2580: Um enorme navio quebra-gelo vai ficar preso (de propósito) no oceano Árctico

CIÊNCIA

O navio quebra-gelo RV Polarstern vai sair da Noruega nas próximas semanas, com destino ao Árctico, para estudar nos próximos meses como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano.

Um dos navios mais indestrutíveis do mundo — RV Polarstern — vai partir da Noruega no próximo dia 20 de Setembro, em direcção ao Oceano Árctico, onde ficará preso nos próximos 13 meses (de forma propositada). O quebra-gelo tem um objectivo ambicioso: determinar como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano, escreve o Live Science.

A expedição, chamada de Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate (MOSAIC) — algo como Observatório Multidisciplinar de Deriva para o Estudo do Clima do Árctico —, está a ser planeada há anos. Com um investimento de mais de 118 milhões de euros, vai exigir a participação de mais de 600 pessoas, entre cientistas e equipa técnica.

O líder da expedição, Markus Rex, do Instituto Alfred Wegener (que opera o Polarstern), afirma que o navio vai entrar provavelmente no gelo marinho flutuante em meados de Outubro e depois ficará à deriva no Árctico, cercado de gelo, até ao próximo verão, antes de voltar ao seu porto de origem em Bremerhaven, na Alemanha, no outono.

A MOSAIC vai investigar as fontes de energia ambiental envolvidas no derretimento e movimentação do gelo marinho; a formação e precipitação das nuvens do Árctico e os efeitos das transferências de calor e massa entre a atmosfera, o gelo e o oceano. Depois, as descobertas serão usadas para refinar os modelos computacionais do clima global.

Em diferentes fases da expedição, centenas de pessoas vão ser transportadas para este navio através de outros quatros quebra-gelo — a partir da Suécia, Rússia e China — e por aeronaves que vão pousar numa pista de gelo construída nas proximidades.

Ao contrário de outras expedições científicas, os cientistas vão estudar o ambiente do Árctico durante todo o seu ciclo anual de congelamento e descongelamento, desde o crescimento do gelo marinho no outono até à sua ruptura no verão seguinte.

Quando o gelo for espesso o suficiente (cerca de 1,5 quilómetros de espessura), vão ser instalados acampamentos e instrumentos científicos a até 50 quilómetros do navio. As medições serão feitas até quatro mil metros abaixo da superfície e a altitudes superiores a 35 mil metros.

A nova expedição recorda a viagem realizada, no final do século XIX, pelo Fram, navio de Fridtjof Nansen. O cientista norueguês e a sua equipa de 12 elementos deixaram Tromsø, a mesma cidade de onde vai partir agora o RV Polarstern, em Julho de 1893, e começaram a flutuar pelo gelo marinho em Outubro, perto das Ilhas da Nova Sibéria.

Depois de andar à deriva durante quase dois anos, Nansen ficou insatisfeito com o progresso do navio, tendo decidido deixá-lo, em Março de 1895, na tentativa de alcançar o Polo Norte sobre o gelo, juntamente com Hjalmar Johansen, um dos tripulantes.

Mas menos de um mês mais tarde, o frio intenso e o agravamento do clima obrigaram os dois exploradores a suspender a expedição e a passar o inverno polar na Terra de Francisco José, um arquipélago polar russo.

Nansen e Johansen acabariam por ser resgatados por outra expedição no Árctico, e o Fram permaneceu congelado até Agosto de 1896, antes de voltar com a restante equipa para a Noruega.

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5 Setembro, 2019

 

2550: A Rússia tem cinco novas ilhas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Investigadores encontraram cinco novas ilhas nas águas geladas da costa norte da Rússia. Embora novas descobertas sejam tipicamente algo para comemorar, desta vez, é má notícia.

As ilhas encontradas na Rússia só foram reveladas graças ao derretimento glacial acelerado das mudanças climáticas.

A presença de novas ilhas na área foi sugerida pela primeira vez por uma estudante universitária que estudava imagens de satélite enquanto escrevia o seu trabalho final no fim de 2016. A presença de pelo menos cinco novas ilhas foi confirmada esta semana pelo Ministério da Defesa da Rússia após uma expedição recente pelo Vizir, um navio de investigação da Marinha Russa.

“Foi realizada uma investigação topográfica nas novas ilhas”, disseram os militares em comunicado. “Foram descritos em detalhes e fotografados.” As novas ilhas, com tamanho entre 900 a 54.500 metros quadrados, podem ser encontradas perto de Novaya Zemlya e Franz Josef Land, no Oceano Árctico, dois arquipélagos de centenas de ilhas habitadas apenas por militares.

Todas as ilhas foram anteriormente engolidas pelo gelo do glaciar Nansen, também conhecida como Vylka. No entanto, foram expostas após o recuar do gelo devido ao aumento da temperatura do ar e do oceano.

O Círculo Polar Árctico está a experimentar alguns dos aumentos mais acentuados no clima mais quente do mundo, especialmente no ano passado, que registou um calor recorde em grande parte do Árctico. Num exemplo particularmente chocante, as temperaturas numa vila sueca no Círculo Polar Árctico atingiram 34,8°C em 26 de Julho de 2019. O noroeste da Rússia também viu as temperaturas subirem para 29°C..

Com as temperaturas quentes, vem o degelo do gelo e o derretimento dos glaciares. Os principais episódios de derretimento de superfície ocorreram em muitas partes do Árctico este ano, principalmente na Gronelândia, onde cerca de 197 mil milhões de toneladas de gelo derreteram apenas no mês de Julho.

Um estudo de 2018, publicado na revista especializada Remote Sensing of Environment, analisou os glaciares em redor do arquipélago de Franz Josef Land e descobriu que a perda de massa de gelo entre 2011 e 2015 duplicou em comparação com os intervalos de tempo anteriores.

“Actualmente, o Árctico está a aquecer duas a três vezes mais rápido que o resto do mundo, por isso, naturalmente, glaciares e calotas polares reagirão mais depressa”, disse Simon Pendleton, da Universidade do Colorado, no Instituto de Pesquisa Árctica e Alpina de Boulder, que não está envolvido nesta nova descoberta, em Janeiro.

Além da descoberta de novas terras, as dramáticas mudanças no Árctico estão a causar um efeito devastador na biodiversidade e assentamentos humanos na área e fora dela.

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30 Agosto, 2019

 

2366: O Árctico está a arder. Os “maiores fogos do planeta” não param há um mês

Vastas áreas do Árctico que estavam habitualmente congeladas ou encharcadas estão a arder há cerca de um mês. Uma situação alarmante motivada pelas altas temperaturas que se têm sentido na região e que é mais um sinal preocupante das alterações climáticas.

Grandes incêndios florestais estendem-se desde o Alasca até à Gronelândia e à Sibéria. Localizados em áreas remotas, estes fogos captados por imagens de satélite estão a arder há vários dias – um grande incêndio no Lago Swan, no Alasca, arde desde 5 de Junho e a previsão é de que só consiga ser extinto no final de Agosto.

O Programa Copérnico da União Europeia, que monitoriza a atmosfera, já registou “mais de 100 incêndios intensos e de longa duração no Círculo Árctico”, segundo diz a WMO, Organização Meteorológica Mundial.

“Só em Junho, estes fogos emitiram 50 mega-toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, o que é equivalente ao total anual de emissões da Suécia“, acrescenta a WMO, frisando que é uma quantidade superior à libertada nos fogos do Árctico “no mesmo mês entre 2010 e 2018 juntos”.

Os fogos na região árctica são habituais entre Maio e Outubro, mas neste ano, a sua intensidade, duração e localização está a surpreender os cientistas.

Mark Parrington que integra o Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo refere que os fogos atingiram “níveis sem precedentes”. Há, pelo menos, 10.000 anos que não se vivia uma situação tão preocupante, segundo a WMO.

Pierre Markuse / flickr
Incêndio no Lago Swan, no Alasca (EUA), a 4 de Julho de 2019.

“Os maiores fogos do planeta”

“São alguns dos maiores fogos do planeta” que estão a ocorrer a uma “magnitude sem precedentes em 16 anos de registos de satélite”, reforça o professor do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres, Thomas Smith, em declarações citadas pelo USA Today.

Os incêndios “mais graves” ocorreram no Alasca e na Sibéria, onde “alguns foram grandes o suficiente para cobrir quase 100.000 campos de futebol“, segundo a WMO. “Em Alberta, Canadá, estima-se que um fogo foi maior do que 300.000 campos”, acrescenta a organização, frisando que o Programa Copérnico registou “quase 400 incêndios florestais” só no Alasca, neste ano.

Estão a acontecer “novas ignições todos os dias”, segundo a WMO que reforça que “a parte norte do mundo está a aquecer mais depressa do que o planeta como um todo“. “Esse calor está a secar florestas e a torná-las mais susceptíveis de arderem”, afiança a organização.

No Twitter, o especialista em fotografias de satélite Pierre Markuse divulga várias imagens, cruzando dados de diferentes sistemas de satélite, onde é possível atestar o fumo de incêndios em vastas áreas florestais.

@Pierre_Markuse

Several wildfires and smoke between about 62°N and 69°N in , , and the , 22 July 2019 Enh. nat. col. with hot spots Full-size: https://flic.kr/p/2gENVnp  album: https://flic.kr/s/aHsm25FPDN 

Look at the many wildfires and smoke plumes between 57°N and 70°N in and , 21 July 2019 Enh. nat. col. with hot spots Full-size: https://flic.kr/p/2gDVSat  album: https://flic.kr/s/aHsm25FPDN 

Porque é que nos devemos preocupar

Estes grandes incêndios do Árctico estão directamente relacionados com o aumento das temperaturas e das condições secas na região – circunstâncias que resultam das alterações climáticas.

Os registos do Programa Copérnico indicam que Junho de 2019 foi o mês mais quente de sempre na Terra, e ficou marcado por ondas de calor na Europa e nos EUA.

No Árctico, a temperatura média tem crescido a olhos vistos – 2018 foi o segundo ano mais quente na região desde 1900, quando começaram a ser efectuados os registos de temperaturas. Além disso, o aumento das temperaturas foi duas vezes mais rápido do que a média mundial, segundo um relatório da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

Os incêndios são “um sintoma de um Árctico doente” realça o professor Thomas Smith no seu perfil do Twitter. E o problema é que tendem a ser cada vez mais frequentes devido às alterações climáticas, contribuindo também para agravar o aquecimento global numa bola de neve viciada.

Dr Thomas Smith  @DrTELS

These Arctic fires have been burning for over a month now. This thread takes a closer look at what might have caused these fires, what exactly is burning, & why we should be concerned… [images are from the same location in the Sakha Republic, Russia, 65–70°N]
[THREAD 1/9]

“Os fogos estão a arder através de reservas de carbono de longo prazo (solos de turfa) emitindo gases com efeito de estufa, o que vai exacerbar ainda mais o aquecimento do efeito de estufa, levando a mais incêndios”, refere Thomas Smith citado pelo USA Today.

Ao contrário dos fogos florestais que vão progredindo no terreno, os fogos de turfa podem durar durante dias ou meses porque ardem debaixo do solo.

“Eles libertam carbono antigo na forma de emissões de CO2 e metano, exacerbando o aquecimento global, e deixam para trás uma superfície escura e carbonizada, levando a um aquecimento localizado”, explica ainda Thomas Smith.

Este é um dado especialmente “preocupante”, segundo a WMO que refere que o escurecimento do gelo leva a luz solar a ser “absorvida ao invés de reflectida, o que pode exacerbar o aquecimento global”.

Outro dado preocupante é que a “turfa não deveria estar disponível para arder“, sustenta Thomas Smith, realçando que esta só arde “quando é perturbada por alguma mudança ambiental significativa” como a “drenagem” ou a “seca”.

“As turfeiras da Sibéria devem estar húmidas ou congeladas durante o Verão, mas a onda de calor deste ano secou-as”, nota Thomas Smith.

SV, ZAP //

Por SV
24 Julho, 2019

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2215: As hienas viveram no Árctico na última Era Glacial

CIÊNCIA

(dr) Julius T. Csotonyi
Impressão artística de hienas ancestrais que viviam no Árctico

Durante a última Era Glacial, hienas que esmigalhavam ossos vaguearam no Árctico canadiano, satisfazendo os seus desejos de carne caçando renas, cavalos e carcaças de mamutes.

A grande descoberta de que as hienas antigas viviam no Árctico norte-americano é baseada em dois pequenos dentes, encontrados por arqueólogos no território de Yukon, no norte do Canadá. Os dois dentes preenchem um buraco no registo fóssil.

Os investigadores já tinham evidências de que a hiena do tamanho de um lobo conhecida como Chasmaporthetes vivia na Mongólia e – depois de cruzar a ponte terrestre do Estreito de Bering – Kansas e centro do México. Os novos dentes mostram onde os Chasmaporthetes moravam entre esses dois lugares: a 6.500 quilómetros do Velho Mundo, na Mongólia, e quatro mil quilómetros ao norte do Kansas.

O Chasmaporthetes conseguiu adaptar-se a todos os tipos de ambientes, segundo disse Jack Tseng, paleontólogo de vertebrados da Universidade de Buffalo, em Nova Iorque, à Live Science.

Os arqueólogos encontraram os dois dentes fósseis nos anos 1970, num sítio conhecido como Old Crow Basin. Mas ninguém publicou estudos sobre os dentes, que se arrastaram duranre décadas nas colecções do Museu Canadiano da Natureza em Ottowa, Ontário.

Tseng só soube da existência dos dentes através do boca a boca. Intrigado, conduziu o seu carro seis horas de Buffalo para Ottawa em Fevereiro. Os dentes, um molar e pré-molar, eram tão distintos, que “nos primeiros 5 minutos, tinha certeza de que eram Chasmaporthetes”, disse.

Quando a maioria das pessoas pensa em hienas, imaginam os carnívoros que vagueiam pela África actualmente. Mas as hienas surgiram na Europa ou na Ásia há cerca de 20 milhões de anos. Só mais tarde chegaram a África e um número ainda menor atravessou a ponte de terra do Estreito de Bering para a América do Norte.

De acordo com o estudo publicado na revista Open Quaternary, estes dentes são desafiadores porque foram encontrados na curva interna de um rio – o que significa que a corrente os levou para longe do seu local de repouso original. Mas com base na geologia da bacia, os dentes têm entre 1,4 e 850 mil anos. Esses dentes não são das hienas mais velhas da América do Norte. Esse prémio vai para os fósseis de hiena de 4,7 milhões de anos encontrados no Kansas.

As hienas antigas nunca se depararam com um humano. Os animais extinguiram-se na América do Norte entre um milhão e 500.000 anos atrás, muito antes de os humanos chegarem às Américas. Não se sabe a razão para o desaparecimento destas hienas, mas é possível que outros carnívoros vorazes da idade do gelo, como o cão (Borophagus), Urso gigante de cara curta (Arctodus) ou canídeo semelhante a um cão de caça (Xenocyon) tenham assumido os seus habitats e os superaram em busca de presas.

Hoje, existem apenas quatro espécies vivas de hiena. Dado que Chasmaporthetes era um triturador de ossos, provavelmente desempenhou um grande papel na eliminação de carcaças na antiga América do Norte.

ZAP //

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22 Junho, 2019

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2205: Há uma cidade que quer abolir o tempo

Todos os dias, a Terra gira em torno de si própria. O Sol aparece no horizonte de manhã e, passado umas horas, deita-se. A vida humana está construída em volta desta periodicidade, com os dias divididos em horas, minutos e segundos.

Mas, em alguns lugares do planeta, o Sol só nasce uma vez por ano. Com o conceito de “dia” já tão distante do resto do mundo, uma população do Árctico começou a pensar: e se abandonássemos completamente o conceito de tempo?

Essa é a ideia do norueguês Kjell Ove Hveding, que vive ao norte do Círculo Árctico numa cidade chamada S. A ideia já descolou e foi apresentada pela agência de notícias estatal da Noruega e pelo menos por um dos grandes jornais nacionais do país.

Hveding encontrou-se com o seu membro local do parlamento para entregar uma petição para se livrar do tempo na cidade. O objectivo é fazer de Sommarøy um lugar onde as pessoas possam fazer o que quiserem quando quiserem.

“Temos que ir trabalhar e, mesmo depois do trabalho, o relógio toma o seu tempo”, disse Hveding ao Gizmodo. “Tenho que fazer isto, tenho que fazer isto. A minha experiência é que as pessoas esqueceram-se de como serem impulsivas, de decidir que o tempo está bom, o Sol está a brilhar, posso simplesmente viver. Mesmo que seja às três da manhã”.

No entanto, a proposta é escassa em detalhes. Está ligada à discussão sobre a utilidade do horário de verão, que a União Europeia descartou este ano. Essas discussões não têm nenhuma importância para Sommarøy, cidade com 321 habitantes em 2017, já que o Sol só se põe uma vez por ano.

Sem tempo, as lojas estariam abertas sempre que o lojista quisesse, as pessoas poderiam sair quando quisessem e, em vez de marcar, as pessoas poderiam encontrar-se impulsivamente.

Mas podem os humanos abandonar os relógios? Vivemos numa sociedade que depende de dias divididos em horas e minutos. Remover os relógios pode fazer as coisas parecerem mais flexíveis para um grupo que escolhe viver fora das regras, mas, em última análise, o trabalho, a escola e o transporte dependem do tempo.

“O problema é que os seres humanos não evoluíram no Árctico”, disse Hanne Hoffman, professor assistente de ciência animal que estuda o ritmo circadiano, ao Gizmodo. “Os nossos corpos adaptaram-se ao ciclo de 24 horas gerado pela rotação da Terra. Não podemos ir contra a evolução e é isso que está a acontecer nesses locais”.

Normalmente, as pessoas no Árctico compensam, apagando a luz nas suas casas durante o que seriam horas da noite. Uma série de hormonas e processos metabólicos respondem à luz e ao tempo, dizendo ao corpo como se comportar em diferentes pontos durante o dia. Mesmo os processos em que se pode não pensar, como a digestão e a temperatura corporal, estão ligados a esse ritmo. O desalinhamento do ritmo circadiano, onde o corpo está a trabalhar numa programação separada da mente, é um factor de risco para a doença.

Hoffman está especialmente preocupado com o facto de as crianças, que já enfrentam mudanças no seu ritmo circadiano ao entrarem na puberdade, poderem sofrer na escola em tal ambiente.

Experiências anteriores mostraram que os humanos não perdem o ritmo, mesmo na ausência de luz. Exemplo disso é Michel Siffre, explorador subterrâneo francês que se escondeu numa caverna escura durante dois meses. Embora a sua agenda lentamente tenha saído da sincronia do resto do mundo, ainda mantinha um ritmo de 24 horas.

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Por ZAP
20 Junho, 2019

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2197: Degelo na Gronelândia: Esta foto é a prova de que precisa para acreditar

© Twitter Superfície de gelo é agora água.

Uma imagem captada pelo climatólogo Steffen M. Olsen, no passado dia 13 de Junho, prova o impacto que as alterações climáticas estão a ter no Árctico.

O dinamarquês estava no noroeste da Gronelândia, sendo que uma das suas funções seria recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo no âmbito da missão Acção Azul. Preparava-se para fazê-lo, a bordo de um trenó guiado por cães, quando percebeu que os caminhos de gelo percorridos pelos animais estavam, afinal, transformados em água.

“As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Árctico”, alertou Steffen M. Olsen, no Twitter.

16:08 – 14 de jun de 2019

A sua publicação está a tornar-se viral e um verdadeiro exemplo, alertando para a rapidez com que o gelo do árctico está a derreter.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até 3 graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

msn meteorologia
Notícias Ao Minuto
18/06/2019

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2109: Turistas já fazem reservas para assistir ao degelo dos glaciares do Alasca

DESTAQUE

Smial / Wikimedia

O rápido degelo dos glaciares devido às alterações climáticas criou um novo mercado para os operadores turísticos do Alasca, nos Estados Unidos.

O jornal Anchorage Daily News noticiou que as operadoras de várias empresas de turismo estão a registar um aumento em reservas de viagens de grupos que querem assistir ao recuo do único estado árctico do país.

“As pessoas querem ver os glaciares enquanto há acesso“, disse Paul Roderick, director de operações da “Talkeetna Air Taxi”, que faz viagens aéreas no Alasca. “As pessoas sabem mais sobre glaciares do que antes. Perguntam quão depressa estão a recuar, quando antes mal sabiam o que era um glaciar”, acrescentou, em declarações à mesma publicação.

As operadoras turísticas dizem que os turistas são, maioritariamente, oriundos da Austrália e de mercados emergentes como China e Índia. “Há mais interesse”, disse Peter Schadee, da “Anchorage Helicopter Tours”, que faz voos de helicóptero naquela região. “Temos assistido ao interesse em glaciares de pessoas de todo o Mundo”, acrescentou.

“As pessoas querem muito ver os glaciares, mas estão a derreter muito depressa“, contou Matt Szunday, dono da Ascending Path, uma empresa que faz passeios turísticos a glaciares do Alasca.

O recuo destas gigantes e antigas massas de gelo criou um nicho de mercado, com turistas a fazer marcações para ver os glaciares “antes que seja tarde de mais”.

Uma nova revisão dos dados de pesquisas publicada no Jornal da Glaciologia prevê que os 25 mil glaciares do Alasca perderão entre 30% e 50% de sua massa até ao final deste século. A nível global, os glaciares devem perder entre 18 e 365 da massa, o que poderá resultar numa subida de 25 centímetros no nível da água do mar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1708: Temperatura no Árctico vai aumentar entre 3 e 5 graus até 2050

© TVI24 Fotografia aérea mostra o desaparecimento do gelo do Árctico. REUTERS/Kathryn Hansen/NASA

A temperatura no Árctico vai aumentar entre 3 e 5 graus centígrados até 2050, levando à devastação da região e ao aumento do nível dos oceanos em todo o planeta, estima um relatório apresentando esta quarta-feira no Quénia.

Segundo o documento, apresentando na IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, o degelo no Árctico pode causar a emissão de mais gases com efeito de estufa e aumentar a acidificação e contaminação dos oceanos.

Muitas das alterações na região serão irreversíveis e podem afectar a sua população e a biodiversidade, assinalou Björn Alfthan, porta-voz da fundação norueguesa GRID-Arendal, co-autora do relatório, que se baseia em dados do Conselho Árctico, uma organização intergovernamental composta por oito países e vocacionada para o desenvolvimento sustentável e a protecção ambiental da região.

No Árctico vivem mais de quatro milhões de habitantes, dos quais perto de 10% são indígenas que se dedicam a actividades como a pesca, a mineração e a indústria madeireira.

Além do degelo de terrenos que permanecem congelados mais de dois anos a altas latitudes, o Árctico enfrenta também a contaminação por plásticos.

Especialistas estimam que o gelo marinho do Árctico tenha diminuído 40% desde 1979 e que os Verões na região deixarão de ser gelados antes de 2030 a continuarem as actuais emissões de dióxido de carbono, gás poluente com implicações no aquecimento global.

A IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, que decorre até sexta-feira na capital do Quénia, Nairobi, conta com a participação de mais de 95 chefes de Estado, ministros e vice-ministros e delegados de mais de 160 países.

A delegação portuguesa é liderada pelo ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, que intervém na quinta-feira numa sessão sobre energias renováveis.

msn notícias
Redacção TVI24
13/03/2019

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1661: O céu pode ficar sem nuvens e deixar a Terra a “arder”

Jonas Witt / Flickr

Uma nova investigação científica adverte que uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera da Terra pode fazer com que as nuvens desaparecerem do céu. Como resultado, o oceano ficará mais vulnerável à luz do Sol.

De acordo com uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, os estrato-cúmulos — nuvens baixas com massas arredondadas e cilíndricas com o topo e a base relativamente planos — servem para proteger a Terra do calor excessivo.

Ou seja, se estas nuvens desaparecerem, a temperatura no planeta subiria oito graus Celsius. Além disso, importa frisar, há ainda o aumento estimado entre 2 a 4 graus Celsius causado pelo efeito de estufa. Esta mudança, por sua vez, levaria a sérios cataclismos e causaria a extinção em massa de animais e plantas.

Segundo a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature Geoscience, a Terra sofreu já um fenómeno similar há 55 milhões de anos: o planeta aqueceu a tal ponto que os crocodilos passaram a nadar nas águas do Árctico, tendo várias espécies de mamíferos sido extintas.

Esta drástica mudança climática ficou conhecida como o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno. Foi um dos cataclismos climáticos mais significativos da era Cenozoica, que alterou a circulação oceânica e atmosférica, causando uma grande mudança na fauna terrestre.

Para os cientistas, o aquecimento poderia ter sido desencadeado por variadas causa, mas os principais factores foram a intensa actividade vulcânica e a libertação do metano armazenado nos sedimentos oceânicos.

Neste sentido, Kerry Emanuel, especialista em meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, afirma que o alarmante prognóstico dos cientistas da Califórnia parece ser bastante plausível.

Quanto ao desaparecimento das nuvens, os cientistas também asseguram tratar-se de um processo que se deve a vários factores. No entanto, as estatísticas sobre a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera são realmente alarmantes. Desde 1955, a concentração deste gás cresceu cerca de um terço. Se o processo continuar com ao mesmo ritmo, a humanidade pode chegar a um ponto sem retorno antes do fim do século.

Contudo, e segundo advertem os cientistas, a humanidade é capaz de evitar a repetição do cataclismo devastador do Paleoceno-Eoceno se cumprir os termos do Acordo de Paris.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
5 Março, 2019

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1653: Já há data para o primeiro verão sem gelo no Árctico

NASA GODDARD/ KATY MERSMANN

O oceano Árctico pode ficar sem de gelo durante o verão nos próximos 20 anos devido a uma fase de aquecimento natural que se faz sentir já há algum tempo no Pacífico tropical, sendo depois exacerbada pela actividade do Homem.

Modelos computacionais preveem que a mudança climática tornará o Árctico quase livre de gelo marinho durante o verão em meados deste século, a menos que as emissões de gases de efeito de estufam sejam reduzidas em grande medida pelos humanos.

Contudo, uma análise mais detalhada sobre os ciclos de temperatura a longo prazo no Pacífico tropical aponta para um Árctico sem gelo em Setembro, o mês com menos gelo marinho, segundo descreve um novo estudo esta semana publicado na científica Geophysical Research Letters.

“A trajectória aponta para a ausência de gelo no verão, mas não se sabe ao certo quando acontecerá”, explicou James Screen, professor associado de ciência do clima da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e autor principal do estudo em comunicado.

Existem vários modelos climáticos utilizados pelos cientistas para prever quando ocorrerá o primeiro Setembro sem gelo. A maioria dos modelos projecta que haverá menos de 1 milhão de quilómetros quadrados de gelo marinho até meados deste século, as projecção de quando isso acontecerá variam em janelas de tempo de 20 anos devido a flutuações climáticas naturais.

O modelo climático utilizado no novo estudo prevê um verão árctico sem gelo entre 2030 e 2050, se os gases de efeito estufa continuarem a subir ao ritmo actual.

Tendo em conta a fase de aquecimento de longo prazo no Pacífico tropical, uma nova investigação aponta que é mais provável que um Árctico sem gelo ocorra mais perto de 2030 do que em 2050.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

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1537: Paisagem invisível durante 40.000 anos “ressuscita” no Árctico

Universidade do Colorado

Uma paisagem árctica do Canadá, coberta por gelo durante mais de 40 mil anos, ressurgiu recentemente depois de passar vários milénios invisível. Segundo uma nova investigação da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, a região pode estar a enfrentar o século mais quente em 115 mil anos.

Para a investigação, a equipa recorreu à técnica de datação por radio-carbono de forma a determinar as idades das plantas recolhidas nas bordas de 30 capas de gelo [calotas] na Ilha de Baffin, a oeste da Gronelândia. A ilha sentiu um aumento significativo da temperatura nas nas últimas décadas, levando ao derretimento de gelo e trazendo à vista esta paisagem “escondida”.

“O Árctico está a aquecer-se duas a três vezes mais rápido do que o resto do globo, então, naturalmente, glaciares e calotas de gelo vão reagir mais rápido”, disse Simon Pendleton, principal autor do estudo, citado em comunicado.

Baffin é a quinta maior ilha do mundo, dominada por fiordes profundos separados por planaltos de alta elevação e baixo relevo. As finas camadas de gelo actuam como uma espécie de câmara frigorífica natural, preservando musgos e líquenes antigos na sua posição original de crescimento durante milénios.

“Viajamos até às margens de gelo em derretimento, recolhemos amostras de plantas recém-expostas e preservadas nessas paisagens antigas e procedemos então à datação por radio-carbono para ter uma noção de quando foi a última vez que o gelo avançou pela última vez neste local”, explicou na mesma nota.

“Como as plantas mortas são eficientemente removidas da paisagem, a idade das plantas enraizadas define a última vez em que os Verões foram tão quentes, em média, quanto os do século passado”, esclareceu Pendleton.

Resultados

Em Agosto, os investigadores recolheram 48 amostras de plantas e analisaram também o quartzo de cada local, de forma a melhor estabelecer a idade e a história da cobertura de gelo que cobria, até então, a paisagem.

Depois de as amostras terem sido processadas nos laboratórios da Universidade do Colorado e da Universidade da Califórnia em Irvine, também nos EUA, os cientistas descobriram que as plantas antigas recolhidas de todas as 30 calotas de gelo estiveram continuamente cobertas por gelo durante os últimos 40.000 anos, pelo menos.

Quando comparados com dados de temperatura reconstruidos a partir dos núcleos de gelo de Baffin e da Groenlândia, as descobertas sugerem que as temperaturas modernas representam o século mais quente da região em 115.000 anos. Pior: a ilha de Baffin pode ficar completamente sem gelo nos próximos séculos.

“Ao contrário da Biologia, que passou os últimos três mil milhões de anos a desenvolver esquemas para evitar ser afectada pela mudança climática, os glaciares não têm estratégia de sobrevivência”, explicou Gifford Miller, outro autor da pesquisa.

“Os glaciares respondem directamente à temperatura de verão. Se os Verões aquecem, os glaciares retrocedem imediatamente; se os Verões arrefecem, os glaciares avançam – o faz deles um dos mais confiáveis indicadores para mudanças na temperatura do verão”, acrescentou ainda.

“Nunca vimos nada tão evidenciado como esta descoberta até então”, rematou Pendleton.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
30 Janeiro, 2019

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1420: 2018 foi o segundo ano mais quente no Árctico desde que há registo

CIÊNCIA

usgeologicalsurvey / Flickr

Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Árctico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.

Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.

Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.

Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Árctico.

“O Árctico enfrenta uma transição repentina, sem precedentes na História da Humanidade”, advertiu Emily Osborne, do programa da NOAA de pesquisa do Árctico, citada pela Agência France Presse.

No Oceano Árctico, o gelo forma-se de Setembro a Março, mas a temporada tem-se encurtado nos últimos anos. O gelo é menos espesso, mais jovem e cobre menos o oceano. O gelo velho, com mais de quatro anos, reduziu-se em 95% em 33 anos.

Segundo o relatório da NOAA, cria-se um círculo vicioso em que o gelo mais jovem é mais frágil e derrete mais cedo na primavera, com menos gelo a significar menos capacidade de reflectir a luz solar, o que tem como resultado que o oceano absorve mais energia e aquece um pouco mais. Os doze anos de cobertura de gelo mais fraca são os últimos doze anos.

O relatório indica que nunca houve tão pouco gelo de inverno no mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, como em 2017-2018. Habitualmente, o inverno mais forte chega em Fevereiro, mas este ano o gelo derreteu naquele mês em proporções sem precedentes.

Donald Perovich, professor na Universidade de Dartmouth, no estado norte-americano de New Hampshire, refere que a perda de gelo atingiu “uma área do tamanho do estado [norte-americano] de Idaho”, cerca de 215.000 quilómetros quadrados em duas semanas de Fevereiro, um terço do território francês.

Por outro lado, de acordo com a NOAA, a aceleração do derretimento da camada de gelo na Gronelândia estabilizou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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1088: Plantas do Árctico estão a crescer mais (e a culpa é das mudanças climáticas)

(dr) Anne D. Bjorkman
Salix arctica é um das espécies de arbustos dominante no Ártico

Uma nova investigação levada a cabo pela Universidade de Edimburgo, na Escócia, revelou que as plantas do Árctico estão a crescer mais devido às alterações climáticas.

De acordo com o novo estudo, publicado esta quarta-feira na Nature, apesar de o Árctico ser geralmente visto como uma vasta e desolada paisagem de gelo, é na verdade habitat de centenas de espécies de arbustos, gramíneas e outras plantas que desempenham um papel crítico no ciclo do carbono e no equilíbrio energético.

Os investigadores a concluíram que um dos efeitos das alterações climáticas é o aumento da altura das plantas na tundra árctica nos últimos 30 anos. Myers-Smith, uma das autoras do estudo, estima que, mantendo-se a tendência actual, a flora do Árctico pode duplicar a sua altura até ao fim do século.

“Este pode não parecer um aumento muito dramático, mas se o compararmos com os ecossistemas das florestas à volta das nossas casas – e se o seu tamanho duplicasse – isso seria mudança bem mais dramática”, elucidou a investigadora em declarações à BBC.

As conclusões do estudo, realizado por uma equipa de 130 biólogos de várias instituições científicas basearam-se em mais de 60.000 observações em centenas de locais no Alasca, Canadá, Islândia, Escandinávia e Sibéria.

De acordo com um comunicado da Universidade de Edimburgo, trata-se do estudo de plantas mais exaustivo até à actualidade na região do Árctico.

ZAP // Lusa

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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Cientistas pensavam que seria a “última área de gelo” do Árctico. Quebrou este ano

Cientistas mostram-se assustados e surpreendidos com a situação, num local que não se esperava. Situação pode transformar bastante o clima, não só do Árctico, como em todo o planeta

© Reuters

Pela primeira vez desde que há registo através de satélite, o que começou a acontecer nos anos 70 do século passado, o gelo mais velho e mais espesso do Árctico está a quebrar-se e estão a surgir novas passagens em sítios que estariam normalmente congelados, até no verão. O fenómeno está a acontecer a norte da costa da Gronelândia e é já a segunda vez que acontece este ano.

Mesmo com a temperatura a subir em todo o planeta, esperava-se que a referida zona não quebrasse tão depressa, algo desmentido por imagens de satélite. “Esta área era vista como um último bastião e onde as alterações aconteceriam em último lugar, mas elas chegaram”, disse à CNN Walt Meier, investigador do National Snow and Ice Data Center.

O gelo encontrado a norte da Gronelândia é particularmente compacto devido a um fenómeno meteorológico que o traz da Sibéria e que faz com que se acumule na costa da referida região.

“O gelo não tem para onde ir e acumula-se. Em média, tem quatro metros de espessura e pode chegar a montanhas de 20 metros. Este gelo, compactado e grosso, não é fácil de ser movido”, diz também Meier, que acrescenta que o fenómeno indica uma transformação “dramática” do gelo do mar do Árctico e do seu clima. Admite, também, que a zona é “mais frágil do que previamente se pensava”.

Ao The Guardian, Ruth Mottram, do Instituto Dinamarquês de Meteorologia, refere que não é normal existirem “águas abertas na costa norte da Gronelândia” e que a área é apelidada várias vezes de “a última área de gelo”. Assim, refere também Mottram, o fenómeno que acontece agora pode sugerir que essa área estará mais a oeste.

“Assustador” foi o adjectivo utilizado por Thomas Lavergne, cientista no Instituto Norueguês de Meteorologia, que frisa: “Não consigo dizer quanto tempo este caminho de água ficará aberto, mas mesmo que feche em dias, o mal estará feito. O grosso e velho gelo já foi empurrado para longe da costa, para uma área onde derreterá mais facilmente”.

Outro especialista, Keld Qvistgaard, de uma autoridade da Gronelândia, diz que está na área “há 26 anos” e não se lembra de uma “quebra tão grande”.

A perda de gelo no mar tem consequências graves no clima do planeta, até porque, quando derrete, ao invés de reflectir a luz solar, esta é absorvida pelo mar, aquecendo a água e o ar envolvente, gerando um ciclo.​​​

Diário de Notícias
Rui Salvador
27 Agosto 2018 — 11:15

(Foram corrigidos 6 erros ortográficos ao texto original)

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724: O oceano Atlântico está a “comer” o Árctico

mariusz kluzniak / Flickr

Uma investigação sobre uma das partes oceânicas que maior aumento de temperatura tem registado, permitiu conhecer a redução da superfície das águas árcticas, que podem converter-se em parte do oceano Atlântico.

Sigrid Lind, investigador do Instituto de Investigação Marinha de Tromso, na Noruega, afirmou que no norte do Mar de Barents, “o foco do aquecimento do Árctico” – a norte da Escandinávia e a leste do arquipélago Svalbard -, registou-se um rápido aumento da temperatura desde 2000.

Este problema agravou-se devido ao facto de o oceano Atlântico começar a ganhar terreno, transformando as características da água. Antes, no norte do Mar de Barents, havia gelo marinho flutuante que, quando derretia, mantinha a água fria à superfície e contribuída para que a mais cálida, originária do Atlântico, permanecesse por baixo.

Quando a quantidade de massa gelada diminuiu, a água atlântica ganhou terreno, aqueceu o mar e deu-lhe ainda mais salinidade. Isto resultou numa drástica alteração da estrutura oceânica e fez com que o gelo à superfície desaparecesse “quase completamente”.

Lind concluiu que “a região está a mudar rapidamente para um clima atlântico“. A menos que a entrada de água doce seja recuperada, esta mudança pode acabar com a estrutura de água quente, tornando-a “parte do domínio do Atlântico”, fazendo com que os habitantes do Árctico sejam forçados a migrar para o norte.

Além disso, esta mudança pode também ter grandes consequências climáticas que podem, até, já estar a ocorrer, alertam os cientistas. Jennifer Francis, perita do Árctico da Universidade Rutgers, disse que a perda de gelo no Mar de Barents pode atrapalhar a corrente atmosférica, levando a um clima extremo na Eurásia, especialmente no inverno.

Os resultados da investigação de Lind e da sua equipa foram publicados recentemente na Nature Climate Change e ressaltam que a divisão entre o Atlântico e o Árctico não é apenas geográfica: é também de natureza física. “Queremos mostrar que o gelo que irá desaparecer do Mar de Barents não voltará“, diz Lind.

ZAP // RT

Por ZAP
3 Julho, 2018

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506: Nem a NASA sabe o que são estes misteriosos círculos no gelo do Árctico

John Sonntag / Operation IceBridge / NASA
NASA fotografa misteriosos círculos no gelo do Árctico

Cientistas da NASA fotografaram estranhos padrões circulares no meio do Árctico que parecem buracos no gelo, onde as temperaturas são abaixo do ponto de congelamento mesmo nos dias mais agradáveis. Isso significa que há um mistério para resolver.

A agência espacial norte-americana sobrevoa as regiões árcticas e antárcticas da Terra há uma década, numa tentativa de entender as ligações entre os sistemas climáticos do mundo e observar o efeito do aquecimento global em alguns dos lugares mais frios do planeta.

As missões têm um nome digno de um filme do James Bond: Operation IceBridge, ou, em tradução livre, Operação Ponte de Gelo, explica o Washington Post.

A última pesquisa intensiva de seis meses nos dois hemisférios usa o conjunto mais sofisticado e inovador de instrumentos científicos existentes, incluindo altímetros a laser, tecnologia LIDAR e satélites da NASA.

Ainda assim, os cientistas não têm uma explicação científica oficial para o fenómeno bizarro visto recentemente.

“Vimos essas características circulares por apenas alguns minutos”, disse John Sonntag, cientista da missão, que fez a fotografia vista acima.

Sonntag tirou a fotografia a 14 de Abril, enquanto a Operação IceBridge pilotava um avião de pesquisa P-3 sobre uma parte do Mar de Beaufort que os cientistas não exploravam em detalhe desde 2013.

Parecem três buracos no meio do gelo, mas como?

Não contentes em manter a perplexidade para si, o pessoal da NASA apresentou a fotografia ao público, como o “Puzzler” de Abril deste ano. O “Puzzler” é uma competição mensal da NASA que pede para qualquer um descrever um misterioso objecto retratado.

A postagem não menciona que nem mesmo os cientistas da NASA podem resolver a questão, no entanto.

O público ofereceu algumas ideias interessantes. Por exemplo, os buracos podem ser remanescentes de meteoritos ou talvez lagos salgados. No entanto, os especialistas têm outra opinião.

Segundo o geofísico Don Perovich, o gelo dessa região é “provavelmente fino, macio, mole e um pouco flexível”. Isso significa que buracos podem ocorrer naturalmente, conforme corpos de água mais quentes alcançam a área, derretendo o gelo do mar, como sugere Chris Shuman, glaciologista do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA.

Ou talvez focas se tenham aproveitado do gelo mole para fazer buracos que lhes permitam respirar onde as fissuras no gelo não ocorrem naturalmente.

Walt Meier, cientista do Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos EUA, disse que as características circundantes, aquelas áreas mais claras de gelo à volta dos buracos, “podem ser devidas a ondas de água que lavam a neve e o gelo quando as focas se projectam pelos buracos”.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
1 Maio, 2018

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