2795: Extinção em pixeis: estes são os animais ameaçados

CIÊNCIA

Os animais são quem mais tem sofrido com a questão das alterações climáticas. A cada dia que passa, mais uma espécie fica ameaçada de extinção.

Em 2008, o World Wildlife Fund juntou-se a uma agência de publicidade japonesa para criar uma campanha para alertar para este problema. A campanha usava fotografias de espécies em vias de extinção e, nestas imagens, cada pixel representava o número de animais que ainda existiam na natureza.

A campanha tinha como objectivo sensibilizar a população para o crescente desaparecimento de algumas espécies. Agora, e mais de uma década depois, as informações não estão actualizadas.

Por esse motivo, o programador Joshua Smith decidiu recriar a ideia, mas com dados dos últimos anos disponibilizados pelo Animal Planet. O novo conjunto de imagens, que para Joshua não passou de um “desafio de programação”, rapidamente se espalhou pela Internet.

“Cada pixel é um animal. Quanto mais pixelizada a imagem, mais próxima está a espécie da extinção”, escreveu o programador no título da galeria de imagens, que pode ser encontrada aqui.

Segundo o Público, as imagens não são totalmente fidedignas. A fotografia do leopardo-de-amur, por exemplo, tem apenas 49 pixeis, mas a lista do Animal Planet refere que existem pelo menos 60 exemplares da espécie.

Nos comentários, Joshua Smith explica que tentou criar uma imagem quadrada “o mais perfeita possível” usando apenas a proporção 7×7 ou 8×8. “Oito vezes oito dá 64. Como não conseguia atingir o número certo, achei melhor subestimar do que sobrestimar.”

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

1285: Fóssil com 75 milhões de anos adensa mistério sobre a extinção das aves

CIÊNCIA

Brian Engh / dontmesswithdinosaurs.com
Exemplares de Mirarce eatoni, ilustração de Brian Engh

Há mais de 65 milhões de anos, aves de centenas de espécies diferentes voavam sobre as florestas. Mas, depois do cataclismo que destruiu a maioria dos dinossauros, apenas um grupo de aves sobreviveu.

O mistério é exactamente esse: porque é que apenas uma família sobreviveu? A descoberta de um fóssil de um dos grupos extintos, “primos” das aves de hoje, aprofunda o enigma.

O fóssil com 75 milhões de anos, de um pássaro do tamanho de um peru, é o esqueleto mais completo descoberto na América do Norte dos chamados “enantiornitinos”, ou “oposto de aves” – assim chamados porque os ossos das suas patas são formados de maneira diferente nas aves modernas.

Descoberto em 1992 na área de Grand Staircase-Escalante, no Utah, pelo paleontólogo Howard Hutchison, da Universidade da Califórnia, o fóssil permaneceu relativamente intacto no Museu de Paleontologia da Universidade da Califórnia, até que a estudante de doutoramento Jessie Atterholt o começou a estudar em 2009.

Os dois investigadores colaboraram com Jingmai O’Conner, especialista em enantiornitina, para analisar o fóssil. Com base no seu estudo, publicado a 13 de Novembro na revista PeerJ, os enantiornitinos do final do período Cretáceo eram extremamente semelhantes aos ancestrais das aves de hoje, capazes de voar com agilidade.

“Sabemos que as aves no início do Cretáceo, há cerca de 115 a 130 milhões de anos, eram capazes de voar, mas não eram tão bem adaptadas como as aves modernas“, disse Atterholt. “O que este novo fóssil mostra é que os enantiornitinos desenvolveram algumas das mesmas adaptações para estilos de voo avançados altamente sofisticados”.

O osso do peito do fóssil, onde os músculos do voo se ligam, é mais profundamente desgastado do que outros enantiornitinos, o que implica um músculo maior e um voo mais forte, mais semelhante aos pássaros modernos. Em forma de V, o osso é mais semelhante ao dos pássaros modernos, ao contrário do osso com a forma de U dos pássaros anteriores.

Scott Hartman
Esqueleto de Mirarce eatoni

“Esta ave em particular tem cerca de 75 milhões de anos, cerca de 10 milhões de anos antes do cataclismo”, referiu a investigadora. “Uma das coisas misteriosas sobre os enantiornitinos é que os encontramos em todo o Cretáceo, durante cerca 100 milhões de anos de existência, e foram muito bem sucedidos“.

Fósseis de enantiornitinos são encontrados em todos os continentes. Em muitas áreas, são mais comuns que o grupo que levou às aves modernas”, afirmou Atterholt. “No entanto, as aves modernas sobreviveram e os enantiornitinos foram extintos”.

Uma hipótese recentemente proposta argumenta que os enantiornitinos viviam na floresta, por isso, quando a área florestal ficou envolta em fumo depois da queda do asteróide que sinalizou o fim do Cretáceo e dos dinossauros não-aviários, estas aves também desapareceram. Muitos enantiornitinos têm fortes garras curvadas, ideais para se empoleirarem e escalar.

“Acho que é uma hipótese realmente interessante e a melhor explicação que ouvi até agora”, disse Atterholt. “Mas precisamos de fazer estudos rigorosos sobre a ecologia dos enantiornitinos, porque, de momento, esta parte do quebra-cabeças não é explícita“.

ZAP // Phys

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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1226: Em 40 anos, a Terra perdeu 60% dos seus animais selvagens

CIÊNCIA

(CC0/PD) minkewink / Pixabay
O ritmo actual de extinção das espécies é cerca de 100 a 1.000 vezes maior do que há alguns séculos

A população mundial de vertebrados no mundo diminuiu 60% nos últimos 40 anos, aponta um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) divulgado nesta terça-feira. A acção humana é a principal responsável por esta perda em massa de mamíferos, aves, peixes, anfíbios e répteis.

As regiões que mais perderam animais selvagens entre 1970 e 2014 foram as Américas do Sul e Central, onde as populações de vertebrados diminuíram 89%. O Relatório Planeta Vivo analisou o estado de 16.704 grupos de 4.005 espécies de vertebrados durante estes 40 anos.

Entre as espécies de fauna mais afectadas e com a maior taxa de extinção estão as de água doce, cuja redução nas populações atingiu os 83%.

Dependendo do tipo de animais em análise, o ritmo actual de extinção das espécies é cerca de 100 a 1.000 vezes maior do que há alguns séculos, quando a actividade humana começou a alterar a Biologia e a Química do planeta.

Segundo o relatório agora apresentado, a principal causa do declínio da biodiversidade é o modelo descontrolado de consumo do ser humano, que explora extensivamente os ecossistemas e a agricultura. A Humanidade é ainda responsável pela poluição, introdução de espécies invasoras e pelo aquecimento global, factores que também impactam negativamente a vida selvagem.

“A enorme pressão feita sobre os recursos naturais está a ameaçar a estrutura viva que sustenta a Humanidade”, afirmou Marco Lambertini, director-geral da organização ambientalista internacional.

Em todo o mundo, a natureza proporciona serviços avaliados em, aproximadamente, 125 mil milhões de dólares por ano, ajudando a garantir o fornecimento de ar fresco, água potável, alimentos, energia e medicamentos.

Segundo aponta o relatório, os manguezais, por exemplo, – árvores rizoforáceas da América e da África -, capturam quase cinco vezes mais carbono do que as florestas tropicais; as culturas parcialmente polinizadas por animais correspondem a 35% da produção mundial de alimentos e os recifes de corais protegem cerca de 200 milhões de pessoas contra ondas e tempestades.

O WWF destaca ainda que a pegada ecológica do planeta – parâmetro que mede o consumo de recursos naturais – aumentou quase 190% nos últimos 50 anos.

ZAP // Deutsche Welle

Por ZAP
1 Novembro, 2018

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1198: Cientistas descobrem ancestral de jacaré com 65 milhões de anos

CIÊNCIA

Papa Pic / Flickr

Uma equipa de paleontólogos argentinos descobriu ossadas pertencentes a um ancestral de jacaré que terá habitado a Patagónia há 65 milhões de anos, quando o país sul-americano tinha um clima subtropical.

De acordo com a Agência para a Ciência e Tecnologia (CyTA), que avançou a descoberta nesta segunda-feira, os especialistas acreditam que o fóssil encontrado tem o dobro do tamanho comparativamente à espécie actual.

Os paleontólogos decidiram apelidar o espécime de peligrensis Protocaiman, uma vez que os restos fósseis foram encontrados em Punta Perigo, região localizada no Golfo San Jorge, entre as cidades argentinas de Comodoro Rivadavia e Bahía Bustamente, na província de Chubut.

Segundo a CyTA, estes jacarés pertencem a um grupo de crocodilos que habitaram os sistemas de água doce na América Central e do Sul. No entanto, salientam, a história evolutiva destes animais é ainda pouco conhecida, uma vez que os restos fósseis até agora encontrados estavam em mau estado de conservação.

A descoberta, publicada recentemente na revista Proceedings of the Royal Society of London, é especialmente importante para os cientistas da região pois permite traçar com mais detalhe o percurso da espécie pelas Américas.

“Permite uma revisão da árvore genealógica dos crocodilos e propõe, pela primeira vez, que os jacarés habitaram a América do Norte durante a época dos dinossauros e deslocaram-se para a América do Sul no Cretáceo – período que se estende entre 145 e 66 milhões de anos -, onde se dispersaram e diversificaram”, explicou a investigadora Paula Bona, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (CONICET).

CyTA-Fundación Leloir
Fotomontagem do fóssil encontrado

Os investigadores acreditam ainda que o ancestral terá atingido, aproximadamente, o dobro do tamanho de um jacaré actual, aponta a CNN, citando a agência.

“Esta nova espécie representa um dos mais antigos fósseis de jacaré já encontrados”, rematou Paula Bona.

ZAP // RT
Por ZAP
26 Outubro, 2018

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1049: Encontrado o animal mais antigo: tem 558 milhões de anos

O animal foi baptizado de “Dickinsonia” e tinha cerca de 140 centímetros. Com forma oval, o fóssil foi encontrado perfeitamente preservado numa área remota do noroeste da Rússia

© LLYA BOBROVSKIY / AUSTRALIAN NATIONAL UNIVERSITY / LUSA

Vestígios moleculares de colesterol descobertos num fóssil revelaram a cientistas australianos o animal mais antigo já descoberto, que terá vivido há 558 milhões de anos, resolvendo um enigma de décadas.

Baptizado “Dickinsonia”, tinha cerca de 140 centímetros de comprimento e forma oval, com segmentos semelhantes a costelas ao longo do corpo, segundo o estudo publicado hoje na revista Science.

O fóssil perfeitamente preservado numa área remota no noroeste da Rússia continha moléculas de colesterol, uma forma de gordura característica do reino animal.

“As moléculas de gordura fóssil que encontrámos provam que os “Dickinsonia” eram grandes e abundantes há 558 milhões de anos, milhões de anos antes do que se pensava”, afirmou Jochen Brocks, da Universidade Nacional Australiana.

Há mais de 75 anos que os cientistas debatiam o que seria o “Dickinsonia” e outros fósseis que ainda não tinham conseguido identificar no período anterior ao Câmbrico, que, há 540 milhões de anos, representou uma explosão da diversidade de formas de vida, com o aparecimento das formas modernas de vida prevalecentes nos fósseis: moluscos, vermes, artrópodes e esponjas.

O problema dos investigadores tinha sido encontrar fósseis de “Dickinsonia” com restos de matéria orgânica, uma vez que a maior parte das rochas onde foram descobertos tinham sofrido milhões de anos de desgaste.

A matéria orgânica acabou por ser encontrada em amostras de rochas na Rússia, em áreas que só são acessíveis de helicóptero.

“Estes fósseis estavam no meio de falésias no Mar Branco, a 60 e 100 metros de altura. Tive que me pendurar numa corda e escavar pedaços enormes de rocha, lavá-los e repetir até encontrar fósseis como os que procurava”, afirmou o investigador Ilya Bobrovskiy.

Além dos australianos, também colaboraram na investigação cientistas da Academia das Ciências Russa e do Instituto Max Planck para a Biogeoquímica e da universidade alemã de Bremen.

Diário de Notícias
DN/Lusa
20 Setembro 2018 — 19:42

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921: Encontrado na Rússia crânio completo de estranho animal pré-histórico

CIÊNCIA

(dr) Yuri Orlov Palaeontological Museum
O crânio do wetlugasaurus encontrado em Samara, na Rússia

Os investigadores nunca pensaram que, num simples pedaço de rocha, iam fazer uma descoberta com um significado tão importante. 

Investigadores da Universidade Estatal Técnica de Samara, na Rússia, descobriram o crânio mais completo alguma vez encontrado de um wetlugasaurus, um estranho animal pré-histórico.

Trata-se de um género extinto do anfíbio Temnospondyli, que viveu no planeta Terra durante o Triássico Inferior, ou seja, entre 247 e 252 milhões de anos atrás. Tinha um crânio de 22 centímetros de comprimento e alcançava um comprimento total de um metro.

Inicialmente, os arqueólogos pensaram que os ossos salientes, encontrados num pedaço de rocha no sudeste da região russa de Samara, no passado mês de Junho, não era muito valioso.

Nobu Tamura / Wikimedia
Wetlugasaurus angustifrons

No entanto, uma investigação mais detalhada, com a ajuda de paleontólogos da Academia de Ciências da Rússia, mostrou que se tratava do crânio mais completo já encontrado desta criatura com dentes e orifícios nasais posteriores.

“Esta notícia foi completamente inesperada para nós”, admitiu a investigadora russa Aliona Mórova aos media russos.

Os restos deste animal foram encontrados pela primeira vez nas margens do rio Vetluga, nos anos 1920.

ZAP // RT / Sputnik News

Por ZAP
27 Agosto, 2018

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao texto inicial)

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733: O primeiro aquecimento global foi causado por animais há 500 milhões de anos

(CC0/PD) Skitterphoto / pixabay

Um grupo de cientistas descobriu que o processo de evolução dos primeiros animais da Terra levou a um aquecimento global há mais de 500 milhões de anos.

O nascimento da vida na Terra foi, obviamente, um período de grandes mudanças para o planeta. Plantas e algas evoluíram um pouco antes, ajudando a converter a atmosfera carregada de dióxido de carbono em oxigénio, abrindo assim caminho para a flora.

No entanto, as mudanças continuaram: com o aparecimento dos primeiros animais, há cerca de 520 a 540 milhões de anos, a atmosfera voltou a mudar, causando um aquecimento global no ambiente – não tão intenso nem rápido quanto o actual.

Nos 100 milhões de anos que se seguiram à chegada dos primeiros animais aos oceanos, os “recém-chegados” enfrentaram várias crises de extinções em massa. À medida que os níveis de oxigénio na água iam caindo, o dióxido de carbono aumentava e elevava as temperaturas, complicando a sobrevivência destes animais.

A pesquisa, desenvolvida pelas universidades britânicas de Exeter e Leeds com a participação das instituições belgas de Antuérpia e a Universidade Vrije de Bruxelas, foi publicada esta segunda-feira na revista científica Nature.

“Como vermes num jardim, as pequenas criaturas do fundo de mar removeram, misturaram e reciclaram material orgânico morto, processo conhecido como bioturbação“, explicou Tim Lenton, um dos investigadores, da Universidade de Exeter.

“Como o efeito da escavação dos animais é tão grande, eram esperadas grandes mudanças no ambiente no momento em que todo o oceano passasse de um estado não perturbado para um estado bioturbado“, explicou Lenton.

Para a pesquisa, a equipa de investigação recorreu a modelos matemáticos para relacionar o aparecimento dos animais à ocorrência de um evento de aquecimento global há 520 milhões de anos.

Primeiras formas de vida animal

Antes do rápido aparecimento das criaturas no fundo do mar, no período Cambriano há cerca de 540 milhões de anos – conhecido como Explosão Cambriana -, o fundo do mar tinha sido coberto por um tapete microbiano não perturbado na sua grande maioria.

As pequenas criaturas que mudaram o fundo do oceano não deixaram muitos fósseis, mas deixaram traços fossilizados das suas “tocas”. E, quando passavam entre os tapetes microbianos ricos em nutrientes, misturavam-os com sedimentos do fundo do mar, acelerando os processos orgânicos.

Enquanto se alimentavam, consumiam oxigénio e produziam dióxido de carbono. E, embora não tivessem cavado muito fundo – apenas 1 a 3 centímetros -, essa profundidade foi suficiente para desequilibrar o ambiente. Actualmente, as criaturas marinhas são capazes de cavar 10 vezes mais que esta profundidade.

“Quando aplicámos o nosso modelo, ficámos muito surpresos com o que vimos”, disse o cientista ambiental Benjamin Mills, da Universidade de Leeds.

“A evolução destes pequenos animais reduziu o oxigénio nos oceanos e na atmosfera, mas também aumentou tanto os níveis atmosféricos de CO2 que provocou um aquecimento global. Sabíamos que isto tinha ocorrido nesse período histórico, mas não que tinha sido impulsionado por animais”, acrescentou Mills.

Todos os factores coincidiram – a chegada dos animais à Terra, o processo de bioturbação, o esgotamento de oxigénio e os altos níveis de dióxido de carbono. Além disso, os eventos recentes de extinção, desde metade do período cambriano até ao antigo Ordoviciano, foram relacionados com a falta de oxigénio nos oceanos.

Este fenómeno não é diferente do que estamos a enfrentar nos dias de hoje, disse Tim Lenton. Acrescentando que, ao contrário dos antigos vermes marinhos, somos capazes de fazer alguma coisa para reverter esta situação.

“Há um paralelismo interessante entre os primeiros animais – que mudaram o mundo de forma prejudicial para os próprios – e nós, animais humanos – com o que estamos a fazer com o planeta neste momento”, disse.

O cientista alertou ainda que estamos a recriar circunstâncias semelhantes à anoxia dos oceanos de 500 milhões de anos atrás, criando “um mundo cada vez mais quente”, que pode levar (uma vez mais) espécies à extinção.

ZAP // Science Alert / EurekAlert

Por ZAP
5 Julho, 2018

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