1127: Desvendado mais um mistério da mítica Ilha de Páscoa

CIÊNCIA

Indabelle / Flickr

A mítica Ilha de Páscoa tem fascinado e intrigado cientistas ao longo dos anos, tendo surgido várias questões que vão desde de os famosos moais de pedra até à misteriosa extinção da civilização antiga. Uma equipa de arqueólogos acaba agora de desvendar um destes mistérios – o da extracção de água doce.

De acordo com um novo estudo, publicado recentemente na revista Hydrogeology Journal, os antigos habitantes de Rapa Nui mantiveram uma sociedade composta por milhares de pessoas recorrendo às descargas de água costeira como principal fonte de água doce.

Tendo em conta que a região onde os Rapa Nui habitavam era uma ilha, a questão da extracção e obtenção de água doce permanecia ainda por explicar. Além do território ser rodeado de água, os solos da região eram vulcânicos e porosos, absorvendo rapidamente as águas das chuvas, uma vez que praticamente não havia rios na ilha.

Ou seja, os pequenos lagos vulcânicos não eram suficientes fontes de água doce para um população tão numerosa.

De forma a responder a esta questão, uma equipa de arqueólogos da Universidade de Binghamton, na cidade norte-americana de Nova Iorque, levou a cabo uma investigação, na qual mediu a salinidade da água costeira à volta da Ilha de Páscoa, testando a hipótese de a água ter sido extraída do oceano.

Após as medições, os cientistas consideraram que a água oceânica era potável para consumo, podendo o oceano  ter sido um fonte de água doce para a civilização.

“Felizmente, a água subterrânea flui para baixo e finalmente deixa o solo no ponto exacto onde a rocha subterrânea porosa se encontra com o oceano. Quando as marés estão baixas, a água doce corre directamente para o mar. Os habitantes podem, desta forma, ter aproveitado estas fontes de água doce para recolher água nestes pontos”, explicou o co-autor do estudo, Carl Lipo.

Tal como explicou Lipo, a água doce misturava-se um pouco com a salgada, criando a chamada água salobra – uma água que contêm sal, mas não em níveis prejudiciais para o ser humano.

Contudo, esclarece o investigador, os habitantes de Rapa Nui raramente utilizavam sal na preparação da sua comida, uma vez que a água que consumiam contribuía drasticamente para a ingestão diária de sal.

A mítica Ilha de Páscoa

Localizada no Chile, a Ilha de Páscoa é um dos locais mais misteriosos do nosso planeta. Há dois mil anos, foi lar de uma civilização Polinésia que deixou na ilha um grande número de vestígios em forma de moais gigantes que, acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da região.

A civilização praticamente desapareceu da ilha antes da chegada dos primeiros colonizadores. Desde então, o seu desaparecimento tem levando dúvidas mas, de acordo com as teorias mais aceites pela comunidade científica, a sua extinção pode estar relacionada com a falta de recursos ou então com guerras entre grupos.

Em Agosto, o governo chileno anunciou que deverá rebaptizar a Ilha de Páscoa, apelidando-a de Ilha Rapa Nui, que significa “Ilha Grande” e é o seu nome ancestral.

Ilha de Páscoa foi a denominação dada pelo explorador holandês Jakob Roggeveen (1659-1729) – oficialmente o primeiro europeu a pisar na ilha –, que, como chegou à região num domingo de Páscoa, resolveu dar-lhe esse nome.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

 

1124: Descoberto no Egipto o túmulo de Kaires, o guardião de segredos do faraó

CIÊNCIA

Czech Institute of Egyptology
Estátua de Kaire, o “amigo único” do faraó

Uma equipa de arqueólogos checos fez uma descoberta notável em Abusir, perto do Cairo, ao descobrir um complexo funerário único, pertencente a um alto dignitário egípcio da V dinastia do Antigo Reino do Egipto. 

Os restos foram encontrados junto de uma pirâmide em Abusir, onde apenas os membros da família real e os maiores dignitários estaduais da época eram sepultados. De acordo com o Live Science, o túmulo pertence ao “amigo único” (sole friend) do faraó.

De acordo com o comunicado divulgado pela equipa de arqueólogos do Instituto Checo de Egiptologia, dentro do túmulo – que foi roubado nos tempos antigos – foram encontrados os restos de uma estátua com inscrições relativas a um padre de nome Kaire.

Este padre, acrescenta a nota divulgada esta semana, era o “amigo único do faraó” e o “guardião de segredos da Casa da Manhã” – local onde o faraó se vestia e tomava o pequeno-almoço. Kaire era um confidente real.

“Nesta descoberta há uma série de factos únicos. O túmulo está localizado no centro do campo da pirâmide de Abusir, que remota a 2.400 a.C. E, além da capela em si, foram encontradas outras salas”, explicaram os especialistas à Radio Cz.

“Outra característica única é que esta capela é o único túmulo real deste período construído com blocos de basalto para a pavimentação, papéis de parede e um altar. Esta é uma evidência do estatuto excepcional do dono deste túmulo”.

Na época, sublinha o Live Science, só os faraós é que estavam autorizados a usar basalto nas construções de túmulos.

Czech Institute of Egyptology
O complexo funerário de Abusir, perto do Cairo

Segredo da V dinastia egípcia

Os arqueólogos não sabem ao certo a que faraó é que as inscrições se referem no entanto, já conseguiram recolher algumas pistas. O complexo funerário foi encontrados perto de uma pirâmide que pertenceu ao faraó Neferirkare (reinado 2446 a 2438 a.C).

Além disso, outras gravuras encontradas na estátua apontam que Kaires era “inspector dos sacerdotes que serviam no complexo junto da pirâmide”, que pertence a Neferirkare e ao seu sucessor Sahure (2487 a 2475 a.C), terceiro e segundo faraó da V dinastia egípcia, respectivamente.

A estátua menciona ainda vários outros títulos importantes detidos por Kaires, entre os quais, “supervisor de todos os trabalhos do faraó” e o “principal da Casa da Vida” – uma espécie de biblioteca que reunia papiros que registavam conhecimentos sobre diversas áreas, explicaram os arqueólogos.

Apesar de o sarcófago de Kaires ter sido encontrado, ainda restam segredos para desvendar, a sua múmia, por exemplo, ainda não foi encontrada. Outro aspecto que os cientistas ainda não conseguiram apurar é se o padre terá servido a um ou dois faraós.

Os arqueólogos checos, liderados pelo investigador Miroslav Bárta, continuam com os trabalhos arqueológicos, em parceria com o Ministério de Antiguidades do Egipto.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2018

 

1098: Marcas pré-históricas indiciam a existência de uma civilização perdida na Índia

CIÊNCIA

Marathi Mayuresh Konnur / BBC
Entre as marcas encontradas, há figuras de tubarões, aves, rinocerontes e hipopótamos

Uma equipa de arqueólogos encontrou gravuras rupestres pré-históricas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia. De acordo com os cientistas, estes achados podem evidenciar uma antiga civilização até agora desconhecida.  

De acordo com a BBC, foram descobertas milhares destas gravuras rupestres – conhecidas como petróglifos – na região de Konkan, no estado indiano de Maharashtra.

As marcas pré-históricas, maioritariamente encontradas nas cidades de Ratnagiri e Rajapur, estavam gravadas em colinas rochosas e planas, tendo passado despercebidas durante milhares de anos.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a diversidade de gravuras encontradas, que vão desde animais, pássaros, figuras humanas e até desenhos geométricos. Grande parte das figuras estava escondida sob camadas de terra e lama, mas também havia algumas a céu aberto – estas eram consideradas sagradas, sendo pelos habitantes da região.

No entanto, a variedade das esculturas não foi o que mais surpreendeu os arqueólogos. A forma como os petróglifos foram desenhados e a sua semelhança como os demais já encontrados noutras partes do mundo levam os cientistas a acreditar que as marcas foram criadas durante o período pré-histórico e são, possivelmente, dos mais antigos até agora encontrados.

“A nossa primeira dedução após analisar estes petróglifos aponta que estes tenham sido criados por volta de 10.000 a.C”, disse o director do departamento de arqueologia do estado de Maharashtra, Texas Garge, em declarações à BBC.

Com a ajuda dos habitantes e anciãos locais, os arqueólogos encontraram petróglifos em cerca de 52 vilas da região – mas apenas cinco destas sabiam da sua existência.

Evidências de uma sociedade de caçadores-colectores

De acordo com Garge, as imagens evidenciam ter sido desenhadas por uma comunidade de caçadores-colectores que ainda não estava familiarizada com a agricultura. “Nós não encontramos imagens de actividades agrícolas, mas as marcas mostram animais caçados e há uma descrição bastante detalhadas das suas formas”, sustentou.

Shrikant Pradhan, investigador e historiador de arte da Faculdade Deccan de Pune, na Índia, estudou os petróglifos e disse que as figuras eram claramente inspiradas em actividades observadas na época.

“A maioria dos petróglifos mostra animais domésticos, mas há também imagens de tubarões e baleias, bem como anfíbios e tartarugas”, acrescenta Garge.

No entanto, os petróglifos recém-descobertos levantam questões ainda mais intrigantes para os arqueólogos. Os especialistas indagam por que motivo as gravuras retratam animais como hipopótamos e rinocerontes que não se encontram nesta região da Índia. A comunidade que as criou terá migrado da África para a Índia? Ou será que estes animais já habitaram a Índia?

As marcas, que passaram despercebidas durante milénios, continuam a intrigar os cientistas. Para resolver o mistério, o governo da Índia reservou um fundo de 3,2 milhões de euros para continuar a estudar os cerca de 400 petróglifos encontrados.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Outubro, 2018

 

1088: Única no mundo, arqueólogos encontram mão de bronze com 3500 anos

CIÊNCIA

Dentro de uma antiga sepultura na Suíça, arqueólogos descobriram uma antiga mão de bronze numa algema em ouro. A descoberta com 3500 anos é única no mundo.

Desconcertante mas potencialmente muito importante para a arqueologia, nada semelhante a esta mão tinha sido alguma vez descoberta nesta parte da Europa. As primeiras conclusões presumem que a mão seja um símbolo de poder mas ainda não está claro se pertencia a uma escultura maior ou se é apenas um ornamento superior de um cajado.

Os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna estão a realizar uma análise científica detalhada do curioso objecto que surgiu e afirmam que todas as questões poderão ser respondidas dentro de alguns meses.

A datação preliminar do carbono detectou que a mão remonta a 1500 e 1400 a.C.durante a Idade do Bronze na Europa.

A datação ainda sugere que talvez esta seja a peça de bronze mais antiga do mundo a representar uma parte do corpo humano. Caso seja parte de uma escultura maior, pode até ser considerada a escultura de bronze mais antiga da Europa.

“Para o conhecimento de especialistas suíços, alemães e franceses, nunca houve uma escultura comparável que datasse da Idade do Bronze na Europa Central”, disseram os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna num comunicado. “É, por isso, um objecto único e marcante”.

Intitulada como a “mão de Prêles”, o artefacto foi descoberto perto do Lago Biel, na província de Berna, no outono de 2017. Junto da mão também foi encontrado uma lâmina de um punhal de bronze e uma costela humana.

No verão de 2018, os arqueólogos que trabalhavam no local também descobriram restos mortais de um homem adulto que teria sido enterrado numa construção de pedra muito mais antiga.

Dentro do túmulo também existia um alfinete de peito e um ornamento para o cabelo ambos feitos em bronze. Restos de uma placa de ouro também foram encontrados o que pode sugerir a existência de uma outra mão de bronze.

Os investigadores esperam que, ao descobrir a identidade do homem, consigam decifrar o significado da mão de bronze.

“Ele deveria ser alguém de um alto escalão“, afirmaram os Serviços Arqueológicos do Cantão de Berna.

“Ainda é muito cedo para determinar se a mão foi feita na região dos Três Lagos ou noutro país distante. Não sabemos nem o significado, nem a função atribuída a este homem. O ornamento em ouro sugere-nos que será um emblema de poder, um sinal distintivo da elite social, até mesmo de uma divindade“, acrescentaram.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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1081: Arqueólogos descobrem antiga construção massiva no Egipto

Uma equipa de arqueólogos descobriu um antigo prédio de dimensões “massivas” na cidade de Mit Rahina, a 20 quilómetros a sul do Cairo, no Egipto. 

De acordo com o Ministério das Antiguidades do Egipto, que anunciou a descoberta nesta terça-feira, os cientistas descobriram ainda um outro prédio anexo que inclui um grande banho romano e uma câmara destinada a rituais religiosos.

Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, disse, citado pela ABC, que o prédio provavelmente faz parte do bloco residencial da área, onde estava localizada a antiga capital egípcia de Memphis.

A cidade de Memphis foi fundada em meados de 2925 a.C. por Menes, o rei que uniu os reinos pré-históricos do Alto e do Baixo Egipto. Inicialmente, a cidade foi originalmente chamada de White Walls, um termo que pode ter surgido inspirado no palácio do rei que era caiado com tijolos brancos.

Memphis e a sua necrópole tornaram-se um Património Mundial da UNESCO em 1979. Os terrenos contêm os remanescentes de templos, palácios, pirâmides, bairros residenciais e milhares de túmulos escavados em rocha.

O Egipto tem apostado nas descobertas arqueológicas com o objectivo de estimular o turismo no país, que foi fortemente afectado pela turbulência política após a revolta de 2011.

No início, de Setembro, os investigadores encontraram uma esfinge que, provavelmente, data da época da dinastia ptolemaica, que governou o Egipto entre 305 a.C e 30 a.C.

No verão deste ano, os arqueólogos encontraram ainda um misterioso sarcófago negro no Egipto. Alguns especialistas acreditavam que pudesse conter os restos mortais de Alexandre, o Grande – mas, na verdade, as suspeitas não se confirmaram. O túmulo guardava os esqueletos de três pessoas que viveram também durante a época ptolomaica.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2018

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1061: Arqueólogos descobrem múmias antigas e amuletos divinos no Egipto

CIÊNCIA

Egyptian Ministry of Antiquities
A identidade da múmia continua ainda por desvendar

Um grupo de arqueólogos descobriu várias múmias antigas no Egipto – incluindo os restos de um misterioso individuo extremamente bem conservado – num enterro comum na margem oeste do Rio Nilo.

O túmulo foi encontrado em Aswan, no sul do Egipto, e terá cerca de 2500 anos de idade. De acordo com o director do Ministério das Antiguidades do Egito, o sepulcro terá sido utilizado num funeral comunitário.

Entre as múmias encontradas, há uma que desperta especial atenção: a de um indivíduo extremamente bem preservado, envolvido em faixas de linho, que os arqueólogos encontraram num sarcófago de arenito.

De acordo com o Ministério, não há quaisquer inscrições no túmulo, estando a identidade da múmia ainda por revelar. Vão ser conduzidas mais pesquisas para tentar descobrir quem é o indivíduo.

Foram ainda descobertas outros três túmulos perto da mesma região. Os cientistas encontraram fragmentos de pinturas, textos escritos com hieróglifos e pedaços de outros sarcófagos de argila. Os especialistas vão agora tentar decifrar os textos.

Todos os túmulos contêm pedaços de amuletos feitos de fiança – uma cerâmica vidrada utilizada em algumas loiças. As imagens divulgadas pelo Ministério mostram que alguns dos amuletos têm a forma de deuses egípcios, como Anubis, o deus egípcio dos mortos.

Egyptian Ministry of Antiquities
Amuletos encontrados em todos os túmulos

Os cientistas acreditam que as descobertas datam do período a que chamam de “Época Baixa do Antigo Egipto”, que durou de 712 a.C até 332 a.C.

Durante este período, o Egipto esteve sob o controlo de várias potências estrangeiras, como o Reino de Cuxe (antigo reino localizado a sul do país), Assíria e Persa – este período terminou quando Alexandre, o Grande, conquistou o Egipto em 332 a.C.

Não é ainda claro para os cientistas se o indivíduo encontrado no enterro comum pertencia a algum destes grupos estrangeiros, mas os especialistas continuam as investigações para resolver este mistério o quanto antes.

Este têm sido um bom mês para a Arqueologia no Egipto. Ainda esta semana, o Ministério dava conta de ter descoberto uma nova esfinge, também em boas condições de preservação, com cerca de 2 mil anos.

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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1060: Arqueólogos fazem “descoberta do Século” no Tejo (e tem pimenta)

CIÊNCIA

Augusto Salgado / Lusa
A nau terá naufragado entre 1575 e 1625 e é considerada a “descoberta do século”

Uma equipa de arqueólogos da Câmara Municipal de Cascais, do Projecto Municipal da Carta Arqueológica Subaquática do Litoral, descobriu uma nau que terá naufragado entre 1575 e 1625, e que é considerada a “descoberta do século”.

A descoberta, feita num mergulho junto ao ilhéu do Bugio, no rio Tejo, no passado dia 03 de Setembro, resultou do Projecto da Carta Arqueológica Subaquática de Cascais (ProCASC), aprovado pelo município em 2005, e que tem por objectivo recolher todo o tipo de informação histórica, numa campanha de investigação subaquática.

O director científico do ProCASC, Jorge Freire, explicou que os vestígios da nau foram encontrados a uma profundidade média de 12 metros, junto ao Bugio, e abrangem uma área aproximada de 100 metros de comprimento por 50 metros de largura.

“Vê-se o escudo de Portugal, a esfera armilar, portanto, por aí, estamos seguramente a falar de um achado de desígnio nacional muito semelhante àquilo que foi a Nossa Senhora dos Mártires – nau portuguesa também do Caminho das Índias, descoberta em 1994 -, utilizada como motivo da Expo98, só com uma diferença, porque esta está em melhor estado de conservação, daquilo que nos é possível ver à superfície. A área também é muito maior do que foi exumado na Nossa Senhora dos Mártires”, afirmou o director e mergulhador do projecto.

Alguns dos artefactos, que estavam em perigo de ser perdidos, foram recolhidos e colocados em água nas reservas municipais, informou a autarquia. Entre eles é possível encontrar faiança, pimenta da Índia e uma tampa em bronze. Segundo Jorge Freire, esta descoberta é “diferente das outras”, uma vez que foi feita em “ambiente científico”.

“A maior parte das descobertas no país foram feitas por achado fortuito, a maior parte das descobertas em Cascais, e esta em particular, foram feitas em ambiente científico. O que estamos a fazer neste momento é mapear todos os achados que estão à superfície, para termos um diagnóstico daquilo que está visível, para ver qual a evolução do sítio em termos de sedimentação, e perceber a própria dinâmica do sítio”, esclareceu.

De acordo com o Expresso, foram identificados nove canhões em bronze marcados com o escudo nacional ou com a esfera armilar, fragmentos de pratos de porcelana chinesa da época Wanli (1573-1619), grãos de pimenta, cauris (moluscos usados como moedas) do tráfego de escravos e partes do casco.

Augusto Salgado / Lusa

A “descoberta do século”

Para o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), em declarações à agência Lusa, esta é “uma das descobertas arqueológicas mais significativas da última década”.

“O reconhecimento feito pela própria comunidade científica de que se trata da descoberta da década, do século, em termos de arqueologia marítima, é para nós uma grande satisfação. [Assim como] a possibilidade de a termos feito também em conjunto, num programa que não envolve só a Marinha Portuguesa como a Direcção-Geral do Património Cultural, a Câmara Municipal de Cascais e os técnicos da Câmara Municipal de Cascais, assim como a Universidade Nova de Lisboa”, afirmou Carlos Carreiras.

Segundo o director do ProCASC “brevemente” a nau irá transformar-se num campo-escola, para a formação académica de alunos das universidades.

“Temos uma ausência de campos para formar arqueólogos e a nau vai ser transformada, nesse sentido, porque está lá a nau e um conjunto de navios de outras cronologias muito perto deste sítio, que também necessitam de ser intervencionados, e vamos juntar-nos num planeamento. Temos um programa pré-definido para isto, que terá subjacente este campus universitário. Em breve estará em funcionamento”, acrescentou.

De acordo com Jorge Freire, o campo-escola será criado através da Cátedra UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, tutelada pelo Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, em parceria com a Marinha Portuguesa e a Direcção-Geral do Património Cultural.

ZAP // Lusa

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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1047: Altar maia revela disputa pelo poder ao estilo de “Game of Thrones”

CIÊNCIA

National Museum of Archaeology and Ethnology in Guatemala City / La Corona Regional Archaeological Project

Uma equipa internacional de arqueólogos encontrou um altar de calcário esculpido no sítio arqueológico de La Corona, localizado no norte da Guatemala.

Uma equipa de arqueólogos encontrou um altar com 1500 anos num sítio arqueológico na Guatemala. A peça, chamada Altar 5, foi descoberta no ano passado, mas só agora foi apresentada pela equipa. Com cerca de uma tonelada e esculpida a partir de calcário, foi encontrada nas ruínas de La Corona, nos arredores da fronteira com o México e Belize.

O altar, repleto de inscrições ancestrais, revelou um conjunto de tramas e acordos políticos na disputa pelo poder do reino Maia – um enredo que mostra que aquilo que parece pura ficção em Game Of Thrones pode ser um retrato fidedigno da realidade. Segundo o Hypeness, as inscrições revelam as estratégias da dinastia Kaanul para conquistar o poder.

Tomás Barrientos, co-director das escavações, explica que o altar foi encontrado no interior de um templo. Nele surge o rei Chak Took Ich’aak, um dos antigos governantes de La Corona, “sentado e a segurar um ceptro do qual emergem dois deuses protectores da cidade”.

Segundo os investigadores, as descobertas indicam que o rei Chak Took Ich’aak governou também a cidade peruana de El Peru-Waka.

Estas e outras evidências permitiram aos arqueólogos determinar que a dinastia Kaanul – ou o Reino da Serpente – desenvolveu um movimento político em La Corona que os ajudou a derrotar os seus rivais – os Tikal – em 562 d.C., e, a partir daí, governar as terras baixas maia, no sudeste a Mesoamérica, durante quase dois séculos.

Este movimento baseou-se em alianças com pequenas cidades ao redor de Tikal, culminando num casamento entre uma princesa Kaanul e um Rei da Coroa.

“O altar conta parte de uma história da Guatemala que poderíamos chamar de um “Game of Thrones Maia”, explicou Barrientos, comparando as manobras políticas dos Kaanul à disputa de poder das famílias nobres da série.

“Esta é uma grande obra de arte de alta qualidade que nos mostra governantes a entrar num período de grande poder, e que estes se aliavam uns aos outros para competir com Tikal”, explica por fim.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2018

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1039: Descoberto porto romano com quase dois mil anos em Vila do Bispo

CIÊNCIA

(dr)
Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares

Descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Uma equipa luso-alemã das Universidades do Algarve e de Marburgo descobriram, em Vila do Bispo, um porto romano com dois mil anos, com o melhor estado de conservação “identificado até hoje em Portugal”, anunciou o município.

A descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Em comunicado, a autarquia adianta tratar-se de um antigo complexo industrial de transformação de preparados de peixe e do respectivo porto, que faziam parte de uma ‘villa’ marítima, com uma “grande casa voltada ao mar, de onde se têm recolhido mosaicos e outros objectos que documentam a vida quotidiana” na ocupação romana.

Durante o Período Romano o mar entrava terra dentro, formando uma extensa laguna, o actual Paul da Boca do Rio/Lontreira, em cuja margem direita se desenvolveu um importante complexo de transformação de preparados de peixe, sobretudo a partir de finais do século II d.C., servido pelo porto agora descoberto”, refere a autarquia.

Actualmente, o porto situa-se numa zona seca e é constituído por “um imponente cais em silharia de calcário com mais de 40 metros de extensão, de onde sobressaem pedras perfuradas para amarração de barcos, uma rampa e uma escadaria de acesso à água do antigo paleoestuário da Boca do Rio”.

Para além da recém identificada estrutura portuária, existem, sob as dunas, várias fábricas que serviam para a produção de molhos e pastas de peixe, produto conhecido pelos romanos como ‘garum’.

O sítio pesqueiro romano foi abandonado na primeira metade do século V, voltando a ser ocupado com uma armação de pesca do atum no século XVI e, de novo, após o ‘tsunami’ de 1755, no século XVIII.

As armações da época moderna “aproveitaram as estruturas romanas fundadas nas dunas para aí edificar os seus edifícios que ainda hoje se podem ver no local”, sublinha a autarquia.

O sítio da Boca do Rio é um dos locais que melhor preserva o registo do maremoto que se seguiu ao terramoto de 1755, que arrasou Lisboa, Cádis (em Espanha) e boa parte da costa algarvia.

Os trabalhos arqueológicos desenvolvidos na praia da Boca do Rio decorrem ao abrigo do projecto de investigação “Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares”, coordenado pelos professores João Pedro Bernardes, do Centro de Estudos em Artes, Arqueologia e Património (CEAACP) da Universidade do Algarve, e Félix Teichner, da Universidade de Marburgo.

O estudo desenvolve-se com o apoio logístico e financeiro do município de Vila do Bispo, encontrando-se sediado no Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Setembro, 2018

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1034: Arqueólogos descobrem nova esfinge em antigo templo egípcio

CIÊNCIA

Ministério das Antiguidades do Egipto

Um grupo de arqueólogos egípcios, que trabalham num projecto de contenção de águas subterrâneas no templo de Kom Ombo, em Assuã, no Egipto, encontraram uma nova esfinge de arenito.

De acordo com o Ministério das Antiguidades do Egipto, que relatou a descoberta neste domingo, a peça data provavelmente da época da dinastia ptolemaica, que governou o Egipto entre 305 a.C e 30 a.C.

A esfinge foi encontrada na parte sudeste do Templo de Kom Ombo, que foi construído há mais de dois mil anos. Neste mesmo templo foram descobertos, há dois meses, dois relevos de arenito do rei Ptolemeu V e, por isso, os especialistas acreditam que a esfinge poderá ser da mesma época, tal como explicou Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto.

Contudo, os arqueólogos vão continuar com as investigações para descobrir mais informação sobre a origem da peça e a dinastia a que realmente pertence.

Nos últimos tempos têm sido encontrados vários artefactos desta cultura antiga no Egipto. No início do mês de Agosto, o Ministério das Antiguidades dava conta que tinha sido desenterrada uma outra esfinge na cidade egípcia de Luxor.

As esfinges são um símbolo da realeza do Antigo Egipto, representavam a força e o poder do faraó. Além disso, são ainda consideradas símbolos da vida após a morte, sendo muitas vezes encontradas junto a túmulos.

Ministério das Antiguidades do Egipto

Há cerca de um mês, foi encontrado um misterioso sarcófago negro no Egipto. Alguns especialistas acreditavam que pudesse conter os restos mortais de Alexandre, o Grande – mas, na verdade, as suspeitas não se confirmaram. O túmulo guardava os esqueletos de dois homens e uma mulher que viveram também durante a época ptolomaica.

O Egipto espera conseguir fomentar o turismo com as descobertas arqueológicas.

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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