2464: O Pólo Norte está a ser atingido por relâmpagos (e isso não é normal)

CIÊNCIA

Mathias Krumbholz / wikimedia

Uma tempestade perto do Pólo Norte pode não parecer a maior preocupação, tendo em conta o rápido aquecimento do Árctico. Mas é mais um sinal de que o Árctico continua a ter um verão anormal.

A Terra é atingida por raios, cerca de 8 milhões de vezes por dia. São 100 ataques por minuto. Mas muito poucos desses raios atingem o nível norte do planeta – e muito raramente perto do Árctico. No entanto, no fim de semana passado, o escritório do Serviço Nacional de Meteorologia de Fairbanks relatou um raio a 482 quilómetros do Pólo Norte.

Brian Brettschneider, especialista em clima, destacou pela primeira vez a bizarra previsão do tempo no sábado. Os dados vieram do Global Lightning Dataset, um conjunto de dados criado de forma privada usando sensores implantados em todo o mundo que conseguem detectar raios a quase seis mil quilómetros de distância. Imagens de satélite confirmaram as tempestades sobre o Oceano Árctico.

“Este é um dos mais distantes raios do norte do Alasca na memória de previsão meteorológica”, disse o NWS. Um meteorologista citado pelo Capital Weather Gang sustenta que o evento foi “certamente incomum e chamou a nossa atenção”.

Nos trópicos – ou mesmo nas latitudes médias -, as tempestades são comuns. Porém, é uma história completamente diferente sobre o Oceano Árctico. São necessários alguns ingredientes-chave para gerar raios, mas o principal deles é a instabilidade atmosférica. Especificamente, a atmosfera inferior deve ser quente e húmida, enquanto a camada acima é fria e seca. Esse tipo de ambiente ajuda a estimular a convecção, que, por sua vez, pode gerar nuvens altas com relâmpagos.

O Árctico não é estranho ao ar frio e seco. Mas condições quentes e húmidas no solo não são a norma para a região. Mas neste verão as temperaturas do Árctico aumentaram e o gelo do mar atingiu quase o recorde quase diário.

A number of lightning strikes were recorded Saturday evening (Aug. 10th) within 300 miles of the North Pole. The lightning strikes occurred near 85°N and 126°E. This lightning was detected by Vaisala’s GLD lightning detection network. #akwx

Há sinais de que as latitudes do norte estão a tornar-se mais propensas a tempestades eléctricas. De acordo com o Gizmodo, um artigo publicado em 2017 revelou que os incêndios provocados por raios aumentaram de 2 a 5% por ano nos últimos 40 anos. Com a mudança climática a aumentar o calor duas vezes mais rápido no Árctico do que no resto do mundo, é provável que as condições instáveis ​​necessárias para provocar um raio se possam tornar mais comuns no futuro.

Este verão foi particularmente estranho para o Árctico. De maciços incêndios florestais a um dos mais extensos derretimentos da camada de gelo da Gronelândia, esta estação do ano tem sido de crise para a zona norte do globo.

ZAP //

Por ZAP
18 Agosto, 2019

 

2438: No Canadá, o “turismo de icebergues” cresce alimentado pelas alterações climáticas

Jason Ardell / Flickr

A abundância de icebergues que deslizam do Pólo Norte para o Sul gerou uma nova atracção turística estreitamente vinculada à aceleração do aquecimento global.

Na hora do crepúsculo, um icebergue desaparece no mar, terminando a sua jornada da Gronelândia até Terra Nova, uma ilha do Canadá que tem vista privilegiada para assistir ao derretimento destes grandes blocos de gelo – para o fascínio dos visitantes que procuram a região nesta época do ano.

Outrora epicentro da pesca de bacalhau, a província de Terra Nova e Labrador recebe agora nas suas tranquilas aldeias costeiras hordas de fotógrafos amadores que vieram imortalizar os pedaços gigantes de gelo, cada vez em maior número, que desaguam no leste do Canadá no fim do inverno.

“Melhora de um ano para o outro. Cerca de 140 autocarros turísticos chegam à povoação a cada temporada, é bom para a economia“, disse Barry Strickland, ex-pescador de 58 anos que se tornou guia turístico em King’s Point, no norte de Terra Nova, à AFP. Há quatro anos, organiza excursões relacionadas com estes gigantes de gelo milenares que podem atingir dezenas de metros de altura e pesar centenas de milhares de toneladas.

À mercê dos ventos e das correntes, as calotas polares realizam uma viagem de milhares de quilómetros para o sul, aproximando-se da costa canadiana. Em poucas semanas, a sua água doce voltará para o oceano, depois de se ter mantido congelada.

As expedições na pequena embarcação de Barry com frequência enchem durante a “temporada alta de icebergues”, entre maio e Julho, e atraem para esta aldeia de 600 habitantes visitantes de todo o mundo. O menor movimento dos colossais blocos de gelo pode ser rastreado através de um mapa de satélite interactivo disponibilizado na Internet pelo governo da província.

“Não há muito o que fazer para os habitantes destas pequenas e isoladas cidades portuárias, de modo que o turismo é uma grande parte de nossa economia“, explica Devon Chaulk, empregado de uma loja de souvenirs em Elliston, uma aldeia de 300 habitantes situada na trajectória do “corredor de icebergues”.

“Vivi aqui toda a minha vida e o aumento do turismo nos últimos 10, 15 anos foi incrível”, conta entusiasmado Chaulk, de 28 anos.

No ano passado, mais de 500 mil turistas visitaram a província de Terra Nova, a mesma quantidade de residentes, e contribuíram para a economia local com cerca de 570 milhões de dólares canadianos (385 milhões de euros), segundo estimativas do governo local. O turismo suplantou parcialmente os rendimentos cada vez mais baixos da indústria da pesca, em crise devido à exploração excessiva do oceano no fim do século passado.

Mas, por trás dos icebergues, esconde-se uma realidade obscura: a aceleração do aquecimento global no Pólo Norte, que favorece o aparecimento de icebergues mas também faz com que a temporada seja cada vez mais imprevisível, o que prejudica as actividades que tiram benefício do fenómeno.

O Árctico aquece três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em Junho, a Gronelândia experimentou um derretimento de geleiras inédito para esta época do ano e temperaturas recorde foram registadas perto do Polo Norte em meados de Julho. Com os anos, os icebergues entram cada vez mais a sul, criando um risco para a navegação comercial nesta rota marítima que une a Europa com a América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2019

 

2424: ONU quer mudanças na dieta para travar alterações climáticas

CIÊNCIA

Will Oliver / EPA

O aquecimento global só poderá ser travado com mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar, advertiram esta quinta-feira as Nações Unidas num relatório que servirá de base a futuras negociações sobre alterações climáticas.

Os cientistas responsáveis pelo relatório asseguram que comer menos carne e mais comida à base de plantas ajuda a combater as alterações climáticas, mas sublinham que o objectivo não é dizer aos consumidores o que devem comer, mas fazer recomendações para os líderes políticos.

O documento, aprovado ao final de cinco dias de reuniões científicas na 50.ª sessão do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, em Genebra, sustenta que uma “melhor gestão dos solos pode contribuir para travar as alterações climáticas”.

Pela primeira vez, os especialistas estabelecem uma relação directa entre as alterações climáticas e a degradação global dos solos – zonas mais áridas, perda de biodiversidade e desertificação – e alertam para um aumento das secas em regiões como o Mediterrâneo ou o sul de África devido ao aquecimento global.

Em outras zonas, como as florestas, os efeitos das mudanças climáticas podem incluir um maior risco de incêndios ou de pragas.

Segundo o estudo, um quarto das 70% de terras usadas para actividades humanas estão degradadas, com a expansão da agricultura e da silvicultura a contribuir para o aumento das emissões de C02, para a perda de ecossistemas e para a redução da biodiversidade. Insiste também na ameaça colocada pela desertificação e a necessidade de lutar contra este fenómeno.

O relatório, o segundo dos três pedidos ao IPCC após a assinatura do Acordo de Paris, que, em 2016, estabeleceu como meta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, servirá de base às futuras negociações dos estados signatários e deverá influenciar as discussões na cimeira anual sobre o clima, agendada para Dezembro em Santiago do Chile.

Os especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC e o documento prevê “riscos importantes” de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a “muito importantes” se o aquecimento for de 2°C.

O texto contém recomendações para que os governos promovam políticas de mudança do uso florestal e agrícola dos solos, tendo em conta que as florestas absorvem cerca de um terço das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Recomenda também a implementação de políticas que “reduzam o desperdício de comida e promovam a opção por determinados regimes alimentares” numa alusão a dietas menos carnívoras e que reduzam a população obesa ou com excesso de peso, estimada em mais de 2 mil milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, entre 35 e 30% da comida produzida no planeta é desperdiçada, enquanto se estima que 820 milhões de pessoas passem fome em todo o mundo. Combater este problema poderá reduzir a pressão de desflorestação com o objectivo de aumentar os solos agrícolas, considera o estudo, que aponta igualmente que a agricultura, silvicultura e criação de gado representam 23% do total de emissões de C02.

É proposto, por isso, retomar as práticas agrícolas, silvícolas e de produção de gado das populações indígenas, uma vez que, segundo o documento, a “sua experiência pode contribuir para os desafios que representam as alterações climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o combate à desertificação”.

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para “acções de curto prazo” contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no sector agrícola.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Agosto, 2019

 

2377: Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

© TVI24 Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de Julho, num discurso do príncipe Carlos.

Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

No ano passado, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências actuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

Para atingir este objectivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.

 

Estas são as datas a que deve prestar atenção

Os próximos 18 meses serão decisivos na agenda do clima em todos os países que fazem parte do Acordo de Paris.

O próximo encontro internacional sobre o tópico será num encontro especial do clima, marcado por António Guterres para o dia 23 de Setembro, para reafirmar a aplicabilidade dos compromissos assumidos no COP24.

Após esta reunião, os líderes mundiais tornam a encontrar-se em Santiago, no Chile, para o COP25.

O momento-chave das negociações do Acordo de Paris vai realizar-se no final de 2020, no Reino Unido, com o COP26.

Precisamos do COP26 para assegurar que os países têm intenções sérias quanto às suas obrigações, e isso significa que teremos de dar o exemplo. Juntos, temos de tomar todos os passos necessários para restringir o aquecimento global aos 1,5 graus”, disse o Secretário para o Ambiente britânico, Michael Gove, cujo governo enfrenta um desafio acrescido por causa da possibilidade do Brexit.

msn meteorologia
Susana Laires
26/07/2019

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2368: Primeiro glaciar “assassinado” pelas alterações climáticas ganhou um memorial na Islândia

Rice University

Okjökull é um dos 400 antigos glaciares que coroam as montanhas da Islândia – pelo menos até o aquecimento global o ter encolhido tanto que perdeu oficialmente o status de glaciar em 2014.

Ok – como é chamado – foi a primeira vítima da mudança climática na Islândia, mas provavelmente não será a última. As geleiras da Islândia estão a perder cerca de dez mil milhões de toneladas de gelo por ano e todas as 400 seguirão os passos de Ok até 2200.

Agora, para lembrar a perda de Ok e as centenas de outras geleiras islandesas que podem partilhar o mesmo destino, investigadores locais e dos EUA criaram uma placa comemorativa para marcar para sempre o local onde Ok se ergueu sobre a paisagem.

A placa, que será oficialmente dedicada numa cerimónia em 18 de Agosto no local do antigo glaciar, é endereçada simplesmente ao “futuro” e envia uma mensagem assustadoramente simples, escreve o Live Science.

Rice University

“Ok é o primeiro glaciar islandês a perder o seu status de glaciar”, diz a placa. “Nos próximos 200 anos, todos os nossos glaciares deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento reconhece que sabemos o que está a acontecer e o que precisa de ser feito”.

O texto conclui com “415ppm C02“, a proporção actual de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra – e provavelmente a maior quantidade que o nosso planeta já viu desde antes dos humanos evoluírem.

“Este será o primeiro monumento a um glaciar perdido devido à mudança climática em qualquer parte do mundo”, disse Cymene Howe, antropólogo da Universidade Rice, em Houston, e co-criador de um documentário de 2018 sobre Ok, em comunicado. “Marcando a morte de Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a expiração dos glaciares da Terra. Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

“Um dos nossos colegas islandeses disse muito sabiamente: ‘Memoriais não são para os mortos, são para os vivos ”, disse Howe. “Com este memorial, queremos ressaltar que nos cabe a nós, os vivos, responder colectivamente à rápida perda de glaciares e aos impactos contínuos das mudanças climáticas. Para Ok, já é tarde demais, é agora o que os cientistas chamam de “gelo morto”.

Howe e os seus colegas investigadores instalarão a placa como parte de uma “tour não glacial”, que partirá de Reykjavik e levará os participantes a uma caminhada gratuita para o antigo local de Ok.

ZAP //

Por ZAP
24 Julho, 2019

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2351: “Neve artificial” poderia salvar lençol de gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O lençol de gelo da Antárctida pode deslizar para o oceano e inundar as cidades costeiras. No entanto, esta catástrofe pode ser evitada se os Governos investirem num projecto de engenharia para cobrir a superfície com “neve artificial”.

Os cientistas acreditam que o aquecimento global já provocou tanto derretimento no pólo sul que o gigantesco lenço de gelo da Antárctida está em processo de desintegração, o que provocaria um eventual aumento global do nível da água do mar até três metros nos próximos séculos.

Mas uma equipa de cientistas do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha, acredita ter uma solução.

Os autores do mais recente estudo, publicado na Science Advances, propõem a utilização de 12 mil turbinas de vento para bombear água do mar a 1.500 metros de altura da superfície, local onde a água congelaria tornando-se numa espécie de neve que faria peso sobre a camada de gelo, impedindo assim que ela se dissolve-se ainda mais.

“Nós já acordamos o gigante do pólo sul”, começou por dizer Anders Levermann, professor e co-autor do artigo científico, citado pela Reuters, adiantando que estamos actualmente “num ponto sem retorno, se nada fizermos”.

Segundo o Straits Times, a quantidade necessária de neve para atingir os objectivos propostos seria de, pelo menos, 7,4 mil milhões de toneladas. Além disso, a operação teria obrigatoriamente de envolver centenas de canhões, alimentados por 12 mil turbinas eólicas, capazes de pulverizar água do mar numa área do tamanho da Costa Rica.

Este projecto ambicioso necessitaria de vários talentos da engenharia. Contudo, poderia também representar um risco ambiental significativo para uma das últimas áreas primitivas do planeta.

Citado pelo RT, Levermann admite que, se o projecto for realizado, terá “efeitos terríveis” na Antárctida, mas insiste que impedir o aumento global do nível do mar é uma “compensação desejável”.

ZAP //

Por ZAP
22 Julho, 2019

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2256: Há uma zona no Pacífico “imune” ao aquecimento global (e os cientistas já sabem porquê)

CIÊNCIA

(CC0/PD) Mariamichelle / pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Colúmbia, nos Estados Unidos, revelou o motivo pelo qual uma área do Oceano Pacífico é “imune” ao aquecimento global, segundo um novo estudo.

De acordo com a publicação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Nature Climate Change, a equipa conseguiu explicar porque é que aquela “língua equatorial fria” – tal como são descritas pela comunidade científica – não aquece como todas as águas do mundo.

A área em causa, localizada ao longo do Equador e que se estende desde o Peru até ao Pacífico ocidental, permanece fria graças aos ventos alísios da região, que afastam a água quente da superfície, fomentando assim a elevação das águas frias das profundezas.

“Os ventos alísios sopram de leste a oeste através do Oceano Pacífico tropical”, explicou Richard Seager, autor principal do estudo e cientista daquela universidade norte-americana em declarações à Newsweek. “Devido à rotação da Terra, os ventos dirigem as águas” do oceano para o norte e para o sul do equador.

Segundo o mesmo site, e apesar do efeito destes ventos, esta área tem confundido a comunidade científica já há algum tempo, uma vez que os modelos computacionais avançados sobre o clima sugerem que as águas de “língua equatorial fria” deveriam estar a aquecer durante décadas a um ritmo superior ao do resto do Pacífico.

Contudo, esta área parece ser imune às alterações climáticas, uma vez os dados mostram que a temperatura das suas águas permanece relativamente baixa e estável.

A publicação recente considera, no entanto, que este fenómeno pode ser compatível como os modelos sobre o aquecimento global. “O descompasso entre as mudanças observadas na temperatura da língua fria nas últimas décadas e os modelos [do clima] é bastante surpreendente”, explicou Seager, dando conta que área deveria ter aquecido 0,8 graus Celsius ou mais nos últimos 60 anos, mas apenas aqueceu metade do esperado.

Através de simulações computorizadas, os cientistas descobriram que as línguas frias tendem a orientar-se para ambientes equatoriais “que têm uma humidade relativa muito alta e velocidades de vento muito baixas”, o que faz com que a temperatura da superfície do mar seja “muito sensível ao aumento de gases com efeito de estufa”, coisa que neste região não acontece uma vez que a “água fria que emerge de baixo”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
1 Julho, 2019

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2225: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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A “grande probabilidade” da humanidade extinguir-se em 30 anos

CIÊNCIA

Deserto (Reuters) © TVI24 Deserto (Reuters)

Já lá vai o tempo em que os cientistas e a população consideravam que as alterações climáticas seriam um problema que só afectaria as gerações futuras. A comunidade científica está a apelar aos governos para tomarem atitudes drásticas para conter um aquecimento devastador, e até mesmo fatal, para o planeta e que pode acontecer mais depressa do que se pensava.

Um novo estudo, publicado na terça-feira, alerta para o risco de extinção da própria humanidade nas próximas décadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes. A investigação do Breakthrough National Centre for Climate Restoration, na Austrália, aponta para “a grande probabilidade de a civilização humana chegar ao fim” em 30 anos se as tendências actuais permanecerem inalteradas.

Segundo as conclusões, grande parte da Terra vai apresentar condições climatéricas “para lá do limiar da sobrevivência humana”, em 2050. Este cenário apocalíptico teve em conta prospeções científicas recentes, caso os objectivos do Acordo de Paris falhem, algo que se avizinha provável, de acordo com vários estudos e com o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Com base nas previsões, este grupo de cientistas desenhou a seguinte timeline:

De acordo com o relatório, em 2050, 55% da população mundial estaria sujeita a mais de 20 dias anuais de calor superior ao aceitável pelo organismo humano. Em vários países africanos, estas ondas de temperaturas elevadas durariam mais de 100 dias por ano, afectando a agricultura e a possibilidade de produzir bens alimentares.

Aliado ao calor, a Terra seria atormentada por eventos meteorológicos extremos, como secas, incêndios florestais e cheias.

A falta de recursos e mantimentos poderia adensar as tensões sociais em muitos países, fazer proliferar doenças e pandemias e, até, levar a uma guerra à escala mundial, que culminaria, por fim, na extinção da humanidade.

Será que estamos a caminhar para este desastre apocalíptico?

O estudo aponta que estas são previsões “extremas”, que, no pior cenário possível, culminariam com “o fim da civilização humana”. Contudo, os cientistas afirmam que é possível limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius se os governos se aliarem e agirem imediatamente.

Um conselho que foi já dado, vezes sem conta, pelo Secretário-Geral da ONU. Há dois anos, enquanto discursava na Web Summit, António Guterres admitiu que “o Acordo de Paris não é suficiente e mesmo que os objectivos do comité sejam alcançados, as temperaturas vão subir mais de três graus [até ao final do século] e também é claro que nem todos os países estão a cumprir aquilo que foi estabelecido”.

Num discurso mais recente, em Setembro de 2018, numa conferência especial do clima, salientou que, se os governos de todo o mundo não tomarem medidas para deter o aquecimento global até 2020, corremos o risco de perder a batalha contra as alterações climáticas.

Em Novembro do mesmo ano, um relatório da ONU deu mais algumas más notícias sobre os progressos (ou a falta deles) no ambiente desde que o Acordo de Paris foi assinado. Segundo o “Emissions Gap Report 2018”, as nações de todo o mundo estão a falhar a tarefa de limitar o aquecimento global em 2 graus e precisam do triplo dos esforços para atingir os objectivos até 2030.

O relatório anual afirmava ainda que, em vez de diminuir, o nível global de emissões de CO2 aumentou em 2017 0,7 giga-toneladas, fixando-se agora em 53,5 giga-toneladas. Para limitar o aquecimento global em 1,5 graus, as emissões de gases com efeito de estufa devem ser reduzidas em 55% até 2030, e em 25% para travar um aquecimento de 2 graus.

Durante a abertura da cimeira COP24, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, garantiu que, ao ritmo que estamos a testemunhar as mudanças hoje em dia,a humanidade está em “risco de desaparecer. Precisamos de tomar acções urgentes e com audácia. Sejam ambiciosos, mas também responsáveis pelas gerações futuras”.

O retrato negro desta “futurologia climática” não se fica por aqui. Segundo um estudo publicado pelo Met Office, do Reino Unido, a média de temperaturas globais na Terra pode ultrapassar os objectivos do Acordo de Paris em apenas cinco anos. Os cientistas desta instituição estão a prever um aumento provável da temperatura em mais de 1 grau, até 1,5 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais antes de 2022.

As previsões vão também ao encontro das conclusões publicadas num relatório da Organização Meteorológica Mundial, divulgado em Novembro do ano passado. Os dados recolhidos pela instituição apontam para um provável aumento das temperaturas globais entre 3 e 5 graus Celsius até ao final do século.

Neste documento foram ainda publicados os seguintes indicadores preocupantes:

Os modelos climáticos para as mudanças possíveis provocadas pelas alterações climáticas já fizeram correr muita tinta nos últimos anos, mas um estudo destacou-se em relação aos restantes, pela firmeza com que sublinhou que os cenários mais pessimistas do clima “são os mais fiáveis“. Esta investigação, publicada no jornal “Nature”, indica que, se as emissões seguirem as tendências actuais, há 93% de hipóteses de o aquecimento global ultrapassar os 4 graus até ao final deste século.

A ciência mostra-nos também hoje que aqueles que nas últimas décadas se dedicaram ao estudo do aquecimento global falharam importantes previsões. Não souberem quantificar a dimensão e a gravidade que estão a assumir os fogos florestais, as secas, as chuvas e as tempestades; falharam na avaliação do degelo na Antárctida e na Gronelândia, bem como na sua implicação para a subida do nível do mar; e falharam na identificação de uma série de problemas de saúde pública, que matam já milhares de pessoas por ano.

Dados recentes deixam preocupações crescentes com o ambiente

A luz ao fundo do túnel

O ano de 2030 parece ser apontado como a meta para salvar ou condenar o planeta Terra. De acordo com a ONU, temos 11 anos para limitar o aquecimento global em 1,5 graus. As Nações Unidas garantem que, para isso, são necessárias “transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade“.

Para tal, a ONU aponta que é necessário limitar a produção de gases com efeito de estufa, que, apesar de terem crescido em 2017, viram uma estagnação nos dois anos precedentes.

Para além disto, os especialistas salientam que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode salvar mais de um milhão de vidas por ano. Para isto, os países que assinaram o tratado foram chamados a assinar um “manual de condutas” para assegurar que todos os objectivos são cumpridos, na cimeira do COP24, que se realizou em Dezembro de 2018.

Para além disto, estão a ser desenvolvidas tecnologias que visam combater as alterações climáticas. A força crescente das energias renováveis está já a impedir que milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera.

Esta diminuição pode ainda ser especialmente sentida em Portugal que, de acordo com dados da Eurostat, reduziu emissões de CO2 em 9%, mais do triplo da média europeia (2,6%).

Por fim, há ainda a esperança que os EUA voltem a integrar o Acordo de Paris e a juntar forças com os restantes países do mundo para tentar travar o aquecimento global.

msn notícias
tvi24
Susana Laires



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Greve climática: para dizer que “o rei vai nu” é preciso uma criança, muitas crianças

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Milhares de jovens de mais de 100 países fazem esta sexta-feira uma nova greve estudantil, em protesto pela inacção dos governos em relação às alterações climáticas. Em Portugal, a greve deve realizar-se em 51 localidades – com estudantes a prometerem manifestações, às quais se juntam organizações não-governamentais e a sociedade civil

A iniciativa partiu da ideia de uma jovem sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que desde o ano passado iniciou uma greve às aulas, uma forma de chamar a atenção para a necessidade de mais acção para fazer face às alterações climáticas. A meio da semana, Greta dava conta de que já tinham aderido às manifestações de sexta-feira 1 387 locais de 111 países.

Por cá, o professor e ambientalista Viriato Soromenho-Marques considera que as manifestações de jovens a favor do clima são um sinal de esperança e cita Hans Christian Andersen afirmando que foi preciso uma criança para dizer que “o rei vai nu”.

“Para dizer que ‘o rei vai nu’ é preciso uma criança, porque nós os adultos já estamos todos envolvidos nas nossas carreiras, na educação dos nossos filhos, responsabilidades familiares e económicas. Não nos queremos preocupar ao ponto de ficarmos paralisados e angustiados”, disse o professor de Filosofia da Universidade de Lisboa e ambientalista, em entrevista à Lusa.

Deputados reconhecem problemas, mas resistem…

Já o presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares disse à Lusa que toda a Assembleia da República assume que as alterações climáticas têm origem na actividade humana, que são um problema e que têm consequências devastadoras, nomeadamente para o sul da Europa, “mas depois em relação a medidas concretas há muita hesitação ainda”.

Questionado pela Lusa sobre o que fez o Parlamento na presente legislatura para fazer face às alterações climáticas. A dificuldade, respondeu Pedro Soares, está na concretização.

Foi aprovado um quadro estratégico para a política climática, há um programa e estratégia para a adaptação às alterações climáticas, há um roteiro para a neutralidade carbónica, há o Acordo de Paris aprovado para a legislação nacional, mas existe “alguma dificuldade na concretização de medidas”. “Artilhados com este conjunto de diplomas devíamos dar passos muito mais rápidos”, disse Pedro Soares.

O consenso entre os candidatos às europeias

A greve coincide com o último dia de campanha para as eleições europeias e parece ser dos poucos temas que reúne consenso, da esquerda à direita, como se constata perante os testemunhos recolhidos pela agência Lusa junto dos cabeças-de-lista dos partidos parlamentares.

Candidatos às europeias estão de acordo sobre alterações climáticas
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Para o candidato do PS, Pedro Marques, o tema das alterações climáticas terá de continuar no “centro da agenda” europeia, considerando que é preciso “fazer mais”, embora a Europa esteja no bom caminho. “Não deixar que as alterações climáticas saiam do centro da agenda da Europa é uma das nossas prioridades”, assumiu Pedro Marques, saudando os jovens por mostrarem “que esta geração se preocupa com a sustentabilidade” do planeta, a propósito da greve agendada para dia 24.

O cabeça de lista socialista elegeu a descarbonização da mobilidade nos transportes, a utilização de energias renováveis e a redução da utilização de plásticos como algumas das medidas que devem ser tomadas no combate às alterações climáticas.

“Fomos ambiciosos na Europa na definição de metas e estamos no bom caminho por exemplo, em Portugal, na área das energias renováveis”, destacou, acrescentando que foi também dado agora “um passo muito importante” no transporte público com a medida dos passes sociais.

Pedro Marques considerou, no entanto, que é necessário “agir muito mais”, porque 2050 “é já” e para se atingir a neutralidade carbónica nesse ano, em todo o mundo, “os jovens em particular exigem mais acção agora”, por parte da Europa.

Já a número dois do PSD às europeias defende que tem de ser a Europa a liderar o combate às alterações climáticas, e aponta como prioridades nesta área a limpeza dos oceanos e a aposta na transição energética.

“Vejo uma juventude mobilizada num assunto que lhes toca porque põe em causa esta geração e as gerações futuras”, considera Lídia Pereira, a mais nova candidata do PSD (27 anos) ao Parlamento Europeu, defendendo que o PSD “foi um pioneiro” nestes temas com nomes como Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Admite que, se ainda fosse estudante, se poderia juntar a uma destas greves, mas empenhar-se-ia mais na mobilização de colegas e amigos, por considerar que a mudança parte também muito dos comportamentos individuais.

A nível global, apela uma posição de liderança da União Europeia. “Se não for a Europa a ter a liderança nesta questão… a Ásia não trata o plástico, nos Estados Unidos há uma semana Mike Pompeo [secretário de Estado] dizia que o degelo no Árctico é uma oportunidade económica… Se nós não pegarmos nesta causa de uma vez por todas, não vamos conseguir avançar”, alertou.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O cabeça de lista europeu da CDU expressou compreensão pelas preocupações e inquietações do movimento mundial de jovens pela defesa do ambiente, que vai realizar nova greve climática na sexta-feira, mas recusou qualquer conflito de gerações.

“Compreendemos as preocupações e inquietações de muitas pessoas pelo mundo fora relativamente aos impactos no ambiente e, particularmente, na composição da atmosfera e, consequentemente, em alterações climáticas decorrentes de alterações induzidas pelo Homem”, disse à Lusa João Ferreira.

“Revemo-nos nessas preocupações e inquietações. Entendemos que isto não é propriamente um conflito de gerações. É um problema que tem a ver com o sistema económico e social dominante à escala global. É um problema inerente ao modo de produção capitalista e que tem de encontrar uma solução no quadro de um outro sistema que proporcione uma relação sustentável e harmoniosa entre o Homem e a Natureza”, afirmou o eurodeputado comunista.

A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, pede aos jovens que não desistam das manifestações pelo clima, mas avisa que se no domingo não se mobilizarem “para traduzir esse grito em voto, vão ter mais do mesmo”.

O combate às alterações climáticas é, precisamente, um dos três pilares do BE para estas eleições europeias, tendo Marisa Matias falado com a agência Lusa a propósito da greve mundial de estudantes pelo clima, marcada para sexta-feira.

“O que eu tenho a dizer a esses jovens é que não podemos restringir a política ao espaço das instituições, ela tem que ser feita também a partir das ruas e é fundamental que continuem a fazer as suas manifestações e reivindicações, mas que se não se mobilizarem para traduzir esse grito em voto, o que vão ter é mais do mesmo, e não é apenas com as manifestações que vão conseguir mudar o sistema e o sistema tem que ser mudado”, avisou.

Assim, a eurodeputada bloquista recandidata pede aos jovens que não desistam das manifestações porque “essa pressão é precisa na rua”. “Mas, ao mesmo tempo, não desperdicem o direito que têm, que é o direito de voto, para poderem ajudar realmente a começar o combate às alterações climáticas”, apela.

Este grito dos jovens, na perspectiva de Marisa Matias, “é necessário”, lembrando que começou por “assistir a essas greves climáticas a partir de Bruxelas e as ruas enchiam”. “É um grito fundamental, é mesmo uma das questões políticas centrais, como aliás, provavelmente, já vos tenho maçado muito ao longo desta campanha”, aponta, em jeito de brincadeira, referindo-se aos discursos que tem feito ao longo desta campanha.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Nuno Melo, eurodeputado e candidato do CDS-PP às europeias, aponta a mudança de mentalidades dos mais jovens quanto ao ambiente como um dos trunfos para a resposta na defesa do planeta, em vésperas da greve climática estudantil.

A dias da greve mundial de 24 de Maio, Melo acenou com as propostas do seu partido nas actuais eleições europeias como prioridades e respostas possíveis para o problema, mas antes assinalou, em declarações à agência Lusa, os progressos que deteta na mudança de mentalidades.

“O mundo altera-se quando as mentalidades mudam. Isso normalmente é o mais difícil e por isso é difícil alterar os hábitos dos mais velhos. Mas perceber que os mais novos têm essa preocupação, esses mais novos que não tarda muito, estarão a liderar, pode ser talvez a principal das diferenças”, afirmou.

A agenda do ambiente, adoptada pelo CDS-PP para a campanha destas europeias, é também uma das prioridades possíveis para responder aos desafios que os jovens colocam aos responsáveis políticos de hoje. O combate às alterações climáticas é uma delas, com Nuno Melo a sublinhar que, independentemente de uma resposta global, deve ser tida em conta a realidade de cada país.

Já o PAN saúda a greve mundial dos estudantes pelo clima de sexta-feira, defendendo uma declaração de “estado de emergência climático”, acompanhada de medidas para a independência energética renovável e soberania alimentar.

“A nossa primeira medida é declarar o estado de emergência climático, que terá de ser acompanhado de um plano de transição económico e social, para se criar empregos 100% verdes, com qualidade e de longo prazo, fazer a transição para uma economia descarbonizada, descentralização da produção, consumo e distribuição do consumo de energia 100% renovável”, defendeu Francisco Guerreiro em declarações à Lusa.

O cabeça de lista do PAN às eleições europeias de domingo agradeceu aos jovens a sua acção pelo ambiente, sublinhando o “modo político mas apartidário” com que têm agido: “Isso é relevante, unir-nos em torno de causas.”

As alterações climáticas são, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o maior problema da humanidade, e vão afetar dramaticamente o futuro se nada de substancial for feito.

As emissões de gases com efeito de estufa, que os países tentaram controlar no Acordo de Paris de 2015, mas que continuam a aumentar, estão já a afectar o clima e a natureza das mais diversas formas, segundo os cientistas.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Alguns dos pontos essenciais relacionados com as alterações climáticas:

Acordo de Paris

Numa conferência da ONU em Paris, em Dezembro de 2015, surgiu o chamado Acordo de Paris, segundo o qual a quase totalidade dos países do mundo se comprometeram a limitar o aumento da temperatura média global abaixo dos dois graus celsius (2ºC) em relação à época pré-industrial. Está provado que a temperatura no planeta tem vindo a aumentar e que tal se deve à acção humana. O Acordo de Paris pretende limitar esse aquecimento a menos de 2ºC e que de preferência não ultrapasse os 1,5ºC.

IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), formado por cientistas e sob os auspícios da ONU, lançou em Outubro do ano passado um relatório científico segundo o qual é urgente que se tomem medidas para impedir que o aumento da temperatura exceda os 1,5ºC, salientando que as consequências de esse aumento ser de 2ºC são muito piores. Não ultrapassar até ao fim do século os 1,5ºC de aumento de temperatura significa reduzir em 45% até 2030 as emissões de dióxido de carbono.

A actividade humana provocou já o aumento da temperatura em 1ºC. Com um aumento de 0,2ºC por década os 1,5ºC serão atingidos em 2040, se nada for feito.

Aquecimento global

O aquecimento global é o nome que se dá ao aumento da temperatura sentido no planeta, seja na atmosfera seja nos oceanos, devido à actividade humana, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Substituir os combustíveis fósseis por energia limpa, como a eólica ou solar, diminui substancialmente a emissão de gases com efeito de estufa.

Estudantes pelo clima em Dresden (Alemanha)
© EPA/FILIP SINGER

Muitos países, entre eles Portugal, já anunciaram medidas de transição e eficiência energética para as próximas décadas, ainda que de concreto nada de substancial tenha sido feito.

O aquecimento global tem efeitos na diminuição das calotes polares, na subida do nível das águas do mar, na acidificação dos oceanos, na destruição de ecossistemas e na diminuição e extinção de espécies, e provoca fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais intensos e frequentes.

Acidificação

A grande quantidade de dióxido de carbono lançado para a atmosfera, que provoca o chamado “efeito de estufa”, faz também com que aumente a quantidade de dióxido de carbono que se dissolve na água do mar.

Na ligação do dióxido de carbono com a água do mar forma-se o ácido carbónico, que acidifica e que se transforma, contribuindo para a acidificação. Estudos que têm sido divulgados indicam que o ph (nível de alcalinidade, neutralidade ou acidez da água) está a mudar e que a acidez dos oceanos aumentou 30%.

A acidificação pode afectar animais com conchas, algas e corais, mudar habitats e reduzir espécies (o bacalhau, por exemplo, segundo um estudo recente). Há estudos que alertam que se nada for feito o aumento da acidificação pode acabar com toda a vida nos oceanos.

Impactos nos ecossistemas

À destruição da biodiversidade causada directamente pelo Homem junta-se a destruição causada pelas alterações climáticas. Segundo um relatório científico divulgado em Abril passado, um quarto de 100 mil espécies avaliadas pode extinguir-se, seja por pressões causadas pelo homem seja pelas alterações climáticas. Os cientistas dizem que a extinção de espécies está a ocorrer a uma rapidez nunca antes registada.

Já este mês um relatório das Nações Unidas alertava que está ameaçado um milhão das oito milhões de espécies animais e vegetais que se estima existirem na Terra, sendo as alterações climáticas uma das causas directas.

Especialistas e investigadores têm ciclicamente divulgado estudos alertando para o declínio de espécies pela deterioração ou destruição de ecossistemas. E há pelo menos um estudo que diz que a maior extinção em massa do planeta aconteceu devido às alterações climáticas.

Estudantes protestam em Bona (Alemanha)
© EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Degelo dos pólos e dos glaciares e subida do nível das águas do mar

O aumento da temperatura na Terra também se faz sentir nos pólos levando a que as massas de gelo derretam mais rapidamente. Há dois meses, na IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, no Quénia, foi apresentado um relatório segundo o qual a temperatura do Árctico vai aumentar entre 3ºC a 5ºC até 2050. Para a Antárctida também têm sido apresentados estudos com dados similares.

O degelo nos pólos, onde o aumento da temperatura é superior à média, e o recuo dos glaciares afecta também a biodiversidade e as espécies que ali habitam (incluindo o Homem) e levará ao aumento do nível as águas do mar.

Especialistas estimam que o gelo marinho do Árctico tenha diminuído 40% desde 1979 e que os Verões na região deixarão de ser gelados antes de 2030, a continuarem as actuais emissões de dióxido de carbono.

Um trabalho publicado em Fevereiro na revista científica Nature indica que o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida vai causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, com os investigadores a alertarem que com a actual emissão global de CO2 as temperaturas irão subir 03ºC a 04ºC.

Uma equipa de investigadores da Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos diz que vai haver uma subida acentuada do nível do mar a partir de 2065. E outra alerta para que os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050.

A subida do nível do mar vai levar ao desaparecimento de zonas ribeirinhas e pode mesmo submergir países inteiros. As ilhas Fiji ou as ilhas Marshall por exemplo. Um estudo científico desta semana alerta para uma subida do nível do mar que pode atingir os dois metros.

Fenómenos meteorológicos extremos

Fenómenos meteorológicos extremos – ondas de calor, chuvas fortes, tempestades e inundações, períodos extensos de seca – decorrentes das alterações climáticas são cada vez mais frequentes, sendo dos exemplos mais recentes os ciclones que assolaram o centro e norte de Moçambique.

Mas segundo cientistas, num estudo publicado no final do ano passado na revista Nature Climate Change, vão intensificar-se até ao fim do século as catástrofes climáticas múltiplas, das ondas de calor extremo aos incêndios, das inundações às super-tempestades. Erik Franklin, investigador no Instituto de Biologia Marinha da Universidade do Havai, diz no estudo que as catástrofes estão a ocorrer e que vão piorar.

O aquecimento global está a levar a grandes secas e incêndios devastadores nas zonas secas, a chuvas intensas e inundações nas zonas húmidas e à formação de super-tempestades nos oceanos de água mais quente.

No ano passado os Estados Unidos ou a Austrália enfrentaram secas intensas e grandes incêndios, com temperaturas inéditas. Uma vaga de frio matou duas dezenas de pessoas nos Estados Unidos. Portugal também teve temperaturas muito elevadas.

Há dois anos, no final da 23.ª Conferência da ONU sobre o clima, em Bona, mais de 15 mil cientistas de 184 países concordaram que o planeta está a ser “desestabilizado pelas alterações climáticas”. Os exemplos são cada vez mais frequentes, embora desacreditados por líderes de países como os Estados Unidos, a Rússia, a Arábia Saudita ou o Kuwait.

Actualmente o consenso científico é o de que os efeitos das alterações climáticas estão a ser mais rápidos, mais intensos, mais frequentes e mais devastadores, em termos económicos, mas também humanos, com implicações na saúde e disponibilidade de alimentos no futuro.

Apesar do compromisso do Acordo de Paris as emissões de gases com efeito de estufa não estão a diminuir.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Maio 2019 — 10:57

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2023: A previsão piorou: os oceanos deverão subir dois metros em 80 anos

CIÊNCIA

Nova estimativa ultrapassa as piores previsões para o final do século XXI.

© Lucas Jackson Icebergue flutua num fiorde perto de Tasiilaq, Gronelândia, Junho de 2018.

A Terra é um sistema tão complexo que é difícil fazer previsões precisas sobre o aumento do nível das águas em consequência do aquecimento global até ao fim deste século. Num último estudo publicado, as estimativas ultrapassam as piores previsões.

A última previsão que servia de referência data de 2014, quando um grupo de peritos do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimava uma aumento do nível do mar em quase 1 metro até ao fim do século XXI, em relação ao período 1986-2005.

Um novo estudo publicado na revista da Academia Americana das Ciências (PNAS) não contradiz este cenário, mas dá conta da probabilidade de que a elevação do nível dos oceanos seja ainda mais grave: 69 centímetros numa hipótese mais optimista, 111 centímetros se a trajectória actual se mantiver, em relação ao nível em 2000.

Num cenário optimista, o aquecimento global do planeta alcança mais 2ºC em relação à época pré-industrial (fim do século XIX). Este é o objectivo mínimo do Acordo de Paris, assinado em 2015. A Terra já aqueceu cerca de 1ºC desde essa época.

O cenário mais pessimista é o de um aquecimento de 5ºC – se continuarmos na mesma trajectória de contínua emissão de gases com efeito de estufa.

A amplitude possível da subida do nível das águas é enorme: mesmo que a humanidade consiga limitar o aumento da temperatura do globo a 2ºC, a subida das águas pode variar entre 36 e 126 centímetros (intervalo de probabilidade de 5 a 95%).

No caso de um aumento da temperatura global do planeta de 5ºC, a subida do nível das águas ultrapassa 238 centímetros.

“Estamos perante uma emergência climática”, alerta Guterres

De visita à Nova Zelândia e às ilhas Fiji no início deste mês de maio, o secretário-geral da ONU lembrou que a temperatura atingiu nos últimos quatro anos o maior nível de que há registo.

António Guterres lamentou que a vontade política para alterar o rumo dos acontecimentos está a falhar.

Gronelândia e Antárctica a derreter

O estudo agora publicado reúne as estimativas de 22 peritos em calotas de gelo polares da Gronelândia e da Antárctica Leste e Oeste.

O degelo é um dos principais responsáveis pela subida do nível dos oceanos, assim como os rios de gelo e a expansão térmica – quando a água do mar aquece, também se expande.

“Concluímos que é plausível que o aumento do nível do mar ultrapasse 2 metros até 2100 neste cenário de subida da temperatura”.

 

Planeta perderá quase 2 milhões de km2, centenas de milhões de deslocados

Neste cenário, o planeta perderá 1,79 quilómetros quadrados de terras, uma área equivalente à da Líbia.

Grandes partes da terra perdida serão importantes áreas de cultivo como o delta do Nilo e em vastas áreas do Bangladesh será muito difícil as pessoas continuarem a viver.

Daqui resultará um êxodo de 187 milhões de pessoas, segundo o estudo.

Os glaciares antes e depois das alterações climáticas

“Não estamos a ganhar a batalha” das alterações climáticas

msn notícias
SIC Notícias
21/05/2019



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1914: Professor de Oxford tem teoria sobre as alterações climáticas (e envolve extraterrestres)

(CC0/PD) Miriam Espacio / Pexels

Young-hae Chi, professor na Universidade de Oxford, no Reino Unido, tem uma bizarra teoria sobre as alterações climáticas. O professor cria uma ligação entre os relatos de raptos de extraterrestres e o aquecimento global.

Apesar de ser professor numa das mais prestigiadas universidades do mundo, Chi não é propriamente um entendido em astrobiologia. Aliás, o professor asiático é especializado em estudos coreanos, mas tem uma teoria única sobre as alterações climáticas.

Segundo Young-hae Chi, os extraterrestres estão a desenvolver uma raça híbrida com os humanos, para que possamos sobreviver a um possível agravamento do aquecimento global. A teoria pressuposta pelo professor sul-coreano foi apresentada em 2012, na “Alien Abduction and Environmental Issues Conference”.

O discurso está disponível no YouTube desde 2014, mas só recentemente ganhou atenção mediática. Isto após a Oxford Union ter rejeitado o pedido de Chi para que fosse feito um debate sobre o assunto.

O jornal académico The Oxford Student soube da situação e falou com o professor de estudos coreanos sobre a sua visão. Chi cita a teoria de David Jacobs, um investigador norte-americano, que considera que os extraterrestres estão a raptar seres humanos com o intuito de criarem uma raça híbrida para colonizar a Terra.

Contudo, o professor de Oxford encontrou uma razão diferente para explicar os raptos de extraterrestres. Segundo ele, os aliens aperceberam-se do mal que estamos a fazer ao nosso planeta e estão a raptar humanos para retirar o ADN. Não para nos prejudicar, mas de forma a criar híbridos para que a Terra seja salva, explica o IFLScience.

Chi reparou que não há relatos de raptos de extraterrestres anteriores à Segunda Guerra Mundial, o que sugere que este é um fenómeno recente.

Apesar da ousadia das suas alegações, o professor da Universidade de Oxford mostra ter conhecimentos aprofundados da ciência por detrás das alterações climáticas. Uma parte considerável do discurso de mais de uma hora de Chi explica a evolução e as consequências do aquecimento global.

ZAP // IFLScience

Por ZAP
1 Maio, 2019

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1901: O aquecimento global está a tornar o planeta mais desigual

CIÊNCIA

Tim J Keegan / Flickr

O aquecimento global agravou as desigualdades económicas desde a década de 60 do século XX, favorecendo os países mais frios, indica um estudo da Universidade de Stanford, Estados Unidos, divulgado nesta segunda-feira.

As mudanças causadas pela concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera da Terra enriqueceram países como a Noruega ou a Suécia mas reduziram o crescimento económico de outros como a Índia ou a Nigéria, diz o estudo, publicado na revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Os nossos resultados mostram que a maioria dos países mais pobres da Terra é consideravelmente mais pobre do que seria sem o aquecimento global“, disse o cientista Noah Diffenbaugh, especialista em clima e principal autor do estudo. Ao mesmo tempo, acrescentou, dando conta que “a maioria dos países ricos é mais rica do que teria sido” sem alterações climáticas.

O estudo, em co-autoria com Marshall Burke, professor em Stanford, indica que entre 1961 e 2010 o aquecimento global diminuiu a riqueza por pessoa nos países mais pobres do mundo num valor entre 17% e 30%. Em simultâneo, a diferença entre os países mais ricos e mais pobres é agora 25% superior ao que seria sem alterações climáticas, conclui.

Embora a desigualdade económica entre países tenha diminuído nas últimas décadas, a investigação sugere que a diferença teria diminuído mais rapidamente se não existisse o aquecimento global.

O trabalho baseia-se em investigações anteriores em que os autores analisaram 50 anos de temperaturas anuais e o Produto Interno Bruto (PIB) de 165 países. E os responsáveis demonstraram que o crescimento durante os anos mais quentes do que a média acelerou nos países frios e desacelerou nos países quentes.

“Os dados históricos mostram claramente que as culturas são mais produtivas, as pessoas são mais saudáveis e somos mais produtivos no trabalho quando as temperaturas não são nem muito quentes nem muito frias. Isso significa que em países frios um pouco de aquecimento pode ajudar. O contrário é verdadeiro em países que já são quentes”, disse Marshall Burke, citado em comunicado.

Nas palavras do responsável os países tropicais tendem a ter temperaturas muito aquém do ideal para o crescimento económico. Os países nas latitudes médias, como Portugal, os impactos económicos das alterações climáticas têm um peso negativo de 10%.

Os cientistas frisam ainda a importância de aumentar o acesso à energia sustentável para que o desenvolvimento económico dos países mais pobres. “Quanto mais estes países aquecerem, maior será a resistência ao seu desenvolvimento”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por ZAP
28 Abril, 2019

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1827: Alterações climáticas estão a impedir a recuperação da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Richard Ling / Flickr

Cientistas da Austrália e dos Estados Unidos verificaram uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral. O culpado é o aquecimento global.

A Grande Barreira de Coral, na Austrália, foi atacada pelo fenómeno de branqueamento em massa em 2016 e 2017. O branqueamento não atingiu este ecossistema em 2018, mas continua a influenciar a vida dos seus organismos.

De acordo com um artigo científico, recentemente publicado na Nature, estes branqueamentos consecutivos causaram uma diminuição de 89% no surgimento de novos corais no ano passado.

Em 20 anos, a Grande Barreira enfrentou quatro branqueamentos em massa: em 1998, 2002, 2016 e 2017. Durante fenómeno, a água aquece mais do que seria suposto e os corais ficam esbranquiçados. Isto acontece porque as algas, que vivem em simbiose com os corais e lhes dão cor, deixam de fazer a fotossíntese e passam a produzir substâncias tóxicas.

Os corais ficam sem acesso aos nutrientes dados pelas algas e, como consequência, ficam desnutridos e podem mesmo morrer. As perdas causadas por este fenómeno foram substanciais. Só em 2016, morreram 30% dos corais rasos da Grande Barreira.

Segundo o Público, recentemente, uma equipa de cientistas analisou as relações entre os corais adultos e a produção de larvas antes e depois dos branqueamentos de 2016 e 2017.

A relação é conhecida como “recrutamento de larvas” e, neste processo, os corais reproduzem-se através da produção de largas designadas plânulas. Depois, essas larvas dispersam-se no plâncton até colonizarem o recife e, no final, dão origem a novos corais.

Segundo Andrew Baird, do Centro de Excelência para o Estudo dos Recifes de Coral (ARC) e um dos autores do estudo, este recrutamento é essencial para a recuperação dos recifes. “Sem bebés não pode haver adultos“, disse ao Público.

“Como consequência da mortalidade em massa de corais adultos em 2016 e 2017 devido ao stress térmico, a quantidade de recrutamento de larvas desceu para níveis históricos de 89% em 2018″, lê-se no artigo.Como houve uma perda de corais adultos, houve uma diminuição de 89% na reposição de novos corais na Grande Barreira – “corais mortos não têm bebés”, ressalva Terry Hughes, líder da equipa, num comunicado do ARC.

“As larvas de corais que são produzidas todos os anos são componentes vitais da resiliência da Grande Barreira de Coral”, sublinha Baird, destacando que a diminuição no recrutamento de larvas foi mais grave na secção Norte da Grande Barreira e nos corais do género Acropora.

O aquecimento global comprometeu gravemente a capacidade de os recifes recuperarem dos branqueamentos”, resume o cientista.

Na prática, tudo se resume a um ciclo: as alterações climáticas causam o branqueamento, o branqueamento mata os corais adultos, os corais mortos não produzem larvas e, sem larvas, não se pode recuperar da perda de adultos causada pelas alterações climáticas.

ZAP //

Por ZAP
9 Abril, 2019

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1786: Mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças tropicais se aquecimento global continuar

CIÊNCIA E SAÚDE

USDAgov / Flickr
Aedes aegypti, o mosquito da dengue

Cerca de mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças como a febre dengue se o aquecimento global continuar, afirmam cientistas que estudaram as temperaturas no mundo e concluíram que as doenças de climas tropicais estão em expansão.

Os investigadores afirmam que estas doenças atacarão até as zonas do globo com climas actualmente menos favoráveis aos mosquitos, porque os vírus que estes propagam provocam epidemias explosivas quando se verificam as condições certas.

As alterações climáticas são a maior e mais complexa ameaça à saúde mundial”, afirmou o biólogo Colin Carlson, da universidade norte-americana de Georgetown, em Washington, referindo que “os mosquitos são só uma parte do problema”, mas que a preocupação dos cientistas aumentou depois da epidemia de Zika no Brasil em 2015.

O estudo, publicado esta sexta-feira no boletim científico PLOS, baseou-se no registo mensal das temperaturas mundiais.

Nos próximos cinquenta anos, quase toda a população mundial estará exposta em alguma altura a doenças sazonais dos trópicos, “que já começaram a aparecer em climas propícios” como o estado norte-americano da Florida. “Zonas como a América do Norte, a Europa e montanhas nos trópicos onde o clima era demasiado frio para vírus vão enfrentar novas doenças, como a dengue“, afirmou Carlson.

Ao mesmo tempo que o clima aquece em certas regiões e potencia o aumento da população de mosquitos, nas zonas onde estes já são responsáveis pela transmissão de doenças em maior escala, o número de insectos pode diminuir porque fica demasiado quente para sobreviverem.

“Pode parecer que há más notícias por um lado e boas notícias por outro, mas acaba por ser tudo mau, porque numa região em que fique demasiado quente para a transmissão do dengue há outras ameaças para a saúde que são igualmente graves”, afirmou.

“Temos uma tarefa hercúlea pela frente. Precisamos de perceber, agente patogénico a agente patogénico e região a região, quando poderão surgir problemas para podermos planear uma resposta global”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Março, 2019

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Ciclone Idai “já se inscreve na tendência global das alterações climáticas”

Moçambique é o terceiro país de África mais vulnerável a fenómenos extremos. O investigador Pedro Garrett diz que os ciclones mais intensos “são o resultado da emissão desproporcional de emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera”.

© EPA/JOSH ESTEY

É o pior ciclone tropical da última década, pelo menos, na região do sudoeste do Índico. O Idai, que deixou um rasto de mortes e destruição, cujo saldo final ainda não é conhecido, numa vasta região de Moçambique, do Malawi e do Zimbabwe, “já se inscreve na tendência global das alterações climáticas, em que se observa um aumento da frequência e da intensidade deste tipo de fenómenos”, afirma ao DN Pedro Garrett, investigador do Programa Doutoral em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, coordenado na Universidade de Lisboa pelo especialista Filipe Duarte Santos.

“Não se pode atribuir nenhum eventos em específico às alterações climáticas, mas a análise dos dados históricos já indica que existe um aumento da frequência e da intensidade destes fenómenos [furacões e ciclones tropicais], que é consequência das alterações climáticas e, portanto, esta situação insere-se nesse quadro de alterações climáticas”, explica o investigador.

“Estes ciclones mais intensos são o resultado da emissão desproporcional de gases de efeito estufa e das suas consequências na dinâmica energética do nosso planeta,”, nota Pedro Garrett, sublinhando que “Moçambique, na linha da trajectória da maior parte dos ciclones que ocorrem naquela região do globo, já está a sofrer o seu impacto directo”. E esta tendência, adianta, “vai aumentar nas próximas décadas”, de acordo com os modelos climáticos.

Os ciclones que ocorrem nesta região do globo, onde se localiza Moçambique, e os mecanismos que estão na sua origem são bem conhecidos. Estão ligados à oscilação das águas quentes superficiais entre a região oeste da América do Sul e a costa sudeste de África, associada aos fenómenos El Niño e La Niña. Neste último caso, como está agora a acontecer, as águas quentes são arrastadas para a região sudoeste do Índico, junto a Madagáscar e à costa africana.

“Neste tipo de fenómenos [os ciclones] existe uma enorme descarga de energia dos oceanos para a atmosfera, que é libertada também sob a forma de vapor de água, que por sua vez alimenta estas tempestades”, explica o investigador da Universidade de Lisboa, sublinhando que “a maior parte da energia do chamado efeito de estufa está a ser recebida e acumulada nos oceanos”. É isso que depois alimenta as tempestades mais intensas com fenómenos extremos de precipitação e ventos mais fortes, e que “já se vê a acontecer”.

“É expectável que as temporadas de ciclones nesta região se tornem mais intensas e mais frequentes nas próximas décadas”, confirma Pedro Garrett.

A juntar a esta tendência, que torna Moçambique o terceiro país africano mais vulnerável a desastres relacionados com fenómenos meteorológicos extremos, de acordo o Global Facility for Disaster Reduction and Recovery (GFDRR), um grupo de trabalho ligado ao Banco Mundial e às Nações Unidas, as condições no terreno, com grandes índices de pobreza e desordenamento territorial, acabam por agravar ainda mais os impactos destes fenómenos climáticos extremos, como agora se viu.

Moçambique é um dos países africanos mais expostos a episódios meteorológicos extremos, potencialmente causadores de vítimas humanas e danos materiais avultados, incluindo os dois extremos que são as secas e inundações.

“Secas e inundações até podem ocorrer ao mesmo tempo em diferentes zonas do país, o que decorre também de um problema de gestão das bacias hidrográficas e da ocupação do solo”, diz Pedro Garrett, notando que “a situação é ainda mais difícil no contexto do clima em mudança”.

A região central de Moçambique foi atingida em cheio pelo ciclone Idai.
© EPA/NASA WORLDVIEW

Furacões mais lentos e perigosos

Um estudo publicado no ano passado na Nature já tinha confirmado, justamente, que os furacões, os ciclones e as tempestades tropicais se tornaram nas últimas décadas mais intensos e perigosos.

A equipa de James Kossin, do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos, passou em revista os dados dos últimos 68 anos das tempestades tropicais ocorridas no mundo, entre 1949 e 2016, e identificou um padrão que tinha estado oculto: o de que elas estão, em média, 10% mais lentas. Depois de se formarem sobre os oceanos, a progressão destas tempestades através da atmosfera, e frequentemente sobre regiões densamente habitadas nos vários continentes, está actualmente a acontecer de forma mais vagarosa, o que significa que a quantidade de chuva que desaba sobre uma determinada zona tem estado a crescer, aumentando significativamente o risco de desastres naturais, como inundações ou deslizamentos de terras.

“Este abrandamento global em 10% [da velocidade a que furacões e tufões se deslocam] ocorreu ao longo de um período em que o planeta sofreu um aumento de temperatura de 0,5 graus Celsius”, explicou na altura o autor do estudo.

Apesar de a média global do abrandamento ser de 10%, este varia conforme as regiões. Na do Índico, onde se localiza Moçambique, este abrandamento na passagem dos ciclones tropicais é da ordem dos 4%.

Filomena Naves
19 Março 2019 — 16:48

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1723: Em breve, o inverno acabará na Austrália e fará nascer um “novo verão”

(CC0/PD) Desertrose7 / Pixabay

Muito em breve, a Austrália deixará de ter o inverno tal qual como o conhece. Uma nova ferramenta climática prevê que, até 2050, os australianos passarão a enfrentar uma nova estação que poderá ser chamada de “novo verão”.

A previsão é avançada por cientistas da Escola de Arte e Design e do Instituto de Mudanças Climáticas da Universidade Nacional Australiana (ANU), que trabalharam em conjunto num projecto de design que parte dos dados já existentes para comunicar os possíveis impactos das mudanças climáticas para que o público os possa compreender.

De acordo com os cientistas, o “novo verão” representa um período do ano em que as temperaturas atingirão um pico constante, e em muitos casos acima de 40ºC, durante um período sustentado. Através da ferramenta disponível online, as pessoas podem clicar em milhares de locais do território australiano para ver de que forma o clima mudará nas suas cidades até meados de 2050.

“Observamos a temperatura média histórica de cada estação e comparamos com os dados projectados e o que encontramos em todos os lugares é que realmente não há um período de inverno sustentado ou duradouro”, disse  ou prolongado”, disse Geoff Hinchliffe, professor na Escola de Arte e Design, citado em comunicado.

“Dentro de 30 anos, o inverno, tal como o conhecemos, será inexistente, deixará de existir em todas as partes [da Austrália], excepto nalgumas regiões da Tasmânia”, sustentou.

A ferramenta, que usa dados do Bureau of Meteorology e do Scientific Information for Land Owners, mostra quantos graus vai subir a temperatura média em cada local, dando ainda conta de quantos dias haverá a mais com 30 ou 40 graus numa determinada região na Austrália em 2050 comparativamente com o que é hoje registado.

“Além dos dados, também nos concentramos em desenvolver as formas visuais mais eficazes para transmitir como é que a mudança climática irá afectar locais específicos”, disse Hinchliffe. E concretiza: “significava usar cor, forma e tamanho à volta de uma composição quadrante que mostra os valores de temperatura de um ano inteiro num único instante”.

A experiência torna-se assim “visualmente rica e interessante, dando muitos detalhes de uma forma particular que se conecta emocionalmente com as pessoas, localizando-as na sua própria cidade”, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
16 Março, 2019

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1690: Os humanos são susceptíveis ao efeito do sapo em ebulição (e isso pode trazer-nos sérios problemas)

(CC0/PD) jplenio / pixabay

O mundo está ficar perigosamente quente, mas já notou este aumento extremo da temperatura? Não totalmente, respondem os cientistas, num estudo no qual demonstram a tremenda adaptabilidade dos seres humanos do século XXI.

Há um análogo famoso para este fenómeno que, apesar de adequado, é também assustador: o efeito do sapo em ebulição. Um sapo imerso em água que aquece gradualmente não percebe a mudança repentina da temperatura, mesmo que esteja a ser fervido vivo.

Os cientistas não se agarram a este fenómeno de olhos fechados. Em vez disso, tomam-no como uma metáfora para a forma actual de os humanos se estarem a adaptar a um futuro sombrio provocado pelas alterações climáticas irreversíveis. “É um verdadeiro efeito de ebulição”, sintetiza Frances C. Moore, da Universidade da Califórnia.

O estudo, recentemente publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), sugere que as pessoas aprendem a aceitar a temperatura extrema como algo “normal” em apenas dois anos. “As pessoas parecem estar a habituar-se às mudanças que, ao mesmo tempo, querem evitar.”

Moore e sua equipa analisaram mais de dois milhões de tweets, entre Março de 2014 e novembro de 2016, para analisar de que forma as pessoas reagiam a eventos climáticos, comparando os tweets com dados meteorológicos. No fundo, os cientistas queriam perceber de que forma as pessoas reagiam a mudanças significativas nas condições meteorológicas localizadas.

Os cientistas descobriram que as pessoas tinham tendência a tweetar sobre o clima se este fosse incomum para a estação do ano em que viviam: condições meteorológicas quentes no inverno ou temperaturas frias no verão.

No entanto, esta tendência depende também da experiência passada, sobretudo das memórias que as pessoas têm sobre o clima. Isto é, num mundo cada vez mais quente, as pessoas percebem cada vez menos o clima extremo – ou seja, parecem-se cada vez mais com o sapo em ebulição, que não percebe que está a ser fervido.

“As temperaturas que inicialmente eram consideradas notáveis, tornam-se ​​rapidamente comuns com a exposição repetida ao longo de uma escala de tempo de aproximadamente cinco anos“, escrevem os autores no artigo científico.

“Como o ajuste da expectativa é rápido em relação ao ritmo das mudanças climáticas antropogénicas, essa mudança na linha de base subjectiva tem grandes implicações para a notabilidade das anomalias de temperatura à medida que a mudança climática avança”, adiantaram ainda.

Contudo, apesar de a mudança climática ser algo chocante e extremo, a nossa interpretação é algo subjectiva, uma vez que a nossa capacidade de avaliar o tempo “normal” parece estar baseada num ponto de referência imaginário do tempo entre dois a oito aos, avança o ScienceAlert.

Isto significa que demora cerca de dois a oito anos para que as pessoas ajustem os seus padrões de normalidade – parando assim de reconhecer que aquelas temperaturas que um dia consideraram extremas eram, de facto, extremas (e estão a “vivê-las” agora).

“A definição de ‘temperatura normal’ muda rapidamente com o tempo nesta época de mudança climática”, escreveram os autores.

Os investigadores alertam que esta incapacidade de entender o clima “normal” pode dificultar que tanto cientistas como governos criem políticas para resolver questões inertes às alterações climáticas.

O facto de as pessoas estarem a acostumar-se a um clima desagradável e incomum (mesmo que não tenham consciência disso) pode trazer problemas sérios num futuro cada vez mais próximo.

ZAP //

Por ZAP
9 Março, 2019

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1661: O céu pode ficar sem nuvens e deixar a Terra a “arder”

Jonas Witt / Flickr

Uma nova investigação científica adverte que uma alta concentração de dióxido de carbono na atmosfera da Terra pode fazer com que as nuvens desaparecerem do céu. Como resultado, o oceano ficará mais vulnerável à luz do Sol.

De acordo com uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, os estrato-cúmulos — nuvens baixas com massas arredondadas e cilíndricas com o topo e a base relativamente planos — servem para proteger a Terra do calor excessivo.

Ou seja, se estas nuvens desaparecerem, a temperatura no planeta subiria oito graus Celsius. Além disso, importa frisar, há ainda o aumento estimado entre 2 a 4 graus Celsius causado pelo efeito de estufa. Esta mudança, por sua vez, levaria a sérios cataclismos e causaria a extinção em massa de animais e plantas.

Segundo a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Nature Geoscience, a Terra sofreu já um fenómeno similar há 55 milhões de anos: o planeta aqueceu a tal ponto que os crocodilos passaram a nadar nas águas do Árctico, tendo várias espécies de mamíferos sido extintas.

Esta drástica mudança climática ficou conhecida como o Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno. Foi um dos cataclismos climáticos mais significativos da era Cenozoica, que alterou a circulação oceânica e atmosférica, causando uma grande mudança na fauna terrestre.

Para os cientistas, o aquecimento poderia ter sido desencadeado por variadas causa, mas os principais factores foram a intensa actividade vulcânica e a libertação do metano armazenado nos sedimentos oceânicos.

Neste sentido, Kerry Emanuel, especialista em meteorologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos, afirma que o alarmante prognóstico dos cientistas da Califórnia parece ser bastante plausível.

Quanto ao desaparecimento das nuvens, os cientistas também asseguram tratar-se de um processo que se deve a vários factores. No entanto, as estatísticas sobre a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera são realmente alarmantes. Desde 1955, a concentração deste gás cresceu cerca de um terço. Se o processo continuar com ao mesmo ritmo, a humanidade pode chegar a um ponto sem retorno antes do fim do século.

Contudo, e segundo advertem os cientistas, a humanidade é capaz de evitar a repetição do cataclismo devastador do Paleoceno-Eoceno se cumprir os termos do Acordo de Paris.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
5 Março, 2019

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1660: Sabemos finalmente o que matou a vida marinha na extinção em massa mais mortal da História

kevinzim / Flickr
Trilobite

O aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio. No entanto, também esgotou o oxigénio dos oceanos, fazendo com que os animais (literalmente) sufocassem.

Há cerca de 252 milhões de anos, a Terra sofreu uma devastação catastrófica – um evento de extinção tão grave que destruiu quase toda a vida na Terra. É chamado de Evento de Extinção Permiano-Triássico, também conhecido como A Grande Morte.

Até 70% de todas as espécies de vertebrados terrestres foram mortas, assim como 96% de todas as espécies marinhas, incluindo o famoso trilobite, que já havia sobrevivido a dois outros eventos de extinção em massa.

É amplamente aceite que a mudança climática é a culpada – em particular a actividade vulcânica de longo prazo na Sibéria, que expeliu tanto material na atmosfera que envolveu o mundo num manto de cinzas durante um milhão de anos, bloqueando a luz solar, reduzindo o ozono, fazendo cair chuva ácida e elevando as temperaturas.

Agora, os cientistas mostraram o que erradicou a vida marinha: o aumento das temperaturas acelerou o metabolismo das criaturas, aumentando as suas necessidades de oxigénio, ao mesmo tempo que esgotou o oxigénio dos oceanos. Como resultados, os animais literalmente sufocaram.

O problema é que, actualmente, estamos a vivenciar um aquecimento atmosférico muito semelhante – e muito mais rápido.

Segundo Justin Penn, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, “esta é a primeira vez que fazemos uma previsão mecanicista sobre o que causou a extinção que pode ser directamente testada com a análise do registo fóssil, permitindo-nos fazer previsões sobre as causas de extinção no futuro”.

A equipa realizou uma simulação por computador das mudanças pelas quais a Terra passou durante A Grande Morte. Antes das erupções vulcânicas da Sibéria, as temperaturas e níveis de oxigénio eram semelhantes às de hoje, pormenor que deu aos investigadores uma boa base para trabalhar.

Posteriormente, os cientistas elevaram os gases de efeito estufa na atmosfera do modelo para imitar as condições após a erupção, o que elevou a temperatura da superfície do mar em cerca de 11 graus Celsius. Esse aumento teve como resultado um esgotamento de oxigénio de cerca de 76% – e cerca de 40% no fundo do mar, principalmente em profundidades maiores.

Para observar de que forma esse esgotamento poderia afectar a vida marinha, a equipa incluiu no estudo dados de requisitos de oxigénio de 61 espécies modernas. E tal como se previa, foi um autêntico desastre. “Muito poucos organismos marinhos permaneceram nos mesmos habitats em que viviam – ou fugiram ou morreram“, disse o oceanógrafo Curtis Deutsch, também da Universidade de Washington.

Os mais prejudicados foram as criaturas mais sensíveis ao oxigénio, com a devastação mais pronunciada em altas latitudes, longe do Equador. Quando a equipa comparou os seus resultados com o registo fóssil, confirmou as suas descobertas.

Os animais que vivem nas águas mais quentes ao redor do Equador podem migrar para latitudes mais altas, onde encontrarão habitats semelhantes aos que acabaram de deixar. No entanto, o mesmo não acontece com os animais que já vivem em latitudes mais atas, uma vez que não têm para onde fugir.

No total, isso causou mais de 50% da perda marinha da Grande Morte. O restante foi provavelmente causado por outros factores, como a acidificação pelo CO2 das armadilhas siberianas e um declínio acentuado na vida das plantas causado pelo desbaste do ozono.

Os cientistas afirmam que é importante prestar atenção a estes factos, uma vez que o aquecimento dos oceanos da Terra está a acelerar cada vez mais.

“Sob um cenário de emissões como o de hoje, em 2100 o aquecimento no oceano terá atingido 20% do aquecimento no final do Permiano-Triássico, e no ano 2300 atingirá entre 35 e 50%”, disse Penn.

É importante não esquecer que “este estudo destaca o potencial para uma extinção em massa decorrente de um mecanismo similar sob mudanças climáticas antropogénicas”, concluem os cientistas.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
4 Março, 2019

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1653: Já há data para o primeiro verão sem gelo no Árctico

NASA GODDARD/ KATY MERSMANN

O oceano Árctico pode ficar sem de gelo durante o verão nos próximos 20 anos devido a uma fase de aquecimento natural que se faz sentir já há algum tempo no Pacífico tropical, sendo depois exacerbada pela actividade do Homem.

Modelos computacionais preveem que a mudança climática tornará o Árctico quase livre de gelo marinho durante o verão em meados deste século, a menos que as emissões de gases de efeito de estufam sejam reduzidas em grande medida pelos humanos.

Contudo, uma análise mais detalhada sobre os ciclos de temperatura a longo prazo no Pacífico tropical aponta para um Árctico sem gelo em Setembro, o mês com menos gelo marinho, segundo descreve um novo estudo esta semana publicado na científica Geophysical Research Letters.

“A trajectória aponta para a ausência de gelo no verão, mas não se sabe ao certo quando acontecerá”, explicou James Screen, professor associado de ciência do clima da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e autor principal do estudo em comunicado.

Existem vários modelos climáticos utilizados pelos cientistas para prever quando ocorrerá o primeiro Setembro sem gelo. A maioria dos modelos projecta que haverá menos de 1 milhão de quilómetros quadrados de gelo marinho até meados deste século, as projecção de quando isso acontecerá variam em janelas de tempo de 20 anos devido a flutuações climáticas naturais.

O modelo climático utilizado no novo estudo prevê um verão árctico sem gelo entre 2030 e 2050, se os gases de efeito estufa continuarem a subir ao ritmo actual.

Tendo em conta a fase de aquecimento de longo prazo no Pacífico tropical, uma nova investigação aponta que é mais provável que um Árctico sem gelo ocorra mais perto de 2030 do que em 2050.

ZAP //

Por ZAP
2 Março, 2019

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1565: “Deserto submarino” no Pacífico pode provocar desastre ambiental

Uma equipa de cientistas acredita que o desaparecimento progressivo da estrela-do-mar-girassol, cuja causa é ainda desconhecida, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos, pode vir a causar um desastre ambiental no Pacífico. 

Os cientistas alertam para este “deserto submarino” através de uma novo artigo científico publicado na quarta-feira passada na revista especializada Science Advances.

“Nunca vi um declínio desta magnitude numa espécie tão importante”, disse o autor principal do estudo, Drew Harvell, em declarações ao The Washington Post.

A pesquisa dá conta que a doença que afecta a estrela do mar, que prejudicou significativamente a estrela-do-mar-girassol (Pycnopodia helianthoides), pode estar por detrás de surtos de doenças infecciosas que desde 2013 colocam em risco várias espécies de animais, incluindo rãs, corais e até morcegos.

Os investigadores frisam ainda que esta espécie marinha está à beira da extinção, pedindo, por isso, às autoridades que tomem medidas, tentando salvar a espécie através de um programa de reprodução com estrelas-do-mar-girassol em Washington, Canadá e Alasca. Por outro lado, escreveram, o declínio desta espécie coincidiu com o período que aquecimento global que ocorreu no Pacífico entre 2013 e 2015.

A equipa monitorizou o progressivo desaparecimento da estrela-do-mar-de-girassol através de incursões em águas rasas na área entre 2006 e 2014, nas quais foram contabilizadas entre “duas a 100 estrelas” dessa espécie, sendo depois registado uma queda significativa no número de espécies a partir desse momento.

Por último, os cientistas afirmam ainda que o maior inimigo das estrelas-do-mar-de-girassol – os ouriços-do-mar-roxos (Strongylocentrotus purpuratus) – estão a multiplicar-se no fundo do mar, tornando a sobrevivência destas estrelas-do-mar ainda mais complicada, uma vez que se alimentam da vegetação, que é também um elemento-chave para o ecossistema da área em causa do Pacífico.

De acordo com o Oceanário, a estrela-do-mar-girassol é uma das maiores estrelas-do-mar, sendo a mais rápida de todas as espécies já conhecidas. A espécie é capaz de se deslocar 50 centímetros por minuto. Nos Estados Unidos, é também conhecida como sea pigs (porcos do mar), nome devido à sua voracidade.

ZAP //

Por ZAP
7 Fevereiro, 2019

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