1866: Telescópio Hubble assinala o 29º aniversário com nova espectacular imagem

© NASA, ESA e STScI

A seis dias de completar 29 anos no espaço, o telescópio óptico Hubble revelou uma nova imagem da Nebulosa do Caranguejo Sul, uma estrutura de ‘bolhas’ de gás e poeira em forma de ampulheta.

A imagem inédita foi divulgada pela Agência Espacial Europeia (ESA), que opera o telescópio espacial em colaboração com a agência espacial norte-americana NASA.

Todos os anos, por altura do aniversário do Hubble, que foi lançado para o espaço em 24 de Abril de 1990, é publicada uma imagem de corpos celestes particularmente bonitos e relevantes que foram observados pelo telescópio.

Em 2019 calhou a vez da Nebulosa do Caranguejo Sul, que, apesar de ter sido descrita pela primeira vez em 1967, só em 1999 foi mostrada na sua plenitude graças às observações do telescópio espacial Hubble.

A Nebulosa do Caranguejo Sul, que resultou da interacção de um par de estrelas localizadas no centro, uma gigante vermelha e uma anã branca, é assim designada para se distinguir da Nebulosa do Caranguejo, uma remanescente de uma super-nova (explosão de uma estrela moribunda) na constelação do Touro, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, que deve o nome ao Pulsar do Caranguejo, uma estrela de neutrões situada no centro de nuvens de gás e poeira.

Parte do material – gás e poeira – ejectado pela gigante vermelha é atraído pelo campo gravítico da anã branca, que também ejecta material, criando a estrutura em forma de ampulheta.

No final, segundo a ESA, a gigante vermelha deixará de ‘alimentar’ a anã branca, acabando os seus dias como uma anã branca, uma estrela que emite pouca luz.

O telescópio espacial James Webb, com lançamento previsto para 2021, é apontado como o sucessor do Hubble, que deve o seu nome ao astrónomo norte-americano Edwin Powell Hubble (1889-1953), que descobriu que as galáxias se afastam umas das outras a uma velocidade proporcional à distância que as separa.

Diário de Notícias
DN/Lusa
18 Abril 2019 — 18:30

 

1782: La Silla faz 50 anos!— O primeiro observatório do ESO celebra meio século de investigação astronómica

Desde a sua inauguração em 1969 que o Observatório de La Silla do ESO se encontra na vanguarda da astronomia. O seu complemento de instrumento de ponta tem permitido aos astrónomos fazer descobertas pioneiras e abrir caminho para futuras gerações de telescópios. Após 50 anos de observações, os telescópios do ESO em La Silla continuam a fazer avançar as fronteiras da astronomia, descobrindo mundos alienígenas e revelando o cosmos com um detalhe extraordinário.

A construção de La Silla no topo da montanha chilena Cinchado-Norte, na periferia do deserto do Atacama, começou em 1965, três anos após a fundação do ESO [1]. O local foi escolhido devido à sua acessibilidade, clima seco e condições de observação ideais — em suma, perfeito para a construção de um observatório líder mundial.

As observações tiveram início com os relativamente pequenos telescópios de 1 metro e 1,52 metros do ESO. O número e variedade de telescópios em La Silla foi aumentando com o passar do tempo, contando-se actualmente com 13 telescópios em operação no local — não apenas do ESO mas também de países, universidades e colaborações de todo o mundo. Estes telescópios incluem o TRAPPIST-Sul, o telescópio REM (Rapid Eye Mount) e o telescópio TAROT, um caçador de explosões de raios gama.

Mesmo após 50 anos depois da sua inauguração, La Silla continua a ser um baluarte do ESO na vanguarda da astronomia, fornecendo dados para mais de duzentos artigos científicos publicados por ano. Apesar do observatório emblemático do ESO ser agora o Very Large Telescope (VLT), instalado no Paranal, o ESO opera ainda dois dos mais produtivos telescópios da classe dos 4 metros em La Silla. O primeiro grande telescópio do ESO, o telescópio de 3,6 metros, acolhe o principal caçador de exoplanetas do mundo — o HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher), um espectrógrafo com uma precisão sem precedentes que já descobriu dezenas de mundos alienígenas.

O segundo grande telescópio do ESO ainda em operação em La Silla — o New Technology Telescope de 3,58 metros (NTT) — foi pioneiro no design de telescópios, tendo sido o primeiro telescópio do mundo a ter um espelho principal controlado por computador. Esta técnica inovadora, chamada óptica ativa, foi desenvolvida pelo ESO e é agora aplicada à maioria dos grandes telescópios de todo o mundo. Para além de executar uma enorme variedade de observações científicas, este telescópio foi ainda crucial no desenvolvimento do VLT.

Ambos estes telescópios vão sendo actualizados de modo a permanecerem na vanguarda da astronomia. Neste contexto, o NTT irá brevemente acolher o instrumento SoXS, um espectrógrafo concebido para fazer o seguimento de eventos astronómicos transientes e variáveis descobertos em rastreios de imagens. O telescópio de 3,6 metros do ESO acolherá o NIRPS, um instrumento infravermelho caçador de planetas que complementará as capacidades, já de si impressionantes, do HARPS. Estes novos instrumentos, juntamente com novos telescópios como o ExTrA e o BlackGEM, garantirão que o Observatório de La Silla se mantenha na vanguarda da ciência astronómica.

Muitas das Dez Principais Descobertas do ESO foram feitas com o auxílio de telescópios instalados em La Silla. Destaques da enorme quantidade de investigação científica desenvolvida ao longo das últimas cinco décadas incluem: a descoberta da expansão acelerada do Universo — um trabalho que mereceu o Prémio Nobel da Física em 2011; a descoberta de um planeta em torno da estrela mais próxima do Sol; a observação da primeira luz de uma fonte de ondas gravitacionais; a determinação das distâncias mais precisas a galáxias próximas pelo projecto Araucaria liderado pelo Chile; e a descoberta de sete planetas em torno de uma estrela anã ultra-fria no sistema TRAPPIST-1.

Dois eventos astronómicos particulares alteraram significativamente a rotina normal de La Silla, tendo capturado a atenção de uma armada de telescópios durante várias semanas: a explosão da super-nova SN 1987A e a colisão do cometa Shoemaker-Levy com Júpiter. Este último, em particular, alterou toda a vida em La Silla, com 10 telescópios apontados a Júpiter e eventos de imprensa em direto, a partir de Garching e Santiago, para partilhar com os meios de comunicação social os mais recentes desenvolvimentos da colisão cataclísmica.

Para além de investigação astronómica pioneira, la Silla desempenha igualmente um papel extremamente importante no desenvolvimento da astronomia no Chile e os astrónomos chilenos usam rotineiramente os telescópios em La Silla para a sua investigação científica. A operação e o desenvolvimento contínuo das instalações em La Silla proporciona também uma enorme variedade de oportunidades ao envolvimento da indústria, engenharia e ciência chilenas. Os telescópios de La Silla servem também de instrumentos de treino para novas gerações de astrónomos europeus e chilenos. Como exemplo, temos as Escolas de Observação ESO-NEON que ocorrem de forma regular em La Silla.

La Silla tem enfrentado vários desafios complicados e também tirado partido de vários sucessos; apesar do observatório desfrutar de condições de observação quase perfeitas, o facto é que está também em risco de sofrer actividade tectónica regular. Até agora, La Silla não sofreu problemas graves devido a sismos, apesar de ter estado ocasionalmente próximo do epicentro de sismos fortes. O observatório enfrenta atualmente outro risco preocupante — a poluição luminosa da autoestrada pan-americana ameaça os céus escuros de La Silla.

No momento em que este distinto observatório celebra o seu 50º aniversário, ocorrerá um evento que fará avançar não só a astronomia profissional mas também a amadora e a apreciação geral por fenómenos astronómicos — este ano um eclipse total do Sol será visível a partir de La Silla. Quando a Lua cobrir a face do Sol, o dia transformar-se-á em noite ao longo de uma faixa de 150 km no norte do Chile e centenas de visitantes celebrarão não apenas este raro evento astronómico, mas também o legado científico de La Silla, o primeiro observatório do ESO.

Notas

[1] La Silla — a Sela em espanhol — vem do nome que os carvoeiros locais davam a Cinchado-Norte, a montanha em forma de sela onde foi colocado o primeiro observatório do ESO.

Informações adicionais

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infra-estruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

Links

eso1906pt — Nota de Imprensa Institucional
29 de Março de 2019

 

783: 20 de Julho de 1969: Um salto gigante para a humanidade

 

Celebram-se hoje precisamente 49 anos da chegada do Homem à Lua.

O início da corrida ao espaço é marcada pelo envio do primeiro satélite artificial em 1957: o Sputnik, lançado pela URSS. Em 1961 é colocado o primeiro homem em órbita (o soviético Yuri Gagarine). Nessa ocasião, em plena época de guerra fria e de confronto entre as duas potências, EUA e URSS, o presidente John F. Kennedy lança o desafio de colocar um homem na Lua e de o fazer regressar em segurança antes do final da década. Inicia-se então uma verdadeira corrida contra-relógio: um programa intensivo de desenvolvimento científico e tecnológico e de formação de astronautas que culminou na alunagem a 20 de Julho de 1969.

A missão Apollo 11 leva o homem à Lua. No módulo de comando encontrava-se Michael Collins a orbitar a Lua, enquanto os astronautas Neil Armstrong e “Buzz” Aldrin desciam para o Mar da Tranquilidade. O módulo lunar aterra às 16:18 EDT (21:18, hora em Portugal), 4 dias, 6 horas e 46 minutos após o lançamento. Ás 22:56 EDT Armstrong desce a escada, deixando a primeira pegada na Lua, e proclama a célebre frase: “Este é um pequeno passo para um homem, um salto gigante para a humanidade”, perante uma assistência de mais de meio mil milhões de telespectadores. “Buzz” Aldrin junta-se a ele e exclama: “desolação magnífica”. Os 2 astronautas permanecem na Lua por 22 horas, mas apenas duas horas e meia no exterior do módulo lunar. Durante esse tempo recolhem amostras e tiram fotografias. Colocam também uma placa numa das pernas do módulo que diz: “Aqui os homens do planeta Terra puseram os pés pela primeira vez sobre a lua. Julho de 1969 AD. Chegamos em paz por toda a humanidade.” Os três astronautas regressam sãos e salvos.

Até 1972, mais 5 missões Apollo alunaram com sucesso, havendo até hoje um total de apenas 12 pessoas que já estiveram na Lua e um total acumulado de 300 horas de presença humana na Lua. Gene Cernan, o comandante da última missão Apollo, deixa a superfície lunar com estas palavras: “Partimos como viemos e, se Deus quiser, como voltaremos, com paz e esperança para toda a humanidade”.

As missões Apollo realizaram o antigo sonho da humanidade de alcançar a Lua. Permitiram também a realização de experiências em várias áreas da física, geologia e micro-gravidade. Nomeadamente os retro-reflectores colocados na Lua pelas missões Apollo 11, 14 e 15, permitem até hoje monitorizar a distância à Lua com uma precisão de centímetros. Estes dados têm permitido estudar a estabilidade da constante de gravitação de Newton, testar a teoria da relatividade geral, e constatar que a Lua se afasta da Terra ao ritmo de 3.8cm por ano (devido a forças de maré). Além disso esta aventura extraordinária produziu progresso em diversas áreas, desde as telecomunicações, a ciência de materiais até à própria gestão de grandes projectos.

Com o final do programa Apollo, o foco da exploração espacial tripulada passou para viagens de curta duração como o programa dos vaivéns espaciais e das viagens à estação orbital internacional, até ao próximo objectivo: a conquista do planeta Marte.

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
19 Jul 2018

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487: HUBBLE CELEBRA 28.º ANIVERSÁRIO COM UMA VIAGEM PELA NEBULOSA DA LAGOA

Para celebrar o seu 28.º aniversário no espaço, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA obteve esta incrível e colorida imagem da Nebulosa da Lagoa. O todo da nebulosa, a cerca de 4000 anos-luz de distância, mede uns incríveis 55 anos-luz de largura e 20 anos-luz de altura. Esta imagem mostra apenas uma pequena fracção da turbulenta região de formação estelar, com cerca de 4 anos-luz de diâmetro.
Esta impressionante nebulosa foi catalogada pela primeira vez em 1654 pelo astrónomo italiano Giovanni Battista Hodierna, que tentou registar objectos nebulosos no céu nocturno para que não se confundissem com cometas. Desde as observações de Hodierna, a Nebulosa da Lagoa foi fotografada e analisada por muitos telescópios e astrónomos de todo o mundo.
As observações foram obtidas pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble entre 12 e 18 de fevereiro de 2018.
Crédito: NASA, ESA, STScI

Esta nuvem colorida de gás interestelar brilhante é apenas uma pequena parte da Nebulosa da Lagoa, um vasto berçário estelar. Esta nebulosa é uma região repleta de intensa actividade, com ventos ferozes de estrelas quentes, chaminés giratórias de gás e formação estelar energética, tudo embebido num labirinto nublado de gás e poeira. O Hubble usou os seus instrumentos ópticos e infravermelhos para estudar a nebulosa, observada para celebrar o 28.º aniversário do Hubble.

Desde o seu lançamento no dia 24 de Abril de 1990, o Telescópio Espacial Hubble revolucionou quase todas as áreas da astronomia observacional. Forneceu uma nova visão do Universo e alcançou e superou todas as expectativas por 28 extraordinários anos. Para celebrar o legado do Hubble e a longa parceria internacional que torna isso possível, cada ano a ESA e a NASA celebram o aniversário do telescópio com uma nova e espectacular imagem. A fotografia do aniversário deste ano realça um objecto que já foi observado várias vezes no passado: a Nebulosa da Lagoa.

A Nebulosa da Lagoa é um objecto colossal com 55 anos-luz de largura e 20 anos-luz de altura. Embora esteja a cerca de 4000 anos-luz da Terra, é três vezes maior no céu do que a Lua Cheia. É até visível a olho nu sob céus limpos e escuros. Como é relativamente grande no céu nocturno, o Hubble só consegue captar uma pequena porção da nebulosa total. Esta imagem tem apenas cerca de quatro anos-luz de diâmetro, mas mostra detalhes impressionantes.

A inspiração para o nome da nebulosa pode não ser imediatamente óbvia nesta imagem. Torna-se mais clara apenas com um campo de visão mais amplo, quando a grande corrente de poeira em forma de lagoa que atravessa o gás brilhante da nebulosa pode ser discernida. No entanto, esta nova imagem ilustra uma cena no coração da nebulosa.

Tal como muitos berçários estelares, a nebulosa possui muitas estrelas grandes e quentes. A sua radiação ultravioleta ioniza o gás circundante, fazendo-o brilhar intensamente e esculpindo-o em formas fantasmagóricas do outro mundo. A estrela brilhante incrustada nas nuvens escuras no centro da imagem é Herschel 36. A sua radiação esculpe a nuvem circundante, soprando parte do gás, criando regiões densas e menos densas.

Entre as esculturas criadas por Herschel 36 estão dois furacões interestelares – estruturas estranhas semelhantes a cordas, cada uma medindo meio ano-luz em comprimento. Estas características são bastante parecidas aos seus homónimos da Terra – pensa-se que sejam envolvidas em formas parecidas a funis por diferenças de temperatura entre as superfícies quentes e os interiores frios das nuvens. Nalgum momento futuro, estas nuvens entrarão em colapso sob o seu próprio peso e darão origem a uma nova geração de estrelas.

O Hubble observou a Nebulosa da Lagoa não apenas no visível, mas também no infravermelho. Embora as observações ópticas permitam que os astrónomos estudem o gás em detalhe, a radiação infravermelha corta através das manchas escuras de poeira e gás, revelando as estruturas mais intrincadas por baixo e as estrelas jovens escondidas no interior. Somente combinando dados ópticos e infravermelhos podem os astrónomos pintar um quadro completo dos processos em andamento na nebulosa.

Astronomia On-line
24 de Abril de 2018

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