4322: Árvores estão a crescer mais rápido, a morrer mais cedo e vão armazenar menos carbono

CIÊNCIA/AMBIENTE/CLIMA/ECOLOGIA

Tama66 / Pixabay

À medida que o mundo aquece e a atmosfera torna-se cada vez mais fertilizada com dióxido de carbono, as árvores crescem cada vez mais rápido. Mas elas também estão a morrer mais jovens – e no geral, as florestas do mundo podem estar a perder a sua capacidade de armazenar carbono.

Estas são as principais descobertas de um nosso novo estudo, publicado esta semana na revista Nature Communications.

Num mundo sem humanos, as florestas existiriam em equilíbrio, retirando quase tanto carbono da atmosfera quanto perdem. No entanto, os humanos perturbaram esse equilíbrio ao queimar combustíveis fósseis. Como resultado, os níveis de CO₂ atmosférico subiram, levando a um aumento da temperatura e fertilizando o crescimento das plantas.

Estas mudanças estimularam o crescimento das árvores nas últimas décadas, mesmo em florestas intactas e “antigas” que não sofreram distúrbios humanos recentes. Isso, por sua vez, tem permitido que as florestas absorvam mais carbono do que libertam, resultando numa grande acumulação.

Os cientistas muitas vezes questionam-se por quanto tempo as florestas podem continuar a ser uma fossa. O CO₂ extra vai beneficiar as árvores e o aumento da temperatura vai ajudá-las a crescer em regiões mais frias. Portanto, pode-se esperar que as florestas continuem a absorver grande parte das nossas emissões de carbono – e isso é exactamente o que a maioria dos modelos de sistemas terrestres preveem.

No entanto, possíveis mudanças na vida útil das árvores podem mudar as coisas. Há alguns anos, ao estudar florestas antigas da Amazónia, os cientistas observaram que os aumentos de crescimento iniciais foram seguidos por aumentos na mortalidade de árvores.

A hipótese da equipa de investigadores é que isso pode dever-se ao crescimento mais rápido, reduzindo o tempo que as árvores vivem. Se for verdade, isso significa que as previsões anteriores podem ter sido excessivamente optimistas, pois não tiveram em consideração as compensações entre crescimento e longevidade. Os novos resultados fornecem evidências para essa hipótese.

Os cientistas analisaram mais de 210.000 registos de anéis de árvores pertencentes a mais de 80 espécies diferentes em todo o mundo. Este grande empreendimento foi possível graças a décadas de trabalho de dendrocronologistas (especialistas em anéis de árvores) de todo o mundo, que disponibilizaram os seus dados publicamente.

A Lebre e a Tartaruga

A análise mostra que as árvores que crescem rápido morrem jovens. É sabido que as espécies de crescimento mais rápido vivem menos tempo.

Os autores do estudo descobriram que isto não é verdade apenas quando comparamos diferentes espécies, mas também dentro de árvores da mesma espécie. Pode-se esperar que uma árvore de faia de crescimento lento viva várias décadas a mais do que os seus parentes de crescimento rápido. É muito parecida com a história da lebre e da tartaruga – as árvores de crescimento lento, mas constante, são as que vivem mais.

Para estudar as implicações disso, os cientistas compararam quanto carbono seria acumulado em dois modelos de simulação. Um deles incluiu essa compensação “crescer rápido, morrer jovem” e o outro usou um modelo no qual as árvores viviam por igual, independentemente das suas taxas de crescimento.

Assim, descobriram que as árvores que crescem mais rápido e morrem mais cedo inicialmente causaram o aumento do nível geral de biomassa, mas também aumentou a mortalidade das árvores várias décadas depois. Os modelos indicam que o crescimento mais rápido resulta numa morte mais rápida da árvore, sem aumentos reais de longo prazo no armazenamento de carbono.

Por ZAP
14 Setembro, 2020

 

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4308: Fóssil de árvore com 10 milhões de anos revela uma drástica mudança ambiental

CIÊNCIA/BIOLOGIA/PALEOBOTÂNICA/PALEONTOLOGIA

(dr) Rodolfo Salas Gismondi / STRI
O fóssil de árvore gigante descoberto no Altiplano, no Peru

Investigadores a trabalhar no Altiplano, no Peru, descobriram um fóssil de árvore gigante enterrado nas planícies. Os 10 milhões de anos de história revelados não combinam com o que os cientistas achavam saber sobre o clima antigo.

De acordo com o site Science Alert, o fóssil desta árvore gigante revelou que, na altura em que esta morreu, em meados do período Neogeno, o clima da América do Sul era muito mais húmido do que se pensava.

“Esta árvore e as centenas de amostras fósseis de madeira, folhas e pólen que recolhemos durante a expedição revelam que, quando estas plantas eram vivas, o ecossistema era mais húmido – ainda mais do que os modelos climáticos do passado previam”, declarou Camila Martinez, paleobotânica do Instituto de Pesquisa Tropical Smithsonian (STRI), localizado no Panamá.

“Provavelmente, não existe um ecossistema moderno comparável, porque as temperaturas eram mais altas quando estes fósseis foram depositados há 10 milhões de anos“, acrescentou a investigadora, uma das autoras do estudo publicado, a 28 de Agosto, na revista científica Science Advances.

Segundo o mesmo site, muita coisa mudou ao longo desses 10 milhões de anos para transformar a área de um ecossistema húmido e diverso no estado árido e esparso em que se encontra hoje – pelo menos uma mudança na elevação de cerca de dois mil para quatro mil metros.

E os fósseis de plantas recuperados com apenas cinco milhões de anos sugerem que a maior parte da mudança já havia ocorrido naquela época. Estas mostram evidências de gramíneas, samambaias, ervas e arbustos, sugerindo um ecossistema semelhante ao de Puna dos dias de hoje, ao invés de um que poderia ter sustentado o crescimento de árvores enormes.

Na escala da história da Terra, essa é uma mudança rápida num curto espaço de tempo, causada por movimentos na litosfera da Terra sob a América do Sul ao longo de muitos milhões de anos.

“O registo fóssil da região diz-nos duas coisas: tanto a altitude como a vegetação mudaram dramaticamente num período relativamente curto de tempo, apoiando a hipótese que sugere que a elevação tectónica dessa região ocorreu em pulsos rápidos”, disse o paleobotânico do STRI, Carlos Jaramillo, e outro dos autores da pesquisa.

ZAP //

Por ZAP
11 Setembro, 2020

 

spacenews

 

2283: Plantar árvores é a melhor solução para combater alterações climáticas (mas temos de agir já)

CIÊNCIA

Romain Boukhobza / Wikimedia

Plantar árvores é a solução mais eficaz para combater as alterações climáticas, tendo o potencial de capturar dois terços das emissões de dióxido de carbono produzidas pela Humanidade.

O estudo do Laboratório Crowther, na Suíça, publicado esta sexta-feira na revista Science, é o primeiro a quantificar quantas árvores o planeta Terra pode suportar, onde poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar.

A investigação concluiu que há potencial para aumentar em um terço as florestas do mundo inteiro, sem afectar as actuais cidades ou as terras agrícolas. Seria o mesmo que reflorestar uma área equivalente a mais de 100 vezes o tamanho de Portugal.

Uma vez desenvolvidas, essas florestas poderiam armazenar 205 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, cerca de dois terços dos 300 mil milhões de toneladas de carbono extra que existem na atmosfera devido à actividade humana desde a revolução industrial.

O estudo, liderado por Jean-Francois Bastin, também sugere que há um grande potencial para regenerar árvores em zonas agrícolas e urbanas, e destaca que essas árvores podem desempenhar um papel importante no combate às alterações climáticas.

Actualmente, segundo a definição de floresta das Nações Unidas, existem 5,5 mil milhões de hectares de floresta. O Laboratório Crowther diz que podiam ser reaproveitados entre 1,7 e 1,8 mil milhões de hectares em áreas com baixa actividade humana e que não são usados como terras urbanas ou agrícolas.

Mas alerta também para a urgência de se passar à acção, porque o clima já está a mudar e em cada ano a área que pode suportar novas florestas vai diminuindo. Mesmo com o aquecimento global limitado a 1,5º Celsius a área disponível para reflorestação pode ser reduzida em um quinto até 2050, assinala o estudo.

“Todos sabíamos que a reflorestação poderia ter um papel na luta contra as alterações climáticas, mas não tínhamos conhecimento científico do impacto que isso poderia causar. O nosso estudo mostra claramente que a florestação é a melhor solução disponível actualmente e fornece provas concretas para justificar o investimento”, diz Tom Crowther, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e um dos autores do estudo.

“Se agirmos agora, isso poderia reduzir o dióxido de carbono na atmosfera em até 25%, para níveis vistos pela última vez quase há um século”, adiantou.

Se não agirmos já, e à medida que as temperaturas aumentam, cerca de 223 milhões de hectares – especialmente nos trópicos – não poderão ser considerados potenciais terrenos florestais até 2050, escreve o Science Alert.

Para tal, advertem os autores do estudo, é fundamental proteger as actuais florestas e continuar no caminho de eliminar os combustíveis fósseis, porque são necessárias décadas até que as novas florestas cresçam.

Uma análise da ONU divulgada em 2018 propunha que, além de outras medidas na luta contra as alterações climáticas, é necessário plantar mais mil milhões de hectares de floresta até 2050. O estudo vem mostrar que essas árvores podem ser plantadas e confirmam que o cenário é “indiscutivelmente alcançável”.

Mas, para isso, é necessário que a comunidade internacional faça esforços para conseguir atingir os objectivos. O espaço para fazer nascer florestas existe – agora só precisamos de trabalhar juntos para que isso aconteça.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Julho, 2019

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2191: As árvores não existem. Quem o diz são os terraplanistas

PARANÓIAS

Uma teoria da conspiração sobre árvores está agora a intrigar o mundo. Um terraplanista explica que as árvores não existem e que não passam de arbustos.

A teoria surgiu num vídeo publicado em 2016 no YouTube, que reuniu centenas de milhares de visualizações, mas que entretanto já foi removido da plataforma. O utilizador, Людин Рɣси, explicava neste vídeo a sua bizarra teoria sobre o facto de árvores não existirem. A opinião parece ter ganho popularidade entre vários terraplanistas.

A teoria da conspiração explica que as árvores como hoje as conhecemos não passam na realidade de arbustos, que alegadamente derivam das árvores ancestrais e que tinham 65 quilómetros de altura e três quilómetros de grossura.

O vídeo com mais de uma hora foi entretanto publicado por outro utilizador do YouTube, desta vez com dobragem em inglês. Numa longa e detalhada explicação, a narradora explica que há milhares de anos atrás um evento cataclísmico destruiu 99% da biosfera e levou consigo as “verdadeiras florestas”.

O IFL Science explica que o autor desta teoria aponta algumas evidências da existência desta árvores de dimensões gigantes. O terraplanista sugere que alguns montes, montanhas e planaltos que hoje vemos na paisagem são, na verdade, restos dos milenários troncos dessas árvores.

No vídeo são mostradas imagens de alguns montes e ao lado fotos de troncos de árvores reais. De seguida, é pedido aos espectadores para identificarem as diferenças, que segundo o autor, são apenas notáveis no material e no tamanho.

Esta teoria, agora apoiada por muitos terraplanistas, explica que as pedras da Terra não são pedra, mas destroços deixados pelas árvores gigantes após serem destruídas por um desastre.

O caso foi também notícia na Quartz, onde o autor do artigo, William Thomson, arborista e consultor ambiental, fala sobre esta teoria. “Eu ganho a vida a plantar árvores, mas os terraplanistas dizem-me que elas não existem” é o título deste artigo – que parece resumir perfeitamente quão bizarra é a ideia.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

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1960: Descoberta árvore que está a crescer há 2.624 anos num pântano dos EUA

CIÊNCIA

(dr) University of Arkansas

Uma árvore cresce na Carolina do Norte e está a crescer há muito tempo. Cientistas que estudavam anéis de árvores no Pantanal Black River descobriram uma árvore de cipreste calvo com pelo menos 2.624 anos de idade.

De acordo com um novo estudo publicado na revista Environmental Research Communications, a árvore é uma das mais antigas árvores não clónicas que se reproduzem sexualmente. Com 2.624 anos, a árvore é mais velha que o Cristianismo, o Império Romano e a língua inglesa.

Investigadores descobriram o antigo cipreste enquanto estudavam anéis de árvores para juntar a história climática do leste dos EUA. Por causa do trabalho de campo anterior, a equipa sabia que um determinado local de ciprestes no Three Sisters Swamp do Rio Negro era um dos mais antigos aglomerados de árvores do país. Essa investigação anterior identificou várias árvores entre 1.000 e 1.650 anos de idade.

O novo estudo revela que os ciprestes têm uma longevidade ainda maior do que os cientistas imaginavam. Além da árvore de 2.624 anos, os investigadores descobriram um cipreste de 2.088 anos de idade no mesmo pântano – e é provável que haja mais.

“Como só datámos 110 ciprestes vivos neste local, uma pequena fracção das dezenas de milhares de árvores ainda presentes nestas terras húmidas, pode haver vários ciprestes individuais com mais de 2.000 anos ao longo de aproximadamente cem quilómetros”, escreveram no estudo.

Os ciprestes são agora as mais antigas espécies conhecidas de terras húmidas da Terra. Esta descoberta também faz do cipreste a quinta mais antiga espécie de árvore não-clonal da Terra. Apenas árvores individuais da seringueira, sequóias gigantes, alerces e pinheiros bristlecone são mais antigos.

O pinheiro bristlecone mais antigo do mundo, localizado nas Montanhas Brancas da Califórnia, tem 5.066 anos – aproximadamente o dobro da idade do cipreste recém-descoberto. Acredita-se que a árvore clonal mais antiga esteja no bosque de álamos tremendos conhecidos como Pando, em Utah.

Embora as árvores antigas descritas neste estudo vivam em terras protegidas de propriedade privada, a sua existência continua ameaçada pela exploração madeireira e pelas operações agrícolas de biomassa noutras partes do rio, bem como pela poluição industrial e mudanças climáticas.

ZAP // Live Science

Por ZAP
11 Maio, 2019

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