1087: Única no mundo, arqueólogos encontram mão de bronze com 3500 anos

CIÊNCIA

Dentro de uma antiga sepultura na Suíça, arqueólogos descobriram uma antiga mão de bronze numa algema em ouro. A descoberta com 3500 anos é única no mundo.

Desconcertante mas potencialmente muito importante para a arqueologia, nada semelhante a esta mão tinha sido alguma vez descoberta nesta parte da Europa. As primeiras conclusões presumem que a mão seja um símbolo de poder mas ainda não está claro se pertencia a uma escultura maior ou se é apenas um ornamento superior de um cajado.

Os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna estão a realizar uma análise científica detalhada do curioso objecto que surgiu e afirmam que todas as questões poderão ser respondidas dentro de alguns meses.

A datação preliminar do carbono detectou que a mão remonta a 1500 e 1400 a.C.durante a Idade do Bronze na Europa.

A datação ainda sugere que talvez esta seja a peça de bronze mais antiga do mundo a representar uma parte do corpo humano. Caso seja parte de uma escultura maior, pode até ser considerada a escultura de bronze mais antiga da Europa.

“Para o conhecimento de especialistas suíços, alemães e franceses, nunca houve uma escultura comparável que datasse da Idade do Bronze na Europa Central”, disseram os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna num comunicado. “É, por isso, um objecto único e marcante”.

Intitulada como a “mão de Prêles”, o artefacto foi descoberto perto do Lago Biel, na província de Berna, no outono de 2017. Junto da mão também foi encontrado uma lâmina de um punhal de bronze e uma costela humana.

No verão de 2018, os arqueólogos que trabalhavam no local também descobriram restos mortais de um homem adulto que teria sido enterrado numa construção de pedra muito mais antiga.

Dentro do túmulo também existia um alfinete de peito e um ornamento para o cabelo ambos feitos em bronze. Restos de uma placa de ouro também foram encontrados o que pode sugerir a existência de uma outra mão de bronze.

Os investigadores esperam que, ao descobrir a identidade do homem, consigam decifrar o significado da mão de bronze.

“Ele deveria ser alguém de um alto escalão“, afirmaram os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna.

“Ainda é muito cedo para determinar se a mão foi feita na região dos Três Lagos ou noutro país distante. Não sabemos nem o significado, nem a função atribuída a este homem. O ornamento em ouro sugere-nos que será um emblema de poder, um sinal distintivo da elite social, até mesmo de uma divindade“, acrescentaram.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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983: Encontrados vestígios de queijo produzido há 7.200 anos no Mediterrâneo

CIÊNCIA

(dr) Sibenik City Museum

Cientistas encontraram resíduos em cerâmica com 7.200 anos, em dois sítios arqueológicos na Croácia, que indicam que a produção de queijos no Mediterrâneo começou antes do que se pensava.

Esta descoberta altera a linha do tempo da agricultura nesta região, com os produtos lácteos fermentados a serem feitos apenas cinco séculos depois de o leite ter sido armazenado pela primeira vez. Segundo o Science Alert, esta inovação pode ter sido mais do que um avanço gastronómico, mas sim um verdadeiro salva-vidas.

A equipa de investigadores dos EUA, Reino Unido e Croácia analisou estes fragmentos de cerâmica, encontrados em dois locais neolíticos na Croácia, para tentar perceber quais eram os alimentos que se encontravam no seu interior.

Os dados arqueológicos mostram que as pessoas cultivavam e faziam criação de gado no Mediterrâneo há cerca de oito mil anos. Os investigadores já sabiam que a cerâmica era usada para armazenar leite, um passo importante para ajudar a superar tempos difíceis em que a comida era escassa. Muitos adultos seriam intolerantes à lactose, mesmo assim, o leite ainda servia para alimentar crianças pequenas.

“Vemos o primeiro uso do leite, que era provavelmente recolhido para as crianças por ser uma boa fonte de hidratação e por ser relativamente livre de agente patogénicos”, explica a autora do estudo Sarah McClure, da Universidade Estadual da Pensilvânia. “Não seria surpreendente que os adultos dessem leite de outros mamíferos às crianças”, nota.

A análise dos isótopos de carbono na superfície interna de fragmentos de cerâmica mostrou, porém, que muitos foram usados para armazenar não só produtos lácteos, mas também lacticínios de uma variedade mais fermentada, tal como queijo e iogurte.

A análise de sementes e ossos nos arredores indicou que esses fragmentos de cerâmica tinham cerca de 7.200 anos, colocando-os entre os mais antigos exemplares encontrados de recipientes de produção de queijo no mundo.

“Esta é a mais antiga evidência documentada de resíduos para lacticínios fermentados na região do Mediterrâneo, e está entre os mais antigos documentados em qualquer lugar até hoje”, escrevem os investigadores no artigo publicado na revista científica PLOS ONE.

A produção deste alimento representou um passo significativo no avanço da cultura humana. Transformar o leite em queijo diminuiu a lactose de forma a que os adultos também o pudessem comer, fornecendo uma fonte nutritiva de alimento.

De acordo com a agência de notícias espanhola Europa Press, os investigadores sugerem que tanto o leite como o queijo, assim como os utensílios de cerâmica associados à sua produção, ajudaram a reduzir a mortalidade infantil e a estimular as alterações demográficas que impulsionaram as comunidades agrícolas a expandir-se para norte.

Embora a investigação tenha revelado a evidência mais antiga da produção deste alimento na região do Mediterrâneo, o queijo mais antigo do mundo já descoberto até agora foi encontrado numa sepultura egípcia com 3.200 anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original. e um deles, foi da palavra “laticínios”, quando três palavras antes se escreve “lácteos”. Interessante esta “ortografia”…)

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