2453: Pela primeira vez, foi encontrada uma rara poeira interestelar na neve da Antárctida

ravas51 / Wikimedia

Cientistas que estudavam a neve recém-caída na Antárctida descobriram um raro isótopo de ferro na poeira interestelar escondido dentro dela, sugerindo que a poeira apareceu recentemente.

Esta descoberta poderia dar informações cruciais sobre a história das explosões estelares na nossa vizinhança galáctica.

Sabe-se que a poeira cósmica cai na Terra a toda a hora, em forma de minúsculos fragmentos do entulho da formação de estrelas e planetas. A Antárctida é um óptimo lugar para procurar essa poeira, porque é uma das regiões mais preservadas da Terra, tornando mais fácil encontrar isótopos que não se originaram no nosso próprio planeta.

Neste caso, o isótopo que os investigadores identificaram é o raro 60Fe (ou ferro-60), uma das muitas variantes radioactivas do ferro. Anteriormente, a presença deste ferro em sedimentos do fundo do mar e restos fossilizados de bactérias sugeriu que uma ou mais super-novas explodiram nas proximidades da Terra entre 3,2 e 1,7 milhões de anos atrás.

O novo estudo marca a primeira vez que o ferro interestelar 60 foi detectado na recente neve da Antárctida – a poeira terá caído dos céus nos últimos 20 anos, de acordo com os investigadores.

“Fiquei pessoalmente muito surpreendido, porque era apenas uma hipótese de que poderia haver ferro-60 e era ainda mais incerto que o sinal fosse suficientemente forte para ser detectado”, disse o físico nuclear Dominik Koll, da Universidade Nacional da Austrália, ao ScienceAlert.

“Foi um momento muito alegre quando vi a primeira contagem de ferro 60 aparecer nos dados, porque significa que a nossa imagem astrofísica geral pode não estar muito errada.”

A imagem é a seguinte: o Sistema Solar está actualmente a viajar através do que é conhecido como Nuvem Interstelar Local (LIC), uma bolsa de meio interestelar denso que contém muita poeira interestelar.

Se o ferro-60 tiver sido depositado na Terra nos últimos anos, isso ajuda a validar a ideia de que a nossa vizinhança galáctica local e a sua composição particular de estrelas estelares inter-estelares podem ter sido moldadas pela explosão de estrelas.

Isto também pode ajudar a identificar melhor a nossa localização no LIC e durante quanto tempo o Sistema Solar está a passar por ele. “Esperamos um aumento acentuado no fluxo de ferro-60 na época em que o Sistema Solar entrou no LIC”, escreveu a equipa no estudo, publicado em Agosto na revista especializada Physical Review Letters.

O presente estudo envolveu uma análise química de espectrometria de massa altamente sensível realizada em 500 quilogramas de neve removida da Antárctida e cuidadosamente transportada para a Alemanha – para um dos dois únicos locais em todo o mundo onde esse tipo de análise pode ser realizado.

“Não há ferro estável ou outros elementos abundantes na Antárctida, o que ajuda muito na medição das relações 60Fe / Fe”, disse Koll ao ScienceAlert. “A neve foi tirada com uma pá e foi acondicionada em caixas de armazenamento que foram mantidas abaixo de 0°C para manter a neve congelada até chegar a Munique.”

Os investigadores mediram as proporções de outros elementos isótopos na sua amostra, para garantir que o isótopo de ferro fosse de origem verdadeiramente interestelar. Isto permitiu-lhes descartar outras possíveis origens mais próximas de casa, como rochas espaciais dentro do nosso Sistema Solar irradiadas com raios cósmicos ou mesmo testes de armas nucleares.

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16 Agosto, 2019

 

2445: Supernova poderá ter deixado poeira radioactiva no gelo da Antárctida

Cientistas encontraram evidências de poeira produzida por super-novas vizinhas. De acordo com uma nova investigação, esta matéria está escondida debaixo de mil quilos de neve na Antárctida. Assim, poderão ser estes indícios que ajudarão os astrónomos a perceber que o Sol está realmente no meio de uma “Bolha Local”.

Há muitos mistérios por baixo das toneladas de gelo, alguns sinais poderão mostrar a realidade do nosso sistema solar.

O que é um super-nova?

Super-nova é um evento astronómico que ocorre durante os estágios finais da evolução de algumas estrelas. Este momento é caracterizado por uma explosão muito brilhante. Por um curto espaço de tempo, isto causa um efeito similar ao surgimento de uma estrela nova, antes de desaparecer lentamente ao longo de várias semanas ou meses.

Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em mil milhões de vezes a partir do seu estado original. Com isso, o fenómeno torna a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, a sua temperatura e brilho diminuem lentamente. Assim, a explosão de uma super-nova de tipo II pode expulsar para o espaço até 90% da matéria da estrela progenitora.

Vestígios de poeira radioactiva de uma super-nova na neve antárctica

O nosso sistema solar é mais do que apenas o Sol, planetas, luas e asteróides – este está cheio de poeira, grande parte da qual pode ter origem em fontes inter-estelares. Uma equipa de cientistas na Austrália, Alemanha e Áustria espera encontrar a assinatura elementar dessa poeira aqui na Terra. Eventualmente serão revelados dados que ajudarão a entender melhor o ambiente pelo qual o sistema solar se move.

Estou animado com a possibilidade de aprender algo sobre as explosões estelares extremas e grandes estruturas ao redor do nosso planeta que estão inimaginavelmente distantes e grandes. Isso é possível apenas olhando para o nosso próprio planeta.

Referiu Dominik Koll, o primeiro autor do estudo.

Os investigadores organizaram um transporte de cerca de 500 quilos de neve relativamente fresca (não mais de 20 anos). Este material viajou da Estação Kohnen na Antárctida até Munique, Alemanha. Posteriormente, derreteram-na no laboratório, passaram por um filtro e evaporaram-na para recolher poeira e micro-meteoritos.

A poeira a seguir foi incinerada e depois colocaram-na num espectrómetro de massa acelerador. Este método cria iões carregados a partir da amostra, passa os iões através de um íman e para um acelerador de partículas antes de os enviar para o detector. Isto permite que os investigadores procurem apenas isótopos atómicos específicos.

À descoberta de ferro-60 vindo do espaço

Especificamente, a equipa esperava encontrar ferro-60, um isótopo radioactivo de longa duração libertado por estrelas explosivas, ou super-novas. Contudo, o ferro-60 pode ter vindo de outras fontes, como matéria irradiada por raios cósmicos.

Assim, para garantir que estavam realmente a medir a poeira interestelar, também procuraram na amostra por manganésio 53, outro isótopo produzido por raios cósmicos de alta energia. Posteriormente, os cientistas compararam a sua razão de ferro-60 e manganésio 53 com a razão que esperariam se não houvesse poeira interestelar. No entanto, a equipa mediu muito mais ferro-60 do que esperavam apenas dos raios cósmicos.

Mas como chegou lá esta poeira?

Estes investigadores já mostrou anteriormente que uma super-nova próxima depositou ferro-60 no sistema solar nos últimos 1,5 milhão a 3 milhões de anos. Desta forma, e tendo em conta que esta poeira rica em ferro-60 ainda está a cair na Terra, então poderemos estar a passar por uma nuvem de poeira remanescente desta super-nova.

Estudos como estes podem pintar melhor um quadro do ambiente interestelar através do qual o Sol está a viajar. Astrónomos perceberam que o Sol está no meio de uma “Bolha Local”, uma área onde o meio interestelar é muito menos denso que a média, talvez por causa de uma super-nova relativamente recente. Dentro da bolha está a Nuvem Interstelar Local, uma região que é um pouco mais densa que a Bolha. Os núcleos radioactivos da neve da Antárctida podem ser uma forma importante de sondar as origens da Bolha e da Nuvem.

Os investigadores referem que ainda há muito a fazer. O grupo liderado por Koll espera um dia explorar material mais antigo. A ideia será ver como a deposição dessa poeira mudou com o tempo.

A Antárctida é mais do que apenas um deserto gelado. Na verdade, este ainda desconhecido lugar na Terra, pode estar a esconder uma história secreta de super-novas antigas. Esta informação foi publicada na revista científica Physical Review Letters.

Imagem: Wikip
Fonte: Physics

 

2351: “Neve artificial” poderia salvar lençol de gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O lençol de gelo da Antárctida pode deslizar para o oceano e inundar as cidades costeiras. No entanto, esta catástrofe pode ser evitada se os Governos investirem num projecto de engenharia para cobrir a superfície com “neve artificial”.

Os cientistas acreditam que o aquecimento global já provocou tanto derretimento no pólo sul que o gigantesco lenço de gelo da Antárctida está em processo de desintegração, o que provocaria um eventual aumento global do nível da água do mar até três metros nos próximos séculos.

Mas uma equipa de cientistas do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha, acredita ter uma solução.

Os autores do mais recente estudo, publicado na Science Advances, propõem a utilização de 12 mil turbinas de vento para bombear água do mar a 1.500 metros de altura da superfície, local onde a água congelaria tornando-se numa espécie de neve que faria peso sobre a camada de gelo, impedindo assim que ela se dissolve-se ainda mais.

“Nós já acordamos o gigante do pólo sul”, começou por dizer Anders Levermann, professor e co-autor do artigo científico, citado pela Reuters, adiantando que estamos actualmente “num ponto sem retorno, se nada fizermos”.

Segundo o Straits Times, a quantidade necessária de neve para atingir os objectivos propostos seria de, pelo menos, 7,4 mil milhões de toneladas. Além disso, a operação teria obrigatoriamente de envolver centenas de canhões, alimentados por 12 mil turbinas eólicas, capazes de pulverizar água do mar numa área do tamanho da Costa Rica.

Este projecto ambicioso necessitaria de vários talentos da engenharia. Contudo, poderia também representar um risco ambiental significativo para uma das últimas áreas primitivas do planeta.

Citado pelo RT, Levermann admite que, se o projecto for realizado, terá “efeitos terríveis” na Antárctida, mas insiste que impedir o aumento global do nível do mar é uma “compensação desejável”.

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22 Julho, 2019

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2295: A Halley VI não precisa dos humanos para nada (e isso é uma boa notícia)

CIÊNCIA

(dr) British Antarctic Survey
A base britânica de investigação científica Halley VI

No inverno extremo da Antárctida, a base móvel de pesquisas do Reino Unido, entretanto abandonada por questões de segurança, continua a funcionar normalmente.

A Halley VI, base móvel de pesquisas do Reino Unido situada na plataforma de gelo Brunt no Mar de Weddell, na Antárctida, foi projectada para albergar cientistas mas, nos últimos anos, devido a várias fendas no gelo acabou por ser encerrada por questões de segurança.

Porém, embora esteja totalmente abandonada, isso não significa que a investigação tenha de parar. Segundo o Science Alert, os investigadores da British Antarctic Survey (BAS) anunciaram que, pela primeira vez desde que foi suspensa, a base continuou as suas medições do clima, ozono e clima espacial (sem ninguém pôr lá os pés desde Fevereiro).

“Estamos confiantes de que temos um bom design, mas as condições do inverno na Antárctida são tão brutais que nunca sabemos muito bem o que pode acontecer. Até agora, os sistemas operaram em temperaturas de até -43ºC e suportaram ventos de até 43 nós”, diz Thomas Barningham, cientista responsável pelo Halley Automation Project.

Durante estes períodos, a instalação mantém-se operacional graças a um sistema de energia autónomo que fornece electricidade aos instrumentos científicos da estação.

Luke Collins / Flickr

O núcleo da plataforma de automação é uma micro-turbina instalada num contentor com temperatura controlada, que funciona com um sistema de abastecimento autónomo para manter o Halley VI e todos os seus dispositivos a funcionar.

A micro-turbina precisa de trabalhar 24 horas, sete dias por semana, durante nove meses para garantir que a Halley VI continua a fazer o seu trabalho até que os investigadores regressem em Novembro.

É uma tarefa difícil, mas até agora a plataforma esteve ligada durante 136 dias, por isso, a British Antarctic Survey está confiante. Todos os dias, os investigadores têm recebido no Reino Unido 1GB de novos dados.

Para a equipa do BAS, este tempo ininterrupto representa a possibilidade de devolver a Halley VI ao lugar onde deveria estar, depois de dois Invernos ‘offline’ em 2017 e 2018.

“Estamos a medir o ozono desde a década de 50 e estes dois Invernos perdidos de dados deixam-me realmente triste. Por isso, estou muito orgulhoso da posição em que nos encontramos agora”, afirma o director de ciência da BAS, David Vaughan, à BBC.

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9 Julho, 2019

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2177: O mistério dos buracos que se abrem na Antárctida foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Em 2016 e 2017, os cientistas fotografaram duas enormes polínias, espaços abertos de água cercados por gelo marinho, no meio do Mar de Weddell, a oeste da Antárctida.

O buraco de 2016 tinha cerca de 33.000 quilómetros quadrados, mas o de 2017 tinha uma área de cerca de 50.000 quilómetros quadrados – do tamanho de dois terços de Portugal.

Um grupo de investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, tentou investigá-los, usando imagens de satélite, robôs e elefantes marinhos equipados com sensores. De acordo com o estudo publicado na revista Nature, a origem desse fenómeno está na acumulação de uma série de anomalias oceânicas.

“Pensamos que este grande buraco era estranho, talvez um processo que tinha desaparecido. Mas os eventos de 2016 e 2017 mostraram que não”, disse Ethan Campbell, director da investigação, em comunicado. “As observações mostraram que as polínias recentes abriram-se por causa de uma combinação de factores: algumas são as condições incomuns do oceano e as outras uma série de intensas tempestades que rodopiavam em redor do Mar de Weddell com quase a força de um furacão”.

Normalmente as polínias formam-se perto da costa por causa do impulso do vento. Mas também podem aparecer no interior e, nesse caso, tornam-se um oásis para pinguins, baleias e focas, já que podem emergir e respirar lá.

No Mar de Waddell, as primeiras polínias foram detectados em 1974, 1975 e 1976, graças ao lançamento dos primeiros satélites. Até então, esses buracos eram do tamanho da Nova Zelândia e mostraram que conseguiam persistir apesar das baixas temperaturas. Mas não se soube nada sobre o fenómeno até às deteções de 2016 e 2017. Por essa razão, os investigadores perguntaram-se por que estava a acontecer novamente e se a mudança climática poderia alterar esse fenómeno.

O Oceano Antárctico é um agente fundamental no clima do planeta, especialmente através das correntes oceânicas e do ciclo do carbono, do fluxo de dióxido de carbono da atmosfera para os oceanos e vice-versa. É um dos oceanos com as tempestades mais poderosas do mundo. No entanto, o eu comportamento é difícil de entender.

Nesta ocasião, os cientistas usaram as observações do projecto SOCCOM, que está a tentar registar o que está a acontecer nesta região extrema do planeta, através de múltiplos instrumentos meteorológicos, satélites e até sensores ligados a elefantes marinhos.

O estudo mostra que os ventos precisam de se aproximar da costa, o que favorece a mistura de água no mar de Weddell. Lá, nas profundezas, existe uma montanha submersa, conhecida como Elevação Maud, que aprisionam a água mais densa.

Quando a água da superfície é especialmente salgada, ventos fortes podem gerar uma inversão da corrente, na qual a água da superfície começa a circular de modo que o gelo não se pode formar. Em particular, sal e água quente permanecem ancorados à superfície, mas o vento arrefece e afunda e é substituído por um pouco de água mais quente. Isso cria um ciclo que permite a troca entre águas superficiais e profundas.

Isso tem relevância para o clima, porque as correntes dependem das águas profundas, frias e densas da Antárctida. “Neste momento, as pessoas acreditam que a água se forma na plataforma antárctica, mas as polínas poderiam ter sido mais comuns no passado”, segundo Stephen Riser, co-autor do estudo. “Precisamos de melhorar os nossos modelos para estudar estes processos, o que poderia ter grandes implicações para o clima”.

Os modelos prevêem que a mudança climática aumentará o derretimento do gelo e que isso reduzirá a formação de polínias, porque a água derretida reduzirá a salinidade da água. No entanto, outras previsões indicam que os ventos em torno da Antárctida serão fortalecidos, o que implicaria um aumento na formação de polínias. Além de moldar as correntes oceânicas, as polínias podem afectar o ciclo do carbono.

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15 Junho, 2019

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2109: Encontrada debaixo da Antárctida uma placa oculta que evita inundação mundial

CIÊNCIA

Jeremy Harbeck / NASA
Glaciar de Thwaites, na Antárctida

Uma estrutura rochosa antiga encontrada no coração da plataforma de gelo Ross ajuda a determinar onde o gelo da Antárctida derrete e onde permanece firme e congelado.

A estrutura é uma antiga fronteira tectónica, provavelmente formada durante o nascimento do continente antárctico ou pouco depois. De acordo com uma nova investigação publicada na revista Nature Geoscience, esse limite protege a linha de deslizamento da plataforma de gelo, o ponto em que é suficientemente espessa para se estender até ao fundo do mar.

A geologia criada pelo limite mantém a água do oceano quente, que promove a fusão, longe daquela parte da prateleira. Mas a circulação oceânica impulsionada pela mesma geologia leva a um derretimento no verão ao longo da borda leste da estante.

A placa permaneceu escondida sob a terra durante centenas de milhões de anos. Trata da plataforma de gelo Ross, que desacelera o deslizamento para o oceano de aproximadamente 20% do gelo da Antárctida, o que equivale a uma elevação do nível do mar em quase 11,6 metros.

Os investigadores detectaram a placa graças às observações realizadas pelo sistema de exploração chamado IcePod. O sistema consegue medir a altura, largura e a estrutura interior de um bloco de gelo, além de interceptar sinais magnéticos e gravitacionais dos blocos subjacentes.

O sistema também permite “ver” através do gelo até uma profundidade de centenas de metros para detectar estruturas que os satélites são incapazes de identificar.

Esta placa rochosa, situada entre o leste e oeste da Antárctida, criou uma divisão sob o continente que protege a plataforma de gelo Ross das águas mais quentes e do seu possível derretimento.

“Podemos ver que esta barreira geológica faz com que o fundo marinho no leste da Antárctida seja mais profundo que no oeste. Isso afecta a maneira como a água circula sob o bloco de gelo”, afirmou Kirsty Tinto, geóloga da Universidade de Columbia e autora do estudo.

Num futuro próximo, a linha de deslizamento da plataforma de gelo – o ponto em que entra em contacto com o fundo do mar – deve permanecer estável, pelo menos diante de mudanças climáticas moderadas. Mas variações no clima local terão um grande impacto na rapidez com que a borda frontal da plataforma de gelo derrete.

Essas variações podem incluir reduções no declínio do gelo marinho ou diminuição da cobertura de nuvens, disse Laurie Padman, cientista da Earth and Space Research, em Oregon, e co-autora do estudo, em comunicado.

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4 Junho, 2019



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1944: Um buraco misterioso continua a abrir-se na Antárctida

CIÊNCIA

NASA

Em 1970, quando os satélites começaram a tirar fotografias da Terra, os cientistas notaram um misterioso buraco no mar de Lazarev, na Antárctida. No verão, a lacuna desapareceu e, durante décadas, o acontecimento não foi explicado.

Há um ano e meio, durante os meses mais frios de inverno, quando o gelo deveria estar denso, um gigantesco buraco de 9.500 quilómetros quadrados apareceu repentinamente no mesmo bloco de gelo. Dois meses depois, cresceu 740% antes de, mais uma vez, recuar com o gelo do verão.

Demorou décadas, mas os cientistas pensam que finalmente entendem por que razão isto continua a acontecer. Usando observações de satélite e dados de reanálise, investigadores da Universidade de Nova York em Abu Dhabi descobriram que os buracos efémeros, conhecidos como polínias, parecem ser cicatrizes de tempestades ciclónicas.

Em Setembro de 2017, quando o ar quente e o ar frio colidiram no Polo Sul, os autores explicaram que os ventos internos de um ciclone – atingindo 117 quilómetros por hora e ondas de 16 metros de altura – empurrou o bloco de gelo da Antárctida em todas as direcções e para longe do olho da tempestade.

A polínia resultante não é necessariamente má. Na verdade, as perfurações podem ser importantes, porque oferecem caminhos cruciais para a vida selvagem, incluindo focas e pinguins, e fornecem habitat para o fitoplâncton. Essas lacunas são poderosos influenciadores da atmosfera e um indicador potencial de mudança climática.

“Uma vez aberta, a polínia funciona como uma janela através do gelo marinho, transferindo enormes quantidades de energia durante o inverno entre o oceano e a atmosfera”, disse a cientista atmosférica Diana Francis, autora principal do estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Atmospheres.

“Devido ao seu grande tamanho, os polínias no meio do mar impactam o clima regional e globalmente, à medida que modificam a circulação oceânica.” Embora os polínias não sejam necessariamente desastrosas, a sua presença pode ter um efeito sobre o clima.

A gama de factores que os buracos podem influenciar é surpreendente e o risco de ocorrerem com mais frequência é alto. Em climas mais quentes, estudos anteriores indicam que a actividade do ciclone nos pólos da Terra só se intensificará. Os ciclones extra-tropicais vão aproximar-se cada vez mais da Antárctida.

ZAP // Science Alert

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8 Maio, 2019

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1910: Mystery Sea Opened Up During the Antarctic Winter. Now, Scientists Know Why.


A polynya in Antarctica’s Weddell Sea.
Credit: Wolfgang Kaehler/LightRocket via Getty Images

A swath of ice-free sea that regularly opens up during the frigid Antarctic winters is created by cyclones.

Sea ice in Antarctica is thickest in the winter, so the appearance of open water is perplexing. These open seas are called polynyas. In 2017, scientists spotted one in the Lazarev Sea, which they called the Maud Rise polynya because it sits over an ocean plateau called Maud Rise.

Now, researchers led by Diana Francis, a New York University Abu Dhabi atmospheric scientist, find that cyclonic winds push ice in opposite directions, causing the pack to open up and expose open sea. [Antarctica: The Ice-Covered Bottom of the World (Photos)]

In mid-September 2017, the Maud Rise polynya was 3,668 square miles (9,500 square kilometers) in size. By mid-October, it had grown to 308,881 square miles (800,000 square km).

The Maud Rise polynya in September 2017.
Credit: NASA Worldview

An analysis of high-resolution satellite imagery explained the rapid growth. Warm, moist air flowing in from the western South Atlantic hit cold air headed northward from the south, setting the stage for violent storms. The resulting cyclones rated 11 on the Beaufort storm scale, meaning they involved wind speeds of up to 72 mph (117 km/h) and waves up to 52 feet (16 meters) high anywhere they encountered open sea.

These swirling winds pushed ice away from the cyclonic centers, Francis and her colleagues wrote April 24 in the journal JGR Atmospheres.

Polynyas aren’t new or necessarily harmful. According to the National Snow and Ice Data Center (NSIDC), they can provide important ocean access for Antarctic animals and habitat for phytoplankton.

However, polynyas may change in a warming future, Francis and her colleagues speculated. Antarctica is expected to experience stronger cyclones as the climate changes, because models show that storms are likely to form more often toward the poles and to be more intense, according to the NSIDC.

If those predictions are correct, Antarctica might see more open water in future winters.

Originally published on Live Science.
By Stephanie Pappas, Live Science Contributor 
April 30, 2019 06:59am ET

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1892: O gelo mais antigo da Terra pode estar escondido sob a Antárctida (e desvendar um mistério climático)

Jason Ardell / Flickr

Uma equipa de cientistas europeus que “caça” os mais antigos gelos do planeta instalou-se num local específico da Antárctida, onde vai levar a cabo uma série de perfurações a mais de 2,7 quilómetros abaixo da superfície gelada – os especialistas podem estar a um passo do mais velho gelo da Terra. 

O que é que aconteceu há 900.000 e 1,2 milhões de anos, quando a Terra sofreu uma transição no sistema climático que fez com que os períodos glaciais se tornassem mais longos e frios? Esta é a grande questão a que os especialista querem dar resposta.

Durante os próximos cinco anos, a missão Beyond EPICA-Oldest Ice trabalhará num lugar remoto da Antárctica conhecido como “Little Dome C”, anunciou no início de Abril a equipa no âmbito de uma reunião da União Europeia de Geociências, realizada em Viena.

“Os núcleos de gelo são únicos para as geociências, porque são um arquivo do paleo-atmosfera”, afirmou o coordenador da missão, Olaf Eisen, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, em declarações ao portal Live Science.

Os cientistas vão analisar bolhas de gás, moléculas e partícula presas em camadas finas de gelo antigo. A partir destes dados, poderão reconstruir os níveis de dióxido de carbono, os dados da temperatura e outros indicadores climáticos ao longo de um vasto período do tempo.

O principal objectivo do projecto passa por entender por que motivo o ciclo das eras glaciais na Terra mudou no passado distante. Actualmente, acredita-se que há mais de 1,2 milhões de anos as eras glaciais alternavam-se em ciclos mais rápidos, cerca de 40.000 anos.

Os cientistas querem agora saber a causa desta alteração e esperam encontrar algumas destas respostas no “Little Dome C. Além disso, explicou a equipa, esta investigação pode ajudar a criar previsões climáticas para o futuro.

British Antarctic Survey (BAS)
Mapa da Antárctida com a área de exploração da missão europeia

Uma missão para décadas

A área em torno do “Little Dome C” é muito seca e quase não ocorre precipitação – o que é óptimo para a missão. “Quanto mais baixa a taxa de acumulação de neve a cada ano, mais anos [de dados] terá o local a cada metro”, explicou Catherine Ritz, cientista do projecto e membro do Instituto de Geociências e Pesquisa Ambiental da França (IGE).

A temperatura média no local da perfuração é de -54,5 graus Celsius, ou seja, a equipa apenas conseguirá trabalhar durante dois meses do verão antárctico.

Por este mesmo motivo, é provável que os cientistas demorem anos a alcançar as camadas mais profundas e mais antigas do gelo, tendo em conta que a missão pretende remover cilindros de gelo com quatro metros de comprimento e 10 centímetros de diâmetro. Desta forma, estima-se se que os resultados mais importantes não sejam alcançados até, pelo menos, o ano de 2015.

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26 Abril, 2019

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1885: Milhares de pinguins bebés morrem afogados na Antárctida

Colónia de pinguins imperador de Halley Bay desapareceu quase de um dia para o outro depois de a plataforma de gelo se partir. As consequências do degelo já estão a afectar uma espécie ameaçada de extinção.

Cientistas estimam que até ao final do século a população de pinguins imperador reduza drasticamente.
© REUTERS/Martin Passingham

Milhares de filhotes de pinguins imperador morreram afogados quando a plataforma de gelo onde estavam a ser criados, na Antárctida, se partiu. A catástrofe, que afecta uma espécie em vias de extinção, aconteceu em 2016 e foi agora revelada na revista Antarctic Science por uma equipa da British Antarctic Survey (BAS).

Os investigadores Peter Fretwell e Phil Trathan dizem que, para agravar a situação, as aves adultas não dão sinais de se reproduzirem e repor a população.

Foi através de imagens de satélite que a equipa de investigadores deu pelo desaparecimento dramático dos pinguins bebés – é possível ver os excrementos dos animais no branco do gelo a mais de 800 quilómetros.

O resultado desta catástrofe que atingiu a colónia de Halley Bay é que a população de pinguins imperador, que durante décadas esteve estabilizada numa média entre 14 mil e 25 mil casais (cerca de 5-9% da população global), desapareceu de um dia para o outro.

Os pinguins imperador pertencem a uma espécie de pinguins mais alta e pesada. Estes animais precisam de blocos de gelo seguros para se reproduzir – a plataforma gelada deve persistir, pelo menos, a partir de Abril (quando as aves chegam) até Dezembro (quando os seus filhotes deixam o ninho).

Se o gelo se quebrar mais cedo, os pinguins bebés não terão tempo para lhes crescerem as penas e começarem a nadar, logo acabam por morrer afogados – o que terá acontecido em 2016.

“O gelo marinho formado desde 2016 não tem sido tão forte. Os eventos de tempestade que ocorrerem em Outubro e Novembro agora vão acabar cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no sistema que anteriormente era estável e confiável e agora é apenas insustentável.”, disse Fretwell à BBC.

A equipa British Antarctic Survey acredita que muitos pinguins adultos evitaram reproduzir-se nestes últimos três anos ou então mudaram-se para novas zonas de criação no Mar de Wenddell. Uma convicção que ganha mais força quando uma das colónias a cerca de 50 Km de distância, próximo do Glaciar Dawson-Lambton, aumentou.

Os cientistas não conseguiram chegar às razões pelas quais a borda da Plataforma de Brunt não se regenerou, sobretudo porque, dizem, não houve alterações significativas em termos oceânicos e atmosféricos. Mas alertam que ao registarem-se alterações na regeneração do gelo marinho, isso é um sinal do impacto que o aquecimento da Antárctida poderá ter nos pinguins imperadores.

Um cenário assustador

Vários estudos alertam para os riscos de extinção da espécie: se o gelo derreter conforme está previsto, 50 a 70 por cento da população global de pinguins imperador podem desaparecer até 2100; há investigações que referem que até ao final deste século, 45 colónias poderão extinguir-se; outros estudos estimam uma redução de seis mil para 400 casais.

As alterações climáticas e o degelo daí decorrente são a grande ameaça à continuidade da espécie e não a cadeia alimentar.

Cientistas sugerem que uma forma de tornar o cenário menos assustador passaria por medidas provisórias como a criação de novas áreas de protecção onde os animais pudessem permanecer para capturar alimentos. Mas a solução seria mesmo diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

Diário de Notícias
DN
25 Abril 2019 — 13:39

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1872: “Embrião” de cometa encontrado no interior de um meteorito primitivo

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma equipe de especialistas do Instituto Carnegie para a Ciência, nos Estados Unidos, descobriu que há um pequeno fragmento – uma espécie de “embrião” – de um cometa a viver no interior de um meteorito primitivo encontrado na Antárctida.

O meteorito em causa, baptizado de LaPaz Icefield 02342, pertence à classe das condritas carbonáceas primitivas, ou seja, é um corpo que sofreu mudanças mínimas desde a sua formação, há mais de 4.500 milhões de anos, explicou a cientista Jemma Davidson, citada em comunicado do instituto.

Tanto o cometa como a asteróide foram formados a partir do disco de gás e poeira que cercou o Sol primitivo no passado. Contudo, os corpos formaram-se a diferentes distâncias do astro, o que se reflectiu directamente na sua composição química, assinala a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Astronomy.

Os cometas que se formaram a uma distância maior do Sol contêm maiores quantidades de água e mais carbono do que os asteróides, exemplifica o mesmo documento.

No interior do meteorito encontrado na Antárctida, a equipa encontrou um fragmento minúsculo – um décimo de milímetro de diâmetro – de um material primitivo muito rico em carbono que apresenta semelhanças surpreendentes com partículas de poeira extraterrestres que, segundo acreditam os cientistas, terão sido originadas em cometas formados perto dos extremos do Sistema Solar.

Os cientistas acreditam que há cerca de 3 ou 3,5 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, este pequeno fragmento foi capturado por um asteróide em desenvolvimento a partir do qual o meteorito se originou.

“Como esta amostra (…) foi engolida por um asteróide e conservada no interior deste meteorito, foi protegida dos estragos quando entrou na atmosfera da Terra”, completou o cientista Larry Nittler. “O asteróide serviu como uma espécie de cápsula protectora, dentro da qual ficaram preservados ‘embriões’ de cometas e grãos de matéria primária do Sistema Solar”. De outra forma, “estas amostras nunca chegariam [ao meteorito] sozinhas”.

Graças a esta cápsula resistente ao tempo, rematou, será ainda possível abordar e melhor entender a química do Sistema Solar primitivo.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2019

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1825: “Entrou na fase final”: icebergue do tamanho de Nova Iorque vai separar-se da Antárctida

Cientistas acreditam que dentro de dois meses poderá existir um novo icebergue com uma área de 1500 quilómetros quadrados e uma espessura entre os 150 e 250 metros. No entanto, nada indica que este fenómeno seja consequência das alterações climáticas

© Rosemary Calvert/ Getty Images Expresso

Sabe quanto são 1200 quilómetros quadrados? Para facilitar dizemos-lhe que 1200 quilómetros quadrados – mais metro, menos metro – são o equivalente à área da cidade de Nova Iorque, nos EUA. É também a dimensão do icebergue que está prestes a soltar-se da Antárctida: a separação deste enorme-gigante bloco de gelo já é controlada há alguns anos, mas agora os cientistas alertam que entrou “na fase final”.

O futuro icebergue (ainda não o é porque ainda está agarrado à Antárctida), conhecido como Brunt Ice Shelf, vai ter uma dimensão de 1500 quilómetros quadrados e uma espessura que pode variar entre os 150 e os 250 metros. A primeira fissura surgiu há 35 anos e, em 2012, voltou a dar sinais de movimento. Desde então, tem aumentado continuamente. Há três anos, apareceu mais uma. Quando ambas se encontrarem em determinado ponto, o mais provável é que a tal separação aconteça.

“O que muitas pessoas não percebem é que este é um processo natural que acontece várias vezes. Reconhecemos que o impacto das alterações climáticas é um problema bastante grave e com consequências em todo o mundo, sobretudo na Antárctida. No entanto, não há qualquer indicação nas nossas investigações de que este acontecimento em particular esteja relacionado de alguma forma com as alterações climáticas”, disse o cientista Hilmar Gudmundsson, citado pela “New Atlas”.

A separação, estimam, deve acontecer dentro de dois meses. Segundo os investigadores, não é expectável que este acontecimento provoque a subida do nível das águas, uma vez que o bloco gigante de gelo já flutua no oceano e, devido ao peso, já afasta a mesma quantidade de água do que aquela que irá acrescentar ao mar quando começar a derreter.

msn notícias
09/04/2019

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1752: A Terra é plana? Eles preparam expedição à Antárctida para o provar

Para os críticos da ciência dominante, basta que o percurso ao longo da costa do continente gelado do Pólo Sul leve mais de cem quilómetros para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que têm razão.

Os defensores da teoria de que a Terra é plana, cujos números têm vindo a aumentar nos últimos meses muito devido a um vídeo no Youtube, decidiram subir a parada: de acordo com um artigo publicado na revista Forbes, este movimento pretende organizar uma expedição à Antárctida para “provar” as suas convicções: “Tudo o que temos de fazer para acabar com este debate de uma vez por todas é cobrir a distância ao longo da costa da Antárctida”, defendeu àquela revista Jay Decasby, modelo, membro proeminente do Movimento da Terra Plana e defensor de outras teorias, com os alegados super-poderes do ser humano que as autoridades não querem que conheçamos.

Veja aqui o vídeo que alimenta a teoria de que a Terra é plana:

E que provas definitivas procuram encontrar no destino? Não é a redoma gigante em que dizem estarem envolvidas a Terra e todo o sistema solar – termo do qual discordariam, visto classificarem de “adoradores do Sol” os defensores do heliocentrismo. Nem sequer um enorme muro de gelo, ao estilo Guerra dos Tronos, de onde poderá emergir a qualquer momento um exército de mortos-vivos.

Para Decasby, basta que o percurso ao longo da costa se prolongue por mais de 60 milhas (cerca de cem quilómetros) para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que a Terra é plana. Isto porque, de acordo com a “ciência” do movimento, numa Terra redonda “a costa da Antárctida não tem mais do que 16, 5 milhas (26,5 quilómetros).

Ou seja: desde que lá consigam chegar, da perspectiva deste movimento, a teoria estará vingada.

O problema, antecipa Decasby, é que seguramente entrarão em acção forças ocultas dispostas a bloquear o progresso da ciência.”Já foi feito por exploradores anteriores (antes das as Nações Unidas terem sido estabelecidas e terem criado o Tratado da Antárctida que essencialmente tornou ilegal a exploração independente e privada da Antárctida), que conseguiram fazer mais de 60 milhas, o que irrefutavelmente prova o modelo da terra plana, mas tal como todas as outras montanhas de evidência, isso não é suficiente para os “redondos” de hoje”, antecipou.

O facto de, em 2018, Colin O’ Brady se ter tornado na primeira pessoa a fazer a travessia a solo da Antárctida, numa expedição de 932 milhas (quase 1500 quilómetros), cobertas ao longo de 54 dias, em nada abala a convicção de Decasby, para quem não existem quaisquer provas de que o aventureiro tenha feito mais do que “tirar muitas selfies” na neve.

O’Brady, contactado pela Forbes, lembrou que divulgou diariamente, através do seu site, as coordenadas de GPS relativas à posição em que se encontrava.

Diário de Notícias
22 Março 2019 — 14:14

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1693: Misteriosos terramotos estão a fazer a Antárctida tremer (e já se sabe porquê)

ravas51 / Wikimedia

Durante parte do verão em partes da Antárctida, o gelo derrete num ensopado pantanoso conforme as temperaturas sobem e descem. Ao derreter, gera centenas de milhares de pequenos terramotos.

Agora, os cientistas capturaram o padrão diário destes pequenos sismos usando o mesmo tipo de sismógrafo usado para detectar terremotos. Os investigadores acham que os “icequakes” – terramotos de gelo – são causados pelo repentino estalo de partes de gelo que cobrem poças de lama.

“Nestas lagoas, muitas vezes, há uma camada de gelo em cima da água derretida, como se vê com um lago congelado”, disse Douglas MacAyeal, glaciologista da Universidade de Chicago, em comunicado. “À medida que a temperatura arrefece à noite, o gelo no topo contrai e a água abaixo expande-se à medida que passa pelo congelamento. Isso distorce a tampa superior até que finalmente parte com um estalo.”

MacAyeal e a sua equipa estavam interessados ​​nos ritmos diários do gelo porque pouco se sabe sobre a mecânica do rompimento de uma grande camada de gelo. Tais rupturas ocorreram na Antárctida várias vezes ao longo das últimas décadas.

A plataforma de gelo Larsen C criou um enorme icebergue no Mar de Weddell em 2017. A plataforma Larsen B, localizada nas proximidades, desabou inesperadamente em 2002. Quando as placas de gelo flutuantes colapsam, não contribuem directamente para o aumento do nível do mar, porque já estavam em ambiente marinho. Mas permitem que as geleiras terrestres por trás dos lençóis de gelo fluam mais rápido, despejando água derretida no mar.

Os investigadores também estavam interessados ​​em testar sismómetros como forma de monitorizar o derretimento do gelo. Implantaram dois perto da Estação McMurdo, na borda da McMurdo Ice Shelf. Uma estação de sismógrafo foi posicionada num local seco, onde a superfície foi coberta com neve firme. O outro foi colocado num local húmido e pantanoso onde o gelo estava parcialmente derretido. Os instrumentos registaram tremores nestas duas estações entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017.

Os padrões não poderiam ter sido mais diferentes. A estação seca estava sismicamente pacífica. Os únicos tremores detectados estavam ligados ao tráfego de veículos ou navios em redor da Estação McMurdo.

Na estação húmida, no entanto, os sismógrafos recolheram centenas de milhares de pequenos terremotos, às vezes, milhares numa noite. Esses terremotos foram geralmente abaixo da magnitude 2,5 – em que os tremores se tornam perceptíveis para os seres humanos, embora as pessoas na Antárctida, por vezes, ouvissem o gelo a partir, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Os terremotos seguiram um padrão diário e aumentavam de frequência por algumas horas todas as noites.

Os investigadores pensaram que os picos diários do terremoto podiam ter a ver com as marés, mas uma discrepância descartou essa opção. Em 30 de Novembro de 2016, o pico não aconteceu. Quando os investigadores acompanharam a temperatura diária durante o período do estudo, descobriram que os picos do terremoto correspondiam a períodos de queda do mercúrio. Em 30 de Novembro, aconteceu que a temperatura aumentou, em vez de arrefecer, no decorrer da noite.

Segundo MacAyeal, o que provavelmente está a acontecer é que, à medida que o ar fica mais frio, os lagos lamacentos sob a fina camada de gelo superficial começam a congelar. Enquanto congelam, expandem-se, colocando pressão sobre o gelo da superfície. Finalmente, o gelo da superfície encaixa-se, enviando tremores indetectáveis.

ZAP // Live Science

Por ZAP
10 Março, 2019

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1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

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1633: Um icebergue com o dobro do tamanho de Nova Iorque está em vias de separar-se da Antárctida

Os cientistas asseguram que o bloco de gelo não vai, “provavelmente”, figurar na lista dos 20 maiores icebergues da Antárctida. Ainda assim, “poderá ser o maior a separar-se da plataforma de gelo de Brunt desde que a observação começou, em 1915”

© UniversalImagesGroup/Getty Images Expresso

Tem duas vezes o tamanho de Nova Iorque e está em vias de descolar-se da Antárctida, motivando algumas incertezas e preocupações. A continuidade dos investigadores na plataforma estará em causa, conta a Fox News.

Aquilo que se transformará num icebergue robusto está localizado na plataforma de gelo de Brunt. Embora impressione o rótulo “duas vezes maior do que Nova Iorque”, os cientistas asseguram que o bloco de gelo não vai, “provavelmente”, figurar na lista dos 20 maiores icebergues da Antárctida. Ainda assim, “poderá ser o maior a separar-se da plataforma de gelo de Brunt desde que a observação começou, em 1915”, revela este artigo na página oficial da NASA.

O problema prende-se com duas enormes fissuras que deverão encontrar-se num futuro mais ou menos próximo. A Halloween crack apareceu em Outubro de 2016 e continua a crescer. No meio da imagem abaixo vê-se a maior preocupação dos cientistas por estes dias. Aquela fissura encontrava-se estável há 35 anos, mas recentemente começou a galgar terreno e a abrir caminho rumo à independência do icebergue acima mencionado.

© NASA Expresso

Quando aquela fissura, que rasga o gelo rumo a Mcdonald Ice Rumples (quatro quilómetros por dia), se juntar à Halloween crack, haverá um bloco de 1700 quilómetros quadrados à deriva.

As placas de gelo que envolvem a Antárctida têm perdido volume a uma velocidade preocupante (e crescente) nas últimas duas décadas, contava um estudo publicado na “Science” (2015), aqui citado no Globo.

Os investigadores da Universidade da Califórnia e do Centro de Pesquisa de Terra e Espaço revelavam então preocupação quanto à rapidez que se verificava, à boleia do aquecimento global, a subida do nível global do mar.

msn noticias
25/02/2019

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1595: Geólogos descobriram de onde vem a parte mais remota do oceano

GRID Arendal / Flickr

Um navio coreano chegou a uma das partes mais remotas do oceano em 2011 e 2013, uma área próxima à Antárctica e ao sul da Nova Zelândia. Lá, retirou material do fundo do mar que revelou uma região anteriormente desconhecida das profundezas da Terra.

Os cientistas analisaram uma mistura de variantes químicas chamadas isótopos em amostras do fundo do mar de diferentes partes do planeta para descobrir o “domínio do manto” que as produziu.

A maior parte das coisas sólidas na superfície da Terra ou perto dela era, em algum momento, parte do interior quente do planeta. Mas diferentes partes do interior contêm diferentes proporções de vários isótopos e, assim, produzem diferentes composições reveladoras.

Os cientistas que estudam o material desta parte distante do oceano, denominado Cume Antárctico-Australiano, determinaram que tinha uma marca química única. Esta nova marca significa que as amostras devem ter surgido de um domínio que era desconhecido anteriormente.

A região de 1.900 quilómetros de largura foi “a última lacuna” no modelo geológico do fundo do mar, escreveram os investigadores no artigo publicado na Nature Geoscience.

Os cientistas previram que esta região teria uma marca isotópica semelhante ao Pacífico, escreveram, sugerindo que as duas regiões do fundo do mar teriam emergido da mesma parte do manto da Terra – a região quente e rochosa, posteriormente colada entre a crosta e o núcleo.

Em vez disso, parece ter explodido separadamente da sua própria parte do manto, provavelmente como parte de uma grande ruptura geológica que ocorreu há cerca de 90 milhões de anos.

Este foi o fim do período em que as massas de terra da Terra foram unidas no super-continente Gondwana, com a Antárctida actual no seu centro. Quando Gondwana finalmente se separou, um “manto profundo que se eleva”, que apelidaram de Zealandia-Antarctic Swell, parece ter-se espalhado entre os pedaços continentais separadores, formando o fundo do mar relativamente raso desta região.

ZAP // Live Science

Por ZAP
15 Fevereiro, 2019

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1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

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1553: Há uma cavidade gigante a crescer debaixo da Antárctida

NASA

A Antárctida não está num bom momento. Em apenas algumas décadas, o continente já perdeu milhões de toneladas de gelo a uma velocidade alarmante.

Agora, um espantoso novo espaço foi revelado durante este desaparecimento massivo. E é grande: uma gigantesca cavidade a crescer sob a Antárctica Ocidental que cobre dois terços da pegada de Manhattan e tem quase 300 metros de altura.

Esta imensa abertura na parte inferior do glaciar de Thwaites – uma massa famosa por ser o “glaciar mais perigoso do mundo” – é tão grande que representa uma grande parte das estimadas 252 mil milhões de toneladas de gelo que a Antárctida perde a cada ano que passa.

Investigadores dizem que a cavidade já foi tão grande que conseguia armazenar cerca de 14 mil milhões de toneladas de gelo. Os cientistas divulgaram também, no estudo publicado na revista Science Advances, que a cavidade perdeu a maior parte do volume de gelo nos últimos três anos.

Jeremy Harbeck / NASA
Glaciar de Thwaites, na Antárctida

“Suspeitamos há anos que Thwaites não estavam fortemente ligados ao leito de rocha debaixo dele”, disse o glaciologista Eric Rignot, da Universidade da Califórnia. “Graças a uma nova geração de satélites, podemos finalmente ver os detalhes.”

Rignot e colegas descobriram a cavidade ao usar um radar de penetração de gelo como parte da Operação IceBridge da NASA, com dados adicionais fornecidos por cientistas alemães e franceses.

De acordo com as leituras, o vazio escondido é apenas uma vítima entre um “padrão complexo de recuo e derretimento de gelo” que ocorre no Glaciar de Thwaites, sector que está a recuar 800 metros por ano.

O padrão complexo que as novas leituras revelam – que não se encaixa nos modelos actuais de gelo ou oceanos – sugere que os cientistas têm mais a aprender sobre como a água e o gelo interagem uns com os outros no ambiente antárctico. “Estamos a descobrir diferentes mecanismos de recuo”, explicou o primeiro autor do artigo, Pietro Milillo.

Enquanto os investigadores ainda estão a aprender coisas novas sobre as complexas maneiras como o gelo derrete no glaciar de Thwaite, a cavidade gigante representa uma realidade científica simples.”O tamanho de uma cavidade sob um glaciar desempenha um papel importante no derretimento“, diz Milillo. “Quanto mais calor e água sob o glaciar, mais rápido o derretimento”.

O glaciar de Thwaites actualmente responde por cerca de 4% do aumento do nível do mar global. Se desaparecesse por completo, o gelo contido poderia elevar o oceano em cerca de 65 centímetros.

O Thwaites, na verdade, tem glaciares vizinhos e massas de gelo no interior. Se a força de sustentação desaparecesse, as consequências poderiam ser impensáveis, razão pela qual é considerada uma estrutura natural tão fundamental na paisagem antárctica. Quanto tempo ficará, ninguém sabe – é por isso que os cientistas estão a embarcar numa grande expedição para aprender mais sobre os Thwaites.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Fevereiro, 2019

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Cientistas descobrem “Rei da Antárctida”, fóssil de parente precoce dos dinossauros

Tinha o tamanho de uma iguana, provavelmente era carnívoro, e viveu na Antártida há 250 milhões de anos

O “Antarctanax Shackletoni”
© Adrienne Stroup, Field Museum

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antárctida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica Journal of Vertebrate Paleontology (Boletim de Paleontologia de Vertebrados).

Nessa altura o que é hoje a Antárctida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antárctida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antárctida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antárctida.

Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insectos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antárctida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antárctida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antárctida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antárctida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook.

Diário de Notícias
DN/Lusa
31/01/2019

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1495: Antárctida está a derreter 6 vezes mais depressa (com consequências trágicas)

ravas51 / Wikimedia

A Antárctida está a derreter a uma velocidade inesperada, de acordo com um novo estudo que concluiu que entre 2000 e 2017, a perda de gelo aumentou 280% devido ao aquecimento global e ao influxo de água morna do oceano.

Este novo estudo publicado no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences demonstra os resultados da “avaliação mais duradoura da massa de gelo antárctica remanescente”, considerando imagens aéreas e de satélite das 18 regiões da Antárctida, incluindo 176 bacias e algumas ilhas vizinhas, para analisar como mudaram ao longo das últimas quatro décadas, como destaca o comunicado dos autores da pesquisa.

A equipa internacional de cientistas das Universidades da Califórnia em Irvine (UCI), nos EUA, do Laboratório de Propulsão da NASA e da Universidade de Utrecht, na Holanda, concluiu que a Antárctida perdeu cerca de 40 mil milhões de toneladas de gelo por ano entre 1970 e 1990.

Mas entre 2000 e 2017, esse número aumentou para os 252 mil milhões de toneladas. Uma subida assinalável e preocupante de 280% que está intimamente relacionada com o aquecimento global e com um influxo de água morna do oceano, notam os autores do estudo.

Os cientistas frisam que a Antárctida está a perder seis vezes mais gelo do que há quatro décadas, o que constitui um sinal de alarme.

Esta perda de gelo levou a um aumento do nível do mar de 1,27 centímetros entre 1970 e 2017. Mas “é apenas a ponta do icebergue”, como destaca o investigador que liderou o estudo, Eric Rignot, professor na UCI.

“À medida que o manto de gelo da Antárctida continua a derreter, esperamos uma elevação do nível do mar de vários metros nos próximos Séculos”, alerta Rignot.

Calor nos oceanos atingiu valor mais alto de sempre

O aquecimento dos oceanos a ritmos inesperados, devido às alterações climáticas, também contribui para o aumento do nível do mar, bem como para o derretimento do gelo antárctico.

E os mais recentes dados apontam que o calor contido no oceano atingiu o valor mais alto de sempre em 2018. Estamos perante um aumento que, comparativamente com 2017, “representa o equivalente a 100 milhões de vezes o calor produzido pela bomba atómica em Hiroxima”, como destaca a Lusa com base na medição de uma equipa internacional de investigadores que analisou a temperatura do mar em profundidades de até 2000 metros.

Este tipo de análise é visto como a melhor forma de aferir as consequências climáticas da concentração de gases com efeito de estufa resultantes da actividade humana.

“Os novos dados, juntamente com vasta literatura, servem como mais um aviso aos governos e ao público em geral sobre o inevitável aquecimento global que vivemos”, aponta o cientista Lijing Cheng, o principal autor desta investigação que foi publicada na revista científica Advances in Atmospheric Sciences.

O aumento do calor oceânico em 2018, comparativamente com 2017, é equivalente a 388 vezes a produção de electricidade da China no mesmo ano, frisa-se no estudo.

Contribuindo para a subida do nível do mar, o aumento da concentração de calor nos oceanos promove os riscos de inundações e coloca em perigo comunidades costeiras, além de fomentar o colapso do gelo antárctico.

As consequências podem ser catastróficas se não forem tomadas medidas para evitar esta tendência.

“O gelo da Antárctida contém 57,2 metros” de “aumento do nível do mar potencial”, atestam os investigadores da UCI. Se a queda de neve não ultrapassar o fluxo de gelo para o oceano, o nível do mar subirá de forma trágica.

Outro dado preocupante deste estudo concluiu que a Antárctida Oriental contribui de forma relevante para a perda de gelo – esta região pode, só por si, representar 52 metros para o potencial aumento do nível do mar.

“Esta região é, provavelmente, mais sensível ao clima do que foi tradicionalmente assumido, e é importante sabe-lo porque contém mais gelo do que a Antárctida Ocidental e do que a Península Antárctida juntas”, destaca Rignot.

“Não quero ser alarmista”. Mas “os locais que passam por mudanças na Antárctida não se limitam a um par deles” e “parecem ser mais extensos do que pensávamos”, o que é “motivo para preocupação”, conclui Rignot em declarações ao The Washington Post.

SV, ZAP //

Por SV
20 Janeiro, 2019

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1491: Encontrada vida nas profundezas do manto de gelo da Antárctida

Vista do buraco a cerca de 1.070 metros abaixo do gelo, acima da superfície do lago subglacial na Antártida

As águas escuras de um lago nas profundezas do manto de gelo da Antárctida e a algumas centenas de quilómetros do Polo Sul estão cheias de vida bacteriana.

A descoberta tem implicações para a busca de vida noutros planetas – em particular no planeta Marte, onde os sinais de um lago enterrado de água salgada líquida foram vistos em dados reportados no ano passado pela agência espacial europeia que orbitava a nave Mars Express.

O líder da expedição John Priscu, professor de ecologia polar na Universidade de Montana, disse que os primeiros estudos de amostras de água retiradas do Lago Mercer – que está enterrado sob o gelo – mostraram que continham aproximadamente dez mil células bacterianas por mililitro.

Isto é apenas cerca de 1% de um milhão de células microbianas por mililitro normalmente encontradas no oceano aberto, mas um nível muito alto para um corpo de água sem sol enterrado nas profundezas da Antárctida.

Priscu disse que os altos níveis de vida bacteriana no lago escuro e profundamente enterrado eram sinais de que poderia suportar formas de vida mais elevadas, como animais microscópicos.

“Vimos muitas bactérias – e o sistema do lago tem matéria orgânica suficiente para suportar formas de vida maiores”, disse, “Nós realmente vamos procurar organismos maiores, como animais. Mas isto não será feito por mais alguns meses.”

A abundância de vida bacteriana no Lago Mercer complementa a descoberta de altos níveis de vida bacteriana no lago Whillans da Antárctida em 2013 – uma expedição que também foi liderada por Priscu.

Os cientistas teorizam que as bactérias no Lago Whillans – e possivelmente no Lago Mercer – estão a sobreviver de depósitos de carbono depositados por organismos fotos-sintetizantes entre cinco mil e dez mil anos atrás, quando os lagos enterrados podem ter estado ligados ao mar aberto.

O lago enterrado cobre uma área de cerca de 139 quilómetros quadrados sob a camada de gelo. A equipa de expedição usou brocas e água quente para abrir um poço do seu acampamento na superfície congelada até ao lago de água líquida.

Priscu disse que a equipa perfurou cerca de 1.068 metros de gelo, e a água tinha 30ºC de temperatura para que os investigadores pudessem recolher amostras de água e sedimentos do lago. O furo no gelo foi mantido aberto por cerca de dez dias.

(dr) Billy Collins/ SALSA
Operações de perfuração na Antárctida

A expedição retornou à Estação McMurdo na semana passada com mais de 60 litros de água do lago enterrado e um núcleo de sedimentos que media mais de cinco metros de comprimento – o núcleo de sedimentos mais profundo já capturado sob o gelo da Antárctida Ocidental.

Priscu espera que os estudos laboratoriais dos núcleos de sedimentos ajudem os cientistas a aprender mais sobre a actividade da camada de gelo da Antárctida Ocidental nas últimas dezenas de milhares de anos.

A equipa também enviou um veículo submarino operado remotamente e especializado para as águas escuras do lago subterrâneo, além de várias câmaras.

Priscu acredita que os mais de 400 lagos de água líquida enterrados em todo o continente congelado da Antárctida formam um ecossistema único de água líquida sob a espessa camada de gelo e as rochas congeladas da crosta continental antárctica.

“Aqui existe 70% da água doce do mundo – não faz sentido que não exista vida“, disse Priscu. O investigador também acha que qualquer vida abaixo da superfície congelada do planeta Marte pode seguir os padrões vistos nos lagos sub-glaciais da Antárctida.

Futuras expedições aos lagos de água líquida enterrados da Antárctida provavelmente concentrar-se-ão nos maiores corpos de água líquida enterrada – como o Lago Vostok, no leste da Antárctica.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
18 Janeiro, 2019

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