2200: Misteriosas ilhas artificiais na Escócia são mais antigas que Stonehenge

CIÊNCIA

(dr) Fraser Sturt)

Arqueólogos da Universidade de Southampton, que trabalharam com colegas da Universidade de Reading e com o arqueólogo local Chris Murray, descobriram que alguns “crannogs” escoceses datam do período neolítico – muito mais antigos do que se supunha.

Pensava-se que estas ilhas artificiais, construídas em lagos e enseadas no mar, tinham sido construídas, usadas e reutilizadas durante mais de 2.500 anos entre a Idade do Ferro e o período pós-medieval.

No entanto, agora, os investigadores dataram com radio-carbono quatro crannogs nas Hébridas Exteriores de 3640 a 3360 a.C, mudando a linha do tempo em milhares de anos, de acordo com o estudo publicado na revista Antiquity. Segundo o Phys, a construção do Stonehenge começou nos anos 3.000 a.C.

​Supõe-se que quase todas as ilhotas tenham servido como habitação. Em 2012, foram descobertos potes extraordinariamente bem preservados do início ou meio do Neolítico num leito do lago pelo residente de Lewis Chris Murray. Mais tarde, trabalhando com Mark Elliot, do Museum nan Eilean, recuperou colecções semelhantes em mais cinco locais crannog em toda a ilha.

Estas descobertas de cerâmica sugeriram que os crannogs podiam datar do período neolítico e levaram os investigadores a estudar usando uma combinação de levantamento de solo e submarino, fotogrametria e perfuração paleo-ambiental. Concluíram que havia evidências de construção de ilhas artificiais nas Hébridas Exteriores durante o Neolítico.

“Esses crannogs representam um esforço monumental feito há milhares de anos para construir mini-ilhas, acumulando muitas toneladas de pedras no leito do lago”, disse Fraser Sturt, arqueólogo da Universidade de Southampton, em comunicado.

(dr) Fraser Sturt)

Foram recuperadas quantidades substanciais de vasos cerâmicos neolíticos dos lagos e os seus grandes tamanhos fragmentados sugerem que – pelo menos alguns – estavam completos quando entraram na água. Noutras palavras, houve um depósito sistemático e possivelmente ritualizado das ilhas.

Com entre 10 a 30 metros de comprimentos, os crannogs seriam lugares especiais para reuniões públicas ou construções para ritos e refeições conjuntas. Duncan Garrow, da Universidade de Readimng, admitiu que o facto de as construções serem cercadas de água pode simbolizar a separação do homem da vida quotidiana.

Embora as Hébridas Exteriores tenham um número significativo de crannogs, também são comuns no restante da Escócia e da Irlanda. Apenas 10% foram datados por radio-carbono e apenas 20% no total foram datados.

“Parece muito provável que sejam encontrados muitos outros crannogs neolíticos. A nossa investigação mostra que este é um novo tipo de sítio para o neolítico britânico, indicando diferentes formas de prática pré-histórica. É muito emocionante pensar no potencial que estes sítios têm para melhorara  nossa compreensão do passado”, concluiu Sturt.

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18 Junho, 2019

2176: Troféus feitos de crânios podem explicar o fim da civilização Maia

CIÊNCIA

axelrd / Flickr

A descoberta recente de dois crânios usados como troféu nas selvas de Belize pode ajudar a esclarecer o colapso pouco explicado da civilização maia clássica.

Os crânios humanos foram pintados e tinham o propósito de serem usados como um colar em volta do pescoço. Foram enterrados há mais de mil anos com um guerreiro na cidade maia de Pacbitun e, possivelmente, eram troféus de guerra feitos dos restos de inimigos derrotados, de acordo com o artigo do antropólogo Gabriel D. Wrobel no The Conversation.

Os autores destes pendentes extravagantes gastaram muito tempo a prepará-los. Primeiro, tiraram a carne ao crânio com uma lâmina afiada e, depois, fizeram dois furos em cada extremidade, a fim de ancorar uma corda para suspender o crânio. Um dos troféus do crânio foi esculpido com um desenho ornamentado e pintado com pigmento vermelho.

Este achado, juntamente com o crescente número de descobertas em Belize, Honduras e México, parece mostrar que eclodiu um conflito civil entre os poderes do norte e as dinastias estabelecidas do sul. Em muitas cidades do norte, as descobertas deste período têm um sentido militarista.

Os vasos de cerâmica encontrados próximos aos crânios datam do século 8 ou 9, quando se iniciou o declínio da cidade de Pacbitun, enquanto os centros políticos no norte se tornaram dominantes.

Estudos anteriores concentraram-se na degradação ambiental como a principal causa do colapso do poderoso império. No entanto, embora os factores ambientais tenham tido um grande impacto, não explicam o declínio ao longo de um século e meio.

Para explicar a complexidade do que aconteceu, segundo o estudo publicado na revista Latin American Antiquity, os arqueólogos contemplam agora a violência e a guerra como factores que contribuem para o declínio de algumas cidades do sul, como evidenciado pelas fortificações construídas tão rapidamente em alguns lugares.

Embora as evidências dos crânios não mostram conclusivamente que as planícies do sul foram invadidas por guerreiros do norte, está claro que foi a violência e a guerra que puseram um ponto final na ordem política do império.

Anteriormente, os especialistas da Universidade de Cambridge mostraram que, no momento do colapso, produziram-se graves secas, que a chuva reduziu até 70%. As condições climáticas severas terão sido um golpe fatal para a civilização.

Enquanto a razão para o colapso permanece incerta, esta relíquia talvez sirva como uma horrível lembrança da sua queda no caos e na ruína.

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15 Junho, 2019

2143: Descoberto na Sibéria um “homem pássaro” com 5.000 anos

CIÊNCIA

Novosibirsk Institute of Archeology and Ethnography

Uma equipa de arqueólogos descobriu objectos estranhos em dois túmulos da Idade do Bronze que foram escavadas na região russa de Novosibirsk, na Sibéria.

As sepulturas foram descobertas no final do ano passado no sítio arqueológico de Ust-Tartas por especialistas do Instituto de Arqueologia e Etnografia de Novosibirsk.

Ambos túmulos datam de há 5.000 anos e há um com um achado peculiar. Numa das sepulturas foi encontrado o esqueleto de um homem com uma espécie de colar, capuz ou armadura feita com dezenas de bicos e crânios de pássaros.

Os ossos dos animais estavam dispostos na parte de trás do crânio do esqueleto, em volta do pescoço “como se fosse um colar”, explicou a cientista Lilia Kobeleva, citada pela RT.

Outra versão sobre o achado sustenta que os bicos e os crânios dos pássaros faziam parte de um traje ritual. Embora as espécies de aves não tenham ainda sido identificadas, os cientistas acreditam que fossem garças. Contudo, há ainda outro aspecto estranho: os arqueólogos não sabem como é que os ossos dos animais se uniram ou formaram um peça, já que não têm furos que possam evidenciar que um fio os tenha conectado.

O “homem pássaro”, tal como foi descrito pela imprensa local, não foi a única descoberta. No outro túmulo encontrado estavam os restos mortais de duas crianças e ao seu lado havia um outro esqueleto de um homem adulto rodeado por vários objectos.

Novosibirsk Institute of Archeology and Ethnography

Entre os objectos, os cientistas destacaram uma espécie de “óculos” compostos por dois hemisférios de bronze e ligados também por bronze. Os outros artefactos eram pedras polidas em forma de meia lua, que talvez tenham sido usadas em rituais.

“Ambos os homens desempenharam certamente papéis especiais na sociedade“, disse Kobeleva, que assumiu que estas figuras terão sido em vida “uma espécie de padres”.

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9 Junho, 2019

2131: Cientistas perto de encontrar uma Atlântida três vezes maior que Portugal

A existência de Doggerland já era conhecida, mas apenas como uma opção para empresas petrolíferas à procura de combustíveis fósseis. Contudo, cientistas encontraram agora vestígios da presença de humanos no Mar do Norte.

Atlântida é uma lendária ilha ou continente, cuja primeira menção foi em algumas obras de Platão. Nestes contos, o filósofo grego explica que após uma tentativa falhada de invadir Atenas, Atlântida afundou no oceano. Alguns historiadores acreditam que Platão se inspirou em acontecimentos verídicos para escrever a sua história e que, de facto, Atlântida existiu mesmo.

Não foi a Atlântida que os cientistas descobriram, mas foram encontrados vestígios de uma civilização antiga presentes no Mar do Norte, situado entre o Reino Unido, a Dinamarca e a Noruega. Nesse espaço foi encontrada uma floresta fossilizada que pode provar a presença de humanos mesolíticos de há 10 mil anos.

“Estamos absolutamente certo de que estamos muito perto de encontrar vestígio de presença humana”, disse Vincent Gaffney, da Universidade de Bradford, no Reino Unido.

Segundo o All That’s Interesting, a expedição que encontrou os vestígios no Mar do Norte não é única, mas foi a primeira que priorizou a descoberta da presença humana no centro do Mar do Norte.

mwmbwls / Flickr
Doggerland, no Mar do Norte

Os arqueólogos calculam que Doggerland teria praticamente três vezes o tamanho de Portugal. A teoria é que os humanos caçadores-colectores se mudaram para lá devido às mudanças de estações. Com a subida do nível da água do mar, que acabou por inundar a região, estes humanos foram obrigados a vir para terrenos mais altos.

“As melhores áreas são as zonas húmidas, onde há água, pássaros, peixes e crustáceos”, disse Gaffney. Os vestígios de turfa encontrados pelos cientistas provam que estas era zonas bastante húmidas.

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7 Junho, 2019



2092: Encontrada cabeça em mármore de Baco com mais de 2.000 anos

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos italianos encontrou uma cabeça de enormes dimensões e em mármore de Baco, o deus romano do vinho, dança e fertilidade. O achado foi descoberto em Roma e tem mais de 2.000 anos.

A descoberta, anunciada na passada sexta-feira pelo Parque Arqueológico do Coliseu, ocorreu durante escavações que estão a ser realizadas perto dos vestígios do antigo Fórum Romano. A cabeça terá feito parte de uma grande escultura de Baco (Dionísio na mitologia grega), que remonta aos séculos I e II a.C.

“Os olhos vazios que provavelmente foram preenchidos com vidro ou pedras preciosas datam dos primeiros séculos do Império Romano“, disse o director dos museus arqueológicos de Roma, Claudio Parisi, citado pelo jornal britânico The Telegraph.

“O rosto é refinado e gracioso, jovem e feminino. Tudo isso nos faz pensar que esta poderia ser uma representação de Dionísio”, acrescentou.


Os arqueólogos estavam a escavar uma muralha medieval quando encontraram fragmentos de mármore branca. Ao que tudo indica, apontaram os cientistas, a cabeça foi utilizada como material de construção reciclado, algo comum à época.

Roma continua surpreender-nos todos os dias. A cabeça da estátua está em excelente condições, é uma maravilha”, escreveu a Presidente da Câmara da capital italiana, Virginia Raggi, através da sua conta no Twitter.

A peça está agora a cargo do departamento patrimonial para ser limpa e trabalhada, visando retirar as incrustações da terra e proceder ao restauro. Os cientista acreditam que o objecto possa ainda conter vestígios da sua cor original. A cabeça de Baco será depois posta em exibição.

Dionísio, que inspirou Baco, era filho de Zeus e Semele, a filha mortal do rei de Tebas, sendo conhecido como o deus do vinho e do cultivo da uva, bem como do teatro, fertilidade e do êxtase religioso. Este deus foi adorado pelos antigos gregos como um dos doze deuses do Olimpo antes de ser incorporado no panteão romano dos deuses como Baco.

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2 Junho, 2019



2056: Forte tempestade faz reaparecer floresta pré-histórica no Reino Unido

A tempestade Hannah, que levou fortes marés e ventos ao Reino Unido, voltou a trazer à luz restos de árvores de uma floresta pré-histórica com cerca de 4.500 anos. Os vestígios estiveram escondidos durante anos sob areia e água salgada.

De acordo com o Daily Mail, a floresta Cantre’r Gwaelod (que significa “A Terra Abaixo de Cem”) tem cerca de 32 quilómetros, estendendo-se ao longo da costa oeste do País de Gales. Este tesouro pré-histórico foi encontrado entre as ilhas de Ramsey e Bardsey, área agora conhecida como Cardigan Bay.

Os arqueólogos já sabiam da existência desta floresta da Idade do Bronze nesta praia, uma vez que tinha já sido observados troncos durante a maré baixa.

Em 2014, restos de troncos foram vistos pela primeira vez em 45 séculos, mas os moradores locais contaram que o que restava das árvores foi rapidamente coberto de areia outra vez. Neste anos, os cientistas identificaram espécimes de pinheiro, amieiro, carvalho e bétula entre os trocos que expostos.

Uma lenda local diz que esta área outrora fértil era protegida por uma represa. Num certo dia, o guarda responsável por vigiar as suas comportas embebedou-se e não se apercebeu que se aproximava uma tempestade.

Os portões abertos permitiram a passagem da água do mar, inundando as terras. Como consequência, o rei e os habitantes foram obrigados a deixar o território.

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26 Maio, 2019


2000: Encontradas pegadas perfeitamente preservadas com 14 mil anos numa caverna profunda

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

Há cerca de 14 mil anos, cinco pessoas de pés descalços – dois adultos, um pré-adolescente e duas crianças – caminharam numa passagem escura de uma caverna.

Os tempos passaram, mas o grupo deixou para trás pegadas perfeitamente preservadas. Para iluminar o caminho que fizeram, de acordo com um novo estudo publicado na revista eLife, estas pessoas da Idade da Pedra terão queimado varas de pinheiro, que os arqueólogos também encontraram na caverna, conhecida como Grotta della Bàsura, no norte da Itália.

O tecto da gruta era tão baixo que, numa parte, os exploradores ancestrais foram forçados a gatinhar, deixando para trás “a primeira evidência de sempre de pegadas humanas deixadas a rastejar“, disse Marco Romano, investigador no Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

Os investigadores já sabiam da presença de humanos antigos em Grotta della Bàsura desde os anos 1950. Mas esta nova análise é o primeiro olhar de alta tecnologia nestes rastos específicos, em que os arqueólogos usaram scanners a laser, análise de sedimentos, geoquímica, arqueobotânica e modelagem 3D para estudar as impressões.

Havia tantas impressões – 180 no total – que os investigadores conseguiram juntar tudo o que aconteceu naquele dia durante o Paleolítico Superior – também conhecido como a Idade da Pedra. De acordo com os diferentes tamanhos de pegadas, havia cinco pessoas: uma de 3 anos de idade, outra de 6 anos, uma pré-adolescente (8 a 11 anos) e dois adultos.

Este grupo estava descalço e não parecia estar a usar qualquer roupa – pelo menos não deixou impressões na caverna. Depois de caminhar cerca de 150 metros, chegaram ao Corridoio delle Impronte e, em seguida, caminharam em fila única, com a criança de 3 anos atrás.

“Caminharam muito perto da parede lateral da caverna, uma abordagem mais segura também usada por outros animais quando se deslocam num ambiente pouco iluminado e desconhecido”, disse Romano à Live Science.

Pouco depois, o tecto da caverna ficou mais baixo cerca de 80 centímetros, forçando os aventureiros a rastejar, “colocando as mãos e os joelhos sobre o substrato de argila”, explicou Romano. Os exploradores passaram por um gargalo de estalagmites, atravessaram um pequeno lago, deixando rastos profundos no solo encharcado, subiram uma pequena encosta além do Cimitero degli Orsi (cemitério dos ursos), e chegaram ao terminal Sala dei Misteri (sala dos mistérios), onde pararam.

(dr) Marco Avanzini
Os investigadores encontraram 180 impressões

Naquela sala, “o adolescente e as crianças começaram a recolher argila do chão e espalharam-na numa estalagmite, em diferentes níveis de acordo com a altura”, disse Romano. As tochas do grupo deixaram vários traços de carvão nas paredes. Depois, saíram da caverna.

O grupo mostra que “crianças muito jovens eram membros activos das populações paleolíticas superiores, mesmo em actividades aparentemente perigosas e sociais”, disse Romano. O novo estudo é “um belo trabalho apresentado”, disse Matthew Bennett, professor de ciências geográficas e ambientais na Universidade de Bournemouth, no Reino Unido. “É um exemplo da sofisticação com a qual podemos agora gravar impressões, sejam seres humanos ou animais.”

No entanto, dado que os investigadores já sabiam que humanos antigos viviam na área e usavam a caverna, a descoberta não contribui muito para a compreensão científica do povo da Idade da Pedra. “É um grupo de indivíduos a explorar uma caverna, o que é interessante, mas sabíamos disso de qualquer maneira”, disse.

Bennett acrescentou que não é incomum encontrar as pegadas de crianças misturadas com as dos adultos a partir desta época. Em parte, isso ocorre porque as crianças provavelmente superavam em número os adultos durante o Paleolítico Superior e porque as crianças dão mais passos do que os adultos, já que as suas pernas são mais curtas. Além disso, “fazem coisas tontas – dançam, correm, não andam numa direcção”, disse Bennett. “Faz sentido estatístico que deveríamos encontrar muitas pegadas de crianças.”

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17 Maio, 2019


 

1976: Achado único no Egipto pode revelar segredo da Grande Pirâmide de Gizé

(CC0/PD) The Digital Artist / pixabay

Em 1954, um grupo de arqueólogos egípcios descobriu um achado intrigante: vigas de madeira que pareciam ter sido cuidadosamente removidas num poço perto da base da Grande Pirâmide de Gizé.

A Grande Pirâmide de Gizé, também conhecida como a Pirâmide de Quéops (ou Khufu), é a mais antiga e maior das três pirâmides do complexo em Gizé do Egipto. Foi outrora a mais antiga das Sete Maravilhas do Mundo Antigo – e agora é a única que resta. O segredo de como foi construída tem deixado os arqueólogos e cientistas perplexos.

No entanto, podemos estar finalmente no limiar da resolução deste mistério. Durante o documentário “Grande Pirâmide do Egipto: a Nova Evidência” do Canal 4, foi revelado como os arqueólogos estão a começar a aprender mais sobre esta antiga civilização.

O documentário de 2019 afirmou o seguinte: “A obtenção das 170 mil toneladas de calcário de alta qualidade para revestir a pirâmide foi o maior desafio de Khufu.” De acordo com o documentário, só podiam ser extraídas de pedreiras distantes num lugar chamado Tora. “Nunca ninguém soube ao certo quanta pedra foi trazida para Gizé para completar a construção em pouco mais de um quarto de século.”

A série fez referência a um achado feito por uma equipa de arqueólogos em 1954. Mas agora novas evidências estão a revelar que Khufu apenas pôde ter conseguido isso com uma frota de barcos especialmente construídos e marinheiros altamente treinados.

Num poço perto da base da pirâmide, um grupo de cientistas egípcios descobriu uma série de vigas de madeira cuidadosamente desmontadas. Na época, a descoberta pouco fez para iluminar os segredos da pirâmide.

Entretanto, os avanços modernos na tecnologia permitiram que os cientistas determinassem que as vigas eram os restos de um barco desmontado. O documentário acrescentou: “Hoje, ao pé da pirâmide, um achado único está a iluminar essa teoria”. Os pedaços de madeira são na verdade um barco desmontado — um navio cerimonial que Khufu comandaria na vida após a morte.

O achado oferece aos investigadores uma visão única sobre as embarcações que estavam em uso naquele período de tempo. Eissa Zidan, que supervisionou o projecto, acredita que este barco particular pode ter pertencido ao próprio grande faraó. “De acordo com a nossa análise, este é um resultado de 2.600 a.C.”, disse.

“Este é o mesmo período das pirâmides de Khufu, por isso sabemos que é o barco do rei Khufu”, disse Zidan, acrescentando que este é actualmente o projecto arqueológico número um, não só no Egipto, mas no mundo.

Noutros achados recentes, arqueólogos descobriram estátuas excepcionalmente bem preservadas e sarcófagos feitos de calcário de alta qualidade num cemitério recém-descoberto perto das pirâmides de Gizé. De acordo com os estudiosos, um dos túmulos mais antigos remonta a 2.500 a.C.

De acordo com as inscrições, o túmulo antigo contém os restos mumificados de dois homens — um sacerdote e um funcionário — que alegadamente viveram na época dos construtores das primeiras pirâmides. A maioria dos historiadores acredita que a Grande Pirâmide de Gizé foi construída durante um período de mais de 20 anos para o faraó Khufu, que foi enterrado numa tumba no seu interior.

Algo que sempre deixou os leigos e os cientistas perplexos é como uma antiga civilização que data de cerca de 2500 a.C. foi capaz de transportar seis milhões de toneladas de blocos de pedra para o local e montá-los para produzir uma estrutura grandiosa.

ZAP // Sputnik News

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14 Maio, 2019


 

1958: Uma peça perdida de Stonehenge foi recuperada depois de desaparecer misteriosamente

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Em 1958, uma pedra de Stonehenge desapareceu sem deixar rasto durante um trabalho arqueológico no monumento pré-histórico famoso. Mas, agora, está de volta.

Depois de várias décadas, a peça que faltava – um “núcleo” de pedra cilíndrica e estreita – foi encontrada. Agora que o núcleo foi devolvido ao seu lugar na colecção de artefactos do English Heritage, os arqueólogos esperam que o núcleo de pedra forneça alguns insights inestimáveis sobre a história do local único do Neolítico – e talvez até mesmo descubra a origem das grandes pedras que formam os seus trilitos.

Três núcleos desapareceram quando os arqueólogos começaram a reerguer um dos trilitos caídos do Henge, uma estrutura distinta composta de duas grandes pedras verticais com uma terceira pedra horizontalmente na parte superior. Para fixar e reforçar a estrutura, foram perfurados três buracos de 32 milímetros da pedra e foram inseridos hastes de metal, que produziram três longos cilindros de pedra.

Uma das pessoas que trabalhava neste projecto foi Robert Phillips, do negócio de corte de diamantes Van Moppes. Phillips conseguiu colocar as mãos num dos núcleos cilíndricos, que ocupou um lugar de destaque no seu escritório durante muitos anos.

Em 1976, deixou o seu emprego na Van Moppes e emigrou para os EUA, onde ocupou, acompanhado do núcleo de Stonehenge, vários postos em todo o país, de Nova Iorque e Chicago à Califórnia e Florida. Na véspera do seu 90º aniversário, Robert decidiu que era hora de colocar a sua lembrança favorita aos cuidados do English Heritage.

“O nosso pai sempre se interessou pela arqueologia e reconheceu a enorme importância da peça do monumento sob os seus cuidados. Foi seu desejo que fosse devolvido a Stonehenge”, disse o filho de Robert, Lewis Phillips, em comunicado. “Estamos todos encantados que o núcleo tenha voltado para casa, particularmente porque agora está a ser usado para futuras investigações importantes”.

No entanto, os outros dois núcleos permanecem à solta. “Os outros dois núcleos de Stonehenge ainda podem estar por aí em algum lugar e, se alguém tiver alguma informação, adoraríamos ouvi-los”, disse Heather Sebire, curadora do English Heritage.

Os arqueólogos estão certos de que os arenitos menores de Stonehenge foram trazidos das colinas de Preseli, no sudoeste do País de Gales – quase 300 quilómetros de distância do megálito – com base na análise da rocha. No entanto, é ainda desconhecida a origem dos maiores blocos. Agora, equipados com os núcleos bem preservados, os investigadores esperam obter uma visão mais detalhada do “ADN” de Stonehenge.

ZAP // IFL Science

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11 Maio, 2019

1894: A Ilha da Páscoa está ameaçada. Os culpados são os turistas que tiram macacos do nariz às estátuas

MastaBaba / Flickr

Embora o turismo possa trazer dinheiro para as economias locais, muitas vezes tem impactos negativos significativos nas comunidades nativas – principalmente em lugares com populações pequenas e ecossistemas frágeis, como Rapa Nui, a Ilha de Páscoa.

A pequena e remota ilha vulcânica na Polinésia testemunhou um enorme aumento no número de turistas nos últimos anos – a maioria dos quais se maravilha com as misteriosas estátuas de pedra, conhecidas como “moai”, erguidas entre 1100 e 1400. Agora recebe mais visitantes do que as pirâmides do Egipto.

A arqueóloga Jo Anne Van Tilburg, da Universidade da Califórnia em Los Angeles – que apareceu recentemente no programa 60 Minutes da CBS – tem realizado estudos na ilha há quase 40 anos e testemunhou em primeira mão o impacto que o turismo teve.

“O meu estudo foca-se nos moais e o seu papel na cultura Rapa Nui”, disse Van Tilburg à Newsweek. “Estou interessada na forma como as sociedades criam e expandem o seu senso de identidade e propósito com o uso da arte. Eu fui a Rapa Nui em 1981 e investi basicamente a minha carreira arqueológica nos mistérios e na magia da ilha”.

“Em 1981, havia apenas cerca de 2.500 e 3.000 pessoas a viver na ilha e a contagem anual de visitantes era semelhante a esse número”, disse. “Hoje, a ilha recebe mais de 150 mil turistas por ano”.

Não é de surpreender que o número desproporcional de visitantes esteja a afectar a comunidade local – que actualmente conta com cerca de 5.700 pessoas – de várias maneiras. “Como em todo lugar, o turismo no nível actual está a ter um impacto extremamente negativo sobre os recursos naturais de Rapa Nui, especialmente na água”, disse Van Tilburg. “Toda a infra-estrutura é tensa. O turismo tem um impacto muito negativo no senso de comunidade de Rapa Nui”.

Particularmente desanimador é o frequente comportamento desrespeitoso de alguns viajantes que ignoram as regras pisando áreas protegidas, andando em cima de sepulturas e subindo aos moais, às vezes apenas para tirar uma selfie, a “tirar macacos do nariz da estátua”.

Isto pode levar as estátuas a ficarem danificadas – exacerbando os efeitos da deterioração natural dos elementos. O comportamento é insensível, dado que as esculturas são sagradas para a comunidade Rapa Nui, lembrando os seus ancestrais e as suas relações com os deuses, disse Van Tilburg.

“Estou incomodada com a falta de interesse turístico genuíno na ilha e o seu povo”, disse. “Há uma falta de apreciação pelo passado de Rapa Nui. Parece que muitos desejam apenas inserir-se na história tirando uma selfie com as estátuas”.

Em 1995, a UNESCO designou a Ilha de Páscoa como Património da Humanidade e grande parte da massa de terra é protegida como parte do Parque Nacional de Rapa Nui, que a comunidade local controla. No entanto, Van Tilburg acredita que é preciso fazer mais para proteger os antigos tesouros para as gerações futuras.

“A comunidade de Rapa Nui está muito determinada em proteger a sua herança”, disse. “Os métodos de preservação são conhecidos. As ferramentas estão disponíveis. A tarefa é que os Rapa Nui avancem juntos com um propósito unido e tomem medidas decisivas”.

“Como património mundial, o mundo prometeu cuidar da ilha. Todos nós precisamos de fazer a nossa parte para preservar o passado”, disse. “Os turistas podem estudar e aprender antes de viajarem para a ilha. Podem mostrar o devido respeito pelos outros. Podem remover os seus egos – e os seus selfie sticks – da paisagem e aprender a apreciar o passado”.

ZAP //

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27 Abril, 2019

 

1839: Descoberta nova espécie de humanos nas Filipinas

CIÊNCIA

Projecto Arqueológico da Gruta de Callao

Sete dentes e cinco ossos revelaram a existência de uma espécie de humanos antigos até então desconhecidos. Uma equipa de cientistas encontrou fósseis com características distintivas da espécie, que foi baptizada de Homo luzonensis, numa caverna na ilha filipina de Luzon.

“É uma espécie completamente nova de hominídeos. Não acontece muitas vezes”, disse o arqueólogo e bioquímico Rainer Grün, da Universidade de Griffith, que conduziu os testes nos ossos, em declarações ao portal Science Alert.

De acordo com a investigação, cujos resultados foram esta quarta-feira publicados na revista científica Nature, a espécie habitou esta área entre 50.000 e 67.000 anos.

Durante as escavações, realizadas em 2007, 2011 e 2015 na caverna de Callao, a equipa encontrou sete dentes, dois ossos dos dedos das mãos, dois ossos dos dedos dos pés e um osso da parte superior da perna.

Os restos fósseis encontrados oferecem as primeiras evidências directas da presença humana nas Filipinas. Segundo revelaram os cientistas, os restos encontrados pertenciam a, pelo menos, três indivíduos destas espécie recém-descoberta.

A análise a um dos ossos do pé, descoberto em 2007, sugere que o indivíduo pertencia ao género Homo, não sendo claro na altura a que espécie em concreto.

Os autores do estudo detalharam que outros espécimes encontrados “exibem uma combinação de características morfológicas primitivas e derivadas diferentes da combinação de características encontradas em outras espécies do género Homo”, como o Homo floresiensis e o Homo sapiens. Este mesmo motivo “garante a sua atribuição a uma nova espécie“, escreveram os cientistas.

Os ossos dos dedos das mãos e dos pés dos antigos habitantes de Luzon são curvos, indicando uma capacidade de escalar árvores semelhante às do hominídeos de há dois ou mais milhões de anos.

Nature News & Views

@NatureNV

A previously unknown human species called Homo luzonensis lived in Asia. Find out more about this amazing discovery in a terrific N&V by Matt Tocheri @mylakehead @HumanOrigins https://go.nature.com/2uWF8iW 

Espécie é contemporânea do Homo floresiensis

De acordo com a mesma publicação científica, o recém-descoberto Homo luzonensis viveu ao mesmo tempo que o Homo floresiensis, espécie de hominídeos de tamanho médio que habitavam a ilha indonésia de Flores.

O Homo floresiensis foi a primeira das espécies humanas que habitou a ilha há aproximadamente 100.000 a 60.000 anos. Ossos de indivíduos desta espécie – apelidados de hobbits devido à sua altura de apenas um metro – foram encontrados em 2003 na caverna de Liang Bua, na Indonésia.

O Homo luzonensis era não só contemporâneo dos hobbits, mas também da nossa espécie, o Homo sapiens, que surgiu na África há aproximadamente 300 mil anos. Os cientistas afirmaram que não é possível descartar a possibilidade de que a chegada da nossa espécie à região tenha contribuído para o desaparecimento do Homo luzonensis.

Os habitantes da ilha de Flores também desapareceram há cerca de 50 mil anos, ao mesmo tempo que o Homo sapiens se espalhava pela região. Quanto à estatura do Homo luzonensis, e tendo em conta o tamanho dos seus dentes, a equipa acredita que este tenha tido uma estatura muito menor do que o Homo sapiens.

Ambas as descobertas, quer na ilha de Luzon como na ilha de Flores, provam que a história da evolução humana é bem mais complicada do que se acreditava até então.

“Durante anos – e até há menos de 20 anos – a evolução humana na Ásia era vista como muito simples: o Homo erectus saiu de África, fixou-se no este e sudeste asiático e nada mais aconteceu até à chegada do Homo sapiens, há cerca de 40 ou 50 mil anos”, avançando para a conquista de todas as regiões da Terra, explicou paleoantropologista Florent Détroit, do Muséum National d’Histoire Naturelle, citado pela agência Reuters.

Com estas descobertas, “sabemos agora que a história evolucionária é muito mais complexa, com várias espécies distintas e contemporâneas do Homo sapiens, reprodução cruzada entre as espécies e até extinções”, revelou o paleoantropologista dando conta que, com toda a certeza, o Homo sapiens “não estava sozinho na Terra”.

Em declarações à TSF, Octávio Mateus, professor de Paleontologia na Universidade Nova de Lisboa, rotula a descoberta como “formidável” e “extraordinária”. “Cada vez que descobrimos um humano é absolutamente espectacular”.

ZAP // Science Alert / Russia Today

Por ZAP
11 Abril, 2019