4343: Os vikings não eram todos louros, eram uma mistura de gente

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Estudo genético aos vestígios arqueológicos das populações vikings reforça a ideia que muitos cientistas já defendiam, de que estas culturas não eram constituídas exclusivamente por indivíduos escandinavos.

Diorama com vikings no Museu de Arqueologia de Stavanger, na Noruega.
© Wolfmann / Creative Commons / Wkimedia Commons

A ideia de que os vikings eram todos louros de olhos azuis é um daqueles mitos que tardam a morrer. Um novo estudo genético, revelado nesta semana na revista Nature, tenta colocar mais um prego no seu caixão.

Após terem analisado vestígios biológicos de 442 indivíduos europeus que viveram entre aos anos 2400 antes da nossa era e 1600 da era actual – sendo a maioria do período dos vikings (750-1050)-, os cientistas das universidades de Cambridge e Copenhaga juntaram marcadores genéticos que comprovam que maior parte dos vikings até tinham cabelo e olhos escuros.

Além disso, muitos dos que viviam segundo a cultura viking não eram biologicamente descendentes daqueles. Ou seja, ou adoptaram esta vivência ou foram obrigados a fazê-lo.

Uma vez que os vikings eram um povo de navegantes, é possível que alguns destes indivíduos fossem descendentes de povos conquistados e trazidos para a Escandinávia como escravos.

“Os vikings não se restringiam aos louros escandinavos”, reforça o co-autor do estudo Eske Willerslev, citado pelo jornal britânico The Guardian: “Geneticamente, não eram puros escandinavos.”

Os investigadores descobriram marcadores genéticos típicos do sul da Europa na Dinamarca e também alguns da Ásia na Suécia.

Ao mesmo tempo, o estudo concluiu que os vikings não eram um povo uniforme, estando, antes, repartidos por três subgrupos distintos, o que faz crer que, entre eles, não havia grandes misturas.

Subgrupos esses que podem ser, grosso modo, localizados nos países escandinavos actuais.

Diário de Notícias

DN

 

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4316: Descobertos 13 caixões egípcios selados há 2.500 anos no fundo de um poço

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Manchester Museum / The University of Manchester

Uma equipa de arqueólogos no Egipto fizeram uma das maiores descobertas dos últimos anos: encontraram 13 caixões que estão selados há 2.500 anos.

Os caixões foram encontrados empilhados uns sobre os outros no fundo de um poço de 11 metros de profundidade, ao qual foi possível aceder graças a uma corda de aparência precária, na necrópole do deserto de Saqqara. Muitos dos caixões parecem ser ricamente decorados e ainda contêm as suas cores originais.

A equipa de arqueólogos acredita que é muito provável que mais caixões sejam encontrados no poço. “Descoberta muito emocionante. Acho que é apenas o começo”, disse Khaled Al-Anani, Ministro do Turismo e Antiguidades do Egito.

أول فيلم ترويجى للاعلان عن كشف اثري للبعثة الاثرية المصرية العاملة بمنطقة آثار سقارة والتي اسفرت عن الكشف عن بئر عميق…
Publicado por ‎Ministry of Tourism and Antiquities وزارة السياحة والآثار‎ em Domingo, 6 de Setembro de 2020

O Ministério do Turismo e Antiguidades egípcio anunciou a descoberta durante o fim de semana passado, acrescentando que, em breve, lançará uma série de vídeos promocionais nas redes sociais para mostrar algumas das suas últimas descobertas.

“A descoberta marca o maior número de caixões encontrados num cemitério desde a descoberta do ambiente do Assef [uma tradução de Al-Asasif Cachett]”, lê-se no comunicado, que se refere a uma descoberta feita no ano passado, quando os arqueólogos encontraram 20 caixões intactos, lacrados e pintados na cidade de Luxor, no sul.

O sítio arqueológico de Saqqara é um vasto cemitério em Gizé que já serviu de necrópole para a antiga capital egípcia, Memphis. Saqqara é o lar de uma incrível selecção de pirâmides, templos, túmulos e outras delícias arqueológicas que datam de 5.000 anos desde a Primeira Dinastia do Egipto.

A identidade das pessoas enterradas permanece desconhecida, mas espera-se que seja revelada depois de serem realizadas novas escavações e investigações nas próximas semanas.

A maioria das estátuas no Egipto não tem nariz. Foram partidos de propósito

Uma ou duas vezes e poderia ter sido um acidente infeliz. Mas quando a maioria das estátuas antigas têm narizes…

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O Egipto reabriu os seus muitos museus e sítios arqueológicos em 1 de Setembro e o país está ansioso para voltar a ter movimento na sua indústria do turismo após vários meses de medidas de distanciamento social. A história da área é um componente-chave da indústria do turismo do Egipto e uma das principais fontes de receita do país.

A última década assistiu a uma grande agitação política nesta parte do mundo, nomeadamente a Primavera Árabe, que afastou alguns viajantes nos últimos anos. Com grande parte dessa instabilidade superada, o Egipto está a fazer de tudo para promover a sua rica herança na esperança de reconquistar o turismo.

ZAP //

Por ZAP
13 Setembro, 2020

 

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4291: Encontrada em Israel fortaleza de 3200 anos construída pelos Egípcios

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Emil Elgam / IAA

Arqueólogos descobriram, em Israel, uma fortaleza com 3200 anos construída pelos Egípcios e Cananeus (ou Canaanitas), que tinha como objectivo manter os Filisteus recém-chegados fora da região.

De acordo com a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA), citada pelo site Live Science, a estrutura militar, apelidada de fortaleza de Galon, data de meados do século 12 A.C.

O IAA afirma que este achado destaca a instabilidade vivida nesta região conhecida como terra de Canaã. Nessa altura, chegaram os Israelitas e os Filisteus, tendo levado os Egípcios e os Cananeus a construir a fortaleza recentemente descoberta.

Os investigadores encontraram a estrutura durante uma escavação perto do Kibutz Galon, a cerca de 70 quilómetros a sul de Jerusalém. A fortaleza, de 18 por 18 metros, tinha torres de vigia em cada um dos seus quatro cantos e uma soleira na entrada esculpida a partir de uma rocha maciça que pesava 3,3 toneladas.

Quando as pessoas entravam na fortaleza, que tinha um estilo de arquitectara Egípcio, viam um pátio pavimentado com lajes de pedras e colunas ascendentes no centro. Cada lado do forte tinha quartos, onde os arqueólogos encontraram centenas de vasos de cerâmica, alguns deles inteiros, incluindo uma tigela e uma chávena que provavelmente eram usadas para rituais religiosos, afirmaram Saar Ganor e Itamar Weissbein, arqueólogos do IAA, em comunicado.

“Parece que a fortaleza de Galon foi construída como uma tentativa dos Egípcios e dos Cananeus de lidar com a nova situação geopolítica”, acrescentaram. A estrutura militar foi “construída numa localização estratégica, de onde é possível ver a estrada principal que acompanha o rio Guvrin”.

No entanto, escreve o mesmo site, a situação geopolítica alterou-se quando os Egípcios deixaram a terra de Canaã e voltaram para o Egipto, deixando os Cananeus sozinhos a defender o seu território.

“A sua partida levou à destruição das agora desprotegidas cidades Canaanitas, uma destruição que provavelmente foi liderada pelos Filisteus”, concluiu a dupla de arqueólogos.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2020

 

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4110: Descoberto “Stonehenge de madeira” no complexo pré-histórico dos Perdigões

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Era – Arqueologia

Escavações arqueológicas no complexo dos Perdigões, no distrito de Évora, identificaram “uma estrutura única na Pré-História da Península Ibérica”, anunciou, esta terça-feira, a empresa Era – Arqueologia, que escava no local há mais de 20 anos.

Em declarações à agência Lusa, o arqueólogo responsável pelas escavações que decorrem em terrenos pertencentes à Herdade do Esporão, António Valera, disse tratar-se de “de uma construção monumental em madeira, de que restam as fundações, de planta circular e com mais de 20 metros de diâmetro”.

Segundo Valera, esta construção “seria composta por vários círculos concêntricos de paliçadas e alinhamentos de grandes postes ou troncos de madeira, a qual foi já exposta em cerca de um terço da sua planta”.

Trata-se de “uma construção de carácter cerimonial”, um tipo de estrutura apenas conhecido na Europa Central e nas Ilhas Britânicas, de acordo com o arqueólogo responsável, com as designações “Woodhenge”, “versões em madeira de Stonehenge”, ou “Timber Circles” (círculos de madeira).

“Esta é a primeira a ser identificada na Península Ibérica, estando datada entre 2800-2600 a.C., ou seja, será anterior à construção em pedra de Stonehenge [em Inglaterra], para a qual se tem avançado uma cronologia em torno a 2500 a.C.”, sublinhou o arqueólogo.

A estrutura agora identificada localiza-se no centro do grande complexo de recintos de fossos dos Perdigões e “articula-se com a visibilidade sobre a paisagem megalítica que se estende entre o sítio e a elevação de Monsaraz”, a nascente.

Perdigões – Campanha de 2020

1 minuto ERA para contar a história da confirmação de uma grande descoberta realizada pela nossa equipa no Complexo Arqueológico dos Perdigões.

Publicado por ERA Arqueologia em Segunda-feira, 3 de agosto de 2020

1 minuto ERA para contar a história da confirmação de uma grande descoberta realizada pela nossa equipa no Complexo Arqueológico dos Perdigões.

“Um possível acesso ao interior desta estrutura encontra-se orientado ao solstício de Verão, reforçando o seu carácter cosmológico”, referiu Valera, realçando que “esta situação é também conhecida noutros ‘woodhenges’ e ‘timber circles’ europeus, onde os alinhamentos astronómicos das entradas são frequentes, sublinhando a estreita relação entre estas arquitecturas e as visões do mundo neolíticas”.

O arqueólogo realçou que “esta descoberta reforça a já elevada importância científica do complexo de recintos dos Perdigões no contexto internacional dos estudos do Neolítico Europeu, aumentando simultaneamente a sua relevância patrimonial”, que foi reconhecida em 2019 com a classificação como Monumento Nacional.

O sítio arqueológico dos Perdigões, nos arredores de Reguengos de Monsaraz, corresponde a “um grande complexo de recintos de tendência circular e concêntrica definidos por fossos, abrangendo uma área de cerca de 16 hectares e tendo um diâmetro máximo de cerca de 450 metros”, segundo informação da Era.

Este sítio está ser escavado há 23 anos pela empresa e tem reunido colaborações de várias instituições e investigadores nacionais e estrangeiros.

O que foi descoberto até aqui diz-nos que o sítio terá sido ocupado durante cerca de 1400 anos, desde o final do Neolítico Médio (3400 a.C.) e o início da Idade do Bronze (2000 a.C.) e “é visto essencialmente como um grande centro de agregação de comunidade humanas, onde se desenvolveriam práticas cerimoniais e se geriam relações identitárias, culturais e políticas entre diferentes grupos”.

A sua implantação na paisagem “é representativa do seu carácter cosmogónico“, situando-se “num anfiteatro natural, aberto ao vale da Ribeira de Vale do Álamo, onde se localiza uma das maiores concentrações de monumentos do megalitismo alentejanos. As entradas dos recintos mais exteriores, e outras em recintos mais interiores, estão orientadas aos solstícios ou aos equinócios, funcionando o horizonte para o qual está virado como um autêntico calendário anual do nascer do sol”, ainda segundo a Era – Arqueologia.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Agosto, 2020

 

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4017: Arqueólogos encontram milhares de artefactos dos períodos helenístico e romano na Grécia

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Ephorate of Antiquities of Pireeus and Islands

Durante as escavações para a expansão da linha de metro de Atenas a Pireu, na Grécia, uma equipa de arqueólogos encontrou um antigo aqueduto e milhares de artefactos que remontam aos períodos helenístico e romano.

Uma equipa de arqueólogos gregos encontrou milhares de artefactos dos tempos helenístico e romano, durante escavações para a expansão da linha de metro de Atenas a Pireu, na Grécia. Segundo a Sputnik, alguns artefactos farão parte de uma exposição permanente que será organizada na estação de metro.

A exposição contará ainda com representações de antigos reservatórios e poços de um aqueduto, assim como um piso clássico de seixo do período helenístico, também encontrado durante escavações.

“Há uma grande quantidade de material antigo, precisamente porque a escavação foi a maior já conduzida em Pireu“, afirmou o arqueólogo George Peppas.

A maior parte das escavações foram levadas a cabo na estação Teatro Municipal, onde foram desenterrados fragmentos de edifícios antigos e um sistema de abastecimento de água. “A descoberta do aqueduto é importantíssima”, disse Peppas.

Durante as escavações foram descobertos milhares de outros objectos e artefactos antigos de madeira usados em casas, como utensílios domésticos, móveis, ferramentas e também material orgânico como frutas, madeira e ramos de árvores.

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#Feiko_

@Feiko999
Greek archaeologists unearthed an ancient aqueduct & thousands of objects & artifacts dating from Hellenistic & Roman times during the excavations for the expansion of the Athens metro line to Pireaus

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Há, contudo, uma relíquia que se destaca das demais: uma pequena estátua de madeira sem cabeça do período helenístico que representa o Deus olímpico Hermes, encontrada no fundo de um poço antigo.

ZAP //

Por ZAP
20 Julho, 2020

 

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3961: Arqueólogos encontram antigos locais aborígenes debaixo de água na Austrália

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Flinders University
Arquipélago Dampier, na Austrália

Muitos assentamentos, construídos em solo seco no final da Era do Gelo, foram inundados pelo mar. Na costa australiana, é provável que muitos locais antigos estejam debaixo de água.

Uma equipa internacional de arqueólogos encontrou, pela primeira vez, artefactos aborígenes no fundo do mar na Austrália, abrindo a porta para a descoberta de assentamentos antigos inundados desde a última era glacial.

As descobertas foram realizadas depois de vários levantamentos arqueológicos e geofísicos no arquipélago de Dampier. O trabalho integra o projecto Deep History of Sea Country (DHSC), financiado pelo Discovery Project Scheme do Conselho de Pesquisa da Austrália (ARC).

Centenas de ferramentas de pedra feitas pelos povos indígenas da Austrália, há pelo menos 7.000 anos, foram descobertas a dois metros de profundidade na remota costa ocidental da Austrália. Os artefactos descobertos representam o caso de arqueologia subaquática mais antigo da Austrália.

A equipa de arqueólogos da Universidade Flinders, da Universidade da Austrália Ocidental, da Universidade James Cook, da ARA – Airborne Research Australia e da Universidade de York (Reino Unido) fizeram parceria com a Murujuga Aboriginal Corporation para localizar e investigar artefactos antigos em dois locais subaquáticos.

Os antigos locais subaquáticos, em Cape Bruguieres e Flying Foam Passage, fornecem novas evidências dos modos de vida aborígenes, numa altura em que o fundo do mar era terra seca, avança o RawStory.

As paisagens culturais submersas representam o que é actualmente conhecido como “País do Mar” para muitos aborígenes australianos, que têm uma profunda conexão cultural, espiritual e histórica com estes ambientes subaquáticos.

“Anunciamos a descoberta de dois sítios arqueológicos subaquáticos que já estiveram em terra seca. Este é um passo emocionante para a arqueologia australiana ao integrarmos a arqueologia marítima e indígena e estabelecer conexões entre a terra e o mar”, disse Jonathan Benjamin, da Universidade Flinders.

De acordo com o artigo científico, publicado na PLOS One, mais de 30% da massa terrestre da Austrália foi submersa pelo aumento do nível do mar após a última era glacial, o que significa que uma grande quantidade de evidências arqueológicas que documentam a vida dos aborígenes está agora debaixo da água.

“Agora, temos a primeira prova de que algumas dessas evidências arqueológicas sobreviveram ao processo de subida do nível do mar. A arqueologia costeira antiga não está perdida para sempre, simplesmente não a encontramos. Estas novas descobertas são o primeiro passo para explorar a verdadeira última fronteira da arqueologia australiana”, disse o cientista.

A equipa encontrou 269 artefactos em Cape Bruguieres, a profundidades de até 2,4 metros abaixo do nível da água do mar. A datação por radio-carbono e a análise das mudanças no nível do mar mostram que o local tem, pelo menos, 7 mil anos.

O segundo sítio arqueológico, na Flying Foam Passage, inclui uma nascente de água doce subaquática, a cerca de 14 metros abaixo do nível do mar. Estima-se que este sítio tenha, pelo menos, 8.500 anos.

Ambos os locais podem ser muito mais antigos, uma vez que as datas representam apenas idades mínimas.

Estes territórios, agora subaquáticos, “abrigavam ambientes favoráveis ​​para assentamentos indígenas, incluindo água doce, diversidade ecológica e oportunidades para explorar recursos marinhos que teriam dado suporte a densidades populacionais relativamente altas”, disse Michael O’Leary, geo-morfólogo marinho da Universidade da Austrália Ocidental.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2020

 

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3679: Pirâmides egípcias estavam mesmo alinhadas com os pontos da bússola

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Egypt Ministry of Antiquities

Um novo estudo confirma a ideia de que alguns templos e túmulos egípcios estavam, de facto, orientados para certas regiões do céu.

A ideia de que muitas estruturas antigas foram intencionalmente construídas de forma a estarem alinhadas com objectos celestes não é novidade. No entanto, o autor deste novo estudo, Fabio Silva, considera que a maioria destas investigações sobre esse fenómeno não é confiável, porque não usam testes estatísticos para entender a probabilidade de que os supostos padrões sejam coincidências.

Como tal, o cientista desenvolveu um método estatístico que permite identificar padrões genuínos e não meras obras do acaso, escreve a New Scientist. O estudo será publicado na edição de Junho da revista científica Journal of Archaeological Science.

“Existem muitas estruturas antigas que foram consideradas alinhadas com objectos celestes, como o Stonehenge, mas devemos verificar a hipótese dessas atribuições“, disse Fabio Silva, da Universidade de Bournemouth, citado pela Agenzia Italia. “A maioria dos estudos baseia-se no mapeamento de múltiplas estruturas criadas por uma cultura, ou seja, na procura por padrões que possam estar relacionados às posições das estrelas ou do planeta num determinado período”.

O método da equipa liderada por Fabio Silva considera os factores de erro que afectam tanto o solo como o céu. Um estudo de 2009 identificou sete locais relacionados à posição das estrelas, mas com o método estatístico deste novo estudo, apenas dois desses locais foram confirmados.

Muitas pirâmides foram construídas para serem alinhadas com os quatro pontos cardeais, tanto por razões religiosas como culturais.

“Os antigos egípcios, por exemplo, acreditavam que o norte era ‘o lugar da ascensão da alma’. Por esse motivo, estruturas como a Grande Pirâmide de Gizé tinham entradas viradas para o norte”, explica Bernadette Brady, cientista da Trinity Saint David University, no País de Gales, que não esteve envolvida no estudo.

Também estruturas como o Templo de Karnak estão voltadas para o amanhecer do solstício de Dezembro, que era considerado um evento astronómico relevante em diferentes culturas.

“Algumas investigações são baseadas na ideia de que os construtores reproduziam o padrão de estrelas ou corpos celestes ao observar o céu do centro das estruturas, mas o objectivo e os métodos de trabalho poderiam ter sido diferentes. A principal dificuldade nesse tipo de especulação é que é bastante simples partir de preconceitos inconscientes”, conclui Silva.

ZAP //

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13 Maio, 2020

 

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3351: Família encontra fósseis de animal gigante numa praia da Argentina

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

AnitaAD / Wikimedia
Praia de Monte Hermoso, Buenos Aires

Uma família de turistas encontrou restos fósseis pertencentes a um animal da mega-fauna, com idade compreendida entre 10 e 25 mil anos, na região de Monte Hermoso, em Buenos Aires.

Na passada terça-feira, uma família de turistas argentinos encontrou, numa praia em Buenos Aires, restos fósseis pertencentes a um animal da mega-fauna, com idade compreendida entre 10 e 25 mil anos. De acordo com o Russia Today, trata-se de uma espécie não identificada que habitava as costas de Monte Hermoso, uma cidade localizada no sul do distrito de Buenos Aires.

A mãe e o filho encontraram os restos fósseis enterrados na areia e avisaram o Museu de Ciências Naturais Vicente Dimartino. A equipa do museu concedeu uma distinção à família por ter agido correctamente.

Vicente Museo Dimartino

Hoy por la mañana se realizó la extracción de restos fósiles pertenecientes a una especie que aún no se ha determinado a cúal pertenecía de la Megafauna extinta que habitó nuestras costas. Podría tener una antigüedad de 10 mil a 25 mil años aproximadamente. .

Agradecemos a Virginia Schamberger a su marido e hijo Ciro Ruiz Dias los turistas que lo encontraron y actuaron correctamente, no intentaron extraerlo y avisaron al área responsable. También un agradecimiento a Leandro Lecanda y Tomas Perretti de córdoba por ayudar a la extracción del fósil !!! Muchas gracias!!

A família “entrou no museu para avisar sobre a descoberta e, aproveitando a maré baixa, uma equipa foi remover os restos fósseis”. Segundo Natalia Sánchez, directora do Museu, a equipa continuará os trabalho de limpeza e preparação.

Quando “as peças estiverem prontas, serão classificadas, já que, para já, estão muito profundas no sedimento”. A directora disse ainda que os fósseis são, principalmente, “mandíbulas, mas que ainda não é possível ver a parte mastigável, o que nos daria uma pista para identificar a que espécie pertence”.

De acordo com a autoridade do museu Vicente Dimartino, os animais cujos fósseis foram encontrados “são megamamiferadores, porque são muito grandes – como os que aparecem no filme A Era do Gelo“.

ZAP //

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12 Janeiro, 2020

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3290: “Stonehenge escocês” nasceu porque um raio lá caiu

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Uma nova evidência de um raio massivo no centro de um círculo de pedra oculto nas Ilhas Hébridas, na Escócia, pode ajudar a explicar porque é que estes monumentos foram construídos há milhares de anos.

O Projecto de Reconstrução Virtual de Callanish, uma empresa conjunta gerida pela Universidade de St Andrews e pela Universidade de Bradford, descobriu que possível vínculo entre os antigos círculos de pedra e as forças da natureza.

Os arqueólogos estudam há muito tempo as conexões entre os antigos círculos de pedra e as forças da natureza, como a posição das estrelas e os cursos da Lua e do Sol, mas esta pode ser a primeira vez que se conclui que um poderoso relâmpago pode ter inspirado a construção de um círculo de pedra.

Enquanto estudava Tursachan Callanish, o principal círculo de pedras pré-históricas em Callanish, na Ilha Hébridas, a equipa do projecto pesquisou locais secundários próximos para revelar evidências de círculos perdidos enterrados sob a turfa.

Um local inspeccionado raramente visitado, conhecido como Site XI ou Airigh na Beinne Bige, agora consiste numa única pedra numa encosta exposta com vista para o grande círculo. A geofísica revelou que, não só a pedra fazia parte originalmente de um círculo de pedras estacionárias, mas também que havia uma anomalia magnética maciça em forma de estrela no centro – ou o resultado de um único raio grande ou muitos mais pequenos no mesmo ponto.

O líder do projecto, Richard Bates, da Faculdade de Ciências da Terra e do Ambiente da Universidade de St. Andrews, disse, em comunicado, que “tais evidências claras de relâmpagos é extremamente raro no Reino Unido e é improvável que a associação com o círculo de pedras seja uma coincidência“.

“Não é claro se o raio no Site XI impactou uma árvore ou uma rocha que já não está lá ou se o próprio monumento atraiu os impactos. No entanto, as evidências notáveis ​​sugerem que as forças da natureza poderiam estar intimamente relacionadas com a vida quotidiana e com as crenças das primeiras comunidades agrícolas da ilha”, disse o autor do estudo publicado em Novembro na revista científica Remote Sensing.

Actualmente, as pedras estão planas ou foram enterradas sob turfa que consumiu lentamente o local ao longo de milhares de anos.

Os investigadores esperam realizar mais investigações geofísicas no local para entender melhor a relação entre fenómenos naturais e os incríveis esforços de engenharia neolítica.

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30 Dezembro, 2019

 

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3184: Vénus paleolítica com mais de 20.000 anos descoberta no norte de França

CIÊNCIA

Inrap

Uma Vénus do Paleolítico esculpida há 23 mil anos foi encontrada no campo arqueológico de Renancourt, perto de Amiens, no norte de França.

A descoberta remonta a Julho passado e foi agora anunciada em comunicado pelo Instituto Nacional de Arqueologia francês (Inrap), que leva a cabo escavações no sítio arqueológico perto de Amiens desde 2014.

Baptizada de “Vénus de Renancourt”, a figura de pedra tem quatro centímetros de altura e foi encontrada em boas condições de conservação. De acordo com os arqueólogos, foram já encontradas várias esculturas com as mesmas características neste local, mas nenhuma com o grau de conservação desta peça.

A estatueta agora encontrada representa uma mulher com nádegas, coxas e seios hipertrofiados, características proeminentes de algumas Vénus do Paleolítico que tem sido associados ao culto da fertilidade. Os seus braços são destacados com linhas e o rosto quase não está marcado.

“Esta escultura inscreve-se perfeitamente no cânone estético da tradição estilística que se encontra nas Vénus de Lespugue (Alto Garona) e de Willendorf (Áustria), ou aquela, em baixo-relevo, de Laussel (Dordonha)”, diz o instituo francês na mesma nota de imprensa citada pelo jornal Público.

Roberto Sáez @robertosaezm

Presentada una nueva venus Gravetiense del yacimiento Amiens-Renancourt (Francia) de 4 cm. Datación ~23.000 años. ¡La 15ª estatuilla encontrada en ese sitio!
Vídeo: France 3, J.-P. Delance, N. Corselle, S. Dufour

Através da datação por carbono 14, os cientistas apontaram ainda que a estatueta tenha cerca de 23.000 mil anos.

A figura é a décima quinta a ser descoberta neste sítio arqueológico, levando as equipas de arqueólogos a sugerir a existências de uma oficina que, no passado, produziu estas estatuetas durante o início do Paleolítico Superior.

Segundo o Inrap, trata-se de uma descoberta “surpreendente”. Dominique Garcia, presidente do instituto, acredita que a descoberta da “Vénus de Renancourt” é o tipo de “documentos que passarão a integrar os futuros manuais escolares”.

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13 Dezembro, 2019

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2888: Arqueólogo encontra dezenas de sítios maia graças a um mapa online gratuito

CIÊNCIA

Vviktor / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã

Um arqueólogo norte-americano descobriu 27 sítios maias com 3.000 anos graças a um mapa online gratuito, escreve o jornal The New York Times.

Takeshi Inomata, arqueólogo da Universidade do Arizona, nos Estado Unidos, utilizou um mapa LIDAR (Light Detection and Ranging), que encontrou online, em domínio público e totalmente gratuito no ano passado, conta o jornal norte-americano.

Estas revolucionária tecnologia, com um conjunto de vários lasers aéreos, permite “veratravés da vegetação, isto é, os cientistas podem procurar através de densas florestas sítios arqueológicos. Um processo que no passado levava décadas, pode agora ser concluído com a tecnologia LIDAR em dias a partir de imagens recolhidas num avião.

Trata-se de um sistema remoto que permite determinar a distância de um emissor laser a um objecto ou superfície recorrendo a um feixe de laser pulsado, gerando depois informações em três dimensões.

O mapa encontrado pelo arqueólogo foi publicado em 2011 pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México para que pudesse ser utilizado por empresas e cientistas, cobria 11.400 quilómetros quadrados dos Estados mexicanos de Tabasco e Chiapas.

Ao estudar o mapa, e apesar de a sua resolução ser baixa, Inomata conseguiu descobrir sítios arqueológicos até então desconhecidos – foram quase 30 construções antigas. Com estes locais descobertos, “podemos ver uma imagem muito melhor de toda a sociedade”.

@UAresearch

Learn how #UAResearcher Dr. Takeshi Inomata used lidar technology to discover La Carmelita, a Mayan site that holds insights into the origins of Mayan civilization: https://www.nytimes.com/2019/10/08/science/archaeology-lidar-maya.html 

À primeira vista, os locais em causa oferecem poucas evidências imediatas da sua escala e história, uma vez que os restos estão soterrados. Contudo, as novas descobertas podem revelar informações importante sobre as origens da civilização maia, podendo estas ser cruciais para compreender o seu desenvolvimento ao longo dos tempos.

“Se andar sobre os sítios arqueológicos, não se aperceberá”, disse o arqueólogo em declarações ao The New York Times. “[A área em causa] é tão grande que parece fazer parte da paisagem natural”, acrescentou.

Por sua vez, a antropóloga Daniela Triadan, também ouvida pelo diário norte-americano, descreveu o trabalho levado a cabo pela civilização maia na área como “impressionante”. “A massa de terra movimentada é inacreditável. Estas pessoas estavam a fazer coisas loucas”, disse, notando que cerca de uma centena de pessoas deve ter trabalhado em toda a região para cavar e carregar cestas de terra para construir as plataformas.

“Podemos ter populações relativamente móveis que colocaram muito esforço nestas grandes empresas comunitária”, rematou.

O trabalho de Inomata não foi ainda analisado e avaliado pelos pares, mas o arqueólogo apresentou já os resultados em quatro conferências científicas no ano passado.

Recentemente, foi também descoberta uma “cidade perdida” do Império Khmer sob a selva do Cambodja graças à tecnologia LIDAR. A metrópole, conhecida como Mahendraparvata, representa, segundo os cientistas, um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

ZAP //

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23 Outubro, 2019

 

2859: “Cidade perdida” do Império Khmer descoberta sob a selva do Cambodja

CIÊNCIA

(dr) Archaeology Development Foundation
Vista aérea de Mahendraparvata

Arqueólogos estão a desvendar a “cidade perdida” escondida na selva do Cambodja, que já foi capital do poderoso Império Khmer.

De acordo com a revista Newsweek, os arqueólogos dizem que esta cidade, conhecida como Mahendraparvata, representa um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

O estudo, publicado na revista científica Antiquity, confirma essencialmente a hipótese de a cidade ter estado localizada em Phnom Kulen e de ter sido uma capital deste Império, que governou vastas áreas do Sudeste Asiático entre 800 e 1400 D.C.

Phnom Kulen é uma cordilheira no noroeste do Cambodja, que fica a cerca de 40 quilómetros de Angkor Wat — o espectacular complexo de templos que é também uma das atracções turísticas mais famosas deste país asiático.

As evidências disponíveis sugerem que Mahendraparvata foi fundada antes de Angkor, e que a última cidade usou o plano urbano do seu antecessor como inspiração.

“A capital de Phnom Kulen governou no final do século VIII e na primeira metade do século IX. Os resultados da datação por radio-carbono confirmam essa ocupação, correspondendo ao reinado de Jayavarman II”, disse à mesma revista Jean-Baptiste Chevance, arqueólogo da Fundação de Arqueologia e Desenvolvimento — Programa Phnom Kulen.

(dr) Chevance et al., Antiquity, 2019
Os eixos em forma de grade da “cidade perdida” do Império Khmer

De acordo com os investigadores, o poder terá passado para Angkor por volta de 900 D.C., depois de Mahendraparvata ter sido abandonada.

Os arqueólogos suspeitavam há muito que uma antiga capital Khmer estava escondida nesta cordilheira cambojana, mas a região é de difícil acesso, o que dificulta a investigação. Além disso, a zona tem ainda bastantes minas terrestres, devido à passagem do sangrento e mortífero Khmer Rouge até à década de 90 — regime que governou o país de 1975 a 1979 e que conduziu um genocídio que matou cerca de um quarto da população.

As primeiras pistas que indicam a presença de uma antiga capital Khmer em Phnom Kulen vieram de várias inscrições associadas ao Rei Jayavarman II, conhecido por ter unificado e governado o Camboja no final do século VIII e no início do século IX.

Posteriormente, as evidências arqueológicas foram limitadas a uma dispersão de santuários pequenos e aparentemente isolados, explica a equipa. Isto deve-se em grande parte ao facto de as cidades Khmer terem sido construídas sobretudo com materiais perecíveis.

Chevance e o resto da equipa começaram a pesquisa arqueológica no início dos anos 2000, concentrando-se nos principais monumentos — como o templo montanhoso em forma de pirâmide (o principal marcador da capital Khmer), outros templos de tijolos e alguns abrigos rochosos.

“Identificámos o palácio real da cidade, um vasto complexo de plataformas e diques de terra localizados numa posição central ligada a outros locais. A nossa pesquisa arqueológica confirmou que esses locais datavam do final do século VIII e início do século IX. Houve uma confirmação mais forte da presença dessa capital na montanha Kulen”.

(dr) Cambodian Archaeological Lidar Initiative
Local de um dos templos recentemente documentados em Mahendraparvata

Mas, devido às limitações das técnicas convencionais de pesquisa e mapeamento na área, uma visão coerente da própria cidade permaneceu ilusória. Contudo, nos últimos anos, surgiu uma revolucionária tecnologia de imagem conhecida como LiDAR (Light Detection and Ranging), que basicamente permite “ver através” da vegetação.

A tecnologia utiliza instrumentos instalados em aeronaves que disparam pulsos de luz laser, em direcção ao solo, centenas de milhares de vezes por segundo, permitindo a criação de mapas 3D detalhados que revelam a topografia do terreno e quaisquer recursos antigos criados pelo Homem.

As últimas pesquisas LiDAR, juntamente com a pesquisa terrestre, revelaram milhares de características arqueológicas numa área de aproximadamente 32 quilómetros quadrados. Esses recursos mostram o que parece ser um sistema de grade avançado que conecta os vários recursos da cidade como barragens, paredes de reservatórios, templos, bairros e o palácio real.

A equipa até acredita ter descoberto evidências de alguns quarteirões da cidade, devido à presença de numerosos cercos de terra que se alinham grosseiramente com — e frequentemente — os principais “eixos” lineares, que são essencialmente um sistema de grade.

Este método também indicou um projecto de engenharia ambicioso para construir um sistema de gestão de águas que, no entanto, ficou incompleto. Segundo os arqueólogos, isto sugere que a cidade pode não ter durado tanto quanto o centro de poder Khmer, embora o reservatório construído possa ter inspirado os lagos artificiais que foram cruciais para o projecto de Angkor Wat.

ZAP //

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19 Outubro, 2019

 

2832: Humanos pré-históricos armazenavam medula óssea para comer mais tarde

CIÊNCIA

estt / Canva

Os humanos pré-históricos que viviam numa caverna em Israel entre 420 mil e 200 mil anos atrás armazenavam medula óssea para comer mais tarde, o que mostra que os primeiros hominídeos entendiam que os alimentos poderiam não estar disponíveis no futuro.

A Caverna Qesem, a cerca de 12 quilómetros de Tel Aviv, foi identificada como um local de ocupação humana precoce há quase 20 anos quando a construção de estradas a atravessou. Desde então, foi desenterrada uma enorme quantidade de evidência arqueológica, incluindo dezenas de milhares de ossos de animais foram processados pelos nossos ancestrais humanos.

De acordo com o estudo publicado esta semana na revista especializada Science Advances, investigadores liderados por Ruth Blasco, do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana de Espanha, analisaram os ossos e realizaram experiências para mostrar a forma como estes ocupantes aprenderam a armazenar efectivamente a medula óssea durante semanas e meses após a morte do animal.

Por outro lado, desconhece-se quais eram as espécies de hominídeos que processaram os ossos dessa forma. Blasco, de acordo com o Newsweek, disse que, quem quer que fossem, demonstravam muitos comportamentos modernos, incluindo o uso regular de fogo, reciclagem e torrefacção de alimentos. O consumo de medula óssea é outra tarefa a ser adicionada a esta lista.

A medula óssea, o tecido encontrado dentro de alguns ossos, é altamente nutritivo, sendo mais rico em calorias do que em proteínas ou hidratos de carbono. Como resultado, teria sido uma fonte de alimento valiosa e significativa para os primeiros seres humanos.

Blasco começou a trabalhar no local de Qesem em 2011. Ao analisar os materiais da fauna lá encontrados, percebeu que havia marcas incomuns nos ossos de veado recuperados. Depois de analisar os restos mortais de quase 82 mil ossos de animais no local, a equipa mostrou que a medula óssea estava a ser preservada para ser consumida mais tarde.

A pele seca e velha é mais difícil de remover do osso do que quando está fresca. Como resultado, removê-la deixa para trás marcas específicas. “As marcas incomuns foram identificadas em experiências subsequentes e explicadas pela remoção da pele seca”, disse Blasco. “Especificamente, as marcas foram geradas pela dificuldade ou esforço necessário para remover a pele seca e os tendões firmemente presos ao osso após uma exposição sub-aérea prolongada dos ossos”.

Em experiências, os cientistas mostraram que as marcas poderiam ser replicadas ao remover a pele após duas ou mais semanas. Os investigadores também descobriram que a remoção da pele aumentou após quatro semanas. As suas experiências também mostram que o valor nutricional da medula óssea começa a deteriorar-se cerca de seis semanas após a morte do animal.

A equipa ficou surpreendida com as descobertas. “A acumulação deliberada de ossos por atraso no consumo de medula implica uma preocupação antecipada com necessidades futuras. Esse facto marca um limiar para novos modos de adaptação paleolítica, porque a capacidade de previsão ultrapassa o ‘aqui e agora’ como um meio de subsistência numa cronologia de mais de 300 mil anos”, observou.

Alguns estudos anteriores sugerem que o processo de extracção moldou a nossa própria evolução. Blasco acredita que este é apenas o começo da nossa compreensão sobre a forma como os humanos pré-históricos armazenavam alimentos para consumo posterior.

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14 Outubro, 2019

 

2822: Encontrado túmulo egípcio com o mais antigo “mapa” do submundo

CIÊNCIA

The Gebel el-Silsila Project

Em 2012, os arqueólogos abriram um túmulo na necrópole egípcia do meio de Dayr al-Barsha. Embora grande parte do conteúdo tenha sido saqueada ou devorada por fungos, descobriram que um dos caixões estava inscrito com o texto de The Book of Two Ways, um misterioso “guia” ilustrado para o submundo.

Um novo estudo, cujos resultados foram publicados em Setembro deste ano na revista especializada The Journal of Egyptian Archaeology, sugere que poderia até ser a cópia mais antiga conhecida de “The Book of Two Ways”.

A cópia remonta a pelo menos quatro mil anos atrás. Os investigadores sabem disso porque o túmulo contém inscrições que mencionam o Djehutinakht I, um antigo monarca – governador provincial – entre os séculos 21 e 20 a.C. Embora anteriormente fosse assumido que o caixão continha o corpo de Djehutinakht I, este estudo destaca que o corpo pertencia a uma mulher desconhecida de elite chamada Ankh.

O túmulo parece ter sido visitado repetidamente por ladrões, que espalharam grande parte do conteúdo da sepultura pela câmara e removeram apenas alguns objectos de valor. No entanto, os arqueólogos conseguiram recuperar dois painéis de madeira, completos com algumas linhas de texto hieroglífico. Os fragmentos de texto eram pequenas secções do “The Book of Two Ways”.

Já foram descobertas por investigadores versões do livro, mas acredita-se que esta versão seja o exemplo mais antigo encontrado até agora. Escrito para oficiais do Reino Médio e para os seus subordinados também foram encontradas cópias do texto arcaico em paredes de túmulos, papiros, máscaras de múmias e outros caixões.

O nome do texto refere-se às duas rotas pelas quais os mortos podem navegar para o submundo, procurar protecção contra seres sobrenaturais e entrar no reino de Osíris, o deus egípcio do submundo e juiz dos mortos.

O livro faz parte de um grande corpo de trabalho conhecido como The Coffin Texts, que inclui 1.185 feitiços, encantamentos e escritos religiosos sobre a vida após a morte. Os textos também são um dos corpos de trabalho que compõem The Book of the Dead, a antiga colecção egípcia de textos funerários compostos por feitiços relacionados com a vida após a morte.

No entanto, pouco se entende completamente sobre os textos. Existe o risco de fazer suposições culturais sobre uma ideia antiga com a nossa mentalidade do século XXI. Porém, independentemente da sua interpretação precisa, “The Book of Two Ways” serve como um forte lembrete de como a morte e a vida após a morte têm desempenhado um papel importante na imaginação cultural dos seres humanos.

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12 Outubro, 2019

 

2783: Arqueólogos encontraram 93 ânforas num antigo naufrágio romano

CIÊNCIA

(dr) IBEAM
As ânforas encontradas num navio romano afundado perto da costa de Maiorca, em Espanha

Uma equipa de arqueólogos recuperou um tesouro raro na costa de Maiorca, em Espanha: 93 ânforas de terracota num navio romano que afundou há 1.700 anos.

Segundo o Science Alert, a maioria das 93 ânforas de terracota agora encontradas ainda está intacta e selada, o que significa que há uma grande probabilidade daquilo que está no seu interior estar também em boas condições.

O navio romano foi encontrado a apenas 50 metros da costa de Maiorca, em Espanha, depois de um morador dessa zona, Felix Alarcón, ter visto fragmentos de cerâmica no fundo do mar no passado mês de Julho.

O trabalho do Instituto Balear de Estudos em Arqueologia Marítima (IBEAM) revelou uma embarcação marítima relativamente pequena, com apenas dez metros de comprimento e cinco metros de largura, com as ânforas cuidadosamente guardadas no porão. Os investigadores acreditam que se tratava de um navio mercante, que transportava mercadorias entre a Península Ibérica e Roma.

Pecio romano en la playa de S'Arenal

El pasado mes de julio el Sr. Félix Alarcón localizó los restos de un pecio romano en la playa de Palma. El descubridor comunicó el hallazgo al Cultura i Patrimoni. Consell de Mallorca a través de la campaña #SOSPatrimoni. Los restos quedaron destapados por un fuerte temporal a escasos metros de distancia de la playa de S’Arenal, una de las zonas turísticas más importantes de las Islas Baleares. Ante el elevado riesgo de expolio y desaparición del yacimiento el Consell de Mallorca encargó al IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima la realización de una intervención de urgencia para documentar y recuperar los restos arqueológicos que se encontraban en serio peligro de desaparición. Para el desarrollo de los trabajos de excavación se estableció un equipo pluridisciplinar formado por arqueólogos subacuáticos, restauradores, especialistas en arquitectura naval y documentalistas. Durante la intervención arqueológica contamos con el apoyo logístico de la Armada Española y la colaboración de los #GEAS de la Guardia Civil que coordinaron las tareas de vigilancia del yacimiento. La excavación de urgencia ha permitido documentar una embarcación de mediados del siglo III d.C. que transportaba un cargamento de ánforas de aceite, salazones y vino procedente del sud de la península ibérica. A lo largo de la intervención arqueológica se recuperaron los materiales que se encontraban en mayor peligro de expolio y se realizó una primera aproximación de la arquitectura naval. El resto de los materiales juntamente con el casco de la embarcación se protegió in situ por debajo de la arena. Los materiales recuperados durante la excavación arqueológica fueron trasladados a las instalaciones del Museu de Mallorca, donde los técnicos restauradores están llevando a cabo las labores de desalación y conservación. El Consell de Mallorca ya ha contactado con diversos especialistas que se encargarán de analizar el contenido de las ánforas, estudiar los tituli picti y determinar la identificación anatómica de las maderas. Los resultados de esta investigación se presentarán en una futura publicación que saldrá a la luz en los próximos meses. Queremos agradecer la ayuda de las empresas y particulares que han colaborado con el IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima para que este proyecto fuese una realidad: Palma Aquarium, Club Marítimo San Antonio de la Playa, Isurus Mallorca, Skualo Porto Cristo, Cressi España y a todos los vecinos de la Platja Ca'n Pastilla

Publicado por IBEAM. Instituto Balear de Estudios en Arqueología Marítima em Quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Como muitas das ânforas não estavam danificadas, os arqueólogos acreditam que não se tratou de um naufrágio. As duas principais hipóteses são a de que o navio teve algum vazamento, ou então que tenha sido palco de um confronto violento entre os que se encontravam a bordo que o fez desaparecer.

Os investigadores acreditam que, com base nas regiões de onde as ânforas parecem ter origem, o seu conteúdo seria provavelmente vários alimentos, tais como vinho, azeite e garo (um tipo de molho de peixe fermentado que era particularmente apreciado em Roma).

Antes de as ânforas poderem ser analisadas, precisam de ser cuidadosamente tratadas. Por isso, estão actualmente no Museu de Maiorca, onde estão em piscinas de água para serem dessalinizadas. O barco, por sua vez, vai continuar no fundo do mar.

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6 Outubro, 2019

 

2768: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

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4 Outubro, 2019

 

2745: Os bebés da pré-história já usavam biberões

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos encontrou na Alemanha biberões datados da Idade do Bronze e do Ferro, revela um novo estudo.

Os objectos, encontrados no parque natural de Altmühltal, na cidade de Dietfurt, foram descritos como pequenas garrafas de de argila com pitões em forma de mamilo.

Mais tarde, detalha a investigação cujos resultados foram agora publicados na revista Nature, foram identificados como biberões, contendo vestígios de leite de cabra e vaca.

De acordo com o Sinc, os recipientes, que tinham entre 5 a 10 centímetros de diâmetro, foram encontrados junto de sepulturas infantis que datam do ano 5.000 a.C.

Segundo a agência Europa Press, o achado é a primeira evidência de que os bebés pré-históricos foram alimentados com leite animais em recipientes, que podem ser comparados aos biberões modernos, há 7.000 anos.

Para chegar à composição dos vestígios encontrados nos recipientes, uma equipa de cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, recorreu à análise química e isotópica dos resíduos encontrados na superfície dos vasos.

Estas vasijas eran los biberones de la Edad de Bronce. Un estudio ha conseguido detectar trazas de leche de rumiante en su interior de hace 3.000 años, confirmando lo que se creía: que se usaban para alimentar a los pequeños.https://www.nature.com/articles/s41586-019-1572-x 

“Sabemos que os recipientes de argila utilizados para alimentar ou desmamar crianças apareceram pela primeira vez no período neolítico na Alemanha há cerca de 7.000 anos, tornando-se depois mais comuns na Idade do Bronze e do Ferro na Europa”, explicou o autor principal do estudo, Julie Dunne, citado pelo mesmo portal.

Siân Halcrow, professor associado da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, acrescentou que os cientistas não descartam que a utilização de leite animal na dieta dos bebés antigos pudesse ter efeitos negativos para a crianças.

(h) Helena Seidl da Fonseca

“Os recipientes provavelmente eram difíceis de limpar e apresentavam riscos de exposição a infecções para bebés, como gastro-enterites”, supôs.

Os cientistas já tinham provado a existência deste tipo de recipientes na Europa por volta de 5.000 a.C. Contudo, não era ainda claro que tipo de líquido é que era usado no biberão, nem se este servia para alimentar crianças, idosos ou pessoas doentes.

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1 Outubro, 2019

 

2683: O mistério da origem do estanho da Idade do Bronze foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Sangjun Yi / Flickr

A origem do estanho usado na Idade do Bronze tem sido um dos maiores enigmas da pesquisa arqueológica. Agora, investigadores resolveram parte do quebra-cabeças.

Um grupo de arqueólogos da Universidade de Heidelberg e do Centro de Arqueometria Curt Engelhorn, em Mannheim, na Alemanha, resolveram o mistério da origem do estanho utilizado durante a Idade do Bronze.

Para descobrir a sua origem geográfica, os especialistas analisaram 27 lingotes de estanho datados do segundo milénio antes de Cristo encontrados em sítios arqueológicos de Israel, Turquia e Grécia, comprovando que o metal não provinha da Ásia Central, como se suponha anteriormente, mas sim de jazidas de estanho na Europa.

Este facto indica que deviam existir rotas comerciais de longo alcance entre a Europa e o Mediterrâneo Oriental já na Idade do Bronze. Assim, os investigadores assinalam que este metal, assim como o âmbar, o vidro e o cobre, foi uma das grandes forças impulsionadoras desta rede de comércio internacional.

Algo interessante descoberto pelo cientistas foi o facto de que peças de estanho de Israel, por exemplo, coincidiam, na sua maioria, com estanho de Cornwall e Devon, no Reino Unido.

“Os objectos e depósitos de estanho são raros na Europa e na Ásia. A região do Mediterrâneo Oriental, onde alguns dos objectos que estudamos se originou, praticamente não possuía depósitos próprios. Então, a matéria-prima nessa região deve ter sido importada”, explicou em comunicado um dos autores do estudo, Ernst Pernicka.

Os resultados deste trabalho, publicado na revista especializada PLOS ONE, são de grande relevância, uma vez que a origem deste metal é especificamente identificada pela primeira vez e abre novos caminhos para futuras investigações arqueológicas.

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21 Setembro, 2019

 

2665: Primeiros humanos talhavam elefantes com ferramenta de 5 centímetros

CIÊNCIA

Ran Barkai / Tel Aviv University

Retirar o máximo de carne possível de uma carcaça era algo importante há milhares de anos atrás. Para um melhor aproveitamento, eram usadas lâminas de apenas cinco centímetros, que os arqueólogos ignoraram até agora.

Normalmente, ao pensar em ferramentas de corte usadas por antigos humanos, somos remetidos para grandes ferramentas como machados e cutelos. Contudo, um estudo recentemente publicado na revista Scientific Reports, mostra que os primeiros humanos tinham um kit de talhante sofisticado. As pequenas ferramentas de sílex descobertas era recicladas a partir de instrumentados maiores que eram descartados.

As ferramentas foram encontradas no sítio arqueológico de Revadim, no sul de Israel, e pertencem à cultura acheuliana do paleolítico inferior. Os cientistas estimam que estas tenham entre 300 e 500 mil anos. No passado, já tinham sido encontrados vários machados e restos de elefantes em Revadim.

“A análise incluiu observações microscópicas do desgaste do uso, bem como resíduos orgânicos e inorgânicos. Estávamos à procura de sinais de danos nas bordas, polimentos e resíduos orgânicos presos nas depressões das pequenas lâminas de sílex, tudo para entender para o quê que eram usadas”, disse a arqueóloga responsável pelo estudo, Flavia Venditti, citada pelo Phys.

Ran Barkai, outro dos cientistas envolvidos no estudo, explica ainda que durante décadas os arqueólogos ignoraram estas pequenas lâminas de apenas cinco centímetros. “O ênfase estava nos grandes e elaborados machados e outras ferramentas de pedra”, explicou. “No entanto, agora temos provas sólidas do uso vital destas lâminas”.

A cultura acheuliana era conhecida por as ferramentas grandes mencionadas pelos arqueólogos, que eram usadas principalmente para talhar grandes animais. Contudo, segundo o estudo, estas pequenas lâminas eram usadas em processos que exigiam um corte mais preciso, como separação de tendões, remoção do periósteo para retirar a medula óssea.

“Os humanos antigos dependiam da carne e, especialmente, da gordura dos animais para a sua existência e bem-estar. Portanto, um talhamento de qualidade dos grandes animais e a extracção de todas as calorias possíveis eram de uma crucial importância para eles“, realçou Barkai.

Isto mostra que os primeiros humanos eram mais avançados do que aquilo que se pensava. “As minúsculas lâminas agiam como instrumentos cirúrgicos criados e usados para o corte delicado de partes exactas das carcaças de elefantes e de outros animais”, acrescentou o arqueólogo.

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19 Setembro, 2019

 

2660: Descoberto em Ílhavo primeiro sítio pré-histórico subaquático português

CIÊNCIA

Antonio da Silva Martins / Flickr

Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de uma mancha de ocupação ou possível acampamento do neolítico a cerca de dois metros de profundidade na Ria de Aveiro, em Ílhavo.

“Temos estado a apanhar algumas surpresas valentes. O neolítico não estávamos à espera e muito menos no sítio onde está”, avança Tiago Fraga, director científico da equipa de arqueólogos, sobre os vestígios daquele que será o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país.

No âmbito do acompanhamento arqueológico dos trabalhos de dragagem no Canal de Ílhavo, também conhecido como Rio Bôco, foram encontrados em Agosto passado vários artefactos datados entre 4.000 a.C. e 3.000 a.C. e uma estrutura que se encontra submersa.

“Inicialmente encontrámos cerâmicas com mamilos e decoração, que se vê claramente que são da pré-história. Mais para a frente, começaram a sair líticos, ou seja, pedras talhadas, percutores e esse tipo de materiais”, descreveu o arqueólogo.

Para verificação dos materiais descobertos pelas arqueólogas Soraya Sarmento e Natália Quitério ocorreram diversos mergulhos de arqueologia subaquática que identificaram uma estrutura no local que provavelmente estará associada. “Sabemos por isso que não são peças perdidas no rio. É mesmo um sítio coeso que está lá debaixo de água”, reforçou o responsável que tem liderado várias missões arqueológicas de investigação e salvaguarda.

A equipa de arqueólogos suspeita que se possa tratar de “uma grande mancha de ocupação relacionada com um povoado” que está ali “algures” e acreditam que, muito provavelmente, “vão continuar a aparecer mais materiais”.

“A linha do nível médio do mar estava a 60 quilómetros daqui [Rio Bôco], portanto, toda esta zona eram planícies que estão neste momento debaixo de água. Agora, não estávamos à espera de encontrar estes materiais, muito menos na zona do Rio Bôco, onde foram localizadas, e é o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país”, disse Tiago Fraga.

A descoberta já foi comunicada à Direcção-Geral do Património Cultural que irá determinar o que será feito relativamente ao local do achado. “A decisão poderá ir da manutenção no local, até à sua conservação por registo que é a escavação integral do sítio, para se poder continuar a fazer a empreitada. Neste caso, como o sítio arqueológico não está em perigo, deverá ficar no solo”, explicou.

A equipa liderada por Tiago Fraga foi contratada para fazer o acompanhamento arqueológico dos trabalhos de desassoreamento da Ria de Aveiro, uma empreitada promovida pela Polis Litoral da Ria de Aveiro que começou no passado mês de Abril e que se irá estender ao longo de quase 100 quilómetros de canais.

Entre as várias acções desenvolvidas pelos arqueólogos está a protecção de estruturas arqueológicas, o estudo de materiais que vão aparecendo e a valorização e divulgação dos achados.

“Como é uma empreitada de grande envergadura, é necessário fazer acompanhamento arqueológico e a valorização patrimonial dos sítios arqueológicos já conhecidos, com o objectivo de aumentar o conhecimento da zona, perceber como é que Ílhavo e Aveiro apareceram e como era o tráfego marítimo na zona”, explicou Tiago Fraga.

Os arqueólogos estão também a fazer o despiste de “cinco possíveis túmulos de lastro” que foram identificados, no âmbito do estudo de impacto ambiental da empreitada. “Já fizemos o primeiro e não é um túmulo de lastro. Estamos com esperanças que um deles seja um naufrágio”, disse o responsável.

Apesar de todo o património arqueológico subaquático que já foi encontrado na Ria de Aveiro, Tiago Fraga diz que ainda há muito por descobrir no fundo da laguna.

“Toda a gente sabe que existem mais de 14 naufrágios aqui e um deles é o mais antigo de Portugal – ainda está em sítio na zona do Canal de Mira. Sabemos o que se passa no Canal de Mira e, agora, apanhámos esta surpresa no canal do Bôco, mas não sabemos nada do que se passa na zona Norte, em direcção a Ovar, que era o antigo canal da época islâmica e aí poderemos ter outras surpresas”, afirmou.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Setembro, 2019

 

2614: Descoberto um novo segredo sobre os Manuscritos do Mar Morto

CIÊNCIA

(dr) The Israel Museum
Detalhe do primeiro dos Manuscritos do Mar Morto, encontrado em 1947

Há novos detalhes sobre o Pergaminho do Templo, o maior dos Manuscritos do Mar Morto, descobertos em meados do século XX.

Os investigadores encontraram uma variedade de sais usados exclusivamente neste texto que favoreceu a sua conservação durante mais de 2.000 anos.

O pergaminho, de oito metros de comprimento, atraiu a atenção dos arqueólogos pela sua excecional magreza e cor de marfim brilhante. De acordo com o estudo, publicado este mês na revista especializada Applied Sciences And Engineering, o rolo possui uma estrutura em camadas que consiste num material à base de colágeno e outra camada inorgânica atípica de sulfatos e outros minerais descobertos após a recente análise química.

Os autores do estudo apontam para “uma tecnologia de fabricação antiga única”, na qual este pergaminho foi modificado adicionando uma camada inorgânica como superfície de escrita. Os resultados da investigação resolvem o mistério que, durante anos, ninguém conseguiu explicar: por que razão o documento é tão diferente dos outros e, apesar de encontrado no mesmo local, conseguiu sobreviver em melhores condições.

Além disso, o entendimento dos minerais utilizados é de grande importância no “desenvolvimento de métodos de conservação apropriados para a preservação desses valiosos documentos históricos”, acrescentam os especialistas.

Os textos, também conhecidos como Rolls of Qumran, são uma colecção de milhares de fragmentos de mais de 900 manuscritos com dois milénios de idade, incluindo cópias de textos da Bíblia Hebraica, encontrados em 1946 em doze cavernas.

A maioria dos manuscritos foi escrita num material baseado em pele de animal, descrito como um híbrido de pergaminho e couro. A produção de superfícies de escrita incluiu quatro etapas principais: depilação, desbaste, secagem e acabamento de tensão.

No início de Janeiro de 2018, uma das últimas partes dos Manuscritos que ainda permanecia por traduzir, foi decifrada por investigadores da Universidade de Haifa, em Israel. Em Março, o Museu de Israel expôs, pela primeira vez, um dos mais antigos e intrigantes manuscritos bíblicos que narra a partida de Noé após o dilúvio.

Nas duas últimas décadas, foram encontrados mais fragmentos dos Manuscritos, nomeadamente em mercados de antiguidades, o que lançou suspeitas sobre a origem e autenticidade. Alguns fragmentos foram adquiridos pelos fundadores do Museu da Bíblia.

Os arqueólogos continuam, contudo, à procura de sinais dos Manuscritos e há quem acredite que pode haver outras cavernas por descobrir com estes misteriosos pergaminhos escondidos.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2592: Raro mosaico romano com cena mitológica encontrado no Reino Unido

CIÊNCIA

Um mosaico romano com cerca de 1600 anos, que retrata uma cena mitológica greco-romana, foi encontrado numa vila de Berkshire, no Reino Unido.

O mosaico foi encontrado num sítio arqueológico no Reino Unido descoberto já em 2017. Contudo, e por se localizar num campo agrícola e de ainda precisar de trabalhos de limpeza adicionais, só agora foi possível desvendar o mosaico na sua totalidade.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, que descreve o mosaico romano como “raro“, o achado terá sido construído por volta de 380 d.C.

Anthony Beeson, especialista em arquitectura e arte romana e grega, disse, em declarações ao The Telegraph, que o mosaico agora encontrado é um de três deste tipo até agora descobertos em todo o mundo. Também o arqueólogo Matt Nichol, que trabalhou na escavação, descreveu à BBC as imagens e a iconografia achado como “inigualáveis”.

Na obra está retratado uma cena mitológica em que Pélope está numa corrida de carruagens com o pai da sua futura esposa, a princesa Hipodâmia.

Segundo a mitologia, o herói do mosaico era Pélope, neto de Zeus. Pélope queria casar com a sua amada Hipodâmia e pediu-a em casamento ao sei pai, Enomau, o rei de Olímpia. Reza a lenda que o pai de Hipodâmia tinha já matado 30 outros pretendentes devido a uma profecia que sustentava que seria morto pelo seu genro.

@Howard_S

Some detail of the #Roman #mosaic uncovered at #Boxford in Berkshire yesterday. 1/ the best preserved corner showing an #archer, #telomon, #lion 2/ the telomon closeup 3/ the lion struck by the archer’s arrow and bleeding and 4/ a roundel with #cupid #boxfordromanmosaic

Tendo a profecia em mente, Enomau disse que aceitava o pedido de casamento se Pélope o vencesse numa corrida de carruagens. Sabendo que partia em desvantagens, uma vez que Enomau tinha cavalos fortes e se tinha já livrado de outros pretendentes desta forma, Pélope pediu a Poseidon que fizesse com que a sua carruagem fosse mais rápida.

Além disso, Pélope prometeu ao responsável pelos cavalos de Oenamaus, Mirtilo, uma noite com Hipodâmia caso sabotasse a carruagem do rei.

Durante a competição, Mirtilo cumpriu com a sua parte. As rodas do carro do rei Oenamaus acabaram por se soltar, causando a sua morte. Depois de ter vencido a corrida, Pélope o mata Mirtilo para não ter que cumprir a sua promessa.

O mosaico retrata ainda outras figuras da mitologia greco-romana, frisa a SputnikNews.

O jornal britânico destaca que o mosaico tem grande valor histórico para o país. Apesar disso, os moradores locais não querem levá-lo para o museu. Actualmente, estão a ser levadas a cabo medidas de conversação, enquanto as equipas de arqueólogos estudam o achado para melhor compreender o período romano da história do Reino Unido.

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Por ZAP
7 Setembro, 2019