2156: Cientistas detectam misteriosa anomalia gravitacional na Lua

© TVI24 (REUTERS)

Uma misteriosa anomalia gravitacional foi descoberta na Lua.

A anomalia foi detectada quando os cientistas da Universidade de Baylor, no Texas, mediam pequenas alterações na força gravítica da Lua, através da análise de dados recolhidos em missões da NASA.

Os investigadores suspeitam que esta anomalia é causada por uma massa de metal que está debaixo da superfície lunar, segundo o estudo publicado no  Geophysical Research Letters.

Imagine uma massa de metal cinco vezes maior que a Ilha Grande do Havai enterrada na Lua. É mais ou menos isto que foi detectado”, explicou um dos autores do estudo, o cientista Peter James.

Este metal está enterrado numa cratera que se estima ser a mais larga cratera do Sistema Solar, com dois quilómetros de largura e 13 de profundidade. Apesar da sua dimensão, a cratera não é visível a partir da Terra pois encontra-se no lado mais longínquo da Lua.

Os cientistas acreditam que o metal se depositou após a colisão do asteróide que formou esta cratera.

msn notícias
Redacção TVI24
11/06/2019

© Eclypse – Imagem lunar de hoje

1888: Mistério dos estranhos “empurrões” no campo magnético da Terra resolvido

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

O campo magnético da Terra sofre anomalias imprevisíveis, rápidas e intensas conhecidas como solavancos geomagnéticos. Agora, o mistério foi finalmente resolvido.

Os mecanismos por trás deste fenómeno permaneceram um mistério até à mais recente descoberta de um investigador do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em França. Em conjunto com um colega dinamarquês, esta equipa criou um modelo de computador para explicar estes empurrões geomagnéticos. O artigo científico foi publicado esta segunda-feira na Nature Geoscience.

Estes tremores geomagnéticos, inicialmente descritos em 1978, são eventos imprevisíveis que aceleram abruptamente a evolução do campo magnético da Terra e distorcem as previsões do seu comportamento numa escala de vários anos.

É importante ressaltar que o campo magnético da Terra influencia várias actividades humanas, nomeadamente o estabelecimento da localização em smartphones e até o voo de satélites de baixa altitude. Neste sentido, é essencial prever com precisão a sua evolução.

No entanto, os empurrões geomagnéticos apresentaram desde sempre um problema para os geofísicos.

O campo magnético da Terra é produzido pela circulação da matéria dentro do seu núcleo metálico, através da energia libertada quando esse núcleo arrefece. Os cientistas sabem que são dois tipos de movimentos os causadores deste tipos de variação: aqueles resultantes do movimento de convecção lenta, que podem ser medidos na escala de um século, e aqueles resultantes de ondas hidromagnéticas “rápidas”, que podem ser detectadas na escala de alguns anos.

Os cientistas suspeitavam que este último movimento desempenhou um importante papel nos solavancos. No entanto, a interacção dessas ondas com a convecção lenta, juntamente com o seu mecanismo de propagação e amplificação, ainda não tinha sido demonstrada.

Aubert et al. / IPGP / CNRS

Para resolver o mistério, Julien Aubert desenvolveu uma simulação de computador muito próxima das condições físicas do núcleo da Terra. A simulação exigiu o equivalente a quatro milhões de horas de cálculo e foi realizada graças aos supercomputadores da GENCI (Genci Grand Équipement National de Calcul Intensif).

Foi desta forma que os especialistas conseguiram reproduzir a sucessão de eventos que resultaram nos tais solavancos geomagnéticos, que surgem na simulação de ondas hidromagnéticas emitidas no núcleo interno. Segundo o Phys.org, as onda são focalizadas e amplificadas à medida que se aproximam do núcleo, causando distúrbios magnéticos comparáveis – em todos os sentidos – aos solavancos observador.

Esta reprodução digital e a compreensão destes empurrões abre o caminho para melhores previsões do campo magnético da Terra. A identificação da causa das variações do campo magnético poderia também ajudar os geofísicos a estudar as propriedades físicas do núcleo e do manto interno da Terra.

ZAP //

Por ZAP
26 Abril, 2019

 

1754: Misteriosas ejecções no “Asteróide do Apocalipse” deixam cientistas da NASA perplexos

NASA / Goddard / University of Arizona
Asteróide Bennu

A sonda OSIRIS-REx da NASA, que se encontra em órbita do asteróide Bennu ou “Asteróide do Apocalipse”, revelou uma anomalia nunca antes vista.

Uma descoberta surpreendente está a colocar o Bennu, ou “Asteróide do Apocalipse”, novamente no centro das atenções. A sonda OSIRIS-REx da NASA observou este asteróide a lançar plumas de poeira que o envolvem numa neblina – um fenómeno nunca antes visto. Na prática, segundo os cientistas, trata-se da descoberta de inexplicáveis jactos de partículas que são ejectados a partir do próprio Bennu.

De acordo com a NASA, a impressionante nuvem de poeira foi observada pela primeira vez no dia 6 de Janeiro. Desde então, os especialistas da agência espacial norte-americana aumentaram a frequência das suas observações e detectaram pelo menos 11 dessas colunas de partículas nos últimos dois meses.

Curiosamente, embora a maior parte da poeira tenha sido expulsa da órbita de Bennu, ainda resta alguma a circular em torno do “Asteróide do Apocalipse” como se fossem pequenas luas. “A descoberta das plumas é uma das maiores surpresas da minha carreira científica”, disse o investigador Dante Lauretta, da Universidade do Arizona, nos EUA.

O objectivo da OSIRIS-REx é estudar a rocha para descobrir informações sobre o antigo Sistema Solar, uma vez que o asteróide Bennu se formou naquela época. Num passo ambicioso, a sonda vai tirar uma amostra do asteróide com a ajuda de um braço robótico, e trazê-lo de volta à Terra.

Até agora, as plumas observadas não foram oficialmente incluídas nos resultados já publicados sobre Bennu, que são detalhados numa série de artigos publicados esta semana na Nature Astronomy.

Apesar de alguns pedaços permaneceram na órbita do asteróide (talvez a caminho de se tornarem luas em miniatura), as plumas não representam um risco para a sonda da NASA. No entanto, além da suspeita de que os asteróides podem ser muito mais activos do que pensamos, isto é tudo o que se sabe sobre as misteriosas ejecções de poeira.

Os astrónomos já haviam detectado plumas no Cometa 67P. No entanto, esse fenómeno pode ter sido causado pelos gelos voláteis que sublimam em cavidades sob a superfície do cometa, fazendo com que essas cavidades se desmoronem e expilam a poeira.

Mas, ao contrário do 67P, o “Asteróide do Apocalipse” não contém gelo. Na verdade, não é impossível que o Bennu tenha gelo na sua superfície, mas a sua posição orbital é demasiado quente para que o gelo se consiga formar.

No entanto, entre outras descobertas, os cientistas do Southwest Research Institute descobriram minerais semelhantes a meteoritos, chamados condritos carbonosos, que são conhecidos por serem ricos em compostos voláteis e mostram evidências de interacções com água ou gelo.

Isto pode significar que o gelo era abundante no disco planetário durante o tempo da formação do Sistema Solar, ou seja, quando o Bennu “nasceu”.

Espera-se agora pela prenda preciosa que o braço robótico da OSIRIS-REx, que trará à Terra amostras que irão revelar muitos mais segredos sobre o asteróide. Ainda assim, as descobertas foram detalhadas recentemente numa edição especial da Nature Astronomy.

Até agora, estas descobertas levantaram mais questões do que respostas – a natureza destas colunas de partículas continua a ser um autêntico mistério.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
23 Março, 2019

 

1429: Os Anéis de Saturno estão a “chover” no planeta e vão desaparecer

Uma equipa de cientistas da NASA confirmou que os icónicos anéis de Saturno são não apenas mais recentes do que se pensava, mas também que estão a perder-se, atraídos para o planeta pela sua gravidade – como uma “chuva” de partículas geladas.

No início deste ano, o grupo analisou uma molécula encontrada na atmosfera do planeta usando o telescópio Keck II, localizado no Hawai, e descobriu uma estrutura formada por três átomos de hidrogénio. O problema é que cerca de 1,9 mil litros de água têm vindo a cair no planeta a cada segundo. Esta grande quantidade de chuva pode fazer com que Saturno perca totalmente os seus anéis mais rápido do que se esperava.

“Estimamos que esta chuva de anéis drene uma quantidade de água capaz de encher uma piscina olímpica de anéis de Saturno em meia hora”, disse James O’Donoghue, do Goddard Space Flight Center da NASA, em Maryland, EUA.

“Só com isto, todo o sistema de anéis desapareceria em 300 milhões de anos, mas junte-se a queda de materiais dos anéis no equador de Saturno, medida pela sonda Cassini, e os anéis têm menos de 100 milhões de anos de vida“, acrescenta, citado pelo The New York Times.

Há muito que os cientistas tentam perceber se o planeta tem os anéis desde a sua formação ou se os adquiriu posteriormente. O estudo de O’Donoghue, publicado no início de Novembro na revista Icarus, aponta mais para a segunda hipótese, ao calcular que, provavelmente, têm menos de 100 milhões de anos de idade. A confirmar-se, os anéis estarão a meio da sua vida.

As primeiras pistas a apontar para a “chuva de anéis” foram captadas pela missão Voyager, há décadas, quando detectou variações peculiares na atmosfera superior de Saturno, variações na densidade dos anéis e um trio de bandas escuras e estreitas em torno de algumas latitudes mais a norte.

Estas faixas foram mais tarde associadas à forma do enorme campo magnético de Saturno, com Jack Connerney, da NASA, a propor a teoria de que partículas de gelo com carga eléctrica dos anéis estariam a “chover” na atmosfera superior do planeta.

Os anéis de Saturno são constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeira e material rochoso. Jeff Cuzzi, da NASA, afirma que o desaparecimento da estrutura que se localiza em torno de Saturno pode realmente ocorrer, uma vez que a dissipação dos anéis não depende apenas de quanto material ainda está neles, mas de outras forças físicas, das mudança no planeta e de como este material é reabastecido.

Agora, a equipa quer ver como é que a chuva de anéis muda com as estações do ano em Saturno. À medida que o planeta avança na sua órbita de 29,4 anos, os anéis são expostos ao Sol em graus variados. Como a luz ultravioleta do Sol carrega os grãos de gelo e faz com que reajam ao campo magnético de Saturno, a variação da exposição à luz do sol pode alterar a quantidade de chuva dos anéis.

MC, ZAP //

Por MC
19 Dezembro, 2018

 

1255: Descobertas anomalias misteriosas em ossadas humanas do Pleistoceno

CIÊNCIA

Erik Trinkaus / National Academy of Sciences

Um antropólogo da Universidade de Washington descobriu “uma abundância de anomalias de desenvolvimentos” em ossadas humanas do Pleistoceno.

No estudo publicado a 5 de Novembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Erik Trinkaus, investigador que liderou o projecto, descreveu as suas conclusões acerca dos fósseis encontrados em várias localizações do Médio Oriente e da Euroásia.

Plistoceno abrange o período entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás. Segundo estudos anteriores, trata-se do período em que seres humanos anatomicamente modernos surgiram em África e partiram do continente para dominar novos territórios.

De acordo com o antropólogo, o Plistoceno destaca-se ainda pelo aparecimento de uma ampla variedade de deformações físicas em espécies de Homo, dentre elas a nossa — Homo sapiens.

Erik Trinkaus examinou 66 fósseis de até 200 mil anos atrás e reparou na grande quantidade de alterações anatómicas, tais como distorções de braços e pernas e deformações no crânio e maxilares.

Foram reveladas 75 anomalias, podendo dois terços delas ser encontrados em 1% dos humanos modernos. O investigador defende que as anormalidades surgiram devido a doenças – tais como distúrbios sanguíneos ou hidrocefalia. Para Trinkaus, o número de deformações seja extremamente alto num grupo tão pequeno de fósseis.

O antropólogo sugeriu ainda que o cruzamento sanguíneo ou acasalamento de indivíduos geneticamente semelhantes são as razões prováveis para o desenvolvimento das deformações.

As ossadas analisadas foram encontradas extremamente bem preservadas, o que pode ser resultado de um cuidado especial no funeral das pessoas deformadas.

ZAP // Sputnik / Phys

Por ZAP
8 Novembro, 2018