3232: Afinal, a história da famosa médica do Antigo Egipto pode estar toda errada

CIÊNCIA

Stzeman / Wikimedia
O vizir Ramose com a mulher Merit Ptah

A famosa médica do Antigo Egipto pode ter existido, mas tinha outro nome. Merit Ptah seria a mulher do antigo nobre Ramose.

Desde sempre que Merit Ptah, famosa médica do Antigo Egipto, é uma figura emblemática para as mulheres ligadas à Ciência. Porém, de acordo com o Science Alert, pode haver um pequeno grande problema: esta mulher pode, afinal, não ser quem se pensava.

Segundo o historiador médico Jakub Kwiecinski, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, a história desta antiga médica egípcia está completamente errada.

“A Merit Ptah está em todo o lado. Em posts online, em jogos de computador, em livros de história populares, há até uma cratera em Vénus com este nome. E, apesar dessas menções, não há provas de que realmente tenha existido”, explica o autor do estudo publicado, em Novembro, no Journal of the History of Medicine and Allied Sciences.

O caso de Merit Ptah teve as suas origens, no início do século XX, quando a médica e feminista canadiana Kate Campbell Hurd-Mead publicou, em 1938, um livro sobre a história das mulheres no mundo da Medicina.

É nessa obra que a canadiana descreve a suposta médica do Antigo Egipto. “A primeira médica do ‘Império Antigo’ na quinta dinastia, ou por volta de 2730 A.C., praticou durante o reinado de Neferirika-ra”, escreveu.

Hurd-Mead refere ainda um túmulo, no Vale dos Reis, no qual havia “uma imagem de uma mulher chamada Merit Ptah, a mãe de um sumo sacerdote, que a descreve como a ‘Médica-chefe’“.

“Merith Ptah existia como nome no Império Antigo, mas não aparece em nenhuma das listas dos antigos curandeiros egípcios, nem sequer como um dos ‘legendários’ ou ‘casos controversos’”, afirma Kwiecinski.

“Também está ausente da lista de mulheres administradoras do Império Antigo. Não há túmulos do Império Antigo presentes no Vale dos Reis, onde a história coloca o filho de Merit Ptah, e só existem alguns túmulos nessa área maior, a Necrópole de Tebas”.

Isso não significa, no entanto, que não tenham existido médicas no Antigo Egipto. Na verdade, há uma mulher do Império Antigo que corresponde aos detalhes descritos por Hurd-Mead.

Nos anos 30, uma escavação em Giza descobriu o túmulo de Akhethetep, um cortesão que viveu durante a quinta dinastia, no qual se encontrava uma porta falsa com a descrição de Peseshet, sua mãe e que foi baptizada de “Supervisora das Mulheres Médicas”.

Esta descoberta foi descrita em vários livros e um deles chegou mesmo à biblioteca pessoal de Hurd-Mead. Kwiecinski acredita que a médica canadiana confundiu Peseseth com a mulher do antigo nobre Ramose, que foi enterrado no Vale dos Reis, que se chamava Merit Ptah.

Apesar da confusão, o investigador considera que isto não retira importância ao que Merit Ptah ainda hoje representa. “Embora não seja uma personagem egípcia autêntica e não seja uma boa figura simbólica, é um símbolo real do esforço colectivo de recolocar as mulheres na história. É uma heroína genuína da luta feminista moderna”, escreveu Kwiecinski no seu artigo.

ZAP //

Por ZAP
20 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

906: Papiros com 3500 anos revelam detalhes raros sobre antigas práticas médicas

CarlsbergFondet
Um dos manuscritos da Colecção Papyrus Carlsberg

Uma colecção de manuscritos com 3500 anos inclui revelações únicas sobre as práticas médicas do Antigo Egipto. Estes papiros estão a ser traduzidos e incluem dados sobre um teste de gravidez, sobre rins e sobre tratamentos a doenças dos olhos.

Estão em causa cerca de 1400 manuscritos datados de entre 2000 Antes de Cristo até 1000 Depois de Cristo, que integram a Colecção Papyrus Carlsberg que está alojada na Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Uma equipa internacional de investigadores está a colaborar para tentar interpretar estes textos médicos oriundos da antiga Biblioteca do Templo de Tebtunis, que existiu muito antes da famosa Biblioteca de Alexandria.

“Uma grande parte dos textos continua por publicar” e por traduzir desde que foram doados à Universidade em 1939, como refere o director da colecção, Kim Ryholt, professor do Departamento de Culturas Cruzadas e Estudos Regionais da instituição de ensino de Copenhaga, em declarações ao site ScienceNordic.

Os textos falam “sobre medicina, botânica, astronomia, astrologia e outras ciências praticadas no Antigo Egipto”, esclarece Ryholt, frisando que dão “uma visão única sobre a história da ciência“, com alguns dos textos escritos “há 3500 anos quando não havia material escrito no continente europeu”.

Os especialistas que analisam os manuscritos já descobriram que os papiros incluem a discussão médica mais antiga que é conhecida sobre rins, bem como notas sobre tratamentos a doenças dos olhos. E há ainda uma descrição de um teste de gravidez.

“O texto diz que uma mulher grávida deve urinar num saco de trigo e num saco de cevada”, e “dependendo em qual saco brotam os grãos primeiro, revela-se o sexo da criança”; “e se em nenhum dos sacos houver rebentos, então ela não está grávida”, explica a investigadora Sofie Schiødt ao ScienceNordic.

“Muitas das ideias dos textos médicos do Antigo Egipto aparecem de novo, mais tarde, em textos gregos e romanos“, acrescenta Schiødt, concluindo que “daqui, espalharam-se mais além para os textos médicos medievais do Médio Oriente, e podem encontrar-se vestígios até à medicina pré-moderna”.

SV, ZAP //

Por SV
22 Agosto, 2018

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