2829: O ar acima da Antárctida acabou de ficar muito quente de um momento para o outro

CIÊNCIA

NASA

Um fenómeno atmosférico raro provocou um aumento da temperatura estranho no ar acima da Antárctida. Segundo os cientistas, houve mesmo quebras de temperatura recorde na estratosfera.

Eun-Pa Lim, do Bureau of Meteorology da Austrália, e os seus colegas observaram que o ar acima da Antárctica estava a ficar mais quente no final de Agosto. Nas semanas que se seguiram, esse aquecimento intensificou-se.

O aquecimento foi o resultado do repentino aquecimento estratosférico – um fenómeno que ocorre regularmente no Hemisfério Norte, aproximadamente uma vez a cada um ou dois anos, disse Lim em declarações à Newsweek. No Hemisfério Sul, porém, é muito mais raro, tendo sido observado apenas em 2002.

“No final de Agosto até ao início de Setembro, estava cerca de 30 a 35 graus Kelvin mais quente do que o normal na estratosfera alta e média na região da calota polar da Antárctica, que foi um aquecimento recorde para essa época do ano”, disse Lim. “Desde então, a magnitude do aquecimento anómalo reduziu em cerca de 15 graus Kelvin na estratosfera média a baixa”.

Todos os Invernos, ventos velozes do oeste desenvolvem-se na estratosfera – a segunda camada na atmosfera da Terra que fica acima da troposfera. Esta camada estende-se por cerca de 50 quilómetros de altura, com a camada de ozono dentro dela. Estes ventos, que podem chegar a 240 quilómetros por hora, desenvolvem-se devido às diferenças de temperatura entre o Pólo Sul, onde não há luz solar, e o oceano, que ainda recebe luz solar.

“À medida que o sol se desloca para o sul durante a primavera, a região polar começa a aquecer. Esse aquecimento faz com que o vórtice estratosférico e os ventos ocidentais associados enfraquecem gradualmente ao longo de alguns meses”, disse Lim.

Alguns anos, isto acontece mais rápido do que o normal, com o ar da atmosfera mais baixa aquecendo a estratosfera, causando o enfraquecimento dos ventos. “Muito raramente, se as ondas forem suficientemente fortes, podem rapidamente quebrar o vórtice polar, invertendo a direcção dos ventos e tornando-se leste. Esta é a definição técnica de ‘aquecimento estratosférico repentino’”.

O aquecimento estratosférico repentino é o resultado de variações naturais na atmosfera, disse Lim, acrescentando que parece que este evento é resultado de variabilidade aleatória. Lim acrescentou que, agora, a sua equipa quer analisar o que aconteceu com o aquecimento, a fim de entender melhor os mecanismos físicos da relação entre a estratosfera e a troposfera.

“O evento actual começou com um aquecimento muito rápido e forte, mas o aquecimento foi mantido na estratosfera e ainda não afectou a atmosfera mais baixa, o que é muito incomum”, disse.

Espera-se que o repentino aquecimento estratosférico traga ventos quentes e secos sobre a Austrália nos próximos três meses. Num estudo publicado esta semana na revista especializada Nature Geoscience, a equipa colocou as temperaturas crescentes num modelo que fornece previsões para o Hemisfério Sul. As descobertas mostraram que a Austrália provavelmente terá menos chuva e temperaturas mais quentes na primavera, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

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Por ZAP
14 Outubro, 2019