3764: Nem o mar profundo se safa das alterações climáticas

CIÊNCIA/CLIMA

(dr) Schmidt Ocean Institute

Um novo estudo mostra que as alterações climáticas já estão a bater à porta do mar profundo, e os seus habitantes poderão em breve estar em perigo.

De acordo com o site IFLScience, a equipa de cientistas analisou como é que as alterações climáticas estão projectadas para afectar a biodiversidade do mar profundo. Enquanto descobriram que a água da superfície está a aquecer significativamente mais depressa, o fundo do oceano já foi afectado por este aquecimento e os seus habitantes sofrerão mudanças drásticas em breve.

“Utilizámos uma métrica conhecida como velocidade climática, que define a provável velocidade e direcção em que uma espécie muda conforme o oceano aquece”, explica em comunicado Isaac Brito-Morales, biólogo marinho e estudante de doutoramento da Universidade de Queensland, na Austrália.

“Calculámos a velocidade climática em todo o oceano nos últimos 50 anos e, depois, no resto deste século, usando dados de 11 modelos climáticos”, acrescenta o investigador, cujo estudo foi publicado, esta segunda-feira, na revista científica Nature Climate Change.

Os resultados da pesquisa sugerem que as velocidades médias globais do clima nas camadas mais escuras e profundas do oceano, acima de mil metros, foram aceleradas quase quatro vezes mais rápido do que na superfície na segunda metade do século XX.

E as coisas só devem piorar nas próximas décadas. Na zona mesopelágica — que se estende dos 200 aos mil metros de profundidade abaixo da superfície do oceano —, projecta-se que as velocidades climáticas sejam aceleradas quatro a 11 vezes mais, do que actualmente na superfície, até ao final deste século.

Se estes dados estiverem correctos, aponta o mesmo site, isto terá um enorme efeito indirecto em todos os oceanos, já que a zona mesopelágica é o lar de uma grande variedade de pequenos peixes que suportam animais maiores como, por exemplo, o atum e a lula.

As mudanças nas velocidades climáticas são mais severas no mar profundo, uma vez que, geralmente, a temperatura é bastante uniforme e constante em comparação com as águas superficiais, que suportam o peso da maioria das mudanças atmosféricas que ocorrem acima da superfície. No entanto, mesmo pequenas mudanças nas profundezas podem perturbar o ecossistema mais amplo.

ZAP //

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31 Maio, 2020

 

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3603: Enquanto nos debatemos com a covid-19, a Terra é ameaçada por uma catástrofe pior do que a extinção dos dinossauros

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0/PD) 9866112 / Pixabay

Apesar de o mundo ter as atenções voltadas para a pandemia de covid-19, os riscos para a natureza causados pelo aquecimento global permanecem claros.

Em vários momentos da história do nosso planeta, quantidades crescentes de dióxido de carbono na atmosfera causaram um aquecimento global extremo que levou à morte da grande maioria das espécies existentes na Terra.

No passado, estes eventos foram desencadeados por uma erupção vulcânica ou um impacto de asteróide. Agora, ao que tudo indica, a Terra caminha para outra extinção em massa – e a culpa é nossa.

O cientista australiano Andrew Glikson sustenta que a actual taxa de crescimento das emissões de dióxido de carbono é mais rápida do que as que desencadearam as duas extinções anteriores, incluindo o evento que dizimou os dinossauros.

É verdade que muitas espécies podem ser capazes de se adaptar às alterações ambientais lentas ou moderadas, mas a história mostra-nos que as mudanças extremas do clima podem ser fatais para a grande maioria das espécies.

Antes do início dos tempos industriais, no final do século XVIII, o dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 300 partes por milhão, isto é, para cada milhão de moléculas de gás na atmosfera, 300 eram dióxido de carbono. Em Fevereiro deste ano, o dióxido de carbono atmosférico atingiu 414,1 partes por milhão.

Segundo um artigo publicado no The Conversation assinado por Andrew Glikson, o dióxido de carbono está a ser derramado na atmosfera a uma taxa de duas a três partes por milhão a cada ano.

Através de registos de carbono armazenados em fósseis e matéria orgânica, o investigador determinou que as actuais emissões de carbono constituem um evento extremo na história da Terra.

As emissões anuais de dióxido de carbono são agora mais rápidas do que após o impacto do asteróide que erradicou os dinossauros (cerca de 0,18 partes por milhão de CO2 por ano) e o máximo térmico de há 55 milhões de anos (cerca de 0,11 partes por milhão de CO2 por ano).

As concentrações atmosféricas de dióxido de carbono ainda não se encontram nos níveis observados há 55 e 65 milhões de anos, mas o influxo maciço de dióxido de carbono significa que o clima está a mudar muito mais rapidamente do que muitas espécies de plantas e animais são capazes de suportar.

No ano passado, um relatório da ONU revelou que cerca de um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção e as alterações climáticas foram catalogadas como um dos cinco principais impulsionadores.

Para Glikson, a próxima extinção em massa na Terra é inevitável – “caso não reduzamos drasticamente as emissões de dióxido de carbono e desenvolvamos tecnologias para remover o dióxido de carbono da atmosfera”.

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Por ZAP
26 Abril, 2020

 

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3365: Aquecimento dos oceanos: é como se explodissem cinco bombas atómicas por segundo

CIÊNCIA/CLIMA

Em 2019, as temperaturas dos oceanos foram as mais elevadas de sempre, revela estudo. Esta é mais uma prova do aquecimento global, alertam os cientistas. “É fundamental entender a rapidez com que as coisas estão a mudar”, destaca um dos autores da investigação.

© Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Os oceanos do planeta registaram em 2019 novos recordes de aquecimento e foram mais quentes do que em qualquer outro momento da história da humanidade, indica um estudo divulgado esta segunda-feira.

Publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences, o estudo indica que a água dos oceanos esteve mais quente especialmente entre a superfície e uma profundidade de 2.000 metros.

O estudo foi conduzido por uma equipa internacional de 14 cientistas de 11 institutos de todo o mundo e também conclui que os últimos 10 anos foram os mais quentes nos registos das temperaturas globais dos oceanos.

Os resultados da investigação foram publicados ao mesmo tempo que um apelo para que sejam tomadas medidas contra as alterações climáticas.

Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules (unidade para medir energia térmica) de calor.

“Na verdade são muitos zeros. Para facilitar a compreensão fiz um cálculo. A bomba atómica de Hiroxima explodiu com uma energia de cerca de 63.000.000.000.000 (63 biliões) de joules. A quantidade de calor que colocámos nos oceanos do mundo nos últimos 25 anos é igual a 3,6 mil milhões de explosões de bombas atómicas em Hiroxima”, disse Lijing Cheng, principal autor do artigo que divulga o estudo e professor associado do Centro Internacional de Ciências Climáticas e Ambientais, do Instituto de Física Atmosférica, da Academia Chinesa de Ciências. Ou seja, o equivalente ao lançamento de cinco bombas atómicas por segundo.

Mas o aquecimento dos oceanos está a acelerar e, por isso, o lançamento destas bombas de calor imaginárias também, avisam os cientistas. “Estamos agora em cinco a seis bombas de Hiroxima por cada segundo”, disse John Abraham, um dos autores do estudo e professor da Universidade de St. Thomas, nos EUA, citado pela CNN.

“É fundamental entender a rapidez com que as coisas estão a mudar”, disse John Abraham. A chave para perceber o aquecimento global “está nos oceanos, é aí que a grande maioria do calor acaba. Se se quiser entender o aquecimento global tem que se medir o aquecimento dos oceanos”.

“Este aquecimento medido dos oceanos é irrefutável e é mais uma prova do aquecimento global. Não há alternativas razoáveis além das emissões humanas de gases com efeito de estuda para explicar este aquecimento”, disse Lijing Cheng.

Os investigadores usaram um novo método de análise, que lhes permitiu concluir que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registados nos oceanos e descobrir que nas últimas seis décadas o aquecimento mais recente foi aproximadamente 450% do aquecimento anterior, o que reflete um grande aumento na taxa de mudanças climáticas globais.

Os cientistas alertaram que o aquecimento global está a aumentar, mas que felizmente se pode inverter a situação, usando-se a energia de forma mais sábia e proveniente de fontes diversas. Mas dizem também que o oceano levará mais tempo a responder a essa mudança do que o ambiente atmosférico e terrestre.

Desde 1970 que mais de 90% do calor do aquecimento global foi absorvido pelos oceanos, com menos de 4% desse calor a ir para a atmosfera ou para a terra.

“Mesmo com essa pequena fracção afectando a atmosfera e a terra o aquecimento global levou a um aumento de incêndios catastróficos na Amazónia, na Califórnia e na Austrália em 2019, e estamos a ver isso a continuar em 2020”, disse Cheng.

Diário de Notícias

DN/Lusa

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3315: Milhares de lagos nos Himalaias correm risco de inundação devido ao aquecimento global

CIÊNCIA/CLIMA

markhorrell / Flickr
Himalaias

Cerca de cinco mil lagos nos Himalaias correm o risco de rebentar as suas morenas devido ao aquecimento global e assim causar fortes inundações.

A região dos Himalaias tem sofrido com as alterações climáticas. À medida que os glaciares derretem, têm-se formado também lagos naturais, 85 deles em Siquim, entre 2003 e 2010. E, de acordo com cientistas da Universidade de Potsdam, na Alemanha, milhares destes lagos correm o risco de rebentar as suas morenas por causa do aquecimento global, avança a agência Europa Press.

Uma morena é um amontoado de pedras e terra unidos por gelo. Se este derrete, a morena cede, resultando naquilo a que os investigadores, cujo estudo foi publicado na revista PNAS, descrevem como inundações de explosão de lago glacial (GLOF).

Para ver o que poderia acontecer à medida que as temperaturas mais altas derretem os glaciares, os investigadores realizaram 5400 milhões de simulações baseadas em modelos de lagos desenvolvidos com dados topográficos e de satélite.

Depois dessas simulações, a equipa descobriu que cerca de cinco mil lagos nos Himalaias são provavelmente instáveis devido à fraqueza das suas morenas.

Os cientistas também notaram que os lagos em maior risco eram aqueles com o maior volume de água e descobriram que os riscos de inundações devido a um GLOF no futuro próximo eram três vezes maiores nas partes orientais dos Himalaias.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que até dois terços dos glaciares dos Himalaias vão desaparecer na próxima década, o que significa que uma grande quantidade de água destes lagos vai ser uma grave ameaça para as populações vizinhas.

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Por ZAP
5 Janeiro, 2020

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Alterações climáticas ameaçam os “maki sushi”

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

O aumento da temperatura do mar e as políticas de protecção do meio ambiente estão a afectar a produção de alga nori, fundamental para o sushi e muitos outros pratos japoneses.

Sushi

A alga nori é mundialmente conhecida por ser um dos principais ingredientes do sushi, pois é graças a ela que é possível compactar o arroz e o peixe formando uma das ofertas mais populares: os makis.

No entanto, esta alga pode agora estar em perigo. Segundo o Financial Times, o aumento da temperatura da água do mar faz com que a produção de nori no Japão esteja a diminuir pois este tipo de alga desenvolve-se com temperaturas a rondar os 23 graus e o Oceano Pacífico estará a aquecer mais do que o devido, dificultando o crescimento.

“As condições óptimas de seu cultivo são muito concretas e com muito pouca margem de variação que permita manter sua produção elevada e de qualidade”, adianta Alba Vergés, investigadora do grupo Biodiversidade e Recursos Marinhos da Universidade de Girona

O aquecimento da água marinha é o único impedimento ao seu cultivo. Embora pareça contraditório, a mudança da política ambiental japonesa, que minimiza a quantidade de desperdícios que chegam a esta zona costeira, também dificulta o seu crescimento. “As boas práticas limitam a chegada dos restos de fertilizantes às águas continentais, e por onde, o mar, assegura Manuel García Tasende, do Centro de Investigações marinhas CIMA, em Corón, (Pontevedra). Fertilizantes esses que servem de alimento à alga nori.

A contaminação da água marinha, fundamentalmente por nitrogénio, faz com que se acumulem resíduos orgânicos, e isto favorece a proliferação de certas algas, que geram danos irreparáveis no ecossistema marinho. Segundo Tasende, do centro de investigações marinhas (CIMA), isto é o que sucede na actualidade, em Espanha, no Mar Menor.

O que é a alga Nori?

O que designamos “alga nori” são na realidade distintas espécies de algas roxas marinhas do género Pyropia y Porphyra. Segundo Javier Cremades Ugarte, catedrático de Botánia e membro do Grupo de Investigação de Biologia Costeira (BioCost) no Centro de Investigações Científicas Avançadas (CICA) da Corunha, estas espécies foram as primeiras algas a serem cultivadas de maneira industrial no mundo, na costa do Japão.

“A nori é uma das algas alimentares mais apreciadas pelas suas excelentes características organolépticas e nutricionais” explica Cremades. “É de longe a espécie de macro-alga marinha mais rica em proteínas e, junto com o Kombu japonês e o wakame, uma das algas alimentares mais cultivadas do mundo” Segundo explica Manuel Garcia Tasende, a nori é a alga de maior valor comercial a nível mundial. “Move cerca de 1.500 milhões de dólares por ano, e se cultivam uma 710.000 toneladas anuais, segundo dados da FAO de 2016.

Diário de Notícias

DN
11 Novembro 2019 — 13:40

 

2959: Gelo antárctico pode vir a desencadear uma nova era glacial

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

As mudanças que estão a ocorrer na Antárctida, com a quebra das suas camadas de gelo e a sua chegada ao mar, podem causar uma descida da temperatura, o que poderia levar a uma nova era glacial. 

Esta é a conclusão de uma investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Chiado, nos Estados Unidos, cujos resultados foram publicados na revista científica Nature.

Depois de realizar uma série de simulações computorizadas, os especialistas de Chicago sugeriram que o aumento do gelo no mar alteraria a circulação no oceano, causando assim uma inversão no efeito de estufa, uma vez que os níveis de dióxido de carbono aumentariam na água e diminuiriam no ar.

Malte Jansen, professor da universidade norte-americana e um dos autores do estudo, disse que é fundamental determinar porque é que a Terra passa por ciclos periódicos de eras glaciais, nos quais os glaciares avançam e cobrem o planeta até que recuam – para que isto aconteça, notou, o clima deve passar por grandes mudanças.

“Temos a certeza de que o balanço de carbono entre a atmosfera e o oceano deve ter mudado, mas não sabemos muito bem como ou por que motivo“, explicou Jansen.

Para tentar explicar estas mudanças, descreve a Russia Today, os cientistas desenvolveram um modelo no qual a atmosfera arrefece o suficiente para gerar gelo marinho antárctico.

Jansen sublinhou que o Oceano Antárctico tem um papel fundamental neste sentido, uma vez que pode condicionar “a circulação dos oceanos” e funcionar como uma “cobertura” que impede a troca de dióxido de carbono com a atmosfera.

Alice Marzocchi, especialista do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido e autora principal do estudo, explicou que se trata de um loop. “À medida que a temperatura desce, menos carbono é libertado para a atmosfera, o que provoca um maior arrefecimento”.

Para Marzocchi, o oceano é “o maior reservatório de carbono em escalas de tempo geológicas” e, por isso, “estudar o seu papel no ciclo do carbono” permite “simular com maior precisão as mudanças ambientais futuras”.

Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das…

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4 Novembro, 2019

 

2829: O ar acima da Antárctida acabou de ficar muito quente de um momento para o outro

CIÊNCIA

NASA

Um fenómeno atmosférico raro provocou um aumento da temperatura estranho no ar acima da Antárctida. Segundo os cientistas, houve mesmo quebras de temperatura recorde na estratosfera.

Eun-Pa Lim, do Bureau of Meteorology da Austrália, e os seus colegas observaram que o ar acima da Antárctica estava a ficar mais quente no final de Agosto. Nas semanas que se seguiram, esse aquecimento intensificou-se.

O aquecimento foi o resultado do repentino aquecimento estratosférico – um fenómeno que ocorre regularmente no Hemisfério Norte, aproximadamente uma vez a cada um ou dois anos, disse Lim em declarações à Newsweek. No Hemisfério Sul, porém, é muito mais raro, tendo sido observado apenas em 2002.

“No final de Agosto até ao início de Setembro, estava cerca de 30 a 35 graus Kelvin mais quente do que o normal na estratosfera alta e média na região da calota polar da Antárctica, que foi um aquecimento recorde para essa época do ano”, disse Lim. “Desde então, a magnitude do aquecimento anómalo reduziu em cerca de 15 graus Kelvin na estratosfera média a baixa”.

Todos os Invernos, ventos velozes do oeste desenvolvem-se na estratosfera – a segunda camada na atmosfera da Terra que fica acima da troposfera. Esta camada estende-se por cerca de 50 quilómetros de altura, com a camada de ozono dentro dela. Estes ventos, que podem chegar a 240 quilómetros por hora, desenvolvem-se devido às diferenças de temperatura entre o Pólo Sul, onde não há luz solar, e o oceano, que ainda recebe luz solar.

“À medida que o sol se desloca para o sul durante a primavera, a região polar começa a aquecer. Esse aquecimento faz com que o vórtice estratosférico e os ventos ocidentais associados enfraquecem gradualmente ao longo de alguns meses”, disse Lim.

Alguns anos, isto acontece mais rápido do que o normal, com o ar da atmosfera mais baixa aquecendo a estratosfera, causando o enfraquecimento dos ventos. “Muito raramente, se as ondas forem suficientemente fortes, podem rapidamente quebrar o vórtice polar, invertendo a direcção dos ventos e tornando-se leste. Esta é a definição técnica de ‘aquecimento estratosférico repentino’”.

O aquecimento estratosférico repentino é o resultado de variações naturais na atmosfera, disse Lim, acrescentando que parece que este evento é resultado de variabilidade aleatória. Lim acrescentou que, agora, a sua equipa quer analisar o que aconteceu com o aquecimento, a fim de entender melhor os mecanismos físicos da relação entre a estratosfera e a troposfera.

“O evento actual começou com um aquecimento muito rápido e forte, mas o aquecimento foi mantido na estratosfera e ainda não afectou a atmosfera mais baixa, o que é muito incomum”, disse.

Espera-se que o repentino aquecimento estratosférico traga ventos quentes e secos sobre a Austrália nos próximos três meses. Num estudo publicado esta semana na revista especializada Nature Geoscience, a equipa colocou as temperaturas crescentes num modelo que fornece previsões para o Hemisfério Sul. As descobertas mostraram que a Austrália provavelmente terá menos chuva e temperaturas mais quentes na primavera, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

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14 Outubro, 2019

 

2815: Aquecimento da temperatura no Mediterrâneo é 20% mais rápido que média do planeta

CLIMA

Os dados são alarmantes: vêm aí mais ondas de calor, “mais significativas e duradouras” e “secas extremas serão mais frequentes”. Portugal está também na linha da frente desta crise, que atinge 500 milhões de pessoas.

© Gonçalo Villaverde / Global Imagens

A bacia do Mediterrâneo é um dos pontos quentes da crise climática e alguns dos seus impactos “atingem” esta região “com mais força do que em outras partes do mundo”, assegura o professor Wolfgang Cramer, director científico do Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia, com sede em França, em declarações ao jornal espanhol El País.

Há um exemplo que confirma esta afirmação: o aumento da temperatura na região do Mediterrâneo já atingiu 1,5 graus em comparação com os níveis pré-industriais, o que significa que o aquecimento nesta bacia é 20% mais rápido do que na média do planeta, afectando 500 milhões de pessoas de três continentes.

Sem medidas adicionais que reduzam os gases com efeito de estufa, Wolfgang Cramer estima que o que se seguirá é muito pior, na descrição do jornal. Em 2040, esse aumento chegará a 2,2 graus e possivelmente excederá 3,8 em algumas regiões da bacia em 2100. Além disso, em apenas duas décadas, 250 milhões de pessoas sofrerão com a falta de água na região devido às secas.

O mapa que acompanha a notícia do El País mostra como Portugal também sofrerá com estes aumentos: por todo o Norte do país, no Centro e parte do Sul Interior, a temperatura subirá 2 a 3 graus e, na faixa costeira do Oeste e Sul, o aumento será entre 1,5 e 2 graus.

Estes dados estão incluídos num relatório cujos primeiros resultados são apresentados esta quinta-feira em Barcelona, durante a reunião da União para o Mediterrâneo, uma organização internacional na qual estão representados os países dos três continentes que partilham as águas do mar, incluindo Portugal.

Desde 2015, um grupo de mais de 80 cientistas coordenados por Cramer trabalha para esta organização no estudo, intitulado “Riscos associados às mudanças climáticas e às mudanças ambientais na região do Mediterrâneo”.

O relatório pretende ser o grande retrato das mudanças climáticas nesta área, com base no conhecimento científico actual. “Nunca foi feita uma síntese tão completa”, explica Cramer sobre o documento em que se multiplicam dados, muitos deles alarmantes.

O coordenador destaca a vulnerabilidade de muitas populações da região “porque moram muito perto do mar e também porque são pobres e têm poucas opções para se proteger ou se afastar”. O relatório adverte: haverá mais ondas de calor “mais significativas e duradouras” e “secas extremas serão mais frequentes”.

Diário de Notícias
DN
10 Outubro 2019 — 11:04

 

2790: Asteróide que matou os dinossauros perturbou o ciclo de carbono. Mas os humanos estão a fazer pior

CIÊNCIA

Don Davis / NASA

Desde 1750, os humanos têm perturbado mais o ciclo de carbono do que alguns dos impactos de asteróide mais cataclísmicos da História.

Uma nova investigação sugere mesmo que os efeitos a longo prazo – aquecimento global fora de controlo, acidificação do oceano e extinção massiva – poderiam ser os mesmos.

Esta descoberta aparece publicada esta semana na revista especializada Elements, da autoria de várias equipas de investigadores do Deep Carbon Observatory (DCO) – uma organização de mais de mil cientistas que estudam o movimento do carbono da Terra, desde o núcleo do planeta até a borda do espaço.

Os cientistas examinaram o que chamam de “perturbações” no ciclo de carbono da Terra nos últimos 500 milhões de anos. Nesse período, o movimento do carbono pelo planeta tem sido relativamente estável – o gás carbónico (na forma de dióxido de carbono e monóxido de carbono, entre outros) a ser bombeado para a atmosfera por vulcões e aberturas subterrâneas é mais ou menos equilibrado com o carbono que se afunda no interior do planeta nos limites das placas tectónicas.

Este equilíbrio resulta em ar respirável e um clima hospitaleiro em terra e mar que possibilita a rica biodiversidade do nosso planeta.

No entanto, de vez em quando, devido a um evento cataclísmico (ou “perturbação”), o equilíbrio fora de controlo, inundando o céu com o dióxido de carbono dos gases de efeito estufa, interrompendo o clima do planeta durante centenas de anos e frequentemente resultando numa extinção generalizada.

No novo trabalho, os investigadores identificam quatro dessas perturbações, incluindo várias erupções vulcânicas gigantescas e a chegada do famoso asteróide que matou os dinossauros que atingiu o planeta há cerca de 66 milhões de anos. Estudar os eventos perturbado respode ser a chave para entender o próximo grande cataclismo climático que se está a desenvolver diante de nossos olhos e pelas nossas próprias mãos.

“Hoje, o fluxo de carbono gerado antropogenicamente, principalmente a partir da queima de combustíveis fósseis que se formou ao longo de milhões de anos, está a contribuir para uma grande perturbação no ciclo do carbono”, escreveram os cientistas, de acordo com o LiveScience.

De facto, a quantidade total de CO2 a ser libertada na atmosfera todos os anos pela queima de combustíveis fósseis supera a quantidade acumulada de CO2 libertada por todos os vulcões na Terra – em pelo menos 80 vezes.

A comparação mais vívida que os autores fazem entre a actual crise climática e as perturbações do passado envolve Chicxulub – o asteróide de 10 quilómetros que colidiu com o Golfo do México há 66 milhões de anos, levando à extinção de 75% da vida na Terra, incluindo todos os dinossauros não aviários.

Quando o asteróide caiu na Terra com milhares de milhões de vezes a energia de uma bomba atómica, as ondas de choque da explosão provocaram terramotos, erupções vulcânicas e incêndios florestais, possivelmente ejectando até 1.400 giga-toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. O efeito estufa resultante destas repentinas emissões pode ter aquecido o planeta e acidificado os oceanos durante centenas de anos, contribuindo para a extinção em massa de plantas e animais.

As mais altas emissões estimadas de CO2 relacionadas com o Chicxulub são menores do que as emissões acumulativas e contínuas associadas às mudanças climáticas provocadas pelo homem. Essas emissões somam cerca de 2.000 giga-toneladas de CO2 bombeadas para o céu desde o ano de 1750. E as emissões feitas pelo homem aumentam a cada ano que passa.

Os cientistas apontam que o ritmo e a escala em que os seres humanos estão a perturbar o balanço de carbono do planeta são comparáveis ​​a alguns dos eventos geológicos mais cataclísmicos da história.

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7 Outubro, 2019

 

2764: VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

CIÊNCIA

© TVI24 VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

Uma águia-rabalva equipada com uma câmara vai mostrar ao mundo o impacto do aquecimento global nos Alpes.

Através dos olhos de Victor, de nove anos, um exemplar da maior águia da Europa, vai ser possível observar o estado em que se encontram os glaciares que atravessam os Alpes, alguns em risco de colapso devido às alterações climáticas, como o Monte Branco, em Itália.

O primeiro voo oficial acontece nesta quinta-feira, desde o topo da montanha suíça de Piz Corvatsch. Victor, que voará com uma câmara de 360º e um GPS, segue depois para os Alpes alemães, austríacos e italianos, terminando a viagem sobre os Alpes franceses no próximo dia 7.

Está previsto que percorra três a cinco quilómetros numa altitude de 3000 metros até 1500, num total de cinco voos.

O objectivo é derrotar a apatia no que respeita ao combate às alterações climáticas e também no sentido de proteger as próprias aves.

A Humanidade tem dois sonhos: nadar com golfinhos e voar com as águias. Esta é a primeira vez que todos voamos nas costas de uma águia numa distância destas e com esta vista, e podemos ver como é um voo real de uma águia. Como podemos convencer as pessoas a proteger as aves e o seu ambiente se nunca mostramos o que elas veem?”, afirmou o falcoeiro francês e fundador da Freedom Conservation, Jacques-Olivier Travers, em declarações à Associated Press (AP).

No vídeo abaixo poderá ver um ensaio das viagens que Victor realizará, onde é possível ver montanhistas e snowboarders.

msn notícias
Redacção TVI24
03/10/2019

 

2659: O Oceano Atlântico pode começar do outro lado do mundo

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

Uma questão chave para os cientistas do clima é sobre a possível desaceleração do sistema de circulação principal do Oceano Atlântico, o que poderia ter consequências dramáticas para a Europa e outras zonas.

Porém, um novo estudo sugere que a ajuda para este oceano pode vir de uma fonte inesperada: o Oceano Índico. O novo estudo, conduzido por Shineng Hu, da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia-San Diego, e Alexey Fedorov, da Yale University, publicado na revista Nature Climate Change, é o mais recente de uma crescente corpo de pesquisa que explora a forma como o aquecimento global pode alterar os componentes do clima global, como a circulação de retorno do Atlântico Sul (AMOC).

A AMOC é um dos maiores sistemas de circulação de água do planeta. De acordo com a Europa Press, funciona como uma escada rolante líquida: transporta água quente até ao Atlântico Norte através de uma corrente superior e envia água mais frio para o sul através de uma corrente mais profunda.

Ainda quem se tenha mantido estável durante milhares de anos, os dados dos últimos 15, assim como as projecções de modelos de computador, têm preocupado alguns cientistas porque tem mostrado sinais de desaceleração durante esse período. Desconhece-se, porém, se é o resultado do aquecimento ou apenas uma anomalia a curto prazo relacionada com a variabilidade natural do oceano.

“Ainda não há consenso”, admite Fedorov, “mas acredito que a questão da estabilidade do AMOC não deve ser ignorada. A mera possibilidade de colapso deve ser motivo de preocupação numa época em que a actividade humana está a forçar mudanças significativas nos sistemas da Terra”.

“Sabemos que a última vez que a AMOC enfraqueceu substancialmente foi há 15 mil a 17 mil anos e teve um impacto global”, acrescentou. “Estamos a falar de Invernos duros na Europa, com mais tempestades ou um Sahel mais seco na África devido à mudança descendente da faixa de chuva tropical, por exemplo”.

Grande parte do trabalho de Fedorov e Hu concentra-se em mecanismos e características climáticas específicas que podem estar a mudar devido ao aquecimento global. Usando uma combinação de dados de observação e modelos sofisticados de computador, rastreiam os efeitos que as alterações podem ter com o tempo.

Para o novo estudo, analisaram o aquecimento no Oceano Índico. “O Oceano Índico é uma das impressões digitais do aquecimento global”, disse Hu. “O aquecimento do Oceano Índico é considerado um dos aspectos mais fortes do aquecimento global”.

Os investigadores apontam que o seu modelo indica uma série de efeitos em cascata que se estendem do Oceano Índico ao Atlântico: à medida que o Oceano Índico aquece cada vez mais rápido, gera chuvas adicionais. Isto, por sua vez, atrai mais ar de outras partes do mundo, incluindo o Atlântico, para o Oceano Índico.

Com tantas chuvas no Oceano Índico, haverá menos chuvas no Oceano Atlântico. Menos chuvas levarão a uma maior salinidade nas águas da porção tropical do Atlântico, porque não haverá tanta água da chuva para diluí-la. A água salgada no Atlântico, ao chegar ao norte através do AMOC, arrefecerá muito mais rápido que o normal e afundará mais rápido.

“Isso funcionaria como um impulso para o AMOC, intensificando a circulação”, explica Fedorov. “Por outro lado, não sabemos por quanto tempo esse aquecimento melhorado do Oceano Índico continuará. Se o aquecimento de outros oceanos tropicais, especialmente o Pacífico, chegar ao oceano Índico, a vantagem do AMOC vai parar”.

Esta última descoberta ilustra a natureza intrincada e interconectada do clima global. À medida que os cientistas tentam entender os efeitos das mudanças climáticas, devem tentar identificar todas as variáveis ​​e mecanismos climáticos que podem desempenhar um papel.

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18 Setembro, 2019

 

2550: A Rússia tem cinco novas ilhas (e isso é má notícia)

CIÊNCIA

Christopher Michel / Wikimedia

Investigadores encontraram cinco novas ilhas nas águas geladas da costa norte da Rússia. Embora novas descobertas sejam tipicamente algo para comemorar, desta vez, é má notícia.

As ilhas encontradas na Rússia só foram reveladas graças ao derretimento glacial acelerado das mudanças climáticas.

A presença de novas ilhas na área foi sugerida pela primeira vez por uma estudante universitária que estudava imagens de satélite enquanto escrevia o seu trabalho final no fim de 2016. A presença de pelo menos cinco novas ilhas foi confirmada esta semana pelo Ministério da Defesa da Rússia após uma expedição recente pelo Vizir, um navio de investigação da Marinha Russa.

“Foi realizada uma investigação topográfica nas novas ilhas”, disseram os militares em comunicado. “Foram descritos em detalhes e fotografados.” As novas ilhas, com tamanho entre 900 a 54.500 metros quadrados, podem ser encontradas perto de Novaya Zemlya e Franz Josef Land, no Oceano Árctico, dois arquipélagos de centenas de ilhas habitadas apenas por militares.

Todas as ilhas foram anteriormente engolidas pelo gelo do glaciar Nansen, também conhecida como Vylka. No entanto, foram expostas após o recuar do gelo devido ao aumento da temperatura do ar e do oceano.

O Círculo Polar Árctico está a experimentar alguns dos aumentos mais acentuados no clima mais quente do mundo, especialmente no ano passado, que registou um calor recorde em grande parte do Árctico. Num exemplo particularmente chocante, as temperaturas numa vila sueca no Círculo Polar Árctico atingiram 34,8°C em 26 de Julho de 2019. O noroeste da Rússia também viu as temperaturas subirem para 29°C..

Com as temperaturas quentes, vem o degelo do gelo e o derretimento dos glaciares. Os principais episódios de derretimento de superfície ocorreram em muitas partes do Árctico este ano, principalmente na Gronelândia, onde cerca de 197 mil milhões de toneladas de gelo derreteram apenas no mês de Julho.

Um estudo de 2018, publicado na revista especializada Remote Sensing of Environment, analisou os glaciares em redor do arquipélago de Franz Josef Land e descobriu que a perda de massa de gelo entre 2011 e 2015 duplicou em comparação com os intervalos de tempo anteriores.

“Actualmente, o Árctico está a aquecer duas a três vezes mais rápido que o resto do mundo, por isso, naturalmente, glaciares e calotas polares reagirão mais depressa”, disse Simon Pendleton, da Universidade do Colorado, no Instituto de Pesquisa Árctica e Alpina de Boulder, que não está envolvido nesta nova descoberta, em Janeiro.

Além da descoberta de novas terras, as dramáticas mudanças no Árctico estão a causar um efeito devastador na biodiversidade e assentamentos humanos na área e fora dela.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2546: ONU. Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados

CIÊNCIA

(cv) Fox News

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em Setembro.

De acordo com o documento, com o aumento da frequência dos ciclones, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. Até ao fim do século, as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em Setembro.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de Setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de Setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus Celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos pólos. Segundo o documento as calotes polares da Antárctica e da Gronelândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Agosto, 2019

 

2492: Os efeitos das alterações climáticas podem deixar as aranhas mais agressivas

CIÊNCIA

judygva / Flickr
A aranha Anelosimus studiosus

As alterações climáticas vão provocar muitos efeitos negativos no planeta e os cientistas acabaram de encontrar um novo: aranhas mal-humoradas.

O aquecimento global poderá não só aumentar a frequência e a intensidade de tempestades tropicais, bem como os chamados eventos climáticos “cisne negro”, assim baptizados por se tratarem de eventos imprevisíveis e de grande impacto.

E acontece que, quando falamos de aranhas, as mais agressivas serão aquelas que provavelmente vão sobreviver ao clima tempestuoso e que portanto transmitem os seus traços às novas gerações.

Segundo o Science Alert, um desses casos é o aracnídeo Anelosimus studiosus, que pode ser encontrado no continente americano, incluindo nas costas do Golfo e do Leste, destruídas por ciclones tropicais, entre maio e Novembro, vindos do Oceano Atlântico.

Geralmente, estas aranhas vivem em colónias em teias tridimensionais, mas nem todas partilham de forma pacífica o mesmo espaço. A espécie exibe dois fenótipos comportamentais: algumas são mais tolerantes e sossegadas, outras são mais agressivas. Podem viver lado a lado na mesma colónia, no entanto, quanto mais agressivas forem, mais agressiva é a colónia no geral. Problema: esta característica é hereditária.

Para determinar o efeito que as tempestades estão a ter nas aranhas, cientistas da Universidade McMaster, no Canadá, esperaram até conseguir prever um “landfall” — segundo o IPMA, quando o centro do furacão intersecta a linha de costa — e então amostraram colónias de aranhas naquele local. Depois, regressaram 48 horas após a passagem da tempestade, analisando novamente as colónias.

A equipa também registou o número de ovos em cada colónia e a taxa de sobrevivência das crias. No total, os investigadores escolheram três grandes ciclones ocorridos em 2018 e fizeram uma amostra de 240 colónias.

Inicialmente, a taxa de sobrevivência foi bastante alta (75,42%) mas a longo prazo, e no geral, o número de ovos diminuiu, assim como a taxa de sobrevivência das crias. Porém, isso não foi distribuído de forma uniforme entre colónias agressivas e tranquilas.

“Ao seguir os ciclones tropicais, observámos que colónias com respostas de forrageamento mais agressivas produziram mais ovos e tiveram mais crias a sobreviver até ao início do inverno, enquanto a tendência oposta emergiu em locais de controlo”, escreveram os investigadores no artigo publicado na revista Nature.

“Esta tendência é consistente em várias tempestades que variam no tamanho, na duração e na intensidade. Isto mostra que estes efeitos não são idiossincráticos, mas sim respostas evolutivas robustas que se sustentam em tempestades e em locais que ocupam uma extensão de cinco graus de latitude”.

A razão por que isto acontece ainda não é clara, mas uma diminuição dos recursos alimentares imediatamente depois da tempestade pode ser um factor. Além disso, as espécies de aranhas concorrentes também podem ser mais agressivas — exigindo que indivíduos mais agressivos protejam a colónia dos invasores.

Os investigadores também notam que as progenitoras podem estar demasiado ocupadas a tentar encontrar alimento e a proteger os seus recursos para poder investir tempo nos cuidados maternos, forçando as crias a desenvolver melhores habilidades de sobrevivência.

Por isso, sim, podemos estar a criar um “aranhapocalipse” sem darmos conta.

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22 Agosto, 2019

 

2463: O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

CIÊNCIA

Mathias Krumbholz / wikimedia

Uma tempestade perto do Pólo Norte pode não parecer a maior preocupação, tendo em conta o rápido aquecimento do Árctico. Mas é mais um sinal de que o Árctico continua a ter um verão anormal.

A Terra é atingida por raios, cerca de 8 milhões de vezes por dia. São 100 ataques por minuto. Mas muito poucos desses raios atingem o nível norte do planeta – e muito raramente perto do Árctico. No entanto, no fim de semana passado, o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks relatou um raio a 482 quilómetros do Pólo Norte.

Brian Brettschneider, especialista em clima, destacou pela primeira vez a bizarra previsão do tempo no sábado. Os dados vieram do Global Lightning Dataset, um conjunto de dados criado de forma privada usando sensores implantados em todo o mundo que conseguem detectar raios a quase seis mil quilómetros de distância. Imagens de satélite confirmaram as tempestades sobre o Oceano Árctico.

“Este é um dos mais distantes raios do norte do Alasca na memória de previsão meteorológica”, disse o NWS. Um meteorologista citado pelo Capital Weather Gang sustenta que o evento foi “certamente incomum e chamou a nossa atenção”.

Nos trópicos – ou mesmo nas latitudes médias -, as tempestades são comuns. Porém, é uma história completamente diferente sobre o Oceano Árctico. São necessários alguns ingredientes-chave para gerar raios, mas o principal deles é a instabilidade atmosférica. Especificamente, a atmosfera inferior deve ser quente e húmida, enquanto a camada acima é fria e seca. Esse tipo de ambiente ajuda a estimular a convecção, que, por sua vez, pode gerar nuvens altas com relâmpagos.

O Árctico não é estranho ao ar frio e seco. Mas condições quentes e húmidas no solo não são a norma para a região. Mas neste verão as temperaturas do Árctico aumentaram e o gelo do mar atingiu quase o recorde quase diário.

A number of lightning strikes were recorded Saturday evening (Aug. 10th) within 300 miles of the North Pole. The lightning strikes occurred near 85°N and 126°E. This lightning was detected by Vaisala’s GLD lightning detection network. #akwx

Há sinais de que as latitudes do norte estão a tornar-se mais propensas a tempestades eléctricas. De acordo com o Gizmodo, um artigo publicado em 2017 revelou que os incêndios provocados por raios aumentaram de 2 a 5% por ano nos últimos 40 anos. Com a mudança climática a aumentar o calor duas vezes mais rápido no Árctico do que no resto do mundo, é provável que as condições instáveis ​​necessárias para provocar um raio se possam tornar mais comuns no futuro.

Este verão foi particularmente estranho para o Árctico. De maciços incêndios florestais a um dos mais extensos derretimentos da camada de gelo da Gronelândia, esta estação do ano tem sido de crise para a zona norte do globo.

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18 Agosto, 2019

 

2437: No Canadá, o “turismo de icebergues” cresce alimentado pelas alterações climáticas

Jason Ardell / Flickr

A abundância de icebergues que deslizam do Pólo Norte para o Sul gerou uma nova atracção turística estreitamente vinculada à aceleração do aquecimento global.

Na hora do crepúsculo, um icebergue desaparece no mar, terminando a sua jornada da Gronelândia até Terra Nova, uma ilha do Canadá que tem vista privilegiada para assistir ao derretimento destes grandes blocos de gelo – para o fascínio dos visitantes que procuram a região nesta época do ano.

Outrora epicentro da pesca de bacalhau, a província de Terra Nova e Labrador recebe agora nas suas tranquilas aldeias costeiras hordas de fotógrafos amadores que vieram imortalizar os pedaços gigantes de gelo, cada vez em maior número, que desaguam no leste do Canadá no fim do inverno.

“Melhora de um ano para o outro. Cerca de 140 autocarros turísticos chegam à povoação a cada temporada, é bom para a economia“, disse Barry Strickland, ex-pescador de 58 anos que se tornou guia turístico em King’s Point, no norte de Terra Nova, à AFP. Há quatro anos, organiza excursões relacionadas com estes gigantes de gelo milenares que podem atingir dezenas de metros de altura e pesar centenas de milhares de toneladas.

À mercê dos ventos e das correntes, as calotas polares realizam uma viagem de milhares de quilómetros para o sul, aproximando-se da costa canadiana. Em poucas semanas, a sua água doce voltará para o oceano, depois de se ter mantido congelada.

As expedições na pequena embarcação de Barry com frequência enchem durante a “temporada alta de icebergues”, entre maio e Julho, e atraem para esta aldeia de 600 habitantes visitantes de todo o mundo. O menor movimento dos colossais blocos de gelo pode ser rastreado através de um mapa de satélite interactivo disponibilizado na Internet pelo governo da província.

“Não há muito o que fazer para os habitantes destas pequenas e isoladas cidades portuárias, de modo que o turismo é uma grande parte de nossa economia“, explica Devon Chaulk, empregado de uma loja de souvenirs em Elliston, uma aldeia de 300 habitantes situada na trajectória do “corredor de icebergues”.

“Vivi aqui toda a minha vida e o aumento do turismo nos últimos 10, 15 anos foi incrível”, conta entusiasmado Chaulk, de 28 anos.

No ano passado, mais de 500 mil turistas visitaram a província de Terra Nova, a mesma quantidade de residentes, e contribuíram para a economia local com cerca de 570 milhões de dólares canadianos (385 milhões de euros), segundo estimativas do governo local. O turismo suplantou parcialmente os rendimentos cada vez mais baixos da indústria da pesca, em crise devido à exploração excessiva do oceano no fim do século passado.

Mas, por trás dos icebergues, esconde-se uma realidade obscura: a aceleração do aquecimento global no Pólo Norte, que favorece o aparecimento de icebergues mas também faz com que a temporada seja cada vez mais imprevisível, o que prejudica as actividades que tiram benefício do fenómeno.

O Árctico aquece três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em Junho, a Gronelândia experimentou um derretimento de geleiras inédito para esta época do ano e temperaturas recorde foram registadas perto do Polo Norte em meados de Julho. Com os anos, os icebergues entram cada vez mais a sul, criando um risco para a navegação comercial nesta rota marítima que une a Europa com a América do Norte.

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Por ZAP
12 Agosto, 2019

 

2423: ONU quer mudanças na dieta para travar alterações climáticas

CIÊNCIA

Will Oliver / EPA

O aquecimento global só poderá ser travado com mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar, advertiram esta quinta-feira as Nações Unidas num relatório que servirá de base a futuras negociações sobre alterações climáticas.

Os cientistas responsáveis pelo relatório asseguram que comer menos carne e mais comida à base de plantas ajuda a combater as alterações climáticas, mas sublinham que o objectivo não é dizer aos consumidores o que devem comer, mas fazer recomendações para os líderes políticos.

O documento, aprovado ao final de cinco dias de reuniões científicas na 50.ª sessão do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, em Genebra, sustenta que uma “melhor gestão dos solos pode contribuir para travar as alterações climáticas”.

Pela primeira vez, os especialistas estabelecem uma relação directa entre as alterações climáticas e a degradação global dos solos – zonas mais áridas, perda de biodiversidade e desertificação – e alertam para um aumento das secas em regiões como o Mediterrâneo ou o sul de África devido ao aquecimento global.

Em outras zonas, como as florestas, os efeitos das mudanças climáticas podem incluir um maior risco de incêndios ou de pragas.

Segundo o estudo, um quarto das 70% de terras usadas para actividades humanas estão degradadas, com a expansão da agricultura e da silvicultura a contribuir para o aumento das emissões de C02, para a perda de ecossistemas e para a redução da biodiversidade. Insiste também na ameaça colocada pela desertificação e a necessidade de lutar contra este fenómeno.

O relatório, o segundo dos três pedidos ao IPCC após a assinatura do Acordo de Paris, que, em 2016, estabeleceu como meta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, servirá de base às futuras negociações dos estados signatários e deverá influenciar as discussões na cimeira anual sobre o clima, agendada para Dezembro em Santiago do Chile.

Os especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC e o documento prevê “riscos importantes” de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a “muito importantes” se o aquecimento for de 2°C.

O texto contém recomendações para que os governos promovam políticas de mudança do uso florestal e agrícola dos solos, tendo em conta que as florestas absorvem cerca de um terço das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Recomenda também a implementação de políticas que “reduzam o desperdício de comida e promovam a opção por determinados regimes alimentares” numa alusão a dietas menos carnívoras e que reduzam a população obesa ou com excesso de peso, estimada em mais de 2 mil milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, entre 35 e 30% da comida produzida no planeta é desperdiçada, enquanto se estima que 820 milhões de pessoas passem fome em todo o mundo. Combater este problema poderá reduzir a pressão de desflorestação com o objectivo de aumentar os solos agrícolas, considera o estudo, que aponta igualmente que a agricultura, silvicultura e criação de gado representam 23% do total de emissões de C02.

É proposto, por isso, retomar as práticas agrícolas, silvícolas e de produção de gado das populações indígenas, uma vez que, segundo o documento, a “sua experiência pode contribuir para os desafios que representam as alterações climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o combate à desertificação”.

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para “acções de curto prazo” contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no sector agrícola.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Agosto, 2019

 

2376: Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

© TVI24 Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de Julho, num discurso do príncipe Carlos.

Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

No ano passado, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências actuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

Para atingir este objectivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.

 

Estas são as datas a que deve prestar atenção

Os próximos 18 meses serão decisivos na agenda do clima em todos os países que fazem parte do Acordo de Paris.

O próximo encontro internacional sobre o tópico será num encontro especial do clima, marcado por António Guterres para o dia 23 de Setembro, para reafirmar a aplicabilidade dos compromissos assumidos no COP24.

Após esta reunião, os líderes mundiais tornam a encontrar-se em Santiago, no Chile, para o COP25.

O momento-chave das negociações do Acordo de Paris vai realizar-se no final de 2020, no Reino Unido, com o COP26.

Precisamos do COP26 para assegurar que os países têm intenções sérias quanto às suas obrigações, e isso significa que teremos de dar o exemplo. Juntos, temos de tomar todos os passos necessários para restringir o aquecimento global aos 1,5 graus”, disse o Secretário para o Ambiente britânico, Michael Gove, cujo governo enfrenta um desafio acrescido por causa da possibilidade do Brexit.

msn meteorologia
Susana Laires
26/07/2019

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2367: Primeiro glaciar “assassinado” pelas alterações climáticas ganhou um memorial na Islândia

Rice University

Okjökull é um dos 400 antigos glaciares que coroam as montanhas da Islândia – pelo menos até o aquecimento global o ter encolhido tanto que perdeu oficialmente o status de glaciar em 2014.

Ok – como é chamado – foi a primeira vítima da mudança climática na Islândia, mas provavelmente não será a última. As geleiras da Islândia estão a perder cerca de dez mil milhões de toneladas de gelo por ano e todas as 400 seguirão os passos de Ok até 2200.

Agora, para lembrar a perda de Ok e as centenas de outras geleiras islandesas que podem partilhar o mesmo destino, investigadores locais e dos EUA criaram uma placa comemorativa para marcar para sempre o local onde Ok se ergueu sobre a paisagem.

A placa, que será oficialmente dedicada numa cerimónia em 18 de Agosto no local do antigo glaciar, é endereçada simplesmente ao “futuro” e envia uma mensagem assustadoramente simples, escreve o Live Science.

Rice University

“Ok é o primeiro glaciar islandês a perder o seu status de glaciar”, diz a placa. “Nos próximos 200 anos, todos os nossos glaciares deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento reconhece que sabemos o que está a acontecer e o que precisa de ser feito”.

O texto conclui com “415ppm C02“, a proporção actual de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra – e provavelmente a maior quantidade que o nosso planeta já viu desde antes dos humanos evoluírem.

“Este será o primeiro monumento a um glaciar perdido devido à mudança climática em qualquer parte do mundo”, disse Cymene Howe, antropólogo da Universidade Rice, em Houston, e co-criador de um documentário de 2018 sobre Ok, em comunicado. “Marcando a morte de Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a expiração dos glaciares da Terra. Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

“Um dos nossos colegas islandeses disse muito sabiamente: ‘Memoriais não são para os mortos, são para os vivos ”, disse Howe. “Com este memorial, queremos ressaltar que nos cabe a nós, os vivos, responder colectivamente à rápida perda de glaciares e aos impactos contínuos das mudanças climáticas. Para Ok, já é tarde demais, é agora o que os cientistas chamam de “gelo morto”.

Howe e os seus colegas investigadores instalarão a placa como parte de uma “tour não glacial”, que partirá de Reykjavik e levará os participantes a uma caminhada gratuita para o antigo local de Ok.

ZAP //

Por ZAP
24 Julho, 2019

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2350: “Neve artificial” poderia salvar lençol de gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O lençol de gelo da Antárctida pode deslizar para o oceano e inundar as cidades costeiras. No entanto, esta catástrofe pode ser evitada se os Governos investirem num projecto de engenharia para cobrir a superfície com “neve artificial”.

Os cientistas acreditam que o aquecimento global já provocou tanto derretimento no pólo sul que o gigantesco lenço de gelo da Antárctida está em processo de desintegração, o que provocaria um eventual aumento global do nível da água do mar até três metros nos próximos séculos.

Mas uma equipa de cientistas do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha, acredita ter uma solução.

Os autores do mais recente estudo, publicado na Science Advances, propõem a utilização de 12 mil turbinas de vento para bombear água do mar a 1.500 metros de altura da superfície, local onde a água congelaria tornando-se numa espécie de neve que faria peso sobre a camada de gelo, impedindo assim que ela se dissolve-se ainda mais.

“Nós já acordamos o gigante do pólo sul”, começou por dizer Anders Levermann, professor e co-autor do artigo científico, citado pela Reuters, adiantando que estamos actualmente “num ponto sem retorno, se nada fizermos”.

Segundo o Straits Times, a quantidade necessária de neve para atingir os objectivos propostos seria de, pelo menos, 7,4 mil milhões de toneladas. Além disso, a operação teria obrigatoriamente de envolver centenas de canhões, alimentados por 12 mil turbinas eólicas, capazes de pulverizar água do mar numa área do tamanho da Costa Rica.

Este projecto ambicioso necessitaria de vários talentos da engenharia. Contudo, poderia também representar um risco ambiental significativo para uma das últimas áreas primitivas do planeta.

Citado pelo RT, Levermann admite que, se o projecto for realizado, terá “efeitos terríveis” na Antárctida, mas insiste que impedir o aumento global do nível do mar é uma “compensação desejável”.

ZAP //

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22 Julho, 2019

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2255: Há uma zona no Pacífico “imune” ao aquecimento global (e os cientistas já sabem porquê)

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Colúmbia, nos Estados Unidos, revelou o motivo pelo qual uma área do Oceano Pacífico é “imune” ao aquecimento global, segundo um novo estudo.

De acordo com a publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Climate Change, a equipa conseguiu explicar porque é que aquela “língua equatorial fria” – tal como são descritas pela comunidade científica – não aquece como todas as águas do mundo.

A área em causa, localizada ao longo do Equador e que se estende desde o Peru até ao Pacífico ocidental, permanece fria graças aos ventos alísios da região, que afastam a água quente da superfície, fomentando assim a elevação das águas frias das profundezas.

“Os ventos alísios sopram de leste a oeste através do Oceano Pacífico tropical”, explicou Richard Seager, autor principal do estudo e cientista daquela universidade norte-americana em declarações à Newsweek. “Devido à rotação da Terra, os ventos dirigem as águas” do oceano para o norte e para o sul do equador.

Segundo o mesmo site, e apesar do efeito destes ventos, esta área tem confundido a comunidade científica já há algum tempo, uma vez que os modelos computacionais avançados sobre o clima sugerem que as águas de “língua equatorial fria” deveriam estar a aquecer durante décadas a um ritmo superior ao do resto do Pacífico.

Contudo, esta área parece ser imune às alterações climáticas, uma vez os dados mostram que a temperatura das suas águas permanece relativamente baixa e estável.

A publicação recente considera, no entanto, que este fenómeno pode ser compatível como os modelos sobre o aquecimento global. “O descompasso entre as mudanças observadas na temperatura da língua fria nas últimas décadas e os modelos [do clima] é bastante surpreendente”, explicou Seager, dando conta que área deveria ter aquecido 0,8 graus Celsius ou mais nos últimos 60 anos, mas apenas aqueceu metade do esperado.

Através de simulações computorizadas, os cientistas descobriram que as línguas frias tendem a orientar-se para ambientes equatoriais “que têm uma humidade relativa muito alta e velocidades de vento muito baixas”, o que faz com que a temperatura da superfície do mar seja “muito sensível ao aumento de gases com efeito de estufa”, coisa que neste região não acontece uma vez que a “água fria que emerge de baixo”, rematou.

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1 Julho, 2019

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2224: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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