1565: “Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental

Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afecta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.

ZAP //

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

 

1561: O oceano vai mudar de cor até ao fim deste século

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

O aquecimento global está a alterar significativamente o fitoplâncton dos oceanos do mundo, o que afectará a sua cor no final deste século. As regiões azuis e verdes vão ficar intensificadas.

Os satélites devem detectar essas mudanças de tom, fornecendo alertas antecipados de mudanças em larga escala nos ecossistemas marinhos, de acordo com um novo estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), publicado na revista Nature.

Os investigadores desenvolveram um modelo global que simula o crescimento e a interacção de diferentes espécies de fitoplâncton ou algas, e a forma como a mistura de espécies em vários locais mudará à medida que as temperaturas aumentam em todo o mundo.

Os cientistas também simularam a maneira como o fitoplâncton absorve e reflete a luz e como o oceano muda de cor à medida que o aquecimento global afecta a composição das comunidades fitoplanctónicas.

Os investigadores conduziram o modelo até o final do século XXI e descobriram que, no ano 2100, mais de 50% dos oceanos do mundo mudariam de cor.

O estudo sugere que as regiões azuis, como as regiões subtropicais: tonar-se-ão ainda mais azuis, reflectindo ainda menos fitoplâncton – e a vida em geral – nessas águas. Algumas regiões que são mais verdes hoje, como as próximas dos pólos, podem ficar ainda mais verdes, já que as temperaturas mais quentes aumentam as florações de um fitoplâncton mais diversificado.

“O modelo sugere que as alterações não parecerão muito grandes a olho nu e o oceano ainda vai parecer que tem regiões azuis em regiões subtropicais e regiões verdes perto do equador e os pólos”, disse Stephanie Dutkiewicz, do Departamento de Ciências Terrestres, Atmosféricas e Planetárias do MIT e no Programa Conjunto sobre Ciência e Política de Mudança Global. “O padrão básico ainda estará lá. Mas será suficientemente diferente para afectar o resto da cadeia alimentar que o fitoplâncton sustenta”.

A cor do oceano depende de como a luz solar interage com o que está na água. Apenas as moléculas de água absorvem quase toda a luz do sol, excepto a parte azul do espectro, que é reflectida. Assim, regiões de oceano aberto relativamente áridas aparecem como azul profundos. Se houver organismos no oceano, podem absorver e reflectir diferentes comprimentos de onda da luz, dependendo das suas propriedades individuais.

O fitoplâncton, por exemplo, contém clorofila, um pigmento que absorve principalmente nas porções azuis da luz solar para produzir carbono para a fotossíntese e menos nas porções verdes. Como resultado, mais luz verde é reflectida para fora do oceano, dando às regiões ricas em algas um tom esverdeado.

Desde o final dos anos 90, os satélites têm medições contínuas da cor do oceano. Os cientistas usaram essas medidas para obter a quantidade de clorofila e, por extensão, fitoplâncton, numa determinada região oceânica. Mas Dutkiewicz diz que a clorofila não necessariamente reflete o sensível sinal da mudança climática.

Qualquer variação significativa na clorofila poderiam ser devido ao aquecimento global, mas também poderiam ser devido à “variabilidade natural” – aumentos regulares e periódicos da clorofila devido a fenómenos naturais relacionados ao clima.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Fevereiro, 2019

 

1559: Dois terços dos glaciares dos Himalaias podem derreter até 2100

Wolfgang Beyer / Wikimedia

Dois terços dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estufa, segundo um estudo científico.

O chamado “terceiro pólo”, por causa da quantidade de gelo ali concentrada, estende-se por 3.500 quilómetros, entre o Afeganistão e a Birmânia, e a continuação do aquecimento global ameaça desestabilizar os grandes rios da Ásia, concluíram os investigadores do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sediada em Katmandu, no Nepal.

O estudo envolveu 350 cientistas e durou cinco anos, que olharam para os rios alimentados pelo gelo das cordilheiras, que incluem o Ganges, o Mekong e o Rio Amarelo, ao longo dos quais vivem 1,65 mil milhões de pessoas.

“É a crise climática de que ainda não se falou”, afirmou o investigador Philippus Wester.

Mesmo que se limitasse o aumento da temperatura global a 1,5 graus até 2100, cumprindo a meta do acordo de Paris de 2015, a região do Hindu-Kush-Himalaias perderia um terço do gelo, afectando também os 250 milhões de pessoas que vivem nas zonas montanhosas.

“O aquecimento global pode transformar os picos montanhosos gelados que atravessam oito países em montanhas de rocha nua em menos de um século. As consequências para as populações da região, que já é uma das zonas montanhosas mais frágeis e em risco, irão da poluição atmosférica ao aumento dos fenómenos climáticos extremos”, alertou.

Ao influenciar o volume e as alturas dos degelos, o aquecimento global põe em risco a produção agrícola que depende da água que corre da montanha, prejudicando a segurança alimentar e assoberbando os sistemas de distribuição de água urbanos.

O estudo, esta semana publicado na Springer Link, dá ainda conta que as consequências do derretimento dos glaciares dos Himalaias podem afectar quase 2 mil milhões de pessoas com secas mais frequentes, chuvas mais violentas e inundações súbitas.

ZAP // Lusa

Por ZAP
5 Fevereiro, 2019

 

1550: Erupção de vulcão escocês pré-histórico mudou o clima

Diliff / Wikimedia
Sgùrr nan Gillean, uma montanha na ilha de Skye, na Escócia

Há 56 milhões de anos, a erupção de um vulcão pré-histórico, localizado onde actualmente se encontra a Escócia, terá contribuído para um drástico aquecimento global.

Segundo uma equipa de cientistas, é muito provável que uma erupção vulcânica catastrófica na Ilha de Skye, na Escócia, tenha causado grandes mudanças no clima. Investigadores escoceses, suecos e ingleses relacionaram a erupção com o aumento do aquecimento global.

Esta é a primeira vez que uma erupção vulcânica explosiva em larga escala é confirmada na Escócia. O chamado Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM) desempenhou um papel muito importante na formação do mundo pré-histórico. O estudo sobre este fenómeno foi publicado recentemente na Scientific Reports.

Quando ocorreu o fenómeno, as temperaturas da Terra aumentaram cerca de oito graus Celsius. No entanto, existe ainda hoje um possível efeito desta ocorrência, ainda que seja quatro vezes mais fraca, revelam os cientistas.

Através do estudo da composição química e estrutura das rochas encontradas nas Ilhas Hébridas Interiores, os cientistas determinaram que a erupção deu origem à Ilha de Skye. A “explosão de Skye” está a ser identificada como um forte contribuinte para o aquecimento global durante o PETM.

A poeira da erupção vulcânica instalou-se na Terra, além de milhões de toneladas de gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono, que contaminam diariamente a atmosfera persistindo durante vários anos. Uma espécie de combo que contribui, assim, para o aquecimento global.

É por este motivo que os cientistas associam o PETM à actividade vulcânica na região do Atlântico Norte, especialmente no que hoje é a Gronelândia, as Ilhas Britânicas e o Mar do Norte. Esta investigação entra em contra-mão com a visão previamente aceite do sector escocês do Atlântico Norte, que garantia que esta região não havia tido registo de erupções explosivas na época do PETM.

Esta foi a primeira vez que um evento desta magnitude foi confirmado em território escocês. A ocorrência foi comparada pelos pesquisadores com a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883, considerado um dos desastres mais catastróficos na história da humanidade.

ZAP // BBC / SputnikNews

Por ZAP
3 Fevereiro, 2019

 

1537: Paisagem invisível durante 40.000 anos “ressuscita” no Árctico

Universidade do Colorado

Uma paisagem árctica do Canadá, coberta por gelo durante mais de 40 mil anos, ressurgiu recentemente depois de passar vários milénios invisível. Segundo uma nova investigação da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, a região pode estar a enfrentar o século mais quente em 115 mil anos.

Para a investigação, a equipa recorreu à técnica de datação por radio-carbono de forma a determinar as idades das plantas recolhidas nas bordas de 30 capas de gelo [calotas] na Ilha de Baffin, a oeste da Gronelândia. A ilha sentiu um aumento significativo da temperatura nas nas últimas décadas, levando ao derretimento de gelo e trazendo à vista esta paisagem “escondida”.

“O Árctico está a aquecer-se duas a três vezes mais rápido do que o resto do globo, então, naturalmente, glaciares e calotas de gelo vão reagir mais rápido”, disse Simon Pendleton, principal autor do estudo, citado em comunicado.

Baffin é a quinta maior ilha do mundo, dominada por fiordes profundos separados por planaltos de alta elevação e baixo relevo. As finas camadas de gelo actuam como uma espécie de câmara frigorífica natural, preservando musgos e líquenes antigos na sua posição original de crescimento durante milénios.

“Viajamos até às margens de gelo em derretimento, recolhemos amostras de plantas recém-expostas e preservadas nessas paisagens antigas e procedemos então à datação por radio-carbono para ter uma noção de quando foi a última vez que o gelo avançou pela última vez neste local”, explicou na mesma nota.

“Como as plantas mortas são eficientemente removidas da paisagem, a idade das plantas enraizadas define a última vez em que os Verões foram tão quentes, em média, quanto os do século passado”, esclareceu Pendleton.

Resultados

Em Agosto, os investigadores recolheram 48 amostras de plantas e analisaram também o quartzo de cada local, de forma a melhor estabelecer a idade e a história da cobertura de gelo que cobria, até então, a paisagem.

Depois de as amostras terem sido processadas nos laboratórios da Universidade do Colorado e da Universidade da Califórnia em Irvine, também nos EUA, os cientistas descobriram que as plantas antigas recolhidas de todas as 30 calotas de gelo estiveram continuamente cobertas por gelo durante os últimos 40.000 anos, pelo menos.

Quando comparados com dados de temperatura reconstruidos a partir dos núcleos de gelo de Baffin e da Groenlândia, as descobertas sugerem que as temperaturas modernas representam o século mais quente da região em 115.000 anos. Pior: a ilha de Baffin pode ficar completamente sem gelo nos próximos séculos.

“Ao contrário da Biologia, que passou os últimos três mil milhões de anos a desenvolver esquemas para evitar ser afectada pela mudança climática, os glaciares não têm estratégia de sobrevivência”, explicou Gifford Miller, outro autor da pesquisa.

“Os glaciares respondem directamente à temperatura de verão. Se os Verões aquecem, os glaciares retrocedem imediatamente; se os Verões arrefecem, os glaciares avançam – o faz deles um dos mais confiáveis indicadores para mudanças na temperatura do verão”, acrescentou ainda.

“Nunca vimos nada tão evidenciado como esta descoberta até então”, rematou Pendleton.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
30 Janeiro, 2019

 

1502: Catástrofe climática avança mais rápido do que o previsto

(CC0/PD) Myriams-Fotos / Pixabay

Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, descobriram que as emissões de gases antropogénicas de efeito estufa contribuem para um aquecimento mais rápido dos oceanos do que se pensava anteriormente.

A mais recente tese da equipa da Universidade da Califórnia refuta a perspectiva de que o aquecimento global diminuiu nos últimos 30 anos.

De acordo com o artigo científico, publicado recentemente na Science, cerca de 93% da energia solar capturada pelo dióxido de carbono e outros gases é acumulada nos oceanos. Os cientistas adiantam ainda que este índice não depende de variações anuais como o El Niño (flutuações de temperatura da água na superfície do oceano Pacífico) ou de grandes erupções vulcânicas.

Os cientistas analisaram dados sobre a temperatura da água do mar nos dois mil metros superiores abaixo da superfície, a sua acidez e salinidade, recolhidos a partir de meados dos anos 2000 com ajuda de quatro mil boias automáticas do projecto Argo.

Estas boias eram capazes de descer periodicamente a uma determinada profundidade. Este trabalho permitiu aperfeiçoar os modelos existentes da mudança climática.

Desta forma, os cientistas defendem que se não forem tomadas medidas para reduzir as emissões de gases de estufa, a temperatura da água do mar na camada superior, com uma espessura de dois mil metros, aumentará 0,78 graus Celsius até ao final do século.

Por sua vez, este aquecimento elevará o nível da água do mar, devido à expansão térmica, em cerca de 30 centímetros adicionais à subida da linha costeira por causa do derretimento das geleiras. O aumento das temperaturas provocará também tempestades mais severas, furacões e precipitações extremas.

Em 2013, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas apresentou um relatório, segundo o qual o aumento real do calor nos oceanos nos últimos 30 anos é mais lento do que preveem os actuais modelos climáticos.

No entanto, as novas informações fornecidas pelo sistema Argo são consistentes com as previsões sobre o rápido aquecimento da água do mar.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Janeiro, 2019

 

1495: Antárctida está a derreter 6 vezes mais depressa (com consequências trágicas)

ravas51 / Wikimedia

A Antárctida está a derreter a uma velocidade inesperada, de acordo com um novo estudo que concluiu que entre 2000 e 2017, a perda de gelo aumentou 280% devido ao aquecimento global e ao influxo de água morna do oceano.

Este novo estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences demonstra os resultados da “avaliação mais duradoura da massa de gelo antárctica remanescente”, considerando imagens aéreas e de satélite das 18 regiões da Antárctida, incluindo 176 bacias e algumas ilhas vizinhas, para analisar como mudaram ao longo das últimas quatro décadas, como destaca o comunicado dos autores da pesquisa.

A equipa internacional de cientistas das Universidades da Califórnia em Irvine (UCI), nos EUA, do Laboratório de Propulsão da NASA e da Universidade de Utrecht, na Holanda, concluiu que a Antárctida perdeu cerca de 40 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 1970 e 1990.

Mas entre 2000 e 2017, esse número aumentou para os 252 mil milhões de toneladas. Uma subida assinalável e preocupante de 280% que está intimamente relacionada com o aquecimento global e com um influxo de água morna do oceano, notam os autores do estudo.

Os cientistas frisam que a Antárctida está a perder seis vezes mais gelo do que há quatro décadas, o que constitui um sinal de alarme.

Esta perda de gelo levou a um aumento do nível do mar de 1,27 centímetros entre 1970 e 2017. Mas “é apenas a ponta do icebergue”, como destaca o investigador que liderou o estudo, Eric Rignot, professor na UCI.

“À medida que o manto de gelo da Antárctida continua a derreter, esperamos uma elevação do nível do mar de vários metros nos próximos Séculos”, alerta Rignot.

Calor nos oceanos atingiu valor mais alto de sempre

O aquecimento dos oceanos a ritmos inesperados, devido às alterações climáticas, também contribui para o aumento do nível do mar, bem como para o derretimento do gelo antárctico.

E os mais recentes dados apontam que o calor contido no oceano atingiu o valor mais alto de sempre em 2018. Estamos perante um aumento que, comparativamente com 2017, “representa o equivalente a 100 milhões de vezes o calor produzido pela bomba atómica em Hiroxima”, como destaca a Lusa com base na medição de uma equipa internacional de investigadores que analisou a temperatura do mar em profundidades de até 2000 metros.

Este tipo de análise é visto como a melhor forma de aferir as consequências climáticas da concentração de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana.

“Os novos dados, juntamente com vasta literatura, servem como mais um aviso aos governos e ao público em geral sobre o inevitável aquecimento global que vivemos”, aponta o cientista Lijing Cheng, o principal autor desta investigação que foi publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

O aumento do calor oceânico em 2018, comparativamente com 2017, é equivalente a 388 vezes a produção de electricidade da China no mesmo ano, frisa-se no estudo.

Contribuindo para a subida do nível do mar, o aumento da concentração de calor nos oceanos promove os riscos de inundações e coloca em perigo comunidades costeiras, além de fomentar o colapso do gelo antárctico.

As consequências podem ser catastróficas se não forem tomadas medidas para evitar esta tendência.

“O gelo da Antárctida contém 57,2 metros” de “aumento do nível do mar potencial”, atestam os investigadores da UCI. Se a queda de neve não ultrapassar o fluxo de gelo para o oceano, o nível do mar subirá de forma trágica.

Outro dado preocupante deste estudo concluiu que a Antárctida Oriental contribui de forma relevante para a perda de gelo – esta região pode, só por si, representar 52 metros para o potencial aumento do nível do mar.

“Esta região é, provavelmente, mais sensível ao clima do que foi tradicionalmente assumido, e é importante sabe-lo porque contém mais gelo do que a Antárctida Ocidental e do que a Península Antárctida juntas”, destaca Rignot.

“Não quero ser alarmista”. Mas “os locais que passam por mudanças na Antárctida não se limitam a um par deles” e “parecem ser mais extensos do que pensávamos”, o que é “motivo para preocupação”, conclui Rignot em declarações ao The Washington Post.

SV, ZAP //

Por SV
20 Janeiro, 2019

 

1420: 2018 foi o segundo ano mais quente no Árctico desde que há registo

CIÊNCIA

usgeologicalsurvey / Flickr

Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Árctico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.

Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.

Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.

Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Árctico.

“O Árctico enfrenta uma transição repentina, sem precedentes na História da Humanidade”, advertiu Emily Osborne, do programa da NOAA de pesquisa do Árctico, citada pela Agência France Presse.

No Oceano Árctico, o gelo forma-se de Setembro a Março, mas a temporada tem-se encurtado nos últimos anos. O gelo é menos espesso, mais jovem e cobre menos o oceano. O gelo velho, com mais de quatro anos, reduziu-se em 95% em 33 anos.

Segundo o relatório da NOAA, cria-se um círculo vicioso em que o gelo mais jovem é mais frágil e derrete mais cedo na primavera, com menos gelo a significar menos capacidade de reflectir a luz solar, o que tem como resultado que o oceano absorve mais energia e aquece um pouco mais. Os doze anos de cobertura de gelo mais fraca são os últimos doze anos.

O relatório indica que nunca houve tão pouco gelo de inverno no mar de Bering, entre a Rússia e o Alasca, como em 2017-2018. Habitualmente, o inverno mais forte chega em Fevereiro, mas este ano o gelo derreteu naquele mês em proporções sem precedentes.

Donald Perovich, professor na Universidade de Dartmouth, no estado norte-americano de New Hampshire, refere que a perda de gelo atingiu “uma área do tamanho do estado [norte-americano] de Idaho”, cerca de 215.000 quilómetros quadrados em duas semanas de Fevereiro, um terço do território francês.

Por outro lado, de acordo com a NOAA, a aceleração do derretimento da camada de gelo na Gronelândia estabilizou.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

 

1354: Mundo cada vez mais longe de conseguir travar aquecimento global

DESTAQUES

martin_heigan / Flickr

Os países estão cada vez mais longe do objectivo de travar o aquecimento global, e emitem cada vez mais gases com efeito de estufa, alertou a ONU.

O Programa Ambiental da ONU afirma que, para conter a subida da temperatura global abaixo dos dois graus centígrados, as nações terão de triplicar, até 2030, as promessas firmadas no Acordo de Paris, celebrado em 2015.

Para limitar o aquecimento a 1,5 graus, um cenário que já implica consequências, os países teriam que quintuplicar os esforços, refere-se num relatório nesta quinta-feira publicado, a cinco dias da abertura da conferência mundial sobre clima COP 24, que se realiza na Polónia.

“A notícia mais alarmante é a discrepância entre o nível actual de emissões e o necessário para conter as alterações climáticas”, afirmou à agência noticiosa France Presse o coordenador do relatório, Philip Drost.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, referiu, numa entrevista à BBC, que “muitos países não estão a fazer o que se comprometeram em Paris”, lembrando que “são precisos compromissos mais ambiciosos”. O empenho ou falta dele para limitar as emissões de dióxido de carbono e outros gases com efeito de estufa “não vai resultar para evitar um aumento de três graus até ao final do século”, considerou.

António Guterres notou que o mundo está “mais polarizado”, com “mais abordagens nacionalistas a ganhar eleições ou com bons resultados eleitorais”, ao mesmo tempo que diminui “a confiança da opinião pública” nas instituições e organizações internacionais.

Falta a necessária vontade política“, apontou à BBC, sem querer particularizar nenhum líder, mas indicando os Estados Unidos como um exemplo da “necessidade de mobilizar todos os níveis” da sociedade.

Sem citar o nome do Presidente Donald Trump, referiu que a decisão “do governo” norte-americano de denunciar o Acordo de Paris levou a uma “fantástica reacção de cidades, governadores, da sociedade civil” que se comprometeram a manter e cumprir as metas. “Não devemos reduzir a discussão às posições pessoais. É um assunto global em que todos estamos a falhar”, afirmou.

O Programa Ambiental aponta alguns progressos, como a explosão das energias renováveis, a eficácia energética, acções locais no sector dos transportes, que atribui ao dinamismo do sector privado e da investigação.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Novembro, 2018

 

1350: Enfraquecer o Sol pode ser a resposta para o aquecimento global

CIÊNCIA

(CC0/PD) sputnikzion / Pixabay

Ainda não está comprovada, mas esta pode ser a solução para combater a problemática das alterações climáticas: pulverizar substâncias químicas capazes de “enfraquecer” a radiação solar na atmosfera da Terra.

Cientistas da Universidade de Harvard e da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, propuseram uma forma engenhosa, mas ainda não comprovada, de combater as mudanças climáticas: pulverizar substâncias químicas que “enfraqueçam” a radiação solar na atmosfera da Terra.

Esta técnica é conhecida como injecção de aerossol estratosférica e poderia ser eficaz na redução da taxa de aquecimento global.

O método envolveria a pulverização de grandes quantidades de partículas de sulfato na estratosfera inferior da Terra em altitudes de até 20 quilómetros. Os cientistas propõem a entrega dos sulfatos com aeronaves de alta altitude especialmente projectadas para o efeito, como balões ou grandes canhões navais.

Apesar de esta tecnologia ainda não estar desenvolvida, os investigadores garantem que “criar um novo petroleiro com capacidades substanciais de carga útil não seria tecnologicamente difícil nem proibitivamente caro”.

Aliás, os cientistas estimam que o custo total de lançamento de um hipotético sistema deste género seria em torno dos 3,5 mil milhões de dólares, com custos operacionais adicionais de 2,25 mil milhões por ano.

No artigo científico, publicado recentemente na Environmental Research Letters, os cientistas explicam que o objectivo não é fazer julgamentos sobre a conveniência do sistema, mas sim mostrar que um programa de implantação hipotético com início daqui a 15 anos, embora altamente incerto e ambicioso, seria tecnicamente possível do ponto de vista da engenharia.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Os investigadores reconhecem também alguns riscos, como a necessidade de haver uma coordenação entre vários países em ambos os hemisférios. Além disso, as técnicas de injecção de aerossol estratosféricas poderiam prejudicar o rendimento de culturas, causar secas ou condições meteorológicas extremas.

Apesar de a equipa fazer algumas ressalvas em relação a este projecto, que ainda não passou do papel, há já vários especialistas a criticar a ideia. É o caso de Philippe Thalmann, da Escola Politécnica Federal de Lausana, na Suíça, que afirma que, “do ponto de vista da economia climática, a gestão da radiação solar ainda é uma solução muito pior do que as emissões de gases de efeito estufa: mais caras e muito mais arriscadas a longo prazo”.

David Archer, do Departamento de Ciência Geofísica da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, complementou esta teoria, afirmando que o “problema da engenharia climática é que é apenas um band-aid temporário”.

“Será tentador continuar a procrastinar a ‘limpeza’ dos nossos sistemas de energia, mas estaríamos a deixar o planeta numa forma de suporte vital. Se uma geração futura não pagar a conta climática, receberá todo o nosso aquecimento de uma vez só”, concluiu.

ZAP // HypeScience

Por ZAP
30 Novembro, 2018

 

1282: Os Pirenéus estão com “febre” e vão perder metade da neve até 2050

CIÊNCIA

Akuppa / Flickr

Um recente relatório revela que o aumento da temperatura vai reduzir drasticamente a neve na cordilheira que forma uma fronteira natural entre França e Espanha.

O aumento da temperatura média nos Pirenéus em 1,2 graus centígrados nos últimos 50 anos faz prever que esta cordilheira perca metade da sua neve até 2050 e, se nada for feito, 80% antes do final do século.

Esta é uma das principais conclusões divulgada esta terça-feira durante a apresentação do relatório As Alterações Climáticas nos Pirenéus: Impacto, Vulnerabilidades e Adaptação, feito por mais de cem cientistas de Espanha, França e Andorra, para o Observatório Pirenaico das Alterações Climáticas (OPCC).

Tendo em conta que a subida média da temperatura na cordilheira foi de 1,2 graus nos últimos 50 anos, o panorama é muito preocupante. A média mundial foi de 0,85 graus, pelo que o aquecimento dos Pirenéus foi 41% superior.

O coordenador do estudo, Juan Terrádez, destacou na ocasião que metade dos glaciares dos Pirenéus já desapareceu. Além disso, salientou, a “escassez e variabilidade” da disponibilidade hídrica como um dos problemas socioeconómicos mais importantes derivados das alterações climáticas nos Pirenéus, uma vez que diminui a água disponível para a geração de energia hidroeléctrica e a produção agrícola.

Acresce ainda que a maior instabilidade climática provoca um aumento dos riscos, como deslizes de terras, inundações e incêndios florestais, bem como episódios de seca e chuvas torrenciais cada vez mais intensos.

Juan Terrádez também explicou que uma das consequências mais relevantes para a fauna e flora regionais é “a falta de sincronia” entre espécies que dependem umas das outras, como os insectos polinizadores e as plantas.

Idoia Arauzo, coordenadora do Observatório, classificou como “grave” a situação actual nos Pirenéus e reclamou uma “actuação urgente” e a “incorporação das alterações climáticas nas políticas”, porque “estão a ocorrer a uma velocidade muito rápida”.

Os Pirenéus têm “febre”, o que “é um sintoma de que se está a passar alguma coisa”, apontou Idoia Arauzo, que também enumerou os dez desafios das alterações climáticas nos Pirenéus deduzidos do relatório, entre os quais preparar a população para as alterações climáticas, reforçar a segurança perante os riscos naturais e acompanhar a população nos períodos de seca.

A lista dos desafios é completada com a garantia da qualidade da água, manutenção da atractividade turística dos Pirenéus, resposta às mudanças na produtividade e qualidade da produção agrícola, previsão das transformações irreversíveis na paisagem e a possível perda de biodiversidade, adaptação aos desequilíbrios entre oferta e procura energética e enfrentar a propagação de pragas.

A coordenadora do OPCC insistiu na “redução das emissões poluentes” e “adaptação” como formas de enfrentar o problema, e recordou que as alterações climáticas são “mais um factor de pressão” sobre o território, como pode ser a perda de população ou a falta de substituição de gerações na agricultura.

A apresentação do relatório realizou-se um dia antes da reunião da Comunidade de Trabalho dos Pirenéus, que vai decorrer em Saragoça e que integra as comunidades autónomas de Espanha e os departamentos de França unidos pela cordilheira, bem como Andorra.

ZAP // Lusa

Por Lusa
13 Novembro, 2018