1974: A Lua está a tremer. Missões Apolo captaram sismos na superfície lunar

Marshall Space Flight Center / NASA

As missões Apolo da NASA captaram sismos resultantes da actividade tectónica na Lua. A notícia está a ser avançada pela revista científica Nature.

Os sismos foram provocados por falhas tectónicas, ou seja, por rupturas que rasgam blocos de rochas em movimento com menos de 50 milhões de anos. Essas falhas foram encontradas em 2010 pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, uma sonda a agência espacial norte-americana em órbita na Lua.

Durante as missões Apolo 12, 14, 15 e 16, que aconteceram entre 1969 e 1977, os sismómetros registaram “tremores de lua fracos” cuja origem era desconhecida. Em termos geológicos, sabe-se que a Lua é composta por uma crosta à superfície, o manto por baixo dela e o núcleo, que é a camada mais profunda.

Na Terra, os sismos são provocados pelo deslocamento das placas tectónicas, as peças que compõem a crosta. Como a crosta da Lua não é composta por placas, julgava-se que o satélite natural era um corpo celeste essencialmente morto em termos geológicos.

Afinal, não é assim. Um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Smithsonian analisou 28 dos “tremores de lua” registados nos lugares de alunagem dessas quatro missões Apolo e descobriu a origem de alguns deles.

De acordo com o documento publicado esta segunda-feira na Nature, sete dos tremores começaram a uma profundidade de até 60 quilómetros, cinco dos quais tiveram hipocentro a menos de 30 quilómetros de profundidade. Todos despontaram de falhas geológicas recentes.

Instituto Smithsonian
Os sismos são provocados por contracções da superfície lunar

Por isso, os “tremores de lua” captados pelas missões Apolo eram mesmo sismos. Só que, ao contrário do que acontece no nosso planeta, esses sismos não eram provocados pelo movimento de placas tectónicas, mas sim por contracções da superfície lunar causados por influência das marés terrestres. As falhas geológicos são muito recentes e assemelham-se a penhascos.

À medida que a lua arrefece e diminui, a sua crosta torna-se frágil e rompe. As quebras na superfície produzem as falhas. Desde que começou a operar há uma década, mais de 3.500 falhas foram identificadas pela LRO. As descobertas sugerem que os terremotos lunares estão localizados muito próximos das falhas identificadas, sugerindo que os terremotos são o resultado da actividade tectónica.

“Achamos que é muito provável que os oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contracção global e pelas forças de maré, indicando que os sismógrafos da Apolo registaram a lua a encher e a lua ainda é tectonicamente activa”, disse Thomas Watters em comunicado.

Nicholas Schmerr, da Universidade de Maryland, um dos autores do estudo, acrescentou: “Não se costuma ver tectónicas activas em qualquer lugar além da Terra, por isso é muito entusiasmante pensar que as falhas ainda podem estar produzindo terremotos”.

Essas descrições, conseguidas através de um algoritmo que estuda redes sísmicas escassas, provam que a Lua está “geologicamente activa”. “Os autores concluem que a proximidade dos tremores às escarpas das falhas, juntamente com os movimentos das rochas à superfície e perturbações do regolito, gerem que a Lua é tectonicamente activa na actualidade”.

Recentemente, um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2019


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640: Foi finalmente desvendado um grande mistério da Lua (e a culpa foi nossa)

NASA
Buzz Aldrin, astronauta da missão Apollo 11, caminha na superfície lunar perto do módulo Eagle

Os astronautas que tiveram a sorte de visitar a Lua foram surpreendidos por um enigma durante a sua breve estadia: a superfície estava mais quente do que estavam à espera.

Segundo o IFLScience, os cientistas conseguiram agora desvendar o mistério e, como em qualquer boa história, o desfecho deste problema acabou com uma grande reviravolta.

Durante as missões Apollo 15 e 17, no início dos anos 70, foram colocadas sondas no antigo solo vulcânico para ver como a Lua estava a arrefecer. Um fenómeno muito importante porque, afinal de contas, o arrefecimento do interior da Terra é a razão pela qual temos continentes, montanhas, vulcões e terramotos.

A Lua é uma esfera morta e tem sido assim há milhões de anos. O seu vulcanismo há muito desapareceu e certamente nunca conseguiu desenvolver placas tectónicas. Ainda assim, está constantemente a arrefecer e a NASA queria saber ao certo quanto.

Ao perfurar alguns buracos no solo lunar, os astronautas dos dois programas espaciais montaram os seus termómetros de alta tecnologia e anotaram as leituras. Porém, não se revelou uma tarefa fácil, uma vez que tinham de ter em conta as alterações devido à luz solar e ao aquecimento criado pela própria perfuração.

As leituras a longo prazo indicam, de acordo com o Instituto Lunar e Planetário (LPI), que o fluxo de calor superficial da Lua está entre 18% e 24% da Terra. No entanto, algo estava errado: as sondas de calor registaram um aquecimento gradual dos locais onde a missão Apollo aterrou muito depois de as medidas originais. Não ficou claro o porquê, mas não poderia ser por causa de um processo interno que libertaria mais calor.

Infelizmente, tratou-se de um erro humano. Depois dessas experiências terem terminado em 1977, parecia que os cientistas só tinham arquivado os dados de 1971 a 1974. Os restantes acabaram por ficar perdidos.

Portanto, uma equipa de cientistas da Universidade de Tecnologia do Texas, nos EUA, decidiu fazer algumas investigações e, em 2010, conseguiu localizar as fitas de dados perdidas num enorme centro de arquivos da agência federal.

Ao recuperar de forma cuidadosa os dados para analisar a temperatura no final dos anos 70, os investigadores obtiveram uma melhor compreensão destas mudanças: o aumento da temperatura foi detectado pelas sondas mais rasas, antes de ser registada por aquelas mais profundas.

Percebendo que era uma causa relacionada com a superfície, a equipa cruzou as suas descobertas com imagens tiradas da superfície da Lua no momento em que foram feitas.

No artigo publicado no Journal of Geophysical Research, a equipa explicou que as “imagens da Lunar Reconnaissance Orbiter Camera sobre os dois locais de aterragem mostram que o rególito lunar (material geológico solto e fragmentado que cobre a rocha sólida recente) nos caminhos dos astronautas ficou mais escuro”, o que diminuiu a sua reflectividade.

“Sugerimos que, como resultado das actividades dos astronautas, o aquecimento solar pelo rególito aumentou ligeiramente, e isso resultou no aquecimento observado”, uma vez que mais luz solar foi absorvida na superfície.

Assim, o aumento da temperatura não estava relacionado com nenhum fenómeno estranho, não passando de um erro. Conclusão: a culpa foi nossa (e só nossa).

ZAP //

Por ZAP
12 Junho, 2018

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