3540: Borisov, segundo viajante interestelar partiu-se em dois e veio para “morrer”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Oumuamua e Borisov são os dois únicos objectos interestelares que foram “avistados” a passar pelo Sistema Solar. O primeiro foi descoberto a 19 de Outubro de 2017. Na altura, este enigmático asteróide foi mesmo alvo de especulação quando foi referido por alguns investigadores poder tratar-se de uma nave alienígena encalhada. Posteriormente, a 30 de Agosto de 2019, um astrónomo amador, Gennady Borisov, descobria aquele que era o segundo viajante vindo de muito longe.

Agora, os astrónomos estão quase certos de que o 2I/Borisov é um cometa e que se parece bastante com os cometas que temos no “nosso bairro cósmico”. No entanto, o corpo acaba de proporcionar uma surpresa: começou a dividir-se em dois. Como já foi previsto, é provável que tenha chegado até aqui para “morrer”.

Cometa “partiu-se” em dois no caminho da sua morte

As imagens do telescópio espacial Hubble do objecto interestelar mostram uma mudança distinta na aparência deste cometa único. Segundo os registos de 23 de Março, é perceptível um único núcleo com brilho interno, como se viu em todas as imagens Hubble anteriores do 2I/Borisov.

Contudo, foram nestas imagens que apareceu posteriormente uma novidade. No dia 30 de Março novas imagens deram conta que existem agora “dois componentes não resolvidos separados por 0,1 segundos de arco (180 quilómetros à distância do cometa) e alinhados com o eixo principal do maior ponto de detritos”. Ou seja, existem dois organismos distintos.

Imagem captada pelo Telescópio Hubble do cometa interestelar Borisov que é 14 vezes maior que a Terra

A dupla aparência, que indica a ejecção de um fragmento do núcleo, é confirmada nos dados de Hubble de 28 de Março. Estas imagens foram publicadas na sua conta do Twitter pelo utilizador Astropierre.

astropierre @astropierre

La comète 2I/Borisov, première comète détectée à provenir d’en-dehors du Système solaire et découverte l’année dernière, aurait commencé à se scinder en deux la semaine dernière.http://www.astronomerstelegram.org/?read=13611 

Borisov, o cometa que é 14 vezes maior que a Terra

Segundo vários cientistas do The Astronomer’s Telegram, se a ejecção ocorreu em 23 de Março, então a velocidade estimada do plano do céu é de 0,3 metros por segundo, um valor típico das velocidades de separação observadas em cometas divididos (sistema solar) e comparáveis à velocidade gravitacional de fuga do núcleo de raio de sub-quilómetro do 2I/Borisov.

A 12 de Março, já tinham sido registadas explosões no núcleo do cometa. Tal fenómeno seria causado pela abordagem de Borisov ao Sol. Portanto, esta tem sido uma possibilidade que os cientistas têm considerado desde a sua aproximação à nossa estrela em Dezembro.

O que está a acontecer com Borisov será possivelmente o que acontece a todos os cometas. Tendo em conta que são um corpo formado a partir de detritos espaciais congelados, ao passar perto de uma fonte de calor, a reacção é a da interacção desse calor com o seu gelo.

Pplware
05 Abr 2020
spacenews

 

 

3184: O “Asteróide do Apocalipse” está a cuspir rochas para o Espaço

CIÊNCIA

NASA / Goddard / University of Arizona

A sonda OSIRIS-REx da NASA chegou ao Bennu, o “Asteróide do Apocalipse”, em Dezembro de 2018 e, apenas uma semana depois, descobriu algo incomum: o asteróide estava a lançar partículas para o Espaço.

A câmara de navegação da sonda detectou as partículas, mas os cientistas pensaram inicialmente que eram apenas estrelas ao fundo. Após um exame mais minucioso, a equipa do OSIRIS-REx percebeu que eram partículas de rocha e ficou preocupada com a possibilidade de representar um risco.

Asteróides que estão a perder massa são chamados de “asteróides activos” e, às vezes, “cometas do cinturão principal”. Por vezes, de acordo com o Universe Today, deixam rastos transitórios de poeira e detritos que se parecem com a cauda de um cometa.

Quando este tipo de asteróides foi observado pela primeira vez, os astrónomos pensaram que o rasto era feito de gelo derretido, como a cauda de um cometa. No entanto, agora sabemos que existem vários mecanismos que podem fazer com que um asteróide seja activo.

Os astrónomos não encontraram muitos asteróides activos – e a maioria deles está a perder tanto material que é visível nos telescópios. A maioria dos asteróides é estável e, de facto, Bennu parecia ser um asteróide inactivo em observações da Terra.

“Entre as surpresas de Bennu, as ejecção de partículas despertaram a nossa curiosidade e passámos os últimos meses a investigar esse mistério”, disse Dante Lauretta, investigador principal do OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, em Tucson, em comunicado. “Esta é uma grande oportunidade para expandir o nosso conhecimento sobre como os asteróides se comportam”.

Existem várias causas para asteróides activos como o Bennu. Sublimação de gelo, impactos, instabilidade rotacional, fracturas térmicas e repulsão electrostática são alguns deles. Num artigo publicado este mês na revista científica Science, Lauretta e outros cientistas apresentaram os resultados das suas observações sobre a perda de massa de Bennu.

O título do artigo – “Episódios de ejecção de partículas da superfície do asteróide activo (101955) Bennu” – deixa claro que as ejecções são episódicas e não contínuas. A equipa concentrou-se nos três maiores episódios de ejecção de partículas em 6 de Janeiro, 19 de Janeiro e 11 de Fevereiro.

O maior evento foi no dia 6 de Janeiro, quando o OSIRIS-REx viu cerca de 200 partículas a deixar Bennu. As partículas viajaram a cerca de três metros por segundo e variaram em tamanho, de menos de 2,5 a 10 centímetros.

Os três episódios ocorreu em locais diferentes da superfície do asteróide. Um ocorreu no hemisfério sul e dois perto do equador. Todos ocorreram a meio do dia e parece não haver nada de notável naqueles lugares.

Depois de serem expulsos do Bennu, as partículas faziam uma de duas coisas: orbitaram durante um breve período de vários dias antes de voltarem à superfície do asteróide ou foram lançadas para o Espaço.

A ejecção de partículas tem três causas possíveis: impactos de meteoróides, fractura por stress térmico ou libertação de vapor de água.

A vizinhança do Bennu é movimentada, com muitas pequenas rochas espaciais passando em redor. Uma possibilidade é que as rochas estivessem a atingir Bennu fora da vista do OSIRIS-REx.

A fractura térmica também pode explicar as partículas. O período rotacional de Bennu é de 4,3 horas e a temperatura da superfície do asteróide varia muito durante esse período. Os três principais eventos de ejecção de partículas ocorreram à tarde, quando a temperatura sobe de baixas nocturnas frias para altas diurnas. As variações de temperatura podem causar fracturas na rocha e ejecção de partículas.

Além disso, o Bennu tem argilas que contêm água. O aquecimento durante o dia pode fazer com que e se expanda, criando pressão ao tentar escapar. A pressão pode formar fendas na rocha, permitindo que as partículas escapem.

No verão de 2020, o OSIRIS-REx vai recolher uma amostra do Bennu e vai devolver-la à Terra até 2023. As partículas que foram ejectadas e que regressaram ao asteróide são suficientemente pequenas para serem colhidas durante a amostragem – é possível que algumas cheguem à Terra . Enquanto isso, o OSIRIS-REx estará no Bennu durante um longo tempo, estudando-o com o seu conjunto de instrumentos científicos.

ZAP //

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

spacenews

 

2538: Nem Asteróide do Apocalipse, nem Deus do Caos. Nenhum asteróide (conhecido) vai colidir com a Terra nos próximos 100 anos

forplayday / Canva

A NASA continua a afirmar que nenhum asteróide conhecido representa um risco significativo de impacto com a Terra nos próximos 100 anos.

Vários média noticiaram nos últimos dias a aproximação à Terra do asteróide 99942 Apophis, também conhecido como “Deus do Caos”.

Este corpo rochoso, que tem 340 metros de largura, “passará” pela Terra nos próximos 10 anos, de acordo com as estimativas dos cientistas, e ficará a 30.500 quilómetros de distância do nosso planeta, recorda a agência Europa Press.

O Apophis é um dos maiores asteróides a passar tão perto da Terra e uma eventual colisão poderia ser devastara para toda a vida na Terra.

O jornal britânico The Express escreveu que a NASA já iniciou os preparativos para a passagem do Apophis, dando conta que a agência norte-americana está também atenta a eventuais mudanças na sua trajectória e a futuros impactos com a Terra.

Contudo, a NASA desdramatiza a situação. Na sua página oficial, escreve que o maior risco de impacto para um asteróide conhecido (FD 2009) ocorrerá em 2185 e tem uma probabilidade de impacto de 1 em 714 – ou seja, uma possibilidade menor que 0,2%.

A tabela de risco que monitoriza riscos de impactos é da responsabilidade do NEO Study Center do Jet Propulsion Laboratory, sendo também continuamente actualizada à medida que novos asteróides são descobertos e que mais asteróides conhecidos são observados.

Um dos asteróide que a NASA estuda de perto é o Bennu, que tem uma possibilidade de impactar a Terra de 1 em 2.700 entre 2175 e 2195.

A nave espacial OSIRIS-REx completará uma investigação de 2 anos ao asteróide antes de extrair uma amostra de material da superfície do corpo rochoso para depois devolvê-la à Terra. O lugares para pousar no Bennu, também conhecido como Asteróide do Apocalipse, foram recentemente definidos.

Além de recolher uma amostra, OSIRIS-REx também estudará como é que a luz absorvida pelo Sol e re-irradiada pelo Bennu afecta a sua órbita e, consequentemente, como é que esta órbita se pode tornar mais perigosa para a Terra.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

(extra-notícia) Asteróide “Deus do Caos”

 

2472: A NASA já escolheu os lugares de pouso no “Asteróide do Apocalipse”

NASA’s Goddard Space Flight Center

Depois de mais de oito meses a explorar o asteróide Bennu, também conhecido como o “Asteróide do Apocalipse”, a NASA já escolheu quatro áreas na sua superfície onde a nave espacial da missão OSIRIS-REx irá pousar.

Os astrónomos da agência espacial norte-americana consideram que o Bennu, que se localiza entre a Terra e Marte, é o “o testemunho silencioso de eventos titânicos na história de 4,6 mil milhões de anos do Sistema Solar”.

O asteróide é uma rocha gigantesca com cerca de 500 metros de diâmetro e pesa cerca de 87 milhões de toneladas, sendo ainda um dos asteróide mais próximos da Terra.

Os especialistas da OSIRIS-REx escolheram quatro lugares na superfície do asteróide para explorar o corpo celeste em detalhe. Cada área recebeu o nome de uma espécie de ave encontrada no Egipto, uma vez que a União Astronómica Internacional decidiu que os nomes oficiais de partes deste asteróide devem referir-se a aves mitológicas.

Segundo revelou a equipa, a escolha das áreas para pousar a nave foi mais difícil do que se acreditava que iria ser. A superfície do asteróide Bennu é mais rochosa do que parecia à distância, informação que a NASA confirmou depois de ter obtido imagens do asteróide captadas pela nave espacial Osiris-Rex.

A nave espacial chegou perto do asteróide em Dezembro de 2018, entrado na órbita do Bennu no final desse mesmo ano. Desde então, a nave tem explorado a superfície do asteróide, criando um mapa pormenorizado do corpo celeste.

Graças a este mesmo mapa, os cientistas da NASA conseguiram agora escolher os lugares mais convenientes para o futuro pouso. Os astrónomos querem realizar as primeiras recolhas de amostras do solo do asteróide no segundo sementes de 2020.

O melhor lugar definido pelos especialista da agência foi uma cratera que contem uma substância semelhante a areia. Os cientistas esperam começar a estudar o material que irá ser recolhido em Setembro de 2023.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
19 Agosto, 2019

 

1854: NASA revela em detalhe superfície do “Asteróide do Apocalipse”

NASA / Goddard / Universidade do Arizona

A NASA divulgou novas imagens captadas pela sonda OSIRIS-REx a uma distância de apenas 4,8 quilómetros do “Asteróide do Apocalipse”.

A Sonda OSIRIS-REx, da agência espacial norte-americana, é responsável por estudar o asteróide Bennu, tendo sido lançada no final do ano passado com essa missão. O “asteróide do Apocalipse” tem um diâmetro de, aproximadamente, 493 metros e é considerado “potencialmente perigoso” para a Terra, de acordo com a NASA.

As fotografias capturadas pela câmara PolyCam, incorporada na sonda da NASA, mostram em detalhe a superfície do Bennu. Na primeira fotografia, é possível observar a maior rocha no hemisfério norte do asteróide, cujo ponto mais alto atinge os 23,5 metros.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

Here’s one of the largest boulders in Bennu’s northern hemisphere. It’s 77 feet tall – about a fourth of the length of a football field – and it looms over the other rocks in the region. 🦎

More details: https://bit.ly/2Idgzaq 

Numa outra imagem é possível observar uma área perto do equador do Bennu. Das duas grandes formações rochosas que se conseguem ver na fotografia, aquela que está na parte superior à direita tem 21 metros de comprimento, o equivalente a quatro lugares de estacionamento.

NASA’s OSIRIS-REx

@OSIRISREx

So we’re clear, that rock was like that when I got here …

This image from DS:BBD Flyby 1 shows the rocky surface of Bennu just south of the equator. That cracked rock is 69 ft long, about the length of 4 parallel parking spots.

More detail: https://bit.ly/2IpIKSG

Um grande número de rochas de maiores dimensões foi também detectado numa região do hemisfério sul de Bennu. “Este é um bom exemplo de alguns dos ângulos de visão oblíquos em que estamos a trabalhar para obter fotografias do Bennu”, escreveu a equipa no Twitter.

“As sombras neste ângulo dão uma sensação da altitude da rocha, e podemos ver mais detalhes da superfície a partir deste ângulo“, sublinham ainda.

A sonda OSIRIS-REx entrou na órbita de Bennu em Dezembro de 2018. A sonda foi lançada em Setembro de 2016, com o objectivo de trazer à Terra uma amostra dos materiais da superfície do asteróide para obter informações adicionais sobre as origens do Universo.

Uma vez em cada seis anos, o “Asteróide do Apocalipse” aproxima-se da Terra. Devido a esta aproximação, há uma alta possibilidade de Bennu impactar com a Terra no final do século XXII. O seu tamanho, composição primitiva e órbita potencialmente perigosa tornam-no num dos asteróides mais fascinantes e acessíveis para estudar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1754: Misteriosas ejecções no “Asteróide do Apocalipse” deixam cientistas da NASA perplexos

NASA / Goddard / University of Arizona
Asteróide Bennu

A sonda OSIRIS-REx da NASA, que se encontra em órbita do asteróide Bennu ou “Asteróide do Apocalipse”, revelou uma anomalia nunca antes vista.

Uma descoberta surpreendente está a colocar o Bennu, ou “Asteróide do Apocalipse”, novamente no centro das atenções. A sonda OSIRIS-REx da NASA observou este asteróide a lançar plumas de poeira que o envolvem numa neblina – um fenómeno nunca antes visto. Na prática, segundo os cientistas, trata-se da descoberta de inexplicáveis jactos de partículas que são ejectados a partir do próprio Bennu.

De acordo com a NASA, a impressionante nuvem de poeira foi observada pela primeira vez no dia 6 de Janeiro. Desde então, os especialistas da agência espacial norte-americana aumentaram a frequência das suas observações e detectaram pelo menos 11 dessas colunas de partículas nos últimos dois meses.

Curiosamente, embora a maior parte da poeira tenha sido expulsa da órbita de Bennu, ainda resta alguma a circular em torno do “Asteróide do Apocalipse” como se fossem pequenas luas. “A descoberta das plumas é uma das maiores surpresas da minha carreira científica”, disse o investigador Dante Lauretta, da Universidade do Arizona, nos EUA.

O objectivo da OSIRIS-REx é estudar a rocha para descobrir informações sobre o antigo Sistema Solar, uma vez que o asteróide Bennu se formou naquela época. Num passo ambicioso, a sonda vai tirar uma amostra do asteróide com a ajuda de um braço robótico, e trazê-lo de volta à Terra.

Até agora, as plumas observadas não foram oficialmente incluídas nos resultados já publicados sobre Bennu, que são detalhados numa série de artigos publicados esta semana na Nature Astronomy.

Apesar de alguns pedaços permaneceram na órbita do asteróide (talvez a caminho de se tornarem luas em miniatura), as plumas não representam um risco para a sonda da NASA. No entanto, além da suspeita de que os asteróides podem ser muito mais activos do que pensamos, isto é tudo o que se sabe sobre as misteriosas ejecções de poeira.

Os astrónomos já haviam detectado plumas no Cometa 67P. No entanto, esse fenómeno pode ter sido causado pelos gelos voláteis que sublimam em cavidades sob a superfície do cometa, fazendo com que essas cavidades se desmoronem e expilam a poeira.

Mas, ao contrário do 67P, o “Asteróide do Apocalipse” não contém gelo. Na verdade, não é impossível que o Bennu tenha gelo na sua superfície, mas a sua posição orbital é demasiado quente para que o gelo se consiga formar.

No entanto, entre outras descobertas, os cientistas do Southwest Research Institute descobriram minerais semelhantes a meteoritos, chamados condritos carbonosos, que são conhecidos por serem ricos em compostos voláteis e mostram evidências de interacções com água ou gelo.

Isto pode significar que o gelo era abundante no disco planetário durante o tempo da formação do Sistema Solar, ou seja, quando o Bennu “nasceu”.

Espera-se agora pela prenda preciosa que o braço robótico da OSIRIS-REx, que trará à Terra amostras que irão revelar muitos mais segredos sobre o asteróide. Ainda assim, as descobertas foram detalhadas recentemente numa edição especial da Nature Astronomy.

Até agora, estas descobertas levantaram mais questões do que respostas – a natureza destas colunas de partículas continua a ser um autêntico mistério.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
23 Março, 2019

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