317: Árvore mais solitária do mundo registou “o princípio do fim da humanidade”

Um abeto isolado, conhecido como “a árvore mais só do mundo”, contém o marcador geológico que assinala o início do Antropoceno, época que alguns definem como “o princípio do fim da humanidade”.

Se se quiser definir o Antropoceno como o momento em que “a humanidade inventou a tecnologia para se tornar extinta”, então “a árvore mais só do mundo” diz que tudo começou em 1965.

Esta é a conclusão dos investigadores Chris Turney e Jonathan Palmer, da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, e Mark Maslin, da Universidade do Colégio de Londres, no Reino Unido, destacam num artigo no The Conversation.

O Antropoceno ou Antropocénico, também descrito como “a idade recente do homem”, é um termo ainda controverso, sendo usado por cientistas para definir a fase actual da história da Terra, assinalando aquele que terá sido o momento em que os humanos assumiram domínio absoluto sobre a natureza.

Há cientistas que defendem que a intervenção humana na Terra, fruto do desenvolvimento tecnológico, teve um impacto tão importante no planeta que originou uma ruptura com o passado e um novo começo, à semelhança do que terá acontecido quando um asteróide aniquilou os dinossauros, acabando com o período Cretáceo e dando início ao Paleogeno, constata o Live Science.

Chris S. M. Turney, et al / Scientific Reports

Esse momento, do fim do Cretáceo, é detectável nos registos geológicos como um “pico no elemento iridium“, substância provavelmente originária do asteróide que colidiu com a Terra.

Assim, uma “assinatura” geológica semelhante teria que existir para “definir o Antropoceno como uma época real”, salienta esta publicação. O caminho para essa “assinatura” pode estar nos testes nucleares realizados acima do solo, durante o período mais tenso da Guerra Fria.

“Potencial marcador para o início do Antropoceno”

Já se especulou que o aumento dos gases com efeitos de estufa ou do carbono na atmosfera, ou ainda o boom populacional do pós-II Guerra Mundial, seriam marcadores dessa nova época.

Mas, afinal, o Antropoceno terá começado em 1965, concluem estes investigadores no artigo científico publicado no Scientific Reports. É um abeto isolado, da espécie Sitka, que fica na Ilha Campbell, a sul da Nova Zelândia, que aponta para aquela data, explicam os autores do estudo.

Localizado a mais de 275 quilómetros de qualquer outra árvore, este abeto é descrito como “a árvore mais só do mundo” e não é nativa da ilha. Foi plantada no local, no início do Século XX, pelo Governador da Nova Zelândia Lord Ranfurly.

“A madeira da árvore registou o radio-carbono produzido por testes de bombas atómicas acima do solo”, que foram realizados nos anos de 1950 e 1960, explicam os investigadores.

As “análises detalhadas do crescimento ano a ano da árvore mostram que o pico nos elementos radioactivos teve lugar algures entre Outubro e Dezembro de 1965, o que coincide com o mesmo sinal no Hemisfério Norte”, acrescentam.

Assim, os investigadores acreditam que o abeto nos dá “um potencial marcador para o início do Antropoceno“, demonstrando “inequivocamente que os humanos deixaram um impacto no planeta”, que ficará “preservado no registo geológico por dezenas de milénios e para além disso”.

Os arbustos da ilha também registaram o aumento do radio-carbono na atmosfera a partir de 1954, atingindo o seu pico entre 1965 e 1966.

SV, ZAP //

Por SV
25 Fevereiro, 2018

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