2850: Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das plataformas, derretendo-as.

Os cientistas conhecem estes canais basais nas plataformas de gelo há vários anos, mas as circunstâncias por trás da sua formação não eram bem compreendidas. Agora, os investigadores descobriram mais sobre o fenómeno e dizem que é algo que precisamos de levar em consideração ao modelar a elevação do nível do mar.

“A circulação de água quente está a atacar a parte inferior destas plataformas de gelo nos pontos mais vulneráveis”, disse a glaciologista Karen Alley, do College of Wooster, em Ohio, em comunicado.

As plataformas de gelo são uma extensão externa flutuante do gelo terrestre que compõe as camadas continentais de gelo, escreve o ScienceAlert. No caso da Antárctica, cerca de três quartos do continente é cercado por plataformas de gelo flutuantes, que agem como uma barreira natural para ajudar a impedir que as geleiras nas camadas de gelo fluam para o oceano.

Este efeito natural de barreira só funciona, no entanto, se as próprias plataformas de gelo contiverem massa gelada suficiente para sustentar o fluxo marítimo de gelo. Porém, as barreiras antárcticas estão a enfraquecer.

Em 2016, uma equipa liderada por Alley analisou imagens de satélite das plataformas de gelo da Antárctica Ocidental e identificou os rios invertidos de água morna que erodiam as plataformas por baixo, tornando-as mais vulneráveis ​​à desintegração. “As nossas observações mostram que os canais basais estão associados ao desenvolvimento de novas zonas de fissuras, sugerindo que estes canais podem causar fractura no gelo”, explicaram os investigadores no artigo de 2016, publicado na revista especializada Nature Geoscience.

“Concluímos que os canais basais podem formar-se e crescer rapidamente como resultado da intrusão de água quente no oceano, e que podem enfraquecer estruturalmente as plataformas de gelo, potencialmente levando à rápida perda da plataforma de gelo em algumas áreas”.

Num novo estudo, Alley e a sua equipa examinaram novamente os canais basais para investigar o que produz estes rios misteriosos. Por acaso, o processo começa na massa aterrada da própria camada de gelo da Antárctica, e não na plataforma de gelo flutuante. À medida que o gelo flui para o mar a partir da camada de gelo em terra, regiões fracas no gelo de fluxo rápido chamado “margens de cisalhamento” podem formar-se nas bordas da massa.

No novo estudo, publicado na semana passada na revista especializada Science Advances, os cientistas descobriram que os canais basais eram mais propensos a formar-se ao longo das margens dos trechos de gelo enfraquecidos e de fluxo rápido – uma consequência dos fluxos quentes de água flutuante que subiam acima da água mais fria e induziam o derretimento nas secções mais vulneráveis nas plataformas de gelo.

À medida que a fusão ocorre, um canal basal é esculpido na parte inferior da frágil margem de cisalhamento, revelando o ponto mais fraco e produzindo quebras nas plataformas de gelo.

“Estamos a ver um novo processo, em que a água quente entra na plataforma por baixo”, disse o glaciologista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder. “A calha torna a plataforma fraca e, em poucas décadas, desaparece, libertando o manto de gelo para sair mais rápido no oceano”.

Embora os investigadores não saibam até que ponto estes rios podem estar a apressar os processos de colapso do lençol de gelo e aumento do nível do mar em geral, os cientistas consideram que é importante estudar os efeitos dos canais basais e incorporar o fenómeno na modelagem das mudanças na camada de gelo.

“Isto pode importar um pouco ou pode importar muito”, disse Alley à National Geographic. “Mas sabemos que isto torna mais provável a perda de plataformas de gelo. Estes canais tornam os pontos fracos mais fracos”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2829: O ar acima da Antárctida acabou de ficar muito quente de um momento para o outro

CIÊNCIA

NASA

Um fenómeno atmosférico raro provocou um aumento da temperatura estranho no ar acima da Antárctida. Segundo os cientistas, houve mesmo quebras de temperatura recorde na estratosfera.

Eun-Pa Lim, do Bureau of Meteorology da Austrália, e os seus colegas observaram que o ar acima da Antárctica estava a ficar mais quente no final de Agosto. Nas semanas que se seguiram, esse aquecimento intensificou-se.

O aquecimento foi o resultado do repentino aquecimento estratosférico – um fenómeno que ocorre regularmente no Hemisfério Norte, aproximadamente uma vez a cada um ou dois anos, disse Lim em declarações à Newsweek. No Hemisfério Sul, porém, é muito mais raro, tendo sido observado apenas em 2002.

“No final de Agosto até ao início de Setembro, estava cerca de 30 a 35 graus Kelvin mais quente do que o normal na estratosfera alta e média na região da calota polar da Antárctica, que foi um aquecimento recorde para essa época do ano”, disse Lim. “Desde então, a magnitude do aquecimento anómalo reduziu em cerca de 15 graus Kelvin na estratosfera média a baixa”.

Todos os Invernos, ventos velozes do oeste desenvolvem-se na estratosfera – a segunda camada na atmosfera da Terra que fica acima da troposfera. Esta camada estende-se por cerca de 50 quilómetros de altura, com a camada de ozono dentro dela. Estes ventos, que podem chegar a 240 quilómetros por hora, desenvolvem-se devido às diferenças de temperatura entre o Pólo Sul, onde não há luz solar, e o oceano, que ainda recebe luz solar.

“À medida que o sol se desloca para o sul durante a primavera, a região polar começa a aquecer. Esse aquecimento faz com que o vórtice estratosférico e os ventos ocidentais associados enfraquecem gradualmente ao longo de alguns meses”, disse Lim.

Alguns anos, isto acontece mais rápido do que o normal, com o ar da atmosfera mais baixa aquecendo a estratosfera, causando o enfraquecimento dos ventos. “Muito raramente, se as ondas forem suficientemente fortes, podem rapidamente quebrar o vórtice polar, invertendo a direcção dos ventos e tornando-se leste. Esta é a definição técnica de ‘aquecimento estratosférico repentino’”.

O aquecimento estratosférico repentino é o resultado de variações naturais na atmosfera, disse Lim, acrescentando que parece que este evento é resultado de variabilidade aleatória. Lim acrescentou que, agora, a sua equipa quer analisar o que aconteceu com o aquecimento, a fim de entender melhor os mecanismos físicos da relação entre a estratosfera e a troposfera.

“O evento actual começou com um aquecimento muito rápido e forte, mas o aquecimento foi mantido na estratosfera e ainda não afectou a atmosfera mais baixa, o que é muito incomum”, disse.

Espera-se que o repentino aquecimento estratosférico traga ventos quentes e secos sobre a Austrália nos próximos três meses. Num estudo publicado esta semana na revista especializada Nature Geoscience, a equipa colocou as temperaturas crescentes num modelo que fornece previsões para o Hemisfério Sul. As descobertas mostraram que a Austrália provavelmente terá menos chuva e temperaturas mais quentes na primavera, aumentando potencialmente o risco de incêndios florestais.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2019

 

2763: Micro-plásticos detestados pela primeira vez em pinguins da Antárctida

CIÊNCIA

slobirdr / Flickr

A poluição por micro-plásticos já chegou à Antárctida, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) “encontrou, pela primeira vez, micro-plásticos em pinguins da Antárctida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha”, foi hoje anunciado.

“Ao analisarem a dieta de pinguins ‘gentoo Pygocelis papua’ em duas regiões da Antárctida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham micro-plásticos”, afirma a FCTUC numa nota enviada hoje à agência Lusa.

As partículas de plástico, com comprimento inferior a cinco milímetros, têm “diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes micro-plásticos”, acrescenta.

“A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo, mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre micro-plásticos”, sublinha a FCTUC.

“Em zonas mais remotas do planeta, como a Antárctida, esperava-se que a presença de micro-plásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado micro-plásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antárctico”, destaca a Faculdade.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, “é alarmante que micro-plásticos já tenham chegado à Antárctida”. Este estudo é “o primeiro a registar micro-plásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antárctica”, refere a investigadora, citada pela FCTUC.

“A variedade de micro-plásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”, sublinha ainda Filipa Bessa.

José Xavier, autor sénior do artigo, afirma, por seu lado, que “este estudo vem na altura certa, pois os micro-plásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antárctica”.

Por isso, conclui o docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antárctida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2749: Icebergue duas vezes maior que ilha da Madeira separa-se da Antárctida

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

É o maior icebergue a soltar-se da plataforma de gelo Amery em mais de 50 anos. Cientistas dizem que evento não está ligado às alterações climáticas, sendo normal.

O icebergue D28 soltou-se no dia 25 de Setembro.
© DR

Um icebergue com 1582 quilómetros quadrados, mais de duas vezes o tamanho da ilha da Madeira (741 quilómetros quadrados), separou-se da plataforma de gelo Amery, na Antárctida. Baptizado de D28, é o maior icebergue em 50 anos e obriga a monitorização constante, já que pode tornar-se um risco se alcançar as rotas de transporte marítimo.

As plataformas de gelo, como a Amery, são massas de gelo flutuantes que são como uma extensão dos glaciares que fluem da terra para o mar.

@CopernicusEU

The new D28 Iceberg (five times the area of Malta  or ~1582km²) just calved away from Amery ice shelf #Antarctica
Before (20/09) and after (25/09) #Sentinel1 captures processed by @StefLhermitte

Os cientistas monitorizam há quase duas décadas uma secção da plataforma de gelo conhecida como “dente a abanar” (por parecer que está prestes a separar-se), mas foi de uma zona vizinha que o D28 acabou por soltar-se. “É um molar comparado com um dente de leite”, disse a professora Helen Amanda Fricker, do Instituto Scripps de Oceanografia dos EUA, à BBC.

@MarkDoman

The D28 iceberg that broke away from the Amery ice shelf in Antarctica last week. Read more about it here: http://ab.co/2o42umU  Imagery via @CopernicusEU and @sentinel_hub

“Nós previmos que um grande icebergue se iria soltar entre 2010 e 2015”, disse Fricker à estação de televisão australiana ABC. “Estou contente de ver este desprendimento depois de tantos anos. Sabíamos que iria acontecer, mas para nos manter atentos, não foi exactamente onde esperávamos”, acrescentou.

Os cientistas não acreditam que este acontecimento esteja ligado às alterações climáticas, sendo parte normal do ciclo de vida das plataformas de gelo a cada 60 ou 70 anos. O último grande icebergue a soltar da plataforma Amery, em 1963 ou 1964, tinha 9000 quilómetros quadrados.

Diário de Notícias
01 Outubro 2019 — 10:15

 

2666: Há décadas que o buraco na camada de ozono não estava tão pequeno (e pode estar quase curado)

CIÊNCIA

(cv) Seeker / Youtube

Após um enorme esforço global, a camada de ozono sobre a Antárctida é a mais pequena em décadas. Nesse ritmo de recuperação, a agência ambiental das Nações Unidas declarou que a maior parte da camada de ozono será completamente curada durante a nossa vida.

Desde 2000 que partes da camada de ozono se recuperam a uma taxa de 1 a 3% a cada 10 anos, de acordo com a mais recente avaliação científica da deplecção de ozono. Espera-se que a taxa sugira que o Hemisfério Norte e o ozono de latitude média se curem completamente até aos anos 2030, com o Hemisfério Sul reparado nos anos 2050.

O ozono é uma molécula composta por três átomos de oxigénio. 10% do ozono atmosférico pode ser encontrado na troposfera, que se estende ao nível do solo até a uma altitude de cerca de sete quilómetros. No nível do solo, o ozono é um poluente do ar, formado por subprodutos na combustão de escapamento de veículos e combustíveis fósseis.

A camada de ozono é uma região da estratosfera da Terra com altas concentrações de ozono gasoso que ajuda a proteger o planeta dos raios ultravioleta nocivos do Sol.

O uso de certos produtos químicos fabricados pelo homem, especialmente refrigerantes e solventes manufacturados, pode actuar como substâncias que destroem o ozono após serem transportados para a estratosfera, causando o esgotamento da camada e a formação de um “buraco”.

Actualmente, o buraco na camada de ozono da Antárctica está a passar por um surto de crescimento sazonal que começa todos os anos em Agosto e atinge o pico em Outubro. Dados recentemente divulgados pelo Serviço de Monitorização de Atmosfera Copernicus (CAMS) mostraram que o ozono está a comportar-se de uma forma “muito incomum”.

Embora o buraco de ozono deste ano tenha crescido sob algumas condições estranhas, fazendo com que pareça mais distante do pólo do que o habitual, os meteorologistas prevêem que ainda está a caminhar para a menor área de qualquer buraco de ozono na Antárctida em 30 anos.

“As nossas previsões mostram que permanecerá pequeno esta semana e esperamos que o buraco de ozono deste ano seja um dos menores que temos visto desde meados da década de 1980″, disse Antje Inness, cientista sénior do CAMS, em comunicado.

Depois de o buraco no ozono ter sido descoberto em 1985, o mundo agiu rapidamente para resolver o problema. Em 1987, 196 países e a União Europeia assinaram o Protocolo de Montreal para eliminar gradualmente a produção de quase cem substâncias responsáveis ​​pela destruição do ozono.

Até ao momento, este continua a ser o único tratado das Nações Unidas a ser adoptado por todos os Estados membros. Como os resultados reafirmam, o protocolo foi um sucesso sem precedentes.

No momento em que o mundo está a oscilar no precipício de mudanças climáticas catastróficas, a recuperação do buraco na camada de ozono serve como um lembrete de que é possível que o mundo resolva os seus problemas ambientais por meio de acções colectivas e mudanças políticas.

“O Protocolo de Montreal foi um sucesso tão grande por causa do apoio global unânime”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado da ONU. “Devemos lembrar que o Protocolo de Montreal é um exemplo inspirador de como a humanidade é capaz de cooperar para enfrentar um desafio global e um instrumento fundamental para enfrentar a crise climática de hoje”.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2646: Descoberto um mundo subterrâneo perdido no meio da Antárctida

CIÊNCIA

Durante as primeiras expedições na Antárctida, exploradores polares descobriram uma caverna de gelo “perdida” com três andares, vários lagos e um rio.

A formação geológica foi encontrada na ilha Galindez, onde estão baseados os exploradores da 24.ª Expedição Antárctida Ucraniana (UAE). Havia uma entrada conhecida para a caverna em frente à estação costeira da ilha, mas há alguns anos a abertura ficou bloqueada quando um glaciar se deslocou para o oceano.

Após várias tentativas de encontrar uma nova entrada para a caverna, o grupo de exploradores encontrou uma abertura numa antiga base britânica. Dessa forma, descobriram que a caverna é realmente três vezes maior do que se pensava anteriormente.

No piso inferior da magnífica caverna, a equipa encontrou um lago congelado e uma divisão gigante, quase tão alto como um prédio de quatro andares (12 metros), tendo oito metros de largura e 30 metros de comprimento.

Sobre os três andares da caverna, com cerca de 200 metros, a equipa também descobriu um rio de gelo e uma pena de pássaro num bloco de gelo 20 metros abaixo da superfície.

Os membros da equipa sabem se a pena não pertence a um pinguim, mas a amostra foi enviada de volta para a Ucrânia para um exame mais aprofundado a fim de determinar exactamente a que animal pertence e há quanto tempo tem estado lá.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
15 Setembro, 2019

 

2589: Os céus pintam-se de verde!

Cores espectaculares nos céus da Antárctida. As imagens foram captadas na estação de investigação chinesa de Zhongshan.
A equipa de cientistas chineses chegou à Antárctida em Dezembro passado naquela que é a 35ª missão no local.

msn vídeo
06/09/2019

2452: Pela primeira vez, foi encontrada uma rara poeira interestelar na neve da Antárctida

ravas51 / Wikimedia

Cientistas que estudavam a neve recém-caída na Antárctida descobriram um raro isótopo de ferro na poeira interestelar escondido dentro dela, sugerindo que a poeira apareceu recentemente.

Esta descoberta poderia dar informações cruciais sobre a história das explosões estelares na nossa vizinhança galáctica.

Sabe-se que a poeira cósmica cai na Terra a toda a hora, em forma de minúsculos fragmentos do entulho da formação de estrelas e planetas. A Antárctida é um óptimo lugar para procurar essa poeira, porque é uma das regiões mais preservadas da Terra, tornando mais fácil encontrar isótopos que não se originaram no nosso próprio planeta.

Neste caso, o isótopo que os investigadores identificaram é o raro 60Fe (ou ferro-60), uma das muitas variantes radioactivas do ferro. Anteriormente, a presença deste ferro em sedimentos do fundo do mar e restos fossilizados de bactérias sugeriu que uma ou mais super-novas explodiram nas proximidades da Terra entre 3,2 e 1,7 milhões de anos atrás.

O novo estudo marca a primeira vez que o ferro interestelar 60 foi detectado na recente neve da Antárctida – a poeira terá caído dos céus nos últimos 20 anos, de acordo com os investigadores.

“Fiquei pessoalmente muito surpreendido, porque era apenas uma hipótese de que poderia haver ferro-60 e era ainda mais incerto que o sinal fosse suficientemente forte para ser detectado”, disse o físico nuclear Dominik Koll, da Universidade Nacional da Austrália, ao ScienceAlert.

“Foi um momento muito alegre quando vi a primeira contagem de ferro 60 aparecer nos dados, porque significa que a nossa imagem astrofísica geral pode não estar muito errada.”

A imagem é a seguinte: o Sistema Solar está actualmente a viajar através do que é conhecido como Nuvem Interstelar Local (LIC), uma bolsa de meio interestelar denso que contém muita poeira interestelar.

Se o ferro-60 tiver sido depositado na Terra nos últimos anos, isso ajuda a validar a ideia de que a nossa vizinhança galáctica local e a sua composição particular de estrelas estelares inter-estelares podem ter sido moldadas pela explosão de estrelas.

Isto também pode ajudar a identificar melhor a nossa localização no LIC e durante quanto tempo o Sistema Solar está a passar por ele. “Esperamos um aumento acentuado no fluxo de ferro-60 na época em que o Sistema Solar entrou no LIC”, escreveu a equipa no estudo, publicado em Agosto na revista especializada Physical Review Letters.

O presente estudo envolveu uma análise química de espectrometria de massa altamente sensível realizada em 500 quilogramas de neve removida da Antárctida e cuidadosamente transportada para a Alemanha – para um dos dois únicos locais em todo o mundo onde esse tipo de análise pode ser realizado.

“Não há ferro estável ou outros elementos abundantes na Antárctida, o que ajuda muito na medição das relações 60Fe / Fe”, disse Koll ao ScienceAlert. “A neve foi tirada com uma pá e foi acondicionada em caixas de armazenamento que foram mantidas abaixo de 0°C para manter a neve congelada até chegar a Munique.”

Os investigadores mediram as proporções de outros elementos isótopos na sua amostra, para garantir que o isótopo de ferro fosse de origem verdadeiramente interestelar. Isto permitiu-lhes descartar outras possíveis origens mais próximas de casa, como rochas espaciais dentro do nosso Sistema Solar irradiadas com raios cósmicos ou mesmo testes de armas nucleares.

ZAP //

Por ZAP
16 Agosto, 2019

 

2444: Supernova poderá ter deixado poeira radioactiva no gelo da Antárctida

Cientistas encontraram evidências de poeira produzida por super-novas vizinhas. De acordo com uma nova investigação, esta matéria está escondida debaixo de mil quilos de neve na Antárctida. Assim, poderão ser estes indícios que ajudarão os astrónomos a perceber que o Sol está realmente no meio de uma “Bolha Local”.

Há muitos mistérios por baixo das toneladas de gelo, alguns sinais poderão mostrar a realidade do nosso sistema solar.

O que é um super-nova?

Super-nova é um evento astronómico que ocorre durante os estágios finais da evolução de algumas estrelas. Este momento é caracterizado por uma explosão muito brilhante. Por um curto espaço de tempo, isto causa um efeito similar ao surgimento de uma estrela nova, antes de desaparecer lentamente ao longo de várias semanas ou meses.

Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em mil milhões de vezes a partir do seu estado original. Com isso, o fenómeno torna a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, a sua temperatura e brilho diminuem lentamente. Assim, a explosão de uma super-nova de tipo II pode expulsar para o espaço até 90% da matéria da estrela progenitora.

Vestígios de poeira radioactiva de uma super-nova na neve antárctica

O nosso sistema solar é mais do que apenas o Sol, planetas, luas e asteróides – este está cheio de poeira, grande parte da qual pode ter origem em fontes inter-estelares. Uma equipa de cientistas na Austrália, Alemanha e Áustria espera encontrar a assinatura elementar dessa poeira aqui na Terra. Eventualmente serão revelados dados que ajudarão a entender melhor o ambiente pelo qual o sistema solar se move.

Estou animado com a possibilidade de aprender algo sobre as explosões estelares extremas e grandes estruturas ao redor do nosso planeta que estão inimaginavelmente distantes e grandes. Isso é possível apenas olhando para o nosso próprio planeta.

Referiu Dominik Koll, o primeiro autor do estudo.

Os investigadores organizaram um transporte de cerca de 500 quilos de neve relativamente fresca (não mais de 20 anos). Este material viajou da Estação Kohnen na Antárctida até Munique, Alemanha. Posteriormente, derreteram-na no laboratório, passaram por um filtro e evaporaram-na para recolher poeira e micro-meteoritos.

A poeira a seguir foi incinerada e depois colocaram-na num espectrómetro de massa acelerador. Este método cria iões carregados a partir da amostra, passa os iões através de um íman e para um acelerador de partículas antes de os enviar para o detector. Isto permite que os investigadores procurem apenas isótopos atómicos específicos.

À descoberta de ferro-60 vindo do espaço

Especificamente, a equipa esperava encontrar ferro-60, um isótopo radioactivo de longa duração libertado por estrelas explosivas, ou super-novas. Contudo, o ferro-60 pode ter vindo de outras fontes, como matéria irradiada por raios cósmicos.

Assim, para garantir que estavam realmente a medir a poeira interestelar, também procuraram na amostra por manganésio 53, outro isótopo produzido por raios cósmicos de alta energia. Posteriormente, os cientistas compararam a sua razão de ferro-60 e manganésio 53 com a razão que esperariam se não houvesse poeira interestelar. No entanto, a equipa mediu muito mais ferro-60 do que esperavam apenas dos raios cósmicos.

Mas como chegou lá esta poeira?

Estes investigadores já mostrou anteriormente que uma super-nova próxima depositou ferro-60 no sistema solar nos últimos 1,5 milhão a 3 milhões de anos. Desta forma, e tendo em conta que esta poeira rica em ferro-60 ainda está a cair na Terra, então poderemos estar a passar por uma nuvem de poeira remanescente desta super-nova.

Estudos como estes podem pintar melhor um quadro do ambiente interestelar através do qual o Sol está a viajar. Astrónomos perceberam que o Sol está no meio de uma “Bolha Local”, uma área onde o meio interestelar é muito menos denso que a média, talvez por causa de uma super-nova relativamente recente. Dentro da bolha está a Nuvem Interstelar Local, uma região que é um pouco mais densa que a Bolha. Os núcleos radioactivos da neve da Antárctida podem ser uma forma importante de sondar as origens da Bolha e da Nuvem.

Os investigadores referem que ainda há muito a fazer. O grupo liderado por Koll espera um dia explorar material mais antigo. A ideia será ver como a deposição dessa poeira mudou com o tempo.

A Antárctida é mais do que apenas um deserto gelado. Na verdade, este ainda desconhecido lugar na Terra, pode estar a esconder uma história secreta de super-novas antigas. Esta informação foi publicada na revista científica Physical Review Letters.

Imagem: Wikip
Fonte: Physics

 

2350: “Neve artificial” poderia salvar lençol de gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O lençol de gelo da Antárctida pode deslizar para o oceano e inundar as cidades costeiras. No entanto, esta catástrofe pode ser evitada se os Governos investirem num projecto de engenharia para cobrir a superfície com “neve artificial”.

Os cientistas acreditam que o aquecimento global já provocou tanto derretimento no pólo sul que o gigantesco lenço de gelo da Antárctida está em processo de desintegração, o que provocaria um eventual aumento global do nível da água do mar até três metros nos próximos séculos.

Mas uma equipa de cientistas do Potsdam Institute for Climate Impact Research, na Alemanha, acredita ter uma solução.

Os autores do mais recente estudo, publicado na Science Advances, propõem a utilização de 12 mil turbinas de vento para bombear água do mar a 1.500 metros de altura da superfície, local onde a água congelaria tornando-se numa espécie de neve que faria peso sobre a camada de gelo, impedindo assim que ela se dissolve-se ainda mais.

“Nós já acordamos o gigante do pólo sul”, começou por dizer Anders Levermann, professor e co-autor do artigo científico, citado pela Reuters, adiantando que estamos actualmente “num ponto sem retorno, se nada fizermos”.

Segundo o Straits Times, a quantidade necessária de neve para atingir os objectivos propostos seria de, pelo menos, 7,4 mil milhões de toneladas. Além disso, a operação teria obrigatoriamente de envolver centenas de canhões, alimentados por 12 mil turbinas eólicas, capazes de pulverizar água do mar numa área do tamanho da Costa Rica.

Este projecto ambicioso necessitaria de vários talentos da engenharia. Contudo, poderia também representar um risco ambiental significativo para uma das últimas áreas primitivas do planeta.

Citado pelo RT, Levermann admite que, se o projecto for realizado, terá “efeitos terríveis” na Antárctida, mas insiste que impedir o aumento global do nível do mar é uma “compensação desejável”.

ZAP //

Por ZAP
22 Julho, 2019

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2294: A Halley VI não precisa dos humanos para nada (e isso é uma boa notícia)

CIÊNCIA

(dr) British Antarctic Survey
A base britânica de investigação científica Halley VI

No inverno extremo da Antárctida, a base móvel de pesquisas do Reino Unido, entretanto abandonada por questões de segurança, continua a funcionar normalmente.

A Halley VI, base móvel de pesquisas do Reino Unido situada na plataforma de gelo Brunt no Mar de Weddell, na Antárctida, foi projectada para albergar cientistas mas, nos últimos anos, devido a várias fendas no gelo acabou por ser encerrada por questões de segurança.

Porém, embora esteja totalmente abandonada, isso não significa que a investigação tenha de parar. Segundo o Science Alert, os investigadores da British Antarctic Survey (BAS) anunciaram que, pela primeira vez desde que foi suspensa, a base continuou as suas medições do clima, ozono e clima espacial (sem ninguém pôr lá os pés desde Fevereiro).

“Estamos confiantes de que temos um bom design, mas as condições do inverno na Antárctida são tão brutais que nunca sabemos muito bem o que pode acontecer. Até agora, os sistemas operaram em temperaturas de até -43ºC e suportaram ventos de até 43 nós”, diz Thomas Barningham, cientista responsável pelo Halley Automation Project.

Durante estes períodos, a instalação mantém-se operacional graças a um sistema de energia autónomo que fornece electricidade aos instrumentos científicos da estação.

Luke Collins / Flickr

O núcleo da plataforma de automação é uma micro-turbina instalada num contentor com temperatura controlada, que funciona com um sistema de abastecimento autónomo para manter o Halley VI e todos os seus dispositivos a funcionar.

A micro-turbina precisa de trabalhar 24 horas, sete dias por semana, durante nove meses para garantir que a Halley VI continua a fazer o seu trabalho até que os investigadores regressem em Novembro.

É uma tarefa difícil, mas até agora a plataforma esteve ligada durante 136 dias, por isso, a British Antarctic Survey está confiante. Todos os dias, os investigadores têm recebido no Reino Unido 1GB de novos dados.

Para a equipa do BAS, este tempo ininterrupto representa a possibilidade de devolver a Halley VI ao lugar onde deveria estar, depois de dois Invernos ‘offline’ em 2017 e 2018.

“Estamos a medir o ozono desde a década de 50 e estes dois Invernos perdidos de dados deixam-me realmente triste. Por isso, estou muito orgulhoso da posição em que nos encontramos agora”, afirma o director de ciência da BAS, David Vaughan, à BBC.

ZAP //

Por ZAP
9 Julho, 2019

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2176: O mistério dos buracos que se abrem na Antárctida foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Em 2016 e 2017, os cientistas fotografaram duas enormes polínias, espaços abertos de água cercados por gelo marinho, no meio do Mar de Weddell, a oeste da Antárctida.

O buraco de 2016 tinha cerca de 33.000 quilómetros quadrados, mas o de 2017 tinha uma área de cerca de 50.000 quilómetros quadrados – do tamanho de dois terços de Portugal.

Um grupo de investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, tentou investigá-los, usando imagens de satélite, robôs e elefantes marinhos equipados com sensores. De acordo com o estudo publicado na revista Nature, a origem desse fenómeno está na acumulação de uma série de anomalias oceânicas.

“Pensamos que este grande buraco era estranho, talvez um processo que tinha desaparecido. Mas os eventos de 2016 e 2017 mostraram que não”, disse Ethan Campbell, director da investigação, em comunicado. “As observações mostraram que as polínias recentes abriram-se por causa de uma combinação de factores: algumas são as condições incomuns do oceano e as outras uma série de intensas tempestades que rodopiavam em redor do Mar de Weddell com quase a força de um furacão”.

Normalmente as polínias formam-se perto da costa por causa do impulso do vento. Mas também podem aparecer no interior e, nesse caso, tornam-se um oásis para pinguins, baleias e focas, já que podem emergir e respirar lá.

No Mar de Waddell, as primeiras polínias foram detectados em 1974, 1975 e 1976, graças ao lançamento dos primeiros satélites. Até então, esses buracos eram do tamanho da Nova Zelândia e mostraram que conseguiam persistir apesar das baixas temperaturas. Mas não se soube nada sobre o fenómeno até às deteções de 2016 e 2017. Por essa razão, os investigadores perguntaram-se por que estava a acontecer novamente e se a mudança climática poderia alterar esse fenómeno.

O Oceano Antárctico é um agente fundamental no clima do planeta, especialmente através das correntes oceânicas e do ciclo do carbono, do fluxo de dióxido de carbono da atmosfera para os oceanos e vice-versa. É um dos oceanos com as tempestades mais poderosas do mundo. No entanto, o eu comportamento é difícil de entender.

Nesta ocasião, os cientistas usaram as observações do projecto SOCCOM, que está a tentar registar o que está a acontecer nesta região extrema do planeta, através de múltiplos instrumentos meteorológicos, satélites e até sensores ligados a elefantes marinhos.

O estudo mostra que os ventos precisam de se aproximar da costa, o que favorece a mistura de água no mar de Weddell. Lá, nas profundezas, existe uma montanha submersa, conhecida como Elevação Maud, que aprisionam a água mais densa.

Quando a água da superfície é especialmente salgada, ventos fortes podem gerar uma inversão da corrente, na qual a água da superfície começa a circular de modo que o gelo não se pode formar. Em particular, sal e água quente permanecem ancorados à superfície, mas o vento arrefece e afunda e é substituído por um pouco de água mais quente. Isso cria um ciclo que permite a troca entre águas superficiais e profundas.

Isso tem relevância para o clima, porque as correntes dependem das águas profundas, frias e densas da Antárctida. “Neste momento, as pessoas acreditam que a água se forma na plataforma antárctica, mas as polínas poderiam ter sido mais comuns no passado”, segundo Stephen Riser, co-autor do estudo. “Precisamos de melhorar os nossos modelos para estudar estes processos, o que poderia ter grandes implicações para o clima”.

Os modelos prevêem que a mudança climática aumentará o derretimento do gelo e que isso reduzirá a formação de polínias, porque a água derretida reduzirá a salinidade da água. No entanto, outras previsões indicam que os ventos em torno da Antárctida serão fortalecidos, o que implicaria um aumento na formação de polínias. Além de moldar as correntes oceânicas, as polínias podem afectar o ciclo do carbono.

ZAP //

Por ZAP
15 Junho, 2019

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2108: Encontrada debaixo da Antárctida uma placa oculta que evita inundação mundial

CIÊNCIA

Jeremy Harbeck / NASA
Glaciar de Thwaites, na Antárctida

Uma estrutura rochosa antiga encontrada no coração da plataforma de gelo Ross ajuda a determinar onde o gelo da Antárctida derrete e onde permanece firme e congelado.

A estrutura é uma antiga fronteira tectónica, provavelmente formada durante o nascimento do continente antárctico ou pouco depois. De acordo com uma nova investigação publicada na revista Nature Geoscience, esse limite protege a linha de deslizamento da plataforma de gelo, o ponto em que é suficientemente espessa para se estender até ao fundo do mar.

A geologia criada pelo limite mantém a água do oceano quente, que promove a fusão, longe daquela parte da prateleira. Mas a circulação oceânica impulsionada pela mesma geologia leva a um derretimento no verão ao longo da borda leste da estante.

A placa permaneceu escondida sob a terra durante centenas de milhões de anos. Trata da plataforma de gelo Ross, que desacelera o deslizamento para o oceano de aproximadamente 20% do gelo da Antárctida, o que equivale a uma elevação do nível do mar em quase 11,6 metros.

Os investigadores detectaram a placa graças às observações realizadas pelo sistema de exploração chamado IcePod. O sistema consegue medir a altura, largura e a estrutura interior de um bloco de gelo, além de interceptar sinais magnéticos e gravitacionais dos blocos subjacentes.

O sistema também permite “ver” através do gelo até uma profundidade de centenas de metros para detectar estruturas que os satélites são incapazes de identificar.

Esta placa rochosa, situada entre o leste e oeste da Antárctida, criou uma divisão sob o continente que protege a plataforma de gelo Ross das águas mais quentes e do seu possível derretimento.

“Podemos ver que esta barreira geológica faz com que o fundo marinho no leste da Antárctida seja mais profundo que no oeste. Isso afecta a maneira como a água circula sob o bloco de gelo”, afirmou Kirsty Tinto, geóloga da Universidade de Columbia e autora do estudo.

Num futuro próximo, a linha de deslizamento da plataforma de gelo – o ponto em que entra em contacto com o fundo do mar – deve permanecer estável, pelo menos diante de mudanças climáticas moderadas. Mas variações no clima local terão um grande impacto na rapidez com que a borda frontal da plataforma de gelo derrete.

Essas variações podem incluir reduções no declínio do gelo marinho ou diminuição da cobertura de nuvens, disse Laurie Padman, cientista da Earth and Space Research, em Oregon, e co-autora do estudo, em comunicado.

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ZAP //

Por ZAP
4 Junho, 2019



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1943: Um buraco misterioso continua a abrir-se na Antárctida

CIÊNCIA

NASA

Em 1970, quando os satélites começaram a tirar fotografias da Terra, os cientistas notaram um misterioso buraco no mar de Lazarev, na Antárctida. No verão, a lacuna desapareceu e, durante décadas, o acontecimento não foi explicado.

Há um ano e meio, durante os meses mais frios de inverno, quando o gelo deveria estar denso, um gigantesco buraco de 9.500 quilómetros quadrados apareceu repentinamente no mesmo bloco de gelo. Dois meses depois, cresceu 740% antes de, mais uma vez, recuar com o gelo do verão.

Demorou décadas, mas os cientistas pensam que finalmente entendem por que razão isto continua a acontecer. Usando observações de satélite e dados de reanálise, investigadores da Universidade de Nova York em Abu Dhabi descobriram que os buracos efémeros, conhecidos como polínias, parecem ser cicatrizes de tempestades ciclónicas.

Em Setembro de 2017, quando o ar quente e o ar frio colidiram no Polo Sul, os autores explicaram que os ventos internos de um ciclone – atingindo 117 quilómetros por hora e ondas de 16 metros de altura – empurrou o bloco de gelo da Antárctida em todas as direcções e para longe do olho da tempestade.

A polínia resultante não é necessariamente má. Na verdade, as perfurações podem ser importantes, porque oferecem caminhos cruciais para a vida selvagem, incluindo focas e pinguins, e fornecem habitat para o fitoplâncton. Essas lacunas são poderosos influenciadores da atmosfera e um indicador potencial de mudança climática.

“Uma vez aberta, a polínia funciona como uma janela através do gelo marinho, transferindo enormes quantidades de energia durante o inverno entre o oceano e a atmosfera”, disse a cientista atmosférica Diana Francis, autora principal do estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Atmospheres.

“Devido ao seu grande tamanho, os polínias no meio do mar impactam o clima regional e globalmente, à medida que modificam a circulação oceânica.” Embora os polínias não sejam necessariamente desastrosas, a sua presença pode ter um efeito sobre o clima.

A gama de factores que os buracos podem influenciar é surpreendente e o risco de ocorrerem com mais frequência é alto. Em climas mais quentes, estudos anteriores indicam que a actividade do ciclone nos pólos da Terra só se intensificará. Os ciclones extra-tropicais vão aproximar-se cada vez mais da Antárctida.

ZAP // Science Alert

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8 Maio, 2019

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1909: Mystery Sea Opened Up During the Antarctic Winter. Now, Scientists Know Why.


A polynya in Antarctica’s Weddell Sea.
Credit: Wolfgang Kaehler/LightRocket via Getty Images

A swath of ice-free sea that regularly opens up during the frigid Antarctic winters is created by cyclones.

Sea ice in Antarctica is thickest in the winter, so the appearance of open water is perplexing. These open seas are called polynyas. In 2017, scientists spotted one in the Lazarev Sea, which they called the Maud Rise polynya because it sits over an ocean plateau called Maud Rise.

Now, researchers led by Diana Francis, a New York University Abu Dhabi atmospheric scientist, find that cyclonic winds push ice in opposite directions, causing the pack to open up and expose open sea. [Antarctica: The Ice-Covered Bottom of the World (Photos)]

In mid-September 2017, the Maud Rise polynya was 3,668 square miles (9,500 square kilometers) in size. By mid-October, it had grown to 308,881 square miles (800,000 square km).

The Maud Rise polynya in September 2017.
Credit: NASA Worldview

An analysis of high-resolution satellite imagery explained the rapid growth. Warm, moist air flowing in from the western South Atlantic hit cold air headed northward from the south, setting the stage for violent storms. The resulting cyclones rated 11 on the Beaufort storm scale, meaning they involved wind speeds of up to 72 mph (117 km/h) and waves up to 52 feet (16 meters) high anywhere they encountered open sea.

These swirling winds pushed ice away from the cyclonic centers, Francis and her colleagues wrote April 24 in the journal JGR Atmospheres.

Polynyas aren’t new or necessarily harmful. According to the National Snow and Ice Data Center (NSIDC), they can provide important ocean access for Antarctic animals and habitat for phytoplankton.

However, polynyas may change in a warming future, Francis and her colleagues speculated. Antarctica is expected to experience stronger cyclones as the climate changes, because models show that storms are likely to form more often toward the poles and to be more intense, according to the NSIDC.

If those predictions are correct, Antarctica might see more open water in future winters.

Originally published on Live Science.
By Stephanie Pappas, Live Science Contributor 
April 30, 2019 06:59am ET

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1891: O gelo mais antigo da Terra pode estar escondido sob a Antárctida (e desvendar um mistério climático)

Jason Ardell / Flickr

Uma equipa de cientistas europeus que “caça” os mais antigos gelos do planeta instalou-se num local específico da Antárctida, onde vai levar a cabo uma série de perfurações a mais de 2,7 quilómetros abaixo da superfície gelada – os especialistas podem estar a um passo do mais velho gelo da Terra. 

O que é que aconteceu há 900.000 e 1,2 milhões de anos, quando a Terra sofreu uma transição no sistema climático que fez com que os períodos glaciais se tornassem mais longos e frios? Esta é a grande questão a que os especialista querem dar resposta.

Durante os próximos cinco anos, a missão Beyond EPICA-Oldest Ice trabalhará num lugar remoto da Antárctica conhecido como “Little Dome C”, anunciou no início de Abril a equipa no âmbito de uma reunião da União Europeia de Geociências, realizada em Viena.

“Os núcleos de gelo são únicos para as geociências, porque são um arquivo do paleo-atmosfera”, afirmou o coordenador da missão, Olaf Eisen, do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, em declarações ao portal Live Science.

Os cientistas vão analisar bolhas de gás, moléculas e partícula presas em camadas finas de gelo antigo. A partir destes dados, poderão reconstruir os níveis de dióxido de carbono, os dados da temperatura e outros indicadores climáticos ao longo de um vasto período do tempo.

O principal objectivo do projecto passa por entender por que motivo o ciclo das eras glaciais na Terra mudou no passado distante. Actualmente, acredita-se que há mais de 1,2 milhões de anos as eras glaciais alternavam-se em ciclos mais rápidos, cerca de 40.000 anos.

Os cientistas querem agora saber a causa desta alteração e esperam encontrar algumas destas respostas no “Little Dome C. Além disso, explicou a equipa, esta investigação pode ajudar a criar previsões climáticas para o futuro.

British Antarctic Survey (BAS)
Mapa da Antárctida com a área de exploração da missão europeia

Uma missão para décadas

A área em torno do “Little Dome C” é muito seca e quase não ocorre precipitação – o que é óptimo para a missão. “Quanto mais baixa a taxa de acumulação de neve a cada ano, mais anos [de dados] terá o local a cada metro”, explicou Catherine Ritz, cientista do projecto e membro do Instituto de Geociências e Pesquisa Ambiental da França (IGE).

A temperatura média no local da perfuração é de -54,5 graus Celsius, ou seja, a equipa apenas conseguirá trabalhar durante dois meses do verão antárctico.

Por este mesmo motivo, é provável que os cientistas demorem anos a alcançar as camadas mais profundas e mais antigas do gelo, tendo em conta que a missão pretende remover cilindros de gelo com quatro metros de comprimento e 10 centímetros de diâmetro. Desta forma, estima-se se que os resultados mais importantes não sejam alcançados até, pelo menos, o ano de 2015.

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26 Abril, 2019

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1884: Milhares de pinguins bebés morrem afogados na Antárctida

Colónia de pinguins imperador de Halley Bay desapareceu quase de um dia para o outro depois de a plataforma de gelo se partir. As consequências do degelo já estão a afectar uma espécie ameaçada de extinção.

Cientistas estimam que até ao final do século a população de pinguins imperador reduza drasticamente.
© REUTERS/Martin Passingham

Milhares de filhotes de pinguins imperador morreram afogados quando a plataforma de gelo onde estavam a ser criados, na Antárctida, se partiu. A catástrofe, que afecta uma espécie em vias de extinção, aconteceu em 2016 e foi agora revelada na revista Antarctic Science por uma equipa da British Antarctic Survey (BAS).

Os investigadores Peter Fretwell e Phil Trathan dizem que, para agravar a situação, as aves adultas não dão sinais de se reproduzirem e repor a população.

Foi através de imagens de satélite que a equipa de investigadores deu pelo desaparecimento dramático dos pinguins bebés – é possível ver os excrementos dos animais no branco do gelo a mais de 800 quilómetros.

O resultado desta catástrofe que atingiu a colónia de Halley Bay é que a população de pinguins imperador, que durante décadas esteve estabilizada numa média entre 14 mil e 25 mil casais (cerca de 5-9% da população global), desapareceu de um dia para o outro.

Os pinguins imperador pertencem a uma espécie de pinguins mais alta e pesada. Estes animais precisam de blocos de gelo seguros para se reproduzir – a plataforma gelada deve persistir, pelo menos, a partir de Abril (quando as aves chegam) até Dezembro (quando os seus filhotes deixam o ninho).

Se o gelo se quebrar mais cedo, os pinguins bebés não terão tempo para lhes crescerem as penas e começarem a nadar, logo acabam por morrer afogados – o que terá acontecido em 2016.

“O gelo marinho formado desde 2016 não tem sido tão forte. Os eventos de tempestade que ocorrerem em Outubro e Novembro agora vão acabar cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no sistema que anteriormente era estável e confiável e agora é apenas insustentável.”, disse Fretwell à BBC.

A equipa British Antarctic Survey acredita que muitos pinguins adultos evitaram reproduzir-se nestes últimos três anos ou então mudaram-se para novas zonas de criação no Mar de Wenddell. Uma convicção que ganha mais força quando uma das colónias a cerca de 50 Km de distância, próximo do Glaciar Dawson-Lambton, aumentou.

Os cientistas não conseguiram chegar às razões pelas quais a borda da Plataforma de Brunt não se regenerou, sobretudo porque, dizem, não houve alterações significativas em termos oceânicos e atmosféricos. Mas alertam que ao registarem-se alterações na regeneração do gelo marinho, isso é um sinal do impacto que o aquecimento da Antárctida poderá ter nos pinguins imperadores.

Um cenário assustador

Vários estudos alertam para os riscos de extinção da espécie: se o gelo derreter conforme está previsto, 50 a 70 por cento da população global de pinguins imperador podem desaparecer até 2100; há investigações que referem que até ao final deste século, 45 colónias poderão extinguir-se; outros estudos estimam uma redução de seis mil para 400 casais.

As alterações climáticas e o degelo daí decorrente são a grande ameaça à continuidade da espécie e não a cadeia alimentar.

Cientistas sugerem que uma forma de tornar o cenário menos assustador passaria por medidas provisórias como a criação de novas áreas de protecção onde os animais pudessem permanecer para capturar alimentos. Mas a solução seria mesmo diminuir a emissão de gases com efeito de estufa.

Diário de Notícias
DN
25 Abril 2019 — 13:39

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1871: “Embrião” de cometa encontrado no interior de um meteorito primitivo

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma equipe de especialistas do Instituto Carnegie para a Ciência, nos Estados Unidos, descobriu que há um pequeno fragmento – uma espécie de “embrião” – de um cometa a viver no interior de um meteorito primitivo encontrado na Antárctida.

O meteorito em causa, baptizado de LaPaz Icefield 02342, pertence à classe das condritas carbonáceas primitivas, ou seja, é um corpo que sofreu mudanças mínimas desde a sua formação, há mais de 4.500 milhões de anos, explicou a cientista Jemma Davidson, citada em comunicado do instituto.

Tanto o cometa como a asteróide foram formados a partir do disco de gás e poeira que cercou o Sol primitivo no passado. Contudo, os corpos formaram-se a diferentes distâncias do astro, o que se reflectiu directamente na sua composição química, assinala a investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Nature Astronomy.

Os cometas que se formaram a uma distância maior do Sol contêm maiores quantidades de água e mais carbono do que os asteróides, exemplifica o mesmo documento.

No interior do meteorito encontrado na Antárctida, a equipa encontrou um fragmento minúsculo – um décimo de milímetro de diâmetro – de um material primitivo muito rico em carbono que apresenta semelhanças surpreendentes com partículas de poeira extraterrestres que, segundo acreditam os cientistas, terão sido originadas em cometas formados perto dos extremos do Sistema Solar.

Os cientistas acreditam que há cerca de 3 ou 3,5 milhões de anos após a formação do Sistema Solar, este pequeno fragmento foi capturado por um asteróide em desenvolvimento a partir do qual o meteorito se originou.

“Como esta amostra (…) foi engolida por um asteróide e conservada no interior deste meteorito, foi protegida dos estragos quando entrou na atmosfera da Terra”, completou o cientista Larry Nittler. “O asteróide serviu como uma espécie de cápsula protectora, dentro da qual ficaram preservados ‘embriões’ de cometas e grãos de matéria primária do Sistema Solar”. De outra forma, “estas amostras nunca chegariam [ao meteorito] sozinhas”.

Graças a esta cápsula resistente ao tempo, rematou, será ainda possível abordar e melhor entender a química do Sistema Solar primitivo.

ZAP //

Por ZAP
20 Abril, 2019

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1824: “Entrou na fase final”: icebergue do tamanho de Nova Iorque vai separar-se da Antárctida

Cientistas acreditam que dentro de dois meses poderá existir um novo icebergue com uma área de 1500 quilómetros quadrados e uma espessura entre os 150 e 250 metros. No entanto, nada indica que este fenómeno seja consequência das alterações climáticas

© Rosemary Calvert/ Getty Images Expresso

Sabe quanto são 1200 quilómetros quadrados? Para facilitar dizemos-lhe que 1200 quilómetros quadrados – mais metro, menos metro – são o equivalente à área da cidade de Nova Iorque, nos EUA. É também a dimensão do icebergue que está prestes a soltar-se da Antárctida: a separação deste enorme-gigante bloco de gelo já é controlada há alguns anos, mas agora os cientistas alertam que entrou “na fase final”.

O futuro icebergue (ainda não o é porque ainda está agarrado à Antárctida), conhecido como Brunt Ice Shelf, vai ter uma dimensão de 1500 quilómetros quadrados e uma espessura que pode variar entre os 150 e os 250 metros. A primeira fissura surgiu há 35 anos e, em 2012, voltou a dar sinais de movimento. Desde então, tem aumentado continuamente. Há três anos, apareceu mais uma. Quando ambas se encontrarem em determinado ponto, o mais provável é que a tal separação aconteça.

“O que muitas pessoas não percebem é que este é um processo natural que acontece várias vezes. Reconhecemos que o impacto das alterações climáticas é um problema bastante grave e com consequências em todo o mundo, sobretudo na Antárctida. No entanto, não há qualquer indicação nas nossas investigações de que este acontecimento em particular esteja relacionado de alguma forma com as alterações climáticas”, disse o cientista Hilmar Gudmundsson, citado pela “New Atlas”.

A separação, estimam, deve acontecer dentro de dois meses. Segundo os investigadores, não é expectável que este acontecimento provoque a subida do nível das águas, uma vez que o bloco gigante de gelo já flutua no oceano e, devido ao peso, já afasta a mesma quantidade de água do que aquela que irá acrescentar ao mar quando começar a derreter.

msn notícias
09/04/2019

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1752: A Terra é plana? Eles preparam expedição à Antárctida para o provar

Para os críticos da ciência dominante, basta que o percurso ao longo da costa do continente gelado do Pólo Sul leve mais de cem quilómetros para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que têm razão.

Os defensores da teoria de que a Terra é plana, cujos números têm vindo a aumentar nos últimos meses muito devido a um vídeo no Youtube, decidiram subir a parada: de acordo com um artigo publicado na revista Forbes, este movimento pretende organizar uma expedição à Antárctida para “provar” as suas convicções: “Tudo o que temos de fazer para acabar com este debate de uma vez por todas é cobrir a distância ao longo da costa da Antárctida”, defendeu àquela revista Jay Decasby, modelo, membro proeminente do Movimento da Terra Plana e defensor de outras teorias, com os alegados super-poderes do ser humano que as autoridades não querem que conheçamos.

Veja aqui o vídeo que alimenta a teoria de que a Terra é plana:

E que provas definitivas procuram encontrar no destino? Não é a redoma gigante em que dizem estarem envolvidas a Terra e todo o sistema solar – termo do qual discordariam, visto classificarem de “adoradores do Sol” os defensores do heliocentrismo. Nem sequer um enorme muro de gelo, ao estilo Guerra dos Tronos, de onde poderá emergir a qualquer momento um exército de mortos-vivos.

Para Decasby, basta que o percurso ao longo da costa se prolongue por mais de 60 milhas (cerca de cem quilómetros) para ficar “irrefutavelmente” demonstrado que a Terra é plana. Isto porque, de acordo com a “ciência” do movimento, numa Terra redonda “a costa da Antárctida não tem mais do que 16, 5 milhas (26,5 quilómetros).

Ou seja: desde que lá consigam chegar, da perspectiva deste movimento, a teoria estará vingada.

O problema, antecipa Decasby, é que seguramente entrarão em acção forças ocultas dispostas a bloquear o progresso da ciência.”Já foi feito por exploradores anteriores (antes das as Nações Unidas terem sido estabelecidas e terem criado o Tratado da Antárctida que essencialmente tornou ilegal a exploração independente e privada da Antárctida), que conseguiram fazer mais de 60 milhas, o que irrefutavelmente prova o modelo da terra plana, mas tal como todas as outras montanhas de evidência, isso não é suficiente para os “redondos” de hoje”, antecipou.

O facto de, em 2018, Colin O’ Brady se ter tornado na primeira pessoa a fazer a travessia a solo da Antárctida, numa expedição de 932 milhas (quase 1500 quilómetros), cobertas ao longo de 54 dias, em nada abala a convicção de Decasby, para quem não existem quaisquer provas de que o aventureiro tenha feito mais do que “tirar muitas selfies” na neve.

O’Brady, contactado pela Forbes, lembrou que divulgou diariamente, através do seu site, as coordenadas de GPS relativas à posição em que se encontrava.

Diário de Notícias
22 Março 2019 — 14:14

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1693: Misteriosos terramotos estão a fazer a Antárctida tremer (e já se sabe porquê)

ravas51 / Wikimedia

Durante parte do verão em partes da Antárctida, o gelo derrete num ensopado pantanoso conforme as temperaturas sobem e descem. Ao derreter, gera centenas de milhares de pequenos terramotos.

Agora, os cientistas capturaram o padrão diário destes pequenos sismos usando o mesmo tipo de sismógrafo usado para detectar terremotos. Os investigadores acham que os “icequakes” – terramotos de gelo – são causados pelo repentino estalo de partes de gelo que cobrem poças de lama.

“Nestas lagoas, muitas vezes, há uma camada de gelo em cima da água derretida, como se vê com um lago congelado”, disse Douglas MacAyeal, glaciologista da Universidade de Chicago, em comunicado. “À medida que a temperatura arrefece à noite, o gelo no topo contrai e a água abaixo expande-se à medida que passa pelo congelamento. Isso distorce a tampa superior até que finalmente parte com um estalo.”

MacAyeal e a sua equipa estavam interessados ​​nos ritmos diários do gelo porque pouco se sabe sobre a mecânica do rompimento de uma grande camada de gelo. Tais rupturas ocorreram na Antárctida várias vezes ao longo das últimas décadas.

A plataforma de gelo Larsen C criou um enorme icebergue no Mar de Weddell em 2017. A plataforma Larsen B, localizada nas proximidades, desabou inesperadamente em 2002. Quando as placas de gelo flutuantes colapsam, não contribuem directamente para o aumento do nível do mar, porque já estavam em ambiente marinho. Mas permitem que as geleiras terrestres por trás dos lençóis de gelo fluam mais rápido, despejando água derretida no mar.

Os investigadores também estavam interessados ​​em testar sismómetros como forma de monitorizar o derretimento do gelo. Implantaram dois perto da Estação McMurdo, na borda da McMurdo Ice Shelf. Uma estação de sismógrafo foi posicionada num local seco, onde a superfície foi coberta com neve firme. O outro foi colocado num local húmido e pantanoso onde o gelo estava parcialmente derretido. Os instrumentos registaram tremores nestas duas estações entre Novembro de 2016 e Janeiro de 2017.

Os padrões não poderiam ter sido mais diferentes. A estação seca estava sismicamente pacífica. Os únicos tremores detectados estavam ligados ao tráfego de veículos ou navios em redor da Estação McMurdo.

Na estação húmida, no entanto, os sismógrafos recolheram centenas de milhares de pequenos terremotos, às vezes, milhares numa noite. Esses terremotos foram geralmente abaixo da magnitude 2,5 – em que os tremores se tornam perceptíveis para os seres humanos, embora as pessoas na Antárctida, por vezes, ouvissem o gelo a partir, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA. Os terremotos seguiram um padrão diário e aumentavam de frequência por algumas horas todas as noites.

Os investigadores pensaram que os picos diários do terremoto podiam ter a ver com as marés, mas uma discrepância descartou essa opção. Em 30 de Novembro de 2016, o pico não aconteceu. Quando os investigadores acompanharam a temperatura diária durante o período do estudo, descobriram que os picos do terremoto correspondiam a períodos de queda do mercúrio. Em 30 de Novembro, aconteceu que a temperatura aumentou, em vez de arrefecer, no decorrer da noite.

Segundo MacAyeal, o que provavelmente está a acontecer é que, à medida que o ar fica mais frio, os lagos lamacentos sob a fina camada de gelo superficial começam a congelar. Enquanto congelam, expandem-se, colocando pressão sobre o gelo da superfície. Finalmente, o gelo da superfície encaixa-se, enviando tremores indetectáveis.

ZAP // Live Science

Por ZAP
10 Março, 2019

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1672: O mistério dos icebergues verdes da Antárctida pode ter sido finalmente resolvido

Uma nova hipótese pode explicar porque é que os icebergues da Antárctida têm cor verde esmeralda em vez do azul normal, o que resolve um mistério científico com décadas.

O gelo dos glaciares, que se origina na neve, flui do manto de gelo da Antárctida para flutuar no oceano como gelo. Em frente à plataforma de gelo, os icebergues partem-se. Os icebergues costumam ser de uma cor branca azulada, intermediárias entre o azul do gelo puro e o branco da neve.

O gelo puro é azul porque o gelo absorve mais luz vermelha do que a luz azul. No entanto, desde o início do século XX, exploradores, navegadores e cientistas relataram ter visto icebergues verdes peculiares em torno de certas partes da Antárctida.

Os icebergues verdes têm sido uma curiosidade para a Ciência durante décadas, mas agora os glaciologistas relatam, num novo estudo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Oceans, que suspeitam que os óxidos de ferro em pó de rocha da parte continental da Antárctica estão a tornar verdes alguns icebergues.

Os investigadores formularam a nova teoria depois de cientistas australianos terem descoberto grandes quantidades de ferro na plataforma de gelo Amery na Antárctica Oriental. O ferro é um nutriente essencial para o fitoplâncton, as plantas microscópicas que formam a base da cadeia alimentar marinha. No entanto, o ferro é escasso em muitas áreas do oceano.

Se as experiências confirmarem a teoria, isto significaria que os icebergues verdes estão a transportar ferro precioso do continente da Antárctida para o mar aberto quando quebram, fornecendo este nutriente essencial aos organismos que suportam quase toda a vida marinha.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
6 Março, 2019

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