2820: Astronautas imprimiram carne no Espaço pela primeira vez

CIÊNCIA

3D Bioprinting Solutions

As novas tecnologias estão a revolucionar lentamente a forma como os astronautas comem no Espaço. Enquanto os primeiros astronautas espremiam as suas refeições com tubos parecidos a pastas de dentes, os astronautas de hoje comem gelado e fruta e temperam as refeições com sal e pimenta líquidos.

Mas ainda existem limites para os tipos de alimentos que podem suportar a micro-gravidade. Qualquer coisa que produza migalhas, por exemplo, é considerada perigosa, uma vez que as partículas de alimentos podem entupir os sistemas eléctricos ou os filtros de ar de uma nave espacial, de acordo com o Business Insider.

A comida precisa de durar um longo período de tempo, caso as missões de reabastecimento não tenham sucesso.Assim, as empresas de tecnologia estão a experimentar formas de cultivar alimentos a bordo de uma nave.

No final de Setembro, a startup israelita de tecnologia de alimentos Aleph Farms supervisionou o crescimento de carne no Espaço pela primeira vez, com a ajuda de uma impressora 3D. A experiência não é inteiramente novo. A Aleph Farms cozinha bifes cultivados em laboratório desde Dezembro de 2018, mas sugere que a carne pode ser cultivada em todos os tipos de ambientes adversos.

Para fazer a sua carne cultivada em laboratório, a Aleph Farms começa por extrair células de uma vaca através de uma pequena biopsia. As células são colocadas num “caldo” de nutrientes que simula o ambiente dentro do corpo de uma vaca. A partir daí, crescem num pedaço fino de bife. Aqueles que provaram o produto dizem que serve para imitar a textura e o sabor da carne tradicional.

“Somos a única empresa que tem capacidade para produzir carne totalmente texturizada, que inclui fibras musculares e vasos sanguíneos – todos os componentes que fornecem a estrutura e as conexões necessárias para o tecido”, disse o CEO e co-fundador da Aleph, Didier Toubia.

Mas, para cultivar a carne no espaço, a Aleph Farms teve que alterar um pouco o processo. Primeiro, colocaram as células da vaca e o caldo de nutrientes em frascos fechados. Em seguida, levaram os frascos na sonda Soyuz MS-15 no Cazaquistão. Em 25 de Setembro, a sonda descolou para o segmento russo da Estação Espacial Internacional, orbitando a cerca de 400 quilómetros da Terra.

Quando os frascos chegaram à estação, os astronautas russos – conhecidos como cosmonautas – inseriram-nos numa impressora magnética da empresa russa 3D Bioprinting Solutions. A impressora replicou as células para produzir tecido muscular (a “carne”). As amostras regressara à Terra a 3 de Outubro, sem serem consumidas pelos cosmonautas.

“Esta experiência foi estritamente prova de conceito”, disse Grigoriy Shalunov, gerente de projectos da 3D Bioprinting Solutions. No futuro, a empresa espera fornecer uma fonte de proteína para missões no espaço profundo e colónias iniciais na Lua e em Marte.

A experiência não é a primeira vez que alimentos crescem artificialmente no espaço. Em 2015, os astronautas cultivaram alface na Estação Espacial Internacional. A NASA está a desenvolver um “jardim espacial” que pode produzir alface, morangos, cenouras e batatas no Gateway, uma estação espacial proposta que pode orbitar a lua.

A capacidade de imprimir carne em micro-gravidade não é só uma boa notícia para os astronautas. Também sugere que as empresas possam imprimir carne em ambientes extremos da Terra – principalmente em locais onde a água ou a terra são escassas.

O cultivo de carne consome cerca de 10 vezes menos água e terra do que a pecuária tradicional. A carne cultivada em laboratório também é mais rápida de produzir – demora apenas alguns minutos a cozinhar.

A necessidade de produzir mais alimentos e conservar os recursos naturais é mais urgente do que nunca. Um relatório recente do Painel Inter-governamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas descobriu que a nossa indústria de alimentos produz 37% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Aleph Farms diz mesmo que a sua experiência espacial é uma resposta directa a esses desafios. “É hora de americanos e russos, árabes e israelitas se elevarem acima dos conflitos, se unirem e se unirem por trás da ciência para lidar com a crise climática e as necessidades de segurança alimentar”, afirmou a empresa. “Todos nós partilhamos o mesmo planeta”.

ZAP //

Por ZAP
12 Outubro, 2019

 

2804: A ciência solar tem um futuro brilhante na Lua

CIÊNCIA

À medida que a Lua orbita a Terra, gira à mesma velocidade – um tipo especial de bloqueio de marés chamado rotação síncrona. Como resultado, um lado da Lua está sempre virado para a Terra.
Crédito: SVS da NASA/Ernie Wright

Existem muitas razões pelas quais a NASA está a perseguir a missão Artemis de fazer regressar astronautas à Lua até 2024: é uma maneira crucial de estudar a própria Lua e de pavimentar um caminho seguro para Marte. Mas também é um óptimo lugar para aprender mais sobre a protecção da Terra, que é apenas uma parte do maior sistema Sol-Terra.

Os heliofísicos – cientistas que estudam o Sol e a sua influência na Terra – também enviarão as suas próprias missões da NASA como parte do programa Artemis. O seu objectivo é entender melhor o complexo ambiente espacial que rodeia o nosso planeta, grande parte do qual é impulsionado pelo nosso Sol. Quanto mais entendermos esse sistema, melhor poderemos proteger a tecnologia espacial, as comunicações por rádio e as redes utilitárias da ira da nossa estrela mais próxima.

Aqui ficam cinco razões pelas quais os heliofísicos estão ansiosos por estas oportunidades lunares.

1. É um Satélite Estável

A primeira vantagem da ciência com base na Lua diz respeito à instabilidade dos satélites artificiais, que muito transtorna os cientistas espaciais.

Os satélites são mais instáveis do que se imagina. São feitos de metais que se expandem e se contraem com as mudanças de temperatura. Transportam telescópios que constantemente giram para permanecerem apontados para os alvos. Disparam motores e giram as rodas de reacção para permanecer em órbita. Cada uma destas manobras causa tremulação, que pode provocar erros nas medições, medições estas que exigem precisão.

Mas a Lua – o único satélite natural da Terra – é uma viagem muito mais suave.

“A Lua é um bom lugar estável – não treme nem tremula como uma nave espacial,” disse David Sibeck, heliofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Qualquer pessoa que tente fazer medições de alta resolução ficará feliz em não precisar de se preocupar com a instabilidade.”

Um ambiente sem instabilidade é uma vantagem para todas as ciências espaciais, mas existem bónus adicionais para os heliofísicos que estudam as auroras. A uma média de 384.400 km da Terra, a Lua tem uma excelente vista das auroras da Terra quando se movem equatorialmente durante tempestades geo-magnéticas. Além disso, como o mesmo lado da Lua está sempre virado para a Terra, os telescópios não precisam de ser tão ajustados. Colocados à superfície, a Lua mantém-nos apontados.

2. Observação de Eclipses

Muito antes da era espacial, os cientistas contavam com a Lua para ajudá-los a estudar o Sol. Observadores pacientes esperavam eclipses solares totais, quando a Lua bloqueia a superfície brilhante do Sol. Só então é que podiam ver a sua ténue atmosfera exterior, conhecida como coroa.

Mas as esperas podem ser longas. Um eclipse solar total ocorre em algum lugar da Terra a cada 18 meses. Para qualquer local específico, é mais uma vez a cada quatro séculos.

“Obtemos resultados fantásticos com os eclipses,” disse John Cooper, heliofísico de Goddard. “Mas não temos eclipses todos os dias.”

Mas um telescópio de observação solar, no tipo certo de órbita em torno da Lua, pode gerar eclipses “sob demanda”. Em vez de esperarmos que a Lua se mova pela linha de visão do telescópio, Cooper, explica, movemos a nossa linha de visão para trás da Lua.

“Basicamente, estamos a usar o limbo lunar contra o céu escuro e profundo,” disse Cooper. Dado que a Lua não tem uma atmosfera que distorce a imagem, as medições seriam ainda mais nítidas do que as feitas na Terra.

A partir da sua órbita íntima, um telescópio do género não geraria eclipses solares totais – estudaria, sim, uma parte do limbo do Sol de cada vez. Mas Cooper calcula que podemos ver tanto os lados este como este do limbo do Sol uma vez a cada órbita – duas vistas de alta resolução, todos os dias.

3. Está Fora do Campo Magnético da Terra

O clima espacial faz parte da heliofísica, onde a ciência pura é aplicada em tempo real. Os cientistas do clima espacial estudam o Sol – incluindo o seu fluxo constante de vento solar – e os seus impactos na Terra. Estes investigadores precisam de acertar na física fundamental para manter seguras as nossas valiosas comunicações e satélites GPS. Mas determinar se um satélite está em perigo pode ser complicado.

A segurança de um satélite depende, em parte, se está dentro ou fora da magneto-pausa da Terra. A magneto-pausa é uma “terra de ninguém” móvel, onde o escudo magnético do nosso planeta termina e tem início todo o impacto do clima espacial. Aqui dentro, estamos em grande parte seguros. Fora, não estamos.

Mas, de momento, a única maneira de saber onde está essa fronteira, é voar através dela.

“Às vezes existem oscilações nos dados e podemos ver o cruzar dessa fronteira,” disse Sibeck. “Às vezes, vemos dez oscilações.”

Mas há outra maneira de encontrar a magneto-pausa se pudermos afastar-nos o suficiente para lá do escudo magnético da Terra. Quando o vento solar atinge a atmosfera da Terra, logo para lá da magneto-pausa, emite raios-X. Um telescópio de raios-X, colocado correctamente, podia capturar essa radiação e rastrear a localização da magneto-pausa.

É por isso que Sibeck pertence a uma equipa, liderada pelo cientista espacial Brian Walsh da Universidade de Boston, que está a querer colocar um telescópio de raios-X na Lua.

“Ninguém ainda obteve estas imagens globais e a Lua tem um bom ponto de vista de fora do campo magnético da Terra,” explicou Sibeck.

A missão LEXI (Lunar Environment heliospheric X-ray Imager), será colocada na superfície lunar para obter imagens globais, em tempo real, da magneto-pausa. No dia 1 de Julho de 2019, a NASA anunciou que a LEXI estará entre as primeiras cargas lunares a participar da missão Artemis. Esperam estar à superfície da Lua em 2022.

O instrumento LEXI terá pouco mais de um metro, mas a superfície lunar pode acomodar telescópios de raios-X muito maiores. Boas notícias, porque os raios-X são difíceis de focar; os telescópios mais longos obtêm imagens de resolução muito mais alta. O requisito de ser grande colocou um problema; alguns satélites simplesmente não têm tamanho suficiente para os transportar. “Mas na Lua as coisas podem ser realmente grandes,” acrescentou Sibeck.

4. Podemos “Desenterrar” a História do Sol

A resposta para algumas perguntas da heliofísica encontram-se enterradas na própria Lua.

“A Lua é como uma cápsula no tempo,” disse Steve Clarke, Administrador Associado Adjunto para Exploração da NASA. “Como foi formada ao mesmo tempo que a Terra, tem a história do Sistema Solar à sua superfície.”

Durante os seus primeiros mil milhões de anos, o Sol provavelmente girou mais depressa do que gira hoje, disparando um volume maior de erupções solares e electrificando o próprio espaço que formava planetas. Mas, para ter certeza de como foram esses primeiros mil milhões de anos, precisamos de evidências de coisas que ocorreram há muito, muito tempo.

A Lua – que não possui atmosfera, nem água líquida, nem placas tectónicas – fornece esse mesmo registo histórico. As erupções solares de há milhares de milhões de anos deixaram vestígios imperturbados na poeira lunar.

Um artigo recente analisou a poeira lunar para estudar a quantidade de voláteis – elementos como sódio e potássio, com baixos pontos de ebulição – que permaneceram nas amostras lunares. Estes voláteis são expulsos da Lua quando partículas solares energéticas atingem a superfície lunar. Ao analisar quanto destes elementos foram esgotados ao longo do tempo, os cientistas viram os primeiros mil milhões de anos do nosso Sol num contexto mais amplo. Embora tenha girado mais depressa do que gira hoje, em comparação com outras estrelas ainda é lenta, girando mais devagar do que 50% das estrelas semelhantes – e tendo surtos explosivos com muito menos frequência do que poderia ter tido.

“Poderia ter sido um ambiente muito mais severo,” disse Prabal Saxena, autor principal do estudo e astrónomo de Goddard.

Ainda há mais história antiga para aprender com a poeira lunar. A Lua não tem um campo magnético global – mas pode ter tido um no passado. Amostras dos pólos da Lua, onde a próxima missão Artemis planeia aterrar, podiam mostrar se um campo magnético histórico mudou o padrão de voláteis deixado para trás.

5. É uma Plataforma de Testes para Marte

Par os futuros astronautas na Lua e em Marte, o clima espacial exigirá atenção constante. O Sol liberta muitas “coisas” – e essas “coisas” viajam depressa.

Na Lua, os raios-X das explosões solares atingem a superfície em oito minutos. As ejecções de massa coronal – nuvens gigantes de partículas carregadas e quentes – podem chegar em 24 horas. As partículas energéticas solares, ou PESs, são mais raras, mas ainda mais rápidas e perigosas.

As PESs atingem 10, 20% da velocidade da luz, chegando até nós numa hora,” afirmou Karin Muglach, física solar do Laboratório do Clima Espacial de Goddard. “Estas coisas são como balas.”

Tendo em conta que a Lua está a apenas um segundo-luz de distância, os sistemas de aviso na Terra devem ser suficientes para proteger os astronautas na Lua. “Mas se formos para Marte, as comunicações podem demorar bastante,” disse Muglach.

Testar estes sistemas de protecção, nas proximidades, é uma das razões pelas quais a NASA quer regressar à Lua antes de ir para Marte.

Para a Lua, e Além

À medida que a NASA avança para a Lua e depois para Marte, surgem novas oportunidades para aprender sobre a ligação Sol-Terra. Mas não é apenas ciência básica. A influência do Sol preenche o espaço em nosso redor – o próprio espaço que os futuros astronautas terão que navegar e entender.

“Nem todas as ciências têm este aspecto realmente prático,” disse Jim Spann, principal cientista do clima espacial na sede da NASA em Washington, DC. “É um aspecto muito especial.”

Astronomia On-line
8 de Outubro de 2019

 

2704: “Cavenautas”. Astronautas vivem em cavernas em preparação para futuras viagens espaciais

CIÊNCIA

Seis astronautas, cinco agências espaciais e uma exploração de mundos subterrâneos para ajudar os astronautas a sobreviver noutros planetas. A mais recente aventura da ESA leva uma equipa internacional de astronautas a explorar cavernas, com foco na procura de água.

Seis astronautas de cinco agências espaciais vão colocar em prática o projecto CAVES, que os levará a cavernas terrestres como uma forma de preparação para futuras missões espaciais. Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), a equipa internacional vai aprender técnicas para explorar terrenos, com um foco especial na procura de água.

O CAVES tem também como objectivo melhorar as capacidades de comunicação dos astronautas, nomeadamente no que diz respeito à resolução de problemas e trabalho em equipa.

A primeira caverna explorada pela equipa mora na Eslovénia. Lá, os astronautas vão viver e trabalhar durante seis dias, naquela que é a “simulação mais próxima possível de um planeta com restrições ambientais, psicológicas e logísticas”, explica Loredana Bessone, envolvida no projecto. “O treino envolve ciência real, operações reais e astronautas reais com os melhores espeleólogos do sector”, acrescenta a especialista, citada pelo CanalTech.

Alexander Gerst, da ESA; Joe Acaba e Jeanette Epps, da NASA; Nikolai Chub, da Roscosmos; Josh Kutryk, da agência espacial do Canadá; e Takuya Onishi, da JAXA, pisaram a caverna eslovena, pela primeira vez, no dia 20 de Setembro, e montaram um acampamento para passar seis dias neste ambiente subterrâneo, na companhia de uma equipa de instrutores e de segurança.

No entanto, apesar de não estarem sozinhos, cabe-lhes a tomada de decisões. Isto significa que os seis astronautas vão trabalhar de forma autónoma e completamente isolados do mundo exterior, de forma a simular ao máximo uma situação do género, mas noutro planeta.

A equipa vai aprender a seguir os fluxos de ar e de água como sinais de novos caminhos a serem percorridos. A caverna escolhida pela ESA para esta edição do CAVES fica numa área onde os rios fluem no subsolo, mas, para manter o elemento da exploração, os próprios astronautas não sabem a localização exacta dessas fontes aquosas.

A entrada da caverna conta com um verdadeiro labirinto de passagens quase que inexploradas pela Humanidade. Além de um treino, os “cavenautas” poderão também ajudar a fazer mais descobertas científicas na caverna.

No solo, o controlo da missão acompanha de perto o progresso da equipa, através de um mapa 3D gerado em tempo real. “Enquanto as agências espaciais se preparam para a exploração da Lua, a ESA está a assumir a liderança em expedições subterrâneas para moldar futuras missões de exploração de cavernas lunares. Ideias sobre como detectar, mapear e explorar cavernas na Lua são bem-vindas”, adianta a ESA.

ZAP //

Por ZAP
24 Setembro, 2019

 

2611: Astronautas fizeram no Espaço o cimento das casas de Marte

CIÊNCIA

Quando os humanos viajarem até Marte para lá ficar, vão precisar de construir lugares seguros para viver e trabalhar. O material de construção utilizado na Terra – o cimento – pode ser a resposta.

O cimento é suficientemente forte e duradouro para fornecer uma protecção eficaz contra a radiação cósmica e meteoritos e, segundo a NASA, pode ser possível fazer cimento usando materiais disponíveis nos corpos celestes.

No entanto, o processo pode ser bastante complexo, uma vez que estamos a falar em micro-gravidade e componentes alienígenas, cujas estruturas químicas podem não ajudar no resultado final.

Por esse motivo, torna-se importante testar – e foi exactamente isso que fizeram os investigadores da Estação Espacial Internacional (EEI). Segundo o Space.com, os astronautas fizeram cimento no Espaço pela primeira vez e mostraram que este material pode endurecer no Espaço.

Aleksandra Radlinska, autora principal do estudo e professora de engenharia civil na Penn State, adiantou que um dos objectivos é construir estruturas “com um material muito semelhante ao cimento, mas no Espaço”. A investigadora disse ainda que “o cimento é muito resistente e oferece uma melhor protecção, quando comparado a outros materiais”.

Para o projecto Microgravity Investigation of Cement Solidification, os astronautas da EEI misturaram água com silicato tricálcico, o principal ingrediente mineral presente em alguns dos cimentos comerciais mais utilizados na Terra.

A mistura nunca havia sido criada em micro-gravidade, mas a experiência foi muito bem sucedida. O resultado foi inequívoco: um material muito complexo, pelo que se torna crucial saber como se forma a estrutura molecular nestas condições.

O estudo, publicado na Frontiers in Materials, permitiu também fazer a primeira comparação entre amostras de cimento criadas na Terra e amostras feitas no Espaço.

A comparação revelou que o cimento criado na estação espacial tinha micro-estruturas muito diferentes do cimento feito na Terra, sendo que uma das principais características do material construido no Espaço é que é muito mais poroso do que o cimento que conhecemos.

(dr) Penn State Materials Characterization Lab
Na imagem superior, pode ver o cimento criado no Espaço em comparação com a imagem inferior, que mostra cimento misturado na Terra

Esta não é propriamente uma boa notícia, já que “o aumento da porosidade afecta directamente a resistência do material“. “Mas ainda precisamos de medir a resistência do material formado no Espaço”, disse Aleksandra Radlinska.

De qualquer forma, o cimento espacial endureceu e os cientistas estão empenhados em continuar as pesquisas de modo a descobrir quais as causas da porosidade. Os astrónomos da NASA acreditam que este resultado pode dever-se ao facto de o cimento ter sido processado em bolsas plásticas seladas, um procedimento que não é feito aqui na Terra.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2019

 

2514: Divórcio chega ao Espaço. Astronauta acedeu à conta da ex-mulher a partir da EEI

NASA
A astronauta norte-americana Anne McClain

A NASA está a investigar aquele que pode ser o primeiro crime cometido no espaço. Uma astronauta acedeu à conta bancária da ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional.

A astronauta Anne McClain é acusada de roubo de identidade e acesso não autorizado aos registos financeiros da sua ex-mulher a partir da Estação Espacial Internacional (EEI), onde se encontrava numa missão de seis meses, de acordo com o New York Times.

A ex-mulher de McClain, Summer Worden, apresentou uma queixa na Comissão de Comércio Federal (FTC), uma agência independente, depois de saber que Anne McClain acedera à conta bancária conjunta, sem a sua permissão.

Worden começou a suspeitar quando percebeu que a sua antiga companheira continuava a saber onde ela gastava o seu dinheiro. Mais tarde, de acordo com o Observador, viria a descobrir que a sua conta bancária estava a ser acedida através de um computador registado na NASA.

A família de Summer Worden também apresentou uma queixa à inspecção geral da NASA, de acordo com o jornal norte-americano. “Fiquei chocada por ela ter ido tão longe. Eu sabia que não era normal”, disse Worden.

Para o advogado de Anne McClain, a sua cliente não fez nada errado e teve acesso à conta bancária enquanto estava a bordo da EEI para monitorizar a conta conjunta do casal, algo habitual ao longo da relação, sublinhou.

O advogado explicou que o acesso à conta era uma tentativa de verificar se havia fundos suficientes na conta da sua ex-companheira para pagar contas e cuidar da criança que estavam ambas a criar. Investigadores da NASA já ouviram as duas mulheres.

Summer Worden adiantou que a FTC não respondeu à queixa apresentada sobre roubo de identidade, mas um investigador especializado e a inspecção-geral da NASA estão a investigar a acusação.

ZAP // Lusa

Por ZAP
25 Agosto, 2019

 

2469: O primeiro astronauta DJ que deu concerto a partir do espaço

Italiano participou em directo num festival de música electrónica.

© POOL New

O astronauta italiano, Luca Parmitano, actuou esta semana em directo a partir da Estação Espacial Internacional para milhares de pessoas, que estavam num cruzeiro perto de Ibizia.

De tablet na mão, o astronauta fez a primeira actuação realizada a partir do espaço. Antes de terminar a emissão em directo, Luca Parmitano disse:

“O espaço é um sonho comum, que une o mundo. Espero que tenham gostado desta oportunidade de unir ciência e música e que aproveitem tanto o mundo como nós aqui na Estação Espacial”

O concerto fez parte do festival de música electrónica World cblue Dome, organizado pela BigCityBeats, e foi transmitido via satélite.

msn notícias
SIC notícias
18/08/2019

 

2422: Viajar ao Espaço profundo pode causar problemas de memória aos astronautas (e afectar as suas decisões)

NASA

Os cientistas que viajem até ao Espaço profundo podem vir a sofrer de problemas neuronais e/ou comportamentais devido à radiação.

Uma nova investigação, levada a cabo em ratos de laboratório, concluiu que a radiação presente no Espaço profundo causa deficiências neuronais.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada e-Neuro, os resultados obtidos com as cobaias destacam a necessidade urgente de desenvolver medidas para proteger o cérebro humano durante viagens ao Espaço profundo, enquanto os cientistas se preparam para ir a Marte.

Tal como recorda a agência noticiosa Europa Press, os cientistas sabiam já que a radiação interrompe a sinalização, bem como outros processos que ocorrem no cérebro. Contudo, os estudos conduzidos anteriormente usaram exposições que não reflectem com exactidão as condições sentidas no Espaço profundo.

Para explicar melhor como é que as viagens espaciais podem afectar o sistema nervoso, Charles Limoli e os seus colegas expuseram os ratos de laboratório a radiação crónica de baixa dose (condições presentes no Espaço profundo) durante seis meses.

Após o procedimentos, os cientistas concluíram que a exposição à radiação prejudicava a sinalização celular no hipocampo e no córtex pré-frontal, resultando em problemas de memória e também de aprendizagem. A equipa observou ainda um aumento nos comportamentos de ansiedade, o que indicia que a radiação afectou também a amígdala.

Partindo destes resultados, a equipa prevê que, durante uma missão no Espaço profundo, cerca de um em cada cinco astronautas possam experimentar um comportamento de ansiedade, enquanto um em cada três poderá ter problemas de memória.

Além disso, frisam, estas condições podem ainda afectar a tomada de decisões. Por isso, insistem, é necessário desenvolver medidas para proteger os cérebros dos astronautas.

“A longo prazo, a natureza do ambiente de radiação no Espaço não determinará os nossos esforços para viajar até Marte, mas pode ser o maior obstáculo que a Humanidade deve resolver para viajar para lá da órbita da Terra”, pode ler-se no estudo.

Face à descoberta, o professor Francis A. Cucinotta, da Universidade de Nevada, em Las Vegas, nos Estados Unidos, mostrou-se céptico quanto às descobertas, dando conta que estas podem ser enganosas e que excedem os limites fixados pela NASA.

“Não há como um astronauta ficar exposto a esta fonte de energia de neutrões ou a doses equivalentes utilizadas. Isso violaria os limites de dose da NASA e das outras agências espaciais”, apontou ao portal Newsweek, questionando ainda por que motivos os cientistas recorreram a uma linhagem de cobaias conhecida por ser sensível a alterações climáticas.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2019

 

2401: Há boas notícias para os astronautas sobre a radiação espacial

CIÊNCIA

NASA

Um estudo da Mortality Research & Consulting, uma consultora norte-americana, analisou a saúde de mais de 400 pessoas que estiveram no Espaço e concluiu que a exposição a radiações espaciais não aumenta a probabilidade de contraírem cancro ou doenças cardiovasculares.

O Espaço é um ambiente hostil e coloca os astronautas em contacto com altos níveis de radiação. Esta exposição pode aumentar as taxas de cancro e de doenças cardiovasculares em seres humanos.

Mas um novo estudo traz agora boas notícias: a radiação espacial não parece aumentar o risco de morte por cancro ou doença cardíaca, pelo menos não nas doses a que os astronautas são submetidos durante as missões espaciais. No entanto, missões longas podem sujeitar estes seres humanos a doses maiores de radiação que podem, consequentemente, representar maiores riscos para a sua saúde.

A verdade é que as viagens espaciais expõem o corpo a níveis altos de radiação ionizante, muito maiores do que aqueles a que estamos sujeitos aqui na Terra. Em altas doses, a radiação está ligada a cancro e a doenças cardíacas, assim como a uma série de outros problemas de saúde.

Estudos anteriores não encontraram ligações entre viagens espaciais e um aumento de risco de morte por cancro ou doenças cardíacas, mas esses estudos poderiam ter uma amostra demasiado pequena para se poder retirar uma conclusão credível, uma vez que, até hoje, muito poucas pessoas foram até ao Espaço.

A mais recente investigação analisou informações de 418 viajantes espaciais, entre eles 301 astronautas da NASA e 117 cosmonautas russos que viajaram até ao Espaço pelo menos uma vez desde 1961. Neste período de tempo, 89 dos participantes faleceram.

Entre os 53 astronautas da NASA, 30% morreram de cancro e 15% de doenças cardíacas; enquanto que entre os 36 cosmonautas russos, 50% morreu de doenças cardíacas e 28% de cancro.

Segundo o Space, os cientistas usaram uma técnica estatística especial para determinar se as mortes por cancro e doenças cardíacas tinham uma causa comum – neste caso, a radiação espacial, mas os resultados não apontaram nenhuma.

“Se a radiação ionizante está a afectar o risco de morte devido a cancro e doenças cardiovasculares, o efeito não é dramático“, escreveram os autores do artigo científico, publicado a 4 de Julho na Scientific Reports. Apesar de ser uma boa notícia para os aventureiros do Espaço, a verdade é que o estudo não pode determinar se missões mais longas representariam riscos diferentes e mais sérios.

“É importante ressalvar que futuras missões espaciais poderão sujeitar os astronautas a doses muito maiores de radiação, o que levará a um perfil de risco diferente para futuros astronautas e cosmonautas”, concluíram os cientistas. Estudos futuros “devem continuar a vigiar os astronautas por potenciais efeitos nocivos da exposição à radiação espacial”.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2019

 

2346: 50 anos do primeiro homem na Lua. Por que razão Armstrong saiu primeiro?

Há 50 anos, o homem pisou a Lua pela primeira vez. No dia 20 de Julho de 1969 o mundo parou à frente da televisão. O primeiro ser humano, Neil Armstrong, caminhava na Lua e todos puderam acompanhar em directo na Terra. Nesse dia foi escrita uma página importante na história da humanidade.

Depois de uma viagem muito atribulada e de momentos extremamente complicados, a nave alunou. Mas por que razão foi escolhido Neil Armstrong para ser o primeiro a pisar solo lunar?

Há 50 anos, Armstrong foi o primeiro a pisar a Lua

O comandante Neil Armstrong e o piloto Buzz Aldrin, astronautas da missão Apollo 11 da NASA, pousaram o módulo lunar Eagle no dia 20 de Julho de 1969, às 20h17 UTC. Portanto, passaram-se exactamente 50 anos.

Houston, Tranquillity Base here. The Eagle has landed.

Um impassível Armstrong transmitiu para o controlo da missão na Terra, após uma complicada manobra final quase sem combustível, na qual ele assumiu o controlo da nave para evitar uma cratera íngreme, informou a NASA.

A história da história da Lua

Conforme reza a história. Armstrong tornou-se na primeira pessoa a pisar a superfície lunar. Este feito aconteceu no dia 21 de Julho às 02h56 UTC. Ao mesmo tempo, este astronauta pronunciou a mítica frase histórica: “Este é um pequeno passo para o homem, um grande salto para a Humanidade”.

Aldrin juntou-se a ele 19 minutos depois. Ambos passaram duas horas a fazer testes, a fotografar e a recolher amostras de superfície. Então eles descolaram no topo do módulo lunar para entrar no módulo de comando Columbia, onde Michael Collins os esperava, orbitando a Lua para voltar à Terra.

Porquê Armstrong e não Aldrin

Os protocolos da NASA determinaram que, em casos análogos anteriores, como caminhadas espaciais, o astronauta mais jovem era o escolhido para ir ao exterior, enquanto o mais veterano estava encarregado dos controlos da nave.

Assim, na missão Apolo 11, a agência espacial originalmente planeou que Aldrin fosse o primeiro homem a pisar na Lua, e que o Major Armstrong fosse encarregado do módulo de pouso na Lua e depois descesse.

Contudo, o módulo lunar apresentou desafios de design que dificultaram esta ordem. A NASA refere nas ‘Expedições Apollo à Lua‘ que a escotilha abriu-se no lado oposto onde Aldrin estava sentado.

Para Aldrin sair primeiro (acima, fotografado por Armstrong a descer da Eagle Águia), teria sido necessário que um astronauta com uma mochila volumosa subisse a cima de outro, e quando esse movimento foi tentado, o modelo do módulo foi danificado.

Deke Slayton, seleccionado no primeiro grupo de astronautas que a NASA enviou ao espaço e director de operações da tripulação da NASA, explicou que permitir que Armstrong saltasse primeiro foi uma mudança básica de protocolo, já que era o comandante a missão.

De acordo com esta história da NASA, Armstrong disse que nunca lhe perguntaram se ele queria ser o primeiro homem a sair e a decisão não se baseou na classificação.

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Imagem: NASA
Fonte: CNET

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2344: Nave russa Soyuz descola do Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional

NASA
Cápsula russa Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional

Na hora programada, às 21h28 locais (17h28 em Lisboa), a Soyuz MS-13 descolou do Cazaquistão, com o russo Alexandr Skvortsov, o norte-americano Andrew R. Morgan e o italiano Luca Parmitano a bordo.

Os três levavam nos seus fatos um distintivo especial para assinalar os 50 anos da missão Apolo 11 à lua. A nave será acoplada à plataforma orbital dentro de seis horas, após quatro voltas à terra.

O emblema que os astronautas levam é muito parecido com o original, inclui uma água, a lua e a terra, “assim como três estrelas que se lêem na numeração romana como 50”, explicou Parmitano, citado pela agência de notícias Efe.

E tal como há meio século, a insígnia da Soyuz MS-13 não inclui o nome dos astronautas porque os seus resultados, como os da nave Apolo 11 há 50 anos, “pertencerão a toda a Humanidade”.

Esta é a segunda viagem de Parmitano à EEI e a primeira do astronauta norte-americano, enquanto que para o cosmonauta russo trata-se da sua terceira missão. Parmitano e Skvortsov vão permanecer na estação 201 dias, até 6 de Fevereiro de 2020, enquanto Morgan ficará na plataforma até 1 de Abril do próximo ano, ou seja, 256 dias.

Os astronautas juntam-se à tripulação que se encontra na EEI desde Março último: o russo Alexéi Ovchinin e os norte-americanos Christina Hammock Kock e Nick Hague.

Dois astronautas a bordo da Soyuz tiverem de realizar uma aterragem de emergência, depois de uma falha detectada nos propulsores após o lançamento. O russo Alexey Ovchinin da Roscosmos e o astronauta da NASA Nick Hague estavam a bordo da nave espacial.

A Soyuz MS-10 foi obrigada a aterrar de emergência devido a uma falha no motor, depois de ter descolado no Cazaquistão rumo à Estação Espacial Internacional, onde permaneceriam durante seis meses.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Julho, 2019

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2342: Descoberta a bebida que pode proteger os músculos dos astronautas em Marte (e tem álcool)

CIÊNCIA

epfl.ch / Flickr

Com a tecnologia actual, Marte fica a nove meses da Terra. Mas a verdadeira questão é: quando os astronautas chegarem ao Planeta Vermelho, terão força para continuar?

Após mais de 50 anos de voos espaciais tripulados, os investigadores conhecem alguns dos riscos que o corpo humano apresenta em gravidade zero. A doença de movimento espacial ocorre nas primeiras 48 horas, causando perda de apetite, tontura e vómito.

Com o tempo, os astronautas que permanecem por seis meses na Estação Espacial Internacional podem experimentar o enfraquecimento e a perda de músculos atróficos e ósseos. Também experimentam perda de volume sanguíneo, sistema imunológico enfraquecido e descondicionamento cardiovascular, porque flutuar requer pouco esforço e o coração não precisa de trabalhar tanto para bombear sangue.

Scott Kelly e outros astronautas, entre 40 e 50 anos, também se queixaram da alteração da visão. Alguns precisaram de óculos em voo.

Os músculos de sustentação de peso são atingidos primeiro e pior, como o músculo sóleo no gémeo da perna. “Depois de apenas três semanas no espaço, o músculo sóleo humano encolhe em um terço“, disse Marie Mortreux, principal autora do estudo financiado pela NASA, em comunicado. “Isto é acompanhado por uma perda de fibras musculares de contracção lenta que são necessárias para a resistência.”

De acordo com um novo estudo publicado a 18 de Julho na revista Frontiers in Physiology, o resveratrol preserva substancialmente a massa muscular e a força em ratos expostos aos efeitos devastadores da gravidade simulada de Marte.

Para permitir que os astronautas operem em segurança em longas missões a Marte – cuja atracção gravitacional é apenas 40% da Terra – serão necessárias estratégias de mitigação para evitar o descondicionamento muscular.

“As estratégias dietéticas podem ser fundamentais”, explicou Mortreux, “especialmente porque os astronautas que viajam para Marte não terão acesso ao tipo de máquinas de exercícios implantadas na ISS”.

A solução será beber vinho tinto, uma vez que é constituído por resveratrol: um composto geralmente encontrado na casca da uva e mirtilos que tem sido amplamente investigado pelos seus efeitos anti-inflamatórios, anti-oxidantes e anti-diabéticos.

“Demonstrou-se que o resveratrol preserva a massa óssea e muscular em ratos durante o descarregamento completo, de forma análoga à micro-gravidade durante voos espaciais. Portanto, supomos que uma dose diária moderada ajudaria a mitigar o descondicionamento muscular num análogo da gravidade de Marte também”.

Para imitar a gravidade de Marte, os investigadores usaram uma abordagem desenvolvida em ratos por Mary Bouxsein em que ratos foram equipados com um cinto de segurança e suspensos por uma corrente do tecto da gaiola. Assim, 24 ratos machos foram expostos a carga normal (Terra) ou 40% de carga (Marte) durante 14 dias. Em cada grupo, metade recebeu resveratrol em água e os outros beberam apenas água. Todos se alimentaram da mesma comida.

A circunferência do gémeo e a força de preensão da pata dianteira e traseira foram medidas semanalmente e, aos 14 dias, foram analisados os músculos. Os resultados foram impressionantes para os cientistas. Como esperado, a condição de Marte enfraqueceu os ratos e reduziu a circunferência do gémeo, o peso muscular e o conteúdo de fibra de contracção lenta.

Porém, a suplementação de resveratrol quase que totalmente resgatou a garra dianteira e traseira nos ratos de Marte, chegando ao nível dos ratos da Terra que não foram suplementados. O resveratrol protegeu completamente a massa muscular nos ratos de Marte e, em particular, reduziu a perda de fibras musculares de contracção lenta.

Por outro lado, a protecção não foi completa: o suplemento não resgatou inteiramente a área seccional média das fibras ou a circunferência do gémeo.

De acordo com Mortreux, estudos anteriores sobre resveratrol podem explicar estes resultados. “Um fator provável aqui é a sensibilidade à insulina. O tratamento com resveratrol promove o crescimento muscular em animais diabéticos, aumentando a sensibilidade à insulina e a captação de glicose nas fibras musculares. Isto é relevante para os astronautas, que desenvolvem sensibilidade reduzida à insulina durante voos espaciais”.

Os efeitos anti-inflamatórios do resveratrol também podem ajudar a conservar músculos e ossos. Porém, são necessários estudos mais aprofundados para explorar os mecanismos envolvidos, bem como os efeitos de diferentes doses de resveratrol.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2019

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2318: Já sabemos qual vai ser o primeiro fruto a ser plantado na EEI (e é picante)

CIÊNCIA

(dr) NASA
O pimento poderá ser o primeiro fruto a ser cultivado na Estação Espacial Internacional

Se tudo correr como planeado, em Novembro deste ano, a Estação Espacial Internacional (EEI) vai ficar um bocadinho mais picante.

De acordo com o Science Alert, os investigadores querem enviar para a Estação Espacial Internacional (EEI) a planta Capsicum annuum, podendo fazer com que o pimento seja o primeiro fruto a crescer no Espaço.

“Estávamos à procura de variedades que não crescessem muito, mas que mesmo assim fossem muito produtivas nos ambientes controlados a que estamos habituados no Espaço”, afirmou Ray Wheeler, fisiologista da estação espacial norte-americana.

“Os astronautas já expressaram muitas vezes o desejo de comidas mais picantes e saborosas, por isso ter um sabor quente como este pareceu-nos uma coisa boa. Além disso, muitos pimentos são ricos em vitamina C, algo importante nas dietas espaciais”.

Apesar de haver milhares de diferentes tipos de pimentos, esta foi a espécie escolhida porque, além de crescer em altitudes elevadas, tem períodos curtos de crescimento e pode ser facilmente polinizada.

Desde 1982 que os astronautas e cosmonautas cultivam com sucesso plantas no Espaço e, em 2015, astronautas norte-americanos experimentaram o sabor de uma alface cultivada na EEI. Desde então, também já cultivaram acelga, rabanete, couve chinesa e ervilhas.

As plantas têm algumas dificuldades em crescer num ambiente de micro-gravidade, uma vez que os seus sistemas são complexos e normalmente usam a gravidade da Terra para se orientarem. Porém, os astronautas conseguiram “convencer” as plantas a crescer a bordo da estação espacial utilizando luzes especiais e outras técnicas.

Estas iniciativas são importantes para os ambiciosos planos da NASA de enviar humanos ao Planeta Vermelho, uma vez que lá será mais difícil conseguir alimentos frescos da Terra. “Podemos construir todos os foguetões que quisermos para chegar a Marte, mas isso não vai funcionar a menos que tenhamos comida para nos alimentarmos”, considera Jacob Torres, cientista hortícola da NASA.

Os investigadores estão a trabalhar para ter variedade de cultivo no Espaço, estando particularmente focados em ter uma ampla variedade de nutrientes e vitaminas.

“Precisamos de cultivar o suficiente para suplementar a dieta espacial. Tal como acontece na Terra, não podemos viver a comer sempre as mesmas coisas”, explicou à CNN. “Imagine ter um pimento fresco nas mãos depois de meses a comer cartão”, acrescentou.

ZAP //

Por ZAP
16 Julho, 2019

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2256: Humanos podem ser alérgicos ao pó lunar e os efeitos são… estranhos!

CIÊNCIA

As mudanças no corpo dos astronautas nas suas viagens espaciais são reais. Problemas de visão, problemas musculares, o corpo que “cresce”… estes são alguns dos problemas subjacentes.

No entanto, a exploração de outros planetas poderá ser mais grave que isso, quando o homem está disposto a pisar outros solos que não o terrestre.

A experiência em 1972 de Harrison Schmitt

Harrison Schmitt, tripulante da missão Apolo, é o último homem vivo que pisou o solo lunar. Nesta sua missão espacial, foram muitas as horas que passou sobre a lua a recolher amostras e a analisar o “terreno”.

Como tal, o contacto com a poeira lunar foi inevitável, assim que voltou para nave. A simples troca de fato levou-o a inalar algumas partículas desta poeira, seguindo-se depois a análise das amostras recolhidas.

Harrison ‘Jack’ Schmitt, 83 anos, geólogo na missão Apolo 17/ Nasa

Segundo declarações de Harrison Schmitt, as reacções foram instantâneas. Nariz a inchar, olhos a lacrimejar e garganta a arranhar. Estes foram os sintomas imediatos, semelhantes a uma rinite. As pessoas que posteriormente tiveram contacto com o fato do astronauta tiveram experiências ainda mais fortes.

O poder da Poeira Lunar

Harrison Schmitt adiantou, em declarações recentes no festival espacial Starmus, em Zurique, que a poeira lunar é altamente corrosiva. Devido à ausência de atmosfera e consequente ausência de eventos meteorológicos, os grãos de poeira não sofrem desgaste com o tempo.

Assim, estas partículas funcionarão mais ou menos como poderosas lixas. De referir que o caminhar sobre o solo lunar fez com que três das camadas de Kevlar das suas botas foram danificadas.

Os perigos de Marte

Ora, se a questão de perigo que coloca na Lua, em Marte a situação poderá ser mais grave. Devido ao alto teor de óxido de ferro presente no planeta vermelho, as reacções sobre o corpo humano poderão ser mais severas.

Harrison Schmitt, perante a ideia de exploração do planeta vermelho, alerta para a importância de serem criadas formas de limpar completamente as partículas de pó antes de qualquer ser humano, ter contacto directo com o material que irá participar nesta exploração.

pplware
Maria Inês Coelho
01 Jul 2019

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2230: Astronautas aterram no Cazaquistão após missão na Estação Orbital Internacional

Alexander Nemenov / Pool / EPA
A astronauta norte-americana Anne McClain de regresso à Terra

Três astronautas regressaram à Terra, esta terça-feira, depois de uma missão de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

A astronauta norte-americana Anne McClain, o russo Oleg Kononenko e o canadiano David Saint-Jacques pousaram no Cazaquistão às 08h47 locais (03h47 em Lisboa).

A partida dos astronautas para a estação orbital, em Dezembro do ano passado, foi motivo de preocupação, pois acontecia depois do incidente, em meados de Outubro, que envolveu o russo Alexey Ovchinin e o norte-americano Nick Hague: cerca de dois minutos após a descolagem, a nave espacial Soyuz explodiu e foram forçados a uma aterragem de emergência.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

Antes da partida para o espaço, McClain, Kononenko e Saint-Jacques estavam optimistas e o tom não mudou durante o tempo a bordo da estação orbital, um dos últimos exemplos de cooperação activa entre Moscovo e países ocidentais.

“Uma bela noite sobre África na minha última noite na ISS”, observou no Twitter Anne McClain, de 40 anos, que fez duas saídas espaciais durante esta primeira missão.

Anne McClain @AstroAnnimal

A beautiful night pass over Africa on my last night on @Space_Station

Enquanto a ISS dava a volta à Terra em cerca de 90 minutos, o seu colega David Saint-Jacques, de 49 anos, foi capaz de maravilhar-se uma última vez com a visão do Canadá antes de voltar para casa: “British Columbia e Nunavik … vou ter saudades dessas grandes paisagens canadianas!”, escreveu também na mesma rede social o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA).

David Saint-Jacques, que também realizou a sua primeira missão, ultrapassou o tempo recorde no espaço detido por outro canadiano: 204 dias, contra 187 cumpridos pelo compatriota Robert Thirsk.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Junho, 2019

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1980: NASA regressa à Lua em 2024 e leva a primeira mulher na viagem

Missão pretende estabelecer uma permanência prolongada na Lua e já está a ser preparada. Presidente Trump atribuiu uma verba adicional de 1,6 mil milhões de dólares ao orçamento da agência espacial com esse objectivo

© NASA

A pouco mais de dois meses das celebrações dos 50 anos da chegada à Lua, a NASA anunciou que estará de regresso dentro de cinco anos, com novas missões tripuladas. A primeira viagem já está marcada para 2024 e desta vez vai incluir uma astronauta, que será a primeira mulher a pisar o solo lunar.

Até hoje, apenas 12 pessoas – 12 astronautas americanos, todos homens – estiveram no satélite natural da Terra, nas missões Apolo, que decorreram nas décadas de 1960 e início de 1970.

O último homem a pisar a Lua, durante a missão Apolo 17, em 1972, Eugene “Gene” Cernan, faleceu em 2017, aos 82 anos. Mas tal como aconteceu com a frase de Neil Armstrong, à chegada – “um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade” – também as palavras de despedida de Cernan ficaram para a História: “Partimos, tal como chegámos e, se Deus quiser, voltaremos, em paz e com esperança para toda a humanidade”.

O último astronauta na Lua sempre defendeu, aliás, que a NASA devia regressar às missões à Lua, o que está agora, finalmente programado para 2024. Desta vez com a primeira mulher a bordo, e com o objectivo de estabelecer missões mais prolongadas.

O aumento em 1,6 mil milhões de dólares que o presidente Donald Trump acaba de atribuir ao orçamento da agência espacial (no valor de 21 mil milhões de dólares) destina-se à nova missão lunar, que a NASA designou como Artemis – a deusa da Lua na Antiga Grécia, e irmã de Apolo.

Foram justamente as missões Apolo que levaram a NASA à Lua. Há 50 anos, a 20 de Julho de 1969 (já era madrugada de dia 21 em Portugal), coube à Apolo 11 fazer essa estreia na Lua,

“Para levar astronautas americanos à Lua em 2024”, adianta a NASA, citada na CNN, “os nossos esforços incluem um novo trabalho [nos centros espaciais da agência] para disponibilizar as tecnologias-chave e os equipamentos científicos que vão ser necessários aterrar na superfície lunar”.

Diário de Notícias
14 Maio 2019 — 09:16


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1966: “Biorreactor” de algas na Estação Espacial pode produzir oxigénio para os astronautas

CIÊNCIA

Não há dúvidas do empenho das agências espaciais para desenvolver métodos e produtos que nos ajudem a viver no espaço. Afinal, tal como repetiu por várias vezes o cosmólogo Stephen Hawking “a raça humana terá que sair da Terra para sobreviver”. Assim, estamos a viver em época de grandes inovações tecnológicas dedicadas à vida extraterrestre.

Os astronautas estão prestes a testar um novo dispositivo chamado “Photobiorecactor”. Este sistema usa algas vivas para converter dióxido de carbono em oxigénio respirável e produzir alimentos comestíveis.

Criado sistema de suporte de vida com recurso a algas

Os astronautas da Estação Espacial Internacional começaram a testar um biorreactor inovador. Assim, com recurso a algas, o sistema avaliará se este produto é viável em futuras missões espaciais de longa duração.

O biorreactor alimentado por algas, chamado Photobioreactor, representa um grande passo para a criação de um sistema de suporte de vida em circuito fechado. Desta forma, o dispositivo poderá um dia sustentar os astronautas sem missões de reabastecimento de carga da Terra. Isso será particularmente importante para futuras missões de longa duração na Lua ou em Marte, que exigem mais fornecimentos do que uma nave pode carregar, de acordo com uma declaração do Centro Aeroespacial Alemão (DLR).

O Photobioreactor chegou à estação espacial na segunda-feira (6 de Maio) numa nave de carga SpaceX Dragon. A experiência é projectada para usar algas na conversão do dióxido de carbono exalado pelos astronautas na estação espacial em oxigénio e biomassa comestível através da fotossíntese.

Algas podem ser alimentação no Espaço

O Photobioreactor deverá trabalhar em conjunto com o sistema de reciclagem de ar físico-químico, ou Sistema Avançado de Malha Fechada (ACLS), que foi entregue à estação espacial em 2018. O ACLS extrai metano e água do dióxido de carbono na cabine da estação espacial. Por sua vez, as algas do fotobiorreactor usarão o dióxido de carbono restante para gerar oxigénio. Desta forma, será criada uma solução híbrida formalmente conhecida como PBR @ ACLS, de acordo com a declaração.

Com a primeira demonstração da abordagem híbrida, estamos mesmo na vanguarda quando se trata do futuro dos sistemas de suporte à vida. É claro que o uso destes sistemas é interessante principalmente para estações base planetárias ou para missões muito longas. Mas estas tecnologias não estarão disponíveis quando necessário se as fundações não forem estabelecidas hoje.

Referiu em comunicado Oliver Angerer, líder da equipa de Exploração e líder do projecto para o experimento Fotobiorreactor no DLR.

A experiência irá cultivar algas microscópicas chamadas Chlorella vulgaris a bordo da estação espacial. Além de produzir oxigénio, as algas também produzem uma biomassa nutricional que os astronautas podem comer.

Criar uma biomassa comestível a partir de dióxido de carbono dentro da nave significa que menos comida precisaria ser transportada ou entregue em missões espaciais. Além do mais, os investigadores estimam que cerca de 30% da comida de um astronauta pode ser substituída por algas devido ao seu alto teor de proteína, de acordo com a declaração.

pplware
12 Mai 2019

Imagem: DLR
Fonte: Space.com


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1901: Vídeo mostra como é realmente difícil andar na Terra após 6 meses no Espaço

CIÊNCIA

(dr) Roscosmos

Drew Feustel conseguiu concretizar um sonho que muitos nunca terão oportunidade de realizar: ir ao Espaço. Mas, quando voltou, deparou-se com um verdadeiro desafio: caminhar.

O astronauta Drew Feustel passou 197 dias no Espaço – pouco mais de meio ano – a bordo da Estação Espacial Internacional (EEI). Apesar de ser um sonho tornado realidade, a verdade é que os humanos não foram feitos para flutuar sem peso e passar tanto tempo em micro-gravidade.

Quando os nossos corpos não estão numa constante luta contra a força da gravidade, algo estranho pode acontecer. Os músculos podem atrofiar e podemos ainda perder muita densidade óssea.

Além disso, quando os astronautas retornam à Terra, o retorno à gravidade pode produzir uma vertigem muito severa à medida que o sentido de equilíbrio se reajusta.

Por esse motivo, movimentar é um desafio e uma tarefa muito mais difícil do que o que esperavam. Feustel publicou um vídeo no Twitter, em Dezembro do ano passado, que mostra essa dificuldade. O astronauta tropeça quando tenta andar apenas alguns passos em linha recta.

A Estação  Espacial, ciente desse obstáculo, está actualmente equipada com um número vasto de equipamentos para dar aos astronautas um treino de corpo inteiro. Os astronautas gastam, em média, duas horas por dia a treinar.

Esta solução foi concebida para mitigar a atrofia. No entanto, mesmo com o programa de exercícios actualmente em vigor, são necessários, pelo menos, três a quatro anos para que um astronauta recupere totalmente após um período de seis meses no Espaço.

Este é apenas um dos muitos desafios que os cientistas precisam de resolver para uma possível viagem a Marte. Quanto mais tempo de estadia, maior a perda de densidade óssea – a viagem ao Planeta Vermelho implica, pelo menos, seis meses em cada sentido.

De Março de 2015 a Março de 2016, os astronautas Scott Kelly da NASA e Mikhail Korniyenko de Roscosmos passaram 342 dias no Espaço para descobrirem mais sobre os efeitos na saúde de uma longa missão espacial. Como era de esperar, voltaram com o equilíbrio muito instável e um enorme desafio pela frente.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
28 Abril, 2019

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1843: Um gémeo foi ao espaço e o outro ficou na Terra. Um ano depois, estão diferentes

NASA

Um gémeo foi ao espaço, o outro ficou na Terra e mais de 80 cientistas de 12 universidades estudaram os dados vitais de ambos.

Scott Kelly passou um ano na Estação Espacial Internacional, enquanto Mark ajudou os investigadores agindo como contraponto ao que foi registado no corpo do seu irmão.

“Este é o começo do estudo do genoma humano no Espaço“, afirmou Andrew Feinberg, da universidade Johns Hopkins, referindo que foram criados métodos que servirão para “mais investigação para concluir o que acontece aos humanos” fora da Terra.

Os investigadores descobriram nas análises a Scott Kelly um aumento de comprimento dos telómeros, estruturas que fazem parte dos cromossomas, mas tudo voltou ao normal seis meses após o regresso à Terra. Descobriram ainda que a vacina da gripe funciona do mesmo modo no espaço e que não houve alterações significativas da flora intestinal do gémeo astronauta.

O estudo é descrito na edição da revista Science que será publicada na sexta-feira e baseia-se em amostras de sangue, dados fisiológicos e outras medições feitas com os gémeos Kelly ao longo de um período de 27 meses antes, durante e depois da missão espacial de Scott.

Amostras do astronauta foram recolhidas na estação espacial e enviadas de volta à Terra durante um reabastecimento da estação espacial por uma nave russa, para serem analisadas num prazo de 48 horas.

Os resultados levantam preocupações sobre a forma como os astronautas devem ser preparados para viagens espaciais – sobretudo nos planos futuros para uma missão com humanos até Marte, por exemplo.

De modo simplificado, dá para afirmar que Scott voltou para a Terra mais velho que seu irmão. Pelo menos com sintomas parecidos com os do envelhecimento: comprometimento cognitivo, perda de densidade óssea e até alterações cardiovasculares – como o espessamento da artéria carótida.

As conclusões sobre os perigos das viagens espaciais para o genoma humano não são ainda evidentes, afirmam os cientistas, mas fazer o mesmo tipo de estudo em astronautas de missões espaciais futuras poderá ajudar a prever o tipo de riscos médicos que poderão enfrentar em viagens prolongadas, sem gravidade e com exposição a raios ultra-violeta nocivos e outros riscos para a saúde humana.

Feinberg assinalou que estudar um par de gémeos idênticos foi uma oportunidade rara de comparar mudanças fisiológicas e genéticas mas frisou que não se pode atribuir as mudanças apenas à viagem espacial, sendo necessário continuar a investigação com outros astronautas. A sua equipa estudou dois tipos de glóbulos brancos e descobriu que em ambos os irmãos se verificaram alterações epigenéticas.

Professor da Weill Cornell Medicine, a unidade de pesquisa biomédica da Universidade Cornell, Chris Mason disse que foi observada “uma mudança realmente de grande escala em mais de mil genes”.

“Houve activação de funções que regulam a resposta a danos e reparos no ADN e, mais notavelmente, um fortalecimento do conjunto de genes envolvidos no sistema imunológico – o que indicou que a defesa do organismo estava em alerta alto, como uma maneira de tentar compreender o novo ambiente.”

O investigador ressaltou que embora muitas das funções do organismo de Scott tenham voltado à normalidade depois do fim da missão, ainda há desajustes no corpo. “90% das alterações regressaram à linha de base”, explicou. Mas o sistema imunológico não está a funcionar correctamente e a reposição das células – naturalmente feita pelo organismo – também não ocorre da maneira esperada.

Brinda Rana, da Universidade da Califórnia, enumerou outros problemas identificados no organismo do astronauta. “Esta investigação inédita forneceu pistas sobre como um voo espacial de longa duração altera a regulação das moléculas no corpo e a relação dessas mudanças com as mudanças fisiológicas no corpo causadas pelo voo espacial, de questões vasculares a problemas de visão”, disse ela.

“Muitos astronautas desenvolvem um problema de visão que pode ser o resultado de mudanças de fluidos relacionadas à micro-gravidade. Alterações cardiovasculares semelhantes à aterosclerose também foram observadas.”

Rana acredita que estas questões são “grandes obstáculos fisiológicos” que a NASA precisa de resolver “antes de embarcar em missões espaciais mais longas, como a proposta missão a Marte”. A investigação indicou ainda que o ambiente com privação de oxigénio influencia o metabolismo, causando um aumento de inflamações interiores e nos nutrientes do corpo.

Exames de fezes também demonstraram que a jornada espacial interferiu nas proporções das bactérias da flora intestinal de Scott. Investigadores da Universidade Northwestern analisaram duas amostras fecais do astronauta antes da viagem, quatro durante a jornada espacial e três após o fim da missão. A diversidade das bactérias não mudou – mas a proporção delas sim.

Scott Kelly esteve a bordo da estação espacial durante 342 dias durante 2015 e 2016.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Abril, 2019

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1821: A Estação Espacial Internacional está repleta de fungos e bactérias

Estudo da NASA aponta que a Estação Espacial Internacional, por onde já passaram 222 astronautas, tem muitas bactérias e fungos. A maioria tem origem nos humanos.

© NASA

A Estação Espacial Internacional está repleta de bactérias e fungos que podem causar doenças e formar biofilmes (comunidades biológicas com elevado grau de organização) que promovem a resistência a antibióticos, e podem até mesmo corroer a infra-estrutura espacial, descobriu um novo estudo da NASA.

A estação, construída em 1998 e em órbita a cerca de 250 quilómetros da Terra, foi visitada por mais de 222 astronautas e até seis missões de reabastecimento por ano até Agosto de 2017.

Cientistas da NASA descobriram que os micróbios têm origem principalmente em humanos e são semelhantes aos encontrados em prédios e escritórios na Terra.

O estudo – o primeiro a fornecer um catálogo abrangente de bactérias e fungos à espreita em superfícies interiores em sistemas espaciais fechados – foi publicado na revista Microbiome.

Kasthuri Venkateswaran, investigador principal do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA e um dos autores do estudo, disse que a Estação Espacial Internacional “é um sistema hermeticamente fechado, sujeito a micro-gravidade, radiação, dióxido de carbono elevado e re-circulação de ar através de filtros. E é considerado um ‘ambiente extremo'”.

O cientista apontou que os micróbios são conhecidos por sobreviver e até mesmo prosperar em ambientes extremos. As bactérias que estão presentes na Estação Espacial Internacional podem ter existido desde o início da estação, acrescentou, enquanto outras podem ser introduzidas nas vezes em que novos astronautas ou cargas chegaram.

Venkateswaran acrescentou que a “influência do microbioma interior na saúde humana torna-se mais importante para os astronautas durante os voos devido à alteração da imunidade associada ao voo espacial e à falta de intervenções médicas sofisticadas que estão disponíveis na Terra”.

“À luz de uma nova era de expansão humana no universo, como futuras viagens espaciais a Marte, o microbioma do ambiente espacial fechado precisa de ser cuidadosamente examinado para identificar os tipos de micro-organismos que se podem acumular nesse ambiente único, por quanto tempo persistem e sobrevivem, e o seu impacto na saúde humana e na infra-estrutura da nave “, acrescentou.

Investigadores dizem que o estudo pode ser usado para ajudar a melhorar as medidas de segurança que respeitam aos requisitos da NASA para habitação humana no espaço.

Diário de Notícias
08 Abril 2019 — 09:05

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1811: A NASA quer ir buscar as 96 fraldas que os astronautas deixaram na Lua

NASA
Os astronautas da NASA deixaram as suas marcas na Lua. Ainda lá estão.

A NASA planeia ir à Lua, nos próximos anos, para recolher as fraldas deixadas pelos seus astronautas durante o programa Apollo. A ideia será ver se estas fezes, que ficaram no espaço durante cerca de 50 anos, ainda têm “vida”.

Nas missões Apollo que levaram o Homem à Lua, os astronautas deixaram para trás centenas de objectos, que constam da lista Manmade Material on the Moon, que a agência espacial mantém no seu site.

Entre estes objectos encontram-se veículos, equipamentos, objectos pessoais, bandeiras dos EUA (que estão agora totalmente brancas), peças de roupa, bolas de golfe, mensagens, a escultura de um ramo de oliveira em ouro, e 96 sacos de fezes que os astronautas produziram e deixaram na Lua – que, segundo a Vox, a NASA quer agora de volta.

A ideia de ir à Lua recolher fezes poderá não ter muita lógica a olho nu, mas a NASA tem uma razão bem pertinente para o fazer. Estas fezes estão cheias de vida, sendo metade da sua massa composta por bactérias e micróbios.

O objectivo da agência espacial norte-americana é ver até que ponto é que estes organismos sobreviveram com o passar dos anos, no ambiente inóspito do espaço.

Os Estados Unidos já deixaram claro que querem voltar a pôr homens na lua dentro dos próximos anos. A NASA pretende assim aproveitar o regresso ao nosso satélite para recolher as fraldas deixadas antes pelos astronautas. Uma tarefa nada apelativa, mas que pode oferecer muitas respostas.

Além de fezes, os sacos deixados pelos astronautas das missões Apollo têm também urina, restos de comida, vómitos e diversos outros resíduos. Assim que a NASA conseguir voltar à Lua, os seus cientistas poderão descobrir quão resistente é a vida destes resíduos no ambiente lunar.

E, caso os micróbios tenham sobrevivido, será que eles também sobreviveriam a viagens interestelares, semeando vida pelo universo fora?

Por que os astronautas deixaram fezes na Lua

Durante o programa Apollo, a NASA levou seis missões tripuladas à Lua: Apollo 11 e 12 em 1969, Apollo 14 e 15 em 1971, Apollo 16 e 17 em 1972. Um total de 12 homens tiveram o privilégio dar um pequeno passo de gigante em solo lunar. Boa parte deles, certamente, teve necessidade de encher as fraldas” enquanto saltitavam pela micro-gravidade lunar.

Na época das missões Apollo, a solução encontrada pela NASA para que os astronautas fizessem as necessidades de forma segura foi acoplar um saco de plástico nas nádegas para capturar as fezes directamente, sem que elas entrassem em contacto com o ambiente.

No entanto, esse método apenas era útil para os momentos em que os astronautas estavam nas naves. Para as situações em que os astronautas estavam no exterior e não conseguiam controlar os seus intestinos, a NASA desenvolveu e forneceu aos astronautas um “fato de máxima absorção” para “contenção fecal”. Por outras palavras, uma fralda.

Em 1969, quando Neil Armstrong desceu à superfície lunar, tornando-se a primeira pessoa a deixar pegadas na Lua, foi tirada uma fotografia que mostra uma paisagem repleta de crateras, com um saco de lixo branco ao lado do módulo lunar.

NASA
Um dos sacos de fezes junto ao módulo lunar da Apollo 11, em 1969

Ficou sempre a dúvida se seria essa umas das fatídicas fraldas usadas pelos astronautas. Buzz Aldrin, colega de Armstrong na missão Apollo 11 e o segundo homem a pisar a Lua, não confirmou nem negou a suspeita, mas um facto é indesmentível: todos os astronautas que estiveram na Lua deixaram sacos de resíduos humanos por lá.

Charlie Duke, da missão Apollo 16 (1972), foi o 10º homem na Lua, onde passou 71 horas. Ele mesmo confirmou, recentemente, que a sua tripulação deixou resíduos para trás. “Deixamos a urina que foi recolhida num tanque, e acredito que tivemos alguns dejectos — mas não tenho certeza — que estavam num saco de lixo”, disse.

Duke explica que estes resíduos foram deixados para trás na Lua porque havia a ideia de que tudo seria higienizado por acção da radiação solar. “Ficaria realmente muito surpreendido se alguma coisa sobrevivesse”, explicou. Mas na altura, trazer de volta esses sacos de lixo à Terra não era uma opção.

“As missões lunares foram planeadas com muito cuidado, e o peso era um problema muito grande. Caso quisesse trazer pedras da Lua, teria de descartar coisas que não seriam necessárias, para aumentar a margem de segurança”, explica Andrew Schuerger, cientista de vida espacial da Universidade da Florida e co-autor de um artigo sobre a viabilidade de haver micróbios sobreviventes na Lua.

NASA’s Goddard Space Flight Center / Vox
Onde estão as fezes na lua?

Poderá ter sobrevivido alguma bactéria fecal?

A recolha das fezes dará insights importantes sobre as condições extremas que a vida é capaz de suportar. O potencial humano de contaminar outros corpos celestes é também uma possibilidade de análise.

A probabilidade de que alguma coisa tenha sobrevivido nos excrementos deixados na Lua é pequena. Afinal, a Lua não tem um campo magnético capaz de proteger a vida contra a radiação cósmica, não tem camada de ozono para absorver raios ultravioleta e o vácuo lunar é inóspito para a vida.

Sem atmosfera, a Lua sofre ainda grandes variações de temperatura entre o dia e a noite, com a superfície a registar temperaturas de 100ºC de dia que descem drasticamente para os -173ºC à noite.

Mas, ainda que a maior hipótese seja de que a combinação de radiação e extremas temperaturas tenha matado todos os micróbios nos sacos de lixo, Schuerger diz que há uma “pequena probabilidade de que alguma bactéria mais resistente tenha sobrevivido. Margaret Race, bióloga do Instituto SETI, concorda: “os micróbios não precisam ter muita protecção”, disse.

ZAP // CanalTech / VOX

Por CT
6 Abril, 2019

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1769: Astronautas norte-americanos podem regressar à Lua dentro de 5 anos

Administração de Donald Trump diz-se frustrada com os atrasos e os problemas de orçamento do programa da NASA para construir a próxima nave espacial SLS, cuja primeira viagem foi recentemente adiada para 2021

© Science & Society Picture Librar/Getty Expresso

O vice-presidente norte-americano, Mike Pence, anunciou nesta terça-feira que, dentro de cinco anos, os Estados Unidos irão enviar novamente um grupo de astronautas norte-americanos à Lua, no qual se inclui uma mulher. “De acordo com a ordem do Presidente, a política oficial da administração dos Estados Unidos quer promover o regresso dos astronautas norte-americanos à Lua, no prazo de cinco anos”, declarou Mike Pence, durante um discurso em Huntsville, Alabama, acrescentando que a primeira mulher a pisar a lua será americana.

A administração de Donald Trump diz-se frustrada com os atrasos e os problemas de orçamento do programa da NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço) para construir a próxima nave espacial SLS, cuja primeira viagem foi recentemente adiada para 2021.

Mike Pence criticou a “inércia burocrática” da agência espacial e apelou a um “novo estado de espírito”, ameaçando que as futuras missões poderão ser entregues a uma estação privada, com foguetões comerciais, caso a NASA não esteja preparada no prazo estipulado. “Se as naves privadas são a única forma de levar os astronautas americanos de volta à Lua, então serão lançados foguetões privados”, ameaçou.

O responsável pela NASA, Jim Bridenstine, argumentou que a estação espacial fará os possíveis para cumprir o prazo estabelecido.

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, fez hoje uma série de recomendações ao Presidente Donald Trump que visam melhorar a competitividade do sector espacial dos Estados Unidos, abordando o problema da comunicação entre os satélites e a Terra. De acordo com um relatório enviado pelo ministério do Comércio, as autoridades federais americanas autorizaram, em Novembro passado, que a sociedade espacial ‘SpaceX’ colocasse 11.943 satélites em órbita destinados a fornecer uma conexão à Internet de alta velocidade para a década de 2020.

“Uma indústria satélite saudável, com acesso suficiente ao espectro de frequências, é vital para a competitividade mundial (…) dos Estados Unidos”, refere-se no relatório. As declarações dos dirigentes surgem a poucos meses da celebração do 50.º aniversário do primeiro homem a pisar o solo lunar, Neil Armstrong, em Junho de 1969.

msn notícias
Lusa
26/03/2019

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1765: Primeira caminhada feminina no espaço cancelada por falta de fatos

NASA anunciou que não consegue preparar fatos espaciais com o tamanho certo para duas mulheres até sexta-feira, portanto a astronauta Anne McClain vai ter de ficar a bordo da Estação Espacial Internacional.

Christina Koch (centro) assistiu os seus colegas Nick Hague (esquerda) e Anne McClain (direita) na missão de 22 de Março. Agora será ela a sair para o espaço
© NASA

Foi anunciado pela NASA como um marco histórico na conquista do espaço: no dia 29 de Março, já na próxima sexta-feira, Anne McClain e Christina Koch deviam realizar a primeira caminhada espacial exclusivamente feminina. Um marco histórico que afinal vai ter de ficar para outra data, tudo devido a um problema de falta de fatos.

A agência espacial norte-americana anunciou esta segunda-feira que não há fatos espaciais com o tamanho certo para as duas mulheres, portanto Anne McClain vai ter de ficar a bordo da Estação Espacial Internacional, sendo substituída na missão ao exterior por Nick Hague.

“Koch devia realizar esta caminhada espacial com a astronauta McClain, no que deveria ser a primeira saída exclusivamente feminina. Contudo, depois de consultar McClain e Nick Hague após uma primeira caminhada [realizada a 22 de Março], os responsáveis decidiram ajustar a missão, em parte devido à falta de fatos disponíveis na estação. McClain percebeu na primeira saída que um tamanho médio da parte superior do fato – essencialmente a camisola – lhe servia melhor”, explica o comunicado da NASA. O problema é que as duas astronautas vestem o mesmo tamanho “e como apenas conseguimos preparar um fato médio até sexta-feira, será Koch a usá-lo”.

A missão de Mcclain e Hague será a segunda de três saídas previstas para instalar umas poderosas baterias de lítio nos painéis solares da Estação Espacial e vai incluir mais três mulheres: Mary Lawrence será a directora da missão e Jackie Kagey a controladora. Já no solo, Kristen Faccioli irá dirigir a equipa a partir do Johnson Space Center.

Menos de 11% das mais de 500 pessoas que estiveram no espaço eram do sexo feminino e as equipas dos passeios espaciais foram sempre masculinas ou mistas.

Diário de Notícias
26 Março 2019 — 12:52

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