2391: Asteróide “assassino de cidades” passou pela Terra (e ninguém deu por isso)

CIÊNCIA

(CC0/PD) CharlVera / pixabay

Investigadores do Royal Institution of Australia, uma organização científica australiana sem fins lucrativos, disseram que um asteróide com potencial para destruir cidades passou muito perto da Terra – e quase não o vimos.

O asteróide, baptizado de Asteróide 2019 OK, tinha cerca de 57 a 130 metros de largura e movia-se a grande velocidade a uma distância de aproximadamente 73.000 quilómetros da Terra – menos de um quinto da distância até à Lua.

“Deveria preocupar-nos a todos. Não é um filme de Hollywood. É um perigo claro e presente. Seria como uma arma nuclear muito grande“, esclareceu Alan Duffy, investigador do instituto australiano.

“É provavelmente o maior asteróide a passar tão perto da Terra em muitos anos”, disse Michael Brown, astrónomo e professor da Universidade Monash, ao The Post.

O asteróide foi detectado na semana passada por duas equipas de astronomia diferentes, uma no Brasil e outra nos Estados Unidos. Os astrónomos não identificaram o objecto – conhecido como “assassino de cidades” – até pouco tempo antes de se aproximar do nosso planeta a cerca de 61 vezes a velocidade de um jacto comercial.

Os dados sobre o seu tamanho e órbita só foram compilados algumas horas antes de passar pela Terra. Para colocar o tamanho do corpo rochoso em perspectiva, o meteoro que causou o incidente em Chelyabinsk, na Rússia, tinha apenas 20 metros de diâmetro e explodiu com mais energia do que uma arma nuclear.

This is the video of the close encounter of Asteroid 2019 OK we have been Twitting all day with the Earth: https://watchers.news/2019/07/24/asteroid-2019-ok/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter 

Mas a pergunta que se impõe é: como deixamos um asteróide tão grande passar quase despercebido? Justamente por causa do seu tamanho e da sua órbita. Embora seja grande, o Asteróide 2019 OK não é do tamanho da rocha que causou a extinção dos dinossauros, por exemplo. Objectos deste tipo são detectados 90% das vezes por instituições científicas.

Além disso, o asteróide tem uma órbita muito elíptica. Segundo Brown, passou muito além da órbita de Marte, quase na órbita de Vénus,o que dificultou a sua observação. Três dias antes do seu encontro com a Terra, o asteróide era mil vezes mais fraco para se detectar do nosso ponto de vista.

Há ainda a questão da velocidade. Conforme se aproximava do planeta, o asteróide viajava a 24 quilómetros por segundo. As rochas espaciais detectadas recentemente possuíam velocidades entre 4 e 19 quilómetros por segundo, por exemplo.

De acordo com os especialistas, a detecção de último minuto serve como um lembrete da ameaça real que os asteróides podem representar para a Terra. Se nos tivesse atingido, teria, sem dúvida, resultado em incidentes devastadores.

Apesar de a probabilidade de um asteróide “matar” uma cidade inteira ser “modesta”, Brown afirma que vale a pena dedicar recursos para a detecção e prevenção deste tipo de objectos.

O Asteróide 2019 OK prova que existem outros por aí, potencialmente perigosos, dos quais nem sequer temos conhecimento. Estes objectos podem aproximar-se da Terra sem aviso prévio. Segundo o Washington Post, os astrónomos estão a desenvolver duas abordagens para tentar desviar asteróides prejudiciais ao planeta.

Duffy explicou que uma das estratégias envolve empurrar lentamente o asteróide para longe da Terra. A outra, chamada de tractor de gravidade, usa a gravidade de uma aeronave para desviar o objecto, caso seja detectado cedo o suficiente.

ZAP // HypeScience / Futurism

Por ZAP
31 Julho, 2019

[vasaioqrcode]