profundo, enquanto os cientistas se preparam para ir a Marte.

Tal como recorda a agência noticiosa Europa Press, os cientistas sabiam já que a radiação interrompe a sinalização, bem como outros processos que ocorrem no cérebro. Contudo, os estudos conduzidos anteriormente usaram exposições que não reflectem com exactidão as condições sentidas no Espaço profundo.

Para explicar melhor como é que as viagens espaciais podem afectar o sistema nervoso, Charles Limoli e os seus colegas expuseram os ratos de laboratório a radiação crónica de baixa dose (condições presentes no Espaço profundo) durante seis meses.

Após o procedimentos, os cientistas concluíram que a exposição à radiação prejudicava a sinalização celular no hipocampo e no córtex pré-frontal, resultando em problemas de memória e também de aprendizagem. A equipa observou ainda um aumento nos comportamentos de ansiedade, o que indicia que a radiação afectou também a amígdala.

Partindo destes resultados, a equipa prevê que, durante uma missão no Espaço profundo, cerca de um em cada cinco astronautas possam experimentar um comportamento de ansiedade, enquanto um em cada três poderá ter problemas de memória.

Além disso, frisam, estas condições podem ainda afectar a tomada de decisões. Por isso, insistem, é necessário desenvolver medidas para proteger os cérebros dos astronautas.

“A longo prazo, a natureza do ambiente de radiação no Espaço não determinará os nossos esforços para viajar até Marte, mas pode ser o maior obstáculo que a Humanidade deve resolver para viajar para lá da órbita da Terra”, pode ler-se no estudo.

Face à descoberta, o professor Francis A. Cucinotta, da Universidade de Nevada, em Las Vegas, nos Estados Unidos, mostrou-se céptico quanto às descobertas, dando conta que estas podem ser enganosas e que excedem os limites fixados pela NASA.

“Não há como um astronauta ficar exposto a esta fonte de energia de neutrões ou a doses equivalentes utilizadas. Isso violaria os limites de dose da NASA e das outras agências espaciais”, apontou ao portal Newsweek, questionando ainda por que motivos os cientistas recorreram a uma linhagem de cobaias conhecida por ser sensível a alterações climáticas.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2019

 

2401: Há boas notícias para os astronautas sobre a radiação espacial

CIÊNCIA

NASA

Um estudo da Mortality Research & Consulting, uma consultora norte-americana, analisou a saúde de mais de 400 pessoas que estiveram no Espaço e concluiu que a exposição a radiações espaciais não aumenta a probabilidade de contraírem cancro ou doenças cardiovasculares.

O Espaço é um ambiente hostil e coloca os astronautas em contacto com altos níveis de radiação. Esta exposição pode aumentar as taxas de cancro e de doenças cardiovasculares em seres humanos.

Mas um novo estudo traz agora boas notícias: a radiação espacial não parece aumentar o risco de morte por cancro ou doença cardíaca, pelo menos não nas doses a que os astronautas são submetidos durante as missões espaciais. No entanto, missões longas podem sujeitar estes seres humanos a doses maiores de radiação que podem, consequentemente, representar maiores riscos para a sua saúde.

A verdade é que as viagens espaciais expõem o corpo a níveis altos de radiação ionizante, muito maiores do que aqueles a que estamos sujeitos aqui na Terra. Em altas doses, a radiação está ligada a cancro e a doenças cardíacas, assim como a uma série de outros problemas de saúde.

Estudos anteriores não encontraram ligações entre viagens espaciais e um aumento de risco de morte por cancro ou doenças cardíacas, mas esses estudos poderiam ter uma amostra demasiado pequena para se poder retirar uma conclusão credível, uma vez que, até hoje, muito poucas pessoas foram até ao Espaço.

A mais recente investigação analisou informações de 418 viajantes espaciais, entre eles 301 astronautas da NASA e 117 cosmonautas russos que viajaram até ao Espaço pelo menos uma vez desde 1961. Neste período de tempo, 89 dos participantes faleceram.

Entre os 53 astronautas da NASA, 30% morreram de cancro e 15% de doenças cardíacas; enquanto que entre os 36 cosmonautas russos, 50% morreu de doenças cardíacas e 28% de cancro.

Segundo o Space, os cientistas usaram uma técnica estatística especial para determinar se as mortes por cancro e doenças cardíacas tinham uma causa comum – neste caso, a radiação espacial, mas os resultados não apontaram nenhuma.

“Se a radiação ionizante está a afectar o risco de morte devido a cancro e doenças cardiovasculares, o efeito não é dramático“, escreveram os autores do artigo científico, publicado a 4 de Julho na Scientific Reports. Apesar de ser uma boa notícia para os aventureiros do Espaço, a verdade é que o estudo não pode determinar se missões mais longas representariam riscos diferentes e mais sérios.

“É importante ressalvar que futuras missões espaciais poderão sujeitar os astronautas a doses muito maiores de radiação, o que levará a um perfil de risco diferente para futuros astronautas e cosmonautas”, concluíram os cientistas. Estudos futuros “devem continuar a vigiar os astronautas por potenciais efeitos nocivos da exposição à radiação espacial”.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2346: 50 anos do primeiro homem na Lua. Por que razão Armstrong saiu primeiro?

Há 50 anos, o homem pisou a Lua pela primeira vez. No dia 20 de Julho de 1969 o mundo parou à frente da televisão. O primeiro ser humano, Neil Armstrong, caminhava na Lua e todos puderam acompanhar em directo na Terra. Nesse dia foi escrita uma página importante na história da humanidade.

Depois de uma viagem muito atribulada e de momentos extremamente complicados, a nave alunou. Mas por que razão foi escolhido Neil Armstrong para ser o primeiro a pisar solo lunar?

Há 50 anos, Armstrong foi o primeiro a pisar a Lua

O comandante Neil Armstrong e o piloto Buzz Aldrin, astronautas da missão Apollo 11 da NASA, pousaram o módulo lunar Eagle no dia 20 de Julho de 1969, às 20h17 UTC. Portanto, passaram-se exactamente 50 anos.

Houston, Tranquillity Base here. The Eagle has landed.

Um impassível Armstrong transmitiu para o controlo da missão na Terra, após uma complicada manobra final quase sem combustível, na qual ele assumiu o controlo da nave para evitar uma cratera íngreme, informou a NASA.

A história da história da Lua

Conforme reza a história. Armstrong tornou-se na primeira pessoa a pisar a superfície lunar. Este feito aconteceu no dia 21 de Julho às 02h56 UTC. Ao mesmo tempo, este astronauta pronunciou a mítica frase histórica: “Este é um pequeno passo para o homem, um grande salto para a Humanidade”.

Aldrin juntou-se a ele 19 minutos depois. Ambos passaram duas horas a fazer testes, a fotografar e a recolher amostras de superfície. Então eles descolaram no topo do módulo lunar para entrar no módulo de comando Columbia, onde Michael Collins os esperava, orbitando a Lua para voltar à Terra.

Porquê Armstrong e não Aldrin

Os protocolos da NASA determinaram que, em casos análogos anteriores, como caminhadas espaciais, o astronauta mais jovem era o escolhido para ir ao exterior, enquanto o mais veterano estava encarregado dos controlos da nave.

Assim, na missão Apolo 11, a agência espacial originalmente planeou que Aldrin fosse o primeiro homem a pisar na Lua, e que o Major Armstrong fosse encarregado do módulo de pouso na Lua e depois descesse.

Contudo, o módulo lunar apresentou desafios de design que dificultaram esta ordem. A NASA refere nas ‘Expedições Apollo à Lua‘ que a escotilha abriu-se no lado oposto onde Aldrin estava sentado.

Para Aldrin sair primeiro (acima, fotografado por Armstrong a descer da Eagle Águia), teria sido necessário que um astronauta com uma mochila volumosa subisse a cima de outro, e quando esse movimento foi tentado, o modelo do módulo foi danificado.

Deke Slayton, seleccionado no primeiro grupo de astronautas que a NASA enviou ao espaço e director de operações da tripulação da NASA, explicou que permitir que Armstrong saltasse primeiro foi uma mudança básica de protocolo, já que era o comandante a missão.

De acordo com esta história da NASA, Armstrong disse que nunca lhe perguntaram se ele queria ser o primeiro homem a sair e a decisão não se baseou na classificação.

pplware

Imagem: NASA
Fonte: CNET

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2344: Nave russa Soyuz descola do Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional

NASA
Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

Na hora programada, às 21h28 locais (17h28 em Lisboa), a Soyuz MS-13 descolou do Cazaquistão, com o russo Alexandr Skvortsov, o norte-americano Andrew R. Morgan e o italiano Luca Parmitano a bordo.

Os três levavam nos seus fatos um distintivo especial para assinalar os 50 anos da missão Apolo 11 à lua. A nave será acoplada à plataforma orbital dentro de seis horas, após quatro voltas à terra.

O emblema que os astronautas levam é muito parecido com o original, inclui uma água, a lua e a terra, “assim como três estrelas que se lêem na numeração romana como 50”, explicou Parmitano, citado pela agência de notícias Efe.

E tal como há meio século, a insígnia da Soyuz MS-13 não inclui o nome dos astronautas porque os seus resultados, como os da nave Apolo 11 há 50 anos, “pertencerão a toda a Humanidade”.

Esta é a segunda viagem de Parmitano à EEI e a primeira do astronauta norte-americano, enquanto que para o cosmonauta russo trata-se da sua terceira missão. Parmitano e Skvortsov vão permanecer na estação 201 dias, até 6 de Fevereiro de 2020, enquanto Morgan ficará na plataforma até 1 de Abril do próximo ano, ou seja, 256 dias.

Os astronautas juntam-se à tripulação que se encontra na EEI desde Março último: o russo Alexéi Ovchinin e os norte-americanos Christina Hammock Kock e Nick Hague.

Dois astronautas a bordo da Soyuz tiverem de realizar uma aterragem de emergência, depois de uma falha detectada nos propulsores após o lançamento. O russo Alexey Ovchinin da Roscosmos e o astronauta da NASA Nick Hague estavam a bordo da nave espacial.

A Soyuz MS-10 foi obrigada a aterrar de emergência devido a uma falha no motor, depois de ter descolado no Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional, onde permaneceriam durante seis meses.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Julho, 2019

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2342: Descoberta a bebida que pode proteger os músculos dos astronautas em Marte (e tem álcool)

CIÊNCIA

epfl.ch / Flickr

Com a tecnologia actual, Marte fica a nove meses da Terra. Mas a verdadeira questão é: quando os astronautas chegarem ao Planeta Vermelho, terão força para continuar?

Após mais de 50 anos de voos espaciais tripulados, os investigadores conhecem alguns dos riscos que o corpo humano apresenta em gravidade zero. A doença de movimento espacial ocorre nas primeiras 48 horas, causando perda de apetite, tontura e vómito.

Com o tempo, os astronautas que permanecem por seis meses na Estação Espacial Internacional podem experimentar o enfraquecimento e a perda de músculos atróficos e ósseos. Também experimentam perda de volume sanguíneo, sistema imunológico enfraquecido e descondicionamento cardiovascular, porque flutuar requer pouco esforço e o coração não precisa de trabalhar tanto para bombear sangue.

Scott Kelly e outros astronautas, entre 40 e 50 anos, também se queixaram da alteração da visão. Alguns precisaram de óculos em voo.

Os músculos de sustentação de peso são atingidos primeiro e pior, como o músculo sóleo no gémeo da perna. “Depois de apenas três semanas no espaço, o músculo sóleo humano encolhe em um terço“, disse Marie Mortreux, principal autora do estudo financiado pela NASA, em comunicado. “Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contracção lenta que são necessárias para a resistência.”

De acordo com um novo estudo publicado a 18 de Julho na revista Frontiers in Physiology, o resveratrol preserva substancialmente a massa muscular e a força em ratos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

Para permitir que os astronautas operem em segurança em longas missões a Marte – cuja atracção gravitacional é apenas 40% da Terra – serão necessárias estratégias de mitigação para evitar o descondicionamento muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, explicou Mortreux, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na ISS”.

A solução será beber vinho tinto, uma vez que é constituído por resveratrol: um composto geralmente encontrado na casca da uva e mirtilos que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, anti-oxidantes e anti-diabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos durante o descarregamento completo, de forma análoga à micro-gravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar o descondicionamento muscular num análogo da gravidade de Marte também”.

Para imitar a gravidade de Marte, os investigadores usaram uma abordagem desenvolvida em ratos por Mary Bouxsein em que ratos foram equipados com um cinto de segurança e suspensos por uma corrente do tecto da gaiola. Assim, 24 ratos machos foram expostos a carga normal (Terra) ou 40% de carga (Marte) durante 14 dias. Em cada grupo, metade recebeu resveratrol em água e os outros beberam apenas água. Todos se alimentaram da mesma comida.

A circunferência do gémeo e a força de preensão da pata dianteira e traseira foram medidas semanalmente e, aos 14 dias, foram analisados os músculos. Os resultados foram impressionantes para os cientistas. Como esperado, a condição de Marte enfraqueceu os ratos e reduziu a circunferência do gémeo, o peso muscular e o conteúdo de fibra de contracção lenta.

Porém, a suplementação de resveratrol quase que totalmente resgatou a garra dianteira e traseira nos ratos de Marte, chegando ao nível dos ratos da Terra que não foram suplementados. O resveratrol protegeu completamente a massa muscular nos ratos de Marte e, em particular, reduziu a perda de fibras musculares de contracção lenta.

Por outro lado, a protecção não foi completa: o suplemento não resgatou inteiramente a área seccional média das fibras ou a circunferência do gémeo.

De acordo com Mortreux, estudos anteriores sobre resveratrol podem explicar estes resultados. “Um fator provável aqui é a sensibilidade à insulina. O tratamento com resveratrol promove o crescimento muscular em animais diabéticos, aumentando a sensibilidade à insulina e a captação de glicose nas fibras musculares. Isto é relevante para os astronautas, que desenvolvem sensibilidade reduzida à insulina durante voos espaciais”.

Os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol também podem ajudar a conservar músculos e ossos. Porém, são necessários estudos mais aprofundados para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

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