1975: A Lua está a tremer. Missões Apolo captaram sismos na superfície lunar

Marshall Space Flight Center / NASA

As missões Apolo da NASA captaram sismos resultantes da actividade tectónica na Lua. A notícia está a ser avançada pela revista científica Nature.

Os sismos foram provocados por falhas tectónicas, ou seja, por rupturas que rasgam blocos de rochas em movimento com menos de 50 milhões de anos. Essas falhas foram encontradas em 2010 pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, uma sonda a agência espacial norte-americana em órbita na Lua.

Durante as missões Apolo 12, 14, 15 e 16, que aconteceram entre 1969 e 1977, os sismómetros registaram “tremores de lua fracos” cuja origem era desconhecida. Em termos geológicos, sabe-se que a Lua é composta por uma crosta à superfície, o manto por baixo dela e o núcleo, que é a camada mais profunda.

Na Terra, os sismos são provocados pelo deslocamento das placas tectónicas, as peças que compõem a crosta. Como a crosta da Lua não é composta por placas, julgava-se que o satélite natural era um corpo celeste essencialmente morto em termos geológicos.

Afinal, não é assim. Um novo estudo conduzido por cientistas do Instituto Smithsonian analisou 28 dos “tremores de lua” registados nos lugares de alunagem dessas quatro missões Apolo e descobriu a origem de alguns deles.

De acordo com o documento publicado esta segunda-feira na Nature, sete dos tremores começaram a uma profundidade de até 60 quilómetros, cinco dos quais tiveram hipocentro a menos de 30 quilómetros de profundidade. Todos despontaram de falhas geológicas recentes.

Instituto Smithsonian
Os sismos são provocados por contracções da superfície lunar

Por isso, os “tremores de lua” captados pelas missões Apolo eram mesmo sismos. Só que, ao contrário do que acontece no nosso planeta, esses sismos não eram provocados pelo movimento de placas tectónicas, mas sim por contracções da superfície lunar causados por influência das marés terrestres. As falhas geológicos são muito recentes e assemelham-se a penhascos.

À medida que a lua arrefece e diminui, a sua crosta torna-se frágil e rompe. As quebras na superfície produzem as falhas. Desde que começou a operar há uma década, mais de 3.500 falhas foram identificadas pela LRO. As descobertas sugerem que os terremotos lunares estão localizados muito próximos das falhas identificadas, sugerindo que os terremotos são o resultado da actividade tectónica.

“Achamos que é muito provável que os oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida pela contracção global e pelas forças de maré, indicando que os sismógrafos da Apolo registaram a lua a encher e a lua ainda é tectonicamente activa”, disse Thomas Watters em comunicado.

Nicholas Schmerr, da Universidade de Maryland, um dos autores do estudo, acrescentou: “Não se costuma ver tectónicas activas em qualquer lugar além da Terra, por isso é muito entusiasmante pensar que as falhas ainda podem estar produzindo terremotos”.

Essas descrições, conseguidas através de um algoritmo que estuda redes sísmicas escassas, provam que a Lua está “geologicamente activa”. “Os autores concluem que a proximidade dos tremores às escarpas das falhas, juntamente com os movimentos das rochas à superfície e perturbações do regolito, gerem que a Lua é tectonicamente activa na actualidade”.

Recentemente, um sismógrafo implantado em Marte, no âmbito da missão da NASA InSight, registou o que pode ser o primeiro terramoto do planeta vermelho.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2019


 

589: Morreu Alan Bean, o quarto homem na Lua

(dr) Alan Bean
Alan Bean usou poeira lunar real para retratar os seus passeios na Lua

Alan Bean, o quarto homem a caminhar na Lua, morreu aos 86 anos, informou a agência espacial norte-americana NASA em comunicado.

Morreu Alan Bean, o astronauta que, quatro meses depois de Neil Armstrong ter dado um pequeno passo para um homem mas um passo de gigante para a Humanidade, se tornou no quarto homem a fazê-lo.

A norte de Alan Bean acontece pouco mais de um ano após a de Eugene Cernan, o último homem a andar na lua, que partiu para a sua última viagem em Janeiro do ano passado.

“Alan Bean, 86 anos, morreu este sábado, 26 de maio, no Houston Methodist Hospital em Houston, Texas. A sua morte aconteceu depois de Bean ter ficado doente, durante uma viagem a Fort Wayne, no Indiana, há duas semanas”, informa o comunicado da agência espacial norte-americana.

“Estamos tristes pela morte de Alan Bean, o quarto homem na Lua, que passou mais de 10 horas na superfície lunar. Foi comandante da missão Skylab II, e dedicou-se à pintura depois de se retirar”, acrescenta a NASA no seu perfil no Twitter.

Capitão da Marinha dos Estados Unidos, Alan Bean tornou-se astronauta em 1963. Seis anos mais tarde, era o piloto do módulo lunar da Apollo 12, a segunda missão dos EUA a chegar à Lua.

As missões Apollo levavam 3 astronautas a bordo, dos quais dois tinham o privilégio de pisar a Lua – que, no caso das Apollo 12, coube a Bean e ao seu colega Peter Conrad, comandante da missão e terceiro homem a pisar a Lua.

Os dois astronautas exploraram a superfície da Lua, tendo realizado experiências científicas a baixa gravidade, enquanto o terceiro membro da missão, Richard Gordon, se manteve em orbita do satélite da Terra, no módulo de comando, à procura de posições de pouso para futuras missões lunares.

“Lembro-me de uma vez estar a olhar para a Terra e começar a pensar uau, isto é belo. Mas então disse a mim próprio, acaba de dizer disparates e vai mas é recolher pedras. Achávamos que a reflexão não era produtiva”, contou Bean à revista People em 1981.

A missão Apollo 12 começou com um susto. Pouco depois da descolagem, o foguete foi atingido por um raio, mas a tripulação conseguiu continuar o voo programado para a Lua. Bean e Conrad passaram mais de 31 horas na superfície da Lua, incluindo mais de 7 horas de trabalho fora do módulo lunar.

Em 1973, Bean comandou a missão Skylab II, a segunda missão tripulada ao famoso Skylab, primeira estação espacial dos EUA, que se despenhou na Terra em 1979, após 6 anos em órbita.

Bean nasceu a 15 de Março de 1932, em Wheeler, no Texas. Tinha o sonho de se tornar um piloto, e começou a voar aos 17 anos. Formou-se em engenharia aeronáutica na Universidade do Texas, após o que foi contratado como oficial da Marinha dos EUA.

Bean foi treinado como piloto de testes da Marinha precisamente por Peter Conrad, o que, anos mais tarde, desempenhou um papel crucial na sua escolha para a missão Apollo 12. Alan Bean passou 69 dias, 15 horas e 45 minutos no espaço, antes de se retirar, em 1981.

Depois de deixar a NASA, o ex-astronauta dedicou-se à pintura, tendo criado várias obras que retratavam passeios na superfície lunar usando poeira e detritos trazidos da Lua.

ZAP // Sputnik News / NPR

Por SN
27 Maio, 2018

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