1979: Cientista afirma que há vida em Marte (e outros mundos onde pode florescer vida alienígena)

CIÊNCIA

(PD/CC0) GooKingSword / pixabay

Alguns astro-biólogos teorizam que, no passado, Marte tinha um ambiente ainda mais adequado para a vida do que a versão mais jovem na Terra. Alicerçado nesta teoria, Michael Finney acredita que o Planeta Vermelho pode ainda alojar vida.

No entender de Finney, co-fundador da The Genome Partnership, uma organização sem fins lucrativos que organiza as conferências Advances in Genome Biology and Technology, partindo do princípio que já houve vida em Marte, este pressuposto sugere que algumas formas de vida ainda lá estão – mesmo que escondidas sob a superfície do planeta.

“Se havia vida em Marte, esta pode ter-se movido, pode ter-se escondido um pouco, mas provavelmente ainda está lá“, afirmou o cientistas no fim do mês numa conferência na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

“Há quatro mil milhões de anos, a superfície marciana era um mundo mais húmido, abundante em rios, lagos e vastos oceanos. No entanto, Marte deixou de ser habitável à medida que perdeu o seu campo magnético global, abrindo caminho para que partículas nocivas oriundas do Sol atingissem a atmosfera do planeta”, sustentou.

O processo que transformou Marte no planeta seco e frio que conhecemos hoje foi observado e registado pela agência espacial norte-americana. Apesar de não haver água corrente na sua superfície, a água pode realmente existir no subsolo marciano, de acordo com dados recolhidos pela NASA.

Alguns astro-biólogos afirmam que Marte foi um berço mais propício à vida do que a Terra nos seus primórdios, numa hipótese científica cada vez mais consensual de que a vida foi trazida para a Terra por meteoritos compostos por rochas marcianas.

Estudos recentes não encontraram evidências de vida no ar marciano, mas a NASA observou, há uns meses, alguns indícios estranhos: o rover Curiosity descobriu sinais de metano numa cratera. A sonda, que estuda a cratera de Gale desde 2012, estabeleceu que a concentração desta substância na atmosfera da cratera tem períodos sazonais.

O metano é um composto orgânico gerado, na Terra, por fontes que incluem micróbios e outros organismos semelhantes. Assim, segundo esta teoria, pode ainda existir vida em Marte. Contudo, podem existir outras explicações para a presença deste composto, como processos abióticos devido à reacção da água quente com rochas específicas.

Ainda assim, mesmo que o metano de Marte seja de origem orgânica, as criaturas que o geraram podem estar mortas há muito tempo. Ou seja, evidências de metano em Marte, ou noutro qualquer mundo, não são prova directa da existência de vida alienígena.

Contudo, Michael Finney, não perde a esperança: “Se Marte teve vida há 4 mil milhões de anos, Marte ainda tem vida. Nada aconteceu em Marte que tivesse destruído a vida”.

Outros mundos onde pode florescer vida alienígena

Apesar de todas as potencialidade de Marte, o Planeta Vermelho não é o único mundo no Sistema Solar que pode abrigar vida, tal como observa o portal Space.com.

Na verdade, a maioria dos astro-biólogos colocaria sem hesitar Marte na lista dos locais onde pode florescer vida alienígena, mas só depois da lua de Júpiter, Europa, e dos satélites naturais de Saturno, Enceladus e Titã.

Europa e Enceladus abrigam oceanos profundos de água salgada líquida sob suas conchas geladas. No caso de Titã, os cientistas acreditam ainda que o satélite tenha um oceano de água subterrânea, tendo também lagos e mares de hidrocarbonetos líquidos na superfície. Ambas as luas estão sob o olhar atento da NASA, que vai levar a cabo vários projectos de exploração, como o NASA New Frontiers, que deverá arrancar em 2025.

Até o infernal Vénus pode ainda ter alguns redutos habitáveis, segundo as projecções dos cientistas. À semelhança de Marte, também Vénus já teve água superficial abundante, mas um efeito estufa descontrolado deixou o planeta a “arder” com temperaturas superficiais altas o suficiente para derreter chumbo.

Penny Boston, directora do Instituto de Astrobiologia da NASA no Ames Research Center, na Califórnia, disse acreditar que as possibilidade de vida em Vénus são baixas por causa do “desaguamento” do planeta. Ainda assim, defende, a existência de vida alienígena na nuvem de Vénus “precisa, definitivamente, de ser interrogada“.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
14 Maio, 2019


 

1777: Vida em Marte? Organismos terrestres sobrevivem 533 dias no Espaço

NASA
A EEI – Estação Espacial Internacional

Vários organismos terrestres, acostumados às severas condições da Terra, conseguiram sobreviver 533 dias no vácuo, expostos à intensa radiação ultravioleta e a variações extremas de temperatura.

Isto significa que não é completamente impossível que a vida sobreviva em Marte. De todos os planetas, o Vermelho parece ser o candidato mais provável a receber vida. No entanto, é extremamente inóspito – empoeirado, árido, mais baixo em gravidade e oxigénio, sujeito a radiação severa devido à sua atmosfera mais fina, frio e destruído por tempestades de poeira que podem mergulhar o planeta na escuridão.

Apesar de os cientistas ainda não terem provado que existe vida em Marte, há formas de testar a viabilidade da sua presença no planeta. Uma delas é procurar vida em ambientes semelhantes ao Planeta Vermelho, mas na Terra; outra é usar um recurso valioso: a Estação Espacial Internacional (EEI).

O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) conduziu uma experiência – BIOMEX – na qual organismos como bactérias, algas, líquens e fungos foram expostos a condições semelhantes a Marte a bordo da EEI.

Os organismos terrestres foram cultivados e simuladores de solo marciano e colocados fora da Estação Espacial na instalação Expose-R2. Os organismos permaneceram lá durante 18 meses, entre 2014 e 2016, antes de serem trazidos de volta à Terra para análise.

Os resultados surpreenderam os cientistas: estes organismos terrestres conseguiram sobreviver 533 dias no vácuo, expostos à intensa radiação ultravioleta e a variações extremas de temperatura.

“Alguns dos organismos e biomoléculas mostraram uma tremenda resistência à radiação no espaço sideral e, na verdade, retornaram à Terra como ‘sobreviventes’ do Espaço”, disse o astro-biólogo Jean-Pierre Paul de Vera, do Instituto DLR.

A equipa revelou ainda ter estudando a “archaea, que são microrganismos unicelulares que existem na Terra há mais de 3,5 mil milhões de anos e que vivem em águas salgadas. As nossas ‘cobaias de teste’ são parentes das que têm sido isoladas no permafrost árctico”.

Além de terem sobrevivido em condições espaciais, estes organismos também são detectáveis. Organismos que podem sobreviver em tais condições inóspitas são conhecidos como extremófilos, e são considerados o tipo mais provável de organismo vivo que poderia existir noutros planetas (ou nas luas Europa ou Encelado).

Com esta experiência, os cientistas demonstraram que, pelo menos teoricamente, estes organismos conseguiriam sobreviver no Planeta Vermelho. O artigo científico foi recentemente publicado na Astrobiology.

“Isto não significa que existe vida em Marte. Mas a busca pela vida é, agora mais do que nunca, a força motriz para as próximas missões”, concluiu Jean-Pierre de Vera.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
29 Março, 2019

 

1193: Relatório da NASA recomenda que se procure vida extraterrestre nos subsolos

ESA/DLR/FU Berlin

O relatório de um estudo pedido pela NASA recomenda que se procure vida extraterrestre no subsolo e se dê um maior ênfase à astrobiologia nos projectos espaciais.

Com a recente descoberta de um lago subterrâneo em Marte e as suspeitas da existência de oceanos subterrâneos nas luas de Júpiter e Saturno a adensarem-se, vários investigadores acreditam que poderá existir vida nestes lugares inesperados, e que se devia estudar todos os tipos de ambientes, não apenas aqueles que imitam a Terra.

Segundo a revista Discover, devido às recentes descobertas astronómicas e aos avanços na astrobiologia, a NASA pediu à Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina (NASEM) para conduzir uma análise independente e objectiva sobre a sua actual estratégia de exploração espacial.

A comissão criada pela NASEM contou com 17 pessoas, desde investigadores experientes a professores de biologia, astronomia e ciências da terra, e analisou a estratégia da NASA durante um ano. O seu relatório final foi agora divulgado.

No documento, publicado a 10 de Outubro na The National Academies Press, é feita uma sugestão específica: a NASA devia procurar vida extraterrestre em todas as missões espaciais e começar a investigar planetas e luas que, à primeira vista, não são propícias à vida tal como a conhecemos.

“Quanto mais integrarmos a astrobiologia e o pensamento astrobiológico nas missões, mais poderemos aproveitar as descobertas fantásticas que estão a acontecer com as missões actuais”, disse Barbara Sherwood Lollar, cientista da Terra, professora na Universidade de Toronto e presidente da NASEM.

“Incorporando o pensamento astrobiológico no início dos processos, poderemos ser capazes de fazer ainda mais”, acrescentou.

A astrobiologia é o estudo e compreensão da vida em todo o Universo e só sabemos como os organismos se formam e evoluem na Terra – ao usar apenas essa noção para encontrar vida, a maioria das missões espaciais fica apenas atenta aos mundos com água líquida na superfície.

Na astrobiologia também se procuram por bio-assinaturas – vestígios, substâncias, objectos ou padrões que foram deixados por seres vivos. As missões típicas da NASA procuram por bio-assinaturas semelhantes às da Terra, como gases e moléculas atmosféricas específicas e padrões de superfícies criadas pelos ecossistemas.

Agora, os cientistas que elaboraram este relatório acreditam que ambos os factores precisam de uma séria reformulação – a abordagem actual pressupõe que toda a vida nasce em ambientes similares aos da Terra, e que essa existência deixará bio-asssinaturas semelhantes aos encontrados na Terra.

Contudo, ao aderir a essa estratégia, a NASA pode estar a negligenciar uma enorme quantidade de comunidades desconhecidas.

“Precisamos de ter a certeza de que a nossa caixa de ferramentas de bio-assinaturas é universal o suficiente para abranger tanto a nossa capacidade de reconhecer a vida como a conhecemos como aquela que não conhecemos“, explicou Lollar.

Procurar no Subsolo

Se os organismos existem em ambientes novos e inesperados, eles provavelmente emitirão bio-assinaturas “agnósticas” – que vão contra a nossa compreensão da vida na Terra.

Para encontrar esses marcadores únicos, a NASEM recomendou a pesquisa de bio-assinaturas numa escala mais ampla, como a detenção de pares moleculares que não ocorrem naturalmente ou substâncias químicas peculiares que não correspondem ao ambiente físico.

E, enquanto acredita que a astrobiologia deveria fazer parte de todas as missões espaciais, a NASEM sustenta também que a NASA deveria investigar uma zona em particular – o subsolo de planetas e de luas.

Com a recente descoberta do lago subterrâneo de Marte e os potenciais oceanos dentro das luas de Júpiter e Saturno, a comissão acha que estes ambientes subterrâneos podem ser habitáveis – apontando ainda que cada vez mais ecossistemas são descobertos abaixo da superfície terrestre, suportando esta teoria.

Para lugares mais próximos do planeta Terra, como Marte e as luas no nosso sistema solar, a comissão acredita que se deveria sondar o subsolo para procurar vida. E, ao contrário do que se possa pensar, a opção não é através de perfurações.

“As tecnologias de perfuração têm muito interesse, absolutamente”, contou Loller. “Mas não são os únicos meios de pesquisar em subsolos – radares sísmicos, penetrantes no solos, varredura orbital, todas estas opções nos dão informações sobre o subsolo”.

Para investigar exoplanetas e exoluas distantes, a comissão recomenda o uso de instrumentos telescópios que possam suprimir a luz do sol das estrelas – que geralmente abafa objectos fracos e em órbita.

Essa supressão daria aos pesquisadores uma visão mais brilhante e inédita dos exoplanetas e exoluas e ainda permitiria pesquisar por bio-assinaturas.

A NASEM realça ainda que este grande projecto precisa de um esforço colaborativo e que a NASA deveria convocar organizações internacionais, privadas e filantrópicas para a realizar com sucesso. Ao combinar esforços e colocar o ênfase na astrobiologia, a comunidade científica poderia aumentar as hipóteses de encontrar vida extraterrestre.

ZAP //

Por ZAP
25 Outubro, 2018

1189: Vida extraterrestre pode ser de cor púrpura

Pilot27 / Wikimedia

De acordo com um novo estudo, a vida alienígena poderá ser de cor púrpura, tal como os primeiros organismos vivos na Terra.

Publicado a 11 de Outubro na Revista Internacional de Astrobiologia, a investigação afirma que antes das plantas começarem a aproveitar a energia solar para gerar energia, pequenos organismos púrpura arranjaram uma maneira de fazer o mesmo.

Segundo Shiladitya DasSarma, microbiologista da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland e autor principal do estudo, a vida extraterrestre poderá ter evoluído e prosperado tal como estes organismos de cor púrpura.

“Astrónomos descobriram recentemente milhares de novos planetas extra-solares e estão a desenvolver a capacidade de detectar bio-assinaturas de superfície” na luz reflectida por esses planetas, disse o microbiologista.

DasSarma disse ainda já existirem várias maneiras de detectar “vida verde” nesses planetas, mas que é preciso começar a procurar pelo roxo.

Terra púrpura

A ideia de uma terra primitiva de cor púrpura não é recente, tendo sido desenvolvida em 2007 por DasSarma e os seus companheiros de investigação.

De acordo com a teoria da Terra Púrpura, as plantas e algas fotos-sintéticas usam clorofila para absorver energia do sol, mas não absorvem a luz verde (daí a sua cor).

Este facto mostra-se estranho para os cientistas porque a luz verde é bastante rica em energia. Este facto levou DasSarma e os seus colegas a questionarem a existência de algum organismo que estivesse a absorver essa parte do espectro de cores enquanto os fotos-sintetizadores de clorofila das plantas evoluíam.

Na teoria, esse organismo seria simples e capturaria a energia solar através de uma molécula chamada retinal. Os pigmentos desta molécula seriam mais simples que a clorofila e absorveriam mais eficazmente a luz verde apesar de serem menos eficazes na captação da energia solar.

A captação de luz através da molécula retinal é ainda comum entre bactérias e organismos unicelulares chamados Archae – estes organismos de cor púrpura foram descobertas em toda a parte, desde os oceanos até ao Antárctico passando pelas superfícies das folhas, contou Edward Schwieterman, investigador da Universidade da Califórnia.

Os pigmentos desta molécula são também encontrados nos sistemas visuais de animais complexos. Segundo os investigadores, o aparecimento dos pigmentos em muitos dos organismos vivos sugere que estes podem ter evoluído muito cedo a partir do mesmo ancestral comum.

Há ainda evidências de que os modernos organismos consumidores de sal e de cor púrpura, os halófilos, podem estar relacionados com algumas das primeiras formas de vida na Terra que se desenvolveram através das fontes de metano dos oceanos.

Aliens púrpura

Independentemente da primeira vida na Terra ser ou não púrpura, DasSarman e Schwieterman argumentam que a vida em tons de púrpura serviu os propósitos de alguns organismos, o que poderá indicar que a vida alienígena usou a mesma estratégia.

De acordo com os investigadores, no caso de a vida extraterrestre estar, de facto, a usar estes pigmentos púrpura para captar energia, os astro-biólogos só os irão encontrar procurando por assinaturas de luz específicas.

Segundo Schwieterman, a clorofila absorve principalmente a luz vermelha e azul mas o espectro reflectido por um planeta coberto por plantas exibe aquilo que os astro-biólogos chamam de “borda vermelha da vegetação“.

Essa “borda vermelha” é uma mudança repentina no reflexo da luz na parte dos infravermelhos próximos do espectro onde as plantas param de absorver comprimentos de onda vermelhos e começam a refleti-los.

Por outro lado, os fotos-sintetizadores baseados na retina tem uma “vantagem verde”, explica Schwieterman – absorvem a luz até à porção verde do espectro e, em seguida, começam a reflectir comprimentos de onda mais longos.

De acordo com o investigador, os astro-biólogos há muito que tentam detectar vida extraterrestre através da “borda vermelha” mas agora, precisam de considerar a procura pela “borda verde”.

“Se esses organismos estiverem presentes em densidades suficientes num exoplaneta, essas propriedades de reflexão seriam imprimidas no espectro de luz reflectida pelo planeta”, explicou Schwieterman.

Por ZAP
24 Outubro, 2018

 

1151: Todas as missões da NASA deveriam procurar vida extraterrestre

NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle

A procura por sinais de vida alienígena deve fazer parte de todas as missões futuras da NASA. A organização deve expandir o seu leque sobre possíveis sinais extraterrestres, de forma a conseguir identificá-los, aponta um novo estudo.

Assinado por 17 cientistas, o relatório foi patrocinado pela agência espacial norte-americana e desenvolvido pelas Academias Nacionais de Ciência, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos, tendo sido apresentado no passado dia 10 de Outubro.

A publicação sublinha a importância da astrobiologia – a Ciência que estuda a origem, evolução, distribuição e o futuro da vida na Terra e em todo o Universo. De acordo com o signatários do estudo, todas as missões futuras da NASA deve ter em conta a astrobiologia em todo o processo, desde de a “concepção e conceptualização até ao planeamento e ao desenvolvimento” das próprias operações.

Nos últimos anos, tal como nota o Live Science, os astrofísicos têm detectado milhares de planetas potencialmente habitáveis para lá do Sistema Solar. Além disso, os biólogos têm também descoberto novas pistas sobre a complexidade e a diversidade da vida na Terra.

Por tudo isto, e tendo em conta que estas descobertas poderão ser aplicadas noutros mundos distantes do nosso, os cientistas defendem que todas as missões devem incorporar traços de organismos alienígenas.

A nossa visão do Universo está agora mais repleta de planetas do que nunca. Os 2300 exoplanetas descobertos e confirmados pela missão Kepler levaram os cientistas a acreditar que pelo menos seis de cada dez estrelas poderiam orbitar planetas semelhantes à Terra, considerou Alan Boss, um dos astrónomos participantes no estudo.

O enorme número de exoplanetas recém-descobertos oferece novas e interessantes oportunidades para encontrar bio-assinaturas (traços ou marcadores químicos que indiciam sinais de vida), notou Boss – e é exactamente isso que os cientistas devem procurar.

Astrobiologia, uma Ciência pluridisciplinar

Os cientistas sublinharam no relatório a pluralidade da Astrobiologia, área de estudo que abrange várias outras, como a Física, Química, Biologia, Astronomia e Ciência Planetária. Estas áreas, de forma individual e, ao mesmo tempo, partilhada, podem ajudar a resolver o enigma de como é que a vida pode emergir e evoluir noutros mundos diferentes da Terra.

Os avanços recentes, especialmente nos últimos três anos, exigem uma nova estratégia, que fortaleça o papel da Astrobiologia nas missões da NASA, nota a publicação.

Os especialistas recomendam ainda que a NASA acelere no desenvolvimento de novas tecnologias para detectar organismos microscópicos, notando a falta de um único “instrumento pronto a voar“, que seja capaz de viajar para um mundo distante, medindo e detectando os seus elementos, minerais e matéria orgânica.

O relatório sugere ainda que os sistemas de imagem directa que suprimem a luz das estrelas devem ser usados fora do nosso Sistema Solar, de forma a melhorar a identificação de bio-assinaturas oriundas de planetas que orbitam estas estrelas – estes ambientes com luz suprimida seria mais amigáveis para os extraterrestres-

Além disso, acrescentam, a NASA deve ainda apostar em missões sob a superfície dos exoplanetas – sejam estes mundos rochosos, gelados ou oceânicos – para encontrar vida alienígena subterrânea.

Sinteticamente, os cientistas reiteram que é necessário refinar a procura e os métodos utilizados para encontrar os nossos vizinhos extraterrestres – estejam estes no nosso Sistema Solar ou a anos-luz de distância. É imperativo procurar mais e melhor.

Por ZAP
16 Outubro, 2018

 

798: A Lua pode ter sido capaz de sustentar vida

Scientific Visualization Studio/ NASA

Há milhares de milhões de anos atrás, a Lua da Terra pode ter tido as condições necessárias para albergar vida, segundo um estudo publicado esta segunda-feira.

Quando falamos em condições favoráveis à existência de vida na Terra falamos em água líquida, uma atmosfera capaz de manter a água estável à superfície, um campo magnético capaz de fornecer protecção à radiação solar e cósmica e compostos orgânicos. Segundo os autores do estudo, algumas destas condições-chave poderão ter existido na Lua.

“Se a água líquida e uma atmosfera significativa estiveram presentes na Lua durante longos períodos de tempo, achamos possível que a superfície lunar tenha sido habitável, pelo menos temporariamente”, explica Dirk Schulze-Makuch, astro-biólogo da Washington State University e co-autor do estudo, publicado na Astrobiology, esta segunda-feira.

No entanto, astronautas e robôs nunca encontraram nenhuma prova de vida na Lua e, mesmo que o material orgânico tivesse existido no satélite do nosso planeta, não sabemos se iriam restar vestígios.

Esta ideia de que a Lua poderá já ter sido habitável é baseada numa série de descobertas, feitas principalmente na última década, que mostram que a Lua não é tão seca quanto pensávamos. Há milhares de milhões de anos atrás, poderá ter havido grandes quantidades de água líquida na sua superfície.

Há cerca de 4500 milhões de anos, uma Proto-Terra e outro corpo planetário colidiram e foram vaporizados, segundo um artigo publicado este ano. Segundo esta teoria, a Lua formou-se dentro da Terra, quando o nosso planeta ainda não se tinha formado completamente e não passava de uma nuvem fervente e giratória de rocha vaporizada, chamada sinestia.

Assim, os cientistas defendem que estes gases poderiam ter sido suficientes para criar uma atmosfera. Este período de tempo foi o primeiro momento no qual se verificaram na Lua as condições necessárias para sustentar vida.

A segunda vez aconteceu durante um período de intensa actividade vulcânica, cerca de 500 milhões de anos depois. Os cientistas sugerem que esta actividade poderá ter criado uma atmosfera ainda mais densa com mais água na superfície lunar.

Desta forma, e de acordo com os cálculos citados no artigo científico, poderá ter havido água líquida durante 70 milhões de anos, especialmente se na altura houvesse um campo magnético a proteger a Lua dos ventos solares.

Durante estes dois períodos, a vida poderia já existir na Terra, isto porque os cientistas ainda não sabem como é que o material orgânico apareceu pela primeira vez no nosso planeta. Além disso, os investigadores também não sabem o quão comum são as condições que sustentam a existência de vida em todo o Universo.

As cianobactérias são as evidências mais antigas de vida no planeta Terra. De alguma forma, certas moléculas precursoras fundiram-se para formar materiais orgânicos, que evoluíram eventualmente para essas cianobactérias. Não sabemos quanto tempo este processo demorou, mas alguns cientistas estimam que terá demorado 10 milhões de anos.

Por esta lógica, defendem os cientistas, houve tempo suficiente para algo semelhante acontecer na Lua. Se o material orgânico estivesse previamente lá, a vida poderia ter emergido durante estes dois períodos de tempo.

No entanto, mesmo que não tenha existido material orgânico na Lua, estes dois períodos foram certamente intensos a nível de actividade meteórica. Esses meteoritos poderão ter trazido microrganismos que sobreviveram.

No entanto, há muitas dúvidas que pairam no ar. Assim, os cientistas mantêm a esperança de que as futuras missões à Lua forneçam evidências sobre estes períodos de actividade vulcânica, nomeadamente através de amostras das camadas da Lua.

Por ZAP
25 Julho, 2018

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345: Cientista britânico acusa a NASA de ocultar provas sobre a vida em Marte

MSSS / JPL-Caltech / NASA

O astrobiólogo está a preparar um relatório com o qual promete revelar novas informações sobre a descoberta de vida em Marte.

A NASA está a ocultar pegadas fossilizadas de actividade extraterrestre sobre a superfície de Marte, assegura o astrobiólogo Barry DiGregorio.

O cientista, que trabalha no Centro de Asrobiologia da Universidade de Buckingham, no Reino Unido, prevê publicar um relatório para acusar a agência aeroespacial norte-americana de ocultar provas visuais do que descreve como icnofósseis ou pistas fósseis deixadas por organismos vivos.

Segundo DiGeorgio, algumas imagens captadas pelo explorador marciano Curiosity representam sinais de “criaturas de corpos moles”, que um dia habitaram o planeta vermelho, disse, citado pelo The Daily Star.

A NASA, por sua vez, considera que uma das possibilidades é que as imagens do seu rover sejam cristais, avança a RT.

No entanto, o cientista acredita que a agência esconde a verdade para garantir o cumprimento do seu plano de enviar humanos a Marte na década de 2030.

“Os cristais não desaparecem. Os cristais não se ramificam nem distorcem. Estamos a falar de algo que poderia ter sido parecido com o período Ordovícico na Terra”, disse em referência à época geológica entre há 485 e 444 milhões de anos.

A NASA terá ordenado à Curiosity, de acordo com o cientista britânico, que avance sem estudar de forma meticulosa os icnofósseis encontrados na zona da cratera Gale, que se supõe ter sido uma zona com um lago há milhares de milhões de anos.

“Uma das coisas que chamou a minha atenção foi a conveniência com que a NASA abandonou a zona”, admitiu o investigador.

O icnólogo acredita desde há muito tempo que houve vida há uns mil milhões de anos num lago de grandes dimensões sobre a superfície de Marte e espera que as mais recentes descobertas apoiem a sua teoria.

ZAP //

Por ZAP
7 Março, 2018

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168: Portugal participa em projectos para descobrir vida em Marte

Aos 38 anos, Zita Martins é considerada uma das maiores especialistas do mundo na astrobiologia. Depois de 15 anos fora do país, acaba de regressar às origens, trazendo para o Instituto Superior Técnico e para Portugal a participação em todos os projectos pioneiros internacionais em que está envolvida

© José Carlos Carvalho Portugal participa em projectos para descobrir vida em Marte

Portugal acaba de entrar em dois projectos da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), destinados a testar materiais que permitam detectar a existência de vida em Marte em futuras missões espaciais automáticas ou tripuladas ao planeta vermelho. A participação portuguesa deve-se à astrobióloga Zita Martins, que foi recentemente contratada pelo Instituto Superior Técnico (IST), depois de uma carreira de 15 anos de investigação, ensino e divulgação da ciência fora do país.

Considerada uma das maiores especialistas do mundo na astrobiologia – uma área científica emergente que estuda a origem da vida na Terra e os sinais de vida nos planetas e luas do Sistema Solar e nos planetas extras-solares – Zita Martins saiu do Imperial College de Londres e trouxe para Portugal todos os projectos de investigação internacionais em que participa, incluindo as duas missões da Agência Espacial Europeia (ESA) na ISS.

Chamam-se OREOcube e EXOcube, “e, como os nomes indicam, são dois cubos que vão ser transportados para a estação espacial, onde poderão ser colocadas várias amostras de diversas moléculas orgânicas que têm um papel diferente na célula, a unidade básica da vida”, explica Zita Martins ao Expresso. “Depois vão ser expostas à radiação cósmica e nalguns casos serão protegidas com certos minerais que existem em Marte e noutros vamos observar se são destruídas rapidamente ou não.”

O lançamento do OREOcube está previsto para 2019 e o do EXOcube mais tarde. As experiências são “um passo intermédio antes de haver uma nova missão espacial para Marte”, automática ou tripulada, porque essa missão terá de conhecer “os locais onde há um potencial maior para existir vida extraterrestre”. Portanto “os cientistas querem saber se um determinado mineral é melhor para proteger as assinaturas da vida em Marte, e a ISS é óptima para o conseguirem”, sublinha a astrobióloga portuguesa. Por outro lado, com as futuras viagens de naves tripuladas em missões a Marte, “é preciso encontrar a forma de proteger as células dos astronautas da radiação cósmica”.

Portugal já está a investir cerca de 20 milhões de euros por ano na ESA, tendo um retorno em contratos industriais e de prestação de serviços de 40 milhões. Zita Martins acha que os dois projectos vão, sem dúvida, contribuir para aumentar o nosso envolvimento na agência, “porque haverá uma promoção da imagem do país e novos financiamentos, contratos e empregos qualificados, o que é bom para a economia”.

A cientista traz também para Portugal a sua participação num projecto de oito milhões de dólares (6,7 milhões de euros) do Instituto de Astrobiologia da NASA, que termina em 2019, depois de ter estado ligada a outro de sete milhões de dólares até 2014.

Regresso a Portugal

A astrobióloga vai trabalhar como investigadora e professora associada no Departamento de Engenharia Química do IST. É um regresso às origens, porque Zita Martins fez a licenciatura em engenharia química precisamente no Instituto Superior Técnico. “Só vou mudar de país e de instituição onde estou afiliada, o que significa que Portugal pode ganhar com os conhecimentos, os contactos, e todas as colaborações internacionais que tenho. E agora trata-se de desenvolver uma equipa no país e promover a investigação e o ensino da astrobiologia” (veja a história de Zita Martins na Revista do Expresso, que sai amanhã, sexta-feira, 8 de Dezembro).

Os segredos dos meteoritos e das luas do Sistema Solar

Zita Martins está envolvida noutros projectos em equipas de investigação internacionais. “Continuo a analisar diferentes meteoritos, para perceber como é que eles poderão ter sido importantes para a origem da vida na Terra. E participo noutros projectos onde se investigam como os diferentes minerais podem ter ou não influência na detecção de potenciais formas de vida em Marte”, adianta a cientista.

Mas há uma aposta em novas frentes. “Agora estamos a mudar para outras áreas de investigação, para tentarmos perceber se existe vida nas luas geladas de Júpiter e Saturno, nomeadamente as luas Europa (de Júpiter) e Encelado (de Saturno)”. A astrobióloga está também a trabalhar com equipas internacionais no projecto de lançamento de uma nave espacial “para ir a um asteróide recolher amostras e trazê-las de volta”. Para 2018 já estão algumas tarefas programadas, “mas é um projecto que ainda está um pouco no segredo dos deuses. Vai ser, sem dúvida, importante para Portugal”.

É preciso “investigar os locais do Sistema Solar onde há maiores probabilidades de encontrar vida: Marte, desde que seja protegida, porque à superfície não estamos à espera de encontrar nada; e as luas geladas à superfície onde existem oceanos de água na forma líquida no seu interior, o que é uma grande vantagem, porque protegem a vida da radiação”.

Para a água existir em luas do Sistema Solar como Europa ou Encelado, que estão muito longe do Sol, têm de existir formas de energia para a manter no estado líquido. “Há várias teorias e uma delas defende que existem fontes hidrotermais como no fundo dos oceanos terrestres, que geram energia suficiente para a água se manter líquida”.

Recentemente foi publicado um estudo “que defende outra teoria: devido à gravidade de Júpiter ou de Saturno há marés e estas são suficientes, ao reagirem com a base rochosa das luas geladas, para gerar energia”, revela Zita Martins. “Os cientistas mediram a temperatura nessas duas luas e é muito superior ao que se estava à espera”. Portanto, “a água no estado líquido existe ali de certeza absoluta e uma das condições fundamentais para a emergência da vida é a água no estado líquido”.

40 artigos científicos publicados

Aos 38 anos, Zita tem quase 40 artigos publicados em revistas científicas de referência internacional. Começou a publicar em 2006, um ano antes de terminar o seu doutoramento em química na Universidade de Leiden, na Holanda. Em 2017 publicou um artigo sobre meteoritos e vários artigos relacionados com a Agência Espacial Europeia (ESA), porque a ESA chamou os melhores cientistas do mundo para saber quais deveriam ser os seus próximos projectos prioritários. E desse processo resultaram três artigos científicos, sendo a astrobióloga portuguesa a primeira autora de um deles.

Abordam temas como os locais da Terra que são usados pelos investigadores como análogos de planetas do Sistema Solar, uma introdução à astrobiologia e os estudos da Estação Espacial Internacional.

Mas o artigo de que a investigadora mais gosta – “tenho um gostinho especial”, confessa ao Expresso – foi publicado na revista “Nature Geoscience” em 2013 e teve um grande sucesso entre a comunidade científica. Apresenta os resultados do estudo do impacto de um cometa contra a superfície de um planeta e mostra que esse impacto vai gerar um dos blocos fundamentais para a vida: os aminoácidos. “Sou a primeira autora deste artigo e o estudo demorou quatro anos até conseguirmos resultados”, conta Zita Martins. “Mas aumentou o número de locais do nosso Sistema Solar onde aquele fenómeno pode acontecer e os mecanismos da formação dos blocos essenciais para a vida”.

Qual é o seu grande sonho? “Há coisas óbvias, do senso comum, como descobrir vida extraterrestre, mas na verdade o meu sonho é fazer parte de uma missão espacial que vá até ao fim e que tenha sucesso, resultados, porque participei em várias missões que ficaram pelo caminho, o que é típico nesta área, devido a cortes no financiamento ou a mudança de políticas públicas”.

É quase sempre a mais nova nas equipas internacionais e painéis de cientistas em que tem participado. “E sou sempre a perita que analisa moléculas orgânicas e a detecção de vida”. Faz parte de vários painéis de aconselhamento da Agência Espacial Europeia e quando estava a acabar o doutoramento na Universidade de Leiden já recebia ofertas de emprego da NASA, que recusou. “Desde muito nova fui sempre puxada para equipas de investigação, o que é sinal de que me consideram a perita internacional nesta área”, afirma Zita Martins com orgulho. “Tenho resultados muito bons

e as pessoas confiam neles, há um selo da qualidade, porque são 15 anos a publicar grandes artigos”.

MSN notícias
08/12/2017
Virgílio Azevedo

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