3975: Área de gelo com a dimensão de duas Espanhas desapareceu no Mar de Wedell nos últimos cinco anos

CIÊNCIA/ANTÁRCTIDA

NASA

O gelo de marinho de verão na região do Grande Mar de Weddell, na Antárctida, diminuiu um milhão de quilómetros nos últimos cinco anos, concluiu uma nova investigação levada a cabo por uma equipa de cientistas internacionais.

Esta área “desaparecida” na região da Antárctida é duas vezes maior do que Espanha e mais de dez vezes o tamanho do território português.

Os resultados da investigação foram publicados na revista especializada Geophysical Research Letters, num artigo científico que detalha as implicações do desaparecimento desta massa de gelo para o ecossistema marinho.

Em comunicado, os cientistas alertam que o gelo marinho que circunda a Antárctida é um habitat importante para muitas espécies, incluindo pinguins e focas, que dependem destas massas de gelo para aceder a alimento e para se reproduzirem.

Para chegar a esta conclusão, escreve a agência espanhola Europa Press, os cientistas analisaram registos de satélite da extensão do gelo marinho e análises climáticas do final dos anos 70, tentando compreender porque é que o gelo marinho de verão na área Antárctida do Mar de Weddell se reduziu em um terço nos últimos cinco anos.

A equipa descobriu que a perda de gelo ocorreu devido a uma série de fortes tempestades no verão antárctico de 2016/17, sendo a situação também agravada pelo reaparecimento de uma área de água aberta no centro do “bloco de gelo” – área de águas abertas, conhecida como polínia -, que não ocorria desde meados da década de 70.

“O gelo marinho da Antárctida continua a surpreender-nos. Em contraste com o Ártico, o gelo em torno da Antárctida estava a aumentar a sua extensão desde a década de 1970, mas depois declinou rapidamente, registando níveis baixos, sendo o mais dos declínios [registado] no Mar de Weddell”, explicou o cientista climático do British Antarctic Survey, sediado em Cambridge (Reino Unido), e principal autor do estudo John Turner.

E alertou: “No verão, esta área possui agora um terço a menos de gelo marinho, [situação] que terá implicações para a circulação oceânica e para a fauna marinha da região”.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2020

 

spacenews

 

3921: Icebergue com a dimensão de cinco Lisboas prestes a desprender-se na Antárctida

AMBIENTE/ANTÁRCTIDA

(cv) Northumbria University

Um icebergue com 500 quilómetros quadrados (cerca de cinco vezes a área de Lisboa) está prestes a separar-se da sua plataforma de gelo na Antárctida, avança a revista norte-americana Newsweek.

O glaciologista Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no Reino Unido, escreveu numa publicação na rede social Twitter na passada quarta-feira que a separação de um novo icebergue da plataforma Larsen D é “iminente” e que levará, muito provavelmente, “uma superfície muito maior de gelo muito antigo”.

A plataforma de gelo Larsen D, que se estende ao longo da costa leste da Península Antárctica e do mar de Weddell, fica a sul da plataforma Larsen C, onde em 2017 se desprendeu um icebergue com um tamanho duas vezes superior a Luxemburgo.

Tinha cerca de mil milhões de toneladas, precisa a Newsweek.

Adrian Luckman @adrian_luckman

New iceberg imminent from the Larsen Ice Shelf system. This time from Larsen D, just south of Larsen C. The new iceberg will measure 500 square km, and will probably take with it a much larger area of very old fast ice (attached sea ice). Speed colours for LGBT Pride month!

As imagens publicadas pelos especialista foram obtidas a partir dos satélites Sentinel-1 do Programa Copernicus da Agência Espacial Europeia.

O icebergue deve separar-se dentro de um mês. “Vi a fissura apenas há algumas semanas, quando esta começou, e agora já percorreu toda a distância da sua ruptura”.

“A quebra de pequenos pedaços como este é parte do ciclo natural de uma plataforma de gelo e não há evidências disponíveis para sugerir que este evento ocorreu cedo de mais”.

Com 500 quilómetros, este icebergue terá dimensões semelhantes à cidade norte-americana de Chicago ou a cinco “Lisboas”.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2020

 

spacenews

 

3859: O fenómeno dos misteriosos neutrinos de alta energia da Antárctida pode ter sido desvendado

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Felipe Pedreros / IceCube / NSF
O IceCube Neutrino Observatory, na Estação Científica Internacional Scott-Amudsen, no Polo Sul

Uma nova investigação analisou a curiosa anomalia registada na Antárctida: os sinais de rádio que parecem emanar das profundezas da Terra.

O estranho fenómeno foi registado quando uma equipa de cientistas levavam a cabo experiências no Pólo Sul com a Antarctic Impulsive Transient Antenna (ANITA). Ao contrário da maioria dos detectores de neutrinos que são grandes e sensíveis, o ANITA é um detector de rádio suspenso por um balão que só consegue detectar neutrinos de alta energia quando atingem o gelo antárctico para criar uma explosão de luz de rádio.

Os neutrinos são partículas extremamente pequenas que surgem como resultado de vários eventos cósmicos (como explosões de estrelas), existindo em todo Universo. Além disso, estas partículas são tão pequenas que podem passar através de qualquer objecto, inclusivamente através de edifícios ou pessoas.

Apesar de terem conseguido captar os sinais com a ANITA, os cientistas observaram que os sinais não eram provenientes do Espaço, mas sim das profundezas da Terra, saindo do solo “por sua própria conta”.

Esta actividade incomum deixou a comunidade científica perplexa e deu origem a inúmeras teorias. Alguns cientistas sugeriram que os impulsos seriam neutrinos que entraram na Terra por um lado, passaram por todo o núcleo e saíram pelo outro. Outros acreditavam que se tratava de um “neutrino estéril”, cuja existência é apenas teórica. Houve ainda quem “culpasse” a misteriosa matéria escura pelo fenómeno.

Agora, um artigo científico publicado na Annals of Glaciology encontrou uma explicação diferente e mais simples para o misterioso fenómeno: segundo os autores, as anomalias não são causadas por neutrinos “subterrâneos”, mas sim pela reflexão de raios cósmicos ultra-energéticos na superfície gelada.

Os raios entram no planeta, passam através da camada superior de gelo e alcançam uma camada de solo conhecida como firn, escreve o New Atlas.

“Acreditamos que o culpado é o firn debaixo da superfície. O firn é neve compactada que não é suficientemente densa para ser gelo. Por esse motivo, podem ocorrer inversões de densidade, com faixas a passar de alta para baixa densidade. Estas formas cruciais de interacção podem explicar estes eventos”, explicou Ian Shoemaker, co-autor do estudo.

Os físicos acreditam que, nas condições de densidade variável nas camadas profundas da superfície da Antárctida, os raios cósmicos são reflectidos e depois registados pela antena.

Estes raios passam através do gelo a temperaturas muito altas, dispersam dentro desta camada em protões e electrões, o que pode dar lugar a um sinal de rádio, semelhante a um neutrino.

ZAP //

Por ZAP
16 Junho, 2020

 

spacenews

 

3741: Estão a surgir algas na Antárctida devido às alterações climáticas

CIÊNCIA/AMBIENTE

As chamadas “algas da neve” já são conhecidas há algumas décadas no Árctico, mas não se sabia muito bem qual era a sua distribuição na Antárctida.

Por isso, como explica ao site New Scientist Andrew Gray, investigador da Universidade de Cambridge, este “trabalho foi, realmente, a primeira investigação em larga escala” sobre este fenómeno neste local.

Gray e o resto da equipa usaram imagens de satélite para identificar essas manchas verdes na superfície coberta de neve da Península Antárctica e nas ilhas mais próximas, tendo visitado duas delas para confirmar a confiabilidade dos dados de satélite.

Os investigadores descobriram que, no total, houve 1679 florações destas algas, que cobriam até 1,9 quilómetros quadrados da superfície no auge do verão. Segundo o mesmo site, dois factores pareciam determinar a sua localização: a temperatura precisava de ser quente o suficiente para que a neve se tornasse lamacenta e tinha de haver uma fonte de nutrientes (que era sobretudo guano de pinguim, ou seja, os seus excrementos).

Ainda não é certo o que significa este fenómeno para o clima, mas a equipa de cientistas, cujo estudo foi publicado, esta quinta-feira, na revista científica Nature Communications, estima que a proliferação de algas absorva 479 toneladas de dióxido de carbono todos os anos.

“A quantidade de carbono que lá existe é relativamente pequena”, diz Matthew Dave, um dos co-autores da pesquisa, também investigador da universidade britânica. No entanto, isso poderia aumentar se as florações se espalharem mais.

Embora as algas possam remover um pouco de dióxido de carbono, também escurecem a neve, fazendo com que seja absorvido mais calor. Davey e Gray dizem, porém, que ainda não é possível estimar os efeitos destes impactos.

A longo prazo, as alterações climáticas podem causar problemas para as algas, porque as temperaturas podem subir tanto que a neve da península derreterá completamente. “Se aquecer demasiado, todo o sistema pode falhar completamente porque não há neve”.

ZAP //

Por ZAP
24 Maio, 2020

 

spacenews

 

3717: Descoberta a “casa” dos misteriosos neutrinos de alta energia detectados na Antárctida

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Felipe Pedreros / IceCube / NSF

No início do ano, foram detectados neutrinos de alta energia na Antárctida. Agora, uma equipa de investigadores pode ter descoberto de onde vieram.

Os neutrinos são partículas misteriosos e evasivas: têm uma massa minúscula, sem carga eléctrica e interagem raramente com outra matéria. Além disso, são extremamente comuns. A qualquer momento, cerca de 100 mil milhões de neutrinos estão a fluir por cada centímetro quadrado do seu corpo. Os neutrinos foram produzidos pelo Big Bang e ainda estão a ser produzidos por tudo, desde estrelas a super-novas.

De acordo com o Universe Today, um dos mistérios mais recente começou quando alguns neutrinos foram detectados pela ANtarctic Impulsive Transient Antenna (ANITA). Ao contrário da maioria dos detectores de neutrinos que são grandes e sensíveis, o ANITA é um detector de rádio suspenso por um balão que só consegue detectar neutrinos de alta energia quando atingem o gelo antárctico para criar uma explosão de luz de rádio.

No início deste ano, a ANITA detectou sinais estranhos que pareciam ser desencadeados por neutrinos de energia extremamente alta – tão alta que pareciam desafiar o modelo padrão da física de partículas.

Os neutrinos de alta energia também foram detectados pelo detector de neutrinos IceCube na Antárctida, apesar de não serem tão energéticos como detectados pela ANITA.

Recentemente, uma equipa de investigadores analisou uma fonte possível para estes estranhos neutrinos: os buracos negros super-massivos dos quasares.

Buracos negros super-massivos são potências gravitacionais. Quando o gás quente em seu redor é comprimido pela gravidade e pelos campos electromagnéticos, pode emitir enormes quantidades de energia, incluindo neutrinos de alta energia.

A equipa comparou quatro dezenas de detecções de neutrinos no IceCube com observações de rádio do radiotelescópio russo RATAN-600 e descobriram que os neutrinos eram detectados quando um quasar experimentava um surto de rádio.

A explicação mais provável é que, quando os quasares são particularmente activos, são produzidos surtos de raios gama dentro da explosão do rádio. Os raios gama colidem com os átomos circundantes, desencadeando uma explosão de neutrinos.

Como os neutrinos viajam quase à velocidade da luz, chegam à Terra ao mesmo tempo da explosão de rádio.

Cientistas têm uma nova forma de detectar os esquivos e indescritíveis neutrinos

Uma equipa de cientistas da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, acaba de apresentar um novo procedimento que pode ajudar…

Segundo o ScienceAlert, este é apenas um estudo inicial e resolve parte do mistério dos neutrinos de alta energia.

Apesar de sabermos a forma como os neutrinos podem ser produzidos, a origem dos neutrinos mais energéticos permanece um mistério.

ZAP //

Por ZAP
20 Maio, 2020

 

spacenews

 

North Pole’s largest-ever ozone hole finally closes

SCIENCE/LARGEST OZONE HOLE

An unusually strong polar vortex kept the hole open for nearly a month — now, it’s finally shut again.

Ozone-rich air (red) floods the atmosphere over the North Pole on April 23, closing the single largest ozone hole ever detected in the Arctic.
(Image: © Copernicus Atmosphere Monitoring Service)

After looming above the Arctic for nearly a month, the single largest ozone hole ever detected over the North Pole has finally closed, researchers from the European Union’s Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS) reported.

“The unprecedented 2020 Northern Hemisphere ozone hole has come to an end,” CAMS researchers tweeted on April 23.

The hole in the ozone layer — a portion of Earth’s atmosphere that shields the planet from ultraviolet radiation — first opened over the Arctic in late March when unusual wind conditions trapped frigid air over the North Pole for several weeks in a row.

Those winds, known as a polar vortex, created a circular cage of cold air that led to the formation of high-altitude clouds in the region. The clouds mixed with man-made pollutants like chlorine and bromine, eating away at the surrounding ozone gas until a massive hole roughly three times the size of Greenland opened in the atmosphere, according to a statement from the European Space Agency (ESA).

Related: 16 times Antarctica revealed its awesomeness in 2019

While a large ozone hole opens every autumn over the South Pole, the conditions that allow these holes to form are much rarer in the Northern Hemisphere, the ESA researchers said. The Arctic ozone hole opened this year only because the cold air was concentrated in the area for much longer than is typical.

Copernicus ECMWF @CopernicusECMWF

The unprecedented 2020 northern hemisphere #OzoneHole has come to an end. The #PolarVortex split, allowing #ozone-rich air into the Arctic, closely matching last week’s forecast from the #CopernicusAtmosphere Monitoring Service.

More on the NH Ozone hole https://bit.ly/39JQRU8 

Late last week, that polar vortex “split,” the CAMS researchers said, creating a pathway for ozone-rich air to rush back into the area above the North Pole.

For now, there’s far too little data to say whether Arctic ozone holes like this one represent a new trend. “From my point of view, this is the first time you can speak about a real ozone hole in the Arctic,” Martin Dameris, an atmospheric scientist at the German Aerospace Center, told Nature.

Meanwhile, the annual Antarctic ozone hole, which has existed for roughly four decades, will remain a seasonal reality for the foreseeable future. Scientists are optimistic that the hole may be starting to close; a 2018 assessment by the World Meteorological Organization found that the southern ozone hole has been shrinking by about 1% to 3% per decade since 2000 — however, it likely won’t heal completely until at least 2050. Warmer Antarctic temperatures caused by global warming are partially responsible for the hole’s apparent shrinkage, but credit is also due to the Montreal Protocol, a global ban on ozone-depleting pollutants enacted in 1987.

Originally published on Live Science.
By Brandon Specktor – Senior Writer
27/04/2020

 

spacenews

 

3532: Remains of 90 million-year-old rainforest discovered under Antarctic ice

SCIENCE

Fossil traces of an ancient rainforest were just unearthed in West Antarctica.

An illustration of the temperate rainforest that thrived in West Antarctica about 90 million years ago, when dinosaurs still walked the Earth. (Image: © J. McKay/Alfred-Wegener-Institut; Creative Commons licence CC-BY 4.0)

About 90 million years ago, West Antarctica was home to a thriving temperate rainforest, according to fossil roots, pollen and spores recently discovered there, a new study finds.

The world was a different place back then. During the middle of the Cretaceous period (145 million to 65 million years ago), dinosaurs roamed Earth and sea levels were 558 feet (170 meters) higher than they are today. Sea-surface temperatures in the tropics were as hot as 95 degrees Fahrenheit (35 degrees Celsius).

This scorching climate allowed a rainforest — similar to those seen in New Zealand today — to take root in Antarctica, the researchers said.

The rainforest’s remains were discovered under the ice in a sediment core that a team of international researchers collected from a seabed near Pine Island Glacier in West Antarctica in 2017.

As soon as the team saw the core, they knew they had something unusual. The layer that had formed about 90 million years ago was a different color. “It clearly differed from the layers above it,” study lead researcher Johann Klages, a geologist at the Alfred Wegener Institute Helmholtz Centre for Polar and Marine Research in Bremerhaven, Germany, said in a statement.

An operator on the “Polarstern” ship drives the MeBo seabed drilling system using remote technology. (Image credit: JP Klages/AWI)

Back at the lab, the team put the core into a CT (computed tomography) scanner. The resulting digital image showed a dense network of roots throughout the entire soil layer. The dirt also revealed ancient pollen, spores and the remnants of flowering plants from the Cretaceous period.

By analyzing the pollen and spores, study co-researcher Ulrich Salzmann, a paleoecologist at Northumbria University in England, was able to reconstruct West Antarctica’s 90 million-year-old vegetation and climate. “The numerous plant remains indicate that the coast of West Antarctica was, back then, a dense temperate, swampy forest, similar to the forests found in New Zealand today,” Salzmann said in the statement.

 

The sediment core revealed that during the mid-Cretaceous, West Antarctica had a mild climate, with an annual mean air temperature of about 54 F (12 C), similar to that of Seattle. Summer temperatures were warmer, with an average of 66 F (19 C). In rivers and swamps, the water would have reached up to 68 F (20 C).

In addition, the rainfall back then was comparable to the rainfall of Wales, England, today, the researchers found.

These temperatures are impressively warm, given that Antarctica had a four-month polar night, meaning that a third of every year had no life-giving sunlight. However, the world was warmer back then, in part, because the carbon dioxide concentration in the atmosphere was high — even higher than previously thought, according to the analysis of the sediment core, the researchers said.

“Before our study, the general assumption was that the global carbon dioxide concentration in the Cretaceous was roughly 1,000 ppm [parts per million],” study co-researcher Gerrit Lohmann, a climate modeler at Alfred Wegener Institute, said in the statement. “But in our model-based experiments, it took concentration levels of 1,120 to 1,680 ppm to reach the average temperatures back then in the Antarctic.”

These findings show how potent greenhouse gases like carbon dioxide can cause temperatures to skyrocket, so much so that today’s freezing West Antarctica once hosted a rainforest. Moreover, it shows how important the cooling effects of today’s ice sheets are, the researchers said.

The study was published online yesterday (April 1) in the journal Nature.

Originally published on Live Science.
By Laura Geggel – Associate Editor

 

spacenews

 

3509: Dezenas de baleias azuis são vistas na Antárctida pela 1ª vez em 40 anos

CIÊNCIA/ANIMAIS

Após 60 anos de caça desenfreada às baleias azuis e jubarte, o litoral da Ilha Geórgia do Sul, na costa da Antárctida, virou um lugar vazio e abandonado.

A caça foi proibida em 1982 com a assinatura de um grande acordo internacional.

Trinta e oito anos depois, um grupo de pesquisadores da British Antarctic Survey (BAS) descobriu que essas baleias estão retornando ao local – em grande número! – repovoando a Ilha Geórgia do Sul.

Décadas de protecção e forte pressão do movimento ambientalista permitiram que as baleias azuis, até então ameaçadas de extinção, pudessem se reproduzir e repovoar a região.

Um milagre, pois 97% delas foram mortas pela caça ilegal até os anos 1980.

Em 2018, uma expedição da British Antarctic Survey registou apenas 1 avistamento e algumas confirmações acústicas (som emitido) de baleias azuis. Neste ano, uma nova expedição registou 36 avistamentos e 19 confirmações acústicas – 55 ao todo!

“Para uma espécie tão rara (baleia azul), esse é um número sem precedentes de avistamentos e sugere que as águas da Geórgia do Sul permanecem um importante local de alimentação para essas espécies raras e pouco conhecidas”, diz um comunicado para imprensa publicado no site da British Antarctic Survey.

A expedição de 2020 também encontrou evidências de uma comunidade incrível com 20 mil baleias jubarte!

“Após três anos de pesquisas, estamos emocionados ao ver tantas baleias retornando à Geórgia do Sul para se alimentar novamente”, diz a líder da equipe, Dra. Jennifer Jackson, bióloga de baleias no BAS.

“Este é um local onde a caça ilegal foi realizada extensivamente. Está claro que a protecção a favor das baleias funcionou“, concluiu.

The Greenest Post

 

spacenews

 

3473: Melting ice in Antarctica reveals new uncharted island

SCIENCE

Researchers are calling it Sif Island, after a Norse goddess of the Earth.

The rocky coast of Sif Island peeks out under a mound of Antarctic ice.
(Image: © Gui Bortolotto)

Pointing toward South America like an icy finger, the Antarctic Peninsula is one of the fastest-warming regions on Earth. The peninsula’s two major glaciers — the Thwaites Glacier and the Pine Island Glacier — are retreating toward the mainland faster than new ice can form, chipping away at the continent’s coasts a little more each year.

This week, all that melting ice left behind a surprise that could change maps of the region permanently: an uncharted island, long buried in ice but finally visible above sea level for the first time.

Researchers with the international Thwaites Glacier Offshore Research project discovered the island earlier this week while sailing off the coast of the Pine Island Glacier ice shelf. The small island is only about 1,150 feet long (350 meters) and mostly covered in ice, but rises from the sea with a layer of brown rock distinct from the surrounding glaciers and icebergs.

After making a brief landfall, the researchers confirmed that the island is made of volcanic granite, and even hosts a few resident seals. According to expedition member James Marschalek, a doctoral student at Imperial College London, there is no other rocky outcropping like this visible for more than 40 miles (65 kilometers) in any direction.

The researchers tentatively named the uncharted outcropping Sif Island, after a Norse goddess associated with Earth.

Exciting as the discovery is, the island’s sudden appearance is almost certainly a direct effect of the widespread glacial melt that has become typical in Antarctica in the past decade, Sarah Slack, a member of the expedition and middle school science teacher in Brooklyn, New York, wrote in a blog post.

“At first, we thought maybe an iceberg had become lodged on the outcropping years ago and then melted enough to expose the underlying rock,” Slack wrote on Feb. 26. “But now we think that the ice on the island was once part of the Pine Island Glacier ice shelf, a massive field of floating ice that extends outward into the ocean from the edge of the glacier.”

Peter Neff @peter_neff

Looks like ice retreated from the new “Sif Island” near #ThwaitesGlacier, #Antarctica since the early 2010s, based on a quick look at @googleearth timelapse.@ThwaitesGlacier @GlacierThwaites @rdlarter https://twitter.com/houston_wellner/status/1231700563634642944 

Julia Smith Wellner @houston_wellner

After being the first visitors, we can now confirm that Sif Island is made of granite and that it is covered by remnant ice shelf, and a few seals. Photos by CD Hillenbrand (BAS) and Laura Taylor (UH). @glacierthwaites @glacieroffshore @GAViglione #nbp2002 @BAS_News @UHEAS

View image on Twitter
View image on Twitter
View image on Twitter

Using satellite images from Google Earth, expedition member Peter Neff made a time-lapse model showing how the ice shelf’s steady retreat since 2011 left Sif Island detached and alone in Pine Island Bay. From above, the dollop of ice looks like just another lonely iceberg. Now that its island status has been confirmed, further study of Sif could reveal how the region’s rocky underbelly will continue responding to climate change.

It’s likely that the island emerged due to a process called glacial rebound, Lindsay Prothro, a glacial geologist at Texas A&M University-Corpus Christi who was not involved with the expedition, told Nature.com. When glacial ice melts, it relieves pressure on the underlying continent; in response, the continent may “rebound,” or rise up higher than it previously was. It’s unclear whether rebound hastens or slows the rate at which ice shelves break apart — hopefully, further study of Sif Island could provide some clues.

The team’s expedition is due to end on March 25. After that, a full analysis of Sif Island rock samples can commence.

Originally published on Live Science.

By Brandon Specktor – Senior Writer
28/02/2020

 

 

3198: A crise climática vista do Espaço. Vídeo da NASA revela degelo dos glaciares no Alasca

CIÊNCIA/CLIMA

Um vídeo publicado recentemente pela NASA mostra o derretimento dos glaciares do Alasca visto do Espaço. Algumas imagens revelam mudanças de quase 50 anos.

O nosso planeta está a caminhar a passos largos para uma situação preocupante de não retorno. Vários dados científicos apontam para um cenário de crise climática global.

Recentemente, a agência espacial NASA partilhou um vídeo no qual é possível observar o degelo dos glaciares e calotas de gelo do Alasca visto do Espaço, informa a Sputnik News.

Durante a conferência anual da União Americana de Geofísica, que se realizou em São Francisco, nos Estados Unidos, os investigadores mostraram uma sequência de imagens do Alasca, da Gronelândia e da Antárctica, tiradas por satélites, incluindo as do estudo geológico do programa Landsat, da NASA.

Juntando todos os dados, os cientistas conseguiram perceber as dramáticas alterações que estão a ocorrer nos glaciares do Alasca. Entre os casos mostrados, um que preocupa particularmente os especialistas é o da diminuição dramática do glaciar Hubbard.

Na Gronelândia, por exemplo, diferentes registos de satélites mostram uma aceleração na diminuição dos glaciares desde ano 2000, assim como surgimento de lagoas devido ao degelo, que estão a espalhar-se nas alturas mais elevadas durante a última década. Este fenómeno poderia acelerar o fluxo de gelo.

Utilizando imagens de 1972 a 2019, o glaciologista Mark Fahnestock, da Universidade Fairbanks, compôs uma sequência de imagens de vários glaciares do Alasca e do território Yukon. “Agora temos este registo extenso e detalhado que nos permite ver o que aconteceu no Alasca. Quando imagens como estas são reproduzidas, temos uma ideia do quão dinâmicos são estes sistemas e quão instável é o fluxo de gelo”, afirmou.

Apesar de as imagens não serem propriamente uma novidade, o vídeo mostra o cenário actual dos glaciares do Alasca.

ZAP //

Por ZAP
15 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3124: Mais de metade dos piores cenários de há dez anos são já realidade

CIÊNCIA

(h) NASA Earth Observatory

Mais de metade dos piores cenários climáticos identificados há uma década pelos cientistas estão comprovadamente a acontecer, alertou esta quinta-feira uma equipa de investigadores num artigo publicado na revista Nature, em que defendem a declaração de uma “emergência planetária”.

A destruição da floresta amazónica e a perda das grandes massas de gelo na Antárctida e Gronelândia estão entre nove pontos críticos em relação aos quais estão a acontecer mudanças sem precedentes mais cedo do que se esperava, e que, combinados, podem levar a um “efeito dominó” com efeitos catastróficos.

“Há uma década, identificámos uma série de potenciais pontos críticos e vemos agora que mais de metade foram activados“, afirmou o director do Instituto de Sistemas Globais da Universidade britânica de Exeter, Tim Lenton.

A ameaça de “mudanças rápidas e irreversíveis significa que não se pode esperar para ver”, afirmou o co-autor Johan Rockström, do Instituto para a Investigação do Impacto Climático de Potsdam [Alemanha], salientando que “cientificamente, há provas fortes para declarar um estado de emergência planetária, para desencadear uma acção mundial que acelere a transição para um mundo que possa continuar a evoluir num planeta estável”.

O colapso dos gelos na Gronelândia e na Antárctida poderá levar à subida irreversível de dez metros do nível dos oceanos, alertam os cientistas, chamando a atenção para os efeitos combinados desse e de outros fenómenos como a destruição da floresta tropical ou o derretimento dos gelos permanentes, difíceis de prever.

Contudo, não afastam a hipótese de propiciarem “um ponto crítico global”, que pode ser “uma ameaça à existência da civilização”. A redução de emissões de gases com efeito de estufa poderá fazer abrandar a perda do gelo, dando mais tempo para mover as populações em zonas de mais baixa altitude, defendem.

Embora as temperaturas globais tenham sofrido flutuações ao longo de milhões de anos, os autores do artigo afirmam que os humanos estão a “forçar o sistema” com as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera a aumentarem a um ritmo maior do que o que precedeu a última idade do gelo.

“Não há análises de custo económico/benefício que nos possam ajudar. Precisamos de mudar a nossa abordagem ao problema do clima”, afirmou Tim Lenton.

Deixar para trás a economia assente nos combustíveis fósseis antes de 2050 é uma hipótese improvável, mas já hoje, com a temperatura 1,1 graus acima dos níveis pré-industriais, é provável que o aumento atinja 1,5 graus já em 2040, o que consideram que, só por si, já é uma emergência.

Além da Amazónia, da Antárctida e da Gronelândia, as alterações nas massas de gelo do Árctico, os recifes de coral, os gelos permanentes, as correntes marinhas no Atlântico e as florestas do Norte são os pontos críticos sensíveis identificados pelos cientistas.

Os resultados da investigação foram publicados na revista Nature.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Novembro, 2019

spacenews

 

2959: Gelo antárctico pode vir a desencadear uma nova era glacial

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

As mudanças que estão a ocorrer na Antárctida, com a quebra das suas camadas de gelo e a sua chegada ao mar, podem causar uma descida da temperatura, o que poderia levar a uma nova era glacial. 

Esta é a conclusão de uma investigação levada a cabo por cientistas da Universidade de Chiado, nos Estados Unidos, cujos resultados foram publicados na revista científica Nature.

Depois de realizar uma série de simulações computorizadas, os especialistas de Chicago sugeriram que o aumento do gelo no mar alteraria a circulação no oceano, causando assim uma inversão no efeito de estufa, uma vez que os níveis de dióxido de carbono aumentariam na água e diminuiriam no ar.

Malte Jansen, professor da universidade norte-americana e um dos autores do estudo, disse que é fundamental determinar porque é que a Terra passa por ciclos periódicos de eras glaciais, nos quais os glaciares avançam e cobrem o planeta até que recuam – para que isto aconteça, notou, o clima deve passar por grandes mudanças.

“Temos a certeza de que o balanço de carbono entre a atmosfera e o oceano deve ter mudado, mas não sabemos muito bem como ou por que motivo“, explicou Jansen.

Para tentar explicar estas mudanças, descreve a Russia Today, os cientistas desenvolveram um modelo no qual a atmosfera arrefece o suficiente para gerar gelo marinho antárctico.

Jansen sublinhou que o Oceano Antárctico tem um papel fundamental neste sentido, uma vez que pode condicionar “a circulação dos oceanos” e funcionar como uma “cobertura” que impede a troca de dióxido de carbono com a atmosfera.

Alice Marzocchi, especialista do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido e autora principal do estudo, explicou que se trata de um loop. “À medida que a temperatura desce, menos carbono é libertado para a atmosfera, o que provoca um maior arrefecimento”.

Para Marzocchi, o oceano é “o maior reservatório de carbono em escalas de tempo geológicas” e, por isso, “estudar o seu papel no ciclo do carbono” permite “simular com maior precisão as mudanças ambientais futuras”.

Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das…

ZAP //

Por ZAP
4 Novembro, 2019

 

2859: Manto de gelo da Antárctida ainda liberta cloro radioactivo de testes nucleares dos anos 50

CIÊNCIA

Jason Ardell / Flickr

Um novo estudo confirmou que o manto de gelo da Antárctica ainda está a libertar cloro radioactivo, proveniente de testes feitos com armas nucleares na década de 1950.

Quando as bombas nucleares são detonadas — tal como aconteceu nas décadas de 50 e 60, com os testes dos Estados Unidos no Oceano Pacífico —, o cloro-36 é um dos isótopos radioactivos libertados no ar, quando os neutrões reagem com o cloro na água do mar.

Desde então, outros isótopos voltaram aos níveis pré-teste, mas, aparentemente, isso não aconteceu com o cloro-36, como mostra um novo estudo agora citado pelo Science Alert.

Este isótopo também ocorre naturalmente e é usado pelos cientistas para datar os núcleos de gelo, juntamente com o berílio-10. No entanto, no seu estado padrão, o cloro-36 fica permanentemente preso pela neve na Antárctida, portanto, não devemos encontrar nenhuma leitura dele na atmosfera.

“Já não há cloro-36 nuclear na atmosfera global. É por isso que devemos observar os níveis naturais de cloro-36 em todos os lugares”, explica a cientista Mélanie Baroni, do Centro Europeu de Pesquisa e Ensino das Geociências do Meio Ambiente de França (Cerege).

Ao analisar duas áreas específicas da Antárctida — uma com relativamente pouca queda de neve anual e outra com muita —, os cientistas descobriram que altos níveis de cloro-36 ainda estão presentes perto da superfície do gelo à volta do local com pouca queda de neve, a estação de pesquisa russa Vostok.

Em 2008, havia dez vezes os níveis naturais de cloro-36 no gelo à volta da base. A radioactividade resultante é muito pequena para ter um sério impacto na atmosfera da Terra, mas parece que, afinal, este isótopo é mais resistente do que se pensava. Para surpresa dos cientistas, também está a mostrar ser mais ágil, subindo das profundezas da neve desde 1998.

As conclusões deste estudo, publicado em Setembro na revista Journal of Geophysical Research – Atmospheres, podem dar-nos uma nova visão sobre como o clima da Terra evoluiu ao longo de milhões de anos.

Além disso, esta investigação também serve como lembrete para o impacto duradouro que as armas nucleares têm no ambiente, décadas depois de terem sido detonadas.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2019

 

2850: Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das plataformas, derretendo-as.

Os cientistas conhecem estes canais basais nas plataformas de gelo há vários anos, mas as circunstâncias por trás da sua formação não eram bem compreendidas. Agora, os investigadores descobriram mais sobre o fenómeno e dizem que é algo que precisamos de levar em consideração ao modelar a elevação do nível do mar.

“A circulação de água quente está a atacar a parte inferior destas plataformas de gelo nos pontos mais vulneráveis”, disse a glaciologista Karen Alley, do College of Wooster, em Ohio, em comunicado.

As plataformas de gelo são uma extensão externa flutuante do gelo terrestre que compõe as camadas continentais de gelo, escreve o ScienceAlert. No caso da Antárctica, cerca de três quartos do continente é cercado por plataformas de gelo flutuantes, que agem como uma barreira natural para ajudar a impedir que as geleiras nas camadas de gelo fluam para o oceano.

Este efeito natural de barreira só funciona, no entanto, se as próprias plataformas de gelo contiverem massa gelada suficiente para sustentar o fluxo marítimo de gelo. Porém, as barreiras antárcticas estão a enfraquecer.

Em 2016, uma equipa liderada por Alley analisou imagens de satélite das plataformas de gelo da Antárctica Ocidental e identificou os rios invertidos de água morna que erodiam as plataformas por baixo, tornando-as mais vulneráveis ​​à desintegração. “As nossas observações mostram que os canais basais estão associados ao desenvolvimento de novas zonas de fissuras, sugerindo que estes canais podem causar fractura no gelo”, explicaram os investigadores no artigo de 2016, publicado na revista especializada Nature Geoscience.

“Concluímos que os canais basais podem formar-se e crescer rapidamente como resultado da intrusão de água quente no oceano, e que podem enfraquecer estruturalmente as plataformas de gelo, potencialmente levando à rápida perda da plataforma de gelo em algumas áreas”.

Num novo estudo, Alley e a sua equipa examinaram novamente os canais basais para investigar o que produz estes rios misteriosos. Por acaso, o processo começa na massa aterrada da própria camada de gelo da Antárctica, e não na plataforma de gelo flutuante. À medida que o gelo flui para o mar a partir da camada de gelo em terra, regiões fracas no gelo de fluxo rápido chamado “margens de cisalhamento” podem formar-se nas bordas da massa.

No novo estudo, publicado na semana passada na revista especializada Science Advances, os cientistas descobriram que os canais basais eram mais propensos a formar-se ao longo das margens dos trechos de gelo enfraquecidos e de fluxo rápido – uma consequência dos fluxos quentes de água flutuante que subiam acima da água mais fria e induziam o derretimento nas secções mais vulneráveis nas plataformas de gelo.

À medida que a fusão ocorre, um canal basal é esculpido na parte inferior da frágil margem de cisalhamento, revelando o ponto mais fraco e produzindo quebras nas plataformas de gelo.

“Estamos a ver um novo processo, em que a água quente entra na plataforma por baixo”, disse o glaciologista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder. “A calha torna a plataforma fraca e, em poucas décadas, desaparece, libertando o manto de gelo para sair mais rápido no oceano”.

Embora os investigadores não saibam até que ponto estes rios podem estar a apressar os processos de colapso do lençol de gelo e aumento do nível do mar em geral, os cientistas consideram que é importante estudar os efeitos dos canais basais e incorporar o fenómeno na modelagem das mudanças na camada de gelo.

“Isto pode importar um pouco ou pode importar muito”, disse Alley à National Geographic. “Mas sabemos que isto torna mais provável a perda de plataformas de gelo. Estes canais tornam os pontos fracos mais fracos”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2829: O ar acima da Antárctida acabou de ficar muito quente de um momento para o outro

CIÊNCIA

NASA

Um fenómeno atmosférico raro provocou um aumento da temperatura estranho no ar acima da Antárctida. Segundo os cientistas, houve mesmo quebras de temperatura recorde na estratosfera.

Eun-Pa Lim, do Bureau of Meteorology da Austrália, e os seus colegas observaram que o ar acima da Antárctica estava a ficar mais quente no final de Agosto. Nas semanas que se seguiram, esse aquecimento intensificou-se.

O aquecimento foi o resultado do repentino aquecimento estratosférico – um fenómeno que ocorre regularmente no Hemisfério Norte, aproximadamente uma vez a cada um ou dois anos, disse Lim em declarações à Newsweek. No Hemisfério Sul, porém, é muito mais raro, tendo sido observado apenas em 2002.

“No final de Agosto até ao início de Setembro, estava cerca de 30 a 35 graus Kelvin mais quente do que o normal na estratosfera alta e média na região da calota polar da Antárctica, que foi um aquecimento recorde para essa época do ano”, disse Lim. “Desde então, a magnitude do aquecimento anómalo reduziu em cerca de 15 graus Kelvin na estratosfera média a baixa”.

Todos os Invernos, ventos velozes do oeste desenvolvem-se na estratosfera – a segunda camada na atmosfera da Terra que fica acima da troposfera. Esta camada estende-se por cerca de 50 quilómetros de altura, com a camada de ozono dentro dela. Estes ventos, que podem chegar a 240 quilómetros por hora, desenvolvem-se devido às diferenças de temperatura entre o Pólo Sul, onde não há luz solar, e o oceano, que ainda recebe luz solar.

“À medida que o sol se desloca para o sul durante a primavera, a região polar começa a aquecer. Esse aquecimento faz com que o vórtice estratosférico e os ventos ocidentais associados enfraquecem gradualmente ao longo de alguns meses”, disse Lim.

Alguns anos, isto acontece mais rápido do que o normal, com o ar da atmosfera mais baixa aquecendo a estratosfera, causando o enfraquecimento dos ventos. “Muito raramente, se as ondas forem suficientemente fortes, podem rapidamente quebrar o vórtice polar, invertendo a direcção dos ventos e tornando-se leste. Esta é a definição técnica de ‘aquecimento estratosférico repentino’”.

O aquecimento estratosférico repentino é o resultado de variações naturais na atmosfera, disse Lim, acrescentando que parece que este evento é resultado de variabilidade aleatória. Lim acrescentou que, agora, a sua equipa quer analisar o que aconteceu com o aquecimento, a fim de entender melhor os mecanismos físicos da relação entre a estratosfera e a troposfera.

“O evento actual começou com um aquecimento muito rápido e forte, mas o aquecimento foi mantido na estratosfera e ainda não afectou a atmosfera mais baixa, o que é muito incomum”, disse.

Espera-se que o repentino aquecimento estratosférico traga ventos quentes e secos sobre a Austrália nos próximos três meses. Num estudo publicado esta semana na revista especializada Nature Geoscience, a equipa colocou as temperaturas crescentes num modelo que fornece previsões para o Hemisfério Sul. As descobertas mostraram que a Austrália provavelmente terá menos chuva e temperaturas mais quentes na primavera, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2019

 

2763: Micro-plásticos detestados pela primeira vez em pinguins da Antárctida

CIÊNCIA

slobirdr / Flickr

A poluição por micro-plásticos já chegou à Antárctida, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) “encontrou, pela primeira vez, micro-plásticos em pinguins da Antárctida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha”, foi hoje anunciado.

“Ao analisarem a dieta de pinguins ‘gentoo Pygocelis papua’ em duas regiões da Antárctida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham micro-plásticos”, afirma a FCTUC numa nota enviada hoje à agência Lusa.

As partículas de plástico, com comprimento inferior a cinco milímetros, têm “diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes micro-plásticos”, acrescenta.

“A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo, mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre micro-plásticos”, sublinha a FCTUC.

“Em zonas mais remotas do planeta, como a Antárctida, esperava-se que a presença de micro-plásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado micro-plásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antárctico”, destaca a Faculdade.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, “é alarmante que micro-plásticos já tenham chegado à Antárctida”. Este estudo é “o primeiro a registar micro-plásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antárctica”, refere a investigadora, citada pela FCTUC.

“A variedade de micro-plásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”, sublinha ainda Filipa Bessa.

José Xavier, autor sénior do artigo, afirma, por seu lado, que “este estudo vem na altura certa, pois os micro-plásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antárctica”.

Por isso, conclui o docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antárctida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2749: Icebergue duas vezes maior que ilha da Madeira separa-se da Antárctida

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

É o maior icebergue a soltar-se da plataforma de gelo Amery em mais de 50 anos. Cientistas dizem que evento não está ligado às alterações climáticas, sendo normal.

O icebergue D28 soltou-se no dia 25 de Setembro.
© DR

Um icebergue com 1582 quilómetros quadrados, mais de duas vezes o tamanho da ilha da Madeira (741 quilómetros quadrados), separou-se da plataforma de gelo Amery, na Antárctida. Baptizado de D28, é o maior icebergue em 50 anos e obriga a monitorização constante, já que pode tornar-se um risco se alcançar as rotas de transporte marítimo.

As plataformas de gelo, como a Amery, são massas de gelo flutuantes que são como uma extensão dos glaciares que fluem da terra para o mar.

@CopernicusEU

The new D28 Iceberg (five times the area of Malta  or ~1582km²) just calved away from Amery ice shelf #Antarctica
Before (20/09) and after (25/09) #Sentinel1 captures processed by @StefLhermitte

Os cientistas monitorizam há quase duas décadas uma secção da plataforma de gelo conhecida como “dente a abanar” (por parecer que está prestes a separar-se), mas foi de uma zona vizinha que o D28 acabou por soltar-se. “É um molar comparado com um dente de leite”, disse a professora Helen Amanda Fricker, do Instituto Scripps de Oceanografia dos EUA, à BBC.

@MarkDoman

The D28 iceberg that broke away from the Amery ice shelf in Antarctica last week. Read more about it here: http://ab.co/2o42umU  Imagery via @CopernicusEU and @sentinel_hub

“Nós previmos que um grande icebergue se iria soltar entre 2010 e 2015”, disse Fricker à estação de televisão australiana ABC. “Estou contente de ver este desprendimento depois de tantos anos. Sabíamos que iria acontecer, mas para nos manter atentos, não foi exactamente onde esperávamos”, acrescentou.

Os cientistas não acreditam que este acontecimento esteja ligado às alterações climáticas, sendo parte normal do ciclo de vida das plataformas de gelo a cada 60 ou 70 anos. O último grande icebergue a soltar da plataforma Amery, em 1963 ou 1964, tinha 9000 quilómetros quadrados.

Diário de Notícias
01 Outubro 2019 — 10:15

 

2666: Há décadas que o buraco na camada de ozono não estava tão pequeno (e pode estar quase curado)

CIÊNCIA

(cv) Seeker / Youtube

Após um enorme esforço global, a camada de ozono sobre a Antárctida é a mais pequena em décadas. Nesse ritmo de recuperação, a agência ambiental das Nações Unidas declarou que a maior parte da camada de ozono será completamente curada durante a nossa vida.

Desde 2000 que partes da camada de ozono se recuperam a uma taxa de 1 a 3% a cada 10 anos, de acordo com a mais recente avaliação científica da deplecção de ozono. Espera-se que a taxa sugira que o Hemisfério Norte e o ozono de latitude média se curem completamente até aos anos 2030, com o Hemisfério Sul reparado nos anos 2050.

O ozono é uma molécula composta por três átomos de oxigénio. 10% do ozono atmosférico pode ser encontrado na troposfera, que se estende ao nível do solo até a uma altitude de cerca de sete quilómetros. No nível do solo, o ozono é um poluente do ar, formado por subprodutos na combustão de escapamento de veículos e combustíveis fósseis.

A camada de ozono é uma região da estratosfera da Terra com altas concentrações de ozono gasoso que ajuda a proteger o planeta dos raios ultravioleta nocivos do Sol.

O uso de certos produtos químicos fabricados pelo homem, especialmente refrigerantes e solventes manufacturados, pode actuar como substâncias que destroem o ozono após serem transportados para a estratosfera, causando o esgotamento da camada e a formação de um “buraco”.

Actualmente, o buraco na camada de ozono da Antárctica está a passar por um surto de crescimento sazonal que começa todos os anos em Agosto e atinge o pico em Outubro. Dados recentemente divulgados pelo Serviço de Monitorização de Atmosfera Copernicus (CAMS) mostraram que o ozono está a comportar-se de uma forma “muito incomum”.

Embora o buraco de ozono deste ano tenha crescido sob algumas condições estranhas, fazendo com que pareça mais distante do pólo do que o habitual, os meteorologistas prevêem que ainda está a caminhar para a menor área de qualquer buraco de ozono na Antárctida em 30 anos.

“As nossas previsões mostram que permanecerá pequeno esta semana e esperamos que o buraco de ozono deste ano seja um dos menores que temos visto desde meados da década de 1980″, disse Antje Inness, cientista sénior do CAMS, em comunicado.

Depois de o buraco no ozono ter sido descoberto em 1985, o mundo agiu rapidamente para resolver o problema. Em 1987, 196 países e a União Europeia assinaram o Protocolo de Montreal para eliminar gradualmente a produção de quase cem substâncias responsáveis ​​pela destruição do ozono.

Até ao momento, este continua a ser o único tratado das Nações Unidas a ser adoptado por todos os Estados membros. Como os resultados reafirmam, o protocolo foi um sucesso sem precedentes.

No momento em que o mundo está a oscilar no precipício de mudanças climáticas catastróficas, a recuperação do buraco na camada de ozono serve como um lembrete de que é possível que o mundo resolva os seus problemas ambientais por meio de acções colectivas e mudanças políticas.

“O Protocolo de Montreal foi um sucesso tão grande por causa do apoio global unânime”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado da ONU. “Devemos lembrar que o Protocolo de Montreal é um exemplo inspirador de como a humanidade é capaz de cooperar para enfrentar um desafio global e um instrumento fundamental para enfrentar a crise climática de hoje”.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2646: Descoberto um mundo subterrâneo perdido no meio da Antárctida

CIÊNCIA

Durante as primeiras expedições na Antárctida, exploradores polares descobriram uma caverna de gelo “perdida” com três andares, vários lagos e um rio.

A formação geológica foi encontrada na ilha Galindez, onde estão baseados os exploradores da 24.ª Expedição Antárctida Ucraniana (UAE). Havia uma entrada conhecida para a caverna em frente à estação costeira da ilha, mas há alguns anos a abertura ficou bloqueada quando um glaciar se deslocou para o oceano.

Após várias tentativas de encontrar uma nova entrada para a caverna, o grupo de exploradores encontrou uma abertura numa antiga base britânica. Dessa forma, descobriram que a caverna é realmente três vezes maior do que se pensava anteriormente.

No piso inferior da magnífica caverna, a equipa encontrou um lago congelado e uma divisão gigante, quase tão alto como um prédio de quatro andares (12 metros), tendo oito metros de largura e 30 metros de comprimento.

Sobre os três andares da caverna, com cerca de 200 metros, a equipa também descobriu um rio de gelo e uma pena de pássaro num bloco de gelo 20 metros abaixo da superfície.

Os membros da equipa sabem se a pena não pertence a um pinguim, mas a amostra foi enviada de volta para a Ucrânia para um exame mais aprofundado a fim de determinar exactamente a que animal pertence e há quanto tempo tem estado lá.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
15 Setembro, 2019

 

2589: Os céus pintam-se de verde!

Cores espectaculares nos céus da Antárctida. As imagens foram captadas na estação de investigação chinesa de Zhongshan.
A equipa de cientistas chineses chegou à Antárctida em Dezembro passado naquela que é a 35ª missão no local.

msn vídeo
06/09/2019

2452: Pela primeira vez, foi encontrada uma rara poeira interestelar na neve da Antárctida

ravas51 / Wikimedia

Cientistas que estudavam a neve recém-caída na Antárctida descobriram um raro isótopo de ferro na poeira interestelar escondido dentro dela, sugerindo que a poeira apareceu recentemente.

Esta descoberta poderia dar informações cruciais sobre a história das explosões estelares na nossa vizinhança galáctica.

Sabe-se que a poeira cósmica cai na Terra a toda a hora, em forma de minúsculos fragmentos do entulho da formação de estrelas e planetas. A Antárctida é um óptimo lugar para procurar essa poeira, porque é uma das regiões mais preservadas da Terra, tornando mais fácil encontrar isótopos que não se originaram no nosso próprio planeta.

Neste caso, o isótopo que os investigadores identificaram é o raro 60Fe (ou ferro-60), uma das muitas variantes radioactivas do ferro. Anteriormente, a presença deste ferro em sedimentos do fundo do mar e restos fossilizados de bactérias sugeriu que uma ou mais super-novas explodiram nas proximidades da Terra entre 3,2 e 1,7 milhões de anos atrás.

O novo estudo marca a primeira vez que o ferro interestelar 60 foi detectado na recente neve da Antárctida – a poeira terá caído dos céus nos últimos 20 anos, de acordo com os investigadores.

“Fiquei pessoalmente muito surpreendido, porque era apenas uma hipótese de que poderia haver ferro-60 e era ainda mais incerto que o sinal fosse suficientemente forte para ser detectado”, disse o físico nuclear Dominik Koll, da Universidade Nacional da Austrália, ao ScienceAlert.

“Foi um momento muito alegre quando vi a primeira contagem de ferro 60 aparecer nos dados, porque significa que a nossa imagem astrofísica geral pode não estar muito errada.”

A imagem é a seguinte: o Sistema Solar está actualmente a viajar através do que é conhecido como Nuvem Interstelar Local (LIC), uma bolsa de meio interestelar denso que contém muita poeira interestelar.

Se o ferro-60 tiver sido depositado na Terra nos últimos anos, isso ajuda a validar a ideia de que a nossa vizinhança galáctica local e a sua composição particular de estrelas estelares inter-estelares podem ter sido moldadas pela explosão de estrelas.

Isto também pode ajudar a identificar melhor a nossa localização no LIC e durante quanto tempo o Sistema Solar está a passar por ele. “Esperamos um aumento acentuado no fluxo de ferro-60 na época em que o Sistema Solar entrou no LIC”, escreveu a equipa no estudo, publicado em Agosto na revista especializada Physical Review Letters.

O presente estudo envolveu uma análise química de espectrometria de massa altamente sensível realizada em 500 quilogramas de neve removida da Antárctida e cuidadosamente transportada para a Alemanha – para um dos dois únicos locais em todo o mundo onde esse tipo de análise pode ser realizado.

“Não há ferro estável ou outros elementos abundantes na Antárctida, o que ajuda muito na medição das relações 60Fe / Fe”, disse Koll ao ScienceAlert. “A neve foi tirada com uma pá e foi acondicionada em caixas de armazenamento que foram mantidas abaixo de 0°C para manter a neve congelada até chegar a Munique.”

Os investigadores mediram as proporções de outros elementos isótopos na sua amostra, para garantir que o isótopo de ferro fosse de origem verdadeiramente interestelar. Isto permitiu-lhes descartar outras possíveis origens mais próximas de casa, como rochas espaciais dentro do nosso Sistema Solar irradiadas com raios cósmicos ou mesmo testes de armas nucleares.

ZAP //

Por ZAP
16 Agosto, 2019

 

2444: Supernova poderá ter deixado poeira radioactiva no gelo da Antárctida

Cientistas encontraram evidências de poeira produzida por super-novas vizinhas. De acordo com uma nova investigação, esta matéria está escondida debaixo de mil quilos de neve na Antárctida. Assim, poderão ser estes indícios que ajudarão os astrónomos a perceber que o Sol está realmente no meio de uma “Bolha Local”.

Há muitos mistérios por baixo das toneladas de gelo, alguns sinais poderão mostrar a realidade do nosso sistema solar.

O que é um super-nova?

Super-nova é um evento astronómico que ocorre durante os estágios finais da evolução de algumas estrelas. Este momento é caracterizado por uma explosão muito brilhante. Por um curto espaço de tempo, isto causa um efeito similar ao surgimento de uma estrela nova, antes de desaparecer lentamente ao longo de várias semanas ou meses.

Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em mil milhões de vezes a partir do seu estado original. Com isso, o fenómeno torna a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, a sua temperatura e brilho diminuem lentamente. Assim, a explosão de uma super-nova de tipo II pode expulsar para o espaço até 90% da matéria da estrela progenitora.

Vestígios de poeira radioactiva de uma super-nova na neve antárctica

O nosso sistema solar é mais do que apenas o Sol, planetas, luas e asteróides – este está cheio de poeira, grande parte da qual pode ter origem em fontes inter-estelares. Uma equipa de cientistas na Austrália, Alemanha e Áustria espera encontrar a assinatura elementar dessa poeira aqui na Terra. Eventualmente serão revelados dados que ajudarão a entender melhor o ambiente pelo qual o sistema solar se move.

Estou animado com a possibilidade de aprender algo sobre as explosões estelares extremas e grandes estruturas ao redor do nosso planeta que estão inimaginavelmente distantes e grandes. Isso é possível apenas olhando para o nosso próprio planeta.

Referiu Dominik Koll, o primeiro autor do estudo.

Os investigadores organizaram um transporte de cerca de 500 quilos de neve relativamente fresca (não mais de 20 anos). Este material viajou da Estação Kohnen na Antárctida até Munique, Alemanha. Posteriormente, derreteram-na no laboratório, passaram por um filtro e evaporaram-na para recolher poeira e micro-meteoritos.

A poeira a seguir foi incinerada e depois colocaram-na num espectrómetro de massa acelerador. Este método cria iões carregados a partir da amostra, passa os iões através de um íman e para um acelerador de partículas antes de os enviar para o detector. Isto permite que os investigadores procurem apenas isótopos atómicos específicos.

À descoberta de ferro-60 vindo do espaço

Especificamente, a equipa esperava encontrar ferro-60, um isótopo radioactivo de longa duração libertado por estrelas explosivas, ou super-novas. Contudo, o ferro-60 pode ter vindo de outras fontes, como matéria irradiada por raios cósmicos.

Assim, para garantir que estavam realmente a medir a poeira interestelar, também procuraram na amostra por manganésio 53, outro isótopo produzido por raios cósmicos de alta energia. Posteriormente, os cientistas compararam a sua razão de ferro-60 e manganésio 53 com a razão que esperariam se não houvesse poeira interestelar. No entanto, a equipa mediu muito mais ferro-60 do que esperavam apenas dos raios cósmicos.

Mas como chegou lá esta poeira?

Estes investigadores já mostrou anteriormente que uma super-nova próxima depositou ferro-60 no sistema solar nos últimos 1,5 milhão a 3 milhões de anos. Desta forma, e tendo em conta que esta poeira rica em ferro-60 ainda está a cair na Terra, então poderemos estar a passar por uma nuvem de poeira remanescente desta super-nova.

Estudos como estes podem pintar melhor um quadro do ambiente interestelar através do qual o Sol está a viajar. Astrónomos perceberam que o Sol está no meio de uma “Bolha Local”, uma área onde o meio interestelar é muito menos denso que a média, talvez por causa de uma super-nova relativamente recente. Dentro da bolha está a Nuvem Interstelar Local, uma região que é um pouco mais densa que a Bolha. Os núcleos radioactivos da neve da Antárctida podem ser uma forma importante de sondar as origens da Bolha e da Nuvem.

Os investigadores referem que ainda há muito a fazer. O grupo liderado por Koll espera um dia explorar material mais antigo. A ideia será ver como a deposição dessa poeira mudou com o tempo.

A Antárctida é mais do que apenas um deserto gelado. Na verdade, este ainda desconhecido lugar na Terra, pode estar a esconder uma história secreta de super-novas antigas. Esta informação foi publicada na revista científica Physical Review Letters.

Imagem: Wikip
Fonte: Physics