2166: Asteróide do tamanho de um campo de futebol pode atingir a Terra em Setembro

CIÊNCIA

(dr) Detlev van Ravenswaay

Em Setembro, a Terra tem uma probabilidade de 1 em 7.000 de ser visitada pelo asteróide 2006 QV89. Aliás, há menos probabilidade de ganhar a lotaria do que sermos atingidos pelo objecto celeste – 1 em 100.000.

De acordo com a lista de objectos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) que poderia colidir com a Terra, a rocha espacial deve visitar-nos em 9 de Setembro de 2019. A lista actualizada em 6 de Junho e, entre os 10 objectos incluídos, o asteróide 2006 QV89 ficou em quarto lugar.

Comparado com o asteróide de dez quilómetros que aniquilou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, o 2006 QV89 é muito menor, medindo apenas 40 metros de diâmetro. Apesar disso, este asteróide tem o tamanho de um campo de futebol.

A ESA está actualmente a monitorizar o caminho do asteróide, embora ainda seja improvável que a rocha vá realmente atingir a Terra. De acordo com o modelo da agência, o 2006 QV89 está provavelmente a 6,7 ​​milhões de quilómetros do planeta – a Lua está a 384.400 quilómetros de distância.

Este asteróide foi descoberto em 29 de Agosto de 2006 através do Catalina Sky Survey, uma organização sediada num observatório perto de Tucson, no Arizona, quando estava a três mil milhões de quilómetros do nosso planeta. Na realidade, este asteróide até é um visitante frequente da Terra. Após o seu sobrevoo previsto para 2019, espera-se que o objecto volte a passar pelo Planeta Azul em 2032, 2045 e 2062.

A NASA, que rastreia objectos próximos da Terra, emparelhou-se com a ESA no mês passado para publicar informações sobre como o governo e os cientistas deveriam lidar com um ataque real de asteróides.

Um estudo publicado em Março na revista Icarus descobriu que quanto maior o asteróide, mais difícil será explodi-lo. De acordo com um relatório de 2018, há mais de 18 mil objectos próximos da Terra – ou Near Earth Objects (NEO).

Casos de colisão de asteróides com a Terra são raros, mas é conhecido o incidente do ano 1908, o Evento de Tunguska, quando a queda de um meteorito na Rússia provocou uma grande explosão e destruiu 2.000 quilómetros quadrados de floresta.

No ano de 2013, um asteróide destruiu-se, entrando na atmosfera da Terra e os estilhaços do meteorito que caíram provocaram cerca de 2.000 feridos e causaram vários danos na região russa de Chelyabinsk.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

2158: Localizada na Escócia a cratera da maior colisão de meteorito da história

CIÊNCIA

Universidade de Oxford

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford detectou evidências da existência de uma cratera de 20 quilómetros de diâmetro gerada pelo impacto de um asteróide de um quilometro de comprimento.

A descoberta, que foi publicada no Journal of the Geological Society, foi produzida pelo exame de rochas localizadas na costa norte da Escócia, mas não permitiu localizar a posição exacta da cratera.

“O material libertado após o impacto de um meteorito gigante raramente é preservado na superfície, porque sofre erosão muito rapidamente”, disse Ken Amor, director da investigação, em comunicado. “Este é um achado realmente empolgante.”

Especialistas concluíram que um meteorito atingiu a Terra há 1.200 milhões de anos numa faixa de terra que agora está na Escócia, mas que, naquela época, era uma área árida perto do Equador. Naquela época, a vida na Terra estava confinada aos oceanos.

“Teve de ser um espectáculo considerável ver este grande meteoro a atingir uma paisagem estéril, libertando poeira e detritos de rocha numa grande área”, disse Amon. Neste momento, a superfície poderia ter sido semelhante à que Marte teve no passado, quando foi coberta por oceanos de água líquida, segundo os cientistas.

Investigadores  localizaram a posição da cratera a 15 ou 20 quilómetros de uma região próxima à costa escocesa, sob rochas jovens e água da bacia de Minch. “O próximo passo será realizar uma pesquisa geofísica em profundidade nessa área”, disse Amon.

Os cientistas descobriram os primeiros traços dessa colisão em 2008, quando detectaram traços de irídio, um elemento químico encontrado em meteoritos em altas concentrações. Até então, este irídio estava localizado numa camada de rochas localizada ao norte de Ullapool, uma cidade na região norte da Escócia.

Inicialmente, concluiu-se que as rochas provinham de uma erupção vulcânica, mas análises subsequentes revelaram a origem extraterrestre desses materiais. “Temos sido muito sortudo por podermos estudar estas pedras, porque podemos dizer muito sobre como a superfície de planetas, como Marte, é modificado pelos impactos de grandes meteoritos”, disse John Parnell.

Neste caso, os dados recolhidos no campo permitiram-lhes localizar a direcção de onde veio a meteoritos e, por conseguinte, localizar a área onde a cratera presumivelmente será encontrada.

Estima-se que os impactos com objectos de cerca de um quilómetro ocorram com uma frequência de um por 100.000 a um milhão de anos. Essa imprecisão em saber a sua frequência deve-se, precisamente, ao escasso registo de crateras de impacto. A maioria desaparece devido à erosão, dos movimentos das placas tectónicas ou acabam enterrados.

ZAP //

Por ZAP
11 Junho, 2019

2141: This Asteroid Has a 1-in-7,000 Chance of Hitting Earth This Fall

Credit: Shutterstock

This fall, Earth has about a 1-in-7,000 chance of getting an uninvited extraterrestrial visitor: asteroid 2006 QV89.

The space rock is expected to whiz by our planet on Sept. 9, 2019, according to European Space Agency’s (ESA) list of space objects that could collide with Earth. That list was updated online June 6. Out of 10 objects on the list, 2006 QV89 ranked fourth.

Compared to the 6-mile-long (10 kilometers) asteroid that killed the nonavian dinosaurs about 66 million years ago, 2006 QV89 is pretty dinky, measuring just 130 feet (40 meters) in diameter, or about the length of two bowling alleys placed end to end. [Images: Russian Meteor Explosion]

The ESA is monitoring the asteroid’s route, but the space rock is unlikely to careen into Earth. According to the ESA’s modeling, 2006 QV89 will likely get as close as about 4.2 million miles (6.7 million km) to the planet. To put that in perspective, the moon is 238,900 miles (384,400 km) away.

That said, there is a 1-in-7,299 chance that 2006 QV89 will hit the planet, the ESA said.

As its name suggests, asteroid 2006 QV89 was discovered on Aug. 29, 2006; it was spotted by the Catalina Sky Survey, an organization based at an observatory near Tucson, Arizona. The asteroid is actually quite a frequent visitor to our planet. After its 2019 flyby, the object is expected to swoop by Earth in 2032, 2045 and 2062, the ESA reported.

NASA, which also tracks near-Earth objects, paired up with the ESA last month to live-tweet information about how the government and scientists should handle an actual asteroid strike. However, fans of the movie “Armageddon” should forget about blowing up big asteroids with bombs. A study that came out in March in the journal Icarus found that the larger the asteroid, the harder it will be to blow up.

Originally published on Live Science.
By Laura Geggel, Associate Editor

2114: Raro asteróide duplo foi fotografado enquanto passava perto da Terra

CIÊNCIA

ESO / M. Kornmesser

O Very Large Telescope (VLT), localizado no Chile, conseguiu captar fotografias detalhadas do asteróide 1999 KW4, que passou perto da Terra este fim de semana a uma velocidade de 70 mil quilómetros por hora.

“Estes dados, combinados com todos os outros obtidos pelos vários telescópios da campanha IAWN, serão essenciais para avaliar estratégias eficazes de deflexão [de asteróide], na eventualidade de encontrarmos um asteróide em rota de colisão com a Terra”, disse o astrónomo Olivier Hainaut do Observatório Europeu do Sul (ESO), que publicou as primeiras fotografias do corpo celeste.

Nas últimas décadas, vários cientistas de todo o mundo têm estudado de forma activa os asteróides que orbitam perto da Terra, tentando catalogar quais destes corpos celestes é que são perigoso para a Terra. Segundo as estimativas actuais da NASA, o número de pequenos objectos na cintura principal de asteróides pode atingir um milhão. Destes, conhecemos apenas alguns milhares.

No passado fim de semanas, as astrónomos aproveitaram uma oportunidade única para enriquecer o catálogo destes corpos, observando um raro asteróide duplo que se aproximou da Terra. O corpo passou a 5,2 milhões de quilómetros do nosso planeta, ou seja, a uma distância 13 vezes maior do que a distância da Terra à Lua.

O 1999 KW4 pertence ao grupo dos asteróides Aton, um grupo próximo da Terra que orbita perto do Sol. Estes asteróides atravessam a órbita da Terra quando estão à distância máxima do Sol. Por este motivo, o corpo foi classificado como potencialmente perigoso.

Este grupo de asteróide chama à atenção dos especialistas por várias razões, mas sobretudo porque tem um diâmetro de cerca de 1,3 quilómetros e a sua própria “lua” de 350 metros. Além disso, possuiu formas e órbitas extraordinárias.

Em comunicado, o ESO frisa que as novas imagens e os novos dados científicos recolhidos pelo VLT e por vários outros telescópios podem ajustar a definir as características do corpo celeste. De acordo com os cientistas, o 1999 KW4 é semelhante com um outro asteróide mais perigoso, o Didim, que está também na “mira” dos cientistas.

Os cientistas esperam que os dados agora recolhidos possam ajudar a esclarecer a probabilidade real de, no futuro, se conseguir alterar a trajectória de um asteróide.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
4 Junho, 2019



2067: NASA convida público a ajudar a escolher o local de recolha de amostras da OSIRIS-REx

Esta imagem mostra a superfície do asteróide Bennu numa região perto do equador. Foi obtida pela PolyCam a bordo da sonda OSIRIS-REx no dia 21 de Março a uma distância de 3,5 km. O campo de visão mede 48,3 metros. Para efeitos de escala, a rocha clara no canto superior esquerdo da imagem tem 7,4 m de comprimento.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

A missão OSIRIS-REx da NASA, actualmente em órbita do asteróide Bennu, precisa de mais pares de olhos para ajudar a escolher o local de recolha de amostras – e para procurar qualquer outra coisa que possa ser cientificamente interessante.

A sonda OSIRIS-REx encontra-se em Bennu desde 3 de Dezembro de 2018, mapeando detalhadamente o asteróide, enquanto a equipa da missão procura um local de recolha de amostras seguro, propício à colecta de amostras e digno de estudo mais detalhado. Um dos maiores desafios deste esforço, que a equipa descobriu logo após chegar ao asteróide há cinco meses atrás, é que Bennu tem uma superfície extremamente rochosa e cada pedregulho representa um perigo para a segurança da nave. Para agilizar o processo de selecção de amostras, a equipa está a solicitar a cidadãos, cientistas voluntários, que desenvolvam um mapa de risco contando pedregulhos.

“Pela segurança da sonda, a equipa da missão precisa de um catálogo abrangente de todos os pedregulhos próximos dos potenciais locais de recolha de amostras, e convido os membros do público a ajudar a equipa da missão OSIRIS-REx a realizar esta tarefa essencial,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade do Arizona, em Tucson, EUA.

Para este esforço, a NASA fez parceria com o CosmoQuest, um projecto do PSI (Planetary Science Institute) que apoia iniciativas de ciência cidadã. Os voluntários realizarão as mesmas tarefas que os cientistas planetários – medindo as rochas de Benu e mapeando os seus pedregulhos e crateras – através da utilização de uma simples interface web. Também vão marcar outras características cientificamente interessantes no asteróide para futuras investigações.

O trabalho de mapeamento de rochas envolve um alto grau de precisão, mas não é difícil. A aplicação de mapeamento do CosmoQuest requer um computador, um monitor e um rato capaz de fazer marcas precisas. Para ajudar os voluntários a começar, a equipa do CosmoQuest fornece um tutorial interactivo, bem como assistência adicional ao utilizador por meio de uma comunidade Discord e sessões de “livestreaming” no site Twitch.

“Estamos muito satisfeitos e empolgados por disponibilizar as imagens da OSIRIS-REx para este importante empreendimento de ciência cidadã,” disse Rich Burns, gerente do projecto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA. “Bennu surpreendeu-nos com uma abundância de pedregulhos. Pedimos a ajuda dos cientistas cidadãos para avaliar este terreno acidentado, para que possamos manter a nossa nave em segurança durante as operações de recolha de amostras.”

A recolha de amostras não é algo novo para a NASA – este ano, a agência espacial comemora o 50.º aniversário das missões Apolo à Lua, que permitiram com que os astronautas trouxessem 382 kg de amostras de rochas e solo lunar. Essas amostras ajudaram os cientistas a descobrir que a Lua tem água nas rochas e até permanentemente gelada nas crateras. Estes achados, e outros, inspiraram a agência a criar o programa Artemis para fazer regressar humanos à Lua até 2024 e a começar a preparar a exploração humana de Marte.

“A missão OSIRIS-REx vai continuar o legado da Apolo dando aos cientistas amostras preciosas de um asteróide,” disse Lori Glaze, directora da Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA em Washington. “Estas amostras vão ajudar os cientistas a descobrir os segredos da formação planetária e as origens do nosso planeta Terra.”

A campanha de mapeamento de Bennu continua até 10 de Julho, quando a missão inicia o processo de selecção do local de recolha de amostras. Assim que os locais primários e secundários sejam seleccionados, a nave começará um reconhecimento mais próximo para mapear os dois locais a uma resolução inferior a um centímetro. A manobra de amostragem TAG (Touch-and-Go) está programada para Julho de 2020, e a sonda regressará à Terra com a sua carga em Setembro de 2023.

Para juntar-se como voluntário à iniciativa de mapeamento de Bennu, visite:

http://bennu.cosmoquest.org/

Astronomia On-line
28 de Maio de 2019


2043: Asteróide gigante com lua própria vai passar muito próximo da Terra este sábado

Um asteróide com sua própria “lua” potencialmente perigoso passará este sábado no ponto mais próximo em relação ao nosso planeta pela primeira vez desde que foi descoberto em 1999.

Segundo o portal Cnet, trata-se de um sistema binário composto por dois asteróides – o maior tem 1,5 quilómetros de diâmetro e é orbitado por um satélite com 0,5 quilómetros. O sistema é conhecido pela Ciência como (66391) 1999 KW4.

Quando chegar ao seu ponto mais próximo da Terra, o corpo celeste passará para 13,5 das distâncias lunares do nosso planeta, isto é, para 5.182.015 quilómetros, com uma velocidade de 77.446 quilómetros por hora. Também atingirá o seu nível máximo de luminosidade, estimada em magnitude 12,5.

Quando isso acontecer, o objecto será observado por dezenas de telescópios que colaboram com a Rede Internacional de Alerta de Asteróides (IAWN), utilizando as mais variadas técnicas de observação e comprimentos de onda, detalha a Agência Espacial Europeia (ESA).

Dessa maneira, os astrónomos terão a oportunidade de testar a capacidade dos seus respectivos observatórios de recolher uma grande quantidade de informações sobre potenciais corpos celestes que no futuro possam aproximar-se inesperadamente de distâncias perigosas da Terra.

A ESA publicou uma animação do (66391) 1999 KW4 com base em imagens do asteróide obtido a 9 de maio por um observatório localizado na Ilha da Reunião no Oceano Índico.

O Observatório de Las Cumbres descreve o asteróide principal no sistema como “ligeiramente achatado nos pólos e com uma crista montanhosa em redor do equador, que percorre todo o asteróide. Essa crista dá ao primário uma aparência semelhante a uma noz.”

O asteróide 1999 KW4 foi descoberto em 1999 pelo LINEAR, que procurava asteróides próximos à Terra, e é considerado um dos maiores asteróides a orbitar o nosso planeta.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2019


2031: As primeiras descobertas de asteróides do Gaia

As primeiras descobertas de asteróides do Gaia.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC

Enquanto explora o céu para cartografar um milhar de milhão de estrelas na nossa galáxia, a Via Láctea, o satélite Gaia da ESA é também sensível a corpos celestes mais próximos de casa e observa, regularmente, asteróides no nosso Sistema Solar. Esta imagem mostra as órbitas de mais de 14 mil asteróides conhecidos (com o Sol no centro da imagem) com base nas informações da segunda publicação de dados de Gaia, a qual foi divulgada em 2018.

A maioria dos asteróides retratados nesta imagem, mostrados em tons vermelho vivo e laranja, são asteróides da cintura principal, localizados entre as órbitas de Marte e Júpiter; asteróides troianos, encontrados ao redor da órbita de Júpiter, são mostrados em tons vermelho escuro.

A amarelo, em direcção ao centro da imagem, estão as órbitas de várias dezenas de asteróides próximos da Terra observados pelo Gaia: são asteróides que chegam a cerca de 1,3 unidades astronómicas (AU) ao Sol, na aproximação mais adjacente ao longo da sua órbita. A Terra orbita o Sol a uma distância de 1 UA (cerca de 150 milhões de km), de modo que os asteróides próximos da Terra têm o potencial de se aproximar do nosso planeta.

A maioria dos asteróides que o Gaia detecta já são conhecidos, mas os dados adicionais recolhidos fornecem informações importantes para melhor determinar as suas órbitas e propriedades físicas, como composição e período de rotação.

De vez em quando, porém, os asteróides observados pelo Gaia não correspondem a nenhuma observação existente. Este é o caso das três órbitas mostradas em tom cinza nesta imagem: estas são as primeiras descobertas de asteróides de Gaia.

Os três novos asteróides foram descobertos pela primeira vez pelo Gaia em Dezembro de 2018, e, posteriormente, confirmados por observações de acompanhamento realizadas com o Observatório de Haute-Provence, na França. A comparação destes dados com as observações existentes indicou que os objectos não haviam sido detectados anteriormente. Enquanto estes fazem parte da cintura principal de asteróides, todos circundam o Sol em órbitas que têm uma inclinação maior, (15 graus ou mais) em relação ao plano orbital dos planetas, do que a maioria dos asteróides da cintura principal.

A população de tais asteróides de alta inclinação não está tão bem estudada quanto aqueles com órbitas menos inclinadas, já que a maioria das pesquisas tende a concentrar-se no plano onde reside a maioria dos asteróides. Mas o Gaia pode observá-los prontamente enquanto explora o céu inteiro a partir do seu ponto de vista no espaço, de modo que é possível que o satélite encontre mais objectos no futuro e contribua com novas informações para estudar as suas propriedades.

Juntamente com o extenso processamento e análise dos dados do Gaia, em preparação para os próximos lançamentos de dados, as informações preliminares sobre as detecções de asteróides do Gaia são partilhadas regularmente através de um sistema de alerta on-line para que os astrónomos possam realizar observações complementares. Para observar estes asteróides é necessário um telescópio de 1 m ou maior.

Assim que um asteróide detectado pelo Gaia seja também identificado em observações terrestres, os cientistas encarregados do sistema de alerta analisam os dados para determinar a órbita do objecto. Caso as observações terrestres coincidam com a órbita com base nos dados de Gaia, fornecem as informações para o Minor Planet Center, que é a organização mundial oficial que recolhe dados observacionais para corpos pequenos do Sistema Solar, como asteróides e cometas.

Este processo pode levar a novas descobertas, como os três asteroides com órbitas representadas nesta imagem, ou a melhorias na determinação das órbitas de asteróides conhecidos, que às vezes são muito pouco conhecidas. Até agora, várias dezenas de asteróides detectados pelo Gaia foram observados a partir do solo em resposta ao sistema de alerta, todos pertencem à cintura principal, mas é possível que também os asteróides próximos da Terra sejam observados no futuro.

Vários observatórios por todo o mundo já se encontram envolvidos nestas actividades, incluindo o Observatório de Haute-Provence, a estação Kyiv Comet, Odessa-Mayaki, Terskol, C2PU no Observatório da Côte d’Azur e a Rede Global de Telescópios do Observatório Las Cumbres. Quantos mais se juntarem, mais aprenderemos sobre asteróides – novos e já conhecidos.

Astronomia On-line
21 de Maio de 2019

2021: O Ultima Thule é uma cápsula do tempo

News Horizonts / NASA

Os dados recolhidos pela missão da NASA New Horizons permitiu aos cientistas publicar os resultados iniciais da sua exploração do 2014 MU69 – conhecido como Ultima Thule.

O asteróide é um objecto que está localizado na periferia do Sistema Solar, numa região conhecida como Cinturão de Kuiper e que nunca tinha sido explorada até agora.

Num artigo publicado na revista Science, os cientistas, liderados por Alan Stern, investigador do Southweast Research Institute no Texas, EUA, confirmaram que Ultima Thule é uma relíquia que se manteve inalterada desde o nascimento do Sistema Solar, há 4.500 milhões de de anos. Além disso, publicaram numerosas informações relacionadas com a composição, forma e origem do corpo.

“Esta foi a primeira vez que a humanidade observou um objecto tão pequeno neste lugar tão distante do Sistema Solar”, disse Kelsi Singer, investigador da missão New Horizons, à ABC. “Este objecto é um sobrevivente das origens do Sistema Solar, o que não aconteceu muito desde a formação. Portanto, dá importantes revelações sobre como o Sistema Solar foi formado, que não podemos obter de nenhuma outra forma”.

O interesse fundamental deste corpo é o facto de ser um fóssil que explica o que aconteceu no Sistema Solar há 4.500 milhões de anos, quando os mundos rochosos, como a Terra, se formaram. O Ultima Thule pertence a uma categoria conhecida como o Objecto Frio Clássico do Cinturão de Kuiper, que agrupa os objectos que permaneceram inalterados desde o nascimento do Sistema Solar e que estão até a salvo do aquecimento solar.

O asteróide está localizado dentro de um vasto anel povoado por planetas anões e por um imenso enxame de pequenos corpos, incluindo cometas, cobertos por compostos voláteis congelados. Graças às baixas temperaturas, o MU69 é um fóssil real que esconde importantes pistas sobre as nossas origens.

Ultima Thule é um “binário de contacto”, um corpo com a forma de um boneco de neve, criado quando dois blocos menores colidiam a uma velocidade muito baixa. Mede cerca de 35 quilómetros e estava a uma distância aproximada de 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra quando a sonda New Horizons o visitou.

Os cientistas concluíram que o MU69 foi formado depois de os dois lóbulos, que se originaram próximos uns dos outros, orbitaram um ao redor do outro até se unirem. As análises revelaram que os lóbulos são esmagados e que cada um deles foi formado a partir da adição ou união de numerosas unidades.

Em geral, Ultima Thule é um corpo vermelho-escuro, mas foi detectado que existem superfícies mais claras no pescoço, localizadas entre os lóbulos e em vários lugares dentro de duas crateras. Essa coloração responde à presença de resíduos de gelo e moléculas orgânicas processadas pela luz ultravioleta e pelos raios cósmicos. Entre estes, poderia haver água e metanol.

A superfície do Ultima Thule está relativamente intacta. A falta de crateras levou à conclusão de que a região do cinturão de Kuiper é habitada por menos corpos pequenos, com menos de um quilómetro de comprimento, levando a mudar muitas suposições sobre esta parte do sistema solar. Não foram encontrados vestígios de satélites, anéis ou atmosfera residual.

As conclusões foram obtidas depois de analisar apenas 10% de todos os dados recolhidos pela missão. Segundo Singer, “esta é apenas a ponta do icebergue”. A sonda New Horizons tentará encontrar outro objecto do cinturão de Kuiper para estudar mais tarde, embora não se saiba se haverá possibilidade. Espera-se que os próximos telescópios terrestres gigantes possam observar mais objectos neste lugar.

Em menos de cinco anos, a missão New Horizons revolucionou a nossa compreensão do Sistema Solar, tendo feito revelações impressionantes sobre a geologia e a natureza de Plutão e Caronte.  “Ambas são peças do quebra-cabeça que nos permitirão entender todos os processos que podem ocorrer no sistema solar”, explicou Kelsi Singer. “Seria difícil seleccionar o mais importante. Todos eles são novos e fascinantes”.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019



1986: 2022 é o ano. NASA prepara-se para desviar o primeiro asteróide

CIÊNCIA

lwpkommunikacio / Flickr

A NASA terá a oportunidade de testar a sua primeira missão de defesa planetária, o Teste de Direccionamento de Asteróides Duplos (DART), ao desviar uma pequena lua para o sistema binário de asteróides Didymos.

De acordo com a agência espacial norte-americana, que avança com a informação no seu site oficial, o asteróide não representa perigo para a Terra e é o alvo ideal para levar a cabo um teste, já que é mais fácil medir as alterações na órbita que um pequeno asteróide realiza em torno de um maior (sistema binário) do que medir as mudanças na órbita de um único asteróide que viaje em torno do Sol.

Actualmente, os cientistas da NASA estão a preparar-se para o lançamento no Laboratório de Física Aplicada de Johns Hopkins, em Maryland, bem como em vários outros pontos dos Estados Unidos. O início da missão está agendado para o verão de 2021.

Contudo, e para levar a nave espacial DART até ao pretendido – um asteróide binário que consiste numa pequena lua (Didymos B) que orbita um corpo maior (Didymos A) – os cientistas devem primeiro entender como se comporta o sistema.

Vários cientistas têm reunidos esforços para observar Didymos a partir da Terra desde 2015. Afora, uma campanha internacional coordenada por  Cristina Thomas, da Universidade do Norte do Arizona, líder da tasks-force de observação do DART, está a fazer observações críticas recorrendo poderosos telescópios espalhados por todo o mundo para melhor entender o sistema de asteróides antes que a nave o alcance.

“O sistema de Didymos é muito pequeno e muito distante para ser visto como algo mais do que um ponto de luz, mas podemos obter os dados de que precisamos ao medir o brilho daquele ponto de luz, que muda à medida que Didymos A gira e Didymos B o orbita”, explicou Andy Rivkin, que também coordena o projecto DART.

Estas mudanças no brilho indicam o momento em que Didymos B passa à frente de Didymos A, ou então o momento em que se esconde atrás do corpo maior. As observações ajudarão os cientistas a determinar com maior precisão a localização dos dois corpos celeste e a detalhar o momento exacto do impacto da nave DART para maximizar o desvio.

Apesar de fundamentais, as observações dos telescópios são ainda insuficiente para compreender a estrutura e a composição do sistema binário – dois factores determinantes para perceber as reais consequências que o impacto terá quer na nave, quer no alvo.

Cientes das informações em falta, os cientistas estão a realizar uma série de simulações computorizadas para adequar as expectativas da NASA à missão. Embora grande parte do trabalho no DART tenha sido modelado e simulado, muitas partes da nave espacial começaram já a tomar forma.

ZAP //

Por ZAP
15 Maio, 2019


 

1957: Asteróide pode mergulhar a Terra num inverno cósmico

(dr) Detlev van Ravenswaay

A NASA alertou para a possibilidade de um futuro asteróide causar um “inverno cósmico” ao cair na Terra. O aviso da agência espacial norte-americana surge na sequência de um novo documentário científico sobre estas rochas espaciais.

Os asteróide são pequenos corpos rochosos que, por norma, se localizam no interior do Sistema Solar a orbitar o Sol. Existem milhões destes corpos a “voar” livremente pelo Espaço, e as suas colisões – conhecidas como eventos de impacto – desempenharam um papel importante na formação de muitos planetas.

No caso de uma colisão com a Terra, o impacto pode ter efeitos devastadores para Homem e para o próprio planeta. Vários cientistas acreditam, por exemplo, que terá sido um asteróide a extinguir os dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos.

O novo documentário espacial da norte-americana Spacefiles aborda uma teoria que sustenta que, caso a Terra seja atingida por um asteróide, pode repetir-se o cenário que terá ocorrido aquando a extinção dos dinossauros.

O cinturão de asteróides possuiu uma vasta quantidade de potenciais projécteis – e o responsável pelo “inverno cósmico” pode mesmo partir daqui, de acordo com o documentário. Ocasionalmente, ocorrem colisões entre asteróides no cinturão e, na sequência dos impactos, alguns fragmentos podem ser ejectados para órbitas que, por sua vez, podem levar fragmentos para perto de Marte.

Já próximos do Planeta Vermelho, os asteróides poderia tomar um novo caminho de ligação com a órbita terrestre – corpos rochosos já colidiram com a Terra desta forma.

Há 60 milhões de anos, um asteróide terá atingido a Península de Yucatan, no México, dando origem a um inverno cósmico e uma extinção massiva.

O inverno cósmico, que o documentário argumenta que pode ocorrer na Terra, significa que o impacto do corpo rochoso poderia eliminar todas as formas de vida, fazendo o planeta mergulhar num ambiente de frio e escuridão, noticia o Daily Express.

O programa refere mesmo que um asteróide de pequenas dimensões poderia implicar consequências desastrosas. Quando os céus se limparam, aponta o programa, dois terços de todas as espécies terão desaparecido da Terra, incluindo os dinossauros. A cratera teria 200 quilómetros de diâmetro e asteróide 15 quilómetros de diâmetro, no máximo.

A NASA tem reunido esforços para traçar um plano de defesa planetária caso um asteróide venha a impactar com a Terra. A agência espacial, que no fim de Abril levou a cabo mais uma série de exercícios e simulações, que estar melhor preparada e saber o que fazer.

Gostaríamos de estar preparados. Enquanto a Terra está a salvo de todos os asteróides conhecidos, esta semana [fim de Abril] estamos a reunir os nosso parceiros para praticar o que teremos que fazer numa situação diferente”, afirmou a NASA.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
11 Maio, 2019

 

1947: Asteróide destruiu a cidade de Nova Iorque numa simulação

CIÊNCIA

Andrew Rowe / Flickr

Na semana passada, a NASA e várias agências federais, juntamente com várias organizações internacionais, planearam um exercício que pode, no futuro, salvar milhões de vidas: simularam o que aconteceria se um asteróide fosse descoberto em rota de colisão com a Terra.

O exercício, parte da Conferência de Defesa Planetária, permite que os investigadores resolvam os desafios científicos, técnicos e políticos que terão que ser superados para proteger com sucesso o nosso planeta do impacto de um asteróide.

A simulação condensa oito anos de ficção em cinco dias. Graças a observações terrestres, descobriu-se que o asteróide fictício 2019 PDC tem uma probabilidade de 1 em 100 de atingir a Terra. No Dia 2, calcula-se que o risco é agora de 1 em 10 e provavelmente atingirá Denver, Colorado, em 29 de Abril de 2027.

As fases de planeamento das missões de reconhecimento e de defesa aumentam um pouco. No dia 3, no final de Dezembro de 2021, a primeira nave de reconhecimento chegou ao asteróide. Na missão de deflexão, várias naves devem entrar no asteróide em Agosto de 2024 para retirá-lo da órbita.

O dia 4 começou alguns dias depois da deflexão e trouxe boas notícias e algumas más. O corpo principal do asteróide foi desviado com sucesso, mas um fragmento com entre 50 e 80 metros de tamanho ainda estava em rota de colisão com a Terra – mais especificamente a cidade de Nova Iorque. Além disso, os detritos libertados pelo impacto destruíram a nave de reconhecimento, tornando muito mais difícil saber o que estava a acontecer.

“Precisamos nos desafiar e fazer as perguntas difíceis. Não se aprende nada se não se estudar o pior caso possível a cada dia”, explicou Paul Chodas, director do Centro de Estudos de Objectos da Terra no JPL da NASA, e criador do cenário, em comunicado.

Tendo ficado sem opções, a equipa reformulou a opção nuclear que foi discutida no segundo dia, mas foi arquivada devido a controvérsias e riscos generalizados. Os investigadores analisaram o envio de um dispositivo nuclear de 300 quilotonatos para explodir a menos de 145 metros do fragmento de asteróide, o que poderia desviá-lo ou fragmentá-lo, mostraram os cálculos.

Mas mesmo com a confiança nos números – a mesma estratégia conseguiu salvar Tóquio na simulação do ano passado – a missão não pôde ser implementada devido a divergências políticas e o asteróide não pôde ser parado. Tudo o que restava era preparar Nova Iorque para o impacto.

O dia 5 começou apenas 10 dias antes do impacto. O asteróide entraria na atmosfera a 19 quilómetros por segundo e libertaria o equivalente a 5-20 megatons de energia na explosão. Explodiria a cerca de 15 quilómetros acima do Central Park, destruindo a cidade e criando um raio “não-seguro” de 15 quilómetros.

Nesse cenário, é o trabalho da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) de evacuar e realojar dez milhões de pessoas, os seus animais de estimação e pertences, proteger instalações nucleares e químicas na área e transferir obras de arte. O tom da conversa mudou do técnico e científico, para o sociológico, legal e político.

“Este exercício é valioso na medida em que continua o trabalho actualmente em andamento para identificar as principais questões para este cenário de baixa probabilidade, mas de altas consequências”, disse Leviticus Lewis, da FEMA.

Tóquio salvou-se no exercício do ano passado, mas outras vítimas fictícias de asteróides incluem a Riviera Francesa, Daca e Los Angeles. No entanto, a probabilidade de um asteróide impactar a Terra permanece altamente improvável e os exercícios são planeados para ser o pior caso dentro do campo de possibilidades. O próximo exercício acontecerá em Viena em 2021.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
9 Maio, 2019