2889: Arqueólogo encontra dezenas de sítios maia graças a um mapa online gratuito

CIÊNCIA

Vviktor / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã

Um arqueólogo norte-americano descobriu 27 sítios maias com 3.000 anos graças a um mapa online gratuito, escreve o jornal The New York Times.

Takeshi Inomata, arqueólogo da Universidade do Arizona, nos Estado Unidos, utilizou um mapa LIDAR (Light Detection and Ranging), que encontrou online, em domínio público e totalmente gratuito no ano passado, conta o jornal norte-americano.

Estas revolucionária tecnologia, com um conjunto de vários lasers aéreos, permite “veratravés da vegetação, isto é, os cientistas podem procurar através de densas florestas sítios arqueológicos. Um processo que no passado levava décadas, pode agora ser concluído com a tecnologia LIDAR em dias a partir de imagens recolhidas num avião.

Trata-se de um sistema remoto que permite determinar a distância de um emissor laser a um objecto ou superfície recorrendo a um feixe de laser pulsado, gerando depois informações em três dimensões.

O mapa encontrado pelo arqueólogo foi publicado em 2011 pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México para que pudesse ser utilizado por empresas e cientistas, cobria 11.400 quilómetros quadrados dos Estados mexicanos de Tabasco e Chiapas.

Ao estudar o mapa, e apesar de a sua resolução ser baixa, Inomata conseguiu descobrir sítios arqueológicos até então desconhecidos – foram quase 30 construções antigas. Com estes locais descobertos, “podemos ver uma imagem muito melhor de toda a sociedade”.

@UAresearch

Learn how #UAResearcher Dr. Takeshi Inomata used lidar technology to discover La Carmelita, a Mayan site that holds insights into the origins of Mayan civilization: https://www.nytimes.com/2019/10/08/science/archaeology-lidar-maya.html 

À primeira vista, os locais em causa oferecem poucas evidências imediatas da sua escala e história, uma vez que os restos estão soterrados. Contudo, as novas descobertas podem revelar informações importante sobre as origens da civilização maia, podendo estas ser cruciais para compreender o seu desenvolvimento ao longo dos tempos.

“Se andar sobre os sítios arqueológicos, não se aperceberá”, disse o arqueólogo em declarações ao The New York Times. “[A área em causa] é tão grande que parece fazer parte da paisagem natural”, acrescentou.

Por sua vez, a antropóloga Daniela Triadan, também ouvida pelo diário norte-americano, descreveu o trabalho levado a cabo pela civilização maia na área como “impressionante”. “A massa de terra movimentada é inacreditável. Estas pessoas estavam a fazer coisas loucas”, disse, notando que cerca de uma centena de pessoas deve ter trabalhado em toda a região para cavar e carregar cestas de terra para construir as plataformas.

“Podemos ter populações relativamente móveis que colocaram muito esforço nestas grandes empresas comunitária”, rematou.

O trabalho de Inomata não foi ainda analisado e avaliado pelos pares, mas o arqueólogo apresentou já os resultados em quatro conferências científicas no ano passado.

Recentemente, foi também descoberta uma “cidade perdida” do Império Khmer sob a selva do Cambodja graças à tecnologia LIDAR. A metrópole, conhecida como Mahendraparvata, representa, segundo os cientistas, um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

ZAP //

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23 Outubro, 2019

 

2860: “Cidade perdida” do Império Khmer descoberta sob a selva do Cambodja

CIÊNCIA

(dr) Archaeology Development Foundation
Vista aérea de Mahendraparvata

Arqueólogos estão a desvendar a “cidade perdida” escondida na selva do Cambodja, que já foi capital do poderoso Império Khmer.

De acordo com a revista Newsweek, os arqueólogos dizem que esta cidade, conhecida como Mahendraparvata, representa um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

O estudo, publicado na revista científica Antiquity, confirma essencialmente a hipótese de a cidade ter estado localizada em Phnom Kulen e de ter sido uma capital deste Império, que governou vastas áreas do Sudeste Asiático entre 800 e 1400 D.C.

Phnom Kulen é uma cordilheira no noroeste do Cambodja, que fica a cerca de 40 quilómetros de Angkor Wat — o espectacular complexo de templos que é também uma das atracções turísticas mais famosas deste país asiático.

As evidências disponíveis sugerem que Mahendraparvata foi fundada antes de Angkor, e que a última cidade usou o plano urbano do seu antecessor como inspiração.

“A capital de Phnom Kulen governou no final do século VIII e na primeira metade do século IX. Os resultados da datação por radio-carbono confirmam essa ocupação, correspondendo ao reinado de Jayavarman II”, disse à mesma revista Jean-Baptiste Chevance, arqueólogo da Fundação de Arqueologia e Desenvolvimento — Programa Phnom Kulen.

(dr) Chevance et al., Antiquity, 2019
Os eixos em forma de grade da “cidade perdida” do Império Khmer

De acordo com os investigadores, o poder terá passado para Angkor por volta de 900 D.C., depois de Mahendraparvata ter sido abandonada.

Os arqueólogos suspeitavam há muito que uma antiga capital Khmer estava escondida nesta cordilheira cambojana, mas a região é de difícil acesso, o que dificulta a investigação. Além disso, a zona tem ainda bastantes minas terrestres, devido à passagem do sangrento e mortífero Khmer Rouge até à década de 90 — regime que governou o país de 1975 a 1979 e que conduziu um genocídio que matou cerca de um quarto da população.

As primeiras pistas que indicam a presença de uma antiga capital Khmer em Phnom Kulen vieram de várias inscrições associadas ao Rei Jayavarman II, conhecido por ter unificado e governado o Camboja no final do século VIII e no início do século IX.

Posteriormente, as evidências arqueológicas foram limitadas a uma dispersão de santuários pequenos e aparentemente isolados, explica a equipa. Isto deve-se em grande parte ao facto de as cidades Khmer terem sido construídas sobretudo com materiais perecíveis.

Chevance e o resto da equipa começaram a pesquisa arqueológica no início dos anos 2000, concentrando-se nos principais monumentos — como o templo montanhoso em forma de pirâmide (o principal marcador da capital Khmer), outros templos de tijolos e alguns abrigos rochosos.

“Identificámos o palácio real da cidade, um vasto complexo de plataformas e diques de terra localizados numa posição central ligada a outros locais. A nossa pesquisa arqueológica confirmou que esses locais datavam do final do século VIII e início do século IX. Houve uma confirmação mais forte da presença dessa capital na montanha Kulen”.

(dr) Cambodian Archaeological Lidar Initiative
Local de um dos templos recentemente documentados em Mahendraparvata

Mas, devido às limitações das técnicas convencionais de pesquisa e mapeamento na área, uma visão coerente da própria cidade permaneceu ilusória. Contudo, nos últimos anos, surgiu uma revolucionária tecnologia de imagem conhecida como LiDAR (Light Detection and Ranging), que basicamente permite “ver através” da vegetação.

A tecnologia utiliza instrumentos instalados em aeronaves que disparam pulsos de luz laser, em direcção ao solo, centenas de milhares de vezes por segundo, permitindo a criação de mapas 3D detalhados que revelam a topografia do terreno e quaisquer recursos antigos criados pelo Homem.

As últimas pesquisas LiDAR, juntamente com a pesquisa terrestre, revelaram milhares de características arqueológicas numa área de aproximadamente 32 quilómetros quadrados. Esses recursos mostram o que parece ser um sistema de grade avançado que conecta os vários recursos da cidade como barragens, paredes de reservatórios, templos, bairros e o palácio real.

A equipa até acredita ter descoberto evidências de alguns quarteirões da cidade, devido à presença de numerosos cercos de terra que se alinham grosseiramente com — e frequentemente — os principais “eixos” lineares, que são essencialmente um sistema de grade.

Este método também indicou um projecto de engenharia ambicioso para construir um sistema de gestão de águas que, no entanto, ficou incompleto. Segundo os arqueólogos, isto sugere que a cidade pode não ter durado tanto quanto o centro de poder Khmer, embora o reservatório construído possa ter inspirado os lagos artificiais que foram cruciais para o projecto de Angkor Wat.

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19 Outubro, 2019

 

2833: Humanos pré-históricos armazenavam medula óssea para comer mais tarde

CIÊNCIA

estt / Canva

Os humanos pré-históricos que viviam numa caverna em Israel entre 420 mil e 200 mil anos atrás armazenavam medula óssea para comer mais tarde, o que mostra que os primeiros hominídeos entendiam que os alimentos poderiam não estar disponíveis no futuro.

A Caverna Qesem, a cerca de 12 quilómetros de Tel Aviv, foi identificada como um local de ocupação humana precoce há quase 20 anos quando a construção de estradas a atravessou. Desde então, foi desenterrada uma enorme quantidade de evidência arqueológica, incluindo dezenas de milhares de ossos de animais foram processados pelos nossos ancestrais humanos.

De acordo com o estudo publicado esta semana na revista especializada Science Advances, investigadores liderados por Ruth Blasco, do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana de Espanha, analisaram os ossos e realizaram experiências para mostrar a forma como estes ocupantes aprenderam a armazenar efectivamente a medula óssea durante semanas e meses após a morte do animal.

Por outro lado, desconhece-se quais eram as espécies de hominídeos que processaram os ossos dessa forma. Blasco, de acordo com o Newsweek, disse que, quem quer que fossem, demonstravam muitos comportamentos modernos, incluindo o uso regular de fogo, reciclagem e torrefacção de alimentos. O consumo de medula óssea é outra tarefa a ser adicionada a esta lista.

A medula óssea, o tecido encontrado dentro de alguns ossos, é altamente nutritivo, sendo mais rico em calorias do que em proteínas ou hidratos de carbono. Como resultado, teria sido uma fonte de alimento valiosa e significativa para os primeiros seres humanos.

Blasco começou a trabalhar no local de Qesem em 2011. Ao analisar os materiais da fauna lá encontrados, percebeu que havia marcas incomuns nos ossos de veado recuperados. Depois de analisar os restos mortais de quase 82 mil ossos de animais no local, a equipa mostrou que a medula óssea estava a ser preservada para ser consumida mais tarde.

A pele seca e velha é mais difícil de remover do osso do que quando está fresca. Como resultado, removê-la deixa para trás marcas específicas. “As marcas incomuns foram identificadas em experiências subsequentes e explicadas pela remoção da pele seca”, disse Blasco. “Especificamente, as marcas foram geradas pela dificuldade ou esforço necessário para remover a pele seca e os tendões firmemente presos ao osso após uma exposição sub-aérea prolongada dos ossos”.

Em experiências, os cientistas mostraram que as marcas poderiam ser replicadas ao remover a pele após duas ou mais semanas. Os investigadores também descobriram que a remoção da pele aumentou após quatro semanas. As suas experiências também mostram que o valor nutricional da medula óssea começa a deteriorar-se cerca de seis semanas após a morte do animal.

A equipa ficou surpreendida com as descobertas. “A acumulação deliberada de ossos por atraso no consumo de medula implica uma preocupação antecipada com necessidades futuras. Esse facto marca um limiar para novos modos de adaptação paleolítica, porque a capacidade de previsão ultrapassa o ‘aqui e agora’ como um meio de subsistência numa cronologia de mais de 300 mil anos”, observou.

Alguns estudos anteriores sugerem que o processo de extracção moldou a nossa própria evolução. Blasco acredita que este é apenas o começo da nossa compreensão sobre a forma como os humanos pré-históricos armazenavam alimentos para consumo posterior.

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14 Outubro, 2019

 

2823: Encontrado túmulo egípcio com o mais antigo “mapa” do submundo

CIÊNCIA

The Gebel el-Silsila Project

Em 2012, os arqueólogos abriram um túmulo na necrópole egípcia do meio de Dayr al-Barsha. Embora grande parte do conteúdo tenha sido saqueada ou devorada por fungos, descobriram que um dos caixões estava inscrito com o texto de The Book of Two Ways, um misterioso “guia” ilustrado para o submundo.

Um novo estudo, cujos resultados foram publicados em Setembro deste ano na revista especializada The Journal of Egyptian Archaeology, sugere que poderia até ser a cópia mais antiga conhecida de “The Book of Two Ways”.

A cópia remonta a pelo menos quatro mil anos atrás. Os investigadores sabem disso porque o túmulo contém inscrições que mencionam o Djehutinakht I, um antigo monarca – governador provincial – entre os séculos 21 e 20 a.C. Embora anteriormente fosse assumido que o caixão continha o corpo de Djehutinakht I, este estudo destaca que o corpo pertencia a uma mulher desconhecida de elite chamada Ankh.

O túmulo parece ter sido visitado repetidamente por ladrões, que espalharam grande parte do conteúdo da sepultura pela câmara e removeram apenas alguns objectos de valor. No entanto, os arqueólogos conseguiram recuperar dois painéis de madeira, completos com algumas linhas de texto hieroglífico. Os fragmentos de texto eram pequenas secções do “The Book of Two Ways”.

Já foram descobertas por investigadores versões do livro, mas acredita-se que esta versão seja o exemplo mais antigo encontrado até agora. Escrito para oficiais do Reino Médio e para os seus subordinados também foram encontradas cópias do texto arcaico em paredes de túmulos, papiros, máscaras de múmias e outros caixões.

O nome do texto refere-se às duas rotas pelas quais os mortos podem navegar para o submundo, procurar protecção contra seres sobrenaturais e entrar no reino de Osíris, o deus egípcio do submundo e juiz dos mortos.

O livro faz parte de um grande corpo de trabalho conhecido como The Coffin Texts, que inclui 1.185 feitiços, encantamentos e escritos religiosos sobre a vida após a morte. Os textos também são um dos corpos de trabalho que compõem The Book of the Dead, a antiga colecção egípcia de textos funerários compostos por feitiços relacionados com a vida após a morte.

No entanto, pouco se entende completamente sobre os textos. Existe o risco de fazer suposições culturais sobre uma ideia antiga com a nossa mentalidade do século XXI. Porém, independentemente da sua interpretação precisa, “The Book of Two Ways” serve como um forte lembrete de como a morte e a vida após a morte têm desempenhado um papel importante na imaginação cultural dos seres humanos.

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12 Outubro, 2019

 

2784: Arqueólogos encontraram 93 ânforas num antigo naufrágio romano

CIÊNCIA

(dr) IBEAM
As ânforas encontradas num navio romano afundado perto da costa de Maiorca, em Espanha

Uma equipa de arqueólogos recuperou um tesouro raro na costa de Maiorca, em Espanha: 93 ânforas de terracota num navio romano que afundou há 1.700 anos.

Segundo o Science Alert, a maioria das 93 ânforas de terracota agora encontradas ainda está intacta e selada, o que significa que há uma grande probabilidade daquilo que está no seu interior estar também em boas condições.

O navio romano foi encontrado a apenas 50 metros da costa de Maiorca, em Espanha, depois de um morador dessa zona, Felix Alarcón, ter visto fragmentos de cerâmica no fundo do mar no passado mês de Julho.

O trabalho do Instituto Balear de Estudos em Arqueologia Marítima (IBEAM) revelou uma embarcação marítima relativamente pequena, com apenas dez metros de comprimento e cinco metros de largura, com as ânforas cuidadosamente guardadas no porão. Os investigadores acreditam que se tratava de um navio mercante, que transportava mercadorias entre a Península Ibérica e Roma.

Pecio romano en la playa de S'Arenal

El pasado mes de julio el Sr. Félix Alarcón localizó los restos de un pecio romano en la playa de Palma. El descubridor comunicó el hallazgo al Cultura i Patrimoni. Consell de Mallorca a través de la campaña #SOSPatrimoni. Los restos quedaron destapados por un fuerte temporal a escasos metros de distancia de la playa de S’Arenal, una de las zonas turísticas más importantes de las Islas Baleares. Ante el elevado riesgo de expolio y desaparición del yacimiento el Consell de Mallorca encargó al IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima la realización de una intervención de urgencia para documentar y recuperar los restos arqueológicos que se encontraban en serio peligro de desaparición. Para el desarrollo de los trabajos de excavación se estableció un equipo pluridisciplinar formado por arqueólogos subacuáticos, restauradores, especialistas en arquitectura naval y documentalistas. Durante la intervención arqueológica contamos con el apoyo logístico de la Armada Española y la colaboración de los #GEAS de la Guardia Civil que coordinaron las tareas de vigilancia del yacimiento. La excavación de urgencia ha permitido documentar una embarcación de mediados del siglo III d.C. que transportaba un cargamento de ánforas de aceite, salazones y vino procedente del sud de la península ibérica. A lo largo de la intervención arqueológica se recuperaron los materiales que se encontraban en mayor peligro de expolio y se realizó una primera aproximación de la arquitectura naval. El resto de los materiales juntamente con el casco de la embarcación se protegió in situ por debajo de la arena. Los materiales recuperados durante la excavación arqueológica fueron trasladados a las instalaciones del Museu de Mallorca, donde los técnicos restauradores están llevando a cabo las labores de desalación y conservación. El Consell de Mallorca ya ha contactado con diversos especialistas que se encargarán de analizar el contenido de las ánforas, estudiar los tituli picti y determinar la identificación anatómica de las maderas. Los resultados de esta investigación se presentarán en una futura publicación que saldrá a la luz en los próximos meses. Queremos agradecer la ayuda de las empresas y particulares que han colaborado con el IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima para que este proyecto fuese una realidad: Palma Aquarium, Club Marítimo San Antonio de la Playa, Isurus Mallorca, Skualo Porto Cristo, Cressi España y a todos los vecinos de la Platja Ca'n Pastilla

Publicado por IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima em Quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Como muitas das ânforas não estavam danificadas, os arqueólogos acreditam que não se tratou de um naufrágio. As duas principais hipóteses são a de que o navio teve algum vazamento, ou então que tenha sido palco de um confronto violento entre os que se encontravam a bordo que o fez desaparecer.

Os investigadores acreditam que, com base nas regiões de onde as ânforas parecem ter origem, o seu conteúdo seria provavelmente vários alimentos, tais como vinho, azeite e garo (um tipo de molho de peixe fermentado que era particularmente apreciado em Roma).

Antes de as ânforas poderem ser analisadas, precisam de ser cuidadosamente tratadas. Por isso, estão actualmente no Museu de Maiorca, onde estão em piscinas de água para serem dessalinizadas. O barco, por sua vez, vai continuar no fundo do mar.

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6 Outubro, 2019

 

2769: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

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4 Outubro, 2019

 

2746: Os bebés da pré-história já usavam biberões

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos encontrou na Alemanha biberões datados da Idade do Bronze e do Ferro, revela um novo estudo.

Os objectos, encontrados no parque natural de Altmühltal, na cidade de Dietfurt, foram descritos como pequenas garrafas de de argila com pitões em forma de mamilo.

Mais tarde, detalha a investigação cujos resultados foram agora publicados na revista Nature, foram identificados como biberões, contendo vestígios de leite de cabra e vaca.

De acordo com o Sinc, os recipientes, que tinham entre 5 a 10 centímetros de diâmetro, foram encontrados junto de sepulturas infantis que datam do ano 5.000 a.C.

Segundo a agência Europa Press, o achado é a primeira evidência de que os bebés pré-históricos foram alimentados com leite animais em recipientes, que podem ser comparados aos biberões modernos, há 7.000 anos.

Para chegar à composição dos vestígios encontrados nos recipientes, uma equipa de cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, recorreu à análise química e isotópica dos resíduos encontrados na superfície dos vasos.

Estas vasijas eran los biberones de la Edad de Bronce. Un estudio ha conseguido detectar trazas de leche de rumiante en su interior de hace 3.000 años, confirmando lo que se creía: que se usaban para alimentar a los pequeños.https://www.nature.com/articles/s41586-019-1572-x 

“Sabemos que os recipientes de argila utilizados para alimentar ou desmamar crianças apareceram pela primeira vez no período neolítico na Alemanha há cerca de 7.000 anos, tornando-se depois mais comuns na Idade do Bronze e do Ferro na Europa”, explicou o autor principal do estudo, Julie Dunne, citado pelo mesmo portal.

Siân Halcrow, professor associado da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, acrescentou que os cientistas não descartam que a utilização de leite animal na dieta dos bebés antigos pudesse ter efeitos negativos para a crianças.

(h) Helena Seidl da Fonseca

“Os recipientes provavelmente eram difíceis de limpar e apresentavam riscos de exposição a infecções para bebés, como gastro-enterites”, supôs.

Os cientistas já tinham provado a existência deste tipo de recipientes na Europa por volta de 5.000 a.C. Contudo, não era ainda claro que tipo de líquido é que era usado no biberão, nem se este servia para alimentar crianças, idosos ou pessoas doentes.

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1 Outubro, 2019

 

2683: O mistério da origem do estanho da Idade do Bronze foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Sangjun Yi / Flickr

A origem do estanho usado na Idade do Bronze tem sido um dos maiores enigmas da pesquisa arqueológica. Agora, investigadores resolveram parte do quebra-cabeças.

Um grupo de arqueólogos da Universidade de Heidelberg e do Centro de Arqueometria Curt Engelhorn, em Mannheim, na Alemanha, resolveram o mistério da origem do estanho utilizado durante a Idade do Bronze.

Para descobrir a sua origem geográfica, os especialistas analisaram 27 lingotes de estanho datados do segundo milénio antes de Cristo encontrados em sítios arqueológicos de Israel, Turquia e Grécia, comprovando que o metal não provinha da Ásia Central, como se suponha anteriormente, mas sim de jazidas de estanho na Europa.

Este facto indica que deviam existir rotas comerciais de longo alcance entre a Europa e o Mediterrâneo Oriental já na Idade do Bronze. Assim, os investigadores assinalam que este metal, assim como o âmbar, o vidro e o cobre, foi uma das grandes forças impulsionadoras desta rede de comércio internacional.

Algo interessante descoberto pelo cientistas foi o facto de que peças de estanho de Israel, por exemplo, coincidiam, na sua maioria, com estanho de Cornwall e Devon, no Reino Unido.

“Os objectos e depósitos de estanho são raros na Europa e na Ásia. A região do Mediterrâneo Oriental, onde alguns dos objectos que estudamos se originou, praticamente não possuía depósitos próprios. Então, a matéria-prima nessa região deve ter sido importada”, explicou em comunicado um dos autores do estudo, Ernst Pernicka.

Os resultados deste trabalho, publicado na revista especializada PLOS ONE, são de grande relevância, uma vez que a origem deste metal é especificamente identificada pela primeira vez e abre novos caminhos para futuras investigações arqueológicas.

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21 Setembro, 2019

 

2665: Primeiros humanos talhavam elefantes com ferramenta de 5 centímetros

CIÊNCIA

Ran Barkai / Tel Aviv University

Retirar o máximo de carne possível de uma carcaça era algo importante há milhares de anos atrás. Para um melhor aproveitamento, eram usadas lâminas de apenas cinco centímetros, que os arqueólogos ignoraram até agora.

Normalmente, ao pensar em ferramentas de corte usadas por antigos humanos, somos remetidos para grandes ferramentas como machados e cutelos. Contudo, um estudo recentemente publicado na revista Scientific Reports, mostra que os primeiros humanos tinham um kit de talhante sofisticado. As pequenas ferramentas de sílex descobertas era recicladas a partir de instrumentados maiores que eram descartados.

As ferramentas foram encontradas no sítio arqueológico de Revadim, no sul de Israel, e pertencem à cultura acheuliana do paleolítico inferior. Os cientistas estimam que estas tenham entre 300 e 500 mil anos. No passado, já tinham sido encontrados vários machados e restos de elefantes em Revadim.

“A análise incluiu observações microscópicas do desgaste do uso, bem como resíduos orgânicos e inorgânicos. Estávamos à procura de sinais de danos nas bordas, polimentos e resíduos orgânicos presos nas depressões das pequenas lâminas de sílex, tudo para entender para o quê que eram usadas”, disse a arqueóloga responsável pelo estudo, Flavia Venditti, citada pelo Phys.

Ran Barkai, outro dos cientistas envolvidos no estudo, explica ainda que durante décadas os arqueólogos ignoraram estas pequenas lâminas de apenas cinco centímetros. “O ênfase estava nos grandes e elaborados machados e outras ferramentas de pedra”, explicou. “No entanto, agora temos provas sólidas do uso vital destas lâminas”.

A cultura acheuliana era conhecida por as ferramentas grandes mencionadas pelos arqueólogos, que eram usadas principalmente para talhar grandes animais. Contudo, segundo o estudo, estas pequenas lâminas eram usadas em processos que exigiam um corte mais preciso, como separação de tendões, remoção do periósteo para retirar a medula óssea.

“Os humanos antigos dependiam da carne e, especialmente, da gordura dos animais para a sua existência e bem-estar. Portanto, um talhamento de qualidade dos grandes animais e a extracção de todas as calorias possíveis eram de uma crucial importância para eles“, realçou Barkai.

Isto mostra que os primeiros humanos eram mais avançados do que aquilo que se pensava. “As minúsculas lâminas agiam como instrumentos cirúrgicos criados e usados para o corte delicado de partes exactas das carcaças de elefantes e de outros animais”, acrescentou o arqueólogo.

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19 Setembro, 2019

 

2660: Descoberto em Ílhavo primeiro sítio pré-histórico subaquático português

CIÊNCIA

Antonio da Silva Martins / Flickr

Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de uma mancha de ocupação ou possível acampamento do neolítico a cerca de dois metros de profundidade na Ria de Aveiro, em Ílhavo.

“Temos estado a apanhar algumas surpresas valentes. O neolítico não estávamos à espera e muito menos no sítio onde está”, avança Tiago Fraga, director científico da equipa de arqueólogos, sobre os vestígios daquele que será o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país.

No âmbito do acompanhamento arqueológico dos trabalhos de dragagem no Canal de Ílhavo, também conhecido como Rio Bôco, foram encontrados em Agosto passado vários artefactos datados entre 4.000 a.C. e 3.000 a.C. e uma estrutura que se encontra submersa.

“Inicialmente encontrámos cerâmicas com mamilos e decoração, que se vê claramente que são da pré-história. Mais para a frente, começaram a sair líticos, ou seja, pedras talhadas, percutores e esse tipo de materiais”, descreveu o arqueólogo.

Para verificação dos materiais descobertos pelas arqueólogas Soraya Sarmento e Natália Quitério ocorreram diversos mergulhos de arqueologia subaquática que identificaram uma estrutura no local que provavelmente estará associada. “Sabemos por isso que não são peças perdidas no rio. É mesmo um sítio coeso que está lá debaixo de água”, reforçou o responsável que tem liderado várias missões arqueológicas de investigação e salvaguarda.

A equipa de arqueólogos suspeita que se possa tratar de “uma grande mancha de ocupação relacionada com um povoado” que está ali “algures” e acreditam que, muito provavelmente, “vão continuar a aparecer mais materiais”.

“A linha do nível médio do mar estava a 60 quilómetros daqui [Rio Bôco], portanto, toda esta zona eram planícies que estão neste momento debaixo de água. Agora, não estávamos à espera de encontrar estes materiais, muito menos na zona do Rio Bôco, onde foram localizadas, e é o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país”, disse Tiago Fraga.

A descoberta já foi comunicada à Direcção-Geral do Património Cultural que irá determinar o que será feito relativamente ao local do achado. “A decisão poderá ir da manutenção no local, até à sua conservação por registo que é a escavação integral do sítio, para se poder continuar a fazer a empreitada. Neste caso, como o sítio arqueológico não está em perigo, deverá ficar no solo”, explicou.

A equipa liderada por Tiago Fraga foi contratada para fazer o acompanhamento arqueológico dos trabalhos de desassoreamento da Ria de Aveiro, uma empreitada promovida pela Polis Litoral da Ria de Aveiro que começou no passado mês de Abril e que se irá estender ao longo de quase 100 quilómetros de canais.

Entre as várias acções desenvolvidas pelos arqueólogos está a protecção de estruturas arqueológicas, o estudo de materiais que vão aparecendo e a valorização e divulgação dos achados.

“Como é uma empreitada de grande envergadura, é necessário fazer acompanhamento arqueológico e a valorização patrimonial dos sítios arqueológicos já conhecidos, com o objectivo de aumentar o conhecimento da zona, perceber como é que Ílhavo e Aveiro apareceram e como era o tráfego marítimo na zona”, explicou Tiago Fraga.

Os arqueólogos estão também a fazer o despiste de “cinco possíveis túmulos de lastro” que foram identificados, no âmbito do estudo de impacto ambiental da empreitada. “Já fizemos o primeiro e não é um túmulo de lastro. Estamos com esperanças que um deles seja um naufrágio”, disse o responsável.

Apesar de todo o património arqueológico subaquático que já foi encontrado na Ria de Aveiro, Tiago Fraga diz que ainda há muito por descobrir no fundo da laguna.

“Toda a gente sabe que existem mais de 14 naufrágios aqui e um deles é o mais antigo de Portugal – ainda está em sítio na zona do Canal de Mira. Sabemos o que se passa no Canal de Mira e, agora, apanhámos esta surpresa no canal do Bôco, mas não sabemos nada do que se passa na zona Norte, em direcção a Ovar, que era o antigo canal da época islâmica e aí poderemos ter outras surpresas”, afirmou.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Setembro, 2019

 

2614: Descoberto um novo segredo sobre os Manuscritos do Mar Morto

CIÊNCIA

(dr) The Israel Museum
Detalhe do primeiro dos Manuscritos do Mar Morto, encontrado em 1947

Há novos detalhes sobre o Pergaminho do Templo, o maior dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em meados do século XX.

Os investigadores encontraram uma variedade de sais usados exclusivamente neste texto que favoreceu a sua conservação durante mais de 2.000 anos.

O pergaminho, de oito metros de comprimento, atraiu a atenção dos arqueólogos pela sua excecional magreza e cor de marfim brilhante. De acordo com o estudo, publicado este mês na revista especializada Applied Sciences And Engineering, o rolo possui uma estrutura em camadas que consiste num material à base de colágeno e outra camada inorgânica atípica de sulfatos e outros minerais descobertos após a recente análise química.

Os autores do estudo apontam para “uma tecnologia de fabricação antiga única”, na qual este pergaminho foi modificado adicionando uma camada inorgânica como superfície de escrita. Os resultados da investigação resolvem o mistério que, durante anos, ninguém conseguiu explicar: por que razão o documento é tão diferente dos outros e, apesar de encontrado no mesmo local, conseguiu sobreviver em melhores condições.

Além disso, o entendimento dos minerais utilizados é de grande importância no “desenvolvimento de métodos de conservação apropriados para a preservação desses valiosos documentos históricos”, acrescentam os especialistas.

Os textos, também conhecidos como Rolls of Qumran, são uma colecção de milhares de fragmentos de mais de 900 manuscritos com dois milénios de idade, incluindo cópias de textos da Bíblia Hebraica, encontrados em 1946 em doze cavernas.

A maioria dos manuscritos foi escrita num material baseado em pele de animal, descrito como um híbrido de pergaminho e couro. A produção de superfícies de escrita incluiu quatro etapas principais: depilação, desbaste, secagem e acabamento de tensão.

No início de Janeiro de 2018, uma das últimas partes dos Manuscritos que ainda permanecia por traduzir, foi decifrada por investigadores da Universidade de Haifa, em Israel. Em Março, o Museu de Israel expôs, pela primeira vez, um dos mais antigos e intrigantes manuscritos bíblicos que narra a partida de Noé após o dilúvio.

Nas duas últimas décadas, foram encontrados mais fragmentos dos Manuscritos, nomeadamente em mercados de antiguidades, o que lançou suspeitas sobre a origem e autenticidade. Alguns fragmentos foram adquiridos pelos fundadores do Museu da Bíblia.

Os arqueólogos continuam, contudo, à procura de sinais dos Manuscritos e há quem acredite que pode haver outras cavernas por descobrir com estes misteriosos pergaminhos escondidos.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2592: Raro mosaico romano com cena mitológica encontrado no Reino Unido

CIÊNCIA

Um mosaico romano com cerca de 1600 anos, que retrata uma cena mitológica greco-romana, foi encontrado numa vila de Berkshire, no Reino Unido.

O mosaico foi encontrado num sítio arqueológico no Reino Unido descoberto já em 2017. Contudo, e por se localizar num campo agrícola e de ainda precisar de trabalhos de limpeza adicionais, só agora foi possível desvendar o mosaico na sua totalidade.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, que descreve o mosaico romano como “raro“, o achado terá sido construído por volta de 380 d.C.

Anthony Beeson, especialista em arquitectura e arte romana e grega, disse, em declarações ao The Telegraph, que o mosaico agora encontrado é um de três deste tipo até agora descobertos em todo o mundo. Também o arqueólogo Matt Nichol, que trabalhou na escavação, descreveu à BBC as imagens e a iconografia achado como “inigualáveis”.

Na obra está retratado uma cena mitológica em que Pélope está numa corrida de carruagens com o pai da sua futura esposa, a princesa Hipodâmia.

Segundo a mitologia, o herói do mosaico era Pélope, neto de Zeus. Pélope queria casar com a sua amada Hipodâmia e pediu-a em casamento ao sei pai, Enomau, o rei de Olímpia. Reza a lenda que o pai de Hipodâmia tinha já matado 30 outros pretendentes devido a uma profecia que sustentava que seria morto pelo seu genro.

@Howard_S

Some detail of the #Roman #mosaic uncovered at #Boxford in Berkshire yesterday. 1/ the best preserved corner showing an #archer, #telomon, #lion 2/ the telomon closeup 3/ the lion struck by the archer’s arrow and bleeding and 4/ a roundel with #cupid #boxfordromanmosaic

Tendo a profecia em mente, Enomau disse que aceitava o pedido de casamento se Pélope o vencesse numa corrida de carruagens. Sabendo que partia em desvantagens, uma vez que Enomau tinha cavalos fortes e se tinha já livrado de outros pretendentes desta forma, Pélope pediu a Poseidon que fizesse com que a sua carruagem fosse mais rápida.

Além disso, Pélope prometeu ao responsável pelos cavalos de Oenamaus, Mirtilo, uma noite com Hipodâmia caso sabotasse a carruagem do rei.

Durante a competição, Mirtilo cumpriu com a sua parte. As rodas do carro do rei Oenamaus acabaram por se soltar, causando a sua morte. Depois de ter vencido a corrida, Pélope o mata Mirtilo para não ter que cumprir a sua promessa.

O mosaico retrata ainda outras figuras da mitologia greco-romana, frisa a SputnikNews.

O jornal britânico destaca que o mosaico tem grande valor histórico para o país. Apesar disso, os moradores locais não querem levá-lo para o museu. Actualmente, estão a ser levadas a cabo medidas de conversação, enquanto as equipas de arqueólogos estudam o achado para melhor compreender o período romano da história do Reino Unido.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2019

 

2575: Encontrados edifícios e via romanos em escavações arqueológicas de Tavira

CIÊNCIA

Filipe Farinha/ Lusa
Escavação arqueológica na cidade de Balsa, em Tavira, desvendou edifícios e uma via romanos.

As escavações arqueológicas realizadas nos vestígios da antiga cidade romana de Balsa, em Tavira, confirmaram a existência de edificações e de uma via com orientação este-oeste.

A definição de onde acaba e começa a cidade romana do século I é o grande objectivo do projecto de investigação de três anos iniciado este verão.

João Pedro Bernardes, investigador da UAlg, fez um balanço positivo do trabalho desenvolvido no primeiro ano do projecto de investigação, que permitiu descobrir “os limites de duas edificações e a via que existia entre ambas, com direcção este-oeste”.

Durante um dia aberto na escavação, o arqueólogo mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados, porque foram descobertas estruturas, que “confirmaram o que já se tinha identificado com as sondagens geofísicas” e os trabalhos de prospecção feitos em 2017.

“A cidade teve um período áureo entre o século I e século II, marcado por grandes construções e edifícios, e depois temos uma fase mais de decadência da cidade, que se regista a partir do século III e que vai até ao século VII, e que reaproveita os materiais da fase mais antiga”, afirmou o investigador da UAlg.

“É isso que estamos aqui a constatar e que é provado também por materiais que nos chegam aqui de todo o mediterrâneo”, acrescenta João Pedro Bernardes  entre esses materiais estão “cerâmicas finas“.

Os arqueólogos encontraram ainda um fragmento de uma peça “com a marca do oleiro” e que se sabe que foi “importada da actual França, da antiga Gália”, referiu o investigador.

Foi também possível, numa outra escavação mais acima no terreno, perceber os danos que a exploração agrícola na zona ao longo de anos e a utilização de máquinas provocou nos vestígios que estavam enterrados, “porque são visíveis as marcas das máquinas na pedra” que estava na base do terreno, explicou o arqueólogo.

Sobre o que fica para fazer nos próximos dois anos, a mesma fonte respondeu que falta o grande objectivo, que é o de “determinar a extensão da cidade“.

“E para isso precisaremos provavelmente de entrar em negociações com vários proprietários, porque pensamos que a cidade se prolonga para outras propriedades“, disse o investigador, referindo-se à zona a nascente da actual localização.

A autarquia de Tavira, através da vice-presidente, Ana Paula Martins, salientou ainda a importância de haver transparência em toda a informação disponível sobre Balsa, para que “se saiba exactamente o que lá está” e “libertar as zonas onde não há vestígios”, com a definição de uma nova Zona Especial de Protecção (ZEP).

Balsa situa-se na freguesia de Luz de Tavira, na zona da Torre D’Aires, numa área protegida localizada junto à ria Formosa, e está já abrangida por uma ZEP.

As escavações arqueológicas estão a ser conduzidas pela Universidade do Algarve (UAlg) e o Centro de Ciência Viva de Tavira, com o apoio da Direcção Regional de Cultura e a Câmara de Tavira, em terrenos privados da Quinta da Torre D’Aires, na freguesia de Luz de Tavira.

DR, ZAP //

Por DR
4 Setembro, 2019

 

2517: Encontrado no Peru um “sapo humanizado” com 3.800 anos que anunciava a chegada de água

CIÊNCIA

Ministério de Cultura do Peru

O Ministério da Cultura do Peru anunciou a descoberta de um “sapo humanizado” e uma cabeça antropomórfica, esculpida num mural de relevo e cuja idade é estimada em 3.800 anos.

A descoberta ocorreu na área de Vichama, localizada a norte de Lima, e considerada um dos sítios arqueológicos mais importantes do país sul-americano.

Ruth Shady Solís, directora da Zona Arqueológica de Caral (ZAC) do Ministério da Cultura, confirmou que os símbolos estavam localizados num dos edifícios públicos cerimoniais da época.

Segundo a interpretação do especialista, citada em comunicado, a cena representaria “o anúncio da chegada da água“. O sapo é considerado um ícone relacionado à chuva e à água do rio, essencial para a agricultura. Por outro lado, a imagem da cabeça humana ilustraria o homem que esperava água para dar continuidade à vida.

Os relevos da Vichama estarão relacionados com a escassez e a fome sofrida pelos habitantes da região, de modo que especialistas dizem representar a “memória do colectivo social sobre as dificuldades enfrentadas pela mudança climática, escassez de água e comida”.

Em 2018, também outras figuras foram descobertas nas paredes do distrito arqueológico, cuja extensão é de 25 hectares. Na parede, podiam ser vistosos relevos de quatro cabeças humanas com os olhos fechados cercados por duas cobras. Segundo Ruth Shady, “as cobras representam a divindade ligada à água, que filtra a terra e faz a semente germinar”.

Do ponto de vista do especialista, neste muro, os habitantes de Vichama representavam a fertilização da terra em tempos de luta contra a escassez de água. Além disso, Solís indica que o mural forma o espaço do salão cerimonial de um edifício público em Vichama, orientado para as terras agrícolas dos vales de Huaura.

Entre 3.800 e 3.500 anos atrás, foram construídos 22 complexos urbanos, com edifícios públicos, locais de encontro e sectores domésticos. A civilização caral floresceu entre os séculos XXX e XVIII a.C e é a mais antiga civilização dos estados pré-colombianos da América. Em 2009, a cidade sagrada de Caral-Supe foi declarada Património Cultural da Humanidade pela UNESCO.

ZAP //

Por ZAP
26 Agosto, 2019

 

2512: Descoberta em Alenquer uma das maiores muralhas do país do Calcolítico

CIÊNCIA

Mário Cruz / Lusa

Arqueólogos portugueses e espanhóis descobriram em Alenquer uma muralha monumental, uma das maiores do país do período Calcolítico, com quatro a cinco mil anos, após terem realizado este mês as primeiras escavações.

A uma altitude de 170 metros, em pleno Canhão Cársico da Ota, classificado como paisagem protegida de âmbito local, foi descoberto “um recinto murado com cinco mil anos”, os primeiros vestígios do que poderá vir a ser um povoado pré-histórico, disse à agência Lusa o arqueólogo André Texugo Lopes.

Através do motor de localização por satélite Google Earth, o arqueólogo já tinha conseguido identificar a estrutura murada pré-histórica, mas, devido à vegetação densa, só os trabalhos de desmatação e as escavações deste ano permitiram pô-la em parte a descoberto.

“Já identificámos quatro a cinco metros de largura da estrutura e um comprimento de 150 metros” afirmou o investigador do Centro de Estudos Geográficos e do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, apontando para que seja “provavelmente a maior estrutura pré-histórica deste tipo de sítios”.

As escavações, realizadas em conjunto com Ana Catarina Basílio, investigadora do Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve, com a colaboração de arqueólogos da Universidade de Coimbra, da Universidade Autónoma de Madrid e da Universidade de Jaén (Espanha), permitiram perceber que o muro possui uma altura conservada de 1,4 metros, apesar de ter vários derrubes identificados.

O sítio arqueológico da Ota terá uma dimensão na ordem dos cerca de quatro hectares, incluindo uma zona de dois hectares rodeada pela muralha e outra fora da mesma, onde os arqueólogos também identificaram e escavaram estruturas e materiais de importância arqueológica, que estão, contudo, por datar.

O sítio estava identificado desde 1936, mas só em 2016 André Texugo Lopes, natural do concelho, no distrito de Lisboa, fez prospecções no local e estudou os materiais recolhidos à superfície nas últimas décadas, no âmbito da sua dissertação de mestrado e de um dos projectos que venceram o Orçamento Participativo de 2014 da Câmara Municipal de Alenquer.

A localização do sítio pré-histórico pode dever-se à existência de “água por perto e ao controlo e defensibilidade sobre a zona a 360 graus, localizando-se este sítio sobre uma via de comunicação importante, o rio Ota, que nasce na serra do Montejunto e desagua no Tejo”.

Durante as escavações, os arqueólogos encontraram materiais muito fragmentados do período Calcolítico e elementos da Idade do Bronze (cerca de 1500 anos antes de Cristo), da Idade do Ferro (cerca de 700 anos a.C.), do período romano (entre 400 anos a.C. e 200 anos d.C.) e do período islâmico (século VIII d.C.), que revelam uma ampla ocupação do sítio, ainda que com dinâmicas distintas.

Entre eles, destacam-se machados de bronze, machados de pedra polida, cerâmicas decoradas, elementos construtivos romanos, artefactos em sílex, ossos polidos e até um ‘lagomorfo’, que pensam estar associado a contextos funerários.

A dimensão do sítio leva os arqueólogos a depositar elevada expectativa em futuras campanhas.

“Sempre que desmatamos mais um bocadinho conseguimos sempre incrementar valor e encontrar estruturas arqueológicas”, disse André Texugo Lopes.

No âmbito da tese de doutoramento que está a desenvolver, André Texugo Lopes vai pela primeira vez em Portugal efectuar prospecção arqueológica recorrendo a ‘drones’ e a tecnologia, com um raio laser a penetrar na densa vegetação e a chegar ao nível do solo, identificando “com grande precisão estruturas arqueológicas, como as identificadas na Ota”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Agosto, 2019

 

2506: Altar de pedra com 2.800 anos confirma que uma guerra bíblica realmente aconteceu

CIÊNCIA

(dr) Adam Bean

Um altar de pedra inscrito com 2.800 anos de idade, encontrado dentro de um santuário moabita na antiga cidade de Ataroth, na Jordânia, pode dar mais informações sobre uma antiga guerra bíblica.

O altar tem duas inscrições. As palavras estão na língua moabita, enquanto os números nas inscrições estão em Hierático (um sistema de escrita egípcio). O altar parece datar a um tempo após Mesha, rei de Moab, se ter rebelado com sucesso contra o reino de Israel e conquistou Ataroth, uma cidade que o reino de Israel tinha controlado.

Nessa altura, Israel estava dividida em duas, com um reino do norte que mantinha o nome de Israel e um reino do sul chamado Judá.

A Bíblia hebraica menciona a rebelião, dizendo que antes de Mesha se rebelar, Moab tinha que dar a Israel um tributo anual de milhares de cordeiros e uma vasta quantidade de lã de carneiro. A rebelião também é descrita na chamada estela Mesha, descoberta em 1868 em Dhiban, na Jordânia, que afirma que Mesha conquistou Ataroth e matou muitos dos habitantes da cidade.

O altar foi descoberto enquanto o santuário estava a ser escavado, em 2010. O altar e o santuário foram descritos recentemente na revista Levant.

Uma das duas inscrições escritas no altar parece descrever o bronze que foi saqueado após a captura de Ataroth. “Pode-se especular que quantidades de bronze saqueadas da cidade conquistada de Ataroth foram apresentadas como ofertas no santuário e registadas neste altar”, escreveram os investigadores no artigo.

A segunda inscrição no altar é fragmentária e difícil de entender. Parte parece dizer que “4.000 homens estrangeiros foram dispersos e abandonados em grande número”, enquanto outra parte da inscrição menciona “a cidade desolada”.

“Ainda não há muita clareza sobre esta inscrição”, escreveram os arqueólogos, observando que a inscrição pode falar de eventos ocorridos durante a rebelião de Mesha contra Israel e a captura de Ataroth.

Substâncias perfumadas como incenso, madeiras aromáticas e óleos teriam sido queimadas no altar, disse o autor Adam Bean, do Departamento de Estudos do Oriente Próximo da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore.

O altar fornece a confirmação de que os moabitas conseguiram conquistar Ataroth, explicou o co-autor Christopher Rollston, professor de línguas semíticas e literaturas do noroeste da Universidade George Washington em Washington, D.C.

O altar também mostra que, há 2.800 anos, os moabitas tinham escribas habilidosos. As inscrições no altar “são as primeiras evidências que temos até agora para uma escrita moabita distinta”, disse Rollston à Live Science, observando que a inscrição descoberta em 1868 usava a escrita hebraica para escrever a língua moabita.

“Muitas vezes falamos sobre a sofisticação da educação dos escribas do antigo Israel, e com razão, [mas as inscrições no altar mostram] que a antiga Moabe tinha alguns escribas talentosos”, disse Rollston.

Hoje, Ataroth é chamado Khirbat Ataruz. As escavações no local são conduzidas por Chang-Ho Ji, que é reitor de educação na Universidade La Sierra, em Riverside, Califórnia.

ZAP //

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24 Agosto, 2019

 

2500: Ferramentas de pedra com 45 mil anos descobertas na Mongólia

CIÊNCIA

Nicolas Zwyns / University of California

Uma colecção de artefactos de pedra descobertos no sítio arqueológico de Tolbor-16, na Mongólia, provam que o Homo sapiens viajou pela Eurásia cerca de dez mil anos antes do que se pensava.

O Homo sapiens moderno viajou pela Eurásia há 45 mil anos, cerca de dez mil antes do que anteriormente os especialistas pensavam. As escavações em Tolbor-16, na Mongólia, trouxeram à tona 826 ferramentas de pedra que dão provas sólidas de ocupação humana nessa zona.

“O sítio arqueológico aponta para um novo local onde os humanos modernos podem ter encontrado pela primeira vez os seus misteriosos primos, os Denisovanos“, disse Nicolas Zwyns, investigador da Universidade da Califórnia e autor do estudo publicado, na semana passada, na revista Scientific Reports.

“Com lâminas longas e regulares, as ferramentas assemelham-se às encontradas em outros locais na Sibéria e no noroeste da China — o que indica uma dispersão em larga escala de seres humanos por toda a região”, explicou Zwyns. Objectos como estes já tinham sido encontrados na Sibéria, mas não com este grau de estandardização.

O arqueólogo belga também se mostrou intrigado com esse aspecto, realçando que as ferramentas foram “produzidas de uma forma complicada, mas sistemática”. O investigador notou ainda uma espécie de assinatura típica dos artefactos que mostram pertencer todos a um mesmo grupo com um conhecimento técnico e cultural em comum.

Nicolas Zwyns / University of California
Algumas das ferramentas encontradas em Tolbor-16.

Segundo o Sci-News, a tecnologia usada nas ferramentas levou os arqueólogos a excluir que tenham sido neandertais ou denisovanos a ocupar o espaço.

“Embora não tenhamos encontrado restos humanos no local, as datas que obtivemos correspondem à idade dos primeiros Homo sapiens encontrados na Sibéria”, disse Zwyns. “Depois de considerar cuidadosamente outras opções, sugerimos que essa mudança na tecnologia ilustra os movimentos do Homo sapiens na região“, acrescentou.

A datação das ferramentas coincide com as previsões do primeiro encontro entre o Homo sapiens e os denisovanos. “Embora ainda não saibamos onde se encontraram, parece que os denisovanos transmitiram genes que mais tarde ajudaram o Homo sapiens a estabelecer-se em altitudes elevadas e a sobreviver à hipóxia no Tibete”, explicou Zwyns.

Evidências do solo da região sugerem também que, durante um período, o clima ficou mais quente e húmido na Mongólia, passando de uma região fria e seca para um clima mais propenso a animais e humanos. Zwyns encontrou também fragmentos de ossos que confirmam a presença de animais de pasto.

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23 Agosto, 2019

 

2435: Arqueólogos descobriram um bar viking na Escócia

CIÊNCIA

Foi descoberto na ilha de Rousay, na Escócia, um bar viking — que provavelmente esteve em funcionamento entre os séculos X e XII.

Uma equipa de arqueólogos da University of The Highlands and Islands, na Escócia, descobriu um bar viking na ilha de Rousay, Orkney, escreve o Live Science.

Os cientistas estimam que o estabelecimento abriu entre os séculos X e XII, provavelmente com o propósito de servir Vikings de alto estatuto. Agora, tudo o que resta desta cervejaria, outrora movimentada, são pedras e alguns artefactos, como um pente de osso nórdico, cerâmica e pilhas de lixo conhecidas como sambaquis.

Os arqueólogos descobriram o estabelecimento durante o verão no Skaill Farmstead, depois de terem percebido que as paredes que se estendiam por um assentamento já conhecido eram, na verdade, parte de um grande edifício nórdico com 13 metros de comprimento.

Estas paredes tinham cerca de um metro de comprimento e estavam separadas por cinco metros e meio. A equipa também descobriu que existiam bancos de pedra no edifício.

“Recuperámos cerca de mil sambaquis neste local, o que nos dará uma oportunidade sem precedentes de olhar para as mudanças nas tradições alimentares, agricultura e práticas de pesca do período nórdico até ao século XIX”, explica num comunicado a arqueóloga e co-directora do projecto Ingrid Mainland.

As escavações vão continuar mas entretanto já mostraram parecenças com outros estabelecimentos nórdicos encontrados em Orkney, bem como em outras partes da Escócia. Além disso, este local pertence a Westness, uma área costeira da ilha mencionada na saga Orkneyinga como a casa de Sigurd, um poderoso chefe dos Vikings do século XII.

“Não sabemos, mas se calhar o próprio Sigurd se tenha sentado num destes bancos de pedra dentro do salão e tenha bebido um jarro de cerveja!”, brinca Dan Lee, outro co-director do projecto.

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12 Agosto, 2019

 

2409: Humanos podem ter começado a fazer churrasco há 1,5 milhões de anos

CIÊNCIA

PublicDomainPictures / Pixabay

Fazer churrascos é hoje uma prática muito comum, mas pode não ser um fenómeno recente. Novas evidências sugerem que os humanos já assavam carne em fogo há 1,5 milhões de anos.

Até agora, acreditava-se que a primeira vez que os humanos usaram fogo para cozinhar carne tinha sido há 400 mil anos. No entanto, novas evidências descobertas por arqueólogos no Quénia sugerem que o uso de fogo na culinária remonta há cerca de 1,5 milhões de anos.

“Esta é a área mais antiga onde já se encontrou sinais do uso de fogo dos nossos ancestrais”, disse Sarah Hlubik, investigadora da Universidade de Rutgers, de Nova Jérsia, nos Estados Unidos, citado pelo New Scientist.

Há muitos anos que os arqueólogos investigavam a região de Koobi Fora, no norte do Quénia, onde já tinham sido encontradas manchas vermelhas no chão, que podem ser sinais de calor elevado causado pelas fogueiras. Agora, pedras carbonizadas e fragmentos de ossos são evidências sólidas do uso do fogo para cozinhar. Estes foram encontradas nas mesmas zonas das manchas vermelhas.

Os resultados da investigação arqueológica foram publicados no mês passado na revista Journal of Archaeological Science e serão publicados no próximo mês na revista Journal of Human Evolution.

O uso do fogo também foi provado pelas ferramentas de pedra encontradas, que tinham curvaturas que só seriam possíveis fazer com recurso a uma fogueira. No entanto, os arqueólogos norte-americanos estão a tentar ser cuidadosos com as conclusões que retiram das suas descobertas. Isto porque poderiam sugerir que os humanos usaram fogo cem mil antes do que se pensava.

Todavia, os cientistas procuram agora perceber o quão extensivamente era usado o fogo para cozinhar. Este aspecto poderá ter sido importantíssimo na nossa evolução, já que alimentos cozinhados diminuem o uso do intestino, libertando mais energia para, por exemplo, o crescimento do cérebro.

Os arqueólogos procuram agora mais provas, noutros sítios, para puderem afirmar com toda a certeza que os primeiros hominídeos usavam, de facto, fogo para cozinhar os seus alimentos.

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6 Agosto, 2019

 

2358: Afinal, as pedras de Stonehenge podem ter sido transportadas usando sebo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Walkerssk / pixabay

Como é que os construtores de Stonehenge levaram as pedras gigantes para o mesmo local continua um mistério. Agora, uma nova investigação sugere que as pedras foram transportadas através de gordura animal.

Uma nova investigação pode oferecer uma perspectiva curiosa em relação a como é que os construtores do Stonehenge levaram as pedras para o local. Gordura animal encontrada em olaria foi interpretada como prova de que eram feitos grandiosos banquetes em Stonehenge.

No entanto, uma equipa de cientistas publicou um estudo, esta semana, na revista Antiquity, que sugere que essa gordura pode ter sido usada para mover as pedras até ao destino. Isto porque o sebo foi encontrado em cerâmica do tamanho de baldes, o que pode indicar que foi usada para facilitar o transporte das peças.

“Eu estava interessada no nível excepcional da preservação e grandes quantidade lípidos que recuperamos da cerâmica em Grooved Ware”, disse Lisa-Marie Shillito, autora principal do estudo. A arqueóloga ficou curiosa para saber por que razão havia grandes quantidades de de gordura de porco na cerâmica encontrada.

Os ossos escavados em Grooved Ware mostram que muitos dos porcos foram assados no espeto, em vez de cortados, como seria de esperar caso estes tivessem sido cozidos nos potes.

“Uma análise de resíduos de gordura é uma técnica bem estabelecida para revelar que tipo de alimentos eram usados para os diferentes tipos de cerâmica”, disse Shillito.  De acordo com o Sci-News, apesar de haver questões por responder em relação a Stonehenge, é praticamente consensual que as pedras foram movidas através de esforço humano.

“Interpretações arqueológicas de resíduos da cerâmica, às vezes, só nos mostram parte da realidade”, explicou o especialista. “Se esperamos obter um melhor entendimento, precisamos de pensar num contexto mais amplo e adoptar uma abordagem diferente para identificar outras possibilidades”, acrescentou.

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23 Julho, 2019

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2215: As hienas viveram no Árctico na última Era Glacial

CIÊNCIA

(dr) Julius T. Csotonyi
Impressão artística de hienas ancestrais que viviam no Árctico

Durante a última Era Glacial, hienas que esmigalhavam ossos vaguearam no Árctico canadiano, satisfazendo os seus desejos de carne caçando renas, cavalos e carcaças de mamutes.

A grande descoberta de que as hienas antigas viviam no Árctico norte-americano é baseada em dois pequenos dentes, encontrados por arqueólogos no território de Yukon, no norte do Canadá. Os dois dentes preenchem um buraco no registo fóssil.

Os investigadores já tinham evidências de que a hiena do tamanho de um lobo conhecida como Chasmaporthetes vivia na Mongólia e – depois de cruzar a ponte terrestre do Estreito de Bering – Kansas e centro do México. Os novos dentes mostram onde os Chasmaporthetes moravam entre esses dois lugares: a 6.500 quilómetros do Velho Mundo, na Mongólia, e quatro mil quilómetros ao norte do Kansas.

O Chasmaporthetes conseguiu adaptar-se a todos os tipos de ambientes, segundo disse Jack Tseng, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, à Live Science.

Os arqueólogos encontraram os dois dentes fósseis nos anos 1970, num sítio conhecido como Old Crow Basin. Mas ninguém publicou estudos sobre os dentes, que se arrastaram duranre décadas nas colecções do Museu Canadiano da Natureza em Ottowa, Ontário.

Tseng só soube da existência dos dentes através do boca a boca. Intrigado, conduziu o seu carro seis horas de Buffalo para Ottawa em Fevereiro. Os dentes, um molar e pré-molar, eram tão distintos, que “nos primeiros 5 minutos, tinha certeza de que eram Chasmaporthetes”, disse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hienas, imaginam os carnívoros que vagueiam pela África actualmente. Mas as hienas surgiram na Europa ou na Ásia há cerca de 20 milhões de anos. Só mais tarde chegaram a África e um número ainda menor atravessou a ponte de terra do Estreito de Bering para a América do Norte.

De acordo com o estudo publicado na revista Open Quaternary, estes dentes são desafiadores porque foram encontrados na curva interna de um rio – o que significa que a corrente os levou para longe do seu local de repouso original. Mas com base na geologia da bacia, os dentes têm entre 1,4 e 850 mil anos. Esses dentes não são das hienas mais velhas da América do Norte. Esse prémio vai para os fósseis de hiena de 4,7 milhões de anos encontrados no Kansas.

As hienas antigas nunca se depararam com um humano. Os animais extinguiram-se na América do Norte entre um milhão e 500.000 anos atrás, muito antes de os humanos chegarem às Américas. Não se sabe a razão para o desaparecimento destas hienas, mas é possível que outros carnívoros vorazes da idade do gelo, como o cão (Borophagus), Urso gigante de cara curta (Arctodus) ou canídeo semelhante a um cão de caça (Xenocyon) tenham assumido os seus habitats e os superaram em busca de presas.

Hoje, existem apenas quatro espécies vivas de hiena. Dado que Chasmaporthetes era um triturador de ossos, provavelmente desempenhou um grande papel na eliminação de carcaças na antiga América do Norte.

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22 Junho, 2019

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2198: Misteriosas ilhas artificiais na Escócia são mais antigas que Stonehenge

CIÊNCIA

(dr) Fraser Sturt)

Arqueólogos da Universidade de Southampton, que trabalharam com colegas da Universidade de Reading e com o arqueólogo local Chris Murray, descobriram que alguns “crannogs” escoceses datam do período neolítico – muito mais antigos do que se supunha.

Pensava-se que estas ilhas artificiais, construídas em lagos e enseadas no mar, tinham sido construídas, usadas e reutilizadas durante mais de 2.500 anos entre a Idade do Ferro e o período pós-medieval.

No entanto, agora, os investigadores dataram com radio-carbono quatro crannogs nas Hébridas Exteriores de 3640 a 3360 a.C, mudando a linha do tempo em milhares de anos, de acordo com o estudo publicado na revista Antiquity. Segundo o Phys, a construção do Stonehenge começou nos anos 3.000 a.C.

​Supõe-se que quase todas as ilhotas tenham servido como habitação. Em 2012, foram descobertos potes extraordinariamente bem preservados do início ou meio do Neolítico num leito do lago pelo residente de Lewis Chris Murray. Mais tarde, trabalhando com Mark Elliot, do Museum nan Eilean, recuperou colecções semelhantes em mais cinco locais crannog em toda a ilha.

Estas descobertas de cerâmica sugeriram que os crannogs podiam datar do período neolítico e levaram os investigadores a estudar usando uma combinação de levantamento de solo e submarino, fotogrametria e perfuração paleo-ambiental. Concluíram que havia evidências de construção de ilhas artificiais nas Hébridas Exteriores durante o Neolítico.

“Esses crannogs representam um esforço monumental feito há milhares de anos para construir mini-ilhas, acumulando muitas toneladas de pedras no leito do lago”, disse Fraser Sturt, arqueólogo da Universidade de Southampton, em comunicado.

(dr) Fraser Sturt)

Foram recuperadas quantidades substanciais de vasos cerâmicos neolíticos dos lagos e os seus grandes tamanhos fragmentados sugerem que – pelo menos alguns – estavam completos quando entraram na água. Noutras palavras, houve um depósito sistemático e possivelmente ritualizado das ilhas.

Com entre 10 a 30 metros de comprimentos, os crannogs seriam lugares especiais para reuniões públicas ou construções para ritos e refeições conjuntas. Duncan Garrow, da Universidade de Readimng, admitiu que o facto de as construções serem cercadas de água pode simbolizar a separação do homem da vida quotidiana.

Embora as Hébridas Exteriores tenham um número significativo de crannogs, também são comuns no restante da Escócia e da Irlanda. Apenas 10% foram datados por radio-carbono e apenas 20% no total foram datados.

“Parece muito provável que sejam encontrados muitos outros crannogs neolíticos. A nossa investigação mostra que este é um novo tipo de sítio para o neolítico britânico, indicando diferentes formas de prática pré-histórica. É muito emocionante pensar no potencial que estes sítios têm para melhorara  nossa compreensão do passado”, concluiu Sturt.

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Por ZAP
18 Junho, 2019

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