1419: Caçador da Idade da Pedra não foi vítima de canibalismo. Foi queimado vivo

CIÊNCIA

Jacek Tomczyk / Universidade Cardeal Stefan Wyszyński

O crânio partido de um caçador que viveu há cerca de 8.000 anos não é evidência de canibalismo, como os investigadores pensavam anteriormente. Em vez disso, o caçador morreu num terrível assassinato, sugere um novo estudo.

Embora o crânio antigo, encontrado no que hoje é a Polónia, esteja severamente danificado, uma nova análise revelou que o crânio mostrava sinais de cura, o que significa que o homem provavelmente viveu pouco mais de uma semana após a lesão.

“Descobriu-se que o crânio danificado mostra traços de cura que não podem ser vistos a olho nu”, disse Jacek Tomczyk, antropólogo da Universidade Cardeal Stefan Wyszyński, em Varsóvia. “Isso significa que a pessoa não morreu no momento em que o impacto ocorreu, o que também destrói a crença dos arqueólogos de que estamos a lidar com uma vítima do canibalismo”.

Investigadores encontraram o crânio da Idade da Pedra há quase 50 anos, perto do Rio Narew, em Wieliszew. Além disso, os arqueólogos também encontraram um osso humano queimado, assim como ferramentas de pedra, sugerindo que o homem era um caçador.

Uma vez que o osso foi queimado e o crânio sofreu um forte golpe, os investigadores concluíram que o homem tinha sido vítima de canibalismo. Mas Tomczyk e os colegas decidiram voltar a analisar os restos mortais.

A análise mostrou uma longa incisão horizontal no centro da testa do homem, disse Tomczyk. “Apesar da fragmentação do crânio, as bordas das incisões são regulares”. Um olhar mais atento a estas bordas revelou uma “formação subtil que une vários fragmentos ósseos”, indicando que a ferida estava a começar a cicatrizar.

“Este é o primeiro caso da Polónia da Idade da Pedra em que vemos lesões nos ossos e cicatrização”, disse o antropólogo. De acordo com os investigadores, é possível que o corpo tenha sido queimado num ritual funerário, prática comum durante o período Mesolítico.

O antigo caçador tinha provavelmente 20 anos quando morreu. “Também fizemos testes de ADN, mas infelizmente os danos nos tecidos causados por altas temperaturas tornaram impossível obter resultados confiáveis”, referiu Tomczyk. A lesão no crânio, no entanto, era clara como a água: parece que o caçador “foi golpeado com uma ferramenta”.

O estudo foi submetido para ser revisto pelos pares, mas ainda não foi publicado.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1395: Revelados segredos de um planalto afogado há 8.000 anos no mar do Norte

NASA / Wikimedia

Um vasto planalto localizado entre o Reino Unido e a Holanda já esteve cheio de vida antes de se afundar no que é hoje o Mar do Norte há cerca de 8 mil anos.

Os arqueólogos agora esperam descobrir como era esta paisagem antes de estar sob a água. Para reconstruir a imagem, os cientistas recolheram núcleos de sedimentos do fundo do Mar do Norte numa área chamada Doggerland, que não tinha gelo há cerca de 12 mil anos, após o fim da última era glacial.

A investigação também inclui estudos de grãos de pólen antigos e outros fósseis microscópicos contidos nas amostras, que podem revelar detalhes da paisagem e do clima da área.

Segundo Claire Mellett, principal geo-arqueóloga marinha da ONG Wessex Archaeology, dez dos núcleos de sedimentos retirados de parques eólicos no Mar do Norte continham antigos depósitos de turfa, um material orgânico que só pode ser formado em pântanos.

Os investigadores cruzaram as localizações do terreno com imagens de sensores remotos do fundo do mar, onde as amostras foram recolhidas, o que poderia mostrar a estrutura oculta da paisagem inundada.

“Conseguimos ver onde estavam os antigos rios, os pântanos, bem como a sua extensão, por isso sabemos o quão grande são. Estamos essencialmente a reconstruir a geografia do Mar do Norte há cerca de dez mil anos”, disse Mellett, que publicou os resultados no site da ONG onde trabalha.

Paisagem inundada

Mellett explicou que os depósitos de turfa são particularmente importantes porque contêm um registo ambiental de mudanças na paisagem e no clima da região, variando entre aproximadamente 12 mil a oito mil anos atrás.

“A turfa não é a evidência mais forte de uma superfície terrestre anterior. Há também uma excelente conservação de fósseis microscópicos, e é isto que nos dá a informação para reconstruir o clima, o nível do mar e que árvores cresciam na área”, referiu.

“Também observamos coisas como carvão microscópico, por isso podemos ver quando aconteceu um grande evento de queima. Não sabemos se foi causada por humanos ou se foi um incêndio natural numa floresta”, acrescentou.

Alguns restos humanos, incluindo parte de um crânio antigo e fragmentos de artefactos como ferramentas de pedra, foram recuperados na área através de operações de pesca e dragagem.

O trabalho poderá ajudar a encontrar em Doggerland mais locais de possível presença humana antiga.

Um dos últimos mistérios de Doggerland é a rapidez com que afundou – entre 500 a mil anos. “No histórico geológico, é uma das mais rápidas subidas do nível da água que conhecemos”, referiu a investigadora.

ZAP // RT; Live Science

 

1302: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

 

1295: Mini-exército de Terracota descoberto em fossa milenar na China

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos descobriu uma espécie de exército em miniatura no interior de uma fossa milenar na China. Foram encontradas centenas de figuras, que incluem carruagens cuidadosamente organizadas, mini-estátuas de cavalaria, torres de vigia, infantaria e até músicos.

As figuras agora encontradas parecem personalizar a versão miniatura do mítico Exército de Terracota – uma colecção de carruagens e esculturas de soldados, cavalos, animadores e autoridades civis em tamanho real – construída por Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China.

Tendo em conta o design dos artefactos agora descobertos, os arqueólogos acreditam que o enorme buraco foi construído há cerca de 2.100 anos, ou então um século após a construção do Exército de Terracota.

De acordo com o relato dos cientistas, a parte sul do cavidade estava preenchida com formações de cavalaria e bigas – carros romanos puxados a cavalo -, bem como modelos de torres de vigia com 140 centímetros de altura.

Já no centro da escavação, foram encontrados cerca de 300 cavala de infantaria em alerta, organizados numa formação quadrada. Por sua vez, a parte norte da fossa tinha um modelo de um pavilhão teatral, compostos por pequenas esculturas de músicos.

“A forma e a escala da cova sugerem que este acompanha um grande local de sepultamento”, escreveram os arqueólogos no artigo recentemente publicado na revista Chinese Cultural Relics. Os “veículos, cavalaria e infantaria em formação quadrada foram reservados para enterros de monarcas, oficiais ou príncipes meritórios“, pode ler-se.

Tal como explicado acima, os soldados e a cavalaria do exército agora descobertos são bastante menores do que as esculturas do Exército de Terracota. Com base na data, dimensão e localização da fossa, os especialistas acreditam que o exército recém-descoberto pode ter sido construído para Liu Hong, príncipe de Qi – poderoso estado da China antiga -, filho do imperador Wu (reinou entre 141 e 84 a.C).

Hong viveu na cidade de Linzi que fica localizada perto da cavidade agora descoberta, tendo morrido em 110 a.C. “Fontes textuais registaram que Liu Hong foi instalado como o príncipe de Qi ainda muito jovem e, infelizmente, morreu cedo, sem deixar qualquer herdeiro”, notaram os arqueólogos na publicação.

Túmulo fica por encontrar

Se esta espécie de poço e o exército de estatuetas de cerâmica foram construídos para proteger Hong, ou qualquer outro membro da família real, na vida após a morte, o seu túmulo deve estar nas proximidades.

“Há possivelmente vestígios arquitectónicos ou um caminho vai até ao local da sepultura, mas não há como explorar a câmara funerária principal”, escrevam os arqueólogos, notando que a tumba pode mesmo ter sido destruída.

Habitantes mais velhos da região relataram um proeminente monte de terra, com cerca de quatro metros de altura perto da cova. Mais tarde, conta os especialista, a terra foi movida e o terreno achatado para ampliar a linha ferroviária.

Esta descrição é corroborada por uma fotografia aérea capturada em 1938 pela Força Área Japonesa – na época, em guerra com a China -, que mostra um possível monte funerário perto da ferrovia.

A fossa foi descoberto no inverno de 2017 juntamente com outros sítios arqueológicos durante obras de construção na área. Após a descoberta, o local foi escavado pela Agência de Relíquias Culturais do Distrito Linzi da cidade de Zibo.

Após a conclusão da escavação, foi publicado pela primeira vez, e na língua chinesa, um artigo em 2016. O artigo foi recentemente traduzido para inglês, sendo depois publicado na revista Chinese Cultural Relics.

Mítico Exército de Terracota

As escavações do Exército de Terracota, encontrados ao lado do túmulo do primeiro imperador da China, são as únicas até agora encontradas na China com um exército de soldados de cerâmica em tamanho real.

Logo após a sua morte, em 210 a.C, a sua dinastia, conhecida como dinastia de Qin, entrou e colapso e uma nova dinastia, conhecida como dinastia de Han, ascendeu, tomando o poder na China.

Alguns dos governantes da dinastia de Han continuaram a construir fossas com exércitos de soldados de cerâmica para os seus enterros, mas os soldados eram consideravelmente menores. Por exemplo, o exército recém-descoberto é composto por figuras de 20 a 30 centímetros de altura, estátuas bem mais pequenas do que as do Exército de Terracota.

O mítico exército de Qin Shi Huang era composto por mais de oito mil soldados, 130 carruagens com 520 cavalos e 150 cavalos de cavalaria, a maioria das peças ainda permanecem enterradas na proximidades da sua sepultura.

A construção deste mausoléu começou em 246 a.C. e, os historiadores acreditam que tenha sido necessário 700.000 trabalhadores e artesãos para o completar, num trabalho de construção que terá levado 38 anos a completar.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
16 Novembro, 2018

 

1292: Arqueólogos descobrem a cidade perdida de Tenea

CIÊNCIA

Ministério da Cultura da Grécia

O Ministério da Cultura da Grécia anunciou que uma equipa de arqueólogos acredita ter encontrado a cidade perdida de Tenea. Entre os vestígios do assentamento, foram encontradas jóias, dezenas de moedas e vários túmulos.  

De acordo com as lendas, a cidade de Tenea foi fundada logo após a mítica Guerra de Troia, entre o século XII e XII a.C, por prisioneiros de guerra a quem Agamenon, o rei Micenas, permitiu construir o seu próprio assentamento para viver.

Segundo a nota divulgada esta terça-feira pelo ministério grego, a cidade agora encontrada pelos arqueólogos é Tenea, localizada na antiga região de Coríntia, no nordeste de Peloponeso. Os vestígios arqueológicos foram encontrados durante escavações realizadas entre Setembro e Outubro perto da aldeia de Jiliomodi.

Acredita-se que os nativos desta antiga cidade grega formavam também grande parte do grupo de colonizadores que formaram a cidade de Siracusa, na cidade italiana de Sicília.

Durante a expedição arqueológica, os cientistas encontraram as antigas muralhas da cidade e fragmentos do solo feitos de barro, pedra e mármore, em como peças construídas em cerâmica, um dado de osso e mais de 200 moedas antigas.

Foram também encontrados sete túmulos na área do cemitério da cidade, quatro dos quais da época e três da época helenista – embora um destes tenha sido reutilizado pelos romanos. No interior dos túmulos, os arqueólogos identificaram esqueletos de dois homens, cinco mulheres e duas crianças. Havia ainda vasos, ouro, jóias de bronze e osso e várias moedas junto dos esqueletos.

Em declarações à agência Reuters, a arqueóloga Elena Korka, que liderou a expedição, disse que as estradas pavimentadas e a estrutura arqueológica de Tenena pode agora ser vista. “Encontramos a evidência da vida e da morte, e tudo isso é apenas uma pequena parte da história deste lugar”, considerou.

As escavações na área começaram já em 2003, mas até agora os arqueólogos apenas se tinham debruçado a estudar os cemitérios perto de Tenea, sem descobrir os vestígios da cidade perdida, explicou a arqueóloga à agência AP.

A arqueóloga explicou ainda que os trabalhos na área continuam mas, pelos vestígios até agora encontrados, acredita-se que os moradores de Tenea eram ricos.

Algumas das cerâmicas encontradas tinham formas que denotam alguma influência oriental, explicou Korka, acrescentando que a cidade de Tenea “tinha contacto com o Oriente e o Ocidente”. De acordo com a especialista, os moradores desta cidade tinham um “modo de pensar próprio que definia, em certa medida, as suas políticas”.

Tenea – até agora considerada como uma lenda – floresceu durante a era romana e sobreviveu à destruição da cidade vizinha de Corinto pelas mãos dos romanos em meados de 146 a.C. Acredita-se também que tenha sofrido danos durante a invasão gótica no final do século IV d.C, podendo ter sido abandonada dois séculos depois, durante as incursões dos eslavos.

ZAP // RT

Por ZAP
15 Novembro, 2018

 

1278: Túmulos de faraós com dezenas de gatos mumificados descobertos no Egipto

CIÊNCIA

Ministry of Antiquities-Arab Republic of Egypt / Twitter

Uma missão arqueológica egípcia acaba de descobrir dezenas de múmias de gatos. As autoridades egípcias encontraram sete túmulos, quatro dos quais datam de mais de 6.000  anos, em Saqqra, a sul do Cairo.

A descoberta ocorreu “em torno de uma área rochosa perto do complexo funerário de Userkaf na necrópole real de Saqqara”, que era a capital do Reino Antigo, adiantou o ministro egípcio das Antiguidades, Khaled El Enany.

Segundo o governante, três desses túmulos “datam do tempo do Novo Império e foram usados como uma necrópole para gatos“, os felinos venerados em parte do Egipto Antigo. Os antigos egípcios acreditavam que os gatos e outros animais ocupavam uma posição especial na vida depois da morte.

Os outros quatro túmulos remontam ao tempo do Antigo Império (4.300 anos a.C.), “dos quais a mais importante é a de Jufu-Imhat, guardião dos edifícios pertencentes ao palácio real, datando do final da Quinta Dinastia e do início do VI”, segundo Khaled El Enany.

Os arqueólogos encontraram ainda 100 estátuas de gatos de madeira douradas e uma de bronze dedicada à deusa do gato, Bastet.

Além disso, o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, Mostafa Waziri, disse que a missão egípcia, que opera no local desde Abril, também encontrou os primeiros besouros mumificados descobertos na necrópole de Memphis. Dois grandes insectos foram descobertos dentro de um sarcófago rectangular em pedra calcária.

Tal como os gatos, estes insectos tinham também um significado religioso e simbolizavam o deus sol, Ra. “O besouro mumificado é algo realmente único. É algo um pouco raro”, disse Waziri. “Há alguns dias, quando descobrimos estes caixões, eram apenas caixões fechados com desenhos de besouros. Nunca ouvi falar deles antes.”

A missão encontrou ainda uma colecção de estátuas em madeira dourada que representavam um leão, uma vaca e um falcão; cobras de madeira pintadas; sarcófagos de crocodilos; amuletos, jarras, cestos de papiros e ferramentas de escrita.

Saqqara é uma vasta necrópole da região da antiga Memphis, onde vários túmulos e os primeiros faraós foram encontrados. Numa estratégia para reavivar o turismo, o Egipto tem insistido em publicar estas novas descobertas.

ZAP // RFI

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1275: Celtas decapitavam e embalsamavam as cabeça do inimigo como troféus

CIÊNCIA

(dr) Fouille Programmée Le Cailar-UMR5140-ASM
Um dos crânios encontrado no assentamento Celta no sul da França

Os antigos Celtas levavam as suas conquistas ao extremo, celebrando-as de forma macabra: os guerreiros colocavam as cabeças decepadas do inimigo ao pescoço dos seus cavalos, exibindo-as como troféus sangrentos.

Agora, e pela primeira vez, os arqueólogos encontraram na França evidências disso mesmo – cabeças decapitadas e embalsamadas datadas de há mais de dois mil anos.

Textos gregos e romanos antigos davam já conta que os celtas da região da Gália – território onde actualmente fica a França e as regiões vizinhas -, conhecidos por serem fortes e temíveis guerreiros, decapitavam os seus inimigos após as batalhas, colocando as cabeças dos guerreiros do inimigo ao pescoço dos seus cavalos.

E assim voltavam para casa das batalhas que venciam, com as cabeças decapitadas do inimigo a adornar – como se de um colar se tratasse – os seus animais. Relatos de embalsamento estavam também presentes na literatura antiga.

“As cabeças dos mais distintos inimigos eram embalsamadas em óleo cedro e cuidadosamente preservadas num baú”, escreveu o historiador grego Diodorus Siculus (90 a 30 a.C) no quinto volume da sua obra “Biblioteca Histórica”.

Em igual sentido, o historiador greco-romano Strabo (63 a.C a 23 d.C) escreveu no livro “Geographica“: “As cabeças dos inimigos de alta reputação eram, no entanto, embalsamadas em óleo cedro e exibidas para os estranhos”.

De acordo com Réjane Roure, arqueóloga da Paul Valéry University of Montpellier, na França, os celtas exibiam as cabeças “como troféu, de forma a aumentar a sua influência e poder, tentando assustar os seus inimigos”.

No entanto, e vale a pena salientar, os Gregos e os Romanos eram inimigos dos Celtas e, como tal, os seus relatos podem não ser totalmente fiéis à História antiga. Agora, e de acordo com a recente publicação na revista Journal of Archaeological Science, os especialistas conseguiram finalmente provar esta prática macabra.

Crânios confirmam a prática

Para a descoberta, a equipa de arqueólogos analisou fragmentos de crânios do assentamento Celta de Le Cailar, no sul da França, descobertos já em 2000. O território foi fortificado na Idade de Ferro e servia como porto para os comerciantes do Mediterrâneo.

Entre 2003 e 2013, os arqueólogos encontrara no local cerca de 50 crânios, fragmentados em 2.500 peças. Os crânios foram encontrados ao lado de armas e junto do que era, segundo os cientistas, um dos portões do assentamento. A disposição das armas bem como dos crânios sugere que os restos mortais estavam lá já há muito tempo, num grande espaço de exibição aberto no interior do assentamento.

O local em causa foi ocupado desde de o século VI a.C até ao século I d.C após os Romanos conquistarem Gália. De acordo com os cientistas, os crânios datam do século III a.C, época marcada por muitas batalhas e guerras por quase toda a Europa Ocidental.

Quanto aos rumores do embalsamento, os cientistas analisaram 11 crânios, tentando encontrar traços ou substâncias desta técnica. Seis destes crânios tinham vestígios de resina de coníferas, juntamente com moléculas que apenas são formadas quando a resina de plantas como o pinheiro são aquecidas até temperaturas elevadas.

Uma vez mais, esta é a primeira vez que uma análise química encontrou evidências de que os Celta embalsamavam cabeças durante a Idade do Ferro, explicaram os cientistas.

Investigações futuras podem explorar se estas cabeças foram embalsamadas durante todo o século III a.C ou se a prática aconteceu apenas durante um curto período deste século. “Além disso, há muitas outras cabeças decepadas da Idade do Ferro na Europa, e seria muito interessante saber se todas elas foram embalsamadas”, rematou Roure.

Conhecidos pelas suas capacidades em batalha, os Celtas habitaram a região onde hoje se localizada a França e as regiões vizinhas da Itália e Bélica, possuindo dezenas de pequenas vilas. Este povo guerreiro foi o principal derrotado pelo imperador romano Júlio César, no século I a.C, que impulsionou assim o seu poder.

O próprio imperador de Roma registou por escrito os impressionantes feitos militares de seus inimigos, famoso pelo poder e força da sua cavalaria.

ZAP // LiveScience / ScienceAlert

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1269: Já se conhece o novo rosto do povo de Luzia, o mais antigo fóssil humano brasileiro

CIÊNCIA

(dr) Caroline Wilkinson
Reconstrução facial de um homem pertencente ao povo de Luzia

Um homem que viveu há dez mil anos em território agora brasileiro acaba de ter o seu rosto recriado, incorporando novos dados genéticos sobre a sua população.

O fóssil de Luzia, um dos esqueletos humanos mais antigos das Américas, descoberto no Brasil em 1975, ficou conhecido após o incêndio que destruiu o Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro em Setembro. Mas, apesar desta tragédia, foram recuperados cerca de 80% dos seus ossos.

Agora, e pela primeira vez, conseguiu-se extrair ADN de fósseis do povo de Luzia, em conjunto com uma análise genética em larga escala de esqueletos de pessoas que viveram há vários milénios pelas Américas, e, assim, reconstituiu-se uma parte da história complexa das migrações humanas deste continente muito antes da chegada dos europeus.

Através destas informações genéticas, fez-se uma nova reconstituição facial do povo de Luzia. E eis o resultado final: o novo rosto deste povo.

O fóssil foi descoberto na região de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais, numa missão franco-brasileira liderada pela arqueóloga Annette Laming-Emperaire, e pertence a uma mulher, que teria à volta de 20 anos na altura da morte.

Mas entre a sua descoberta e a sua valorização científica, passaram-se 20 anos em que não houve qualquer tipo de investigação. Em 1995, o antropólogo e arqueólogo Walter Alves Neves estudou a morfologia do crânio de Luzia e baptizou-a com este nome numa alusão a Lucy, o fóssil famoso de uma fêmea com 3,5 milhões de anos de Australopithecus afarensis, descoberto na Etiópia em 1974.

A partir do estudo da forma dos crânios de Lagoa Santa, incluindo o de Luzia, Walter Alves Neves  propôs que os grupos de humanos que habitavam há dez mil anos essa região tinham uma ligação recente a populações de África, da Melanésia e Austrália.

Assim, o povo de Luzia não seria nativo americano, mas sim não-ameríndio, representando uma população que teria chegado à América antes dos antepassados dos ameríndios actuais. Isto porque, segundo esta hipótese denominada “paleoamericana”, a forma do seu crânio era diferente da dos ameríndios de hoje.

O especialista britânico Richard Neave fez uma reconstituição facial de Luzia baseando-se nesta hipótese de Walter Neves ainda na década de 1990, tendo sido apresentada como tendo uma fisionomia marcadamente africana.

Agora, estes novos resultados baseiam-se em análises de ADN extraído pela primeira vez de dez esqueletos de Lagoa Santa e vêm indicar que Luzia e os seus conterrâneos não tinham uma ligação recente a grupos humanos da Melanésia ou da Austrália. Afinal, Luzia e o seu povo já eram de origem ameríndia, avança o Público.

“A forma do crânio não é um marcador confiável de ancestralidade ou de origem geográfica. A genética, por seu lado, é a técnica que se presta por excelência a esse tipo de inferência”, acrescenta o comunicado sobre esta investigação, publicada esta quinta-feira na Cell.

Desta forma, a nova fisionomia apresenta um indivíduo masculino, pertence ao povo de Luzia. Desta vez, a recriação forense ficou a cargo da antropóloga Caroline Wilkinson, da Universidade John Moores, em Liverpool.

A especialista britânica utilizou um modelo digital retro-deformado do crânio antigo de um homem da região de Lagoa Santa. “É comum que os fósseis sejam deformados com a passagem do tempo. Esse método remove essa deformação usando algoritmos matemáticos em ambiente virtual 3D”, explica-nos André Strauss, um dos autores do artigo.

“Por mais acostumados que estejamos com a tradicional reconstrução facial de Luzia, com traços fortemente africanos, a nova reconstrução reflete de forma muito mais precisa a fisionomia dos primeiros habitantes do Brasil, apresentando traços generalizados e indistintos a partir dos quais, ao longo de milhares de anos, a grande diversidade ameríndia se estabeleceu”, adianta o comunicado.

Mas, se não veio de uma onda migratória recente da Melanésia ou da Austrália, então de onde veio o povo de Luzia?

Há mais de 20 mil anos não havia pessoas nas Américas. Mas, nessa altura, havia já uma população vinda da Ásia instalada na região onde hoje é o estreito de Bering. Na altura, em vez do estreito de Bering, havia uma ponte terrestre, a Beríngia, que os beringianos antigos começaram a utilizar para avançar pelo continente americano adentro.

Foi desta forma que há 20 mil anos, segundo os dados arqueológicos e genéticos, começou a chegar ao Novo Mundo uma única população numa onda migratória.

Cultura Clóvis

Os autores desta artigo, conforme explica o jornal, estabeleceram uma relação até agora totalmente desconhecida entre os humanos da cultura Clóvis e o povo de Luzia, configurando assim uma das maiores descobertas deste estudo.

Apesar de nunca terem sido encontrados artefactos da cultura Clóvis na América do Sul, o que sugeria que este povo não tinha migrado para sul, a genética trouxe relevações que suporta que havia pontos em comum quanto à ancestralidade destes dois povos.

Isto significava que o povo Clóvis não se tinha limitado a ficar na América do Norte e prosseguiu até à América do Sul, misturando-se com populações que não fabricavam as ferramentas típicas desta cultura, deixando descendentes em várias regiões

“A nossa descoberta principal é que um indivíduo da América do Norte associado à cultura Clóvis, com cerca de 12.800 anos, partilha uma ancestralidade distintiva com os indivíduos mais antigos do Chile, Brasil e Belize”, resume Cosimo Posth, num comunicado da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard.

No fundo, podemos resumir que a expansão de pessoas que disseminaram a cultura Clóvis na América do Norte alcançou também a América Central e do Sul.

“Surpreendentemente, o povo de Luzia, que se imaginava ter uma ancestralidade não-ameríndia, revelou-se como uma dessas populações descendentes de Clóvis”, conclui a nota da Universidade de São Paulo.

ZAP //

Por ZAP
10 Novembro, 2018

 

1235: Mistério da construção das Pirâmides do Egipto pode ter sido finalmente desvendado

CIÊNCIA

Hostelworld.com

As Pirâmides do Egipto são uma beleza arquitectónica e, milhares de anos após a sua construção, continuam envolvidas em mistério. Há muito que os arqueólogos se questionam como é que os antigos egípcios construíram aquela que é a maior pirâmide do mundo, a Grande Pirâmide.

Agora, e de acordo com uma nova descoberta arqueológicas, os especialistas podem finalmente desvendar parte do mistério, percebendo como é que os enormes e massivos blocos de pedra foram movidos.

Uma equipa internacional de cientistas – do Instituto Francês de Arqueologia Oriental (IFAO), no Cairo, e da Universidade de Liverpool, no Reino Unido – detectou os vestígios de um sistema que terá sido utilizado pelos egípcios para construírem as míticas pirâmides. De acordo com os cientistas, o engenho terá sido utilizado para transportar as pedras pesadas de alabastro por uma rampa íngreme.

O que resta do sistema foi encontrado numa antiga pedreira no deserto oriental do Egipto, em Hatnub, local onde os egípcios exploravam o alabastro. Segundo os especialistas, o sistema é datado de há 4.500 anos.

Esta construção milenar foi encontrada numa plataforma inclinada que tinha, em ambos os lados, escadas e aberturas. Nessas aberturas, podiam encaixar-se colunas de madeira, nas quais se podiam enrolar cordas. Posteriormente, os pesados blocos de pedra – alguns com mais de duas toneladas – fixavam-se numa espécie de “trenó” de madeira.

Depois do engenho estar pronto, explicaram os cientistas, os construtores puxavam as cordas, deslocando os blocos através da plataforma com um declive de 20 graus.

“Este sistema é composto de uma rampa central ladeada por duas escadarias com vários buracos”, disse Yannis Gourdon, co-director da expedição arqueológica, ao Live Science.

Roland Enmarch, outro dos arqueólogos que participou na descoberta, explicou ainda que as cordas presas ao trenó funcionavam como um “multiplicador de força”, facilitando a subida do trenó até ao cimo da rampa.a

Anteriormente, os cientistas já pressupunham a existência de construções deste género, contudo, esta é a primeira vez que o engenho é encontrado. “Este tipo de sistema nunca foi descoberto em nenhum outro lugar antes”, disse Gourdon.

Yannis Gourdon/Ifao
Sistema de construção encontrado

Construção contemporânea do reino de Khufu

Gourdon disse ainda que, de acordo com as marcas de ferramentas encontradas e tendo também em conta duas inscrições de Khufu identificadas, os cientistas acreditam que o sistema remonta, pelo menos, ao reinado de Khufu, o construtor da Grande Pirâmide.

“Como este sistema remonta, pelo menos, ao reinado de Khufu, significa que durante o tempo de Khufu, os antigos egípcios sabiam como mover enormes blocos de pedra usando encostas muito íngremes. Portanto, poderiam tê-lo usado para a construção da sua pirâmide”, acrescentou o cientista.

A Grande Pirâmide é a maior das três Pirâmides de Gize, construídas para cada um dos três faraós – Khufu, Khafre e Menkaure. A Pirâmide de Khufu é a maior já construída no Egipto, tendo 146 metros de altura quando foi construída. A erosão e o vandalismo foram diminuindo a sua altura, que está agora em 138 metros.

A Grande Pirâmide é ainda a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo e a única que permanece quase totalmente intacta. E, milhares de anos depois, as pirâmides continuam a revelar mistérios ainda por resolver.

ZAP // SputinkNews / LiveScience

Por ZAP
3 Novembro, 2018

 

1215: Arqueólogos descobriram o salão de festas do faraó Ramsés II

CIÊNCIA

Egyptian Ministry of Antiquities
Arqueólogos descobriram o Salão de festas de Ramses II

Arqueólogos da Universidade Ain Shams, no Cairo, encontraram nas ruínas do bairro árabe de Matariya o salão de festas do faraó egípcio Ramsés II. Durante o seu reinado, a zona correspondia à cidade de Heliópolis, uma das capitais do antigo país dos faraós.

A equipe de arqueólogos conseguiu identificar um conjunto de portas, paredes e instalações, que inclui um recinto em redor. Obras de perfuração efectuadas em Março deste ano possibilitaram a descoberta, detalhou o comunicado divulgado pelo Conselho Supremo de Antiguidades egípcio na quinta-feira.

Ramsés II foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, que reinou entre 1279 a.C. e 1213 a.C. O seu reinado é muitas vezes considerado o mais prestigiado da história egípcia no aspectos económico, cultural e militar.

O investigador responsável pala expedição, professor Mamduh al Damati, afirmou estar  impressionado pela unicidade do salão real, sem igual em qualquer construção do Império Novo egípcio.

Segundo o professor, a câmara cerimonial foi usada para celebrações reais não apenas durante o reinado de Ramsés II, mas também nos tempos dos seus sucessores. Os arqueólogos encontraram no recinto um artefacto do rei Ramsés III, que reinou cerca de três décadas depois de Ramsés II.

Entre os achados mais importantes destaca-se uma grande tigela de cerâmica, encontrada na sua posição original. De acordo com os arqueólogos, após o fim da época de Ramsés, a tigela poderá ter servido para abastecer com trigo um templo de Rá próximo do local.

As imagens distribuídas pelo Conselho Supremo de Antiguidades mostram a parte elevada da sala com um suposto trono real. Estão particularmente bem conservados quatro degraus, que separam a estrutura do chão.

A descoberta arqueológica foi anunciada alguns dias depois de um espectáculo especial, organizado pelas autoridades para delegações internacionais, em comemoração ao 50º aniversário do transporte, peça por peça, do templo de Ramsés II em Abu Simbel.

ZAP // Sputnik News

Por SN
29 Outubro, 2018

 

1207: Cientistas confirmam câmara secreta na Pirâmide da Lua

CIÊNCIA

haRee / Flickr
Complexo arqueológico de Teotihuacán que testemunha o esplendor da civilização Asteca.

Uma equipa de arqueólogos confirmou a existência de uma câmara e de um túnel secreto em baixo da Pirâmide da Lua, localizada no complexo arqueológico de Teotihuacán, a 50 quilómetros da Cidade do México.   

A descoberta, anunciada nesta quarta-feira pelo Instituto Mexicano de Antropologia e História (INAH), sugere que o espaço terá sido usado para rituais. De acordo com os cientistas, a câmara subterrânea está localizada a oito metros abaixo da pirâmide e tem 15 metros de diâmetro, sendo ainda ligada a um túnel que termina no sul da Praça da Lua.

Segundo a directora do projecto de conservação da Praça da Lua, Verónica Ortega, a equipa que localizou a câmara está agora a investigar se o espaço ritual estaria ligado ao “submundo”, dando sacramentalidade à antiga cidade.

“Estes grandes complexos de oferendas constituem o núcleo sagrado de Teotihuacan”.

Ortega explicou que o material que será encontrado nesta câmara poderá a ajudar a desvendar as relações desta antiga metrópole com outras da Mesoamérica – região cultural que se estendeu desde de o centro do México até a Costa Rica.

Além do túnel na Praça da Lua, os arqueólogos acreditam que haja uma outra entrada para a câmara localizada no lado leste. Esta descoberta confirmaria que a civilização de Teotihuacan reproduziu os mesmos padrões de túneis nos seus grandes monumentos.

Estudos e investigações anteriores já davam conta da existência desta câmara contudo, a sua confirmação só foi possível depois desta pesquisa que foi levada a cabo pelo INAH em colaboração com o Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autónoma do México.

A civilização de Teotihuacan surgiu mil anos antes dos astecas e viveu entre 100 a.C. e 650 d.C. Esta cidade é considerada a sede da civilização clássica no Vale do México. Na primeira metade do milénio d.C., chegou a ter 160 mil habitantes, tornando-a maior metrópole da América pré-hispânica.

Os costumes e tradições da cidade, que contavam, por exemplo, já com sistemas de canalização de água, influenciaram outros povos da região, como os maias, que habitavam montanhas situadas a mil quilómetros de Teotihuacan.

ZAP // Deutsche Welle

Por ZAP
27 Outubro, 2018