2592: Raro mosaico romano com cena mitológica encontrado no Reino Unido

CIÊNCIA

Um mosaico romano com cerca de 1600 anos, que retrata uma cena mitológica greco-romana, foi encontrado numa vila de Berkshire, no Reino Unido.

O mosaico foi encontrado num sítio arqueológico no Reino Unido descoberto já em 2017. Contudo, e por se localizar num campo agrícola e de ainda precisar de trabalhos de limpeza adicionais, só agora foi possível desvendar o mosaico na sua totalidade.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, que descreve o mosaico romano como “raro“, o achado terá sido construído por volta de 380 d.C.

Anthony Beeson, especialista em arquitectura e arte romana e grega, disse, em declarações ao The Telegraph, que o mosaico agora encontrado é um de três deste tipo até agora descobertos em todo o mundo. Também o arqueólogo Matt Nichol, que trabalhou na escavação, descreveu à BBC as imagens e a iconografia achado como “inigualáveis”.

Na obra está retratado uma cena mitológica em que Pélope está numa corrida de carruagens com o pai da sua futura esposa, a princesa Hipodâmia.

Segundo a mitologia, o herói do mosaico era Pélope, neto de Zeus. Pélope queria casar com a sua amada Hipodâmia e pediu-a em casamento ao sei pai, Enomau, o rei de Olímpia. Reza a lenda que o pai de Hipodâmia tinha já matado 30 outros pretendentes devido a uma profecia que sustentava que seria morto pelo seu genro.

@Howard_S

Some detail of the #Roman #mosaic uncovered at #Boxford in Berkshire yesterday. 1/ the best preserved corner showing an #archer, #telomon, #lion 2/ the telomon closeup 3/ the lion struck by the archer’s arrow and bleeding and 4/ a roundel with #cupid #boxfordromanmosaic

Tendo a profecia em mente, Enomau disse que aceitava o pedido de casamento se Pélope o vencesse numa corrida de carruagens. Sabendo que partia em desvantagens, uma vez que Enomau tinha cavalos fortes e se tinha já livrado de outros pretendentes desta forma, Pélope pediu a Poseidon que fizesse com que a sua carruagem fosse mais rápida.

Além disso, Pélope prometeu ao responsável pelos cavalos de Oenamaus, Mirtilo, uma noite com Hipodâmia caso sabotasse a carruagem do rei.

Durante a competição, Mirtilo cumpriu com a sua parte. As rodas do carro do rei Oenamaus acabaram por se soltar, causando a sua morte. Depois de ter vencido a corrida, Pélope o mata Mirtilo para não ter que cumprir a sua promessa.

O mosaico retrata ainda outras figuras da mitologia greco-romana, frisa a SputnikNews.

O jornal britânico destaca que o mosaico tem grande valor histórico para o país. Apesar disso, os moradores locais não querem levá-lo para o museu. Actualmente, estão a ser levadas a cabo medidas de conversação, enquanto as equipas de arqueólogos estudam o achado para melhor compreender o período romano da história do Reino Unido.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2019

 

429: O arquitecto que idealiza a vida em Marte

Bjarke Ingels define a arquitectura como “a arte e a ciência de transformar a ficção em realidade”. Parte dessa transformação passa pela expansão da nossa espécie para outros planetas e, especificamente, para Marte, uma possibilidade que parece cada vez mais próxima.

O que realmente emociona Bjarke Ingels, um dos arquitectos mais famosos e influentes dos dias de hoje, é jogar. Jogar no sentido mais puro da palavra, como o fazem as crianças, transformando o jogo numa aventura, num objecto de invenção e num sentido que dá direcção à vida. É assim, com esse espírito inovador e curioso, que ele enfrenta os seus projectos: “Claro que há um tipo de componente infantil em tudo isto”, disse numa entrevista sobre o seu trabalho na SSense. “Quando se é criança, não se sonha em ser arquitecto, mas sim astronauta. Mas também gosto dessa ideia de que a arquitectura é inventar como tornar o planeta mais habitável para a vida humana.

Não chega escalar a uma árvore ou encontrar uma caverna. Podemos construir a nossa própria árvore, a nossa própria caverna… Pensemos assim: a que tipo de árvore gostaríamos de escalar?” O novo projecto de estudo de Ingels é uma cidade que será construída no meio do deserto simulando estar em Marte. Assim, juntará esse sonho de infância de viajar para o espaço com uma profissão, a arquitectura, que ele define como “a arte e a ciência de transformar a ficção em realidade”. Como realidade são já alguns dos edifícios mais emblemáticos do urbanismo actual (a sede da Lego na Dinamarca ou a futura sede do Google na Califórnia), saídos da imaginação deste dinamarquês considerado por muitos como o génio arquitectónico do século XXI.

A sua filosofia é sempre na vanguarda e está exposta no site BIG (Bjarne Ingels Group), o atelier a que dá o seu nome. “Historicamente, a arquitectura tem sido dominada por dois extremos opostos: uma vanguarda cheia de ideias loucas, com origem da filosofia ao misticismo e consultores corporativos bem organizados que criam caixas previsíveis e chatas de alta qualidade.”

“A arquitectura parece entrincheirada: ingenuamente utópica ou petrificantemente pragmática. Nós acreditamos que há uma terceira via entre estas opostas: uma arquitectura pragmático-utópica que cria locais sociais, económicos e ambientais perfeitos como objectivo prático. Na BIG, dedicamo-nos a investir na coincidência entre o radical e a realidade. Em todas as nossas acções tentamos mover o foco dos pequenos detalhes para a grande (BIG) imagem.” Essa grande imagem surgirá, de acordo com a revista Rolling Stone, da cabeça de Ingels, a quem descreveu como “o homem que constrói o futuro”.

Parte desse futuro passa pela expansão da nossa espécie para outros planetas e, especificamente, para Marte, uma possibilidade que parece cada vez mais próxima. E como serão as nossas primeiras cidades lá? A resposta do dinamarquês parece longe dos mamarrachos metálicos que vimos nos filmes de ficção científica: “É claro que as pessoas não querem viver em latas de sardinhas”, assegura Ingels. Se vamos para Marte, então devemos tentar criar um ambiente de que possamos desfrutar”.

“Queremos ter acesso a plantas, a parques, à luz do sol, a um ar respirável, a uma temperatura aceitável”. Mars Science City, a cidade que planeou para ser construída nos Emirados Árabes Unidos responde a essa preocupação: são várias cúpulas de plástico infláveis ​​e ultra-leves, que cobrirão edifícios levantados acima do solo e construções subterrâneas. A ideia de Ingels é que, após a nossa chegada a Marte, em vez de transportarmos – o que seria muito caro – sejamos capazes de aproveitar o que já existe no planeta para construir através de impressão em 3D e ajudados pela robótica.

A Mars Science City, que tem um financiamento inicial de 150 milhões de dólares por parte dos Emirados, é uma proposta original e arriscada. É a única via possível se, como diz Ingels, nos atrevermos a inovar verdadeiramente: “Não estamos a recriar algo que sempre lá existiu, estamos a dar forma a um futuro que nunca existiu”.

© Expresso O arquitecto que idealiza a vida em Marte

msn notícias
Entrevista e edição: Pedro García Campos | Mikel Aguirrezabalaga
Texto: José L. Álvarez Cedena
Expresso 02/04/2018
BJARKE INGELS

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